Sexta-feira, 27 De Janeiro,2012

A relação da surdez com a especialidade

SURDEZ – Uma característica do nosso sistema partidário é a surdez selectiva. Passo a explicar – quando o PS está no poder os seus deputados fazem ouvidos de mercador a tudo quanto são dislates governativos ou de empresas públicas nas mais diversas áreas. Uma vez no Governo o PS tem tendência a deixar que todas as asneiras sejam tapadas pelo grande sol que nos ilumina. Claro que quando o PS passa à oposição todos os movimentos governamentais são suspeitos e as trivialidades anteriores passam a perigosos actos de censura actuais. Claro que o inverso também se aplica ao PSD. Infelizmente os dois maiores partidos não gostam de reconhecer erros nem de reflectir sobre eles e esse é um dos grandes problemas do nosso sistema político. Vivemos na permanente luta entre o mal e o bem, que vão variando conforme os resultados eleitorais – o mal de ontem é o bem de hoje e por aí adiante. O sistema é esquizofrénico e o resultado está dramaticamente à vista. Mesmo em áreas como a Cultura, que devia ser exemplar, o estrago é total - basta ler as extraordinárias intervenções actuais da senhora deputada Inês de Medeiros para me preocupar sobre o que ela andou a conter, provavelmente à custa de calmantes, durante os anos em que o PS desgovernou a pasta da Cultura, num metódico trabalho de criação do caos. Cá para mim alguém deve ter explicado à ex-ministra Isabel Pires de Lima que o caos podia potenciar a criatividade – e vai daí ela atirou-se afincadamente à “caotização” da Cultura, bem seguida aliás pelos seus sucessores na era socrática. O que eu acho curioso é que nessa época a deputada Medeiros tenha andado tão caladinha e agora esteja tão linguareira.

 

ESPECIALIDADE - A revista do “Expresso” publicou na semana passada um trabalho sobre a vida de José Sócrates em Paris. O que retive na memória foi saber que, enquanto aluno numa universidade parisiense, beneficiava de um estatuto especial que lhe permite algumas práticas pouco usuais em matéria de escolha das disciplinas, frequência das aulas e realização de exames. Depois, voz amiga recordou-me: nada de novo com esse regime especial em Paris – por cá, enquanto na Universidade também viveu de regimes especiais desses. Em resumo, trata-se de um aluno especial, com hábitos especiais.

 

CONTAS – Depois das afirmações de Cavaco Silva da semana passada percebe-se bem melhor o estado a que o país chegou. O Presidente da República disse que estaria a ter despesas pessoais superiores aos seus rendimentos e, claro, manifestou-se preocupado. É claro que é extraordinário que um reputado economista decida ele próprio gastar acima do rendimento – mas a afirmação deixa-nos perceber o que tem sido o comportamento dos políticos que nos têm governado: gastar acima das posses, fechar os olhos a este simples facto – o dinheiro não chega para as despesas. Insensibilidades políticas à parte o polémico desabafo do Presidente serviu para ilustrar o que é um comportamento recorrente, uma coisa tão interiorizada que ele próprio achou normal dizê-lo.

 

SEMANADA – Crise força 3300 alunos a desistirem do ensino superior; a reforma da administração local está á espera de decisões do PS; o mercado de trabalho mundial não apresentará sinas de melhoria até 2016; o consumo de combustível caiu 7% no terceiro trimestre; o número de desempregados que não recebe subsídio de desemprego é de 288 mil; O DIAP de Coimbra teve de abrir um inquérito sobre o furto de 77 cêntimos de feijão-verde, num supermercado Lidl. Uma procuradora-adjunta arquivou o caso por se tratar de bagatela, mas o supermercado reclamou, exige julgamento e, agora, o caso ocupa uma procuradora da República; Desligamento do sinal analógico de televisão do emissor da Fóia deixou cerca de 400 pessoas, na sua maioria idosos, sem acesso aos quatro canais de televisão.

 

ARCO DA VELHA –O departamento do Ministério Público, que tem a cargo a criminalidade económico-financeira e ainda os casos mais graves e complexos, trabalhou em 2010 em mais de 700 investigações mas só 20 resultaram na acusação dos arguidos, isto é 2,7%. O DCIAP queixa-se de falta de meios para investigar.

 

VER – Um blog relativamente recente, Acordo Fotográfico, dedica-se a coleccionar imagens de pessoas que gostam de ler livro, no pleno exercício do seu prazer, acompanhado às vezes de uma breve descrição do que estão a ler e porquê. Todoas as fotografias são feitas em locais públicos – na rua, em hardins, em meios de transporte e mostram como um livro é um dos melhores entretenimnentos portáteis. Pode espreitar aqui: acordofotografico.blogspot.com .

 

LER – A edição de Fevereiro da revista “Monocle” é dedicada ao poder da atitude na negociação: sorrir, ser honesto, ser verdadeiro, ser amigável e ser gentil são as recomendações da «Monocle» que elege a palavra “charm- encanto” como a chave para os novos tempos. Outros temas em destaque são a cidade chinesa de Harbin, no norte da China, que está a ter um enorme desenvolvimento, a riqueza petrolífera do Gana e a transformação que a cidade brasileira de Santos está a viver.  A presença portuguesa cabe a Rui Rio que numa curta entrevista explica a importância da reabilitação da baixa do Porto. E uma das escolhas do mês para a “Monocle” é o restaurante «Book», do grupo Lágrimas, concebido pelo arquitecto Pedro Trindade. A grande entrevista vai para a mayor de Houston, que na cidade do estado do petróleo, o Texas, apostou nas energias renováveis e nas minorias. Annise Parker, uma lésbica assumida há mais de duas décadas, tem uma agenda de mudança e tolerância inesperada para uma cidade como Houston e a sua actuação está a ser estudada por todos os que seguem a forma como as cidades podem ser governadas. Para seguir o tema de capa, do “charm-encanto”, a Monocle escolhe os dez locais mais encantadores – de um comboio a um edifício de escritórios, passando por ruas, cidades, hotéis, restaurantes e cafés. A cidade escolhida foi Hamburgo, o Hotel foi o Fasano, em São Paulo, e o restaurante a Osteria della Viletta, numa pequena cidade perto de Milão. Finalmente o suplemento do mês é um excelente guia de viagem ao Japão, que se recomenda a todos os que planeiem uma viagem a oriente. Diz quem conhece o Japão que este é dos melhores guias práticos que se podem encontrar. Só por curiosidade, esta é a edição 50 da «Monocle», cada vez mais indispensável.

 

OUVIR – Esta semana é impossível não pensar em pegar num disco de Etta James e deixarmo-nos contagiar pela força da sua voz. “Peaches”, como ela era conhecida, dedicou a sua carreira a cantar blues e jazz, e depois gospel,  desde o seu primeiro álbum, de 1961, «At Last», ainda considerado um dos seus grandes discos – e que no ano passado teve uma belíssima edição com remasterização digital. A década de 60 foi a da sua afirmação, com outros discos notáveis como «The Queen Of Soul», «Call My Name» ou um registo gravado ao vivo, incontornável, «Etta James Rocks The House». Destaque ainda para «Mistery Lady: The Songs Of Billie Holiday» e para o seu derradeiro disco, de Novembro do ano passado, «The Dreamer». Todos os registos estão disponíveis na Amazon e muitos no iTunes. Se quiserem uma boa compilação das suas grandes interpretações, escolham «The Essential Etta James», uma bela compilação de 2010 que tem sido a minha companhia nestes dias.

