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O HOT CLUBE

por falcao, em 29.12.09

 


Infelizmente o Hot Clube foi vítima de um incêndio no prédio onde estava – o Hot é uma tradição de Lisboa e um dos poucos sítios onde se pode ouvir bom jazz ao vivo – além de que ao longo dos anos desenvolveu uma escola por onde têm sido formados alguns dos nossos melhores músicos de jazz. Se o Hot fica demasiado tempo parado, sem local, corre o risco de a tradição ser vencida pela inacção – não é situação única; por isso, enquanto o prédio não é recuperado é importante encontrar uma alternativa, de preferência em zonas históricas da cidade. Sugiro à Câmara Municipal que veja as áreas que tem livres – talvez no Convento das Bernardas, perto do Museu das Marionetas, exista algum espaço que possa ser usado; talvez as extensas áreas de serviço do Teatro Taborda e a própria sala possam ser divididas com o Hot (e esta seria a melhor de todas as soluções, inclusivamente para a Escola do Hot); talvez até na antiga área da Companhia de Dança de Lisboa no Palácio dos Marqueses de Tancos; talvez até no edifício ao lado do Cinema S. Jorge, desocupado há anos, e com pelo menos dois pisos disponíevis. O que eu sei é que para resolver isto é preciso imaginação e boa vontade – e sobretudo alguma rapidez. Se ficar tudo sentado a pensar, nada vai acontecer a não ser o Hot morrer aos poucos por falta de actividade.

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publicado às 17:22

 


Este não tem sido um ano fácil – daqui a alguns anos se poderá ver como 2009 foi um ano horribilis, para os portugueses, para a economia portuguesa, para a política portuguesa, para a justiça portuguesa. A degradação do país é acentuada, precipitada por actores políticos inconsequentes, por um sistema partidário desfasado da realidade, por um sistema parlamentar em descrédito, por uma justiça absolutamente vergonhosa. A grave e preocupante situação económica a que chegámos – muito mais preocupante que a tradicional bonomia lusitana consegue encarar – coloca-nos à beira do abismo e compromete o futuro. Sucessivas políticas improvisadas destruíram a produção nacional, que reconvertem por temporadas em obras públicas gigantescas de importância, prioridade e necessidade mais que discutíveis.


Talvez alguns leitores se indignem por eu nomear, na lista de prémios e prendas abaixo publicada, tantos nomes do PS. Faço-o não por embirração especial mas porque é  o PS que tem estado maioritariamente à frente do Governo desde 1995, com um breve intervalo de três anos do PSD – que, verdade seja dita, também não correu bem. No entanto, nos 15 anos mais recentes, em 12 os  Governos do PS desperdiçaram todas as oportunidades, aumentaram a despesa pública, e na maior parte do tempo governaram com maioria absoluta ou com apoio parlamentar maioritário. E nem quero apontar os escândalos, os casos, as corrupções, as perseguições, os compadrios que, nos últimos anos, com Sócrates no poder se tornaram o pão nosso de cada dia.


Portugal piorou nestes últimos quinze anos. Os políticos no activo estão a destruir o capital de confiança na democracia. Os principais partidos políticos ou estão no poder e dividem lugares ou estão na oposição e entram em auto-destruição. Sinceramente gostava de não ter que dar prendas assim – mas a realidade que vejo á minha frente é mesmo esta. 

 


Marcelo Rebelo de Sousa – Prémio «Agora Ainda Não», ao conseguir mais uma vez fintar tudo e todos nas questões do PSD – tivesse a selecção portuguesa de futebol jogadores com esta capacidade de finta e o Mundial da África do Sul poderia ser um passeio tranquilo. 

 


Teixeira dos Santos – Prémio «Não me Agarras» por se ter tornado no Ministro das Finanças mais rápido a fazer aumentar o défice do Estado – actualmente ao ritmo de 39 milhões de euros por dia; o prémio também recompensa a bonito aumento da despesa pública conseguido entre Novembro do ano passado e Novembro deste ano – um recorde de 4,6%. Recebe também um exemplar de «Economics», de Paul Samuelson, para ver se ainda consegue aprender alguma coisa. 

