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A IMPORTÂNCIA DA CREDIBILIDADE

por falcao, em 29.01.09

(Publicado no diário «Meia Hora» de 27 de Janeiro)


 

Um património fundamental dos politicos é a credibilidade. A demagogia eleitoral deixa sempre as suas mossas, a mania dos políticos em estabelecer metas e fazer promessas que depois deitam fora é uma das coisas que mais destrói a política e mais afasta as pessoas da participação cívica.

Eu devo dizer que tenho o Engenheiro Sócrates na conta de uma pessoa séria – não corrompível, não venal, que não quer tirar proveito próprio nem material da actividade política. Mas sei também como é determinado e como frequentemente não olha a meios para atingir objectivos. Aos poucos José Sócrates tem vindo a construir um património de incredibilidade, em termos políticos e em termos pessoais.

Em termos políticos na campanha eleitoral prometeu que não iria subir os impostos, e a primeira coisa que fez foi aumentá-los; prometeu milhares de empregos que nunca surgiram; prometeu reformas que ou não se fizeram ou ficaram a meio. Tudo indica que o final do seu mandato fique muito longe, em termos de resultados, do que ele anunciou – o recente relatório de uma agência de rating sobre a situação do país é o retrato de um falhanço, mesmo antes de a crise ser o que é.

Em termos pessoais, em três situações diferentes, começou por não admitir determinados actos, que depois se verificou terem ocorrido – a sua dificuldade em conviver com a verdade quando esta lhe pode ser desagradável é uma característica repetida: foi assim no caso do seu currículo profissional e no caso da sua licenciatura, foi assim no caso dos projectos de engenharia que assinou, foi assim neste caso do Freeport.

O seu comportamento tem sido sempre igual: ao princípio nega tudo, depois tem que recuar e aceitar parte do acontecido. O problema é que deixa no ar a dúvida sobre se ficará mais por desvendar. É isso que afecta a sua credibilidade e é isso que começa a preocupar tanta gente no PS, sobretudo em vésperas de Congresso partidário.

No caso Freeport, parece-me, a questão principal é saber se houve tratamento de excepção na rapidez do licenciamento, no facto de a decisão ter sido tomada já com o Governo de saída, no facto de objectivamente a decisão ter sido pressionada (como hoje já se sabe) por um correlegionário partidário do Engenheiro Sócrates – o Presidente da Câmara de Alcochete, à data do sucedido, era do PS. Esta é verdadeiramente a questão central de todo o problema: houve ou não favorecimento político – partidário? Todas as aparências indicam que sim.

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publicado às 11:43

RESUMO DA SEMANA – Lá vamos cantando e revendo o orçamento ( o tal que estava óptimo há um mês atrás…); já se sabe que este ano a despesa do Estado cresce 10 por cento; Vitor Constâncio reconheceu ter-se enganado mais uma vez, o que o torna candidato a recordista de erros no campeonato dos Governadores de Bancos Centrais; já se percebeu que José Sócrates iniciou a sua viragem à esquerda para consumo interno do PS e não me espanto se um dia destes ele disser que o Governo veio em ajuda do Banco Privado Português para defender a classe média… 

 


 


ANDA NO AR – No cenário de uma maioria relativa do PS começam a correr pelo ar vários cenários: uma revisitação de um acordo PS-PP, desta vez uma coisa à séria e sem queijo Limiano; uma tentativa de cisão no PSD que desse consistência a um bloco central de partilha do poder; e um governo patrocinado pelo Presidente da República, que juntasse figuras do PS e PSD, sem Sócrates. Os cenários começaram a ser feitos – daqui até ao fim do ano cenógrafos e carpinteiros vão ter muito que fazer. 

 


 


RECORDISTA – A cerimónia de tomada de posse de Barack Obama foi recordista de audiências – bateu todos os recordes anteriores, pertencentes a manifestações desportivas – Jogos Olímpicos em audiências globais no mundo inteiro e o Super Bowl dentro das audiências internas do mercado dos Estados Unidos. As primeiras estimativas apontam para uma audiência televisiva total superior a 100 milhões de espectadores só nos Estados Unidos. Já se sabe que o vencedor da batalha de audiências foi a dupla CNN- Facebook, que possibilitou que os espectadores comentassem em tempo real e inter-agissem uns com os outros ao mesmo tempo que assistiam à cerimónia. Este acordo CNN-Facebook foi por si só um marco na comunicação e na maneira de ver as transmissões em directo – algo que fará História. 

