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CULTURA: SUBSÍDIO OU INCENTIVO?

por falcao, em 30.03.10

(Publicado no diário Metro de 30 de Março)


Com o Forum Europeu de Industrias Culturais a decorrer em Barcelona ainda é mais actual pensar nestes temas...


 


Quando se começa a falar dos dinheiros da Cultura existe uma tendência para a conversa se entornar rapidamente. Extremam-se posições entre os que reivindicam maior orçamento, maiores subsídios e os que propõem sobretudo medidas de estímulo ao desenvolvimento de várias actividades.


Temos à mão um bom exemplo com a produção de telenovelas e séries portuguesas. Os mais cépticos perguntarão  logo – o que é que isso tem a ver com cultura? Tem muito mais do que aquilo que se pensa.


Há uns anos atrás, antes de existir em Portugal a produção regular e constante de novelas e séries para televisão que hoje existe, o trabalho dos actores era bem mais precário e as oportunidades bem mais reduzidas. Desde que esta produção se desenvolveu a maior parte dos grandes nomes do nosso teatro passou a encarar a televisão como um boa forma de encontrar uma estabilidade que o Teatro e os subsídios não podem proporcionar.


Por outro lado uma nova geração de actores estreou-se na televisão e alguns já deram depois o salto para o cinema e, nalguns casos, para o Teatro. De uma forma geral nos últimos dez anos desenvolveu-se o guionismo (a escrita de argumentos), uma série de profissões técnicas fundamentais para a produção artística (iluminação, sonorização, realização) e tudo isto foi feito sem subsídios.


Recentes declarações da Ministra da Cultura parecem querer desvalorizar as actividades que movimentam mais dinheiro, mas que criam mais emprego e desenvolvem mais competências, como é o caso da televisão e da produção audiovisual no geral. Esta atitude perante o sector industrial das actividades da cultura e do entretenimento é a responsável  pelo miserabilismo de grande parte da política cultural do Estado ao longo dos últimos 20 anos.


Em vez de se pensar em fomentar a actividade e em criar mercado, centraram-se os esforços apenas nas formas de distribuição de subsídios e no aumento da participação do estado em várias actividades. Assim, já se sabe, não há dinheiro que chegue. E no fim não há quase nenhum efeito multiplicador. Melhor do que querer mais subsídios é por exemplo fomentar incentivos fiscais, a começar por uma nova Lei do mecenato. 

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publicado às 10:11

E O PAVILHÃO DE PORTUGAL?

por falcao, em 23.03.10

(Publicado no diário Metro de dia 23 de Março)


Enquanto se lançam primeiras pedras de mais obras, como o novo Museu dos Coches, o  Pavilhão de Portugal, na Expo, lá continua vazio – é pena que um edifício feito para albergar exposições permaneça quase votado ao abandono, tornado um espaço de aluguer para eventos. O Museu Colecção Berardo, que podia ter ido para lá, acabou por ficar no CCB, onde aliás está a fazer bom trabalho. A colecção de Moda e design também podia ter ido para lá, mas acabou por ficar na Baixa, nas antigas instalações de um Banco. Quase todos os anos surgem em Lisboa notícias de ampliações ou obras de novos museus – desde o de Arte Contemporânea até um eventual museu da cidade no Terreiro do Paço. Estas obras de recuperação são caríssimas na generalidade dos casos e no entretanto ninguém se lembra de dar uma utilização condigna ao Pavilhão de Portugal. Com uma área de 2000 m2, com infra- estruturas raras em edifícios deste género, com uma pala enorme e impressionante  que  se tornou entretanto um emblema  de Lisboa, o Pavilhão de Portugal projectado por Siza Vieira, é um enorme elefante branco em que ninguém quer tocar.


A razão desta situação de abandono é meramente contabilística – quem ficar com o Pavilhão vai ter que arcar com o valor a que ele está considerado nas contas da Expo, e que não é pequeno – mas a verdade é  que há mais de dez anos vários governos e várias presidências da Câmara ainda não foram capazes de encontrar uma solução racional que permita a utilização deste belíssimo edifício para a finalidade – mostrar exposições – para o qual foi pensado e construído. A mim faz-me muita impressão que se projectem tantas obras e que ninguém se lembre de resolver esta questão – em Dezembro a Ministra da Cultura disse que o Pavilhão tinha um destino mas não disse qual e deixou entender que – estranhamente – não seria na área do seu Ministério. E entretanto lá continua desesperantemente vazio, a ser alugado ao dia como um salão de hotel. Este país não se percebe. 

