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por falcao, em 23.11.08

SEMESTRE – Com uma candura extraordinária Manuela Ferreira Leite sugeriu que não seria má ideia a interrupção da democracia durante uns seis meses para se fazerem umas reformas. Por mais voltas que a sua equipa do PSD dê, o que ela disse foi isto mesmo – admitir o princípio de que uma suspensão da democracia seria útil em certas circunstâncias. No mínimo foi um pensamento de mau gosto, se quiserem um acto falhado, desgraçadamente revelador de estados de alma desnecessários. A direita portuguesa tem, infelizmente um problema: convive mal com protestos e gosta de apelar ao exercício da autoridade, embora na realidade seja muito mais suave nessa matéria que o actual PS. Na realidade, como hoje se vê, em termos práticos, a direita portuguesa é um menino de fraldas ao pé das atitudes de José Sócrates, Santos Silva ou Vitalino Canas em matéria de reacção a protestos ou da forma de lidar com a contestação. Só que os fantasmas do passado ainda castigam a direita e beneficiam a esquerda. Na realidade posições como a tomada por Manuela Ferreira Leite apenas penalizam o PSD e a área política onde se insere- ao PSD não basta parecer que gosta do regime, tem que mostrar todos os dias e a todas as horas que gosta e o honra e não lhe fica bem distrair-se; ao PS, que já não sei bem se é de direita se de esquerda, basta parecer conformar-.se com o regime – mesmo que pelo meio faça as tropelias que entende ou mesmo que Vitalino Canas a falar dos professores e estudantes pareça um Ministro do Interior do passado. É injusto, mas é assim. Manuela Ferreira Leite acabou de dar mais uma vantagem a José Sócrates – ajudou-o a parecer ser mais à esquerda do que é, numa altura em que bem precisa dessa camuflagem. 


LISBOA – Era muito boa ideia que no programa das candidaturas às próximas autárquicas, em Lisboa, constassem as medidas que os candidatos propõem, a nível fiscal, de benefícios e práticas (circulação, estacionamento, etc), para os residentes na cidade. Na realidade os residentes são prejudicados face aos não residentes que se deslocam para a capital, os residentes são penalizados em questões que vão desde os impostos ao IMI, passando por limitações de circulação durante festividades diversas ao fim de semana. Candidato que não proteja e estimule os lisboetas e a cidade não deveria merecer o voto de ninguém. 


VER – Este é o fim-de-semana em que vale a pena ir à FIL, para ver mais uma Arte Lisboa. Vão estar presentes 70 Galerias, das quais 45 portuguesas e 25 estrangeiras. Até segunda à noite (entre as 16h00 e as 23h00) pode visitar e descobrir o panorama de novas obras, algumas aqui em primeira apresentação, e também o acervo de galeristas. Além disso tem um ciclo de debates com temas como o coleccionismo de fotografia, a actividade das feiras de arte e o investimento em arte, entre outros temas. Informação em www.artelisboa.fil.pt . 


OUVIR – A britânica «Mojo» é sempre, de entre as revistas dedicadas à música, uma publicação a seguir com atenção. Na edição de Dezembro o destaque vai para Leonard Cohen, a propósito da grande digressão mundial que está a fazer, e que já passou por Lisboa no Verão.  Para além de uma análise de toda a sua discografia, existe um extenso e magnífico artigo sobre este artista que diz durante anos ter seguido uma dieta rigorosa baseada em «vinho, mulheres, canções e religião». Mas o melhor de tudo é que a «Mojo» oferece um CD com uma colectânea de canções de Cohen interpretadas por outros artistas – 15 ao todo, entre as quais «Suzanne» por Ian McCulloch, «Joan Of Arc» por Allison Crowe, «Avalanche» por Nick Cave ou «Song For Bernardette» por Judy Collins. O meu exemplar foi comprado nas revistas do El Corte Inglês esta semana e ainda lá ficaram alguns. 


FOLHEAR – Continuo a folhear a magnífica edição especial da «Newsweek» que mostra um portfolio da campanha eleitoral norte-americana e da vitória de Obama. Imagens magníficas, óptimo foto-jornalismo, boa reportagem, boa escrita. Um exemplar de colecção que mostra como as revistas e a imprensa servem outro compasso da informação – reflectindo, comparando, mostrando, muito para além da notícia instantânea. Intitulada «Obama’s American Dream», este «Special Commemorative Issue» estará à venda até Fevereiro de 2009. 


ENGRAÇADO – Com um bocadinho de jeito Al Gore e seus derivados podiam quase ser considerados os inspiradores do ecologista hábil em negociatas que faz de vilão em «Quantum Of Solace». O filme coloca 007 em luta contra um grupo de empresários e políticos que querem dominar as fontes energéticas, às vezes em consonância com governos de insuspeitos países e seus serviços secretos. É a imagem dos que aproveitam a ecologia para encher os bolsos – há muito disso por aí. Faz tempo que um filme do agente secreto de sua majestade não era tão oportuno. 


