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SUGESTÕES AVULSAS

por falcao, em 31.03.08

(publicado no »Jornal de Negócios» de 28 de Março)



MAU – A intrusão do Fisco na vida das pessoas, impondo, sob a ameaça de multas, informações pormenorizadas sobre aquisições de bens e serviços, obrigando particulares ao demorado preenchimento de questionários e ao envio de cópias de facturas (ao abrigo de que Lei?) . Já se percebeu que o folclore pré-redução de impostos já está em marcha – e será de saudar – mas tão importante como isto é acabar com os abusos de poder da máquina fiscal. 




PÉSSIMO – A utilização, em material audiovisual do PS, de imagens e voz de um jornalista, José Rodrigues dos Santos, sem autorização do próprio e ainda por cima num contexto de montagem e de edição que pode levar a pensar que ele estava a corroborar as opiniões expressas no resto do vídeo.  




BOM – O blog do jornalista e crítico cultural A.M. Seabra, intitulado Letra de Forma e pode ser consultado em www.letradeforma.blogs.sapo.pt . A.M. Seabra, recordo, também escreve uma coluna regular no artecapital (www.artecapital.net )  e o tema da mais recente é a Fundação de Serralves. 



VER – Até este Domingo ainda tem oportunidade de ver as «Variações à Beira de Um Lago» de David Mamet, pela Companhia do Teatro de Almada, com encenação de Carlos Pimenta, na bela sala do Teatro Municipal de Almada. Hoje e Sábado as representações são às 21h30, Domingo é às 16h00. Vale a pena destacar o trabalho dos dois actores, que à beira de um lago, e usando os patos que o povoam como pretexto, acabam a falar da condição humana. André Gomes e João Ricardo têm bons desempenhos, bem auxiliados pela cenografia aberta de João Mendes Ribeiro. Destaque ainda para a música original de Mário Laginha. E já que estamos a falar de um trabalho em que participa André Gomes, aqui fica uma outra indicação – fora da pele de actor, André Gomes tem realizado de forma sistemática ensaios com base fotográfica recorrendo a Polaroids, e o mais recente está exposto no Museu da Electricidade, Fundação EDP. Intitulada «Era Na Velha Casa», a exposição é a interpretação visual do autor sobre dois fragmentos da Ode Marítima de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa. Até 27 de Abril, de terça a Domingo, das 10 às 18h00. 


DESCOBRIR – «VPF Rock Gallery» é o novo espaço acabado de nascer na Rua da Boavista 84, em ligação com a VPF Cream Art Gallery e a Plataforma Revólver. Este novo espaço, também concebido e dirigido por Victor Pinto da Fonseca, tem por objectivo divulgar o trabalho de novos artistas, no princípio de carreira. A honra da estreia da nova galeria coube à fotógrafa Marta Sicurella. Na VPF Cream Art está uma exposição de pintura e desenho de Jorge Feijão e na Plataforma Revólver uma instalação de Armanda Duarte.  De terça a sábado, das 14 às 19h30. 



OUVIR – A banda sonora do filme « Juno», com deliciosas canções pop de Kimya Dwason ( a voz dos Moldy Peaches), melodias de uma simplicidade desarmante. O filme, como alguns saberão, conta a história da gravidez acidental de uma adolescente e as canções reflectem o espírito dos dias, desde as originais de Dawson, até clássicos como «A Well Respected Man» da banda britânica dos anos 60 The Kinks, passando por «Dearest» de Buddy Holly, «Expectations» de Belle & Sebastian , «Superstar» dos Sonic Youth, o sempre magnífico «All The Young Dudes» pelos Mott The Hoople ou uma versão arrebatadora do clássico «Sea Of Love»  por Cat Power. Aqui está uma banda sonora absolutamente imprevista, variada, adequada ao filme e fascinante de um modo geral. CD Rhino, comprado na Amazon. 


LER – A edição de Março da revista trimestral «Egoísta» é uma espécie de número especial (até na paginação), dedicado ao mar, intitulado «Atlântico» e com uma magnífica fotografia de capa  de João Carvalho Pina, aliás repetida num portfolio do autor publicado nesta mesma edição. Outros portfolios em destaque são de Augusto Brázio e de Pedro Cláudio, este último cada vez mais interessante nos caminhos que está a percorrer com as suas imagens. Nos textos destaques para o ensaio «Portugal E o Mar» de Ernâni Rodrigues Lopes, para o relato da partida da corte portuguesa para o Brasil por Margarida Magalhães Ramalho e, sobretudo, à «Confissão do Sinaleiro», de Ondjaki. 



