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 MALABARISMOS - Depois de um período inicial de bom senso, que há uns tempos anda desaparecido, os concursos públicos têm vindo a transformar-se num mundo de opacidade com vários escalões. Alguns escritórios de advogados especializaram-se em criar cadernos de encargos que são uma espécie de encomenda feita à medida para determinado interessado, obviamente a mando da entidade que organiza a consulta, sobrepondo habilidades jurídicas a questões técnicas básicas. Noutros casos as entidades que lançam os concursos resolvem sobrepor-se à apreciação técnica dos júris que nomearam e fomentam justificativos jurídicos, devidamente fundamentados em extensos pareceres que são elaborados de forma a encaminhar a decisão numa determinada direcção, mesmo que não seja aquela que melhor dá resposta técnica aos objectivos do concurso. Tornou-se rotina não haver coerência na apreciação das propostas, na interpretação das regras, não há sequer respeito pelo trabalho desenvolvido. O que nuns casos se aceita em relação a um concorrente, não se aceita noutros casos; o que se tornou regra numa série de concursos passa a ser penalizado noutros. Por isso conheço cada vez mais gente que hesita apresentar propostas a concursos públicos. É mais um sinal da degradação do Estado.

 

SEMANADA - A Comissão Nacional de Eleições já recebeu 450 queixas por causa das autárquicas, 160 delas sobre a “neutralidade e imparcialidade das entidades públicas”; apesar de Domingo ser o dia tradicional dos grandes jogos de futebol, a Comissão Nacional de Eleições desconhecia o facto e mostrou-se surpreendida pela realização de um Sporting-Porto no dia das autárquicas; segundo a Marktest, em Agosto, 52% do tráfego na internet em Portugal foi gerado por PCs (desktop ou portáteis) e 48% por equipamentos móveis, o que representa um aumento de dez pontos percentuais na utilização de smartphones e uma diminuição igual na de PC’s, em relação ao mesmo período do ano anterior; das dez câmaras mais endividadas, oito – Fornos de Algodres, Nordeste, Cartaxo, Vila Franca do Campo, Portimão, Nazaré, Alfândega da Fé e Paços de Ferreira – estão sob a alçada do PS e duas – Fundão e Vila Real de Santo António – do PSD; o número de jovens entre os 15 e os 29 anos que não trabalham nem estudam passou de 11 para 20,8% entre 2000 e 2016; mais de metade da população activa portuguesa não tem sequer o ensino secundário; 14 mil enfermeiros saíram de Portugal desde 2010; um julgamento sobre corrupção no futebol, envolvendo manipulação de jogos sobre os quais eram feitas apostas, está em risco de nulidade por falta de traduções; nos últimos seis meses os portugueses gastaram 1,5 mil milhões de euros em apostas e jogos diversos.

 

ARCO DA VELHA - Numa época de crescente especulação imobiliária em Lisboa Fernando Medina conseguiu inverter a tendência - vendeu o apartamento que tinha há dez anos com um ganho de 36%  e comprou outro por menos 23% do que a vendedora tinha pago por ele, também há dez anos. É o que se chama ter acesso a boas oportunidades.

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FOLHEAR - O British Journal of Photography foi fundado em 1854 e inovação e invenção são duas palavras que podem caracterizar a revista. Uma das melhores demonstrações desse espírito é a iniciativa “Portrait of Britain”, que este ano promoveu pela segunda vez. A ideia é simples: a revista pede aos seus leitores para enviarem imagens que mostrem a multiplicidade e diversidade da sociedade britânica este ano enviaram oito mil imagens.  A partir destes envios são seleccionadas cem fotografias que depois são exibidas, durante o mês de Setembro, numa rede de anúncios de exterior digitais, mupis da JC Decaux, em estações de transportes públicos, centros comerciais e nas ruas em todo o Reino Unido. Na sua edição de Setembro a revista mostra uma selecção dos melhores trabalhos e , acima de tudo, procura mostrar cidadãos vulgares no seu dia-a-dia, fotografados por outros cidadãos. Ainda na edição de Setembro pode ser visto um trabalho sobre alguns editores de fotografia cujo trabalho é escolher quem vai fazer as imagens de que necessitam e que critérios presidem às suas escolhas. Há também dois portfolios muito interessantes - Mathieu Pernot mostra o resultado do trabalho feito ao longo de duas décadas com uma família romena que emigrou para o sul de França e Rob Honstra fala de “Man Next Door”, um trabalho sobre o seu vizinho, que ele documentou fotograficamente ao longo de uma década. Finalmente outro destaque da edição é uma entrevista a Quentin Bajac, o novo responsável pela fotografia no MOMA de Nova Iorque. A revista já está à venda em lisboa e a edição digital pode ser adquirida em  http://www.bjp-online.com .

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VER - Esta semana todo o destaque vai para o Porto. Em primeiro lugar, Serralves, onde está até 7 de Janeiro a exposição Jorge Pinheiro: D'après Fibonacci e as coisas lá fora” (na imagem). Apresentada como um projecto de Pedro Cabrita Reis com o próprio Jorge Pinheiro, a exposição reúne desenhos, pinturas e esculturas do autor e a sua instalação foi concebida pelo arquitecto Eduardo Souto Moura. O diálogo estreito entre Jorge Pinheiro e Cabrita Reis conduziu à seleção de 80 obras datadas de períodos específicos do percurso de Pinheiro, desde os anos 1960 até ao presente. A exposição inclui ainda uma nova escultura produzida especialmente para ser mostrada em Serralves. O catálogo que acompanha a exposição reproduz, além das obras expostas em Serralves, os cerca de 90 desenhos que integram uma exposição na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, a partir de 23 de Setembro. contextualizadas por uma entrevista de Jorge Pinheiro conduzida por Cabrita Reis e um ensaio do poeta e crítico de arte João Miguel Fernandes Jorge. Ainda no Porto o Centro Português de Fotografia (na antiga Cadeia da Relação), lança um desafio: Quem é que já viu uma prisão do lado de dentro? Assim surgiu “the portuguese prison photo project” que procura  transmitir uma visão das prisões contemporâneas e históricas de Portugal.  A exposição é feita a partir de imagens contemporâneas captadas por dois fotógrafos, o português Luis Barbosa e o suíço Peter M. Schulthess, em 2016 e 2017, complementada por imagens históricas pertencentes aos arquivos nacionais. Até 3 de Dezembro. Podem ver várias das imagens expostas em www.prisonphotoproject.pt . Outras sugestões: na Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38), a exposição Ouvidos No Deserto, trabalhos em papel de Marco Pires; na Fundação Gulbenkian videos, fotografias e serigrafias de Marie José Burki .

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OUVIR - Tori Amos leva quinze discos de originais no activo, desde que começou a sua carreira discográfica em 1988. Depois de em 2014 ter lançado o belíssimo “Unrepentant Geraldines”, Amos regressa agora com “Native Invider”, basicamente construído como reflexo da América que está a desenhar-se depois da vitória de Donald Trump nas presidenciais. Mas para além de uma visão sobre os Estados Unidos, “Native Invider” aborda também, como é tão presente na obra de Tori Amos, a sua relação com a vida e a dor. Amos conta que a ideia deste disco lhe começou a surgir numa viagem às Smoky Mountains, na Carolina do Norte, de onde a sua família é originária,e que a parte mais pessoal tem a ver com a sua própria mãe, que hoje tem dificuldade em comunicar com o mundo exterior. Incomodada com o estado da nação, entristecida pela decadência física da sua mãe, Tori Amos não poupa palavras neste disco e exprime com intensidade as suas emoções. “Native Invider” tem 15 faixas  e algumas das mais marcantes seguem a linha das intensas baladas de voz e piano que são a imagem de marca de Tori Amos - “Reindeer King” (talvez a mais arrebatadora), “Bang” e “Mary’s Eyes”. “Broken Arrow” e “Up The Creek” mostram uma incursão inesperada nas influências da música country e “Wildwood” e “Wings” somam considerações políticas com emoções pessoais, assim como “Breakway” ou “Chocolate Song”. O disco está disponível no Spotify.

 

PROVAR - Há uns tempos que andava com curiosidade de experimentar a Enoteca de Belém, local que me era recomendado por diversos amigos. O local é pequeno, tem poucas mesas, fica numa pequena travessa perto dos Pastéis de Belém, na mesma rua da Galeria da Ermida da Nossa Senhora da Conceição. Aliás a Galeria e a Enoteca são parte do projecto Travessa da Ermida que quer combinar arte com gastronomia e provas de vinhos. Quando se entra na Enoteca a primeira coisa que salta à vista é a variedade de bons vinhos expostos, em prateleiras que vão até ao cimo das paredes - os clientes são convidados a usar uns binóculos de ópera que a casa cede para lerem os rótulos das garrafas mais distantes. A casa tem cerca de uma centena de vinhos e muitos deles podem ser servidos a copo, proporcionando experiências diferentes ao longo da refeição. A cozinha é de inspiração portuguesa com confecção contemporânea - dispensavam-se as espumas da moda. Nesta incursão provou-se com agrado um atum fresquíssimo, no ponto, sobre uma cama de brócolos, anchovas e camarão e um lombo de garoupa muito bem confeccionado com arroz de ameijoas em molho bulhão pato. O chefe ofereceu um amouse bouche interessante - uma mini salada de polvo servida em cone e o couvert inclui uma belíssima manteiga de ovelha. O vinho escolhido foi um branco Casal Santa Maria, de Colares, que estava impecável - embora de início o serviço de vinho fosse desatento. Outras sugestões possíveis são polvo com batata doce, chouriço e molho de ervas ou, na carne, um magret de pato com risotto de cogumelos. O espaço reduzido e a invasão turística aconselham a que se faça reserva. Enoteca de Belém, Travessa do Marta Pinto, 6, Lisboa , todos os dias das 13 às 23,telefone 213 631 511.

  

DIXIT - “Não sei se alguém entrou em Tancos, no limite pode não ter havido furto” - José Alberto Azeredo Lopes, teoricamente Ministro da Defesa.

 

GOSTO - A encenação de “A Viúva Alegre”, que decorre em paris na Ópera da bastilha, tem cenografia de António Lagarto.

 

NÃO GOSTO - O planeta perde 15 mil milhões de árvores por ano.

 

BACK TO BASICS - “A qualidade é mais importante que a quantidade” - Steve Jobs

 

 

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COERÊNCIAS - Numa recente aula na Universidade de Verão do Partido Social Democrata, Cavaco Silva, falando das autárquicas, apelou ao voto genérico no PSD. Entendo que foi um mau serviço que prestou numa aula destinada a jovens aspirantes a políticos. A última coisa que queremos são mais zelosos funcionários que olham para a política como uma actividade clubística. A política exige lealdade de parte a parte - das pessoas com o que pensam, dos partidos com o que está no seu ideário, no seu programa e na sua acção. Nas autárquicas, sobretudo nas autárquicas, o voto deve ser nos candidatos, no seu perfil e no que propõem localmente - e quando possível na análise daquilo que fizeram se antes já tiveram cargos autárquicos. Em todos os partidos há casos em que outro candidato é a melhor escolha em determinada freguesia ou concelho. Se há eleição em que a fidelidade de voto cega não deve existir é nas autárquicas. Eu sei que não voto em Medina, não pelo partido por onde se apresenta, mas pelo mal que tem feito à cidade, pelo seu autoritarismo e auto-suficiência. E não me repugna votar numa lista que seja diferente do meu voto habitual se nela existirem pessoas cuja actividade anterior me agrade e propostas que me pareçam adequadas. Essa é a única maneira de cumprir a cidadania. Às vezes os partidos esquecem-se dos seus deveres para com os eleitores e, mesmo assim, querem um cheque em branco. A política não pode ser isso, seja qual fôr o nosso lugar no espectro partidário.