PETISCAR – O nome deste restaurante é de si um episódio - «Ultralento». O serviço no entanto é eficaz, cortez, e despachado e as influências culinárias são variadas, com destaque para a Índia. O caril de galinha e os bojés estavam muito bons, assim como uma sopa de abóbora com laranja e uma inesperada mas agradável maçã com chévre; nas entradas destaque para um puré de manga com vinho do Porto. Por falar em vinhos, a lista é razoável, mas o vinho da casa é do Dão, honestíssimo, e servido a copo. A decoração é contemporânea e cuidada, aqui está um simpático restaurante de bairro em Campolide onde dá gosto ir ao fim do dia – Rua General Taborda 47, tel 213 879 186. Mais informações em www.ultralento.com . 


BACK TO BASICS - "Não há nada de bom ou ruim, mas o pensamento o faz assim" -


William Shakespeare

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publicado às 21:06

A INTOLERÁVEL EMEL

por falcao, em 18.11.08

(Publicado no Meia Hora de 18 de Novembro)


 

Na semana passada aconteceu-me ter uma reunião perto da sede da EMEL, a Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa. Eu confesso que não gosto da EMEL, dos poderes policiais que lhe foram dados (e que alguns juristas consideram de duvidosa legalidade), não gosto da atitude dos seus funcionários mas, sobretudo, não gosto do abuso que é a EMEL obrigar a pagar novo estacionamento cada vez que se sai da zona onde se pagou, mesmo que ainda reste tempo.

À porta da sede da EMEL há muitos dos seus fiscais a fumar, mas é difícil encontrar uma caixa de pagamento perto do local onde existem mais estacionamentos disponíveis. Um cidadão tem que dar uma bela caminhada até à esquina onde há uma máquina – apetece logo nem pagar. A colocação de máquinas em locais distantes é uma das provas da atitude que rege a empresa, de desprezo por quem a financia.

Vamos por partes: quem anda de automóvel em Lisboa é CLIENTE da EMEL, não é um malfeitor encartado atrás do qual devem ser lançados cães de fila. A EMEL tem que aprender aquela coisa básica que é tratar as pessoas como clientes, que são. Eu até sou dos cumpridores, lá vou pondo as moedinhas – mas não me coíbo de dizer que acho um roubo a forma como o sistema está organizado – e cada vez que digo isso a um Fiscal ele fica com cara de quem me quer dar voz de prisão. Há uns que olham para mim a ver se me fixam a cara e vão apontar a matrícula do carro. Revelador, não é?

Quem anda de carro em Lisboa por razões profissionais tem várias vezes que parar numa série de locais relativamente próximos, mas pertencentes a várias zonas de cobrança da EMEL . Já mais que uma vez me aconteceu chegar ao meu carro, com um selo ainda dentro do limite de tempo, mas oriundo de outra zona – e ter que aturar um fiscal a perseguir-me verbalmente sem sequer lhe passar pela cabeça que está a falar com um cliente e não com um assaltante. As criaturas da EMEL são formadas para perseguir, punir e abusar da autoridade – não são formadas para servir os clientes – não admira, a EMEL é filha da Câmara Municipal de Lisboa que tem uma persistente atitude de afastar moradores e castigar quem tem a mania de querer viver na cidade.

Nas próximas autárquicas só voto num candidato que proteja os moradores de Lisboa, que os beneficie em vez de penalizar. E que diga que vai pôr a EMEL na ordem.

 

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publicado às 18:51

TENDÊNCIAS - Imperdível o artigo de Paul Boutin na «Wired» de Novembro – anuncia o fim da era dos blogs e decreta que ferramentas como o Facebook são o novo meio de fazer circular opiniões e ideias (procurem em www.wired.com na zona da revista).


Um pouco mais à frente, na mesma edição, explica-se como o Facebook também pode ser usado como instrumento de acção política. Ainda no mesmo número um belo artigo, «How To Google Better», e, depois, o guia mais completo sobre novos gadgets para esta época de Natal e a história de capa - uma investigação sobre o futuro dos produtos agrícolas, como a tecnologia está a revolucionar a área. A «Wired» já fez 15 anos, mas continua cheia de vivacidade.

 

BOM SENSO - Muito bom o artigo de Augusto M. Seabra sobre alguns acontecimentos recentes no mundo da arte, cá e lá fora (Joana Vasconcelos por cá, Damien Hirst lá fora). O artigo está na revista digital ArteCapital (www.artecapital.net) , na secção «O Estado da Arte» e chama-se «Gosto e Ostentação».