DIREITO DO CONSUMIDOR – A coisa que mais irrita é ler «abertura fácil» numa embalagem manifestamente difícil e incómoda de abrir. Embora já tenha tentado melhorar várias vezes o processo, a verdade é que a Compal ainda não conseguiu atinar com a embalagem dos sumos «Essencial», cuja abertura continua sem ser nada fácil. O mais grave é que os sumos são bons – há quem adore o de banana, eu prefiro o de ananás e o de maçã – mas o mais terrível de tudo é que começar uma manhã a tentar abrir um frasco daqueles arrisca-se logo a estragar um belo dia primaveril. 


PETISCAR – Tenho para mim que o bitoque tradicional português é coisa para derrotar 10 a zero qualquer hamburguer industrial. O bitoque – esse pequeno bife, fino mas não demais, feito em tacho de barro com banha e louro, acompanhado de batatas fritas e uns pickles e cavalgado por um ovo estrelado – é a dose ideal de comida para saciar a fome sem a deixar esmagada pela quantidade. Eu sou fã de bitoques e acho graça a que exista um estabelecimento exactamente com esse nome. «O Bitoque» fica no número 59 da Rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique e por 6,40 euros oferece o prato que lhe dá o nome. Resta dizer que a casa se esmera para honrar o petisco. 



BACK TO BASICS - «A adição de emoção é uma tentativa de comprar o público» - David Mamet.

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publicado às 18:49

OS ABUSADORES DESCONTROLADOS

por falcao, em 31.03.08

(publicado no diário «Meia Hora» de 26 de Março)


 


Uma destas noites, a ouvir um telejornal, dei com o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, a propósito dos interrogatórios enviados aos noivos sobre as despesas da boda, a dizer que o Governo iria rapidamente remediar os excessos. No entanto, foi necessário que a imprensa relatasse os factos para alguém no executivo reconhecer que existiam excessos – e recordo que neste caso as primeiras reacções da máquina fiscal foram a defender o que tinham feito e que alguns disseram que continuariam a fazer.


Sabe-se que estes interrogatórios aos noivos começaram a ser feitos há cerca de dois anos. Nos últimos dias vários fiscalistas e juristas vieram dizer o que o bom senso e a evidência mandam: que os inquéritos invadiam a esfera da privacidade, que não se devia obrigar ninguém a ser denunciante e que seria totalmente ilegal aplicar multas com base no não fornecimento de informações sobre terceiros, como é o caso presente.


Este caso mostra os exageros que as autoridades fiscais têm cometido: repare-se que aqui se exige aos compradores de determinados bens e serviços que comuniquem as compras que efectuaram, que preencham um extenso questionário, que juntem facturas e comprovativos, em resumo que percam umas horas a prestar informações em resposta a uma intimação cuja legitimidade é mais que discutível.


Na realidade que obrigação tenho eu de guardar o comprovativo de um serviço? Tenho uma obrigação moral de a pedir, mas posso deitar a factura fora no minuto seguinte – que eu saiba o Estado não se propôs restituir o IVA das despesas do casamento aos noivos como prenda do enlace. O fisco acha que devemos guardar as facturas de todos os bens e serviços que compramos? E baseado em quê? E qual a obrigação que qualquer cidadão tem, de facto, em reportar os seus gastos pessoais?


Esta intromissão inadmissível cria precedentes gravíssimos – e o mais extraordinário de tudo é que ouvi um porta voz do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Fiscal a elogiar e justificar o inquérito e o método seguido. Esta máquina fiscal – e pelos vistos os seus agentes - têm um problema de falta de respeito pelas pessoas, de querer utilizar todos os meios para atingir os seus objectivos, mesmo que esses meios sejam baseados no abuso de poder e na ilegalidade. Pelos vistos é esta a cultura de funcionamento da máquina fiscal que nestes últimos anos se criou. Aqui está uma coisa para o Governo remediar. De forma simplex, de preferência.


