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EXERCÍCIOS SOBRE A MEMÓRIA 

 


 


DESPERDÍCIOS - Em declarações à Bloomberg, o antigo Ministro da Economia, Augusto Mateus, defendeu que alguns municípios deviam proceder à demolição dos estádios construídos para o Euro 2004 já que «é muito difícil lidar com dívidas de algo que não cria riqueza nem representa um bem público». Como a mamória é parte da política, recordo que o actual Primeiro Ministro José Sócrates foi o responsável pela condução do processo que levou a que o Euro viesse para Portugal, o que implicou um programa megalómano de construção dos estádios, que arruinou vários clubes e, também, alguns municípios – e que agora se prova ser um enorme desperdício. Os estádios que causam maiores impactos negativos nos respectivos municípios são os de Aveiro, Leiria e Faro. Ponham isto no curriculum de Sócrates, na secção Obras Públicas – também nessa altura se argumentou muito com o efeito positivo que o Euro e os estádios teriam. 

 


 


PRESIDENCIAIS - Manuel Alegre, o responsável pela decisão governamental de acabar com o jornal «O Século» e o seu grupo editorial em 1979, é, para já, o candidato do Bloco de Esquerda; Vitalino Canas, do PS, deu a entender que não seria o seu candidato; Francisco Assis, do PS, deu a entender que Manuel Alegre seria o seu candidato; Marco António, do PSD, deu a entender que Marcelo Rebelo de Sousa poderia ser candidato à Presidência da República; O Presidente da ERC mostrou-se contrário à saída de Marcelo Rebelo de Sousa da RTP depois de o Director de Informação desta estação ter declarado que era por instruções da ERC que Marcelo teria de deixar o seu comentário dominical.   

 


 


LISBOA - Esta semana assisti, na Assembleia Municipal, à apresentação da Carta Estratégica de Lisboa. Confirmei o que suspeitava: excepção feita à área a cargo de Augusto Mateus, o resto é um documento propagandístico cheio de banalidades e de sugestões avulsas mais ou menos de senso comum, quase nunca surpreendentes, extremamente pouco inovadoras e muito embaladas pelas ideias politicamente correctas mais em voga. Trata-se de um bom levantamento de problemas – até aí concordo – mas de um fraco trabalho de apresentação de propostas ou de formulação de uma estratégia. Qualquer empresa de consultoria ficaria envergonhada se, após tanto tempo, apresentasse um resultado destes - na realidade, em matéria de perspectivas e de futuro, o documento é de uma pobreza  confrangedora. Na realidade, na maioria dos casos, não se trata de uma Carta Estratégica mas de um Inventário de Problemas. 

 


 


HOT CLUBE – Hoje completa-se um mês sobre o incêndio que fez interromper a actividade do Hot Clube, na Praça da Alegria. Ao fim deste mês ainda não se conhece uma solução (estou a escrever este artigo na quarta-feira à noite, dia 20).  Eu acho que nesta questão tem de existir bom senso e realismo. Se a questão mais importante fôr proporcionar o rápido retomar das actividades do Hot (concertos incluídos), a prioridade é encontrar um espaço com área semelhante, condições técnicas razoáveis e localização e acessos simpáticos. Já se sabe que poderá não ser uma solução definitiva, mas também é evidente que a questão da recuperação do prédio vai demorar uns anos a concluir. O bom senso – quer da Direcção do Hot, quer da CML, mandaria que se procurasse uma solução rápida. Se cada um se entricheira no ideal (como me parece que está a acontecer), o Hot vai acabar por se esvair – e vai ficar apenas a alimentar as memórias dos saudosistas. O conservadorismo em relação a tradições e locais é mau conselheiro. O bom é inimigo do óptimo – eu acho que havia já tempo para se ter escolhido um local que, depois, em dois meses, ficasse pronto para funcionar. Mas pelos vistos ligou-se o complicómetro… 

 


 