 

IMAGEM - Na situação que vivemos é preciso coragem para lançar novos produtos editoriais. A nova revista mensal iMAG apresenta-se como um magazine dedicado ao fotojornalismo, pretendendo testemunhar as notícias pela imagem. O primeiro número já está na rua, dirigido por Mafalda Lopes da Costa, que já dirigiu também a «Ler» e se tornou conhecida pelas suas crónicas sobre livros na TSF. A editora desta aventura é a Multipublicações, comandada por Ricardo Florêncio e Paulo Carmona, que há bem pouco tempo retomou o projecto da revista sobre cinema «Premiere».

 

FOTOGRAFIA - A galeria «Pente 10» dedica-se à fotografia contemporânea e tem um belíssimo espaço junto ao Jardim das Amoreiras, na Travessa da Fábrica dos Pentes nº10 (www.pente10.com) . Até 10 de Janeiro (de 3ª a sábado entre as 15 e as 20h00) podem ver «Presença da Ausência», a nova exposição da fotógrafa Rita Barros, há muito tempo a viver em Nova Iorque, autora de um livro e exposição sobre o mítico Chelsea Hotel, onde aliás ainda vive. Rita Barros, que se tornou conhecida com as suas reportagens fotográficas para o «Expresso», percorre nesta mostra outros rumos para além do fotojornalismo. Como Jorge Calado sublinha o texto do catálogo sobre estas «naturezas mortas domésticas», a verdade é que «a viagem mais extraordinária está na imaginação de cada um». Jogando com as cores e os enquadramentos, Rita Barros exibe as provas da sua imaginação.

 

IMPRESSÃO - Fez-me um bocado de impressão conhecer a nova versão da Madredeus com a Banda Cósmica exactamente no mesmo local, o Teatro Ibérico, onde há quase vinte anos, em 1987, assisti aos primeiros ensaios dos então ainda desconhecidos Madredeus. Na altura a surpresa foi total, pela positiva – uma sonoridade nova, arranjos que combinavam violoncelo com acordeão e sintetizador e, acima de tudo isso, a voz de Teresa Salgueiro a cantar poemas que eram pequenas histórias da vida portuguesa. Agora, confesso que a desilusão foi a primeira reacção. Vamos por partes: alguns arranjos são interessantes, a conjugação da harpa com o violino, guitarra eléctrica, baixo, bateria e percussão tem muitos momentos curiosos – mas às vezes tocam no enfadonho, talvez por excesso de procura do virtuosismo. O problema maior reside nas vozes – na tentativa de colagem desnecessária aos ambientes de Teresa Salgueiro que acabaram por constituir a imagem de marca do grupo. Se nos arranjos e no novo conceito musical se vislumbra algum caminho possível, os arranjos vocais são terríveis e a excessiva teatralidade da interpretação de Mariana Abrunheiro é frequentemente incómoda e a roçar o kitsch. A certa altura dei por mim a pensar se, neste novo caminho, não seria melhor usar uma voz masculina, em vez de querer manter o registo vocal feminino que vai sempre ter, bem ou mal, o ponto de comparação com Teresa Salgueiro.

 

SUPER - Gosto de Sonny Rollins, gosto de gravações de jazz efectuadas ao vivo, em concerto. Rollins, actualmente com 78 anos, continua a ser um dos nomes grandes do saxofone e este «Road Shows Vol. 1» mostra isso mesmo. As gravações foram efectuadas no ano passado, no Canadá e, de um muito elogiado concerto realizado no Carnegie Hall em Setembro de 2007, está uma grande interpretação de «Some Enchanted Evening» com Rollins no sax tenor, Christian McBride no baixo e Roy Haynes na bateria). O disco tem a curiosidade de incluir três inéditos da autoria do próprio Rollins e que nunca haviam sido antes gravados – e o mais fascinante deste registo é a capacidade de improvisação que se sente permanentemente nas faixas canadianas – em que Rollins é acompanhado por Clifton Anderson no trombone, Mark Soskin no piano, Bobby Broom na guitarra, Jerome Harris no baixo eléctrico e Al Foster na bateria. (CD Sonny Rollins «Road Shows Vol 1», Universal Music).

 

LEVEZA - Nos últimos tempos, para refeições rápidas, tornei-me fã da Go Natural, e acho que é a melhor oferta em Lisboa dentro deste tipo de restaurantes. Dois destaques recentes na loja das Amoreiras e na loja do Saldanha: uma salada de camarão com couve que passou todas as reservas iniciais e uma sanduíche de pão integral com queijo de cabra, beringela e tomate seco. Um reparo apenas – as sanduíches mereciam melhor embalagem, como por exemplo a das melhores sanduíches do mundo que são as da cadeia britânica «Prêt-A-Manger» - incomparáveis em frescura e sabor. Mas a Go Natural para lá caminha – melhorem um pouco mais por favor.