 

SEMANADA - Até 31 de Agosto arderam 214.000 hectares em 12.000 incêndios e 90% da área ardida deveu-se a 123 desses fogos; uma psicóloga da Polícia Judiciária, Cristina Soeiro, afirma que 58% dos incendiários agiram sob influência do álcool; 97% dos inquéritos a crimes de incêndio são arquivados e apenas 48 suspeitos foram condenados a prisão em cinco anos; um candidato à Câmara de Coimbra reivindicou a construção de um aeroporto internacional na cidade; roupa doada pela marca Salsa a uma instituição de solidariedade social para ser enviada para a Guiné foi encontrada à venda numa feira em Mafra: há onze acidentes por dia com carros sem seguro; o número de carros elétricos vendidos no primeiro semestre mais que duplicou face a igual período do ano passado; no primeiro semestre do ano 4 milhões e 713 mil portugueses acederam a sites de informação a partir de computadores pessoais; 91 por cento das famílias portuguesas subscrevem televisão por cabo e 76% têm acesso a mais de 100 canais; segundo um estudo da Marktest há 4 milhões e 871 mil indivíduos que se dizem sócio e/ou simpatizante de clube(s) desportivo(s), valor  que representa 56.9% dos residentes no Continente com 15 e mais anos;  José Sócrates tornou-se no mais recente youtuber português, mas a sua  novela “O Embuste da PT” teve apenas cerca de dez mil visualizações na primeira semana, muito longe dos valores dos mais vistos em Portugal.

 

ARCO DA VELHA - Todos os líderes partidários, à excepção de Jerónimo de Sousa que estava na festa do Avante, foram à feira das vacas em Vila do Conde

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FOLHEAR - Ele há livros que são sempre oportunos e cada vez mais adequados aos tempos - Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, é um deles. A autora morreu há 200 anos mas esta sua obra, editada em 1813, continua a alimentar polémicas, muito devido ao seu primeiro parágrafo: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, na posse de uma boa fortuna, precisa de uma esposa”. Orgulho e Preconceito é, nas palavras do autor de “O Cânone Ocidental”, Harold Bloom, um livro “ que rivaliza com qualquer romance jamais escrito”. No fundo esta é uma comédia sobre os perigos de fazer julgamentos precipitados e os benefícios de aprender a distinguir entre o superficial e o essencial. A história é simples, e é a da família Bennet: “cinco filhas por casar e uma mãe que só pensa em encontrar-lhes maridos”. Assim nasce o romance de Mr. Darcy e Elizabeth Bennet na Inglaterra do início do século XIX. Como referem as notas finais do livro, Orgulho e Preconceito “oferece uma ilustração poderosa dos efeitos prejudiciais para as pessoas e para a sociedade que o preconceito pode causar”. Editado na colecção de Clássicos da Guerra & Paz, o livro tem uma exemplar tradução de Diogo Ourique, a partir da fixação de texto da edição da Penguin Classics de 2014.

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VER - Com a entrada em Setembro as coisas começam a animar-se e também as galerias de arte começam a dar sinais de vida. Na Galeria Alecrim 50 (Rua do Alecrim 48-50), a artista brasileira Bettina Vaz Guimarães expõe “De Que Cor é o Universo” (na imagem) mostrando um conjunto de trabalhos que realizou em Lisboa ao longo dos últimos meses. Bettina interpretou formas e cores da arquitetura presente nas ruas de Lisboa numa visão muito pessoal. No Funchal Teresa Gonçalves Lobo abriu ao público o seu atelier para mostrar as ilustrações  que fez para o livro “unstill, inquieto” ( do poeta Roberto Vas Dias) e outros desenhos recentes - o atelier fica  na Rua da Carreira 39, 2ºB, junto ao Museu Vicentes. Em Lisboa, na Cristina Guerra Contemporary Art (rua de Santo António à Estrela 33) está patente “I speak to people on the telephone”, de Ryan Gander e Jonathan Monk. Na Giefarte (Rua da Arrábida   54 ), Francisco Ariztía apresenta “auto-retratos”. Outras sugestões: a partir desta semana, na Galeria do Torreão nascente da Cordoaria Nacional, e integrada na programação de Lisboa Capital Ibero-Americana da Cultura, estará patente “Turbulências”, uma mostra de arte contemporânea de obras inéditas de 18 artistas da colecção “la Caixa”, que transmitem a sua visão deste mundo em convulsão permanente. Também a partir desta semana, no Palácio Nacional da Ajuda, em colaboração com a Fundação de Serralves, estará a exposição  “Joan Miró: Materialidade e Metamorfose”, que traz a Lisboa até 8 de janeiro o conjunto de 85 obras do artista catalão que integravam a colecção do BPN e que o Governo decidiu manter em Portugal, numa decisão que causou polémica, já que muitas das obras são consideradas de duvidosa relevância.

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OUVIR - O pianista Vijay Iyer, acompanhado pelo saxofonista Steve Lehman e pelo baterista Tyshawn Sorey têm feito, a solo e em grupo, alguma da música de jazz mais inovadora da costa leste dos Estados Unidos. Agora voltaram a encontrar-se em “Far From Over”, num sexteto onde participam também nos sopros Mark Shim e Graham Haynes e ainda o baixista Stephan Crump. Editado pela ECM o álbum foi considerado pela Rolling Stone como “uma amostra do jazz do futuro”. Como é hábito, as composições de Iyer, que ensina música em Harvard, são complexas e com um sentido de ritmo acentuado. A faixa inicial, “Poles” é um exemplo perfeito na organização dos músicos ao longo do desenvolvimento do tema, em crescendo. Em “Down To The Wire” os instrumentos de sopro são dominantes e evocam o bepop, enquanto em “Good On The Ground” a bateria de Sorey comanda claramente o sexteto. O líder, Iyer, tem também o seu quinhão de solos de piano, como em “Nope”, mas principalmente ocupa-se a proporcionar a entrada em acção dos outros músicos, nomeadamente os saxofones de Lehman e Shim ou o flugerhorn de Haynes, como acontece em “End 0f the Tunnel”. Em “for Amiri Baraka”, dedicado ao poeta do mesmo nome, os metais ficam de fora e o piano de Iyer, com a bateria e o baixo de Sorey e Crump constroem uma balada envolvente e poderosa, como também acontece em “Wake”. CD ECM, na Amazon.

 

PROVAR - Desde há muitos anos que a zona do Martim Moniz é uma espécie de sociedade das nações em termos gastronómicos e até de estabelecimentos onde se podem adquirir temperos e produtos alimentares de várias regiões do globo. Quer no Centro Comercial Mouraria, quer na praça ou nas ruas ali à volta há muito por descobrir e que escolher. Comecemos pelos supermercados e lojas. O Hua Ta Li, perto da Rua da Palma, tem uma larga oferta de produtos, de massas de arroz a guiozas, passando por algas e chás e tem uma zona de take away; no Amanhecer, do lado direito de quem desce para o hotel Mundial, os produtos chineses estão bem rotulados em português e muito bem arrumados; a Mercearia Indiana. no segundo piso do Centro Comercial Mouraria, é o paraíso das especiarias e, claro, tem várias variedades de caril. Passando para os restaurantes, no início da Rua do Benformoso há o Pho Pu, especialista em cozinha vietnamita; por falar em rua do Benformoso, essa é a zona onde pode encontrar restaurantes chineses improvisados em casas particulares, com menus esfuziantes - é uma questão de atenção e de ir procurando; dando um salto ao Brasil, na praça do Martim Moniz há um especialista num dos produtos da moda - a Toca do Açai, servido em smoothies ou em taças; também na praça recomenda-se o Shangai Cuisine onde a sopa wantan é muito elogiada; para um outro género, no Topo, que fica no sexto piso do Centro Comercial Martim Moniz e que tem uma vista magnífica, destaca-se o peixe branco cozinhado em caril ou o Tom Yun, um caldo picante com camarões, lulas, ameijoa e massa de arroz. A lista tem muitas opções. Mas o melhor mesmo é passear no fim da Rua da Palma, no meio da praça e nas ruas à volta, na zona da Mouraria. É descobrir um mundo novo em Lisboa.

 

DIXIT - “As claques nas redes sociais são o agitprop do século XXI” - Nuno Garoupa

 

GOSTO - Da decisão do TC que considerou inconstitucional a criação de uma taxa de protecção civil pelo Município de Gaia, o que pode levar a outras decisões, nomeadamente à eliminação de idêntica taxa que Medina impôs aos lisboetas.

 

NÃO GOSTO - Das opacidade e das dúvidas que rodeiam o destino dos donativos para as vítimas do incêndio de Pedrogão Grande.

 

BACK TO BASICS - "Por melhor que a estratégia pareça ser é sensato olhar, de vez em quando, para os resultados que está a produzir" -  Winston Churchill

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FANATISMOS - Mais de 40 anos de regime democrático não chegaram ainda para que  a política não seja entendida como uma espécie de  campeonato de futebol em que os partidos são os clubes. Existe em relação aos partidos um fanatismo que não tem a ver com razões ideológicas, tem a ver com a noção de ter que se defender sempre a agremiação, mesmo que os erros sejam tremendos, que o ideário e a prática de hoje não tenham nada a ver com o que os seus fundadores enunciaram. Na realidade a política não é um jogo de futebol. Claro que pode ser uma paixão, mas convém que seja racional - se for tão irracional como um auto-golo não vale a pena sequer dar-lhe atenção. Quando olho para o que se passa à volta tenho a sensação que vivemos, na política portuguesa, num ponto difuso entre duas séries de televisão - os jogos, traições e manobras de “House Of Cards” e as alianças inesperadas de “Borgen”. Em honra da produção audiovisual portuguesa às vezes “Madre Paula” também dá um ar da sua graça - quando o poder seduz e paga o que for preciso para fazer o que quer e ter o seu momento de prazer. O problema é que no meio de tudo isto há pessoas que são arrastadas por manobras que não têm a ver com os seus interesses, mas com jogos de poder. Penso que é o que se passa na Autoeuropa. Depois da saída de António Chora, que era do BE, o PCP apressou-se a ocupar o terreno. Em plena negociação, na geringonça, do orçamento de estado, o PCP usou os seus sindicatos para mostrar que ainda tem poder, com o claro objectivo de evidenciar que podia impôr condições com mais eficácia que o Bloco. A incógnita disto tudo é perceber como vai Costa terminar este episódio de “Borgen”. Vai para o Convento de Odivelas fugir à realidade ou procurará uma manobra de diversão para entalar os que lhe estão próximos, como faz Frank Underwood?

 

SEMANADA - O relatório de acesso à saúde de 2016 revela que no final do ano passado havia 211 mil pessoas à espera de cirurgia e que o tempo de espera médio foi de 3,3 meses, o maior desde 2011;  O Estado e várias entidades públicas têm cerca de 4.000 imóveis por registar;  desde janeiro houve 12 340 incêndios em todo o país, mais 3600 que em 2016 e ao todo já arderam mais 72 mil hectares que no ano passado; quase 40 por cento dos incêndios que deflagraram entre 22 e 28 de Agosto começaram à noite; falta de qualidade da comida, distribuição fora de horas e escassez de alimentos são as principais acusações dirigidas pelos bombeiros à forma como têm sido tratados pela Autoridade Nacional de Protecção Civil, que é a responsável por assegurar a alimentação no teatro de operações; a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) tinha registados 2920 orgãos de comunicação no final de 2016, menos 144 que no final de 2015; há 652 jornais e revistas, 289 empresas jornalísticas; actualmente existem registados 43 serviços de rádio exclusivamente por streaming e seis de televisão online;  de acordo com os resultados do primeiro semestre de 2017 do Bareme Rádio da Marktest, um em cada seis portugueses ouviu rádio pela Internet nos primeiros seis meses do ano.

 

ARCO DA VELHA - Uma operadora de telecomunicações aplicou uma penalização de 139 euros pelo cancelamento do contrato de uma vítima mortal do incêndio de Pedrógão Grande.

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FOLHEAR - A Photo España é o maior evento fotográfico da península ibérica e promove a realização de numerosas exposições em diversas cidades num período alargado - três meses, de início Junho a final de Agosto. A Photo España é produzida por uma associação, La Fabrica, dirigida por Alberto Anaut, um jornalista que entre meados dos anos 70 e meados dos anos 90 passou por alguns dos maiores jornais e revistas espanhóis. Em 1994 fundou a associação La Fabrica que, em 1995, começou a editar a revista Matador e em 1998 criou a Photo España. Passemos à revista: é editada uma vez por ano, tem 3000 exemplares destinados aos sócios do clube Matador e outros 4000 que são distribuídos em pontos de venda seleccionados. A Matador custa 70 euros, pode ser encomendada online e é um objecto impresso absolutamente precioso - uma qualidade gráfica impressionante, grande formato (40x30, 184 páginas). Uma escolha criteriosa de colaboradores, um tema por edição. O deste ano, cuja capa se reproduz, é “O Futuro”. A revista conta ter uma vida útil de 28 edições e terminará em 2022 se tudo correr como previsto. Entre os colaboradores estão médicos, arquitectos, futuristas, ambientalistas, cientistas, fotógrafos (como Juan Fontcuberta ou Edgar Martins), gestores culturais, músicos, artistas (como Ai Weiwei) ou biólogos (como Ana Patricia Gomes). Falta dizer que o Club Matador inclui um restaurante e tem um blog (http://clubmatador.com/en/blog/). Espreitem se puderem.