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publicado às 12:56

CORTES – Várias análises publicadas esta semana mostram que os principais cortes que o PEC realizou foram obtidos à custa das despesas sociais, muito mais do que à custa da diminuição do peso do aparelho de Estado. Traduzido por miúdos o Governo corta naquilo que se esperaria que os impostos e taxas que cada um paga garantissem, e não se aplica a racionalizar e a melhorar efectivamente o serviço que o Estado presta aos cidadãos. 

 


 


JUSTIÇA – Precisamente a este respeito o funcionamento da Justiça é um dos maiores problemas que temos. Infelizmente ainda esta semana se voltou a confirmar que o funcionamento da polícia é parte dos problemas no funcionamento da Justiça – sobretudo quando se percebe que em 2009 a polícia efectuou nove execuções e em 2010 já vai em mais quatro. Para um país que se gaba de ter sido dos primeiros a abolir a pena de morte, não está mal.  

 


 


CONGRESSO – De todo do Congresso do PSD retive a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, a tentar colocar os pés dos congressistas bem na terra – para o PSD conseguir um Governo estável tem que desenvolver uma estratégia de alianças, o que quer dizer ter as ideias bem assentes sobre o que quer fazer no Governo e com quem. É básico, mas não estava dito e fez bem ouvir alguém falar do assunto naquela ocasião. Quanto ao resto apenas me ocorre dizer, como um bom amigo me disse no dia seguinte, que o Congresso correu bem…ao PS. 

 


 


TELEVISÃO – Em vésperas da data prevista para a transição do sistema analógico actual para a televisão digital terrestre seria bom voltar a discutir qual o papel do Serviço Público na nova paisagem audiovisual, como se devem encarar nesse contexto as novas oportunidades abertas pelas tecnologias mais recentes, como criar condições para desenvolver a oferta e os modelos de negócio dos operadores privados de televisão, e como criar as bases para o desenvolvimento da indústria de produção audiovisual em língua portuguesa e em Portugal. O resto, nesta matéria, na nossa situação actual, é pura perca de tempo e de energias.


 

 


VER – Na Galeria Baginski inaugurou nesta quarta feira uma dupla exposição muito curiosa: novas pinturas de Carlos Correia e manipulações de fotografias por Délio Jasse. «Ensaio» é o título da exposição de Carlos Correia, um dos mais originais pintores portugueses contemporâneos, com obra pública iniciada há pouco mais de uma década e com presença já assinalável numa série de colecções importantes. As novas obras exploram nomeadamente as memórias de imagens que marcam a vida quotidiana. Na sala ao lado o angolano Délio Jasse apresenta «Schengen», uma evocação da sua condição de imigrante e da vigilância que as sociedades europeias exercem sobre os imigrantes. Jasse reflecte sobre a sua condição através da manipulação e intervenção sobre a imagem fotográfica.  Até 15 de Maio, Rua Capitão Leitão 51/53, a Marvila. 

 


 


LER – Joaquim Manuel Magalhães é dos poetas portugueses que mais gosto. A sua produção é escassa e o autor submete-a a periódicas revisões. Este ano foi publicado pela Relógio d’Água «Um Toldo Vermelho», uma antologia que o próprio autor descreve desta forma numa discreta nota final: «Este volume constitui a minha obra poética até 2001, a que acrescento um poema publicado em 2005. Exclui e substitui toda a anterior». O autor quer assim como que rever a forma como expõe a sua obra, preferindo não incluir aqueles textos que por alguma razão deixou de considerar poemas publicáveis. O que gosto mais em Joaquim Manuel Magalhães é a forma como escreve, o ritmo que imprime, o modo como escolhe palavras e a narrativa que desenha, Tem uma forma de escrita quase gráfica, permanentemente sugerindo imagens. E, como explora os limites do português e tem um olhar totalmente contemporâneo, consegue escrever poesia sobre um tema tão improvável como as máquinas de um ginásio. 