 


Manuel Alegre – Prémio «O Eterno Candidato», pela sua dedicação aos jantares de apoiantes, à carne assada e aos grandes discursos tão redondos, tão redondos, que ninguém consegue perceber o que lhe vai na cabeça. 

 


José  Sócrates - Prémio «Aumentador do Ano», por ter conseguido mais défice, mais desemprego, maior endividamento externo e maior instabilidade política. Ainda não foi desta que ganhou uma medalha na maratona da política. 

 


António Costa - Prémio «Viva o Prozac», pela bonomia com que assiste ao degradar de Lisboa, aos desmandos de José Sá Fernandes e às tropelias de Helena Roseta, enquanto espera placidamente sentado a queda de Sócrates. 

 


Noronha do Nascimento – Prémio «O grande Censor» por no seu discurso de posse, depois de reeleito para o Supremo Tribunal de Justiça ter defendido a criação de um órgão especial para julgar jornalistas «composto paritariamente por representantes das próprias classes profissionais e da estrutura política do Estado». 

 


Pinto Monteiro – Um frasco de «speed» e uma lata de Red Bull para ver se a Procuradoria Geral da República consegue funcionar a um ritmo decente . 

 


Sérgio Sousa Pinto – Prémio «Laxante Cerebral», pela diarreia mental que tem espalhado à sua volta desde que regressou de Bruxelas – um típico caso dos efeitos da burocracia comunitária em políticos imberbes. Esteve quase para dividir o prémio com Ricardo Rodrigues, o rotweiller político do PS. 

 


PSD – Um vale de 20 sessões com o Professor Karamba a ver se afasta o bruxedo e consegue sobreviver. 

 


Augusto Santos Silva – um manual do World Of Warcraft, a ver se faz menos asneira como Ministro da Defesa do que no cargo anterior. 

 


Aguiar Branco – Um frasco de vitaminas a ver se consegue ser mais enérgico e mostrar alguma convicção. 

 


Isabel dos Santos – Prémio «Portugal É Nosso» e «Compre Português», pela continuada e activa actividade de compras que tem desenvolvido em Portugal – garantindo recordes de investimento estrangeiro à margem de qualquer organismo oficial especializado no assunto. 

 


BACK TO BASICS – Se não fosse o jornalismo, Portugal era um sítio isento de corrupção, de crimes violentos e de abusos sexuais» - Fernando Sobral. 

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publicado às 11:27

PORTUGAL – É certo que governar em maioria absoluta é mais fácil, mas também é certo que governar em maioria simples é a situação mais normal por esse mundo fora. Sócrates, que dentro e fora do seu partido gosta de mandar com maioria absoluta, não gosta de compromissos e o seu apregoado talento de negociador só tem expressão prática fora de portas. Melhor seria que utilizasse dentro de fronteiras a paciência e o espírito conciliador que o levou a conseguir o acordo sobre o Tratado de Lisboa. O absolutismo de que Sócrates gosta é um sinal de menoridade política, é um sinal de desprezo pelas opiniões alheias. O exercício do Governo em maioria relativa pressupõe acordos transparentes, um parlamento vivo e actuante - é o que melhor podia acontecer não só ao país, mas também aos partidos, eles próprios habituados a funcionar em regime interno de absolutismo. O triste balanço dos anos de maioria absoluta de Sócrates resume-se a isto: temos mais corrupção, mais desemprego, maior défice, maior endividamento, menos confiança e menos esperança. 

 


 


MASTRO – O disparate da semana é o mastro de cem metros de altura que a Câmara Municipal de Paredes quer construir, com um custo estimado de um milhão de euros, para pôr a ondular uma bandeira nacional, numa iniciativa comemorativa do centenário desta muito pouco útil República. 