 


 


VER – «Lá Fora» reúne obras de 67 artistas portugueses que desenvolveram grande parte da sua obra no estrangeiro, no caso em 21 cidades, e é uma iniciativa conjunta da Fundação EDP e do Museu da Presidência da República, originalmente criada por ocasião do 10 de Junho do ano passado e que agora chegou a Lisboa, ao Museu da Electricidade. Aqui estão, por exemplo, peças feitas por José Barrias em Milão, por Paula Rego em Londres, por Isabel Pavão em Nova Iorque ou por Alvess em Paris – acreditem que para muitos esta diversidade vai ser uma surpresa. Até 15 de Março. 

 


 


OUVIR – Eu pessoalmente gosto de trios – esclareço que estou a falar de jazz nesta instância: piano, baixo e bateria fazem a minha felicidade. Aqui há uns anos descobri a obra do trio do belga Jef Neve com o disco «Nobody Is Illegal». Agora redescobri-a com o novo disco, «Soul In A Picture», um dos melhores discos de jazz de músicos europeus que ouvi nos últimos anos. Vou corrigir: um dos melhores discos de jazz que ouvi nos últimos anos. 

 


 


LER – José Sarmento de Matos é um estudioso de Lisboa e da sua História e, reza a lenda, terá sido ele o primeiro a sugerir a Mega Ferreira a zona oriental de Lisboa como local ideal para a requalificação que a EXPO 98 queria fazer. Adiante: «A Invenção de Lisboa» é um trabalho extraordinário, cujo primeiro volume acaba agora de sair, editado pela «Temas e Debates». Esta História começa nos tempos dos fenícios e dos romanos e o primeiro volume centra-se na conquista de Lisboa aos Mouros e nas três décadas imediatamente a seguir que moldam a cidade como capital do país. É um livro delicioso em que a História se mistura com relatos de aventura, um registo da evolução de Lisboa em que se juntam contribuições de história política, económica, social e cultural. É um prazer começar o ano a ler um livro assim. 

 


 


COISAS DE QUE EU GOSTO – Gosto muito de passear nas Avenidas Novas. Anda-se bem a pé, há comércio, muita restauração, cafés, até a excelente livraria «Pó dos Livros» (Av. Marquês de Tomar 89ª). Ao longo dos tempos os restaurantes mudam, a bem dizer, de «alma». Por exemplo, o «City Café» (Av Miguel Bombarda 133), que aqui em tempos elogiei, transformou-se num templo de fumo ( e eu não sou anti-tabagista), com um género de serviço que gosta de ver os clientes a saírem, com mesas guardadas sem estarem reservadas, num estilo algo ganancioso de funcionamento que a mim me irrita bastante. Em contraste, o «Magnólia» (também Av. Miguel Bombarda nº 48) melhorou muito desde que abriu e agora a sua sala de restaurante é um local agradável, com, bom serviço e preços equilibrados, zona de fumadores e não fumadores, ambas confortáveis. Enquanto ao Magnólia volto agora com gosto, do City Café fujo sem desgosto. 

 


 


PERGUNTAS QUE ME OCORREM – Onde anda o «Compromisso Portugal»? Que actividades desenvolve depois de ter feito em Julho do ano passado uma avaliação do desempenho do Governo? Que análise faz da crise, do que aconteceu nestes últimos meses, do que se passa nalguma banca, como avalia o desempenho do sistema político face à situação? Lembrei-me de tudo isto quando, na semana passada, vi o Dr. António Carrapatoso e o Dr. António Costa numa conversa de almoço. Sei lá –ainda existe, o «Compromisso Portugal»? 