 

 


OUVIR – Neste tempo em que muito se fala da necessidade de cada pessoa ou empresa se reinventar permanentemente é muito curioso observar como os Tindersticks passaram eles próprios por esse processo. Este «Falling Down A Moutain», o oitavo disco do grupo, que há cinco anos não publicava originais, mostra uma banda num momento alto de criatividade, a revisitar ambientes de jazz, influências dos rhythm’n’blues, de Tom Waits e até de Johhny Cash, para além das baladas que são a imagem de marca de Stuart Staples. Vale a pena destacar um dueto de Mary Margaret O’Hara com Staples, «Peanuts», um diálogo bem humorado e irresistível. Destaque ainda para «Piano Music», a faixa instrumental que encerra o disco, num ambiente que faz o contraponto perfeito à faixa de abertura, que é a muito jazzy e quase hipnótica «Falling Down A Moutain», que dá o nome ao álbum. CD 4AD. 

 


 


PETISCAR – Muitos dos estabelecimentos comerciais que hoje em dia se intitulam gourmet shops são na realidade pouco mais do que as antigas mercearias e charcutarias finas – como as mercearias antigas da Baixa (como a Jerónimo Martins) ou as charcutarias Diplomata. Confesso que muitas vezes gosto de acabar as minhas tardes com um pequeno passeio num destes estabelecimentos, a procurar inspiração para o jantar ou à procura de alguma novidade para o paladar – salvaguardadas as devidas distâncias não é, do ponto de vista sensorial,  um exercício muito diferente de percorrer as estantes de uma livraria ou os escaparates de uma discoteca. Bem perto do Chiado, junto ao Largo Barão de Quintela, a meio da Rua das Flores, fica a Mercearia Doubles  - um local despretencioso, mas com um razoável garrafeira, uma boa secção de frutas e legumes frescos, óptimas compotas, queijos e enchidos. Mesmo ali ao pé fica a nova padaria Quinoa, na Rua do Alecrim 54 – onde pode comprar desde bagels até diversos pães pouco usuais e de boa qualidade. O local também serve refeições leves e oferece uma boa selecção de chás, cafés e chocolates. Entre as duas pode encontrar forma de levar para casa o suficiente para petiscar como deve ser. 

 


 


BACK TO BASICS – É o Governo que deve trabalhar para os cidadãos e não os cidadãos que devem trabalhar para alimentar os governantes – Gordon Beck 

 

 

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publicado às 12:37

(Publicado no diario Metro de 16 de Março)


 


Nos últimos dias a questão do financiamento da RTP veio de novo à baila, no meio do Congresso do PSD . Esta é uma conversa recorrente e muitas vezes aparece associada à ideia de que valeria a pena privatizar a RTP – assim acabava-se com a despesa do financiamento e ao mesmo tempo fazia-se um encaixe. Quando estas ideias aparecem em cima da mesa geralmente evita-se discutir o que é, ou o que deve ser, o Serviço Público de Rádio e de Televisão e se faz sentido existir. Em que termos se justifica o Serviço Público de TV? No universo das transformações tecnológicas, como deve ele evoluir? Há oito anos, em 2002, foi constituído um Grupo de Trabalho, alargado, a que pertenci, que estudou estas questões e que no final elaborou um relatório que, no essencial, se mantém actual.

A iniciativa da constituição deste Grupo de Trabalho foi dos então Ministros Nuno Morais Sarmento e Manuela Ferreira Leite e, em termos gerais, o relatório elaborado foi tido em conta em várias áreas no processo que levou à reestruturação da RTP. Infelizmente de então para cá regrediu-se e muitas das recomendações, na área da programação, foram sendo progressivamente deixadas no esquecimento.

A existência de um Serviço Público de televisão é essencial para a defesa da língua e cultura de um país, nomeadamente no domínio do audiovisual e do multimédia e sobretudo no contexto europeu. Mas a verdade é que o Serviço Público não deveria concorrer com os privados, nem em programação nem na venda de espaço publicitário, e faz sentido limitar a sua oferta de conteúdos para não interferir com o mercado. Idealmente o Serviço Público deveria desempenhar um papel regulador e dinamizador, fomentando a produção nacional.