FILMES – Segundo números do Instituto do Cinema e do Audiovisual, dos 20 filmes mais vistos em 2009, apenas quatro tem participações na produção de países europeus e nenhum é português. O filme mais visto foi «A Idade do Gelo 3», com 667.551 espectadores e o vigésimo foi «A Troca» com 188.611. Em comparação com o ano anterior verificou-se uma diminuição de espectadores de 1,9%, sendo o número final de 15,6 milhões de bilhetes vendidos. O mês com melhores resultados foi Dezembro. Dos 20 filmes mais vistos, todos estrangeiros, 18 tiveram mais que 200.000 espectadores. Passemos à produção nacional – o filme mais visto entre as 22 longas-metragens portuguesas estreadas, foi «Uma Aventura Na Casa Assombrada» com 102.309 espectadores. Destes 22 filmes portugueses, 13 tiveram menos que 3.000 bilhetes vendidos e apenas cinco mais de 10.000 espectadores. Aqui estão alguns números que devem fazer pensar – um país sem uma produção audiovisual massificada é um país sem idioma vivo nos tempos que correm - o resto é pura conversa da treta. Uma curiosidade – até ao início desta semana «Avatar», estreado em Dezembro, já era recordista de bilheteira em Portugal com um total 672.133 entradas. Enfim… 

 


 


VER – Para assinalar o seu 450º aniversário, a Universidade de Évora resolveu convidar o colectivo de fotojornalistas da agência Kameraphoto para mostrar a realidade da Universidade, nas suas várias áreas, nos dias de hoje. O trabalho dos 13 fotojornalistas que trabalharam no projecto, ao longo de um ano lectivo inteiro, resultou em 170 fotografias e também num documentário em video - este é um trabalho exemplar, de que resultou uma exposição e um livro, ambos do ano passado. É um dos raros casos de uma encomenda séria de um ensaio fotográfico, ao que sei com total liberdade para os fotógrafos envolvidos poderem trabalhar e aceder onde quisessem. Fazem falta mais obras assim, mais ideias assim , mais encomendas assim. Talvez algumas das muitas Fundações que existem em Portugal pudessem tomar este exemplo e adaptá-lo. A (boa) edição é da Reitoria da Universidade de Évora. Espreitem www.kameraphoto.com/450/ 

 


 


OUVIR – Um quarteto tradicional (Jon Irabagon no saxofone, Kenny Barron no piano, Rufus Reid no baixo e Victor Lewis na bateria) mostra como é possível conciliar melodias acessíveis e tonalidades jazzisticas clássicas, com interpretações de uma clara sonoridade contemporânea. Os dez temas são todos compostos por Jon Irabagon, o vencedor de 2008 da Thelonious Monk Institute International Jazz Saxophone Competition. Aqui está um músico a seguir, com um dos discos recentes a ter em conta. CD Concorde/Universal Music, «The Observer», Jon Irabagon, disponível na Fnac. 

 


 


BACK TO BASICS – Na política nada é tão útil como uma memória curta – John Kenneth Galbraith 

 

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publicado às 10:29

ZIGUEZAGUE - A situação das contas portugueses nos últimos meses parece um filme de horror – os indicadores degradam-se cada vez mais, desde o desemprego ao endividamento externo, passando pelo défice. Depois de ter andado meses a negar as evidências e a atacar quem relatava a verdade sobre o estado da nação, José Sócrates começou agora a fazer ziguezagues na sua até aqui intocável política de investimentos públicos. Tenho alguma curiosidade em ver onde isto vai parar, que projectos o Governo vai acabar por cancelar. Uma coisa é certa – foi preciso a realidade ser muito dura e desagradável para alguma coisa acontecer. E não precisava de ser assim. 

 


SEXO - Agora que as discussões sobre sexo abrandaram no Parlamento e que os debates sobre casamentos de geometria variável se vão desvanecendo, fica já evidente que a pressa foi tanta que tecnicamente o trabalho ficou mal feito. Mais importante, fica claro que o agendamento destas questões fez apenas parte de uma estratégia de desviar a atenção de problemas mais importantes – a situação estrutural das contas públicas e das finanças portuguesas – na esperança que algum milagre as resolvesse. Como é bom de ver não houve milagre e andou-se a perder tempo precioso para tomar medidas ou para fazer negociações políticas em torno de questões verdadeiramente urgentes e estratégicas. Chama-se a isto mau governo – um governo que foge da realidade e arranja artifícios para adiar a resolução dos problemas mais graves. 