 

BACK TO BASICS – Pobres daqueles que não têm paciência , Shakespeare

 

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publicado às 18:46

A ESTRATÉGIA DE LISBOA

por falcao, em 14.11.08

 


(Publicado no diário «Meia Hora» do dia 11 de Novembro)

 


A polémica recente em torno do alargamento do terminal de contentores de Alcântara vem trazer à baila uma outra questão – independente do impacto desse alargamento ou da forma como ele tem sido feito: Lisboa quer ser uma cidade portuária? Deve ser uma cidade terminal de contentores? Qual o posicionamento da cidade? Qual a sua estrágia de desenvolvimento?


Pressuroso de facilitar um negócio privado, o Governo impôs que se pusesse o carro à frente dos bois e – como tem sido desgraçadamente hábito – não cuidou em pensar no assunto.


A questão é esta: se o terminal de Alcântara avançar com a dimensão pretendida Lisboa ficará para sempre com uma marcada vocação de carga portuária – e eu tenho as maiores dúvidas de que isso seja benéfico para a cidade.


Vamos por partes: Portugal tem uma costa de centenas de quilómetros, com uma meia dúzia de cidades com características para poderem ter intensa actividade portuária de contentores. Algumas delas têm até já boas instalações portuárias, nalguns casos subaproveitadas. Lisboa não é portanto a única solução possível e num raio de cem quilómetros existem mesmo várias outras opções.


Lisboa, por outro lado, é uma das raras cidades capitais da Europa que conjuga a proximidade ao mar com um clima excelente e uma riqueza de património invulgares. Nos últimos anos Lisboa tem sido cada vez mais reconhecida como um destino turístico apreciado, muito graças à boa actuação do Turismo de Lisboa. Por outro lado, também nos últimos anos, a cidade tem sido cada vez mais um ponto de passagem de grandes navios de cruzeiros que garantem uma utilização do Porto de Lisboa consentânea com a estratégia de desenvolvimento turístico da cidade.


Qual das actividades beneficia mais a cidade, o seu posicionamento e a qualidade de vida do seus residentes: ser essencialmente um terminal de carga ou ser um destino turístico?  É bom recordar que as duas coisas não são compatíveis – uma cidade terminal de carga (e existem várias na Europa a provar o que digo), não coexiste como destino turístico Premium.  Valia a pena parar para estudar e pensar se queremos uma cidade de carga ou uma cidade de serviços sofisticados. A um ano de eleições uma decisão destas é uma péssima herança deixada para o futuro – é a tentativa de criar um facto consumado. 

 

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publicado às 09:50

 


APRENDER – Al Ries, o grande mestre norte-americano do marketing e relações públicas , escreveu um fantástico artigo sobre a campanha eleitoral norte-americana no site da revista «Advertising Age»  intitulado «What Marketeers Can Learn From Obama’s Campaign» (http://adage.com/columns/article?article_id=132237) . Começa assim: «Imaginem um homem relativamente desconhecido. Mais novo que os seus rivais. Negro. Com um nome difícil e de má sonoridade. Agora tenham em consideração o seu primeiro rival: a mulher mais conhecida na América, ligada a um dos políticos que maior êxito obteve na História. Tenham também em consideração o seu segundo rival: um herói de guerra bem conhecido e com uma longa carreira, bem sucedida, como Senador. Nada disto teve significado. Barack Obama teve uma estratégia de marketing melhor que a de qualquer deles: Change». O artigo de Al Ries é muito bom, recorda a importância de manter mensagens claras e constantes, compara as campanhas de Hillary Clinton e John McCain com a de Obama, estabelece comparações com campanhas de produtos de consumo e termina sublinhando a importância que teve a consistência da mensagem de mudança, como se criou uma rede em torno do conceito e como essa rede foi montada por forma a que fosse muito fácil entrar nela e participar.

 

ARRISCAR - A campanha de Obama, dirigida por David Axelrod, foi o resultado de muito profissionalismo e de uma dose abundante de sentido de risco. Um grande amigo meu costuma dizer que, se ao longo da vida não tivesse insistindo em fazer as coisas de forma diferente e em estabelecer objectivos elevados, não teria chegado onde chegou. Felizmente chegou longe. Os grandes líderes, na realidade, gostam de desafios que parecem impossíveis e não têm receio em fazer as coisas de forma diferente. Foi este o enorme trunfo de Obama para vencer as eleições. Reparem – o autor dos seus poderosos e surpreendentes discursos é Jon Favreau, que agora tem 26 anos mas que começou a trabalhar com Obama quando tinha apenas 23. Outra das armas de Obama foi a internet – permitiu-lhe recrutar voluntários, organizar um processo de recolha de donativos que obteve os melhores resultados de sempre, criar uma base de dados de votantes que até ao último minuto foi estimulada para exercer o voto. Todos os observadores concordam que do ponto de vista tecnológico a campanha de Obama, baseada em jovens voluntários da área de engenharia informática, apresentou soluções novas, aproveitou as potencialidades do «social networking» e foi, verdadeiramente, uma campanha digna do século XXI. Esta campanha é um verdadeiro ‘case study» de como se deve fazer política hoje em dia.