 

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publicado às 18:46

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por falcao, em 24.03.08

MAU – Uma provável suspensão da revista «Atlântico» é das piores notícias que podia  surgir. Trata-se da única revista mensal assumidamente de debate social, político e cultural existente na sociedade portuguesa. Embora tendo por base um núcleo fundador essencialmente liberal, nela têm colaborado pessoas de muitos sectores e a revista, muito bem dirigida editorialmente por Paulo Pinto de Mascarenhas, tornou-se o veículo privilegiado para a intervenção política de muitas figuras que se retiraram da primeira linha da actividade partidária ou que pura e simplesmente hoje em dia não têm partido. Mas é também uma revista que procura ajudar a interpretar a História, nomeadamente a portuguesa, e ao mesmo tempo aborda temas de política internacional pouco tratados por cá. Provocadora, iconoclasta, a «Atlântico» é uma leitura mensal obrigatória. As dificuldades com que se debate para sobreviver são a prova da fragilidade de uma sociedade civil que gosta de dizer que existe, mas que tem muita dificuldade em agir e concretizar projectos fora da zona da actividade empresarial em que algumas das suas figuras principais se distinguiram. Noutros países os grandes líderes empresariais empenham-se em garantir possibilidades de fomentar o debate de ideias e a análise das situações, certos de que assim estão a contribuir para o progresso da sociedade e, em última análise, para o crescimento e consolidação dos mercados. Promovem «think tanks», são patrocinadores empenhados. Aqui está um exemplo de boas práticas que podia ser mais seguido. 




PÉSSIMO – Já lá vai um mês e meio desde que Isabel Pires de Lima saíu do Ministério da Cultura e ainda não se ouviu uma palavra do seu sucessor sobre o que pretende fazer. Entretanto, para além das recorrentes notícias sobre falta de meios para salvaguardar o património e do encerramento das visitas em alguns monumentos, na semana passada foi divulgada a posição de 28 directores de museus e palácios nacionais, que, dizem, estão sob risco de «iminente colapso». É certo que as culpas vêm do orçamento deixado por Isabel Pires de Lima e pela falta de atenção do Governo ao sector, mas a realidade é que a ausência de capacidade política e uma errática actuação pública são as características da actividade do Ministério da Cultura de Sócrates. Será este Ministro capaz de ganhar carta de alforria? 




OUVIR – Pierre-Laurent Aimard é um pianista francês com uma carreira curiosa, que oscila entre o contemporâneo e a música antiga. No início da sua carreira foi convidado por Pierre Boulez para integrar o núcleo fundador do Ensemble InterContemporain. As suas interpretações da música de Boulez, Stockhausen e Ligeti são consideradas referências. Mas ao mesmo tempo tem desenvolvido uma actividade exemplar na música antiga, colaborando com nomes como Nikolaus Harnoncourt, com cuja Orquestra de Câmara Europeia gravou os cinco concertos para piano de Beethoven. O motivo desta nota é no entanto a sua mais recente gravação, a primeira para a Deuscthe Grammophon. Trata-se de «A Arte da Fuga» de Bach, uma peça inacabada cuja composição Bach começou cerca de 1742 e que demonstra o seu enorme domínio técnico de uma das mais complexas formas de expressão da música europeia desse tempo, conhecida como o contraponto. A interpretação agora gravada por Aimard mostra a sua técnica, a sua capacidade, mas também a inteligência e sensibilidade da sua interpretação. 



LER – Durante alguns anos assinei – e li – religiosamente a «Granta», uma revista literária fundada em 1979 por estudantes de Cambridge e que deu a conhecer ao mundo, e a mim em particular, alguns dos novos escritores da época, como Martin Amis, Ian McEwan, Richard Ford e Angela Carter. Mas a «Granta» foi também o paraíso de deliciosas short-stories de proveniências diversas, de portfolios fotográficos inesperados e de numerosas peças de literatura de viagem que me fizeram dar mais atenção ao género. Pois a «Granta» chegou agora ao seu número 100 – são feitas quatro edições por ano, uma em cada estação, e debaixo do título lá continua a frase mágica «The Magazine Of New Writing». Esta edição (350 páginas) é verdadeiramente uma peça de colecção que inclui, por exemplo, um poema de Harold Pinter , um libretto de Ian mcEwan, uma short-strory de Hanif Kureishi, um ensaio ( «The Unknown Known») de Martin Amis e uma curiosa nota sobre a construção de personagens por Mário Vargas Llosa, além de um belíssimo ensaio fotográfico sobre Nova York de Bruce Frankel.


Por cá encontram a «Granta» 100 nas boas lojas de revistas e nalgumas livrarias com edições inglesas. 



PETISCAR – A coisa não é bem sushi tradicional, digamos que é sushi tropical, Japão com influência do Brasil, há quem lhe chame sushi-fusão. O resultado pode desagradar aos puristas mas o final é bom. Experimentem o Hot Salmon ou o Spicy Tuna e vão ver que têm uma boa surpresa. O serviço é simpático mas às vezes é preciso combater a distracção e o olhar vago no horizonte dos empregados – a coisa percebe-se, a vista é deslumbrante, com o rio ali ao pé. O «Sushi no Rio» fica por cima da esplanada dos «Meninos do Rio», na zona de Santos, para lá da linha de comboio, na Rua da Cintura do Porto de Lisboa, armazém 255, edifício Steak House, telefone 213220070. 