 


PARTIDOS - A crise pela qual estamos a passar é um sintoma claro de que o sistema político e partidário têm que mudar – desde a forma de eleição até ao funcionamento do Parlamento ou das autarquias. A reflexão sobre estes assuntos está a tornar-se prioritária, sob pena de cada vez mais diminuir o interesse das pessoas na acção política e cívica. Atravessamos uma época em que a política é encarada como um expediente para obter vantagens pessoais ou uma ocupação para ociosos – é este estado de coisas que é preciso mudar. Atravessamos uma época em que aos eleitos é requerida apenas obediência e desejado conformismo. O resultado desta forma de agir está à vista. 

 


TV - Eu acho que em televisão não existem lugares cativos nem eternas fórmulas de sucesso. Mas também acho que quando se consegue conciliar audiência com qualidade é verdadeiramente um desperdício acabar com um programa como «As Escolhas De Marcelo Rebelo de Sousa» - que na semana passada foi o 15º programa mais visto em todos os canais e o 5º mais visto na RTP. Esta decisão, exclusivamente política, de terminar com o programa volta a colocar a necessidade de debater como deve funcionar o serviço público – e como deve ser de facto garantido o pluralismo. As matemáticas da ERC redundam numa diminuição objectiva de qualidade da emissão – alguma coisa está mal quando o serviço público é obrigado a sobrepor critérios políticos a critérios qualitativos e ao juízo dos espectadores e da crítica. 

 


LER – A edição 41 da revista trimestral «Egoísta» é dedicada à natureza e tem numerosos portfolios fotográficos, bastante desiguais. Merecem destaque os de Pedro Cláudio, de Gonçalo F.Santos, de Alfredo Cunha e de Nelson D’Aires. Nos textos destaque para «A Natureza da Carne» de Miguel Gullander e «A Velha» de Hélia Correia. São poucos mas bons – talvez a obrigar a revista a voltar a ter alguns rasgos de inovação que lentamente se vão sempre perdendo ao longo dos anos. De qualquer forma a «Egoísta» continua a ser um objecto impresso invulgar – precisa é de voltar a ser surpreendente. 

 


OUVIR – Sou um devoto dos trios de jazz na sua formação mais clássica – piano, baixo e bateria. Aqui há uns anos Brad Mehldau recuperou, e bem, o género e algumas novas formações foram ganhando público. Stefano Bollani é um pianista italiano muito versátil que tem interpretado desde temas clássicos até versões pop-rock – mas é no jazz que se tem destacado. Há cerca de seis anos encontrou dois músicos dinamarqueses com quem tem vindo a trabalhar – Jesper Boldisen no baixo e Morten Lund na bateria. «Stone In The Water» é o mais recente disco do trio – que na semana passada esteve em Lisboa na Culturgest. Este «Stone In The Water» é um trabalho verdadeiramente surpreendente, na escolha de repertório (dois temas de Boldisen, quatro de Bollani, um de Caetano Veloso, um de Tom Carlos Jobim e um de François Poulenc), mas sobretudo pela enorme elegância, contenção e fluidez do trabalho dos músicos – aqui está um trio pouco exibicionista mas muito eficaz. Estou em crer que grande parte do encanto vem da forma muito especial com que o baixo de Jesper Bodilsen dialoga com o piano de Bollani. Este é verdadeiramente um trabalho de um grupo de músicos apaixonados pelo que estão a fazer. Vai sendo raro. Edição ECM. 

 


EXPERIMENTAR – O «Sessenta» é um restaurante despretencioso com um conceito engraçado – ao almoço concilia rapidez com qualidade e ao jantar tem propostas mais elaboradas. Ao almoço há pratos do dia que vão de frango panado com farinheira (segundas) até favinhas com entrcosto e chouriço (quartas), passando por caril de camarão (terças), lulinhas guisadas com arroz branco (quinta) ou lombo de perca com broa e legumes (sexta). A qualidade é acima da média, o serviço é simpático e o espaço é divertido. À noite a carta apresenta outras propostas, a maior parte baseadas na tradição portuguesa com alguns toques de criatividade não exagerados. A lista de vinhos é razoável e os preços são honestos. O restaurante tem ainda serviço de take-away e um site invulgarmente informativo e exacto dentro do género – www.sessenta.pt. Resta dizer que O Sessenta fica na Rua Tomás Ribeiro nº60, esquina com a Luís Bívar, e o telefone é 213526060. 