Bem sei que não é isto que se passa e que a RTP frequentemente excede as noções mais amplas do que deveria ser a sua missão – mas a resolução deste problemas não passa por extinguir o Serviço Público de Rádio e Televisão. Passa por o adequar aos tempos actuais, por evitar que ele enfraqueça os operadores privados e por conseguir maior racionalidade no seu funcionamento.

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publicado às 09:53

A DEMAGOGIA REINANTE

por falcao, em 16.03.10

(Publicado no Jornal de Negócios de 12 de Março)


 


FUTURO – Esta semana ficámos a saber que a governação recente hipotecou o país por mais uma década. Feitas as contas haverá mais uma geração desprezada em Portugal, que irá certamente engrossar o rol dos novos emigrantes. Em qualquer caso existe um pano de fundo que ainda é pouco assumido, porque em geral não interessa a uma classe política desfasada da realidade e que vive de fazer promessas: o mundo mudou e não vai voltar a ser como era antes. Acabaram os tempos de facilidades e as projecções super optimistas.


 

 TRUQUE – Não sei se já repararam mas é a segunda vez que Sócrates usa o mesmo truque: ganha eleições com um programa de promessas e depois subverte tudo o que anunciou e faz ao contrário. Em Setembro passado prometeu obras, manifestou-se optimista, subestimou os anúncios da gravidade da situação. Agora, faz tudo ao contrário, aumenta a despesa fiscal dos contribuintes, reconhece que tem que cortar investimento e concede que a situação é difícil. Ou seja, diz agora o que a oposição dizia em Setembro. Ganhar eleições a fugir à realidade é a nova forma de demagogia e está a matar a democracia – em políticos destes não se pode acreditar.

 

PEC - O caminho mais fácil é sempre aumentar a receita – vender anéis, cortar dedos, esfolar o parceiro, cortar investimentos. O que é curioso é que um Estado tão bom a captar mais receitas à custa da máquina fiscal não consegue um plano coerente de diminuição efectiva da despesa pública, nem consegue um plano eficaz que fomente o crescimento da economia. Assim Portugal continuará adiado, com os contribuintes efectivos a pagarem cada vez mais ao Estado e com as empresas e o país a perderem competitividade.

 

CONGRESSO – Neste fim de semana o PSD reúne-se num Congresso cujo desfecho, nesta altura, é imprevisível, tão imprevisível como uma situação política onde todos falam de mudanças, onde ninguém quer ouvir falar em novas eleições e onde a produção de tabus variados se tornou na indústria em maior expansão em todo o país. O PSD precisa de ter um candidato a Primeiro Ministro, precisa de apresentar medidas exequíveis e concretas e precisa de clarificar o seu posicionamento. Sem estas três coisas não conseguirá assumir-se como alternativa. A ver vamos como corre este primeiro round antes das directas. Neste momento a dúvida maior é saber o que poderá acontecer de inesperado – porque o guião inicial de certeza já não vai ser seguido à letra.

 

CULTURA – Na edição de Março da revista «L+Arte» a Professora Raquel Henriques da Silva escreve um exemplar artigo intitulado «Contra o Novo Museu dos Coches», onde explica como também na área da política cultural há obras públicas desnecessárias e perdulárias. Recomendo o artigo,  e aqui deixo um excerto: «O orçamento previsto para o novo Museu dos Coches é de 36 milhões de euros (…) É uma verba considerável, cuja utilização na edificação de um museu, que não é nem uma necessidade nem uma prioridade, é uma dolorosa provocação às imensas carências do sector (…) Em vez de obra nova (muito novo-rica e solidamente defendida pelo poderoso lobby dos arquitectos), os recursos deviam ser canalizados para a requalificação, para o cumprimento de necessidades urgentes que há muito estão inventariadas e para se pensar os museus do País…»

 

FICA – Há duas semanas questionava aqui em que situação estaria o Fundo de Investimento no Cinema e Audiovisual (FICA). Hoje sabemos que está efectivamente parado, sem entidade gestora, com dívidas acumuladas e a provocar já situações preocupantes numa série de produtoras. A muito anunciada política do investimento no audiovisual resumiu-se afinal a mais uma trapalhada criada pelo Ministério da Cultura.