 


 


TESOURINHO DA SEMANA – « Da parte do meu Governo pode contar com uma firme vontade em trabalhar em conjunto com os Estados Unidos» - José Sócrates, felicitando Barack Obama no dia da sua posse. E que terá Obama pensado? - «Cool Man, I really was wainting for that – send me the rescue plans for that Banco Privado of yours)… 

 


 


BACK TO BASICS – «O Verão tem muito mais graça» - D.P.A. 

 

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publicado às 10:20

CERVEJAS

por falcao, em 22.01.09

Parece-me que a Super Bock anda a saber bastante melhor que a Sagres

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publicado às 11:44

CARTA ABERTA SOBRE O PATRIMÓNIO

por falcao, em 22.01.09

 


(Publicado no Meia Hora de 20 de Janeiro)

 

Senhor Engenheiro José Sócrates,

Gostava de lhe roubar uns curtos minutos para lhe pedir que, no meio de todas as obras públicas que vão ser feitas, haja uma parcela do dinheiro que se destine a recuperar o nosso Património nacional edificado. Eu acho que o Senhor, como tantos outros portugueses, deve ter ficado preocupado com as informações que dão notícia da progressiva degradação de vários monumentos, alguns de forma grave.

Se calhar, para além dos monumentos em dificuldades de conservação que vieram a lume, ainda há mais, fora dos mais conhecidos e classificados, mas de muito valor a nível local, que precisam igualmente de intervenção – eu recordo-me de, ao longo do último ano, ver notícias de vários pontos do país dando conta de que existiam problemas de conservação em muitos edifícios que pertencem ao Património nacional, que têm valor histórico, artístico, cultural, turístico – quer dizer, que à sua medida podem ser peças de alguma dinamização da economia local.

Como em tudo na vida isto é uma questão de opção: serão mesmo necessárias todas as auto-estradas, todas as vias rápidas? Se calhar o valor investido em meia dúzia de quilómetros de auto-estrada daria para fazer uma revolução na conservação e dinamização do nosso Património.

Peço-lhe, Senhor Engenheiro, para considerar esta possibilidade – se fizer esta opção o investimento dinamizador mantém-se, o emprego de mão de obra na conservação destes edifícios não será dispiciendo, poderá dar-se trabalho aos que estudaram restauro e por vezes têm dificuldade em aplicar o seu conhecimento, e no fim de tudo isto poderá, até, haver alguma criação de emprego a nível local para manter abertos a visitantes estes Monumentos.

Se as coisas forem bem pensadas, bem coordenadas e bem comunicadas – e o Senhor é um mestre nesta área – o efeito positivo junto dos cidadãos, a nível local e também nacional, será enorme. Todos gostamos de ver que o país conserva a sua História e sabe salvaguardar a sua memória.

Eu acredito que ainda pode estar a tempo de criar um plano de emergência para o Património, que garanta aproveitamento do investimento, que garanta trabalho e que tenha um efeito prático muito positivo. Surpreenda aqueles que acham que opta sempre pelas soluções mais fáceis.

 

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publicado às 11:43

 


FONTES - Existe há muitos anos uma forma muito curiosa de fazer contra-informação: atribuir a origem de uma determinada notícia a uma fonte que efectivamente não disse nada, mas que faz parte do círculo envolvido na notícia. Não sou dado a demasiadas teorias conspirativas, mas tem-me passado pela cabeça que algumas fontes políticas referidas como sendo «fontes de Belém» se calhar poderão conjunturalmente estar a provar pastéis em Belém mas são mais oriundas da zona de S.Bento ou da Rua Gomes Teixeira do que de outro sítio qualquer.

 

MUNDIAL – Tudo indica que começou a campanha para semear ilusões e criar despesa com o pretexto do Mundial de Futebol e uma hipotética candidatura conjunta de Portugal e Espanha como organizadores. Eu sei que os Governos gostam de utilizar o futebol para gáudio e engano da populaça, mas a verdade é que todo o dinheiro que delapidam no futebol é dinheiro que não vai para apoiar a criação de postos de trabalho, para apoiar indústrias que exportam, para apoiar manufacturas em extinção e que, no futuro, podem fazer a diferença. Já o mesmo não se pode dizer do que se gastou na construção de Estádios para o Europeu…

 