 


 


LISBOA I  – O espaço público degrada-se, as ruas continuam sujas, os estaleiros de obras particulares permanecem a empatar ruas mesmo depois de obras terminadas, os estaleiros do Metro na zona do Saldanha continuam a ser um pesadelo quase seis meses depois de abertas as novas estações, ainda não foi desta que a Duque de Ávila voltou a ter trânsito. 

 


 


LISBOA II – O que está em causa no jardim do Princípe Real não é uma operação fito-sanitária para tratar de plantas e árvores; o que está a ser feito e não foi discutido nem mostrado à população, é um novo arranjo de todo o antigo Jardim do Princípe Real – que vai ficar irreconhecível. 

 


 


LISBOA III – Um tribunal arbitral condenou a Câmara Municipal de Lisboa a pagar uma indemnização de 18,5 milhões de euros ao empreiteiro da obra do túnel do marquês, devido à interrupção dos trabalhos causada pela providência cautelar interposta por José Sá Fernandes, antes de ocupar o seu actual ligar na vereação camarária. 

 


 


RESUMO – As áreas delegadas em Sá Fernandes, espaço público, ambiente urbano e espaços verdes estão cada vez piores – a sua acção como vereador é criticada de forma quase unânime e arrisco dizer que é consensual a sua incapacidade para manter a cidade confortável e agradável. Pior, a sua acção de propaganda política, que contribuíu para o seu actual estatuto (a guerra desencadeada contra o projecto do Túnel do Marquês) saldou-se num enorme prejuízo directo para a autarquia, pago por todos os munícipes por via dos impostos – e isto apesar de hoje em dia todos, excepto o próprio, reconhecerem que o túnel melhorou o ambiente urbano na zona e contribuíu para a qualidade de vida de quem reside naquelas ruas. Face a uma situação destas, em que a incompetência se alia à irresponsabilidade, seria da mais elementar decência que José Sá Fernandes renunciasse ao cargo, que manifestamente não é capaz de desempenhar em condições, e sobretudo porque agora se confirma que ele foi o causador directo de prejuízos avultados. Mas, já que ele não tem a decência de reconhecer os seus erros, seria natural que António Costa, face à sua acção como vereador, e aos efeitos nefastos da sua actividade anterior nas finanças da Câmara, lhe retirasse a confiança política. Nada disto se passa – e é tempo para quem votou em António Costa pense no resultado prático dos seus votos. 

 


 


OUVIR – Fora de Espanha Luz Casal tornou-se conhecida pela sua interpretação do clássico sul-americano «Piensa En Mi», incluída  na banda sonora do filme «Tacones Lejanos», de filmes de Pedro. Este ano Luz Casal voltou a pegar na tradição da melhor música latino-americana, interpretendo 12 clássicos, de «Alma Mia» até«Que Quieres Tu de Mi», passando por « Mar Y Cielo», «Cenizas» ou «no, No y No», entre outras. Os arranjos, de uma elegância notável, são do brasileiro Eumir Deodato, que tem uma longa carreira musical feita nos Estados Unidos desde os anos 70. CD «La Pasión», EMI. 

 


 


LER I – Muito bem o livro  “Xutos & Pontapés - As melhores canções para crescer”, que reúne as letras de 16 temas do grupo, com óptimas ilustrações de Miguel Gabriel para temas como  "Contentores”, “N´América”, “Vida Malvada”, “Desemprego”, “Prisão em si”, “Remar, Remar”, “Chuva Dissolvente” e “Homem do leme”, entre outros.  

 


 


LER II - «As melhores fotografias de Lisboa Desaparecida», uma selecção de imagens raras, organizada por Marina Tavares dias, na sequência da sua série de álbuns sobre a história de Lisboa. A selecção de imagens é muito boa e sugiro um exercício: pegue no livro e leve o seu filho a um dos locais emblemáticos da cidade ali mostrados, ponha-se no mesmo ângulo da imagem e veja as diferenças com o que, no mesmo local, se pode ver hoje. 