 

MUDAR - Há duas semanas a revista «Newsweek» pediu a Michael Bloomberg, entre outros, para escrever uma carta ao futuro presidente, com sugestões concretas para a sua acção. O artigo merece ser lido (http://www.newsweek.com/id/165642) porque sai fora dos cânones dos conselhos políticos mais habituais. Um dos pontos fortes do artigo é a forma de conseguir efectivamente fazer reformas, ganhando apoios noutros sectores políticos: a nomeação de um gabinete bipartidário, fazer nomeações tendo apenas em consideração quem é melhor e não quem é da mesma cor, dar a mão aos seus opositores, por forma a que eles tenham dificuldade em romper, fazer as negociações legislativas deixando que toda a gente possa sentir o sabor da vitória em vez de tentar compromissos que acabam por impedir as mudanças – aproveitar as melhores ideias, independentemente de onde elas vêm. Bloomberg deve saber do que fala – trabalhou tão bem que teve uma autorização especial para concorrer a um terceiro mandato para Mayor de Nova York (o limite são dois mas os representantes da cidade decidiram dar-lhe mais uma oportunidade). E em Nova York, gente de todos os partidos e tendências, concorda que a cidade mudou e está melhor com Bloomberg. Aqui está um artigo que os nossos queridos políticos locais deviam ler. E, se possível, seguir.

 

PORTUGAL - O grande problema da lei das nacionalizações é saber como se distingue o interesse público do interesse político – já que os governos gostam de classificar todas as medidas políticas que tomam em nome do tal interesse público. Este é o caminho mais certo para arbitrariedades. Cá para mim na origem da nacionalização do BPN esteve a inveja: o Ministro Teixeira dos Santos devia andar com inveja dos seus colegas nacionalizadores britânico, alemão e norte-americano e vai daí decidiu que não lhes queria ficar atrás. O mais curioso, no entanto, no caso português, é que na origem da decisão não está a actual crise do sistema financeiro, mas sim actos de gestão ocorridos há anos, já denunciados pela actual administração do Banco e sobre os quais o Banco de Portugal nada fez.

 

VER – Agora no rescaldo das eleições norte-americanas ainda é mais divertido ver «Destruir Depois de Ler», o filme dos irmãos Ethan e Joel Cohen que parodia os serviços secretos dos Estados Unidos e as obsessões dos americanos com interpretações deliciosamente cabotinas de John Malkovich, George Clooney e Brad Pitt.

 

OUVIR - «Night & The Music», o refrescante CD do trio do pianista Fred Hersch, provavelmente o melhor novo disco de jazz que ouvi nos últimos meses. Com base na mais clássica das formações de jazz, o trio, Hersch aventura-se na exploração de novas sonoridades. Descobri-o na discoteca Trem Azul, Rua do Alecrim 21 A.

 

PROVAR – Sempre deliciosas a muqueca de camarão e a feijoada à brasileira do restaurante «Barra do Quanza», uma boa alternativa para quem quer ir ao fim de semana ver o rio e já está fartinho de peixe grelhado. Preços razoáveis, bom vinho branco da casa, caipirinha excelente sem açúcar a mais. Clube Naval de Lisboa, Doca de Belém, Av de Brasília, tel. 213620697.

 

BACK TO BASICS – Nunca voto em ninguém, voto sempre contra alguma coisa, W.C. Fields.

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publicado às 13:15

LISBOA DESPREZADA

por falcao, em 10.11.08

 


(Publicado no diário Meia Hora de 3 de Novembro)

 

 

Governar o que quer que seja não é fácil, governar uma grande cidade ainda menos. Lisboa é um exemplo das dificuldades que toda a gente tem, sem excepção. Quando António Costa foi eleito fez uma série de promessas. Para além das de gestão corrente, garantiu que queria uma cidade mais humana, que queria uma cidade mais habitada, que queria uma cidade mais virada para o rio, onde fosse mais agradável viver. É um programa comum que poderia ser subscrito por muita gente. No entanto, nas últimas semanas, os factos têm contrariado as boas intenções, as boas declarações, as promessas eleitorais.

Comecemos pelo caso do alargamento do terminal dos contentores – qualquer pessoa que se preocupe com a qualidade de vida na cidade preocupa-se com a decisão que o Governo impôs à Câmara, e que António Costa aceitou. O assunto é este: «A ampliação da capacidade do terminal de contentores de Alcântara que o Governo inoportunamente se propõe levar por diante implicará a criação de uma muralha com cerca de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de altura entre a Cidade de Lisboa e o Rio Tejo. A zona de Alcântara estará sujeita a obras durante um período previsto de 6 anos, impossibilitando assim a população de aceder ao rio pelas “Docas”, levando ao fecho de toda a actividade lúdica desta zona, pondo em risco 700 postos de trabalho. Os terminais de contentores existentes nos portos de Portugal no final de 2006 tinham o dobro da capacidade necessária para satisfazer a procura do mercado.»