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VER - Setembro está aí e já se anuncia o reinício da actividade de diversas galerias. Até lá, aqui ficam algumas sugestões. Começo pelo Centro de Arte Manuel de Brito, em Algès, onde  até 17 de Setembro podem ser vistas três exposições: “O Legado de Mário Henrique Leiria”, “Os artistas surrealistas na colecção de Manuel de Brito” com obras de, entre outros, António Dacosta, Cruzeiro Seixas, António Quadros, Cesariny e Vespeira (na imagem); e

“O Afecto”, que agrupa obras oferecidas a Manuel de Brito por nomes como  Sonia Delaunay, Arpad Szenes, Vieira da Silva ou Júlio Pomar. Para as três montras do British Bar, ao Cais de Sodré, Pedro Cabrita Reis escolheu para este novo ciclo obras de Miguel Palma, Rosa Ramalho e Pedro Gomes, que ali ficarão até final de Setembro. Na Galeria Zé dos Bois (Rua da Barroca 59, Bairro Alto), está até 23 de Setembro a exposição Cartazes Cubanos do período entre 1960-1980,. Na Galeria Pedro Cera (Rua do Patrocínio 67E) está a colectiva “Where and when”,  com trabalhos de  Ana Jotta, Daniel Gustav Cramer, Gil Heitor Cortesão, Luis Paulo Costa e Paulo Brighenti. E finalmente no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado (Rua Serpa Pinto 4), sugiro duas exposições feitas a partir do acervo da instituição: “Vanguardas e neovanguardas na arte portuguesa dos séculos XX e XXI” e “A Sedução da Modernidade”, que aborda a influência da literatura na criação artística portuguesa em meados do Século XIX.

 

 

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OUVIR - Randy Newman, 73 anos, é um compositor, produtor e intérprete norte-americano que se tornou conhecido pela sua voz e pela forma de cantar, pela ironia das suas canções e pelas numerosas bandas sonoras de filmes que compôs ao longo da vida. O seu disco de maior sucesso “Trouble In Paradise”, data de 1983 e tem uma das suas canções mais populares - “I Love L.A.”.  Nos filmes pôs a sua assinatura nas bandas sonoras de “Ragtime” e em sete produções da Disney/Pixar, entre elas a série de “Toy Story” e ainda no filme de animação “O Sapo E A Princesa”, também da Disney. Paralelamente nunca deixou de fazer canções acutilantes sobre temas actuais, com forte cariz social e político. Em 2016 divulgou uma canção sobre Donald Trump intitulada “What a Dick” que fazia comparações entre o tamanho do orgão sexual de Trump e o do próprio cantor (“My dick’s bigger than your dick”….) e anunciou que ela estaria no seu próximo disco - “Dark Matter”, agora publicado. Acabou por não a incluir e em vez da canção sobre Trump há no entanto uma outra, que data igualmente de 2016, “Putin”, que ao som de música tradicional russa, ironiza sobre o presidente Putin . “Dark Matter” é um disco povoado de reflexões - muitas delas enunciadas na faixa de abertura, “The Great Debate”, onde ao longo de oito minutos, numa mini opereta, se degladiam opiniões entre personagens que vão do fundamentalismo religioso aos que não acreditam nas transformações climáticas. Nos nove temas do disco destaca-se a capacidade de arranjos orquestrais de Newman, mas também a sua maneira de fazer canções marcantes, como, além das já citadas , em “Sonny Boy” , “Wondering Boy” e “She Chose Me”. E não posso deixar de destacar os arranjos de “Lost Without You” e sobretudo a epopeia musical que é “On The Beach”. CD Nonesuch/ Warner.

 

PROVAR -  Habituados que estamos aos supermercados por vezes esquecemo-nos do encanto dos antigos mercados tradicionais. Num destes fins de semana fui a Setúbal, ao belo edifício do Mercado do Livramento, na Avenida Luisa Todi. Logo à entrada uma placa avisa-nos que o jornal norte-americano USA Today considerou este local como um dos melhores mercados do mundo. Nesta praça o peixe é rei - ou não fosse Setúbal terra de pescadores. Os balcões de pedra cheios da colheita do mar são uma tentação: chocos, lulas, pregados, garoupas, cantaril e, claro, atum acabado de pescar, de fazer inveja aos japoneses que por ele pagam fortunas. Pedir para cortar bifes de lombo de atum, grossos, e depois braseá-los em casa é uma experiência que não tem comparação possível com o que se consegue em supermercados - fresco ou congelado. Mas os encantos não se esgotam no peixe nem no marisco. As bancadas de legumes e frescos têm molhos de rabanetes com rama, as alfaces são viçosas e fresquíssimas, com uma textura e paladar que também não se compara com o que se vende em sacos de plástico. Em pequenas bancas descobrem-se temperos, sementes comestíveis, um mundo de sabores. E, claro, há bancadas de pães e de doces, que adequadamente convivem com as de queijos e fumados. E o preço? comparando peça a peça o que se comprou, gasta-se menos no mercado que num supermercado mesmo em dia de promoções e a frescura e o sabor são outra conversa.

 

DIXIT -  “Orgulho-me de ter sido membro de uma CT que começou numa fábrica com 144 pessoas. Saí de lá com 4 mil, contrariamente a muitos sindicatos que entraram com 11 mil trabalhadores e saíram com ninguém, como na Lisnave, CUF ou Quimigal. Tenho muito orgulho no meu trabalho” - António Chora, ex coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa entre 1996 e 2016.

 

GOSTO - Vai haver uma série de selos de correio em Portugal baseados na saga “Star Wars” .

 

NÃO GOSTO - Que o Governo se ponha a recomendar o que uma editora de livros deve ou não publicar.

 

BACK TO BASICS - “ Não é boa ideia alguém ter ciência superior e moral inferior” - Arthur C. Clarke

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Na semana passada aconteceu o que há muito se esperava – um dos maiores grupos de comunicação anunciou que vai encerrar ou vender a maior parte dos seus títulos de imprensa. A braços com um endividamente gigantesco acaba por reconhecer que as receitas que obtém, quando existem, são insuficientes para inverter a situação criada ao longo de anos. O cenário actual complica tudo:
é devastador folhear um jornal – qualquer que seja – e ver o reduzido número de páginas de publicidade que apresenta em cada edição. Pegamos nas revistas e o panorama não é muito diferente. Vamos de carro a ouvir rádio e percebemos que ali a publicidade continua abundante. Ouvimos com atenção o noticiário e, quando paramos e pegamos nos jornais ou passamos num quiosque, percebemos que as notícias que ouvimos são, em grande parte, as que estão em destaque nas edições dos diários. Se entretanto estivermos a ver um dos canais de informação na televisão o panorama é semelhante. E nos sites, idem. Que quer isto dizer? – Os jornais diários continuam muitas vezes a marcar a agenda, trazem noticiário que marca a actualidade e depois quem recolhe audiências e, consequentemente a publicidade, são outros meios.  A imprensa – jornais e revistas – criou ao longo de séculos marcas de informação que têm prestígio, reputação e são encaradas com confiança pelos consumidores. Por isso os jornais são uma fonte de informação de outros meios de comunicação que entretanto os ultrapassaram em dimensão e relevância.  Este é o paradoxo actual da industria de mídia.

Essas marcas de imprensa  têm um valor que neste momento está em risco - e vou dizer uma coisa que vai desagradar a bastante gente: a primeira culpa do assunto é da imprensa e das empresas que editam jornais e revistas. Primeiro deixaram-se deslumbrar pela internet e, na maioria dos casos, passaram a disponibilizar os seus conteúdos, que são o seu bem mais precioso, de forma gratuita e generalizada; depois demoraram muito tempo a compreender a alteração de paradigma de consumo de informação, sobretudo nas gerações mais novas; na grande maioria dos casos continuaram a criar conteúdos da mesma forma e com as mesmas características, mesmo quando deixaram de poder competir na rapidez da notícia; pressionados pela quebra de receitas degradaram a qualidade das redacções e dos conteúdos que apresentam; finalmente têm sido lentos demais a utilizar a tecnologia e rápidos demais a deixarem-se asfixiar dentro dela.

Há quem acredite piamente que se pedirmos às pessoas para comprar informação elas estão dispostas a pagar. Na realidade, depende: nunca vão pagar para lerem aquilo que já ouviram ou viram e esse é o grande problema da imprensa. É muito fácil passar de pago a gratuito, é muito difícil passar de gratuito a pago – sobretudo se os conteúdos não forem substancialmente diferentes do que se pode ter à borla. Por isso os melhores casos de sucesso na conciliação entre as edições offline e online vêm dos que perceberam de forma rápida que as edições em papel devem ter conteúdos que não sejam canibalizados por outros mídia, que têm de depender menos do noticiário imediatista de actualidade do que da explicação dos factos, da informação especializada, do jornalismo de investigação e da informação local e regional – que dificilmente se encontra noutras plataformas.

E, no entanto, como a publicidade anda escassa nos jornais e revistas, uma boa campanha publicitária na imprensa tem hoje mais visibilidade e notoriedade no papel que em outros meios e pode ser bem segmentada para diversos públicos, ou a nível nacional ou regional – aliás cada vez mais surgem por esse mundo fora publicações segmentadas, por interesses ou regiões. O problema é que a imprensa saíu de moda, saíu dos hábitos dos responsáveis de marketing, e cabe às empresas de media voltar a mostrar que ela tem cabimento para a comunicação publicitária de uma série de produtos que procuram públicos específicos ou novos posicionamentos. O papel vai desaparecer da paisagem mediática? Não creio – tem é que ter uma oferta diferente, mais rasgo e imprevisibilidade, uma maior atenção aos públicos e aos temas de proximidade. As pessoas só vão comprar aquilo que não podem ver noutro sítio. 

E, finalmente, os jornais precisam de mostrar que sabem comunicar comercialmente e que sabem usar a publicidade de que eles próprios precisam: se os jornais e revistas funcionarem em circuito fechado, se não divulgarem foram das suas páginas o que têm de diferente, publicitando os seus conteúdos nos pontos de contacto com os públicos que querem conquistar, dificilmente podem querer que outras marcas os usem a eles para comunicar.

Uma nota final: os conteúdos, e em primeiro lugar os conteúdos informativos, são fundamentais para que as marcas de consumo encontrem canais de contacto com os seus consumidores. Se a qualidade se deteriora, a audiência desaparece, a comunicação piora e a sociedade em geral fica mais pobre. Os mídia precisam dos anunciantes e estes precisam que os mídia cumpram o seu papel de ponto de contacto com os consumidores. O destino dos dois está cada vez mais ligado.

(Publicado originalmente na newskletter e no site da Meios & Publicidade - http://www.meiosepublicidade.pt/ )

Manuel Falcão

Director-Geral da Nova Expressão – Planeamento de Media e Publicidade

 

 

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publicado às 12:00

AUTÁRQUICAS - Esta semana soube-se que os candidatos às eleições autárquicas vão gastar um total próximo de cinco milhões de euros em brindes para a campanha eleitoral -  só o PS gasta quase dois milhões por sua conta.  Os brindes vão de sacos de plástico a bandeirinhas, emblemas e toda uma parafernália que acaba no lixo. Não posso deixar de citar, sobre esta matéria, aquilo que Rui Calafate, um consultor de comunicação, escreveu no Facebook em jeito de conselho aos candidatos: “recomendei a todos o que recomendo às pessoas com quem trabalho: comprem três pares de sapatos confortáveis - uma campanha é para se dar a conhecer, ganhar a confiança das pessoas e andar no terreno. A proximidade é que dá votos”. Nestas próximas autárquicas já passámos por guerras de secretaria, as mais evidentes foram as que pretendiam impedir Rui Moreira de se candidatar no Porto e Isaltino de Morais em Oeiras. Estas manobras acontecem claramente ligadas a um aumento das candidaturas independentes, nomeadamente por parte de ex-presidentes de Câmara. Num artigo de opinião Nuno Garoupa abordou a questão da importância eleitoral crescente dos independentes e prevê mesmo que, nas próximas autárquicas, os grupos de cidadãos e listas independentes possam alcançar 10% dos votos, podendo ser a terceira força autárquica, abaixo do PS e do PSD. E chama a atenção para o facto de uma subida expressiva dos resultados dos grupos de cidadãos ter como consequência inevitável uma descida percentual do PS e PSD. “As listas independentes são a única ameaça real à hegemonia do PS e do PSD no nosso sistema partidário, tudo o resto não mexe”  - escreve Nuno Garoupa, prevendo igualmente que os partidos institucionais farão todo o possível para, no futuro, dificultar ainda mais a apresentação de candidaturas independentes como já se está agora a ver.