 


 


PETISCAR - Nestes dias pré-natalícios é bom um restaurante de comida portuguesa, ambiente acolhedor, boa garrafeira, preços sensatos. Esta semana regressei a uma casa onde as coisas tem tendência a correr bem. Para aguçar o apetite direi que umas empadinhas de galinha e um queijo de serpa, acompanhado por finas fatias de pão alentejano, serviram para preparar o paladar. O vinho, que entretanto chegou, é o belíssimo Valado tinto 2007, que fez muito boa figura a acompanhar a escolha de perdiz com couve lombarda, que estava superior. A rematar, requeijão com doce de abóbora. Resta dizer que José Duarte, o homem ao leme deste «Salsa & Coentros», continua em boa forma. Para lá ir deve fazer uma reserva pelo telefone 21 8410990. O restaurante fica em Alvalade, na rua Coronel Marques Leitão, que começa frente ao quartel de Bombeiros da Avenida Rio de Janeiro. 

 


 


BACK TO BASICS - «Dado o character do jornalismo actual, a profissão de espião deixou de fazer sentido» - Oscar Wilde 

 

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publicado às 09:54

 


ESQUINA 334 – 11 DEZ 09

 

PRODUZIR - O mundo mudou - e muito - nestes últimos anos. Numa recente conferência Augusto Mateus colocou o dedo na ferida: vivemos em sociedades que criaram instituições para distribuir riqueza, mas na realidade aquilo de que agora precisamos é que as sociedades se transformem e que criem e incentivem instituições que proporcionem os melhores mecanismos para assegurar a produção da riqueza – senão corre-se o risco de nada existir para distribuir e de o sistema ficar completamente desfasado da realidade. Para resumir, tem de existir um reequilíbrio entre os direitos e deveres de cada um.

A situação calamitosa das finanças públicas vem em boa parte deste desfasamento da realidade – persistir num modelo de compromissos passados, sem assegurar formas actuais de encontrar recursos para os cumprir só pode levar a mau resultado. A única forma de termos uma sociedade mais equitativa é assegurar que a sociedade seja mais produtiva e que assegure maior produção de riqueza.

 

PARTIDOS - Para que todas estas reformas sejam possíveis é fundamental que os partidos políticos assumam responsabilidades no ciclo de mudança e garantam a sua própria transformação. Na maior parte dos casos os programas e objectivos partidários estão desfasados de toda esta nova realidade e em vez de colocarem objectivos adequados aos novos tempos, persistem em promessas sem encararem o que é preciso fazer para que elas possam ser cumpridas. Os partidos políticos portugueses chegaram a uma crise de meia idade: a sua actividade pública e legal num quadro de democracia parlamentar está perto das quatro décadas. O sistema político, o sistema eleitoral e o próprio sistema partidário apresentam bloqueios e incongruências que se transformam numa grande incapacidade de acção e num progressivo envelhecimento das estruturas, dos militantes e dos quadros. De facto, á excepção do Bloco de Esquerda e do Partido Popular, os outros partidos parlamentares estão a dar sinais de esclerose, de envelhecimento da sua massa de apoiantes e simpatizantes e em graus diversos estão com disputas internas mais centradas em pessoas do que em ideias. A ausência de ideias e de vontade efectiva de as passar á prática é um mal generalizado que compromete a evolução do sistema.

 