BACK TO BASICS – Abrir a porta da rua pode ser uma actividade perigosa – J.R.R. Tolkien 

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publicado às 10:01

E ISTO FOI COM MAIORIA ABSOLUTA...

por falcao, em 24.03.08

(publicado no diário «Meia Hora» de dia 19 de Março)


 


O grande problema do Primeiro Ministro é que as suas palavras coincidem muito pouco com as acções. Ele promete uma coisa e faz outra, estabelece uns objectivos e alcança resultados bem diferentes e estes três anos são prova disso. Daí não viria mal ao mundo se ele aceitasse a realidade e não quisesse convencer toda a gente que se vive no melhor dos mundos.


Peguemos nas reformas: a da saúde está adoentada e não se sabe ainda o diagnóstico, a educação começa a ser duvidosa, a da diminuição da administração pública já se percebeu que apenas existe de forma muito marginal, a da justiça é por enquanto apenas um novo mapa judiciário. O Governo até pode ter vontade reformista, mas na realidade não tem conseguido concretizar reformas e obter resultados em questões como a criação de emprego.


Já repararam no que os cidadãos têm dado? -  pagam mais impostos, têm diminuições nos sistemas sociais que existiam, vêem o poder de compra a baixar, sentem que Portugal se atrasa em relação à maioria dos outros países europeus. E, em troca que recebem?


Quando vão corridos três quartos do mandato deste Governo, a contabilidade do deve e haver não é favorável aos cidadãos. E isto passa-se, note-se, numa situação em que o eleitorado deu a um partido uma maioria absoluta, baseado em promessas e num programa eleitoral que tem sido cumprido de forma muito diminuta. A maioria absoluta foi pedida- e ganha – em nome da capacidade de fazer obra. A realidade é que a obra feita é insuficiente para o que foi prometido.


Mas enquanto o cumprimento das promessas eleitorais é insuficiente, o aumento do poder do Estado sobre os cidadãos é grande, as atitudes autoritárias tornaram-se mais frequentes, a forma como o fisco abusa dos seus poderes generalizou-se, e o Estado dá sinas de se querer começar a intrometer em questões do foro privado.


O quadro geral mostra que a maioria absoluta não resolveu os problemas, mas serviu para evitar debates e para fugir a preparar medidas de forma mais cuidada. O grande problema de José Sócrates é que tem um estilo autoritário, em vez de conseguir ganhar autoridade pelo acerto das posições que toma. Por isso, mais vale que a maioria absoluta não se repita. Esse é o único balanço que consigo fazer dos três anos deste Governo.

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publicado às 10:00

(publicado no diário «Meia Hora» de 12 de Março


Uma das minhas grandes curiosidades desta semana é saber se por acaso vão aparecer agentes da PSP nas sedes do PS, a perguntar quantos militantes socialistas tencionam ir, de cada localidade, à manifestação do Porto. Não acredito que não apareçam – se foram tão empenhados a recolher informações nas manifestações contra o Governo, certamente que também hão-de querer garantir a segurança e a comodidade dos manifestantes pró-governamentais.



Cá para mim esta decisão do PS, em medir apoios na rua, leva-nos de repente até à América do Sul – bem vistas as coisas não é de admirar que Sócrates se dê bem com Hugo Chávez – até lhe copia os métodos do manual de acção política com manifestações espontâneas de celebração dos êxitos da governação.


No Governo há três anos, qual o balanço que o cidadão comum pode fazer? Na saúde as coisas não estão melhores; na justiça e na segurança nem se fala; na educação a crise está instalada; em matéria de defesa dos direitos dos cidadãos retrocedeu-se. Pontos positivos: o défice diminuíu, mas não foi à conta de reformas estruturais, foi sobretudo devido ao aumento de impostos; o desemprego, ao contrário das promessas, não diminuíu; nalgumas questões burocráticas há progresso, sim senhor e registam-se simplificações. Mas é pouco perante os sacrifícios pedidos a todos. Muito pouco.



A política em Portugal está a chegar ao nível zero: No PS e no PSD as fracturas internas aumentam todos os dias; as promessas que o PS fez para ganhar as eleições são desmentidas umas após outras pela prática; a oposição está empenhada em vencer o campeonato nacional de tiros nos pés; o Parlamento limita-se a ser cenário de momentos humorísticos na troca de picardias entre deputados do governo e da oposição.