 

PROVAR – Sabem o que são alcagoitas? Não se assustem – alcagoita é o termo popular e bem português para amendoim, mas também uma marca bem posta à genuína manteiga de amendoim produzida em Portugal, no caso no Algarve, por António Rosa, a partir de amendoins de cultura biológica. A iguaria faz um belo lanche, pode ser barrada num bolo do caco ilhéu e é um bom desafio como condimento de alguns molhos. A manteiga de amendoim Alcagoita pode ser comprada em Lisboa na já incontornável Mercearia Criativa, Avenida Guerra Junqueiro 4ª – sim, a mesma que tem aquela tarte de amêndoa….

 

BACK TO BASICS – De uma escorregadela na rua recupera-se com facilidade; mas uma escorregadela na língua dificilmente é esquecida – Benjamin Franklin 

publicado por MF às 12:00
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Quarta-feira, 25 De Janeiro,2012

Coincidências e Estranhezas

COINCIDÊNCIAS - Eu não quero lançar suspeitas vãs, mas acho uma extraordinária coincidência que logo a seguir a um convívio, em jeito de almoço, ocorrido em Lisboa, entre José Sócrates e alguns dos seus fiéis, um grupo de deputados do PS, considerados muito próximos do ex-Primeiro Ministro, tenha avançado com um pedido de fiscalização sucessiva do Orçamento, por iniciativa individual e à revelia do grupo parlamentar socialista. Mais curioso ainda é que, até ao momento em que escrevo, a Direcção desse grupo parlamentar continue silenciosa sobre o tema, que aliás em termos práticos ilustra a vontade de sectores do PS romperem com o acordo que subscreveram com a troika – retomando assim o que era o desejo profundo imposto por Sócrates na sua obstinação de não reconhecer a realidade. Esta iniciativa de alguns deputados, que se esconde debaixo de uma candura do direito constitucional, é, no fundo, apenas uma manobra de baixa política. De uma assentada cria-se um bloco interno, organizado, a demarcar-se de todas as medidas de austeridade, sem, evidentemente, propor nenhuma alternativa. Ali estão os suspeitos do costume – Vitalino Canas, Alberto Costa, Fernando Serrasqueiro, o sempre fiel José Lello e o iluminadíssimo Sérgio Sousa Pinto, entre outros. Tudo isto acontece ao mesmo tempo que Teixeira dos Santos, de regresso à Universidade, admite, contrariando o pensamento de Sócrates, que a ajuda externa devia ter sido pedida logo em 2010 e reconhece que não existe alternativa ao que está a ser feito. Ouvimos isto e ficamos a ver os pândegos do costume, que levaram o país ao estado onde está, a dizerem alto e bom som que querem que as coisas piorem ainda mais e que nada se faça para resolver os problemas que existem – esse é o sentido único da iniciativa dos apaniguados socráticos. De Seguro e Zorrinho não se sabe o que pensam nem o que dizem. Estão encolhidos a um canto a ver se passam na chuva sem se molharem.

 

ESTRANHO - A RTP nomeou um Director-Geral, Luis Marinho. Conheço o nomeado há muitos anos, trabalhei com ele em várias ocasiões e tenho muito boa impressão dele, além de uma relação cordial. Por isso mesmo nada do que a seguir escrevo significa qualquer dúvida em relação à pessoa. Acontece, no entanto, que esta nomeação está ferida de um pequeno problema – o cargo de director-geral da RTP não está previsto no quadro legal da empresa (desde a Lei da Televisão – na parte que incide sobre a televisão pública - até aos contratos de concessão) e isso não é por acaso. Na última revisão da Lei o assunto foi debatido e a opção dos legisladores foi no sentido de não criar esse cargo, para evitar um conflito de interesses entre as áreas da informação e da programação e para manter a autonomia dos respectivos directores, como a Lei estabelece. Acontece que o novo Conselho de Administração da RTP, que continua a fazer mudanças estruturais mesmo sem saber o que se vai passar a médio prazo, optou por criar uma situação em que irá ter um Director Geral, que obviamente reporta ao Conselho de Administração e recebe as suas orientações, e que terá por missão dirigir o trabalho das diversas direcções de conteúdos da RTP. E é aqui que está o problema – os directores das áreas de conteúdos, seja na informação ou na programação, são supostos terem independência em matéria editorial em relação à Administração e não receberem instruções nessas áreas – é isso que está na Lei. Eu duvido que o Director Geral vá apenas controlar orçamentos, meios de produção e emissão. E não consigo perceber como a ERC concorda com uma nomeação neste enquadramento e nestas condições. Como bem disse Eduardo Cintra Torres numa recente audição parlamentar, a ERC «funciona em roda livre e tem sido muito negativa, no modelo actual, para o serviço público de televisão».

 

GASTRONOMIA – Em honra ao ministro Santos Pereira esta semana não falo de petiscos. Fico-me pelos seus pastéis de nata e pelo frango no churrasco – que de um dia para o outro se tornaram na chave para o desenvolvimento da economia portuguesa. É pena que o Santos Pereira ainda não tivesse saído da casca quando no ano passado houve a votação das maravilhas da gastronomia portuguesa – outros resultados teriam certamente surgido. Mas adiante: o cómico caso dos pastéis de nata a servirem de sobremesa ao frango só revela que este ministro é mais rápido a lançar uma piada do que a anunciar medidas concretas. Se num qualquer cidadão isto se aceita, num Ministro da Economia já não. Dizem-me que o homem aterrou num Ministério onde, em vez de uma equipa, lhe puseram ao colo um saco de gatos. Tudo isto pode ser verdade, mas não explica a tentação de Santos Pereira pela metáfora. Esta semana – dizem-me que apesar dele – foi fechado o acordo de concertação social. É melhor notícia que o sururu pasteleiro.

 

SEMANADA – Num julgamento de uma caso de violação a juíza-desembargadora Eduarda Lobo, saíu-se com esta pérola na sentença:  "agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral, e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituíram actos susceptíveis de serem enquadrados como violentos"; o Provedor de Justiça questionou a EMEL sobre a legalidade de algumas taxas que aplica; Pastelaria Nobreza de Braga já exporta dois milhões de pasteis de nata ultra congelados por ano.

 

ARCO DA VELHA – Seguro dos bombeiros não cobre queimaduras.

 

PALAVREADO – «Nunca ocorre ao Dr. Soares: os políticos de agora são uma desgraça porque têm de lidar com as desgraças que os grandes europeístas do passado nos legaram» - João Pereira Coutinho, no “Correio da manhã”

 

VER – Laurie Anderson diz que caminhamos para um mundo em que a visita aos museus e o consumo de várias formas de arte vai depender apenas do próprio indivíduo e da forma como ele consegue utilizar a tecnologia ao seu alcance. Os bons sites de museus já possibilitam uma experiência que vai para além da informação de agenda. Proponho que visitem o site www.guggenheim.org e que explorem o seu potencial – nomeadamente clicando na parte referente à exposição de Maurizio Castellan que ocupa a rotunda do célebre edifício do museu. Poderão ver um vídeo que mostra o making off de uma fantástica exposição que interpreta de forma muito pessoal as últimas décadas.