CINEMATECA - Esta semana Maria João Seixas foi nomeada Directora da Cinemateca . Curiosamente as diversas notícias não referiram que durante vários anos ela foi, com Renée Gagnon, responsável por uma empresa, privada mas bastante subsidiada, que tentava distribuir filmes portugueses no mercado internacional. Essa é, na realidade, a sua mais forte experiência profissional no universo do cinema. Mais do que opinar sobre a pessoa escolhida, interessa-me opinar sobre o que a Cinemateca deve fazer – conservar, estudar, divulgar a produção nacional, preservá-la para o futuro. Por muito que isto custe a algumas almas bem pensantes, a razão de ser da Cinemateca é a conservação de um arquivo audiovisual moderno e não a programação da sala de projecção da Barata Salgueiro. O que interessa verdadeiramente saber é qual a estratégia que Maria João Seixas defende para a instituição – e eu espero bem que não seja um programa de acção principalmente exibicionista, em vez de um programa dedicado à organização, exploração e ampliação dos arquivos portugueses de imagens em movimento. Tenho para mim que quer Félix Ribeiro (que fundou a Cinemateca), quer Luís de Pina deram o grande impulso para que a Cinemateca tivesse um acervo importante e bem organizado. Bénard da Costa deu seguimento à componente arquivo, ao mesmo tempo que desenvolvia a componente de exibição – infelizmente pelo meio José Manuel Costa, que concebeu e criou o Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (uma estrutura exemplar na dependência da Cinemateca), abandonou a instituição sem que as causas estivessem explicadas – embora se adivinhasse que o desinvestimento na área que tutelava possa ter estado na origem da sua decisão. O equilíbrio entre estas duas áreas é decisivo para o futuro, sobretudo numa fase em que o vídeo e o digital alteraram completamente o universo do filme como o conhecemos actualmente. Sob pena de as próximas gerações terem um acervo e um património de imagens inferior, em termos de diversidade, qualidade, representatividade e actualidade, ao que a minha geração teve a felicidade de poder usufruir, é absolutamente fundamental que sejam definida uma estratégia para que a Cinemateca actue no século XXI e não permaneça apenas como uma simpática instituição do século XX.

 

SEGUIR – No próximo dia 16, na Rua de Santo António à Estrela 31B, a casa Leiria e Nascimento realiza um leilão de design e artes decorativas do século XX, com peças muito interessantes em vidro e cerâmica, mas também mobiliário de autor. Parte das peças vem do recheio original da Casa de Serralves. O catálogo pode ser consultado em www.leiriaenascimento.com. Este leilão marca o início da colaboração entre o coleccionador e galerista Victor Pinto da Fonseca com a empresa leiloeira.

 

LER – Se gostam de um bom policial não percam o mais recente romance de Francisco José Viegas, «O Mar Em Casablanca». Jaime Ramos, o detective de serviço à obra do escritor, percorre o país com algum desalento enquanto a sua investigação o faz recordar episódios da transição colonial. É um livro escrito com os pés no presente, cheio de referências a episódios passados, a adivinhar os efeitos futuros da transformação que se está a operar na sociedade portuguesa por via da crescente actividade, em todos os domínios, dos ex-colonizados em Portugal. (Porto Editora, 234 páginas)

 

OUVIR – Simples, quase ingénuo, divertido, o novo disco de Bob Dylan (o segundo este ano, o 47º da sua carreira) é uma recolha de temas tradicionais de Natal em interpretações muitas vezes inesperadas, desde «Here Comes Santa Claus», até «O’ Little Town Of Bethelem», passando por «I’ll Be Home For Christmas» ou «Silver Bells». Ao todo são 15 temas tradicionais, com arranjos muito curiosos, numa produção do próprio Dylan sob o nome de Jack Frost. Dylan doou todos os seus direitos, a título perpétuo, para a organização «Feed America» nos Estados Unidos e a duas outras organizações internacionais similares para as vendas fora dos Estados Unidos.(«Christmas In The Heart», Bob Dylan, CD Columbia).

 

BACK TO BASICS – «A arte é a mais intensa forma de individualismo que o mundo conhece» - Oscar Wilde

 

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publicado às 19:11

 


PROBLEMA – A táctica do Governo com a oposição não é chegar a consenso nem procurar soluções, é esticar a corda para ver se ela rebenta. Esta táctica serve a estratégia de colocar Belém numa posição de cheque-mate, face à embrulhada dos prazos constitucionais que se avizinha. Para prosseguir esta táctica é provável que o discurso de vitimização aumente de tom, que seja metido no mesmo saco o chumbo de propostas e as investigações em curso e que, eventualmente, a coisa culmine com uma moção de confiança que possa pôr em cima da mesa a hipótese de demissão do Governo. Sócrates joga no papão da instabilidade para conseguir manter-se no poder – pouco mais pode fazer, para além das oportunidades de imagem e de boa imprensa que o fim-de-semana lhe deu na cimeira ibero-americana e na assinatura do Tratado de Lisboa. O problema de Sócrates é que ele está tão viciado no poder absoluto que teve durante uma legislatura que agora – numa situação de crise económica grave ainda por cima – não consegue viver na procura de soluções e na resolução de dificuldades, habituado que está a fazer o que quer e a empurrar os problemas sempre para a frente – que verdadeiramente foi o que nos levou ao triste ponto onde agora estamos.