Não admira que as acções de rua ganhem de repente tanta importância nas estratégias quer da oposição quer do Governo. O resultado de tudo isto vai ser um distanciamento cada vez maior dos eleitores – ou então o surgimento de novas organizações – como aqui e ali já se começa a verificar. Sócrates e Menezes arriscam-se a ficar para a História por proporcionarem a maior contribuição à alteração do espectro partidário – a menos que as coisas mudem, acho que não vai demorar nem dois ciclos eleitorais para que o cenário político partidário fique bem diferente. 
 

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publicado às 19:11

OS PROBLEMAS DA MAIORIA ABSOLUTA

por falcao, em 12.03.08

(publicado no «Jornal de Negócios» de 12 de Março)


 


O principal balanço que consigo fazer destes três anos de governação de José Sócrates é que se provou como a demagogia anda cada vez mais de mãos dadas com a política e que as maiorias absolutas podem encalhar, como aconteceu com esta. Sócrates chegou ao poder pelo descalabro em que o PSD caíu, com uma inegável e oportuna ajuda de Jorge Sampaio, mas também graças ao despudor com que fez promessas impossíveis de cumprir, como agora se vê. Quais eram as suas bandeiras pré-eleitorais? Reduzir o desemprego, fazer reformas profundas na administração pública, melhorar os sistemas de saúde, educação e justiça, combater o deficit e aumentar a competitividade do país. Como se sabe, de tudo isto, o único objectivo conseguido foi o da redução do deficit, não à custa de reformas estruturais na administração pública, mas sim do aumento dos impostos.



O posicionamento de Portugal entre os países comunitários piorou em quase todos os indicadores. Falta um ano para acabar esta legislatura e o que não se fez antes, muito dificilmente acontecerá agora. É provável que no decurso deste último ano da legislatura uma outra forma de demagogia, mais tradicional, seja adoptada – com distribuição de obras públicas convenientemente lançadas e benesses várias espalhadas a eito pelo país. Quanto a reformas estruturais quase nada, excepção feita a algumas medidas de simplificação de burocracias. Na saúde desfez-se sem se fazer nada, na educação criou-se o caos. Não faltam trapalhadas na acção do Executivo.



Pelo meio ficam algumas questões graves: o funcionamento da justiça piorou, a máquina judicial está cada vez mais utilizada para investigações políticas, o fisco despreza e viola os direitos dos cidadãos, as polícias voltaram a ser utilizadas para vigiar o direito de exprimir e manifestar opiniões contrárias ao Governo.


Tudo isto provoca um enorme descrédito nos mecanismos tradicionais da política e dos partidos. Não é por acaso que as manifestações regressam, que até o PS se prepara para promover uma jornada de rua de desagravo, por sinal muito à maneira de Hugo Chávez. Um dos mais preocupantes sinais da situação política que vivemos tem a ver com a total ineficácia do parlamento em regime de maioria absoluta, que fomentou a falta de diálogo, a arrogância e a sobranceria do Governo para com os cidadãos e para com a oposição.



Na minha opinião o actual quadro partidário já não é representativo e precisa urgentemente de mais intervenientes, à esquerda e à direita, o voto só ganha em ser mais fragmentado e as maiorias absolutas devem ser evitadas. Isso forçará qualquer Governo a ter em conta a realidade, a reconhecer a necessidade de consensos e acordos, e pode criar condições para devolver protagonismo ao Parlamento. 

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publicado às 19:08

TRAPALHADAS E ESPERTALHICES

por falcao, em 10.03.08

MAU - O caso é este: a Polícia Judiciária poucas vezes consegue levar uma investigação complicada a bom porto; as outras polícias patrulham pouco e assobiam para o ar quando vêem alguma coisa que os possa aborrecer; nos últimos anos as polícias e magistrados têm sido utilizados em demasiadas investigações que têm uma matriz política;  os tribunais são lentos, os juízes são polémicos, a justiça é, de uma forma geral, muito ineficaz. O resultado está à vista: criou-se um clima de impunidade, de dissolução da autoridade e a violência generaliza-se. Os crimes violentos recentes podem não estar ligados entre si do ponto de vista objectivo – mas estão obviamente ligados porque se criou a idéia de que o crime não tem castigo. Esse é o grande problema que afecta o Ministério da Justiça e o Ministério da Administração Interna – e enquanto persistir a sensação de que as polícias e instituições judiciais estão mais ocupadas a guerrearem-se umas às outras do que a protegerem os cidadãos hão-de continuar a existir tiroteios e esfaqueamentos. 