 

LER - A edição de Janeiro da revista britânica "Wallpaper" tem como tema destacado os alunos recém formados nas principais universidades mundiais e que já estão a deixar a sua marca de criatividade em áreas como o design, a arquitectura, a moda, o grafismo, a fotografia e turismo, por exemplo. São dezenas de pessoas que já concretizaram uma ideia, algumas que já a aplicaram em produção industrial, outras que decidiram mudar de vida e fazer aquilo que gostam - desde um art director que resolveu fazer uma padaria muito especial até um agente de músicos que largou os palcos e se concentrou num pequeno hotel. Outros pontos em destaque na revista são um belíssimo dossier sobre algumas das melhores e mais confortáveis cadeiras que se podem encontrar no mercado, uma reportagem sobre os bastidores criativos de Nova York, um especial sobre a moda austríaca e um guia dos novos talentos em duas cidades espanholas - Valencia e Barcelona.

 

OUVIR – Anders Holst é um sueco, cantor de jazz, que vive em Nova York desde há algum tempo, ocupação difícil para um estrangeiro na cidade do «Blue Note» neste tempo em que toda a gente acha que o jazz vocal e o soft jazz são meio caminho andado para o reconhecimento. Há uma explicação para isto : o grupo etário que gosta do género ainda compra mais discos do que faz downloads. A situação levou a que o outrora quase deserto território do jazz vocal se tenha transformado num local apinhado, as mais das vezes com muito pouco talento pelo meio. Acontece que não é o caso de Holst, que há dois anos não lançava um disco novo. Este CD que editou já no final de 2011, «Soho Suite», tem sido apontado como o seu melhor trabalho de sempre. Todas as composições são da sua autoria ou co-autoria, à excepção de uma, os arranjos conseguem evitar as complicações que grande parte dos discos de jazz vocal tem nos últimos tempos e o resultado é um bom trabalho, bem tocado (na maioria por músicos suecos), muito bem cantado. (CD UOM/Amazon)

 

BACK TO BASICS – A insanidade, em indivíduos, é relativamente rara; mas é a regra em grupos, partidos, nações e épocas – Friedrich Nietzche 

 

(Publicado no Jornal de Negócios de dia 20 de Janeiro)

publicado por MF às 15:22
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AS DIFICULDADES DO SR. SILVA

Eu imagino que a vida de Presidente da República deva ser dura. Ainda mais dura quando às funções oficiais se junta o treino de equilibrismo.

 

Também sei que é tão mal paga que o actual ocupante do Palácio de Belém optou por não receber como Presidente da República porque a sua reforma era melhorzinha que a remuneração presidencial.

 

Mas como há uns dias atrás o Presidente da República se veio queixar da sua reforma e disse que não devia dar para as suas despesas fixas, imagino que o ordenado de Presidente da República seja mesmo uma coisa modesta – tanto mais que o único número de que Cavaco Silva falou foi 1300 euros.

 

Eu às vezes interrogo-me sobre a percepção que alguns políticos têm do ridículo de afirmações que fazem. Se tivessem os pés na terra poderiam evitar dizer tantas asneiras e meterem-se em alhadas sucessivas.

 

Saberá o Presidente da República qual o salário médio dos portugueses? Terá ideia de quanto desconta para a previdência social um jovem acabado de licenciar e a fazer um estágio a recibos verdes pelos mínimos? E terá coragem de dizer a este jovem para continuar a descontar em nome de uma reforma que em boa verdade não sabe se alguma vez vai receber?

 

As afirmações do Presidente Cavaco Silva são uma séria machadada na já desgastada imagem dos políticos portugueses. Por estas e por outras é que apenas 56% dos portugueses acredita que a democracia é o melhor sistema político. Nós, por cá, não temos elites políticas. Temos apenas ocupantes temporários de instituições, demasiado ocupados a gerirem os seus poderes e a recompensarem os seus apoios. As dificuldades de que o Sr. Silva se queixa são o retrato dos dirigentes que temos.

 

(Publicado no diário Metro de 24 de Janeiro)

publicado por MF às 15:17
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Terça-feira, 17 De Janeiro,2012

EMEL ALVO DO PROVEDOR DE JUSTIÇA

O Provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, dirigiu uma recomendação à Câmara Municipal de Lisboa, pondo em causa as taxas praticadas pela EMEL para a atribuição de um segundo e terceiro dístico por habitação. Actualmente a EMEL cobra o valor anual de 12 euros pelo primeiro dístico de uma habitação, 30 pelo segundo e 120 pelo terceiro e é esta disparidade de valores que é posta em causa. Segundo o Provedor de Justiça, que agiu após queixas de munícipes, dos regulamentos municipais de estacionamento não consta «justificação alguma para o valor desta taxa ou sequer para o seu agravamento», o que está em contravenção com o Regime Geral das Taxas das Autarquias Locais.

 

«A Câmara de Lisboa pode ver-se confrontada com um pedido de declaração de nulidade dos Regulamentos Municipais de Estacionamento nas Coroas Tarifadas, e dos Regulamentos Municipais das Zonas de Acesso Automóvel condicionado» - afirma o Provedor.

Na sua recomendação Alfredo José de Sousa afirma ainda ter reservas pelo facto de as taxas não terem em conta a extensão dos agregados familiares.

 

Esta posição do Provedor de Justiça chama mais uma vez a atenção para o enquadramento em que a EMEL se move – pelos vistos mais uma vez abusivo.

 

Ao longo dos anos o comportamento da EMEL tem sido um somatório de prepotências, algumas ilegalidades e enorme desprezo pelos munícipes – que são tratados como criminosos logo à partida. Nem sequer o argumento de que a EMEL disciplinaria o estacionamento é efectivo – a EMEL não ajuda a resolver o maior problema que é a dupla fila de estacionamento mas é muito rápida a actuar quando há um pequeno atraso ou falta um bilhete de parquímetro. Eu, por mim, desejo o dia em que a EMEL seja extinta.

 

(Publicado na edição de hoje do diário Metro)

publicado por MF às 16:50
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Sexta-feira, 13 De Janeiro,2012

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INSEGURANÇA – Esta insegurança de que aqui falo hoje não tem a ver com a onda de assaltos, ou carjacking, ou roubos de caixas multibancos. Tem a ver com a onda de insegurança provocada por uma política de comunicação que, em vez de gerir expectativas e procurar criar um sentimento positivo, cria angústias e atira as pessoas ainda mais para baixo do que já estão. O início da semana foi marcado por afirmações de que estariam para chegar mais medias de austeridade, que o Orçamento de Estado, cuja execução começou há menos de meio mês, já tem potenciais desvios que não teriam sido calculados e que, assim sendo, havia que procurar mais receitas para tapar esses desvios. Para a praça passou a ideia de que Vitor Gaspar afinal não era perfeito e que também se enganava a fazer as contas. Com o seu ar de sempre o próprio veio dizer que as causas indicadas não provocarão medidas adicionais de austeridade, mas disse-o de uma maneira que deixou um portão escancarado para que surjam outras quaisquer medidas de austeridade. A palavra austeridade está no ponto em que provoca medo. Todos os dias desta semana surgiram notícias de redução de postos de trabalho em empresas privadas de razoável dimensão; outras preparam-se para fazer cortes salariais. E no Estado, quando se começa a cortar a sério? O maior problema de comunicação deste Governo é que as suas únicas estratégias conhecidas baseiam-se em austeridade e mais impostos. Para além da dívida, não se vê uma estratégia, um objectivo, um plano e a forma de o executar. Se existe, não é comunicado.