 

RESTAURAÇÃO – Não deixa de ser uma triste coincidência que o Dia da Restauração, que assinala a data em que Portugal reconquistou a soberania enquanto Nação independente, seja o dia em que foi assinado, em Lisboa, o novo tratado da União Europeia, mais um passo na subalternização da individualidade das nações. É curioso ver como a cerimónia, que aqui encheu televisões e capas de jornais, teve apenas repercussão média por essa Europa fora e no resto do Mundo mal se deu pela coisa.

 

LISBOA I – As estações de Metro do Saldanha e de S. Sebastião foram inauguradas há cerca de dois meses mas à superfície continua o caos. Lá estão ainda os estaleiros, a Duque de Ávila permanece com condicionamentos de trânsito, que incluem a impossibilidade de atravessar a Avenida da República. A complacência da Câmara Municipal de Lisboa com estas situações é inaceitável.

 

LISBOA II – Quem passar no largo do Princípe Real achará que houve um bombardeamento. Grades levantadas, zonas interditas, tudo feito sem informação nem diálogo com os moradores, derrubes polémicos de árvores, enfim prepotência a rodos pela mão do duo que apostou em dar cabo de Lisboa: quando passarem no Príncipe Real como ele está agora lembrem-se que aquilo é fruto de António Costa de mão dada com José Sá Fernandes.

 

LER – A edição de Dezembro da revista «Monocle» inclui um suplemento com o top 50 em matéria de viagens – desde hotéis a linhas aéreas, passando por aeroportos, restaurantes e cidades. Na mesma edição é publicada a lista das 20 pessoas que estão a ajudar a mudar o mundo para melhor – e Catarina Portas aparece em 16º lugar, sobretudo graças à sua defesa dos produtos tradicionais nas suas lojas «A Vida Portuguesa» e nos seus quiosques. Esta edição inclui análises de tendências para o próximo ano por 25 autores das mais diversas áreas, tem um especial sobre Madrid , além das habituais secções sobre design, arquitectura e media. Este é verdadeiramente um número de colecção.

 

OUVIR – Em fase natalícia proponho um produto «dois em um». Trata-se de uma caixa com dois CDs de Frank Sinatra que a Universal Musi em boa hora teve a ideia de juntar. O primeiro regista um histórico concerto gravado em Março de 1986 no estádio de Meadowlands, na sua Nova Jersey onde nasceu. Ao todo são 21 temas que fizeram história na carreira de Sinatra. O outro disco, «Christmas with Sinatra and Friends», é uma compilação de melodias tradicionais de Natal interpretadas por Sinatra, Rosemary Clooney, Mel Tormé, Tonny Bennett, Bill Evans, Ray Charles e Betty Carter. Simplesmente arrebatador.

 

CHIADO – Dia 1 de Dezembro, passeio no Chiado, ainda muito vazio, ao princípio da tarde. Bom movimento na FNAC ( de longe a loja mais movimentada), o resto um pouco mortiço, mesmo na própria rua. Alguns locais continuam obrigatórios, como a Casa Pereira onde existem aquelas que são provavelmente as melhores raspas de casca de laranja cobertas a chocolate preto e onde podem descobrir as maravilhas do chá pérola ou de cafés de origens invulgares – fica na Rua Garrett 38. Na Rua Anchieta 11, numa loja antiga, vive hoje em dia «A Vida Portuguesa», a loja criada por Catarina Portas para divulgar produtos tradicionais de Portugal – desde lápis Viarco a baralhos de carta, passando por sabonetes Ach Brito os extraordinários cadernos da Papelaria Emílio Braga, mais baratos e melhores que os da Moleskin.