PENA – É uma pena que empresas tradicionais de cerâmica estejam nas dificuldades em que estão. É triste ver que fecham empresas produtivas, que diminui ainda mais o nosso tecido fabril. Quando olho para o se passa com a fábrica responsável pelas criações de Rafael Bordalo Pinheiro, quando olho para cerâmicas que encerram, quando olho para as ameaças que pairam sobre a Vista Alegre, reconheço que é urgente rever as formas de apoio – a todas estas empresas faz falta comunicação, faz falta publicidade, faz falta investimento na comercialização, mais do que até na produção. Na realidade, por melhores que sejam as peças, se ninguém percepcionar as marcas nem o seu valor dificilmente elas terão possibilidades de sobreviver. Faz falta uma análise do que se passa neste capítulo – a gestão e a divulgação das marcas portuguesas, um acompanhamento e aconselhamento na forma de fazer uma comunicação comercial continuada e eficaz, que se reflicta em vendas. Numa conjuntura como a que estamos a viver, com retracção do investimento publicitário, existe a oportunidade de, com volumes de investimento menores, conseguir uma notoriedade mais rápida e maior que noutras épocas. Aqui está uma coisa em que Manuel Pinho e a sai equipa poderiam pensar.

 

VAZIO – Um mandato inteiro de Governo a impôr sacrifícios para resultados bem escassos – a posição global de Portugal não melhorou, uma entidade tão credível como a Standard & Poor’s alerta para o aumento da despesa e diz que a Reforma da Função Pública ficou aquém do esperado. O relatório da Standard & Poor’s é qa confirmação de que continuamos um país adiado.

 

COISAS DE QUE EU GOSTO – A escolha de Isabel Carlos para dirigir o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, ouvir a «Íntima Fracção», de Francisco Amaral, na internet, saber que os Xutos & Pontapés estão «alive and kicking» ao fim de 30 anos, poder ler o Miguel Esteves Cardoso todos os dias, saber que o Fernando Sobral aqui escreve, neste jornal, diariamente, coisas tão lúcidas como esta citação: « Ronaldo ilude num país desiludido. É um fogo de artifício».

 

VER – A exposição «Bone Lonely» de Paulo Nozolino na Galeria Quadrado Azul (Largo Stephens 4, entre o Chiado e o Cais do Sodré). São 32 fotografias, todas deliberadamente em enquadramento vertical, feitas ao longo de vários anos, todas a preto e branco, impressas em laboratório, tiragem de prova única. É uma bofetada de luva branca no exibicionismo das ampliações gigantes de imagens a cores, banais, que vivem de deificar o óbvio e é uma demarcação do mau gosto e da vulgaridade, dominantes na fotografia nos últimos anos. A exposição estará patente até 21 de Fevereiro e em Maio será publicado um livro que reproduz estas imagens, acompanhadas por poemas de Rui Baião.

 

LER – Recomendo que leiam a «Ler», a revista mensal editada pelo Círculo de Leitores, dirigida por Francisco José Viegas. Em Dezembro fiquei a perceber que estes números de fim de ano são para guardar – resenha de livros, tendências, coisas, que marcam. Todos os meses há ideias novas, alguns colunistas interessantes (Agualusa, Pedro Mexia, Filipe Nunes Vicente), outros nem por isso, mas sempre um lúcido editorial do Director e boas entrevistas. A edição de Janeiro tem Agustina Bessa-Luís na capa e já está por aí ao módico preço de cinco euros.

 

PROVAR – No espaço de restauração do Teatro de S.Luiz abriu há pouco tempo o «Spot S.Luiz», que faz parelha com outro espaço de igual designação que existe no Casino de Lisboa. A direcção culinária é de Fausto Airoldi, mas no caso do S.Luiz, a batuta efectiva da cozinha está na mão de António Latas, que sai muito bem da aventura. Nas entradas recomendo as cascas de batata brava e confesso que só encontrei razões para elogiar o bacalhau fresco escalfado com um «à Braz» contemporâneo e o risotto de lima. Vinhos simpáticos a copo, serviço a precisar de ser afinado. Telefone – 213430253.