 

ISCO – Qualquer pescador sabe que sem isco a pesca é curta e o peixe que se apanha não é do melhor. O quadro fiscal português, em matéria de captação de investimento externo, é um anzol enferrujado e sem isco. Nas últimas semanas percebeu-se, até em empresas portuguesas, como o quadro fiscal é tão confuso e mutante, que quem pode vai daqui para fora. Mas os problemas não se esgotam no quadro fiscal – os atrasos na justiça e a burocracia também demovem os mais audazes. Volta e meia, para alguns projectos pontuais considerados estratégicos, lá aparecem uns incentivos especiais. Isto não chega – não se vai conseguir captar investimento reprodutivo, criar emprego e desenvolver a economia com um anzol neste estado catastrófico. Cada vez que um investidor estrangeiro olha com atenção para Portugal devem-lhe vir à mente estas palavras de uma canção dos Rádio Macau : “Eu não sei, se hei-de fugir / Ou morder o anzol / Não há nada de novo aqui/ Debaixo do sol”. 

 

PROBLEMAS – Quem aterrasse em Portugal na última semana acharia que o maior problema de Portugal está na Maçonaria. Como todos sabemos, mesmo havendo comportamentos estranhos em algumas figuras ligadas à Maçonaria, não é esse o nosso maior problema. Claro que o secretismo que continua a ser cultivado à volta da organização não ajuda a melhorar as coisas. Já muita gente escreveu sobre a origem da Maçonaria – mas actualmente o problema reside na sua falta de capacidade de adaptação a uma sociedade aberta e transparente, onde o escrutínio de pessoas e actos se tornou corriqueiro. Um comunicado publicado nestes dias nos jornais pela Maçonaria é um exemplo acabado do desajustamento em relação ao tempo – a generalidade das pessoas simpatiza com os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Mas de há três séculos para cá estes ideais tornaram-se pensamento corrente nas sociedades contemporâneas – já não é uma elite que os promove, é antes a sociedade que, em nome desses princípios, gostaria que não houvesse favorecimentos de qualquer espécie. Os sectores mais retrógrados e conservadores da Maçonaria dizem que estão a ser vítima de uma perseguição igual à do tempo de Salazar. Ninguém consegue levar isto a sério. Nada disto surgiria se algumas pessoas não tivessem tido comportamentos públicos difíceis de aceitar, independentemente de credos, simpatias ou devoções. Se a própria Maçonaria tivesse tido mais cuidado com aqueles que utilizam o seu nome, se tivesse sabido adequar-se aos tempos, se se mostrasse mais desinteressada dos poderes passageiros, talvez estivesse a ser elogiada em vez de acusada. Os problemas só se tornam públicos numa organização quando ela não é capaz de os resolver internamente. Por razões familiares e de educação habituei-me a ver os maçons como um exemplo de honestidade e integridade. Mas a imagem que nos últimos tempos tem passado não é bem essa – e o problema reside aí, não no regresso ao passado.

 

SEMANADA – Crédito à habitação caiu para menos de metade em 2011; venda de música caiu 38% no 1º semestre de 2011; Daniel Ortega tomou posse como Presidente da Nicarágua com o venezuelano Hugo Chavez e o iraniano Mahmoud Ahmadinejad a apoiá-lo; A PSP admitiu não ter carro para patrulhar centro histórico do Porto; Soares quer país a bater o pé à troika; ritmo de destruição de emprego vai duplicar em 2012.

 

ARCO DA VELHA – Os funcionários do Banco de Portugal vão manter em 2012 os subsídios que outros trabalhadores do Estado vão perder.

 

PALAVREADO – «Vamos todos pagar implantes mamários» – título no Jornal de Notícias de dia 10.

 

VER – Ora aqui está uma semana cheia de ideias visuais. Começo por elogiar a mais recente edição da revista Egoísta, sob o tema “Viagem” onde a fotografia ocupa um lugar preponderante (declaração de interesse: publicam um portfolio de instagrams minhas). Graficamente este número da “Egoísta” esta um achado – ainda bem que por cá se fazem revistas assim. A seguir, ainda na fotografia, elogio a ideia da renovada grelha da TVI24 em fazer um programa semanal, de 15 minutos, que tem a fotografia como tema. A responsabilidade é de Luiz Carvalho, o programa chama-se «Fotografia Total» e vai para o ar ao Domingo, às 11h45. E finalmente deixo aqui já o aviso que na próxima semana, a partir de dia 19, vai estar patente na Sociedade Portuguesa de Autores uma exposição dedicada á obra de João Ribeiro, um dos mais importantes fotojornalistas portugueses da última metade do século XX.

 

OUVIR – Nunca é fácil escrever sobre um disco póstumo – é um objecto que fica a meio caminho entre o testamento e o abutre, incómodo em ambas as situações. Hesitei um bom bocado antes de escrever sobre «Hidden Treasures», de Amy Winehouse, mas a única conclusão possível, depois de ter ouvido o CD várias vezes, é que ele é uma prova do grande talento que Amy Winehouse tinha, da sua enorme capacidade de interpretar canções – suas, mas também clássicos que ela aqui recria, como «Our Day Will Come», «Will You Still Love Me Tomorrow», «Valerie», «The Girl From Ipanema», ou «Body And Soul» (este um dueto com Tony Bennett) e «A Song For You». Mas para além destas versões há vários temas da própria Amy Winehouse, e tenho que referir aqui «Like Smoke», uma prova do seu enorme talento também de compositora. É engraçado notar que um disco póstumo assim, que mistura novas versões de temas originais da autora, com temas inéditos e versões de temas de outros autores acaba por ser a prova do talento multifacetado de Amy Winehouse. E, nessa medida, por ser uma homenagem que ela bem merece.

 

PROVAR – Se quiserem um petisco para uma das tardes de fim de semana procurem a conserva de escabeche de frango com essência de figo, preparada no Porto e vendida em Lisboa na Mercearia Criativa (Av Guerra Junqueiro 4A) experimentem-na com um bom pão, como o de Castro Verde que também lá se vende. E no fim rematem com a Tarte (de amêndoa).

 

BACK TO BASICS – Uma viagem de mil milhas começa com o primeiro passo – Lao Tse.

 

(Publicado no Jornal de Negócios de dia 13 de Janeiro)

publicado por MF às 17:57
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Uma Cidade Abandonada

Não é embirração minha, mas acho que Lisboa está cada vez pior, cada vez mais mal governada, cada vez mais abandonada. Daquilo que leio nos jornais, na Câmara Municipal vai uma confusão, com os vereadores da maioria cada vez mais afastados. Na realidade a actual maioria só existe pela necessidade de manter o poder e sem nenhum espírito de dever ou de serviço para com os munícipes.

 

Hoje já é claro que não há um projecto comum, que a agenda de Helena Roseta é uma, a de José Sá Fernandes é outra, a de Nunes da Silva é outra ainda, a de Manuel Salgado é variável e a de António Costa é um mistério. Olha-se para o executivo e não se vê actividade palpável, daquela que se sente nas ruas, no conforto dos cidadãos. Torna-se cada vez mais evidente que António Costa está sentado na Câmara com o olhar apontado ao Largo do Rato. O problema é que somos nós a pagar este exílio partidário.