 


BACK TO BASICS – A escola certa para se aprender não é a vida, é a arte – Oscar Wilde 

 

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publicado às 19:41

CULTURA - Por muito que me esforce não consigo compreender a razão de ser dos gastos em torno da comemoração do Centenário da República. Em Lisboa, o pretexto já serviu para dar cabo de meia Baixa e pelo país multiplicam-se as propostas loucas como a de um mastro para a bandeira com 100 metros de altura que custará um milhão de euros. Esta semana a Ministra da Cultura decidiu tristemente fazer a sua primeira grande intervenção em termos de anúncios de actividade espalhando dez milhões de euros aos quatro ventos num conjunto de mais de 50 actividades desconexas, avulsas, clientelares na maioria. Nada do que anunciou é estruturante, nada vai deixar marcas, tudo é efémero – mero foguetório em prol de um saudosismo ideológico – o do mito republicano – que poucos compreenderão hoje em dia. Não vou entrar nas comparações entre regimes – mas dez milhões de forrobodó é um contrasenso total numa área – a Cultura – que tem cronicamente falta de investimento. A Ministra dá a cara por umas Comemorações esbanjadoras que deitam à rua o equivalente e cerca de 5% do seu Orçamento anual. Não me parece bem. Parece-me um escândalo. 

 


 


PSD - Vejo com alguma perplexidade o que se passa no PSD, assisto a uma guerra entre as eleições directas para a liderança e o congresso. Por mais que me esforce vejo maioritariamente a discussão de questões internas e não encontro nada sobre propostas para ajudar o país a sair da grave crise em que está. Vejo um PSD gordo, anafado e estático, sempre centrado no umbigo, a discutir os mesmos assuntos internos, e sem perceber que há um mundo à sua volta. O PSD precisa de encontrar objectivos, criar uma estratégia, desenhar uma nova identidade. Como qualquer organização precisa de um líder que tenha um projecto, que consiga galvanizar as suas hostes com esse projecto, que consiga criar uma equipa para a acção e que consiga criar unidade interna. Não vejo nada disto, vejo apenas malabarismos tácticos, jogos de influências, alianças de conveniência, meras coligações de interesses conjunturais. Assim as directas não vão resolver nada – vão apenas servir para queimar mais um dirigente partidário que no dia a seguir a ser eleito se vai ver forçado a gastar mais tempo a contrariar a oposição interna do que a fazer oposição construtiva e a criar uma alternativa política. 

 


 


PAÍS – O Presidente da República prega no deserto e nenhum partido o quer ouvir: o PS porque não tem a mesma agenda; o PSD porque não tem agenda alguma; os outros porque fazem depender as respectivas agentes de acordos parlamentares que consigam estabelecer para ganharem mais algumas vantagens próprias. Mas Cavaco Silva teve razão na sua última mensagem e pôs o dedo na ferida: o país está a ser governado levianamente. Qualquer candidato às próximas presidenciais tem agora uma fasquia que pode ajudar a separar as águas. 

 


 


TELEVISÕES – Segundo dados divulgados recentemente cerca de um milhão de lares, equipados com caixas digitais do Meo, Zon, Clix e outros operadores, não estão a ser analisados no âmbito do estudo de audiências de TV. Estes lares, cerca de 30% do total, abrangem um grupo sócio-demográfico com poder de compra, urbano, com acesso simultâneo a TV e a internet de banda larga e profissionalmente activo. Acresce que os detentores de televisores digitais, plasmas e outros formatos e tecnologias recentes, também já não são auditados. É lícito dizer-se que quase metade do universo de lares portugueses já não é estudado em termos de audiências de televisão. Isto não são boas notícias para quem quer investir em publicidade na televisão – a realidade do mercado está demasiado afastada dos resultados divulgados. 