ESPERTEZA - Sabidola, sabidola é o sr. Nunes: em vésperas de o Parlamento iniciar a análise de propostas de alterações ao funcionamento da ASAE, eis que desencadeou uma mega-operação de apreensão de alimentos. Ele que andava tão sossegado, resolveu mostrar aos senhores deputados como a ASAE é fundamental para a saúde pública. Por acaso acho que era interessante saber o resultado de análises aos produtos apreendidos – para ver se as apreensões de facto atingem o objectivo desejável ou se servem apenas para fazerem apreensões sonantes em alturas estratégicas e darem nas vistas com o habitual festival mediático que faz parte da impressão digital do sr. Nunes. 




PÉSSIMO - Antes de ser Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva esteve cerca de três anos no Ministério da Educação, primeiro como Secretário de Estado, depois como Ministro, até que Guterres o resolveu passar para a Cultura. Em nenhum dos lugares se notabilizou pelo brilho das reformas ou pela eficácia da acção. Uma das suas Secretárias de Estado na 5 de Outubro foi Ana Benavente, hoje feroz crítica da actual Ministra, Maria de Lourdes Rodrigues. Por curiosidade, o actual Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, desancou recentemente a acção do Ministério da Educação, ao tempo em que Santos Silva lá estava – e este nem piou. Pois neste extraordinário clima interno do PS em relação à educação, eis que Santos Silva abriu a boca pela primeira vez sobre o tema, apenas para fazer notar como o deputado Pedro Duarte do PSD não estava em sintonia com o seu Grupo Parlamentar em matéria de avaliação da política educativa. Que se poderá chamar a isto? 




PROBLEMA - Nos últimos tempos os autocarros da Carris andam cada vez piores em matéria de comportamento de trânsito. Atravessam-se nos cruzamentos, usam pouco os indicadores de mudança de direcção, enfim têm a sua quota parte de infracções. Seria boa idéia, que à semelhança de outras empresas, a Carris tivesse na traseira dos seus autocarros a indicação de um número de telefone para o qual se pudessem fazer reclamações sobre a falta de profissionalismo dos seus condutores, com o auxílio de um número identificativo de cada veículo. 




REALIDADE - No último ano vi menos televisão, vi mais cinema, ouvi mais música, li mais livros, descobri novas revistas. 




LER – Confesso que gosto de ler o Dalai Lama e gostei especialmente de uma sua recente obra, «The Universe In A Single Atom», onde aborda como a ciência e a espiritualidade podem servir o nosso mundo. Neste  livro o Dalai Lama aborda a sua visão de como a ciência e a fé devem trabalhar de mãos dadas para aliviar o sofrimento humano. Fala dos grandes debates, de ligações entre temas de ligações improváveis, como o karma e a evolução. Toda a obra parte de reflexões em torno da citação de um antiqüíssimo texto do budismo: em cada partícula das profundezas do universo, existem vastos oceanos de sistemas do nosso mundo. A partir daí começam as reflexões sobre a importância da ciência, a relatividade e a física quântica, o big bang , a consciência, a ética e a genética, as ligações entre a ciência, espiritualidade e a humanidade. A  edição britânica é da Abacus, tem 230 páginas, é datada de 2006 sobre um original de 2005 e custou 9 libras na Amazon. 




OUVIR – Por ocasião do 50º aniversário do Festival de Jazz de Monterey, realizou-se no dia 23 de Setembro do ano passado um concerto que juntou Terence Blanchard no trompete, Nnenna Freelon na voz, Benny Green no piano, James Moody no sax, Derrick Hodge no baixo e  Kendrick Scott na bateria. Daqui saiu um belíssimo disco, «Live At The 2007 Monterey Jazz Festival», que inclui temas  como «Romance», «Just Squeeze Me (But Please Don's Tease Me». «Monterey Mist», «Time After Time».  Vale bem a pena ouvir. CD Universal. 




IR – Na próxima quinta-feira, dia 13, ao Frágil (Rua da Atalaia 126, Bairro Alto) para uma noite de poesia dedicada a Sophia de Mello Breyner. 




PETISCO – Em matéria de salgadinhos, amor com amor se paga: segui a recomendação de visitar a padaria «Pão Doce», na Duque de Ávila, perto da esquina com a 5 de Outubro. É bom para um almoço ou lanche rápido, tem boas sanduíches carregadas de alface, tomate e cenoura com condutos variados, uns folhados mistos fantásticos que se recomendam, uma bola de carne honesta, empadas e salgados com bom sabor e sobretudo uma enorme escolha de pães para levar para casa. 




BACK TO BASICS – Quando a legislação quer controlar a forma como se pode vender e comprar, os primeiros a serem comprados e a venderem-se são so próprios legisladores – P.J. O’Rourke. 