 

Uma situação destas tem consequências terríveis em Lisboa, que está cada vez mais desconfortável, frequentemente suja, inóspita para os seus habitantes. António Costa está desde 2007 na Câmara Municipal de Lisboa, há quatro anos, portanto – o tempo de um mandato inteiro. Nas eleições prometeu mundos e fundos mas nem sequer o equilíbrio das contas, que garantia ir conseguir em dois anos, conseguiu nestes quatro que já leva.

 

À sombra de António Costa, a cidade definha, deixou-se instrumentalizar pelo Governo anterior em projectos absurdos, e deixou de ter objectivos. Lisboa não apostou na reabilitação urbana, nem no combate à desertificação ou no desenvolvimento económico. É uma cidade parada, estagnada, que continua a perder habitantes e qualidade de vida.

 

(Publicado no diário Metro de 10 de Janeiro)

publicado por MF às 17:54
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Sexta-feira, 06 De Janeiro,2012

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TDT  – Todo o processo da Televisão Digital Terrestre é um grande mistério. As premissas técnicas são conhecidas há anos, as possibilidades idem, a data de implementação também. Demorou-se tanto tempo no processo, registaram-se tantos avanços e recuos, anulações de concursos, alterações de condições, que finalmente se tornou no nado-morto a que estamos a assistir. Arons de Carvalho, agora na ERC, estranha tudo o que se passou e lembra que o desenho do serviço público de televisão poderia ser outro, se a TDT tivesse evoluído de outra maneira. Mas ele próprio foi membro do Governo de Guterres, onde se registaram alguns dos problemas que levaram onde estamos, depois bem continuados pelos governos seguintes, sem excepção. O que vai existir em Portugal é uma TDT mitigada, com menos potencial técnico, a que só aderirá quem não tiver condições para ter linha de telefone fixo ou serviço de televisão por subscrição. O que se passa é uma anedota – e a Anacom, responsável de facto pelo processo, devia ser investigada para se saber como aqui se chegou. Quer-me parecer que estamos perante mais um daqueles casos, tão usuais em Portugal, em que toda a gente se queixa e protesta mas nunca se apuram responsabilidades.

 

TELEVISÃO -  Os dez programas de televisão mais vistos em 2011 foram todos de futebol, com predomínio para os jogos da selecção nacional. A TVI liderou em novelas e reality shows, mas a informação foi da RTP. A SIC conseguiu voltar ao segundo lugar e o conjunto dos canais do cabo estabeleceu-se como uma alternativa seguida por um quarto dos espectadores com acesso ao serviço de televisão por subscrição, praticamente já 70 por cento do total do universo.

 

INESPERADO - O caso Pingo Doce/Soares dos Santos mostra três coisas: em primeiro lugar, quem tem discursos moralistas, como o patriarca do grupo, deve ter cuidado com as acções que toma, ainda por cima quando fez há pouco tempo uma campanha publicitária a gabar-se do seu nacionalismo para tentar captar a simpatia de quem prefere comprar português; em segundo lugar, quem faz Fundações que beneficiam de vantagens fiscais na sua actividade podia ser coerente, em relação aos benefícios que recebe numa actividade, no resto dos seus comportamentos e actividades; e, finalmente, quem toma decisões como a que levou o capital do grupo para a Holanda, devia pensar na sua comunicação antes, para depois não vir com discursos atabalhoados – este é um exemplo perfeito de tudo o que não se deve fazer à imagem de uma marca. Quanto ao resto – cada um gere como entende, convém é manter alguma coerência entre as palavras e os actos.

 

AUDIOVISUAL – Como se adivinhava desde a catastrófica gestão de Gabriela Canavilhas na Cultura, o Instituto do Cinema e do Audiovisual não tem condições para abrir novos concursos de financiamento à produção. Na origem desta situação está a forma como foi construído o FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual), por iniciativa da então Ministra Isabel Pires de Lima; paralisado quase desde o início, o FICA viu a sua situação agravar-se durante o consulado Canavilhas, que acabou por sair do Ministério sem tomar nenhuma medida sobre o assunto. Na prática o FICA está de existência suspensa e esta é uma boa altura para repensar todo o edifício dos apoios à produção de obras audiovisuais, adequando-o à realidade dos tempos, mas também, se possível, traçando uma estratégia que estabeleça prioridades e objectivos e não se baseie apenas, como infelizmente tem acontecido, em critérios sempre subjectivos de avaliação de interesse artístico. Esta falência do FICA pode ser a oportunidade de ouro para iniciar uma mudança séria e profunda em toda esta área.

 

TELEFONE – Se há um mês me dissessem que iria passar uma semana sem telefone teria ficado um bocado nervoso. Desde que existem telemóveis nunca me tinha acontecido ficar mais do 24 horas sem o aparelho funcionar. Mas desta vez, numa viagem, o cartão SIM desmagnetizou-se, talvez num dos sistemas de segurança dos aeroportos, e lá fiquei se poder telefonar – felizmente que há wi-fi e que graças ao iPhone conseguia contactar e ser contactado por email. E, tirando não ter recebido a tempo os SMS a desejar Bom Ano, tudo o resto funcionou perfeitamente só por email. Nestes dias sem telefone li, no New York Times, um interessante artigo que espelha este consumo de transmissão de dados e de redes wi-fi – os grandes operadores de cabo norte-americanos, que são também os grandes fornecedores de ligações de internet aos seus clientes, estão a contratar técnicos cada vez mais qualificados - é que dantes bastava esticar o cabo e ligar o aparelho à televisão e agora, quando se faz uma instalação numa casa, é preciso ligar a televisão, mas também criar uma rede wi-fi que alimente os diversos computadores, os  tablets, as consolas de jogos e os smartphones – às vezes mais de uma dezena de aparelhos diferentes. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades – o que é giro é que o falar é cada vez mais substituído pelo escrever. Tem a sua graça…

 

SEMANADA – Os clubes de futebol profissionais devem 33 milhões de euros ao fisco; uma instituição religiosa que foi burlada pelo BPN vai ser ressarcida com dinheiro dos contribuintes; o Parlamento começou o ano debaixo de uma polémica sobre os serviços secretos e a maçonaria; 376 cursos universitários fecharam por falta de alunos; na última semana de Dezembro, antes da entrada em vigor do novo Orçamento de Estado, aumentou o número de empresas portuguesas que se exilaram na Holanda.

 

ARCO DA VELHA – Na noite de fim de ano, em Albufeira, dois militares da GNR, de folga, alcoolizados, provocaram um atropelamento e em seguida tentaram pôr-se em fuga e simular que nenhum era o condutor.

 

PALAVREADO - «Dos outros Ministros, não me lembro» - Vasco Graça Moura, no seu balanço do ano, depois de deixar elogio a Vitor Gaspar, Paulo Macedo e a Nuno Crato.