 


 


PROVAR – O sumo de maçãs frescas Copa, produzido em Alcobaça pela cooeprativa Frubaça. Está disponível na generalidade das lojas Go Natural e é produzido a partir de maçãs que não foram submetidas a tratamento com pesticidas. 

 


 


 


USAR – Este ano vou deixar de usar cadernos da Moleskine e passar a utilizar os cadernos das Papelarias Emílio Braga – são mais cool, mais variados, com belas e resistentes capas e têm bons formatos e bom papel. www.emiliobraga.com – os meus preferidos são os modelos 2001 A6 liso com 100 folhas (seis euros) e o modelo 2005 A5 liso também com 100 folhas (9,60 euros). 

 


 


LER – A mais recente edição da «Intelligent Life» , uma publicação trimestral lançada por «The Economist» tem, entre numerosas páginas interessantes, três artigos a reter. No primeiro, num dossier sobre a Terra e o Ambiente, Robert Butler chama a atenção para a importância do estudo da Geografia nos dias que correm, levantando a hipótese de ela ser actualmente mais importante que a História; no segundo Brian Cathcart aborda a evolução do jornalismo de uma forma muito acutilante; no terceiro Bee Wilson faz comparações entre o universo dos Simpsons e da Disney. Referência ainda a uma curiosa análise da evolução da avaliação do que é profissionalismo, em diversas áreas, por Ed Smith – que inclusivamente cita Scolari. Para terminar um belo porfolio fotográfico de Peter Kindersley sobre Londres fora da luz do dia – muito apropriado para estes tempos da estreia de «Sherlock Holmes».  

 


 


VER – A não perder a exposição «segunda Escolha» do fotojornalista António Pedro Ferreira na Kamera Photo, Rua da Vinha 43 A, ao Bairro Alto. 

 


 


OUVIR – Richard Bona é um músico originário dos Camarões que fez uma assinalável carreira como baixista nos Estados Unidos, embora na realidade seja um homem dos sete instrumentos. No seu novo disco, «The Ten Shades Of Blues», ele multiplica-se entre a voz, a guitarra, teclados, percussão, bateria, bandolim e.claro, o baixo. O disco é uma viagem pelas sonoridades da World Music, obviamente com a África presente, mas também com incursões na Índia e nos territórios da música popular norte-americana. «The Tem Shades Of Blue» é um trabalho que mostra a dedicação e o encanto de Bona pela música – é um exemplo de um disco feito com paixão com o objectivo de ser divertido. Nos tempos que correm não há muitos que se possam gabar disto. 

 


 


BACK TO BASICS – Aqueles que tentam liderar o povo, só o atingem porque seguem a multidão (Oscar Wilde) 

 

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publicado às 12:04

MEDIA - No mundo dos Media, em Portugal, olhamos para trás e vemos um ano agitado: ataques do Primeiro Ministro a órgãos que lhe foram críticos, pressões variadas, mudança de responsáveis editoriais, novos jornais, mudança de propriedade de alguns, vários encerramentos de títulos, o afastamento de Manuela Moura Guedes do ecrã, o concurso do quinto canal numa trapalhada, a televisão digital terrestre ainda indefinida, uma ERC cuja utilidade e funcionalidade continua a ser um mistério, o panorama dos incentivos à produção audiovisual nacional cada vez mais obscuro, uma retracção do mercado publicitário em mais de cem milhões de euros. Só por curiosidade – aqui ao lado, em Espanha, dia 1 de Janeiro desaparece a publicidade paga na televisão pública espanhola, o que quer dizer que as televisões privadas poderão recuperar investimento. Destas decisões de Zapatero é que Sócrates não fala muito… 

 


 


FITAS - Do outro lado do Atlântico, Hollywood teve o melhor fim de semana alargado de Natal de sempre – com receitas de bilheteira nos três dias a ultrapassarem os 278 milhões de dólares. «Avatar» e «Sherlock Holmes», por esta ordem, foram os grandes responsáveis por estes números.«Avatar», o filme de James Cameron que levou 15 anos a preparar e a concluir, deve atingir os 300 milhões de dólares de receitas no final do ano, e a dúvida está em saber se, no mercado americano, conseguirá atingir o recorde de bilheteira, também pertencente a Cameron, com Titanic – 600 milhões. O ano em geral foi bom para o cinema nos Estados Unidos – as receitas anuais de bilheteira ultrapassaram pela primeira vez o patamar dos mil milhões de dólares. 