 

OUVIR - «Amoureuses», o disco da soprano Patrícia Petibon, acompanhada pela Concerto Koln dirigida por Daniel Harding, a interpretar árias de Haydn, Mozart e Gluck, todas em torno do amor. Petibon tem um notável controlo vocal, uma técnica flexível e uma voz cristalina.

 

ADIVINHA – Qual é a distância entre fazer fretes em entrevistas e criticar a afirmação de opiniões em editoriais?

 

BACK TO BASICS - «O luxo não se baseia nem na riqueza nem na ornamentação mas na ausência de vulgaridade. A vulgaridade é a pior palavra que existe e todo o meu trabalho visa combatê-la» - Coco Chanel.

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publicado às 10:48

SERVIÇO CÍVICO

por falcao, em 19.01.09

 


(Publicad0o no Diário Meia Hora de 13 de Janeiro)

 

Num tempo em que tantos Institutos e Observatórios são criados por todo o lado eu gostava que fosse criado um Observatório da Política. A missão deste Observatório seria comparar os actos dos políticos eleitos com as promessas feitas quando se apresentaram a votos, comparar a acção dos políticos na oposição com o que prometeram nas respectivas campanhas, avaliar o desempenho de partidos, de dirigentes partidários, e dos titulares de cargos públicos.

Vou um bocadinho mais longe: não é só o partido vencedor das eleições que merece ser escrutinado face às suas promessas – também os derrotados devem depois passar pelo crivo da comparação entre os programas eleitorais e promessas avulsas realizadas e a verdade dos factos no dia a dia da acção política.

Infelizmente a demagogia e a mentira tornaram-se no mal maior da política contemporânea. Ganham-se eleições a prometer reduzir impostos, quando se chega ao Governo aumentam-se logo; e, inversamente, defende-se o aumento dos impostos quando se é Governo e depois a redução quando se passa à oposição.

A falta de seriedade dos políticos é a maior causa para o desinteresse dos cidadãos. É triste mas os chamados partidos de Governo comportam-se todos da mesma forma: quando pedem um voto, na prática estão a pedir um cheque em branco – não interessa o que os seus programas eleitorais dizem, não interessa o que os dirigentes prometem, a passagem das ilusões, utopias e sonhos a promessas descartáveis acontece no exacto momento das tomadas de posse.

Este Instituto da Política devia ser criado com declaração de urgência por forma a ainda poder servir de alguma coisa neste ano eleitoral: que fizeram os deputados europeus eleitos em Portugal? Como se comportaram eles? Quem sabe se cumpriram programas? Que balanço fazer dos deputados à Assembleia da República? Que dizer dos membros do Governo que em eleições prometeram uma coisa e depois passaram o mandato a fazer o contrário? Que dizer dos líderes de oposição que também não se lembram do que garantiam ser o melhor para o país? Que dizer dos autarcas que deixaram as cidades e vilas pior do que as encontraram e que não respeitam o bem estar de quem lá vive?. O fundamental é que cada um de nós analise o que se passa à sua volta e retenha na memória as promessas para as comparar com a realidade.

 

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publicado às 10:45

TRAPALHADAS - Primeiro foi José Sócrates a admitir que podia, afinal, existir recessão. Como por milagre, no dia seguinte, Vítor Constâncio, o Governador do Banco de Portugal que se está a especializar em desdizer-se, confirmou o cenário de recessão. Depois o Ministro das Finanças apareceu a dizer que o Orçamento de Estado necessitava de ser actualizado e corrigido, confirmando as dúvidas levantadas pelo Presidente da República, mas contradizendo declarações oficiais do Governo e do Grupo Parlamentar do PS sobre esta matéria. Pelo meio José Sócrates admitiu que antecipar as legislativas podia ser uma boa ideia de ajuste do Calendário Eleitoral aos seus interesses, contrariando também o enorme sururu que uma análise feita nesse sentido, há semanas, por Pedro Santana Lopes, levantou nas hostes socialistas. Afinal o país está em recessão, afinal o PS quer eleições legislativas mais cedo, afinal o Orçamento de Estado contém erros e é insuficiente. Quer dizer – tudo o que o PS e o Governo andaram a dizer no último mês e meio que não existia veio a confirmar-se verdadeiro. É um cenário de enormes trabalhadas, mentiras e grande impreparação. Se Jorge Sampaio fosse ainda Presidente da República se calhar Sócrates era despedido.  