Como se isto não chegasse fiquei a saber pelos jornais de fim-de-semana que a Câmara se prepara para abandonar o projecto de uma zona residencial em Entrecampos, sobretudo destinada aos mais jovens, e em seu lugar quer construir mais escritórios. Eu trabalho nas Avenidas Novas e vejo a quantidade de escritórios que ali estão vazios, há anos, sem encontrarem ocupante. O cenário repete-se por toda a cidade. Lisboa não tem falta de escritórios, tem é falta de pessoas, de residentes. Não há emprego para tanta área de escritórios – mas é certo que eles são potencialmente mais rentáveis que habitações para arrendamento a preços não especulativos.

No fim a conversa é sempre a mesma: promove-se o que é mais rentável para interesses particulares, abandona-se o que é mais importante para fazer reviver a cidade e dar conforto a quem a habita.

 

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publicado às 13:09

 


FAZER - Um país que não produz vale pouco por mais auto-estradas, aeroportos e linhas de TGV que se construam. Numa apresentação realizada na semana passada pela Associação Empresarial Portuguesa em Lisboa, o seu dinâmico Vice-Presidente, Paulo Nunes de Almeida, chamou a atenção para um dado pouco falado: nos primeiros seis meses do ano o déficit externo português subiu 36% em relação a período homólogo do ano passado - quer dizer, produz-se menos, importa-se mais. E fiquei a pensar: quilómetros de alcatrão não são exportáveis - a qualidade da manufactura é. Num período em que muitas empresas começam a desconfiar da qualidade chinesa, há uma oportunidade para os produtos de qualidade feitos em Portugal. O futuro passa por aí, mais do que por gigantescas obras públicas que podem ter efeitos no curto prazo mas não são feitas a pensar no futuro.  

 


 


CRIAR - Fiquei fã de Aníbal Campos, Presidente da Silampos, que numa entrevista recente não poupou nas palavras - e com razão: «Bruxelas tornou-se um Kremlin, uma instituição de burocratas que venderam a ideia de que era possível viver sem produzir». E mais adiante: «Sou a favor da globalização, mas com regras. (...) Os produtos que vêm da China não têm de cumprir regras e ninguém fiscaliza. A questão da marca CE é uma questão muito interessante - é divulgada como sendo China Export». E, ainda: Se um europeu exporta para a América do Sul «pagam-se taxas absurdas de 60 a 70%, o caso do Brasil é um escândalo porque os produtos brasileiros entram na Europa com taxas de 4%».  

 


 


MUDAR - Cá para mim quem tem razão é José Miguel Júdice na análise que faz do Estado da Nação: segundo ele Portugal está como os Estados Unidos -  precisa de reforçar a classe média, de garantir  maior justiça fiscal e de conseguir renovar o sonho de uma vida melhor. Só que eu não vejo maneira de isso acontecer. Estamos na recta final de um mandato de quatro anos de maioria absoluta onde as promessas cumpridas foram poucas e as reformas cheias de zigue-zagues. Quando o Primeiro Ministro pede uma nova maioria absoluta para poder governar tenho as minhas dúvidas de que o cheque em branco seja merecido. Mas também percebo que, com a oposição que existe, dificilmente se conseguirá fazer melhor. 

 


 


VER – Gostei do documentário de Bruno de Almeida que ganhou uma menção honrosa no Doc Lisboa deste ano, «Homeostéticos b=0». Partindo de um belíssimo trabalho de recolha de arquivos e de depoimentos, de um guião muito bem construído e de uma montagem sóbria e eficaz, o documentário, de uma hora, ajuda a perceber o percurso de artistas que deixaram um marca para além do período em que se tornaram conhecidos: Pedro Portugal, Ivo, Manuel João Vieira, Xana, Pedro Proença e Fernando Brito. Parabéns à voz que faz a narração, de forma exemplar e à produção da Midas Filmes. Deixo uma frase tirada do filme: «Estamos sem porcos a quem darmos as pérolas».  

 

 


LER -   Bem sei que isto se está a tornar repetitivo, mas cada nova edição da revista «Monocle» é um motivo de recomendação. Neste número de Novembro o tema de capa é a forma como o design pode ajudar a diplomacia – e faz-se um levantamento de embaixadas por esse mundo fora que são amostras das culturas e talentos dos países que representam. Também nesta edição é muito interessante ver como o organismo britânico de comércio externo, «UK Trade & Investment» chama a atenção em duas páginas editoriais para o sector criativo no Reino Unido. A terminar uma belo ensaio fotográfico acompanhado por um informativo artigo sobre a arte milenar do Sumo japonês, essa antiga forma de luta que privilegia a táctica e a sabedoria sobre a força.  