 

LER – O escritor e arquitecto paisagista Júlio Moreira lançou mãos à obra e fez uma nova edição da sua «Grande Viagem dos Homens através do tempo e do espaço», desta vez com ilustrações de Andreas Stocklein e chancela da Guimarães. Usualmente apresentado como um livro para adolescentes, esta história breve da evolução da raça humana é na verdade um livro bem útil nestes tempos conturbados – obriga-nos a revisitar conceitos, princípios e factos que muitas vezes esquecemos no dia-a-dia, desde as origens do universo até às origens das lutas pelo poder. É um daqueles livros que apetece ter à mão para, de vez em quando, relembrar como as coisas são de facto.

 

OUVIR – O pianista Bernardo Sassetti recriou o trio que tinha feito há uma dúzia de anos com o baterista Alexandre Frazão e o contrabaixista Carlos Costa e o resultado, o CD «Motion», agora editado, é surpreendente. Destaco em primeiro lugar a contenção dos músicos, o seu sentido de improvisação e a forma como conseguem criar um clima de tensão sonora, arrebatador do princípio ao fim. O disco passa por originais feitos por Sassetti para bandas sonoras e revisita temas pop e clássicos, mas no fundo assume-se como um objecto sonoro concebido para estimular o pensamento e a imaginação. CD Clean Feed

 

NAVEGAR – Interessa-se  por «branding», pela discussão em torno do valor das marcas? Por tendências? Então experimente visitar www.branding.blogs.sapo.pt e descubra sugestões de leituras, resumos de análises e conferências e ainda comentários sobre tendências.

 

PROVAR –  As flames são um petisco originário da Alsácia que podem ser brevemente descritas como uma espécie de pizza, só que mais finas, com menos gordura, e rectangulares em vez de redondas. A massa é diferente, mais leve, e os ingredientes são variados. Há pouco tempo abriu na Rua do Alecrim o restaurante Storik, que introduz as flames em Lisboa. O ambiente é simpático, as salas são agradáveis e as flames são engraçadas – no caso provei uma de salmão, anchovas e alcaparras que estava bastante boa e uma de maçã e morcela que era apenas curiosa. Embora diligente o serviço é lento e um bocadinho descoordenado – demorado até se a escolha recair fora do mais trivial. A lista das cervejas disponíveis é boa e inclui a grande Grolsch – não estamos felizmente   no mundo da ditadura da monomarca que as cervejeiras nacionais impuseram a alguma restauração. O Storik desdobra-se em bar fora das horas de almoço e jantar ( e há noites temáticas com poesia, humor e música) e ainda um bom local para lanchar scones ou bolas de Berlim. Rua do Alecrim nº30, telf 216 040 375, www.storik.pt .

 

BACK TO BASICS – O verdadeiro poder não se revela por atitudes duras e frequentes mas sim por falar verdade e agir em função disso – Honoré de Balzac

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publicado às 09:51

A ECONOMIA DA CULTURA

por falcao, em 10.03.10

(PUBLICADO NO DIÁRIO METRO DE DIA 9)



Um recente estudo, de Augusto Mateus, sobre a área da cultura e entretenimento mostra que hoje em dia o peso económico das indústrias criativas já é maior, por exemplo, que o dos têxteis.


A Ministra da Cultura, numas declarações a propósito do estudo, meteu os pés pelas mãos e embrulhou-se toda para explicar, meio engasgada, que o estudo abrangia um universo muito lato que ía até ao que designou por música pimba, que não é mais que a música popular.


Na realidade a vantagem deste estudo é que partiu para a análise do sector sem ideias feitas e com espírito aberto, adoptando aliás o enquadramento do sector que é  utilizado em todo o mundo e que abrange, além das áreas habituais, a industria discográfica, os espectáculos, o audiovisual (cinema e televisão), os jogos de computador ou a publicidade, por exemplo.