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SEMANADA - A Estrada Nacional 125 no Algarve, tem 64 rotundas em 150 quilómetros; as empresas portuguesas são as que, em 29 países europeus, têm uma demora maior no pagamento de faturas a fornecedores, com um prazo médio de 66 dias; o número de abonos de família pagos este no primeiro semestre deste ano desceu cerca de 10% em comparação com igual período do ano passado; a dívida externa líquida de Portugal era de 176,1 mil milhões em Junho, mais mil milhões que no final de 2016; no final de Junho o endividamento público era de 317,7 mil milhões, um aumento de 9,9 mil milhões em relação ao início do ano;  os gastos dos turistas estrangeiros em Portugal subiram 21,1% no primeiro semestre deste ano; o valor do IMI cobrado pelas Câmaras Municipais cresceu 632 milhões de euros nos últimos dez anos; cerca de oito milhões de euros por dia é o valor das apostas nos jogos da Santa Casa nos primeiros meses deste ano; segundo a DECO um quarto dos utentes do Serviço Nacional de Saúde recebe tratamento fora do prazo legal;  segundo a Marktest há agora  6,5 milhões de pessoas em Portugal que possuem smartphone, o que representa mais de dois terços do total de possuidores de telemóvel; a Festa do Avante! vai abrir este ano com música clássica russa para celebrar os 100 anos da revolução bolchevique de 1917.

ARCO DA VELHA - Centenas de candidaturas a fundos comunitários, de projectos de defesa da floresta e de prevenção contra incêndios, foram rejeitados por falta de dotação orçamental no Ministério da Agricultura, o tal onde Capoula Santos se comparou a D. Dinis.

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FOLHEAR - Tyler Brulé, o fundador da Wallpaper e da Monocle é um  convicto defensor do papel impresso. A Monocle, lançada há dez anos, nunca teve  uma versão para iPad e, embora tenha uma forte actividade digital, no streaming de áudio e vídeo, assim como em newsletters, permanece contrária a edições on line. Para além da revista, que se publica dez vezes por ano há duas publicações sazonais - The Escapist no verão e The Forecast no inverno. Este ano Tyler Brulé decidiu voltar ao formato de jornal que já tinha ensaiado em 2010, e criou Monocle - The Summer Weekly Edition. O primeiro jornal saíu dia 10 de Agosto e todas as semanas deste mês sairá mais um - o projecto tem data de encerramento com a última edição, em 31 de Agosto, mas Brulé já disse que o projecto é para continuar. O novo jornal está dividido em três cadernos - o principal onde se falam de assuntos correntes de interesse geral, o segundo que é dedicado às artes, cultura, media, arquitectura, design e desporto e o terceiro que aborda moda, viagens, comida e bebida. O alinhamento é curioso, a utilização gráfica do formato jornal é conservadora mas muito sóbria e elegante. O resultado final é um misto de actualidade com sugestões concretas. Na primeira edição do semanário era abordado o excesso de turistas em algumas cidades europeias e um artigo falava do boom imobiliário em Lisboa e do investimento francês nessa área; na segunda edição semanal um dos destaques vai para a cortiça portuguesa e as novas aplicações que tem, enquanto se elogiavam o design das cadeiras de ferro tradicionais ADICO nas esplanadas lisboetas; na revista de Setembro, a primeira pós-férias, o tema de capa é como  conseguir alcançar o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. “Escape The Office” é o título principal.

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VER - O Arquivo Municipal de Fotografia é uma das instituições com um trabalho mais interessante de entre as várias que estão sob a alçada da autarquia na área da Cultura - e isto vem desde que foi criado, nos anos 40, e, sobretudo, quando foi instalado em 1994 na Rua da Palma, onde continua. O que se perdeu entretanto, no início desta década, foi a autonomia de que gozou - a sua integração como um mero departamento dos Arquivos Municipais é algo de incompreensível, sobretudo se atendermos a que este arquivo fotográfico transcende em muito o âmbito municipal, devido às colecções, de vários autores e fotógrafos, que lá foram colocadas em depósito e que hoje integram o seu acervo. O Arquivo Fotográfico merecia maior autonomia e a sua equipa bem se esforça por conseguir manter uma actividade regular, através de exposições, do serviço educativo e também da sala de leitura. De entre as suas numerosas colecções, o Arquivo dispõe de um grande inventário de imagens documentais sobre o mundo do espectáculo, desde retratos de actores até registos de ensaios de peças de teatro, de rodagens de filmes, imagens de montagens, etc. Presentemente o Arquivo Fotográfico apresenta a segunda parte da série (ANTE)câmara, dedicado à actriz Amélia Rey Colaço (na imagem), exposição que foi montada a partir da colecção da família Rey Colaço, e que inclui fotografias do convívio familiar, da preparação para a sua primeira representação teatral na peça Marianela, de 1917, e um pequeno conjunto de fotogramas do filme O Primo Basílio, de 1923. Vale bem a pena ver esta exposição, que está patente até 14 de Outubro na Rua da Palma 246.

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OUVIR - June Tabor é um dos nomes - e vozes - incontornáveis da folk britânica. Para além de uma extensa carreira a solo, trabalhou com Maddy Prior e com a Oyster Band e participou pontualmente em registos de nomes como Fairport Convention. Em 2013 criou um trio com o pianista Huw Warren e o saxofonista Iain Ballamy, músicos de jazz com quem já tinha colaborado pontualmente ao longo dos anos. O trio recebeu o nome de Quercus e o seu primeiro álbum foi editado em 2013, pela ECM. Este ano surgiu o segundo disco do projecto Quercus, “Nightfall”. O novo trabalho inclui uma abordagem musical inesperada a temas tradicionais do folk inglês  (The Manchester Angel, Once I Loved You Dear (The Irish Girl), The Cuckoo), e também a  temas da tradição popular como Auld Lang Syne ou On Berrow Sands, onde o diálogo entre a voz de Tabor e o saxofone de Ballamy tem um ponto alto. Um dos momentos mais curiosos é a versão de um tema de Dylan, Don’t Think Twice It’s Alright. O mais interessante é a combinação de repertório popular com a improvisação que os dois músicos de jazz imprimem ao som de Quercus. Destaque ainda para o standard "You Don't Know What Love Is" e para “Somewhere” (de West Side Story). CD ECM, na Amazon.

 

PROVAR -   Com o verão ainda no activo deixo aqui a sugestão de uma das minhas saladas preferidas deste ano: laranja às rodelas com filetes de cavala, aromatizada com hortelã e salpicada de nozes sobre uma cama de rúcula, temperada com azeite e balsâmico. Primeiro abro e escorro a lata dos filetes de cavala em azeite, no prato coloco algumas folhas de rúcula temperadas com flor de sal, azeite de boa qualidade e vinagre balsâmico. Por cima disponho as rodelas de laranja descascada, cada uma com um filete de cavala. Algumas folhas de hortelã dão bom aroma e gosto, meia dúzia de nozes grosseiramente partidas complementam. No final um fio de azeite e fica pronta a salada. Os meus preferidos são os filetes de cavala fumada em azeite da Comur mas os simples, em azeite, de La Gondola nunca desapontam. E agora um pouco de enquadramento: da família da sarda e do atum, a cavala tem um sabor intenso, é um peixe azul, rico em ácidos gordos benéficos para a saúde e, ainda por cima, sendo muito abundante na costa atlântica portuguesa, tem bom preço. Acrescento outro argumento: é muito saboroso e os seus filetes em conserva podem ser utilizados de múltiplas formas - até há quem faça sanduíches, misturando-os, cortados, com maionese ou então sob a forma de bruschetta, em cima de um pão grelhado, previamente temperado de azeite, ervas e tomate.

 

DIXIT - As candidaturas independentes nas autárquicas são um factor de renovação do pessoal político e aumentam a competitividade eleitoral” - José Pacheco Pereira, na Sábado.

 

GOSTO - O Turismo Centro de Portugal fez um grande filme promocional da sua região, que já ganhou dois prémios, o mais recente há dias em Los Angeles.

 

NÃO GOSTO - Fiz uma encomenda de dois livros à Wook a 2 de Agosto,  que ainda não recebi, e só soube as razões do atraso depois de reclamar. No entretanto já cobraram o pagamento.

 

BACK TO BASICS - “Não quero ser recordado - prefiro receber os elogios enquanto os puder ouvir” - Jerry Lewis



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publicado às 13:47

O TERRAMOTO LISBOETA VOLTA A ATACAR

por falcao, em 18.08.17

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TERRAMOTO - As próximas autárquicas vão decorrer na ressaca de um dos verões mais marcados por uma sucessão de catástrofes e acidentes. São meses de fuga às responsabilidades, de ocultação, de manobras políticas de todos os lados do espectro partidário, sempre com a desgraça pública em pano de fundo. Não tem sido um espectáculo bonito de se ver. Enquanto o país arde e os acidentes se sucedem, num cenário de incúria generalizado e que perdura ao longo dos anos, há locais onde abundam as obras de fachada a usar dinheiros públicos para propaganda eleitoral dos autarcas que estão no poder. Os orçamentos apresentados ao Tribunal Constitucional para a campanha eleitoral das próximas autárquicas atingem os 30 milhões de euros entre os principais partidos e as coligações que eles estabeleceram - o PS lidera destacado com quase metade desta verba, seguido pelo PSD, o CDS, o Bloco de Esquerda e a CDU. A verba indicada não conta, claro, com os gastos de acções agora surgidas em vésperas de eleições, pagas pelos contribuintes, como os parques para bicicletas de aluguer que Medina vai espalhando pela cidade, tirando lugares de estacionamento aos moradores. Mas o mais preocupante em Lisboa já nem é isso: Manuel Salgado, que se candidata ao seu terceiro e possivelmente derradeiro mandato, deixou a mais terrível das promessas eleitorais como vereador do urbanismo: a de que pretende fazer uma “correcção” do Plano Director Municipal. Olhando-se para o que tem feito, aqui está um alçapão que deixa estrada aberta a várias malfeitorias, a fazer em jeito de despedida pelo homem que quis ser o Marquês do Pombal dos tempos modernos e que não conseguiu ser mais do que um terramoto a infernizar a vida dos lisboetas.

 

SEMANADA - Foram registados 268 incêndios no sábado passado, o dia de 2017 com o mais elevado número de fogos, com 6.500 pessoas envolvidas no combate às chamas e mais de cem missões aéreas; até 31 de Julho registaram-se 8539 incêndios florestais em Portugal; este ano a polícia judiciária já deteve o dobro dos incendiários do que no mesmo período do ano passado; até ao passado dia 12 os incêndios florestais em Portugal já tinham destruído 165 mil hectares; Portugal é o país da Europa com maior área florestal ardida este ano; Capoulas Santos proclamou que a maior revolução da floresta desde D.Dinis foi feita por este Governo; a venda de imóveis aumentou 30% nos primeiros seis meses deste ano, com um total de 80 mil casas vendidas o que coloca 2017 como o melhor ano para o imobiliário desde 2010; o Hospital de Santa Maria deve 153 milhões de euros a fornecedores; em Maio os hospitais públicos de todo o país deviam um total de 739 milhões de euros a fornecedores;  no primeiro semestre do ano entraram 8365 novos funcionários na administração pública; mais de um terço das vítimas mortais de acidentes rodoviários em 2016 tinham bebido antes do sinistro e registavam excesso de álcool no sangue; segundo os dados de 2017 do estudo Bareme Imprensa Crossmedia três milhões de portugueses seguem páginas de jornais e/ou revistas através do Facebook; na semana passada mais de metade dos espectadores de televisão não viram nem a TVI, nem a SIC, nem a RTP1 e preferiram canais de cabo e outras formas de video.

 

ARCO DA VELHA - Na última semana surgiram notícias de que a GNR tem um número elevado de viaturas paradas por falta de manutenção, que à PSP faltam coletes à prova de bala e que ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras faltam efectivos.