 

 

 


DESCOBRIR – Os desenhos e esboços de Cruzeiro Seixas, feitos em pedaços de papel, expostos até dia 8 de Novembro na Galeria Arque, Avenida Miguel Bombarda 120 A. É uma colecção invulgar, de rabiscos ocasionais, mas que no entanto ganham sentidos quando expostos desta forma.    

 


PETISCAR - O Nobre voltou a Lisboa e está no Campo Pequeno. Mesmo coisas simples podem ser surpreendentes, como a salada de polvo, servida de entrada. Bom pão, bom azeite para acompanhar, vinho a copo honesto e de preço aceitável. Nos pratos do dia havia uma miscelânea de peixe fino com gambas, em molho de côco com puré de coentros e um  bacalhau à Spazio, com espinafres, amêndoas torradas, lascas de bom bacalhau e umas batatas ao redor. Serviço exemplar. Avc. Sacadura Cabral 53 B, tel 217 970 760. 

 


 


OUVIR – Inesperado, arrebatador, surpreendente – bastam três palavras para descrever o novo disco de Charlie Haden, um divertido projecto nascido de explorações de sonoridades tradicionais, dos blues ao country, em que participam nomes como Rosanne Cash, Elvis Costello, Pat Metheny, Bruce Hornsby e Vince Gill, entre outros. Também alguns familiares de Haden dão uma ajuda num disco apropriadamente intitulado «Family & Friends». É um disco despretencioso e divertido, cheio de pequenas descobertas, como o próprio Haden a cantar. 

 

 


BACK TO BASICS – Penso sobre os aviões a mesma coisa que sobre as dietas – são óptimos para outras pessoas experimentarem – Jean Kerr 

 

 

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publicado às 18:54

O MAU CHEIRO DA GASOLINA NA AVENIDA

por falcao, em 03.11.08

 


(Publicado no diário Meia Hora de 28 de Outubro de 2008)

 

Sinceramente não consigo perceber o que pode passar pela cabeça de um Presidente da Câmara para deixar transformar a mais prestigiada e importante avenida da sua cidade num misto de stand de automóveis com uma pista de corridas.

Sinceramente não percebo nem compreendo porque é que António Costa permitiu que a Avenida da Liberdade fosse encerrada ao trânsito durante dois dias para servir de palco a uma manobra publicitária algo terceiro-mundista de uma marca de automóveis.

Sinceramente não entendo como o tão ecologista António Costa, conhecido em tempos eleitorais por correr em cima de um burro contra um Ferrari, permitiu a dose de poluição sonora e atmosférica que um motor de Fórmula Um provoca no meio de uma cidade.

Por muito que me esforce não consigo compreender de onde vem esta arrogância, este desrespeito pelos munícipes, pelos comerciantes que pagam taxas elevadas, por quem vive e trabalha na cidade. A decisão de deixar fazer o que aconteceu neste passado fim-de-semana na Avenida da Liberdade é próprio de basbaques deslumbrados e algo provincianos, que se encantam com pouco e acham que podem usar o espaço público em seu benefício, sob o pretexto de dar um bocadinho de espectáculo ao povoléu – a maior parte não votante em Lisboa, aposto. Costa deve ter-se inspirado no cheiro a gasolina que ilumina outro autarca do género, Rui Rio, que transformou as margens do Douro numa pista de corridas para aviões. Bem sei que os dois, Costa e Rio, são dados a acordos privados em matéria politiqueira, mas agora ficámos a saber que ambos partilham também do gosto em poluir as suas cidades e em abusarem do poder que têm.

Acham que a marca de automóveis que fez este dislate, francesa de origem, conseguiria fazer tamanha arruaça em Paris, nos Champs Elysées? Estão a ver isto acontecer em Londres ou Nova York nas ruas onde as lojas das marcas de prestígio se encontram?

A questão de fundo é a de saber até que ponto é legítimo deixar usar espaço público de uma cidade desta forma, que incomoda, perturba, prejudica e polui. No dia das eleições autárquicas em Lisboa lembrem-se disto - esteja Costa sózinho ou coligado.

(Já agora, estranhei que o sempre diligente José Sá Fernandes não tivesse interposto uma providência cautelar para impedir o evento).

 

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publicado às 18:53

 


DEBATE – Aguardo com expectativa que a ERC emita as suas instruções editoriais sobre a forma como devem ser montados os debates que envolvam Marcelo Rebelo de Sousa e António Vitorino. É que no Domingo passado, no debate em directo a propósito das eleições nos Açores, Marcelo arrasou de tal forma Vitorino que tão cedo ele não deve querer outra vez um frente a frente destes. De modo que resta à ERC regulamentar o tempo de antena de Vitorino para ele brilhar sozinho, que é como brilha melhor.