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publicado às 13:16

O ESTADO E A PUBLICIDADE

por falcao, em 07.03.08

(Publicado no «Meios & Publicidade» de 7 de Março)


 


Quando se tem um Estado tão intrusivo como é o português, todas as actividades económicas são afectadas pela forma como ele se posiciona e actua. A Publicidade não foge a esta regra e a realidade é que os diversos agentes do sector são afectados pelas políticas que são seguidas em cada momento.


Existem três áreas em que o Estado interfere directamente no mercado publicitário: na forma como coloca as publicidades obrigatórias (concursos, decisões, avisos legais, etc); na forma como deixa os Meios de que é proprietário interferirem no mercado; e, finalmente, na forma como escolhe os fornecedores nesta área.


Comecemos pelo primeiro caso, que ainda por cima ganhou actualidade. Recentemente o Governo anunciou que vai criar um site na Internet, gerido pelo próprio Estado, onde toda a publicidade obrigatória será colocada para consulta pelos interessados; desta forma o Estado retira-se como cliente, deixando de um momento para o outro, de assegurar um fluxo financeiro importante, nomeadamente na imprensa. Se alguns jornais nacionais vão ser fortemente afectados, o maior rombo será sentido pela imprensa regional e local, que via nas publicidades obrigatórios da Administração Central e Local uma das suas grandes e estáveis fontes de receita. Os responsáveis por esta medida argumentam com exemplos semelhantes que existem noutros países; esquecem-se é de dizer que a mudança foi gradual, acompanhada por outras medidas, precisamente em defesa de uma imprensa diversificada e plural.


A segunda área está na berra porque foi trazida para a arena política: a existência de publicidade na TV. Conjuntura política à parte, a questão é esta: não faz sentido o Estado garantir mecanismos de financiamento de uma estação de serviço público, em simultâneo com a sua presença no mercado publicitário, mesmo que limitada. Por isso há que ter a coragem de gradualmente retirar a concorrência da RTP no sector, permitindo a entrada de novos parceiros. Por alguma razão a rádio pública (RDP) não tem publicidade, embora esteja hoje em dia na mesma empresa que tutela a RTP.


Finalmente o terceiro ponto tem a ver com a forma como o Estado escolhe os seus fornecedores nesta área, nomeadamente as Agências de Meios. Nalguns países, como o Canadá, o Estado é obrigado a canalizar os seus investimentos publicitários através de agências de capital nacional. Na Europa a situação é diferente mas uma observação atenta permite ver que os grandes investimentos dos diferentes Estados são assegurados por agências nascidas nos respectivos países. Infelizmente, em Portugal, o Estado não se preocupa muito com as empresas portuguesas e nem sequer na área do Ministério da Economia, tão empenhado na imagem de Portugal, a coisa é tida em conta. Recentemente o Instituto de Turismo de Portugal abriu uma consulta para escolher a agência de meios com quem trabalhará na divulgação da imagem do nosso país. Pois não houve uma única agência de capital exclusivamente nacional consultada, são todas multinacionais. E isto apesar de existirem agências portuguesas com aptidões técnicas e financeiras para esta operação.


Observadores mal intencionados poderiam, destes três exemplos, retirar uma conclusão: o Estado não gosta da concorrência nem de empresas portuguesas. Será assim?



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publicado às 09:46

(Publicado em 8 de Fevereiro no «Meios & Publicidade»


 


Em Portugal, há duas décadas, existiam apenas dois canais de televisão. Nesse tempo, no serão de sábado, a RTP tinha 50% de audiência média. Agora há três canais comerciais de serviço aberto (em breve surgirá mais um) e o canal líder, a TVI, faz no mesmo horário cerca de 11-12% de audiência média. Através das redes de cabo há mais de 100 canais disponíveis para os respectivos assinantes, uma dezena deles com publicidade do mercado português. Há 20 anos o Bareme imprensa da Marktest tinha 52 títulos, agora tem centena e meia. Este são sinais do que tem sido a vertiginosa evolução da segmentação dos meios nos últimos anos.


Esta segmentação tem um efeito directo na publicidade: hoje o trabalho de preparação de uma campanha conta cada vez mais com o planeamento estratégico dos meios a utilizar e, neste contexto, o trabalho das agências de meios é cada vez mais fundamental para assegurar um bom resultado das campanhas. Uma ideia criativa genial na concepção do anúncio é meio caminho andado para o sucesso, mas se os suportes forem mal escolhidos para o alvo que se pretende atingir, a melhor ideia criativa arrisca-se a cair em saco roto.