 


COMPADRIOS - A decisão do Governo de permitir obras públicas até cinco milhões de euros sem concurso público, por simples ajuste directo, é um escândalo, sobretudo num ano de eleições legislativas e autárquicas. São medidas destas, que favorecem compadrios, que tornam o Estado menos transparente, são medidas destas que fazem crescer a desconfiança nos Partidos e nos políticos, são medidas destas que delapidam o erário público em obras de fachada. João Cravinho, que aqui queria combater a corrupção, que dirá deste assunto sentado no gabinete para onde foi despachado, em Londres? 

 


 


GERAÇÃO - Há uma geração, que situo entre os vinte e muitos e os trinta e poucos anos, nascida e criada depois de 1974, que tem uma posição de enorme pragmatismo sobre a sociedade, a política, a participação cívica, os partidos, a ética e a responsabilidade. No geral são individualistas em extremo, sem ideologias nem causas, e desejam apenas que «isto ande». São a grande base eleitoral de José Sócrates, algures entre a social-democracia e o liberalismo, definitivamente longe da esquerda e da direita tradicionais. Este é o novo centrão, que olha para Sócrates como um dos seus e espera que ele se mantenha no seu posto. Não é uma imagem tranquilizadora… 

 


 


CITAÇÃO 1 - «Para não dar azo a muitas especulações vou sintetizar: quero que Israel ganhe a guerra contra o Hamas, o Hezbollah, o Irão e os fundamentalistas árabes. Que os palestinianos tenham uma pátria. Que em Israel e na Palestina os moderados consigam impor uma negociação.» (Luís Januário, blogue «A Natureza do Mal»). 

 


 


CITAÇÃO 2 - «Sócrates é uma melancia nascida no jardim de Maquiavel, de todas as cores por fora desde que o centro seja comestível» - Fernando Sobral, neste «Jornal de Negócios». 

 


 


CITAÇÃO 3 - «Eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o Primeiro-Ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos» - Ricardo Araújo Pereira, na «Visão», comentando a posição da Directora Regional de Educação do Norte, que há meses suspendeu um professor por ter tido graçolas sobre o Chefe do Governo mas considerou uma brincadeira de mau gosto a ameaça a um professor com uma arama de plástico por um grupo de alunos que exigiam melhores notas. 

 


 


MEDIA - Neste ano que agora começa vai surgir um novo jornal diário, vai ser escolhido (enfim, designado, melhor dizendo) o novo operador de um canal nacional generalista de televisão, as guerras de audiências entre os três canais comerciais já existentes vão aquecer e no meio de um cenário de quebra de publicidade na imprensa o Estado decidiu que as publicidades obrigatórias – fonte de preciosas receitas em jornais nacionais e sobretudo locais e regionais – iria desaparecer para passar imediatamente para a internet. Não houve sequer o cuidado de propor uma diminuição faseada, ainda por cima num ano em que o mercado publicitário vai sofrer as inevitáveis ondas de choque da crise económica. 

 


 


OBRA – Insensível à crise continua o jornal «Lux Frágil», de distribuição gratuita e fruto da iniciativa nocturna e privada. Sob o lema «A Vida É Toda Para Diante», o jornal é um oásis de humor e de negação do pessismismo reinante, desta vez com a reprodução de uma bela gravura de Ana Jotta na capa, muito oportuna nos tempos que correm, construída à volta da frase: « La gente dice que me paso el dia de compras, pêro intento trabajar». Esta edição e números anteriores felizmente disponíveis em www.blog.luxfragil.com . 

 


 


CLÁSSICO – Um restaurante a que se volta sempre é «A Isaura», Avenida de Paris, 4B, telef 218480838. As opções de pratos do dia são frequentemente fantásticas e muito bem confeccionadas, a lista de vinhos é um manual de como escolher o melhor vinho para a refeição e uma fonte de sabedoria. O serviço é um pouco «deixa lá que a comida é boa e o preço dos vinhos não é mau e eles acabam sempre por cá voltar». Mas a minha lebre com feijão branco estava bem boa.  