 

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FOLHEAR - A Berlin Quarterly apresenta-se como uma revista europeia de cultura, centrada na literatura, nas artes e em grandes reportagens. Os seus fundadores consideram que o jornalismo, a literatura e as artes visuais são elementos fundamentais para a compreensão recíproca, para interpretar o passado e preparar o futuro. Feita a partir de Berlim, a revista procura o resto do mundo como fonte de inspiração. Com uma publicação algo irregular, o primeiro número foi lançado no início de 2014 e vai agora na sua sexta edição, datada do início do verão deste ano. Em destaque uma reportagem sobre a fronteira entre os Estados Unidos e o México, na qual Hannah Gold proporciona uma visão sobre a questão da imigração ilegal, das cidades fronteiriças divididas entre dois mundos, tendo como pano de fundo o contexto histórico da região. Na área da ficção destaque para as quatro crónicas do mexicano Juan Villoro, uma short-story do escritor indiano Upamanyu Chatterjee, assim como outra do sul africano Masande Ntshanga, vencedor da categoria de revelação do prémio PEN internacional. Há ainda poesia do israelita Adi Keissar, da russa Galina Rymbu e dois portfolios fotográficos, um sobre os comboios na europa de leste, por Janine Graubaum, e outro, de Francesco Jodice, sobre o desenvolvimento urbanístico e em vários pontos do globo. Finalmente, já quase no final das 250 páginas desta edição, é publicado “A Writer’s Path”, um texto de Julio Cortazar, que ele proferiu numa conferência, na Universidade de Berkeley em 1980, e que evoca a sua evolução enquanto escritor e a necessidade que sentia, enquanto autor, de ter intervenção política. A revista pode ser encomendada na loja on line da revista por 15 euros.

 

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VER - Meio de Agosto em Lisboa. Que se pode fazer? Talvez seja o momento ideal para rever grandes filmes. No Cinema Ideal, até 13 de Setembro, duas obras primas de Jacques Demy: “Os Chapéus de Chuva de Cherbourg” e “As Donzelas de Rochefort” (na imagem).  Em ambos os casos serão exibidas cópias restauradas e o pretexto desta operação é assinalar os 50 anos de “As Donzelas de Rochefort”, considerada a obra-prima de Demy, protagonizada por Catherine Deneuve e Françoise Dorléac. Trata-se de uma comédia musical "à americana", que conta inclusive com a participação de Gene Kelly. Os "Chapéus-de-Chuva de Cherburgo" (1964), ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, e foi o primeiro filme totalmente cantado, uma opção arriscada, mas que resultou, do realizador Jacques Demy e do compositor Michel Legrand. O filme, uma bela história de amor, tem interpretações notáveis de Catherine Deneuve, Nino Castelnuovo e Anne Vernon. No cinema Nimas começou outro ciclo que até 13 de Setembro exibirá  23 obras de Ingmar Bergman, algumas em cópias restauradas. Entre elas estão nomeadamente “O Sétimo Selo”, “Cenas da Vida Conjugal”, “Lágrimas e Suspiros” , “Mónica e o Desejo”, “Morangos Silvestres” ou “Fanny e Alexandre”. Passando para um registo completamente diferente, no Museu da Marioneta (Convento das Bernardas 146) está uma exposição sobre a arte dos Robertos - História de Um Teatro Itinerante, onde além dos bonecos, há fotografias, ilustrações, cenários e barracas de fantoches - com espectáculo e tudo às sextas pelas 18h30.

 

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OUVIR - Chama-se Svedaliza, nasceu no Irão, vive na Holanda, foi jogadora de basketball e dedicou-se à música. Gosta de pensar como as suas canções podem resultar em videos e por estes dias teve uma elogiada actuação na Madeira, no Festival Ponta do Sol, centrada no seu primeiro álbum de originais, “Ison”. Logo no início a cantora modifica ligeiramente uma citação de Kafka, tirada de uma carta de amor que ele escreveu  à jornalista checoslovaca Milena Jesenská: “In this love, you are the knife with which I explore myself.” Svedaliza resolveu modificar a citação (substituíu a palavra love por life), mas este é um bom exemplo de como ela gosta de usar frases curtas, mas intensas. Depois de deixar a sua carreira desportiva Svedaliza dedicou-se às artes, centrada na música, mas com um cuidado especial na imagem e nos videos que se baseiam nas suas canções - vale a pena ver no YouTube os videos de temas deste álbum como “Human”; “Marilyn Monroe” e “That Other Girl”. “Ison” é um disco melancólico, algures entre a pop e a electrónica, com recurso a orquestrações impactantes e a uma utilização inteligente de efeitos de reverbação. No centro das paisagens sonoras, intensas e envolventes , criadas pelo produtor Mucky, está a voz de Svedaliza, umas vezes a rondar o jazz, outras vezes os blues, com uma noção de ritmo especial. O álbum está construído como uma viagem à mente humana e à forma como o nosso cérebro reage às experiências ao longo da vida. Disponível no Spotify.

 

PROVAR -   Sou um apreciador de cerveja - gosto de experimentar os sabores, as variedades. E felizmente há cada vez mais razões para ir provando novidades. Para além das marcas de grande produção disponíveis por todo o país começaram a surgir nos últimos anos algumas cervejas artesanais que têm vindo a ganhar reconhecimento e atenção. Estas cervejas apostam em métodos de preparação que proporcionam sabores mais marcados, experimentam ingredientes e processos diferentes dos industriais. Uma das marcas mais recentes, fabricada em Lisboa na zona do Marvila (Rua do Açucar) , é a Lince, que se apresenta em três variedades - a Belgian Pale Ale, a Blonde e a American IPA. IPA quer dizer Indian Pale Ale e é feita a partir de quatro lúpulos americanos que lhe dão um sabor frutado, levemente amargo, temperado pelos maltes. A Belgian Pale Ale é fabricada com maltes belgas, tem côr âmbar, sofre uma segunda fermentação em garrafa como acontece com várias cervejas belgas, e apresenta um sabor com notas de citrino, pouco amarga, a perdurar bem. É a minha preferida, a que se segue a Blonde, mais próxima do gosto português e que é a primeira artesanal nacional a ser comercializada numa garrafa de  25 cl., digamos que uma mini. Um dos locais onde podem experimentar as variedades da Lince é no Duque Brewpub, no nº 4 da Calçada do Duque, entre o Rossio e o Bairro Alto.

 

DIXIT - “Portugal é o único país do sul da Europa cuja área florestal ardida anualmente continua a aumentar enquanto diminui em todos os outros” - Manuel Villaverde Cabral

 

GOSTO - Da forma como Inês Henriques assumiu e falou da sua vitória na prova de marcha de 50 kms nos Mundiais de Londres, destacando o trabalho realizado pelos que a apoiaram.

 

NÃO GOSTO - Da continuada fuga às responsabilidades que tem caracterizado a actuação do Estado, a todos os níveis, neste Verão terrível

 

BACK TO BASICS -  “Vivemos numa época em que as coisas desnecessárias são aquelas que consideramos mais necessárias” - Oscar Wilde

 

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publicado às 12:30

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AS ROTUNDAS - Há dias que ando a pensar nisto: aproveitando o facto de tanta gente ter uma máquina fotográfica no bolso, no smartphone, seria interessante que alguma edição digital de um título de informação desafiasse os seus leitores a fotografarem as rotundas das suas terras, nesta época de pré eleições e eleições, para fazer um levantamento dos cartazes de propaganda dos candidatos autárquicos. A propaganda política autárquica é um mundo fascinante, em termos da mensagem que aparece escrita, em termos das fotografias dos candidatos utilizadas nos cartazes, em termos de grafismo. Nesta altura as rotundas de cidades e vilas são um manancial de recolha de slogans, de percepção do estilo e da estética dos partidos e dos candidatos. O objectivo, meramente documental, repito, seria recolher o testemunho de um determinado ano, numa determinada conjuntura política, num determinado contexto local. As eleições autárquicas fascinam-me - desde logo porque são as únicas onde podem existir candidaturas independentes das organizações partidárias tradicionais - mas também porque são aquelas onde a imposição centralizada de normas de propaganda dos partidos se tornam mais difíceis de assegurar. Como em todas as coisas relacionadas com comunicação - e a propaganda política é uma forma de comunicação - haverá bons e maus exemplos. Basta aliás andar nas rotundas da capital para perceber isso: os dois maiores partidos, PS e PSD, têm exibido até agora em Lisboa conceitos de outdoor no mínimo polémicos e, para ser brando, duvidosos. A propaganda é uma actividade fundamental da acção política, por isso, para além da recolha de  colecções de material de campanha, como a equipa de voluntários de Pacheco Pereira vem realizando, era interessante promover a recolha das imagens das rotundas - o único local onde na maior parte das vezes as diversas candidaturas cruzam mensagens e as suas imagens se confrontam. As rotundas são o showroom da política portuguesa, não é?

 

SEMANADA - Portugal está entre os países europeus que menos investem na Cultura, sendo o quinto país que menor percentagem do produto aplica nestes domínios; só a Grécia, Itália, Reino Unido (todos com 0,7% do PIB) e Irlanda (0,6%) investem menos do que Portugal; o Tribunal de Contas considerou-se limitado na sua capacidade de controlar a execução orçamental da administração central porque os registos orçamentais não correspondem ao dinheiro reportado como tendo entrado e saído da conta do Tesouro; ao todo, há mais de 1,7 milhões de portugueses emigrados pela Europa;  cerca de 907 mil são emigrantes de primeira geração e outros 812 mil são de segunda geração;  segundo o INE existem duas gerações de emigrantes de primeira geração, a dos 25 aos 39 anos e a dos 55 aos 64 anos, e a proporção de emigrantes mais jovens com ensino superior é cerca de 10 vezes a dos emigrantes mais velhos; entre os mais velhos, a percentagem dos que têm ensino superior é de 2,7%; já entre os mais jovens, é de 26,3%; nos últimos 25 anos, o número de jovens entre os 15 e os 24 anos diminuiu em quase todos os concelhos; no total, o país perdeu 514 mil jovens entre os 15 e os 24 anos, passando de 1 milhão e 611 mil jovens  em 1991 para 1 milhão e 97 mil em 2016; apenas em 19 dos 308 concelhos do país este número de jovens é hoje superior ao observado em 1991; os concelhos mais rejuvenescidos do país são os das Regiões Autónomas; o investimento captado através dos Vistos Gold subiu 14,8%, nos sete primeiros meses do ano, face a igual período do ano passado, para 656 milhões de euros.

 

ARCO DA VELHA - A rede SIRESP colapsou praticamente todos os anos desde que foi criada em 2006 e desde 2010 teve falhas de funcionamento em todas as situações de emergência reportadas - apesar disso o Estado nunca avançou com nenhuma queixa ou processo judicial contra a empresa que opera a rede, cujo desempenho não é fiscalizado há sete anos.

 

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FOLHEAR - Uma das mais interessantes revistas de fotografia actuais é o British Journal Of Photography (BJP em abreviado). Cada edição é dominada por um tema - e recentemente estiveram em destaque nomes de novos fotógrafos a seguir com atenção, seja no campo comercial seja na expressão artística individual (Ones To Watch- The Talent Issue, edição de Junho),  trabalhos de narrativa fotográfica documental (Truth Or Fiction?, edição de Julho), um número especial dedicado às mais relevantes escolas e cursos europeus que se dedicam ao  ensino da fotografia (Look & Learn, edição de Agosto). Nesta edição de Setembro, sob o tema Invisible World, o BJP mostra ensaios fotográficos sobre realidades quase ignoradas, desde uma ilha no Pacífico onde um terço da população sofre de uma rara forma de cegueira que não permite distinguir as cores, passando por um documento sobre os conflitos étnicos na Índia Central até à degradação ambiental em vastos territórios da ex União Soviética. Além disso merece destaque um trabalho sobre os Rencontres d’Arles, além de uma agenda de 10 importantes festivais de fotografia que acontecem em Setembro - desde o novíssimo que se prepara em Oxford até aos Encontros da Imagem, de Braga. O número de Setembro do BJP inclui ainda uma conversa com o fotógrafo norte-americano Joel Meyorowitz sobre a forma como ele observa e se inspira, e ainda sobre as razões que o levaram a sair de Nova Iorque e a ir viver para a Toscânia. Meyerowitz é um dos fotógrafos em destaque na edição deste ano dos Rencontres d’Arles, que terminam a 27 de Agosto.