LER – A edição norte-americana da revista «Wired» de Janeiro dá a sua capa ao papel das redes sociais nas movimentações políticas e nos protestos, um pouco por todo o mundo. Bill Wasik, o autor do artigo, começa por fazer notar um paradoxo: «a tecnologia pessoal do século XXI – os nossos laptops, tablets, smartphones, browsers e aplicações – fazem tudo o que é possível para nos manter afastado de multidões», desde fazer compras a conhecer novas pessoas ou estabelecer relações. A questão é como se passa deste patamar para a organização de acções colectivas. Vale a pena ler. Outro artigo imperdível desta edição é «Slumdog Economics», uma entrevista com Robert Neuwirth, autor do livro «Stealth Of Nations: The Global Rise of the Informal Economy». A esta economia informal chama o autor o «Sistema D», e afirma que ele existe um pouco por todo o lado, e que, na sua opinião, desenvolve o empreendedorismo, cria emprego e alivia os custos dos Estados mesmo que pouco contribua em impostos. O «Sistema D» movimentará cerca de 10 triliões de dólares por ano e, se fosse um país, seria a segunda maior economia, logo depois dos Estados Unidos. Fascinante e a dar que pensar, mesmo que Vitor Gaspar e os burocratas europeus fiquem com os cabelos em pé só de pensar nisto.

 

OUVIR – Começo o ano com um regresso ao jazz, neste caso a um grupo de músicos brasileiros radicados nos Estados Unidos, que trabalham com o norte-americano Erik Charlston – os JazzBrasil. O disco é uma homenagem ao grande Hermeto Pascoal, de quem interpretam seis temas históricos – os outros dois incluídos no álbum são «Frevo Rasgado» de Egberto Gismonti e «Paraíba», de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, este o único tema cantado. Realce para os arranjos e para a qualidade da interpretação musical e para a forma como o vibrafonista Erik Charlston dirigiu as operações e obteve um resultado invulgar. CD Sunnyside, na iTunes.

 

PROVAR – Tenho um gosto especial por pequenas cervejarias de bairro, simples, despretenciosas, que não se metam em cavalarias demasiado altas e que tenham um serviço simpático e um preço sensato. Está-se mesmo a ver que  esta descrição está feita de propósito para não incluir esse anacronismo que é a Cervejaria da Esquina, em Campo de Ourique. Em contrapartida, assenta às mil maravilhas numa pequena cervejaria de Campolide que tem o natural nome de «Paladares do Mar». Fica na Rua marquês da Fronteira nº173, e tem o telefone 210 505 038. Bifes muito recomendáveis, cerveja impecável, marisco fresco e variado. E uma decoração confortável e simpática.

 

BACK TO BASICS – A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas  (Horácio)

 

(Publicado no JHornal de Negócios de 6 de Janeiro)

 

publicado por MF às 17:52
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Sexta-feira, 23 De Dezembro,2011

Realidades, segurança, sugestões

BALANÇO  – Estive a rever a mensagem de Natal que José Sócrates dirigiu aos portugueses no Natal de 2010. Ela está no YouTube e é uma peça que merece ser recordada para ver a forma como um Primeiro Ministro andou a iludir este país. Nessa altura José Sócrates ainda negava a necessidade do pedido de ajuda externa, atitude que manteve durante meses. Mas antes do Congresso, que mais uma vez o glorificou, em Matosinhos, no já distante início de Abril de 2011, Sócrates teve mesmo que se render às evidências e fez esse pedido de ajuda. Apesar disso, em Matosinhos, a moção de Sócrates obteve 97,2% dos votos dos delegados, uma unanimidade que ele gostava de cultivar. Passados mais três meses Sócrates foi derrotado nas eleições legislativas antecipadas de Junho e, no Congresso seguinte do Partido Socialista, no início de Setembro, nem sequer se dignou aparecer. Não podemos viver obcecados com o passado, mas é bom lembrarmo-nos do que se passou. Esse discurso do Natal dde 2010 é o retrato vivo do resultado de entregar o Governo à perigosa ilusão de um homem.

 

SEGURANÇA – Esta semana, depois de mais uma vaga de assaltos, reuniram-se os responsáveis de diversas forças de segurança e da reunião pouco mais saíu que um repositório de lugares comuns e de simpáticas declarações de intenções. Os cidadãos acham, com razão, que faltam patrulhas dissuasoras, que em muitos locais a polícia não se vê. A ausência da polícia, já se sabe, torna os criminosos mais afoitos. Há sinais que podem e devem ser dados para mostrar que existe uma atitude de mudança. Vou pegar num caso concreto – todos os lisboetas sabem que o eléctrico 28 é o paraíso dos carteiristas que aí procuram afanosamente turistas descuidados. Os portugueses que utilizam aquela linha como meio de transporte sabem mesmo identificar os ladrões que regularmente ali exercem o seu métier e são capazes de contar vários dos truques utilizados. Todas as semanas vários turistas se queixam de roubos no eléctrico 28 – o que certamente não é bom para a imagem do país. Não me parece que fosse um exercício muito difícil colocar um agente naquele eléctrico – os carteiristas talvez estivessem menos à vontade mas, principalmente, não andariam para cima e para baixo com total impunidade. A função das forças policiais deve ser prevenir – e a sua presença física é a melhor forma de dissuasão. Os senhores comandantes das diversas forças, que se dissolveram em promessas, bem poderiam agir, dar uma amostra de determinação, por mais simples e simbólica que fosse, em vez de, como relataram os jornais esta semana, se preocuparem em ter messes de oficiais com serviço de mesa e messe de agentes em regime de self-service. O ridículo mata.

 

ASAE  -  Eu acho muito curiosa a forma como a ASAE actua cada vez que sente que há uma máquina registadora a funcionar e uma actividade económica que aparenta ter sucesso. Arranja logo maneira de acabar com o despautério, se possível detendo alguém pelo caminho e encerrando algum estabelecimento. O que se passou, pela mão da ASAE, num restaurante lisboeta nas últimas semanas, mostra como aquela organização prefere punir a fiscalizar, prefere abusar do poder a dialogar, prefere terminar com um negócio a procurar soluções. É sabida a minha opinião – acho desde há muito que a ASAE é governada pela mania da perseguição que o seu responsável, António Nunes, inculcou desde que dirige aquele organismo. Não se preocupa em aferir a razoabilidade das situações, não se preocupa em ver se as leis poderão estar desajustadas da realidade. É cega a reprimir, selectiva a escolher alvos. Se no Ministério da Economia existisse alguém com os pés postos na terra já tinha acabado com esta maneira de funcionar. A recente acção da ASAE é uma prova de força – continua a mostrar que pode abusar. E o Governo, deixa.


SEMANADA – O Hot Clube finalmente reabriu, no nº48 da Praça da Alegria; o roubo de cobre mais que duplicou em oito meses; o programa de preparação para os próximos jogos olímpicos apresenta deficit de 300 mil euros; os CTT já receberam este ano 300.000 cartas dirigidas ao Pai Natal; quase desapareceram os postais de Natal, substituídos por mensagens electrónicas.

 

ARCO DA VELHA – Numa curiosa interpretação do estímulo à exportação, Paulo Rangel defendeu a criação de uma agência governamental que auxilie os portugueses a emigrarem.