Muitos anunciantes – chamemos-lhes tradicionais – acham que as agências de meios podem apenas ser úteis para conseguirem uma melhor negociação e um melhor preço na colocação das suas campanhas publicitárias. Também por isso o volume de publicidade colocada directamente por anunciantes tem estado estável. Muito por culpa das próprias agências de meios e da sua estrutura associativo, o seu papel mais valioso – o know how da definição estratégica – tem sido subalternizado. Na realidade as agências de meios tem desleixado a sua imagem.


Mas a segmentação cada vez maior dos meios -  e sobretudo o crescimento explosivo da Internet e o despertar de outros suportes digitais – exige um cuidado cada vez maior na planificação e obriga as agências de meios a cada vez maiores investimentos em ferramentas de estudo e de análise e nos recursos humanos dos seus departamentos de research. Estes são custos fixos necessários para que os clientes tenham cada vez melhor serviço.  Se uma boa negociação e um bom preço continuam a ser um factor de peso, a verdade é que os clientes com uma perspectiva mais informada, moderna e realista da situação começam a perceber que comprar mais barato muitas vezes não quer dizer comprar melhor e, ainda menos vezes, quer dizer obter bons resultados.


Por isto mesmo o papel das agências de meios torna-se cada vez mais importante à medida que o universo dos meios se pulveriza. Todos os dias são apresentados novos suportes, todos os dias são apresentados novos projectos e todos eles procuram um bem escasso: anunciantes. Encontrar os melhores veículos para que cada produto chegue ao seu objectivo é o trabalho das agências de meios e ninguém melhor que elas consegue rentabilizar os investimentos publicitários dos clientes – e rentabilizar quer dizer obter a melhor relação entre a qualidade do plano de meios e o seu preço.


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publicado às 09:43

POR CAUSA DAS COISAS...

por falcao, em 05.03.08

(Publicado no diário «Meia Hora»)



Nas últimas semanas a clivagem entre as duas alas do PS tem sido flagrante – primeiro na questão da saúde, levando ao afastamento do Ministro Correia de Campos e agora com críticas abertas à actuação de Maria de Lurdes Rodrigues na educação. No primeiro caso o Ministro cessante foi substituído por uma apoiante de Manuel Alegre, no segundo é também uma pessoa próxima de Alegre que lidera a contestação pública dos socialistas à reforma de Sócrates na educação.


É pois uma altura interessante para recordar um episódio da vida de Manuel Alegre que os seus apoiantes gostam de esquecer e que a maior parte das pessoas já nem se recorda bem. O caso remonta a 12 de Fevereiro de 1977, há 31 anos, quando Manuel Alegre tinha responsabilidades governativas na área da Comunicação Social e decidiu extinguir a empresa do jornal «O Século» de um dia para o outro.


Vamos fazer um bocadinho de história: O jornal «O Século» foi criado em 1880 por um  republicano, Magalhães Lima. Ao longo dos tempos teve ilustres directores como Vitorino Nemésio e João Pereira Rosa e durante muitos anos foi o jornal mais vendido do país. Desde cedo a empresa evoluiu no sentido da constituição de um grupo editorial, que editava revistas como «O Século Ilustrado», a «Vida Mundial», o «Modas e Bordados» ou o «Cinéfilo», além de manter uma obra social importante através da Colónia Balnear Infantil «O Século», em S. Pedro do Estoril, cujas receitas vinham, em parte, da Feira Popular, que era também apadrinhada pelo jornal. Pelo grupo do «Século» passaram alguns dos maiores jornalistas, colunistas e repórteres fotográficos portugueses – foi aliás ali – pode dizer-se – que nasceu o moderno fotojornalismo em Portugal.


Após o 25 de Abril, tal como o «Diário de Notícias» aliás, «O Século» foi «tomado» por sectores próximos do PCP, que rapidamente radicalizaram o jornal e delapidaram as suas audiências e colocaram a empresa em situação difícil. Num clima ainda conturbado do pós 25 de Novembro, com um PS sequioso de estancar a influência do PCP na informação, Manuel Alegre decidiu, de um dia para o outro, alegando uma crise financeira que aliás tocava outros jornais de igual forma, fechar «O Século». Foi uma decisão política, muito mais que económica. Pior:  nem sequer procurou salvaguardar o precioso arquivo de 100 anos de História de Portugal que estava no edifício do grupo editorial e que em boa parte se perdeu. A razão de ser desta nota, é só lembrar alguns desmandos de figuras de esquerda hoje intocáveis, como Manuel Alegre. Por causa das coisas…


 

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