 

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VER - Com muitas das galerias encerradas em Agosto recomendo uma visita a duas exposições no Museu Nacional de Arte Antiga (Rua das Janelas Verdes), destacando duas exposições:  a primeira mostra uma peça extraordinária, a Custódia da Igreja de Santo Inácio de Bogotá (na imagem), um tesouro da arte barroca mundial, encomendada em 1700 pela Companhia de Jesus. A peça é  conhecida pelo nome de “La Lechuga” devido ao verde intenso que lhe é dado pelas 1486 esmeraldas que ostenta, além de um  topázio brasileiro, 62 pérolas de Curaçau, 168 ametistas da Índia, 28 diamantes africanos, 13 rubis de Ceilão (Sri Lanka) e uma safira do Reino de Sião (hoje, Tailândia); um total de 1759 pedras preciosas de altíssima qualidade, encastradas numa peça de ouro de 18 quilates. A peça está exposta até 3 de Setembro na Sala do Tecto Pintado, do piso 1 do Museu;  a outra exposição do MNAA é “Madonna - Tesouros dos Museus do Vaticano” e fica até 10 de Setembro na Galeria de Exposições temporárias. Esta mostra apresenta, pela primeira vez em Portugal, um conjunto de obras das famosas coleções dos Museus do Vaticano com pinturas de Primitivos italianos (Taddeo di Bartolo, Sano di Pietro, Fra Angelico), de grandes mestres do Renascimento e do Barroco (Rafael, Pinturichio, Salviati, Pietro da Cortona, Barocci), além de tapeçarias e códices iluminados do acervo da Biblioteca Apostólica Vaticana. Se no fim quiser um refresco aproveite a esplanada no jardim com vista para o Tejo. É uma pena fechar tão cedo, roubando os prazeres do fim da tarde.

 

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OUVIR - "Zaire 74 - The African Artists” é  um disco com uma história fantástica - trata-se da gravação do espectáculo montado em paralelo ao célebre combate de boxe entre Muhammad Ali (Cassius Clay) e George Foreman, realizado no dia 30 de Outubro de 1974, em Kinshasa. No oitavo round Ali arrumou Foreman com um KO, reconquistando o seu título de campeão do mundo. O festival de música que decorreu em paralelo, sob os auspícios do regime de Mobutu e de um promotor habilidoso, Don King, incluía músicos e artistas americanos populares à época e um naipe excepcional de artistas africanos. Este disco recolhe e divulga finalmente a actuação destes últimos, nomeadamente Miriam Makeba, Franco T.P.O.K. Jazz e o seu rival Tabu Ley Rochereau , Orchestre Stukas,  Abumba Masikini e a sua irmã Abebi , rainha do soukous. Trata-se de um duplo álbum que recorda actuações fantásticas, uma montra de afro-funk, secções de metais arrebatadoras e contagiantes ritmos de soul e rumba, cruzamentos de acid rock, heavy metal e música africana. É o retrato de uma época musical única numa circunstância especial. Uma descoberta. Disponível no Spotify

 

PROVAR -  Uma boa surpresa deste verão é a Casa Alegria, um restaurante aberto no primeiro trimestre deste ano na Aldeia do Meco por um casal de franceses: Karine Guichard dirige as operações na sala e o seu marido Olivier superintende na cozinha. A partir de um local que já teve várias utilizações ao longo dos últimos anos os novos proprietários criaram um ambiente informal, com vários espaços entre zonas de interior e exterior, aproveitando móveis antigos de várias proveniências. O serviço é descontraído, mas eficaz e simpático, a decoração é acolhedora, quase caseira, com vários recantos, e a clientela reflecte bem o ambiente do Meco. Para entrada provaram-se uns pastéis de bacalhau, bem feitos, mas estão disponíveis petiscos como bruschetta de sardinha ou brie no forno com oregãos frescos. A seguir vieram coisas mais sérias como um caril de gambas e um caril de legumes, ambos de inspiração tailandesa, um pato confitado honesto e um lombinho de porco com cebola caramelizada e molho de Porto apreciado pela comensal que o escolheu. A cozinha é correcta, com boa qualidade na matéria prima e cuidado na execução. Finalizou-se com uma boa mousse de chocolate negro sem açúcar e, do outro lado da mesa, com um cheesecake de frutos silvestres, que mereceu aplauso. Aberta para refeições, petiscos e aperitivos de fim de tarde, a Casa Alegria é bem diferente, no ambiente e ementa, dos restaurantes tradicionais do Meco: menos barulho, menos confusão. E é engraçado como um casal de franceses escolheu Casa Alegria para nome e propõe de entrada belos pastéis de bacalhau. Fecha às segundas. Casa Alegria, Rua do Comércio 18, Aldeia do Meco, telefones 214 051 343 ou 932 280 176.

 

DIXIT -  “As fusões e aquisições só são verdade no dia em que se anunciam. Até lá, são sempre uma mentira dos jornais” - António Costa, director do jornal online Eco.

 

GOSTO - Segundo a Marktest, 6,9 milhões de portugueses contactam com a imprensa, seja nas edições em papel, seja no meio digital - 80,2% dos residentes no Continente com 15 ou mais anos.

 

NÃO GOSTO - Registam-se mensalmente cerca de 100 ataques de cães perigosos a pessoas.

 

BACK TO BASICS - “Políticos, prédios feios e prostitutas tornam-se respeitáveis se se mantiverem durante bastante tempo” - John Houston no filme “Chinatown”, de Roman Polanski.

 

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publicado às 13:30

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AUTARQUIAS - Com a abstenção provavelmente perto dos 50% o país está dividido entre quem vota e quem não vota nas eleições deste ano, que são as autárquicas. Há muitas razões para o desinteresse no voto - a maneira como os partidos funcionam, a má fama que demasiados casos de corrupção criaram no seio de autarcas - de presidentes da junta a presidentes de câmaras importantes. Mas é forçoso reconhecer que, corrupções e compadrios à parte, o país, numa série de coisas, mudou para melhor com o trabalho de muitos autarcas dedicados às populações que os elegeram. Sou dos que partilha a opinião de que a participação cívica e política mais importante e com maior capacidade de concretização de transformações é a nível das autarquias. Isto acontece a vários níveis, desde a limpeza ao ordenamento do trânsito. Há presidentes de juntas de freguesia que, com poucos recursos, fazem milagres, que contactam diariamente com as populações, que pensam no interesse de quem ali vive e não das imposições dos presidentes de Câmara que são do mesmo partido - embora infelizmente ainda exista, sobretudo nas grandes cidades, muita submissão a interesses partidários em vez de aos interesses dos cidadãos. Há autarcas que sabem utilizar bem as novas formas de comunicação para ouvir reivindicações e protestos, a que depois respondem. Se todos os dias estamos mais perto uns dos outros nas redes sociais, como é que depois há autarcas que se fecham numa torre de marfim e não percebem a realidade? São esses que dão má fama à política, são esses que afastam as pessoas do voto. Cada nova eleição é um teste à forma de funcionamento da democracia. Quem está no poder - a nível nacional, municipal ou local, tem especiais responsabilidades na forma como os eleitores se vão comportar. Vai ser interessante estudar onde se verifica maior abstenção. Estas eleições são o melhor termómetro do estado da nação.

 

SEMANADA -  A Covilhã quer posicionar-se como o maior produtor de pêssegos do país; a Câmara de Cascais está a ser investigada por ter aprovado a transformação de terrenos agrícolas numa área urbana na zona de Birre; um estudo da Marktest quantifica em 2 milhões e 987 mil o número de portugueses que referem ter consumido vinho do Porto nos últimos 12 meses, o que representa 36.2% dos residentes no Continente com 18 e mais anos; em 2017 o volume de vinho produzido vai atingir  6,6 milhões de hectolitros, mais 10% que no ano passado e o maior potencial de subida está no Douro e no Dão, enquanto o Alentejo será batido pela região de Lisboa; o consumo de cerveja em Portugal no primeiro semestre aumentou 10% em termos homólogos, o que a manter-se este ritmo levará 2017 a ser "o ano com os maiores crescimentos da última década"; no último ano cerca de três milhões de lares consumiram cerveja em casa, o que representa 76% de aumento em relação ao período homólogo; o estudo Bareme Rádio da Marktest quantifica, no primeiro semestre de 2017, em 6 milhões e 646 mil o número de residentes no Continente que ouviram rádio numa base semanal, o que corresponde a 77.6% dos residentes no Continente com 15 e mais anos; em termos médios cada português ouviu, ao longo do semestre, 3 horas e 7 minutos de rádio por dia; o consumo médio de televisão anda nas cinco horas e 28 minutos por dia e por telespectador; na mesma semana deram grandes entrevistas Marcelo Rebelo de Sousa e Eduardo Lourenço - gostei mais desta última.

 

ARCO DA VELHA - Trump tomou posse há pouco mais de 190 dias e a Casa Branca já registou 17 baixas, entre despedimentos e pedidos de demissão. Anthony Scaramucci só ocupou o cargo durante 10 dias.

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FOLHEAR - Como tem acontecido, desde 2015, chega-se a esta altura do ano e a Monocle edita “The Escapist”, que se apresenta como “uma publicação sobre locais menos conhecidos”. Chega o Inverno e sairá “The Forecast”, que se dedica a adivinhar tendências futuras. “The Escapist” é mais hedonista, completamente dedicada aos prazeres estivais - é afinal o assumido guia anual proposto pela Monocle sobre os locais onde deve ir descansar, fazer compras, jantar e preguiçar enquanto estiver de férias.  Mas há uma novidade este ano - a “Monocle” junta a “The Escapist”, a partir da próxima semana, uma publicação em formato de jornal, com 48 páginas, “ The Monocle Summer Weekly” que irá ter quatro edições ao longo do mês de Agosto. Tyler Brulé mantém-se fiel à sua convicção de que nada substitui o papel impresso quando o produto é feito com qualidade, rigor e ambição. Nesta edição “The Escapist” propõe a descoberta dos tesouros da arquitectura modernista em Columbus, Indiana, nos Estados Unidos, um cruzeiro no Reno, uma visão optimista da capital romena, Bucareste ou locais mais recônditos como Tottori, no Japão, Canguu (no Bali), Broome (Austrália) ou ainda Semmering, um refúgio nas montanhas da Áustria, cheio de memórias do final do século XIX. E um destaque a Portugal - esta edição inclui a lista dos 100 melhores restaurantes, segundo a equipa da Monocle, e o primeiro lugar foi arrebatado pelo Bistro 100 Maneiras do chef Ljubomir Stanisic. O segundo lugar foi para um restaurante em Tóquio, o terceiro para um em Nova Iorque, enquanto o quarto lugar foi para o incontornável “The River Café” de Londres e o quinto para um em Melbourne, na Austrália. E o Porto também teve prémio - o “Taberna dos Mercadores”, na Ribeira, aparece na 41ª posição.

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VER - Com a maior parte das galerias em ritmo de Agosto, sem grandes exposições a abrir, o destaque vai para a nova mostra no British Bar, na série de pequenas exposições nas montras do local, organizadas por Pedro Cabrita Reis. Todas as últimas sextas feiras de cada mês renova-se a escolha e a que entrou na semana passada mostra obras de Francisco Queirós, Pedro Barateiro e Lourdes Castro - trata-se da quarta ronda de artistas convidados a expor no Cais do Sodré nesta iniciativa que conjuga um belíssimo bar com a arte contemporânea portuguesa - iniciativa única, gratuita e pública, numa cidade tão percorrida por turistas. Pedro Calapez expõe desde este fim de semana até final de Setembro um conjunto de obras recentes (na imagem) na Galeria Maior, em Polença, Mallorca, a maior ilha das Baleares. Outro destaque é a mostra de filmes de animação japoneses do célebre Studio Ghibli, que decorre entre 6 e 27 de Agosto, aos Domingos pelas 18h00 no Museu de Oriente. Se lá for aproveite para descobrir as exposições sobre a Ópera Chinesa ou a exposição de fotografia “Tanto Mundo”, de João Martins Pereira, que até 10 de Setembro mostra 50 retratos feitos na China, Nepal, Butão, Tanzânia, Senegal, Indonésia, Etiópia e Índia. Já agora, se estiverem em Lisboa, não percam no Cinema Ideal, ao Chiado, a partir de 17 de Agosto a exibição de “Os Chapéus de Chuva de Cherburgo” e “As Donzelas de Rochefort”, de Jacques Demy, em cópias digitais restauradas.