 

PETISCAR – Ele há sítios que podiam ter todas as condições para funcionar bem e depois se perdem por coisas idiotas. O «Café no Chiado», no Largo do Picadeiro, tem um ar simpático e confortável mas frusta as expectativas. Numa casa que ganhou fama com os seus bifes, um steak com molho de mostarda antiga, veio no meio de um molho demasiado aguado. Como havia esparregado incluído nos acompanhamentos foi pedido que ele não fosse trazido e que a dose original de batatas fritas fosse reforçada, mas em vez disso veio singela e escassa, com batatas mais cozidas que fritas e bastante oleosas. Mas o pior estava para vir na factura – uma amostra de queijo de Azeitão, colocado fora do couvert, e que não foi nem pedido nem tocado, apareceu facturado à mesma, por cinco euros. É uma pena e azar meu, porque sei que a sopa do dia, de ervilhas, e uns ovos com salmão, que o outro lado da mesa foram testados, estavam apreciáveis. E o vinho da casa, servido a copo, satisfazia. Mais cuidado na cozinha e mais cuidado na forma de fazer as contas são esforços que compensariam. Regista-se que está aberto até ás duas e tem uma esplanada abrigada todo o ano. Telef 213460501.

 

BACK TO BASICS – Para entrar na diplomacia nada melhor que demonstrar aptidões ao conduzir uma dança de salão – Oscar Wilde.

 

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publicado às 10:59


PROFESSORES – Ponho-me na pele daqueles professores que nas recentes eleições legislativas votaram no PSD: que pensarão eles agora do volte-face parlamentar deste partido em matéria das avaliações? Que pensarão da mudança de posição protagonizada por Aguiar Branco, que fez o negócio político no Parlamento com o PS, está para se perceber a troco de quê? Como podem os eleitores sentirem-se motivados quando lhes pedem um voto para manifestarem o apoio a determinada posição e ela muda em sentido oposto logo a seguir? O sistema parlamentar é suposto ser de confronto, de apresentação de alternativas e não predominantemente baseado em habilidades negociais e equilíbrios diplomáticos. Não há-de ser por este caminho que o PSD recupera credibilidade.

 

ESCUTAS- Apenas uma nota, só para colocar as coisas em perspectiva: um Primeiro-Ministro é Primeiro-Ministro 24 horas por dia. Todos os seus gestos, declarações, escolhas, têm um significado político. Conversas com amigos, que coincidentemente são dirigentes do mesmo partido, obviamente estão na esfera política e sujeitas a escrutínio se de alguma forma forem conhecidas e indiciarem factos politicamente polémicos ,sejam pressões, mentiras ou compadrios – nunca podem ser entendidas como da esfera pessoal. Eu acho que isto é evidente, mas com a trapalhada toda criada à volta deste caso às vezes perde-se o fio à meada.

 

LISBOA – Não se pode dizer que a minha experiência inicial na Assembleia Municipal seja magnífica – a reunião começa bem atrasada, está duas horas e tal a votar moções diversas (eminentemente de posicionamento político mas pouco eficazes) no período antes da ordem do dia, e, depois, a parte substantiva do assunto, por exemplo discutir as taxas de impostos sobre os munícipes, é tratada tarde, a más horas e de forma atabalhoada. A única novidade foi perceber-se que a cisão dos eleitos pelo Movimento Cidadãos Por Lisboa, de Helena Roseta, já estava anteriormente combinada com o PS, por forma a organizarem-se de forma autónoma, como antes das eleições - apenas esconderam o facto para iludirem os eleitores com uma ideia de unidade, falsa como agora se verifica. Aquilo a que assisti terça-feira passada foi à revelação de um acordo espúrio patrocinado por Manuel Alegre, que levou pela mão Helena Roseta ao altar de António Costa para uma farsa de casamento político com divórcio a prazo contratado. Confirma-se que a lista de António Costa era apenas uma péssima açorda política, sem consistência e de travo amargo. Parece que isto é fazer política. Eu, na minha inocência, acho tudo isto extraordinário.