 

PALAVREADO - «Pinto da Costa espirra e os árbitros constipam-se» - Eduardo Barroso

 

VER – Quando tiverem um bocadinho visitem a exposição «Portugal connosco – o olhar dos carteiros». A ideia foi dos CTT, que desafiaram 3500 carteiros a andarem pelo país de máquina fotográfica em punho. O resultado foi um conjunto de 86.500 fotografias que um júri reduziu às 200 que agora estão expostas no histórico edifício dos Correios na Rua de S. José, em Lisboa, e recolhidas no livro que entretanto foi editado. As imagens mostram o país que os carteiros vêem todos os dias, nas cidades e no campo, os contrastes, as curiosidades, as pessoas. Eu confesso ter um fascínio pela actividade dos Correios – sou do tempo em que esperava a chegada do carteiro com as revistas que assinava, com as cartas que aguardava. O que já vi destas imagens – e sobretudo a iniciativa em si – parecem-me exemplares na ligação de uma empresa à comunidade.

 

LER – Há muito poucas pessoas a reflectirem sobre política cultural em Portugal e António Pinto Ribeiro (não o ex-Ministro, mas o ensaísta e programador) é uma delas e certamente quem melhor tem explorado o tema ao longo de vários anos e em diversas circunstâncias. Grande parte desse trabalho foi recolhido no livro «Questões Permanentes, ensaios escolhidos sobre cultura contemporânea», editado agora pelos Livros Cotovia. Aqui se repescam escritos sobre diversas áreas da política cultural, desde a formação dos públicos à cultura das elites, passando pelo papel das Universidades, o populismo, as industrias criativas ou a importância dos documentários, para só citar alguns exemplos. Estes textos, muitas vezes escritos num tom provocador que é próprio do autor, são pedradas no charco do lugar comum e do politicamente correcto sobre as questões culturais. Agitam e fazem pensar e isso é a melhor coisa que me ocorre dizer. Já agora o livro publica a aguerrida e interessante polémica de António Pinto Ribeiro e Vasco Graça Moura sobre Património Cultural e Arte Contemporânea, uma série de escritos sobre livrarias que o autor gosta de visitar em diversas cidades de todo o mundo e, a encerrar, uma inédita «Autobiografia com muitas fantasias», uma espécie de ensaio do autor sobre si próprio, com muito pouco de umbigo e muito de ironia.

 

OUVIR – «Pull Up Some Dust And Sit Down» faz lembrar os primeiros discos de Ry Cooder, baseados em versões de Lead Belly e Woody Guthrie. Na realidade, o álbum deste ano de Ry Cooder merece figurar entre os melhores discos de 2011, é um retrato destes tempos de depressão em que vivemos. A faixa «No Banker Left Behind» é o equivalente musical do incontornável documentário «Inside Job», de Charles Ferguson. Firmemente ancorado na melhor folk norte-americana e nos blues, este CD é o género de disco que Woody Guthrie não desdenharia assinar se ainda fosse vivo.

 

PROVAR – Ao almoço, o buffet do restaurante Roda das Sedas, na Rua da Escola Politécnica 231, já quase a chegar ao Rato, merece ser visitado. Por 14 euros temos ao dispor entradas fartas e variadas, uma boa selecção de queijos e propostas de pratos quentes bem elaboradas e declaradamente portuguesas – desde coisas simples como panados até uma honesta massada de peixe ou polvo à lagareiro. Os doces, para quem ainda exerça essa parte da degustação, não desmerecem. Se quisser no bar servem-se petiscos e cocktails. À noite o regime de buffet é substituído por uma carta com sugestões interessantes, desde uma raia com puré de courgettes e aipo e legumes salteados, até uma empada de perdiz. A garrafeira não é muito extensa mas é bem escolhida e tem preços sensatos. Mas, honestamente, o melhor de tudo é o local, as salas que se sucedem, o bar, a bela esplanada, a forma como foi bem aproveitado o edifício da antiga Real Fábrica das Sedas. Telefone 213 874 472.

 

BACK TO BASICS –  Aqueles que não têm respeito pela verdade nas pequenas coisas não podem ser dignos de confiança nos assuntos importantes – Albert Einstein

 

publicado por MF às 12:01
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Terça-feira, 20 De Dezembro,2011

GENTE QUE NÃO INTERESSA

Quando um partido político escolhe para vice-presidente da sua bancada parlamentar um deputado que roubou gravadores a jornalistas no decorrer de uma entrevista, que lhe estava a ser incómoda, a coisa parece um bocado estranha; quando um outro vice-presidente da mesma bancada defende publicamente, de forma empolgada, que Portugal não deve pagar as dívidas que contraiu, então a coisa começa a ficar mais séria. Este partido é o PS e esses deputados são Ricardo Rodrigues e Pedro Nuno Santos. Como se pode confiar num Parlamento que funciona assim?


Para usar uma expressão de marketing, se há partido que precisa de fazer um rebranding e voltar a ganhar credibilidade, esse partido é o PS, depois de quinze anos quase seguidos de Governo que levaram o país onde estamos, com compadrios diversos – desde os contentores do Porto de Lisboa até uma série de obras públicas suspeitas e parcerias público-privadas ruinosas.

 

 

 

Mas em vez disso o PS chama para os postos de responsabilidade políticos absolutamente suspeitos, pelos actos e pelas palavras. Nenhum partido está isento de ter nas suas hostes pequenos escroques e oportunistas que vivem dos favores da política para irem fazendo as suas vidinhas. Na realidade todos os partidos deviam fazer periodicamente uma reclassificação de militantes, que depurasse as suas fileiras daqueles que comprovadamente não têm ética por palavras e actos. Mas ninguém tem coragem de fazer isso com medo de ferir susceptibilidades do célebre aparelho.

 

O aparelho é a máquina partidária que elege os líderes e depois apresenta a factura – em negócios de favores locais, regionais ou nacionais, e em colocações. O aparelho é uma máquina de apetite voraz que não tem memória nem coerência. Hoje aplaude um líder num congresso e amanhã aplaude outro da mesma forma, sem se preocupar em saber o que se passou. O aparelho é um monstrinho autofágico que só olha para dentro de si próprio e das vantagens que consegue obter para si e para os seus fiéis. Ou os partidos mudam de funcionamento ou vão ser cada vez mais apenas o refúgio de gente que não olha a meios para atingir os seus fins. Ou seja, gente que não interessa.

 

(publicado no Diário Metro)

publicado por MF às 16:33
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COMO CRIAR TRABALHO? COMO MUDAR O CENÁRIO?