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OUVIR - Há qualquer coisa de final dos anos 80 no segundo disco a solo de Chris Baio, o baixista dos Vampire Weekend. “Man Of The World” é uma colecção de canções pop com uma grande utilização de electrónica e com a particularidade de constituírem um almanaque de observações sobre o evoluir da política dos dois lados do Atlântico, desde Trump ao Brexit, passando pelas alterações climatéricas. Tal como “Sunburn”, o seu primeiro EP a solo, de 2012, este “Man Of The World” avança pelo território das pistas de dança, mas é bem melhor que o álbum anterior, “The Names”. Agora Baio atingiu um equilíbrio entre o pop, o techno e as palavras que quer transmitir. “Philosophy”, a canção escolhida para single deste novo trabalho, aborda a falta de comunicação entre as pessoas. E embora todos os temas tenham uma mensagem qualquer que querem veicular, Chris Baio conseguiu fazer um disco que não é aborrecido nem pretensioso. É um disco pop, condimentado com observações sobre o que se passa à sua volta, como é tradição na melhor música pop. E, nesse sentido, é do melhor que tem sido feito em matéria pop nos tempos mais recentes. Disponível no Spotify.

 

PROVAR -  Para esquecer das agruras do atendimento algarvio, nada como revisitar alguns clássicos lisboetas. Hoje falo do regresso estival ao Salsa & Coentros, no 1º dia de Agosto - casa cheia nos dois pisos e na nova esplanada que abriu este ano, a simpatia de sempre do Sr. José Duarte e da sua equipa e uma surpresa: nos pratos do dia estava sopa de beldroegas. Ele há a época da lampreia e do sável, o mês das sardinhas, o tempo da caça. Mas uma das melhores alturas do ano fica a meio do verão, quando as beldroegas estão viçosas, com folhas carnudas e tenras. Agosto é o seu grande mês e encontrar em Lisboa uma sopa de beldroegas  bem feita não fácil - mas o Salsa & Coentros, com a sua dedicação alentejana, trata do assunto e segue à risca a receita recolhida por Maria de Lurdes Modesto: beldroegas frescas e tenras, azeite do melhor, louro, alho, queijo de ovelha ou de cabra, ovos e batatas. A beldroega nasce espontaneamente junto de ribeiras, é oriunda do médio oriente e em Portugal está presente no Alentejo e Algarve. O que se aproveita em termos culinários são as folhas e a parte de cima dos caules, que deve ser cortada em pequenos pedaços. O seu sabor é único. A sopa de beldroegas é originária do Baixo Alentejo e é por si só uma refeição - o queijo é cozido no caldo e o ovo é escalfado. Dizem os entendidos que as propriedade nutricionais da beldroega são extraordinárias - eu acho o seu sabor acima de extraordinário e agradeço ao Salsa & Coentros ter-me dado esta inesperada alegria. Rua Coronel Marques Leitão 12, em Alvalade, telefone 218 410 990 .

 

DIXIT -  É preciso que não estejamos sempre a viver um Ronaldo colectivo, um “nós somos o melhor do mundo” - Eduardo Lourenço, entrevistado por Isabel Lucas.

 

GOSTO - Ana Ventura Miranda vive em Nova Iorque e criou o Arte Institute que já organizou 300 eventos, onde participaram 650 artistas, em 20 países, com o objectivo de divulgar a cultura portuguesa e com uma ínfima parte do que algumas instituições oficiais gastam.

 

NÃO GOSTO - Muito má ideia a destruição do restaurante Gôndola, frente à Gulbenkian, fruto de um negócio de terrenos que envolveu a Câmara Municipal e um Banco.

 

BACK TO BASICS - “O amor é a única doença que nos faz sentir melhor” - Sam Shepard.

 

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publicado às 12:26

POLÍTICAS; FANATISMOS & ILUSÕES

por falcao, em 01.08.17

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FANATISMOS - Mais de 40 anos de regime democrático não chegaram ainda para que  a política não seja entendida como uma espécie de  campeonato de futebol em que os partidos são os clubes. Existe em relação aos partidos um fanatismo que não tem a ver com razões ideológicas, tem a ver com a noção de ter que se defender sempre a agremiação, mesmo que os erros sejam tremendos, que o ideário e a prática de hoje não tenham nada a ver com o que os seus fundadores enunciaram. Na realidade a política não é um jogo de futebol. Claro que pode ser uma paixão, mas convém que seja racional - se for tão irracional como um auto-golo não vale a pena sequer dar-lhe atenção. Quando olho para o que se passa à volta tenho a sensação que vivemos, na política portuguesa, num ponto difuso entre duas séries de televisão - os jogos, traições e manobras de “House Of Cards” e as alianças inesperadas de “Borgen”. Em honra da produção audiovisual portuguesa às vezes “Madre Paula” também dá um ar da sua graça - quando o poder seduz e paga o que for preciso para fazer o que quer e ter o seu momento de prazer. O problema é que no meio de tudo isto há pessoas que são arrastadas por manobras que não têm a ver com os seus interesses, mas com jogos de poder. Penso que é o que se passa na Autoeuropa. Depois da saída de António Chora, que era do BE, o PCP apressou-se a ocupar o terreno. Em plena negociação, na geringonça, do orçamento de estado, o PCP usou os seus sindicatos para mostrar que ainda tem poder, com o claro objectivo de evidenciar que podia impôr condições com mais eficácia que o Bloco. A incógnita disto tudo é perceber como vai Costa terminar este episódio de “Borgen”. Vai para o Convento de Odivelas fugir à realidade ou procurará uma manobra de diversão para entalar os que lhe estão próximos, como faz Frank Underwood?

 

SEMANADA - O relatório de acesso à saúde de 2016 revela que no final do ano passado havia 211 mil pessoas à espera de cirurgia e que o tempo de espera médio foi de 3,3 meses, o maior desde 2011;  O Estado e várias entidades públicas têm cerca de 4.000 imóveis por registar;  desde janeiro houve 12 340 incêndios em todo o país, mais 3600 que em 2016 e ao todo já arderam mais 72 mil hectares que no ano passado; quase 40 por cento dos incêndios que deflagraram entre 22 e 28 de Agosto começaram à noite; falta de qualidade da comida, distribuição fora de horas e escassez de alimentos são as principais acusações dirigidas pelos bombeiros à forma como têm sido tratados pela Autoridade Nacional de Protecção Civil, que é a responsável por assegurar a alimentação no teatro de operações; a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) tinha registados 2920 orgãos de comunicação no final de 2016, menos 144 que no final de 2015; há 652 jornais e revistas, 289 empresas jornalísticas; actualmente existem registados 43 serviços de rádio exclusivamente por streaming e seis de televisão online;  de acordo com os resultados do primeiro semestre de 2017 do Bareme Rádio da Marktest, um em cada seis portugueses ouviu rádio pela Internet nos primeiros seis meses do ano.

ARCO DA VELHA - Uma operadora de telecomunicações aplicou uma penalização de 139 euros pelo cancelamento do contrato de uma vítima mortal do incêndio de Pedrógão Grande.

 

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FOLHEAR - A Photo España é o maior evento fotográfico da península ibérica e promove a realização de numerosas exposições em diversas cidades num período alargado - três meses, de início Junho a final de Agosto. A Photo España é produzida por uma associação, La Fabrica, dirigida por Alberto Anaut, um jornalista que entre meados dos anos 70 e meados dos anos 90 passou por alguns dos maiores jornais e revistas espanhóis. Em 1994 fundou a associação La Fabrica que, em 1995, começou a editar a revista Matador e em 1998 criou a Photo España. Passemos à revista: é editada uma vez por ano, tem 3000 exemplares destinados aos sócios do clube Matador e outros 4000 que são distribuídos em pontos de venda seleccionados. A Matador custa 70 euros, pode ser encomendada online e é um objecto impresso absolutamente precioso - uma qualidade gráfica impressionante, grande formato (40x30, 184 páginas). Uma escolha criteriosa de colaboradores, um tema por edição. O deste ano, cuja capa se reproduz, é “O Futuro”. A revista conta ter uma vida útil de 28 edições e terminará em 2022 se tudo correr como previsto. Entre os colaboradores estão médicos, arquitectos, futuristas, ambientalistas, cientistas, fotógrafos (como Juan Fontcuberta ou Edgar Martins), gestores culturais, músicos, artistas (como Ai Weiwei) ou biólogos (como Ana Patricia Gomes). Falta dizer que o Club Matador inclui um restaurante e tem um blog (http://clubmatador.com/en/blog/). Espreitem se puderem.

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VER - Setembro está aí e já se anuncia o reinício da actividade de diversas galerias. Até lá, aqui ficam algumas sugestões. Começo pelo Centro de Arte Manuel de Brito, em Algès, onde  até 17 de Setembro podem ser vistas três exposições: “O Legado de Mário Henrique Leiria”, “Os artistas surrealistas na colecção de Manuel de Brito” com obras de, entre outros, António Dacosta, Cruzeiro Seixas, António Quadros, Cesariny e Vespeira (na imagem); e

“O Afecto”, que agrupa obras oferecidas a Manuel de Brito por nomes como  Sonia Delaunay, Arpad Szenes, Vieira da Silva ou Júlio Pomar. Para as três montras do British Bar, ao Cais de Sodré, Pedro Cabrita Reis escolheu para este novo ciclo obras de Miguel Palma, Rosa Ramalho e Pedro Gomes, que ali ficarão até final de Setembro. Na Galeria Zé dos Bois (Rua da Barroca 59, Bairro Alto), está até 23 de Setembro a exposição Cartazes Cubanos do período entre 1960-1980,. Na Galeria Pedro Cera (Rua do Patrocínio 67E) está a colectiva “Where and when”,  com trabalhos de  Ana Jotta, Daniel Gustav Cramer, Gil Heitor Cortesão, Luis Paulo Costa e Paulo Brighenti. E finalmente no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado (Rua Serpa Pinto 4), sugiro duas exposições feitas a partir do acervo da instituição: “Vanguardas e neovanguardas na arte portuguesa dos séculos XX e XXI” e “A Sedução da Modernidade”, que aborda a influência da literatura na criação artística portuguesa em meados do Século XIX.

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OUVIR - Randy Newman, 73 anos, é um compositor, produtor e intérprete norte-americano que se tornou conhecido pela sua voz e pela forma de cantar, pela ironia das suas canções e pelas numerosas bandas sonoras de filmes que compôs ao longo da vida. O seu disco de maior sucesso “Trouble In Paradise”, data de 1983 e tem uma das suas canções mais populares - “I Love L.A.”.  Nos filmes pôs a sua assinatura nas bandas sonoras de “Ragtime” e em sete produções da Disney/Pixar, entre elas a série de “Toy Story” e ainda no filme de animação “O Sapo E A Princesa”, também da Disney. Paralelamente nunca deixou de fazer canções acutilantes sobre temas actuais, com forte cariz social e político. Em 2016 divulgou uma canção sobre Donald Trump intitulada “What a Dick” que fazia comparações entre o tamanho do orgão sexual de Trump e o do próprio cantor (“My dick’s bigger than your dick”….) e anunciou que ela estaria no seu próximo disco - “Dark Matter”, agora publicado. Acabou por não a incluir e em vez da canção sobre Trump há no entanto uma outra, que data igualmente de 2016, “Putin”, que ao som de música tradicional russa, ironiza sobre o presidente Putin . “Dark Matter” é um disco povoado de reflexões - muitas delas enunciadas na faixa de abertura, “The Great Debate”, onde ao longo de oito minutos, numa mini opereta, se degladiam opiniões entre personagens que vão do fundamentalismo religioso aos que não acreditam nas transformações climáticas. Nos nove temas do disco destaca-se a capacidade de arranjos orquestrais de Newman, mas também a sua maneira de fazer canções marcantes, como, além das já citadas , em “Sonny Boy” , “Wondering Boy” e “She Chose Me”. E não posso deixar de destacar os arranjos de “Lost Without You” e sobretudo a epopeia musical que é “On The Beach”. CD Nonesuch/ Warner.