 

RESUMO DA SEMANA – O Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Carlos Encarnação, quer limitar o acesso de jornalistas a sessões da autarquia. O Presidente Lula da Silva afirmou publicamente que devem existir limitações ao trabalho dos media. Várias vozes do PS insurgem-se contra os media que publicam o teor de escutas. A dívida pública aumentou, o défice já vai em 8,4%, e o remédio proposto por Vítor Constâncio para o descalabro das contas públicas geridas pelo PS é aumentar ainda mais os impostos.

 

IR – Fixem as datas: dias 4, 5 e 6 de Dezembro regressa o Cascais Jazz, o mítico festival lançado por Luís Vilas-Boas e Duarte Mendonça nos anos 70. O local do novo Cascais Jazz é o auditório do Centro de Congressos do Estoril e do programa fazem parte, entre outros, Lee Konitz, Dena deRose Magic Trio, a Zé Eduardo Unit e a Cascais Jazz Legends, que inclui Phil Woods, Cedar Walton, Rufus Reid, Jimmy Cobb e Lew Soloff.

 

VER – Na noite da passada quinta-feira a ArteLisboa, na FIL, tinha movimento reduzido e estava longe de ser uma animação. À mesma hora o nº 84 da Rua da Boavista, o Transboavista-VPF, fervilhava de gente e animação que visitava quatro exposições: uma instalação muito curiosa de A Kills B («Dimensão Radial»), uma exposição de novos trabalhos de desenho e pintura de Pedro Cabral Santo («Fireworks»), uma colectiva comissariada por José Quaresma («Voyager») e, num novo e prometedor espaço do edifício, estava a exposição do colectivo português Kameraphoto «A State Of Affairs» que mostra o trabalho de 13 fotojornalistas da agência em outros tantos pontos do mundo, acompanhando cada um, durante uma semana, o trabalho de um jornal local. Um projecto ambicioso, invulgar em Portugal, e com um resultado final que ultrapassa o mero registo de uma sucessão de momentos em locais diversificados. Para todos os que se interessam por fotografia vale a pena comprar o catálogo desta exposição.

 

OUVIR – O nome evoca um disco célebre dos Buggles no advento da MTV. A canção chamava-se «Vídeo Killed The Rádio Star» e prometia o admirável mundo novo da música na televisão. O novo disco de Robbie Williams chama-se «Reality Killed The Vídeo Star» e é inevitável que se pense ser uma evocação autobiográfica da vida no artista nos últimos anos, depois do falhanço do disco anterior, «Rudebox». Para este novo trabalho Williams chamou Trevor Horn para dirigir a produção e o resultado é um conjunto de novas canções pop, com arranjos exemplares, e em vários casos letras onde se percebem as dúvidas que atravessam o espírito de Robbie Williams como «Last Days Of Disco», melodias exemplares, como «Morning Sun», experiências curiosas como «Difficult For Weirdos» ou «Starstruck» e aquela que é talvez a mais curiosa e pessoal das canções, «Deceptacon».

 

LER – Eu gosto de histórias curtas, pequenos contos. Confesso que é uma forma literária que me cativa. Há tempos o blog «O Galo de Barcelos Ao Poder» lançou um concurso de microcontos, peças pequenas, histórias rápidas. Esta semana foi publicado o livro que recolhe os melhores contos recebidos (cerda de duas dezenas) e uma selecção de contos do próprio autor do blog e da ideia, João Viegas. Há histórias poderosas, que deixam no ar o apetite para um filme que podiam inspirar. E outras, intimistas e fortes, que captam a atenção numa frase, como aquela história do homem que, não fumando, procurava cigarros. «O Canto do Galo» é o nome da colectânea de microcontos, editada pela Bizêncio.

 

BACK TO BASICS – A política é o mundo do espectáculo das pessoas feias – Jay Leno

 

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publicado às 10:49


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