 


 


BACK TO BASICS – Deus criou os homens mas são eles que se escolhem uns aos outros – Maquiavel. 

 

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publicado às 18:54

política reality show

por falcao, em 08.01.09

Trazer para uma lista eleitoral um nome como o do ex-inspector Gonçalo Amaral é reduzir a política a uma espécie de reality show que vai a votos. A escolha do PSD para Olhão vai ao contrário do que os partidos precisam para conseguirem ser credíveis.

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publicado às 09:01

É FARTAR VILANAGEM

por falcao, em 07.01.09

(Publicado no diário MEIA HORA de 6 de Janeiro de 2009)



 


Há poucos dias o Governo decidiu autorizar a realização de obras públicas, por ajuste directo, sem concurso público, até ao montante de cinco milhões de euros. A crise e a necessidade de agilizar a execução de novas obras, como contributo para a dinamização da economia, foram as justificações apresentadas. Cinco milhões de euros? - Estamos aqui a falar de obras de uma dimensão razoável, um milhão de contos em moeda antiga.


Como que por feliz acaso esta decisão surge em ano de eleições legislativas e autárquicas – e já se sabe como as obras são sempre um bom argumento eleitoral. Na realidade eu fico completamente espantado com o descaramento da decisão e, também, com o silêncio cúmplice de toda a oposição.


Está visto que vai ser um ano farto em rotundas, obras e obrinhas, arranjos e arranjinhos. O bom senso diz que muito provavelmente, em vez de algumas obras estruturais, mais caras, mais importantes em termos de futuro, mas mais difíceis de autorizar, vão ser malbaratados milhões de euros por esse país fora para satisfazer interesses locais, interesses políticos, interesses partidários.


Uma questão de bom senso e realismo obriga a dizer que, para além dos trunfos políticos que estas obras podem significar, elas podem também auxiliar a encher os cofres das campanhas partidárias graças a generosas e agradecidas contribuições daqueles que forem escolhidos por ajuste directo para tantas obras. Não vai faltar quem queira contribuir e não há-de ser difícil encontrar quem se disponha a receber. É neste pântano que cresce a corrupção.


Gostava de ouvir mais pessoas pronunciarem-se sobre isto, no meio de tanto apelo à moderação, no meio de tanta hipocrisia a propósito de contenção, no meio de uma carga fiscal que não para de aumentar e que atingiu o maior valor de sempre no ano passado. 


Se havia dúvidas de que o regime estava podre e que os partidos que o sustentam para lá caminham, a prova final está aqui. É fartar, vilanagem.


Bem podem os estrategas dos programas dos partidos, a nível nacional e local, desdobrarem-se em promessas de rigor, em juras de honestidade, em declarações de respeito pelo dinheiro dos contribuintes. Os protagonistas desta farsa são os coveiros da confiança dos cidadãos. Não peçam, depois, que as pessoas participem e vão votar. 

 

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publicado às 11:21

 


EMEL - Vou relatar uma situação real ocorrida esta semana, numa tarde de chuva, com uma amiga minha. Foi ao notário tratar de um assunto e no regresso o carro estava com bloqueadores da EMEL. Ligou para um call center muito moderno e dizem que os desbloqueadores vão a caminho. Factos: o estacionamento foi feito às 11h20, a saída do notário foi às 13h20, o bloqueamento foi feito às 12h05, o primeiro pedido de desbloqueamento foi às 13h25, mas só foi concretizado três horas e meia depois, às 16h50. Pelo meio foram feitos vários telefonemas sempre com a informação de que o assunto estava a ser tratado – com o irritante automatismo dos call centers que efectivamente são um atentado aos clientes. Eu sei que a EMEL é uma organização, patrocinada pela Câmara Municipal de Lisboa, para abusar da paciência dos munícipes. A legalidade da sua plena actuação é questionável, o bom senso dos seus agentes é quase nulo, a eficácia na caça à multa e o abuso de autoridade é directamente proporcional à ineficácia da sua acção quando são chamados a resolver situações. O Dr. António Costa acha três horas e meia um tempo aceitável para desbloquear um carro? Eu por mim sugiro que na próxima campanha autárquica os eleitores castiguem quem não apresentar medidas de reforma da actuação da EMEL.