 

PROVAR -  Habituados que estamos aos supermercados por vezes esquecemo-nos do encanto dos antigos mercados tradicionais. Num destes fins de semana fui a Setúbal, ao belo edifício do Mercado do Livramento, na Avenida Luisa Todi. Logo à entrada uma placa avisa-nos que o jornal norte-americano USA Today considerou este local como um dos melhores mercados do mundo. Nesta praça o peixe é rei - ou não fosse Setúbal terra de pescadores. Os balcões de pedra cheios da colheita do mar são uma tentação: chocos, lulas, pregados, garoupas, cantaril e, claro, atum acabado de pescar, de fazer inveja aos japoneses que por ele pagam fortunas. Pedir para cortar bifes de lombo de atum, grossos, e depois braseá-los em casa é uma experiência que não tem comparação possível com o que se consegue em supermercados - fresco ou congelado. Mas os encantos não se esgotam no peixe nem no marisco. As bancadas de legumes e frescos têm molhos de rabanetes com rama, as alfaces são viçosas e fresquíssimas, com uma textura e paladar que também não se compara com o que se vende em sacos de plástico. Em pequenas bancas descobrem-se temperos, sementes comestíveis, um mundo de sabores. E, claro, há bancadas de pães e de doces, que adequadamente convivem com as de queijos e fumados. E o preço? comparando peça a peça o que se comprou, gasta-se menos no mercado que num supermercado mesmo em dia de promoções e a frescura e o sabor são outra conversa.

 

DIXIT -  “Orgulho-me de ter sido membro de uma CT que começou numa fábrica com 144 pessoas. Saí de lá com 4 mil, contrariamente a muitos sindicatos que entraram com 11 mil trabalhadores e saíram com ninguém, como na Lisnave, CUF ou Quimigal. Tenho muito orgulho no meu trabalho” - António Chora, ex coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa entre 1996 e 2016.

 

GOSTO - Vai haver uma série de selos de correio em Portugal baseados na saga “Star Wars” .

 

NÃO GOSTO - Que o Governo se ponha a recomendar o que uma editora de livros deve ou não publicar.

 

BACK TO BASICS - “ Não é boa ideia alguém ter ciência superior e moral inferior” - Arthur C. Clarke

 

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publicado às 14:00

OS SEGREDOS DE ESTADO

por falcao, em 28.07.17

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OCULTAÇÕES - Durante uma semana o Estado escondeu informações e, ao contrário daquilo que o Primeiro Ministro afirmava, ainda há muito por esclarecer - basta ver a lista das perguntas feitas por jornalistas do Público a várias entidades, e que não tiveram qualquer resposta. E mais, de outros jornais, hão-de ter sido feitas e ficado sem resposta. Em abono da verdade quem começou o aproveitamento político dos incêndios foi quem condicionou o acesso à informação, quem usou a justiça para sonegar dados, quem evitou esclarecer e quem defendeu a legitimidade do secretismo como o inefável Ministro Santos Silva. Depois de tudo o que aconteceu discutir o número de mortes parece macabro - mas foram as autoridades e quem as comanda, e não a oposição, quem iniciou o jogo. A verdade é que não foi só no cenário da tragédia que o Estado falhou. Ao longo destas semanas tem-se visto que falhou na Comunicação atempada e no esclarecimento cabal da verdade, que qualquer Governo deve aos cidadãos. Há um desagradável manto de silêncio, à espera que o tempo faça esquecer as dúvidas e os erros cometidos. Infelizmente o incêndio de Mação levanta mais dúvidas e questões sobre a coordenação de meios pelas autoridades, a começar pela Proteção Civil. Cresce o somatório de indícios de uma mentalidade de disfarce bem visível na lei da rolha imposta aos bombeiros, factos que mostram como se querem esconder as falhas e os erros no combate às chamas. A Autoridade Nacional de Protecção Civil qualquer dia muda o nome para Autoridade Nacional da Mordaça. E não consigo deixar de pensar que tudo isto, todo este silêncio, tem a ver com nomeações feitas pelo Governo há poucos meses nesta área crítica em época de fogos. Como Luís Paixão Martins escreveu no Facebook, "Tantos Media, tanta informação, tantos diretos. E ainda não sabemos o que se passou no incêndio de Pedrógão nem no furto de Tancos. É a época da ilusão da Comunicação". Termino citando um texto ,admirável, um testemunho de Nádia Piazza, mãe de uma criança de cinco anos que morreu em Pedrógão Grande, que o Público divulgou Domingo:"Assim se vai governando Portugal. Sem pactos de regime e visão a longo prazo. Vão-se puxando o tapete uns aos outros, não se apercebendo que, por fim, só restam cacos, dor, e tristeza para governar (...) O Estado não protegeu a sua Nação. Não assegurou o seu território e com ele o seu Povo. Fomos vítimas desta ausência insuportável de Estado".

 

SEMANADA - O número de pedidos de novos cursos enviados por universidades e institutos politécnicos no último ano lectivo foi o mais baixo desde 2009; as esperas de mais de uma hora de turistas estrangeiros para entrar no aeroporto de Lisboa subiram 500% este ano; estão a vender-se mais 26 casas por dia do que em 2010, o ano que até agora registava o número mais elevado de transacções imobiliárias; dez deputados do PS e PSD estiveram o último ano sem abrir a boca nas sessões plenárias do Parlamento; o Governo prevê gastar 700 milhões de euros em armas e equipamentos para as Forças Armadas; pelo segundo ano consecutivo, o Bloco de Esquerda foi o partido com mais diplomas aprovados no Parlamento; nos últimos dez anos pelo menos 492 pessoas suicidaram-se em Portugal nas linhas de comboios; pastores da Serra da Estrela estão a preparar um calendário sexy para 2018; mais de 1.600 estrangeiros foram impedidos de entrar em Portugal no ano passado por não reunirem as condições legais, o que significa um aumento de quase 29% em relação a 2015, revela o SEF; ainda segundo o SEF no ano passado foram emitidos quase 45 mil novos títulos de residência a estrangeiros; a investigação de crimes de corrupção demora em média cerca de quatro anos; este ano estão a registar-se, em média, mais 34 crimes por dia do que em igual período do ano passado.

 

ARCO DA VELHA - A Secretária Geral do Sistema de Segurança Interna só tomou conhecimento do desaparecimento de material de guerra em Tancos através das notícias divulgadas pela comunicação social no dia seguinte ao assalto - "ler jornais é saber mais", como diz o Bartoon de Luís Afonso.

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FOLHEAR - "Lisboa Em Camisa" é um divertido livro, originalmente publicado em 1882, e que retrata as peripécias de uma família oriunda do Algarve, os Antunes, na Lisboa no final do século XIX. Antunes, o chefão da família, faz carreira no funcionalismo público, entre Conselheiros e Chefes de Repartição, tudo muito burocraticamente organizado, no meio de muitos salamaleques. A família vive na Rua dos Fanqueiros, a um passo do Terreiro do Paço, na época o indiscutível centro burocrático de Portugal. O autor, Gervásio Lobato, jornalista e romancista, tem um humor notável e é um certeiro observador de usos e costumes, sobre os quais ironiza com elegância. Ao ler o livro encontramos o retrato de uma Baixa que já não existe, de lojas que fizeram época, de mercearias a chapelarias, uma Lisboa ainda sem transportes públicos onde o precursor dos eléctricos, um veículo puxado a mulas e que dava pela designação de "americano", levava os lisboetas até à praia, a Pedrouços. O livro desenvolve-se à volta do baptizado de um filho do casal Antunes, um evento que terá repercussões, uma delas uma récita teatral. É impossível não ler este livro, e as suas muitas e divertidas cenas,  sem pensar que António Lopes Ribeiro e seu irmão Francisco Ribeiro, "Ribeirinho", se devem ter cruzado com estas leituras quando preparavam alguns dos seus filmes que fizeram uma época do cinema português. Imperdível leitura de verão para nos fazer rir sobre as origens da burocracia e dos costumes que ainda perduram. Edição Guerra & Paz.

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VER - Se quiser ver arte contemporânea fora de Lisboa pode, a partir de agora, dirigir-se a Abrantes onde, num antigo quartel de bombeiros recuperado, passou a estar exposta a coleção Figueiredo Ribeiro. O quARTel, assim se chama este equipamento , será no futuro o centro de arte que vai acolher o acervo desta coleção, composta por mais de um milhar de obras de arte abrangendo diversas áreas da criação artística, como o desenho (muito representativo), pintura, escultura, instalação e fotografia. Esta exposição inaugural, intitulada “Ponto de Partida" apresenta uma escolha de autores e obras muito representativos da arte contemporânea portuguesa como Carlos Correia, Cristina Ataíde (na imagem), Duarte Amaral Netto, Edgar Martins, Fernando Calhau, José Pedro Croft, Rui Calçada Bastos, Rui Chafes, entre outros. Até 29 de Setembro, Rua de Santa Ana 10, Abrantes. Outra sugestão, mais urbana - o Lisboa Stone Crushers quer pôr em evidência a criação artística ligada ao universo do skate com exposições a ter lugar na Underdogs Public Art Store + Montana Lisboa e que reúne obras de diferentes artistas convidados a intervir em tábuas de skate.

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OUVIR - "Dança Ma Mi criola" foi o primeiro disco de Tito Paris, editado em 1995. Duas décadas depois, e após quase 15 anos sem publicar um disco de originais, ei-lo que regressa com "Mim Ê Bô". São treze temas, três dos quais gravados com Bana, Boss AC e Zeca Baleiro. "Mim ê bô" é uma expressão crioula que significa "eu sou tu". A música e os ritmos de Cabo Verde estão bem presentes nestes temas, que no entanto evocam também o cruzamento com os ritmos urbanos e europeus de Lisboa, onde Tito Paris reside habitualmente. Nascido no Mindelo em 1963, Aristides Paris de seu nome, começou a tocar cedo em Cabo Verde, primeiro bateria e violão, ao lado de Bana, com quem deu os primeiros passos em concertos e digressões. A morna "Resposta de segredo cu mar", de B. Leza, foi um dos primeiros temas que cantou, mas só agora o gravou. Tito Paris tem também produzido e feito arranjos para discos de outros músicos e isso explica o cuidado posto na produção deste seu novo álbum, o recurso a mais instrumentos de cordas, ao acordeão, e até a uma pequena orquestra como em "Kêl li ka tá fazedo", um funaná em que Tito Paris substituiu a gaita por orquestra. Em "Fado triste" o músico fala de Cabo Verde, da saudade da sua terra natal, dos objetos que tinha no seu quarto no Mindelo, mas fala também de Lisboa, cidade para onde veio viver com 19 anos, a convite de Bana. Para além do funaná, os ritmos da coladeira e da morna estão também patentes neste álbum em temas como "Mim ê bô, e "Mindel d´Novas". Disponível no Spotify.

 

PROVAR -  O Algarve de finais de Julho é outra coisa. Comparando com o que se passa em Agosto, há menos gente nas praia e, claro, nos restaurantes. Santa Luzia, perto de Tavira, é uma das praias da zona da Ria Formosa, conhecida como a capital do polvo. Na sua marginal existem numerosos restaurantes e vários especializados no octópode. Dois deles, lado a lado, reclamam para si o título do melhor na confecção do bicho. Em ocasião anterior tinha visitado a Casa do Polvo, de que gostei, e desta vez fui ao lado, ao Polvo & Companhia, e não me arrependi. A Casa do Polvo é mais tradicional no menu, o Polvo & Companhia é mais atrevido nas propostas. Para começar veio um carpaccio de polvo, muitíssimo bem cortado e temperado. E depois veio uma paella de polvo e marisco, muito bem servida e cozinhada. Farta e abundante em diversas espécies, os tentáculos do polvo estavam tenros e os nacos que polvilhavam a paella, ao lado de mexilhões, camarões e berbigão, estavam temperados de forma aprimorada. Cabe ainda dar muito boa nota ao serviço, sempre bem disposto e eficaz, mesmo já tarde na noite. Um contraste absoluto com um afamado restaurante de Cabanas de Tavira, Noélia e Jerónimo, onde a arrogância dos empregados, face à elevada procura do local, ultrapassa tudo o que já vi, chegando mesmo a destratar pessoas que só queriam saber se o nome estava na lista de candidatos a uma mesa. Local a evitar este Noélia e Jerónimo, não há cozinha que justifique más-criações. Um dia hão-de querer clientes e não os hão-de ter.

 

DIXIT -  “Gostamos dos idiotas porque não nos põem em causa” - António Lobo Antunes

 

GOSTO - Da recuperação do Pavilhão de Portugal, de Siza Vieira, para ser utilizado pela Universidade de Lisboa como pólo de difusão do conhecimento.

 

NÃO GOSTO - O SIRESP voltou a falhar nos incêndios da Sertã e Castelo Branco.

 

BACK TO BASICS - "Não há elegância na política moderna. É um inferno" - House of Cards, 5a temporada.

 

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