TRABALHO – O maior problema que a Europa vai ter nos próximos anos é conseguir conter o desemprego e, ao mesmo tempo, fomentar a criação de novos postos de trabalho – e inacreditavelmente ouço muito poucos responsáveis comunitários a falar deste assunto. Durante décadas a Europa, com poucas excepções, persistiu no modelo da desindustrialização, habituou-se a viver acima das suas possibilidades e, de certa forma, fomentou o desprezo pelas formas mais tradicionais de trabalho, substituindo-as por outras que requerem menos mão de obra e criam menos emprego – e nalguns casos utilizando emigrantes para suprir o afastamento de algumas actividades. O resultado disto é que o sistema passou a ter mais encargos sociais, nomeadamente com os desempregados, e menos receitas já que havia menos gente a contribuir, e, dessa, muita gente a contribuir menos. Inevitavelmente os impostos começaram a subir à medida que os Estados agravaram as suas contas. Cada campanha eleitoral trouxe promessas de novas abundâncias, que geraram novos custos, que provocaram novos desequilíbrios. Medina Carreira dizia esta semana que, na Europa, nos últimos 25 anos, os trabalhadores passaram para os serviços, que exigem menor formação e pagam piores salários, e que a deslocalização da indústria para Oriente levou com ela o investimento. Esta deslocalização, sublinha ainda Medina Carreira, deveu-se em grande parte ao custo das contribuições sociais na Europa, que juntamente com os impostos tiveram grandes aumentos para se manter o Estado Social. O resultado é conhecido: quanto mais impostos houver, menos a economia cresce. Um ex-membro do governo sueco deu esta semana uma entrevista ao «Público», onde explica uma série de coisas que levam a que no seu país a crise seja menor. Uma delas tem a ver com o facto de os apoios a desempregados serem feitos em parceria com os sindicatos – na realidade os sindicatos pagam parte do subsídio de desemprego. Logicamente o interesse de todos os que pagam apoios aos desempregados é que se encontre novo trabalho o mais rapidamente possível – e a falta de trabalho ou a falta de vontade de trabalhar é vista como um estigma social na Suécia, onde a noção ética da importância do trabalho, seja ele qual for, é valorizada.

Um pouco diferente daquilo que por aqui se passa.

 

CENÁRIO – Olho para Portugal e imagino que estamos dentro de um programa de televisão, daqueles onde o cenário é de croma e varia conforme as circunstâncias. Os cenários de croma (um fundo de verde ou azul intenso) permitem colocar electronicamente, por cima dos painéis coloridos, cenários virtuais. Assim, o mesmo espaço tem várias aparências. Portugal vive como se estivesse coberto por um enorme telão de croma onde os políticos vão colocando cenários à conveniência do momento. Neste reality show em que o país se transformou, todos os dias somos surpreendidos por novos relatos de desgraças passadas  e de dificuldades futuras. Assistimos, em directo, nas nossas próprias vidas, à Casa dos Segredos, e os políticos, no Governo ou na oposição, estão numa competição desenfreada para nos irem aos poucos contando as revelações que andam a guardar, para estarem sempre a captar a nossa atenção. Não é a falar do passado que vamos resolver as coisas, mas sim a mudar o presente para termos um futuro diferente. Vejo com agrado alguns ministros, como Nuno Crato, a enveredarem por esse caminho; e vejo com preocupação que outros, como o da Economia ou o das Finanças, sejam mais ministros de protecção ao Estado do que Ministros da sociedade em geral. A propósito de Estado, as últimas semanas são férteis em relatos de abusos de cobrança da segurança social e dos impostos – percebe-se que nesta situação se queiram incrementar as receitas, mas o Estado deve ser o primeiro a não dar o exemplo de arbitrariedade. E deve entender que ele próprio tem que emagrecer, e muito, para que o sector privado possa viver e criar emprego.

 

 

TELEVISÃO – Três temas: primeiro, ao contrário do que estava previsto, o novo sistema de monitorização das audiências televisivas não vai estar operacional a partir do princípio de Janeiro, como era previsto, confirmando os piores receios sobre a forma como a escolha da nova entidade responsável por este serviço foi feita. Vale aqui a pena recordar que, por mais paradoxal que isto seja, foi por pressão dos anunciantes (que são quem teoricamente mais precisa de dados seguros para salvaguarda da eficácia dos investimentos publicitários que efectuam) que foi escolhido um sistema não testado em lugar algum por uma mera questão de diferença de preço, ainda por cima reduzida.  Em segundo lugar quero chamar a atenção para a confusão criada na introdução da televisão digital terrestre, um processo que já teve custos enormes, que já vem atrasado, e que agora, da forma que está, serve para muito pouco. E em terceiro lugar registo que no universo do serviço público, nesta semana, a RTP 1 se manteve no segundo lugar de audiências, mas a RTP2 caíu para a 9ª posição no universo do cabo, enquanto a RTP Informação, no mesmo universo do cabo, consegue estar abaixo do canal que só passa em contínuo o reality show Secret Story. Enquanto isto se passa, nada se sabe sobre o modelo que vai ser seguido na privatização, não foi dado nenhum novo passo e muito pouco está efectivamente definido sobre o que deve ser o serviço público de televisão.

 


SEMANADA – Dezenas de galos capões vivos foram vendidos numa feira de Freamunde entre 40 a 50 euros a unidade; os portugueses, juntamente com os mexicanos e romenos são os que tem uma vida sexual mais activa praticando sexo pelo menos duas vezes por semana, segundo um inquérito de uma empresa farmacêutica; na actual conjuntura económica a ASAE voltou a dar nas vistas depois de deter o conhecido empresário Olivier por existir gente a dançar num dos seus restaurantes; o detido anunciou ir preparar uma festa «prison break»; os chineses ofereceram mais que os alemães pela EDP; Ilda Figueiredo, do PCP, deixa de ser deputada europeia ao fim de 12 anos;  a casa de um investigador da PJ que trabalhou no processo Face Oculta foi assaltada e revirada, computadores incluídos, de uma ponta à outra; Alberto João Jardim foi filmado para as televisões a cantar o Jingle Bells.

 

ARCO DA VELHA – Em Vila do Conde um militar da GNR, que era o campeão das multas sobre infracções de trânsito, serviu de motorista ao seu capitão e guiava frequentemente veículos da corporação, até se descobrir que não tinha carta de condução.

 

VER – Numa viagem, entre a estrada e o deserto, as pequenas cidades, as caras e os corpos, os automóveis e os reclames luminosos, as imagens sucedem-se e a fotografia é o melhor diário para registar as sensações – e definir paixões. «Passion» nasce destes registos – e é o título da nova exposição de Albano Silva Pereira, fotógrafo e organizador dos Encontros de Fotografia de Coimbra desde 1985. A exposição - e a viagem é recorrente no trabalho de Albano da Silva Pereira - estará até 30 de Janeiro na Galeria Graça Brandão, na Rua dos Caetanos 26, no Bairro Alto, em Lisboa.

 

LER – A edição de Janeiro de 2012 da revista britânica «Uncut», já à venda, é fundamental para quem queira seguir o estado da música contemporânea – faz um balanço informativo e crítico dos discos de 2011, atribuindo o galardão de melhor CD do ano a «Let England Shake», de P. J. Harvey, que aliás é entrevistada na mesma edição, revisitando toda a sua carreira. A revista é acompanhada por um CD oferta que inclui 15 temas extraídos de outros tantos álbuns de outros tantos artistas, todos indicados entre os melhores deste ano que está a acabar. Por €7.50 é difícil pedir mais.

 

OUVIR – Na última semana o chef Anthony Bourdain fez mais pela divulgação do novo disco dos Dead Combo do que qualquer serviço público. «Lisboa Mulata», editado há cerca de dois meses, é o mais recente trabalho de Tó Trips e de Pedro Gonçalves e foi a banda sonora que acompanhou o conhecido cozinheiro, autor do programa de televisão No Reservations. Espero que a música do programa sobre Lisboa seja deste disco, um dos melhores álbuns portugueses do ano, sobretudo graças a um sentido de festa e de prazer musical raros hoje em dia.

 

BACK TO BASICS –  Um problema não pode ser resolvido no mesmo nível de pensamento que esteve na origem desse problema – Albert Einstein 

publicado por MF às 16:32
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