 

OPORTUNIDADE – É inegável que o Primeiro Ministro geriu com sentido de oportunidade e eficácia a resposta do Governo à situação desencadeada pela crise dos mercados financeiros. Conseguiu responder a dois níveis – por um lado com medidas imediatas para diminuir os riscos em Portugal; e, por outro, aproveitou bem o momento para lançar uma série de medidas no Orçamento de Estado do próximo ano que o vão ajudar bastante no ciclo eleitoral que aí vem. O contraste com o apagamento da oposição foi dramático. Por este andar Sócrates ganha o jogo por falta de comparência do adversário.

 

ELEIÇÕES – Resumo das eleições nos Açores: maior abstenção, menos votantes, o PS reforçou a maioria absoluta mas com menor número de votos que na eleição anterior. Quer-me parecer que o início do ciclo eleitoral não trouxe boas notícias em termos da saúde do sistema democrático e partidário. E não me surpreendo se nas eleições gerais, autárquicas e europeias do próximo ano este cenário de alheamento dos cidadãos voltar a ocorrer. Tudo caminha nesse sentido…

 

VER – Vale a pena ir a Coimbra, à Quinta das Lágrimas, ver a exposição que o colectivo de artistas «Laboratório Afectos» lá montou, por iniciativa da dinâmica Galeria Sete, um espaço coimbrão de arte contemporânea. O desafio proposto aos 11 artistas convidados foi o de explorarem o tema dos afectos à sombra da história do amor de D. Pedro e de Inês de Castro. Destaco as obras de Pedro Valdez Cardoso, de Maria Pia Oliveira, de Ana Fonseca e de Cristina Ataíde, todas elas surpreendentes no conceito, na forma e no resultado final obtido. Desde a alcova secreta do encontro de amantes interpretado por Maria Pia Oliveira, até à violência da História mostrada por Pedro Valdez Cardoso, passando pelo labirinto de desejos que compõem a paixão de Cristina Ataíde ou a permanente provocação que alimenta as fantasias, mostrada por Ana Fonseca, a exposição invadiu os jardins da Quinta das Lágrimas dando oportunidade aos visitantes de se confrontarem com a arte contemporânea em cruzamento com um local histórico.

 

PENAR – Quando se sai da Quinta das Lágrimas em direcção a Lisboa o mais natural é perderem-se se não conhecerem os cantos às cidades. Eu sei que as cidades de província são ciosas em guardar os seus visitantes, mas Coimbra faz penar um suplício com a falta de sinalização, a sua diminuta dimensão, a dificuldade de visualização. Este problema, no entanto, não afecta só Coimbra. Os responsáveis pela colocação de sinalização dentro de cidades devem achar que toda a gente conhece os caminhos e vai daí desprezam os incautos viajantes que apenas procuram direcções para seguirem para outro destino. É muito irritante.

 

LER – Fareed Zakaria, editor internacional da Newsweek, tem-se destacado pela sua análise da actual crise. Um livro que editou este ano, «O Mundo Pós-Americano» é uma obra fundamental para compreender o que se passa, como o Mundo se está a transformar. Com uma forma de escrita cativante, Zakaria junta factos e números, sugere interpretações, propõe hipóteses. Com uma simplicidade fascinante o autor descreve o que se passa nas novas grandes potências, aborda o peso das diferentes culturas e religiões, analisa o que se passa no ensino, na indústria e nas alterações geoestratégicas. Muito provavelmente este é o mais fascinante livro que este ano me passou pelas mãos. «O Mundo Pós-Americano», Fareed Zakaria, 251 pgs, editado pela Gradiva.

 

PETISCAR – Querem uma sugestão para um petisco de meio da tarde num fim de semana ou para uma entrada fria? Experimentem as «Enguias de Portugal em Molho de Escabeche» produzidas pela fábrica de conservas da Murtosa (Comur), numa inconfundível embalagem verde e amarela. A receita é a tradicional da região – as enguias, depois de fritas, são temperadas num escabeche e assim ficam à nossa espera até que a lata se abra. Com um bom pão e rabanetes às rodelas para ir alternando, o sucesso é garantido.

 

OUVIR – A prestigiada editora de Jazz Verve está a reeditar algumas das suas gravações clássicas numa série que tem o nome de «Originals» que inclui várias gravações feitas sob a influência da descoberta da bossa nova pelos norte-americanos. Recomendo «Big Band Bossa Nova» com Stan Getz e a orquestra de Gary McFarland (1962), «Piano, Strings And Bossa Nova» pelo pianista Lalo Schifrin (1962) e «Bossa Nova» do cantor brasileiro Luiz Bonfa, com Lalo Schifrin e Oscar Castro Neves, gravado em Nova York a 30 e 31 de Dezembro de 1962 – um ano de descobertas.

 

BACK TO BASICS – A vida sem datas marcantes tinha menos graça – Prixarde D.

 

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publicado às 18:50


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