 


 


MUDANÇA - Este ano, no Natal, a Amazon vendeu mais livros em formato digital do que em papel. O seu leitor Kindle esteve entre os produtos mais vendidos (e cobiçados como prenda). O «New York Times» continua a desenvolver sistemas que possibilitem acesso pago, via digital, à edição integral actualmente existente em papel. As estimativas apontam para que daqui a dez anos, em 2020, existam cerca de 50 mil milhões de aparelhos portáteis capazes de aceder à net e aos seus conteúdos a partir de qualquer ponto. Na próxima década começam a entrar no mercado de trabalho os jovens que já cresceram, estudaram e vivem em ambiete digital. 

 


 


FUTUROLOGIA - Não é preciso ser bruxo para perceber que 2010 vai ser um ano infernal em matéria de política interna: o PSD anda à procura de um rumo e de nova liderança; o PS começa a dar sinais de uma crise interna que alastra, contestando Sócrates; Governo e Presidência da República estão em permanente rota de colisão; paira o espectro das eleições antecipadas e a certeza das presidenciais. O mais certo é o Governo não governar, o mais certo é o Governo não cortar na despesa pública, o mais certo é o Governo deixar o endividamento externo e o défice crescerem ainda mais. O ano não vai ser fácil – os sinais de recuperação económica a nível global vão ser confrontados com as evidências de uma instabilidade interna, que não vai ajudar a resolver os problemas – instabilidade que crescerá na proporção da insensibilidade de Sócrates a uma realidade política diferente que o devia levar a compromissos e negociações. 

 


 


IMPORT-EXPORT -Neste fim de semana encontrei um dos amigos da minha filha mais velha, licenciado, mestrado feito, boas notas, que perante a dificuldade de encontrar trabalho em Portugal arriscou Londres e está contente – tem trabalho, conhece outro mundo, é apreciado e estimulado. Contou-me que. dos seus amigos mais próximos, cerca de uma dezena estão no estrangeiro a trabalhar, a investigar ou a terminar doutoramentos. E resumia-me assim a situação da sua geração: «agora exportamos matéria cinzenta e importamos músculos – que vai ser de nós?»


 

 


HOT CLUBE - Infelizmente o Hot Clube foi vítima de um incêndio no prédio onde estava – o Hot é uma tradição de Lisboa e um dos poucos sítios onde se pode ouvir bom jazz ao vivo – além de que ao longo dos anos desenvolveu uma escola por onde têm sido formados alguns dos nossos melhores músicos de jazz. Se o Hot fica demasiado tempo parado, sem local, corre o risco de a tradição ser vencida pela inacção – não é situação única; por isso, enquanto o prédio não é recuperado é importante encontrar uma alternativa, de preferência em zonas históricas da cidade. Sugiro à Câmara Municipal que veja as áreas que tem livres – talvez no Convento das Bernardas, perto do Museu das Marionetas, exista algum espaço que possa ser usado; talvez as extensas áreas de serviço do Teatro Taborda e a própria sala possam ser divididas com o Hot (e esta seria a melhor de todas as soluções, inclusivamente para a Escola do Hot); talvez até na antiga área da Companhia de Dança de Lisboa no Palácio dos Marqueses de Tancos; talvez – e esta é uma possibilidade real - até no edifício ao lado do Cinema S. Jorge, desocupado há anos, e com pelo menos dois pisos disponíveis. O que eu sei é que para resolver isto é preciso imaginação e boa vontade – e sobretudo alguma rapidez. Se ficar tudo sentado a pensar, nada vai acontecer a não ser o Hot morrer aos poucos por falta de actividade. 

 


 


VER E OUVIR – Para passar o ano em beleza, o CD e DVD dos Pink Martini, «Splendor In The Grass» com magníficas e improváveis versões de velhos temas. Absolutamente a banda sonora perfeita para o dia 1 de Janeiro de 2010.


 

 


 


BACK TO BASICS – Uma pessoa deve ser pelo menos um pouco improvável – Oscar Wilde. 

 

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publicado às 18:49


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