 

EUROPA - Estou cheio de curiosidade sobre o futuro do Tratado de Lisboa – aliás tenho alguma curiosidade em ver como a União Europeia vai sair da embrulhada em que está no meio da crise financeira. Quis o destino que a próxima presidência da União caiba à Checoslováquia – que por acaso ainda não ratificou o tratado e cujo presidente Vaclav Klaus se tem recusado a hastear a bandeira da Comunidade no alto do Castelo de Praga, a sua residência oficial. Depois do frenesim de Sarkozy vai ser curioso seguir a evolução de uma Europa em roda livre.

 

EUA - A «Newsweek» desta semana resume numa frase curta o que é a missão de Baracak Obama para a História: «O novo Presidente dos Estados Unidos será julgado com base no que conseguir fazer para salvar o capitalismo». Ora aqui está uma coisa que as mentes simplórias devem ter sempre presente.

 

PORTUGAL - No regime português pós 25 de Abril existem dois «golpes de Estado», chamemos-lhes assim: o primeiro foi a dissolução da Assembleia da República por Jorge Sampaio (o pior Presidente do regime), numa sucessão ainda mal explicada de acontecimentos; e o segundo foi a alteração irrevogável dos poderes presidenciais expressos na Constituição, no caso do Estatuto dos Açores. Não certamente por acaso os dois golpes foram protagonizados por socialistas: Jorge Sampaio e José Sócrates. Vale a pena registar a forma como o Partido Socialista trata o regime e os expedientes a que recorre em seu interesse exclusivo.

 

FUTURO - Algo me diz que em 2009 a demagogia vai subir de tom, algo me diz que o populismo vai comandar, algo me diz que o PS vai tentar abusar da sua autoridade, utilizar a maioria absoluta para promover mais abusos. A situação é tanto mais complicada quanto a oposição é fraca, tem pouca capacidade e iniciativa. Nem o básico dos básicos consegue: confrontar o PS com o que faltou fazer em relação a promessas eleitorais e programa de Governo. A situação provoca o desinteresse dos cidadãos, o PS agradece e está a transformar o Estado no seu parque de diversões privativo. Sem a participação dos cidadãos o futuro vai ser dos tiranetes justificados por maiorias absolutas. Nos meus piores sonhos vejo uma junta militar presidida por Sócrates, ladeado por António Vitorino e Santos Silva a acolherem Hugo Chávez com honras nacionais.

 

ALMANAQUE - A revista do ano é sem dúvida a «Monocle», a revista que se tornou uma leitura obrigatória no que diz respeito ás tendências, à evolução das cidades, á forma de pensar e de encarar o Mundo. A edição de Dezembro/Janeiro dedica-se a fazer previsões sobre 2009 e a indicar pistas a seguir, em pessoas, em artistas, em cidades e regiões. No meio, um português surge entre os 20 heróis do futuro próximo,

João Fazenda, ilustrador com trabalhos publicados no «Sol», «Visão» e «Público», além de vários jornais e revistas internacionais. Saibam mais sobre ele em www.joaofazenda.com . A «Monocle» é um verdadeiro almanaque dos tempos que correm.

 

CLÁSSICO - Nestes tempos difíceis nada como regressar aos clássicos. Michael Feinstein é um intérprete pouco conhecido em Portugal, mas reconhecido e apreciado nos Estados Unidos. Tem uma carreira dedicada a estudar e interpretar os clássicos da canção popular norte-americana e é colaborador frequente da «Library Of Congress» nesta área. O seu trabalho mais recente é uma homenagem a Sinatra. Além da capacidade vocal e de interpretação, os arranjos e toda a produção deste disco ( a cargo de Bill Elliott) são absolutamente exemplares. De longe esta é a mais fascinante homenagem a Frank Sinatra feita nos últimos anos. «The Sinatra Project», Michael Feinstein, CD Concord, comprado na Amazon.

 

BACK TO BASICS – «A melhor forma de prever o Futuro é inventá-lo», Alan Kay.

 

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publicado às 19:54


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