Analisando as coisas nesta perspectiva, que é a que corresponde à realidade, cedo se torna evidente que o que interessa para desenvolver este sector é canalizar para lá mais investimentos em vez de a preocupação estar centrada apenas em subsídios pontuais. Ou seja, do ponto de vista de criação de postos de trabalho é importante fomentar a actividade nestas áreas, nomeadamente no audiovisual e no digital, assim como criar esquemas financeiros que fomentem, à semelhança de outros países, a compra de obras a jovens artistas plásticos.


Desculpem por puxar a brasa ao audiovisual – uma língua e uma cultura que não estejam  presentes de forma consistente na produção para digital, televisão e cinema estão condenadas ao progressivo desaparecimento no mundo actual. Por isso, o Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual, lançado há uns anos, era uma ideia importante. Infelizmente, soube-se esta semana, o Governo e o Ministério da Cultura não cumpriram os seus compromissos e estão a provocar a paralisia de empresas de produção, o despedimento de técnicos e a asfixia do sector. Ou seja, na prática o Governo faz o contrário daquilo que o estudo que encomendou aconselha. 


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publicado às 23:12

PSD – Olho para a discussão entre os candidatos a líderes do PSD e fico um pouco perplexo. Eu, como muitos outros cidadãos sem partido, gostaria que houvesse um debate mais político e menos aparelhístico. Citando Marcelo Rebelo de Sousa, a última coisa que desejo é que a discussão entre os candidatos à liderança do PSD se transforme num concurso de tempos de aplausos no próximo congresso social-democrata.  Nestes dias, nestes debates, vejo surgirem muitas propostas, a maior parte delas sem serem acompanhadas de uma estratégia que permita concretizá-las, para além da vontade pessoal de cada um dos candidatos. Sinceramente gostaria que tivéssemos um governo reformista, liberal, capaz de começar a apagar o peso do Estado, capaz de defender as pessoas, capaz de combater o despesismo e capaz de fazer investimentos produtivos. Já percebemos que o caminho do Governo do PS não é este. Eu espero que possa ser encontrado um rumo para que num futuro próximo surjam condições políticas para criar uma nova forma de governar – com mais respeito pelas opiniões dos outros, com respeito pelas vozes críticas, com menos escândalos e trapalhadas.  

 


PS - Nas últimas semanas uma série de figuras do PS têm-se desdobrado em defesa de José Sócrates e o próprio tem vindo a terreiro defender-se do que entende serem ataques pessoais. Estas atitudes subvertem completamente o que está em jogo – o que se tem passado, numa série de casos recentes, não é uma perseguição pessoal a José Sócrates, é um ataque político a atitudes ligadas ao exercício do cargo de Primeiro Ministro. Na realidade, o carácter do Primeiro-Ministro é porto em causa não por outros, mas por ele próprio. 

 


ÉTICA – O teatro pode ser um bom palco para reflectir sobre a ética– foi o que pensei quando estava a assistir a «Édipo», no Teatro Nacional D. Maria II. Achou louvável que o Teatro Nacional leve à cena grandes textos clássicos e acho ainda mais louvável que escolha um encenador como Jorge Silva Melo, que fez um belo trabalho. Mas acho muito descabido que o Director de um Teatro Nacional aceite colocar-se no papel principal das peças que produz. Esta confusão de papéis – entre director artístico e actor - gera situações equívocas. Independentemente do fraco  resultado artístico da actuação de Diogo Infante como Édipo, a questão está na mistura de funções. Infelizmente estas coisas discutem-se pouco e existe uma espécie de pudor em dizer - «o Rei vai nu». Mas, neste caso, vai mesmo. Fica se na duvida se isto é programação em causa própria e, se o for, talvez lhe ficasse melhor fazer o papel de Narciso


Salva-se a encenação, a banda sonora e os pastores, sobretudo Cândido Ferreira. 

 


LER – A edição nº 31 da revista «Monocle», publicada em Março, tem dois especiais que são dignos de nota. O primeiro é sobre a cidade do Rio de Janeiro, considerada como uma cidade em alta depois do anúncio dos Jogos Olímpicos. O artigo é completo, tem dicas de locais, de hotéis e restaurantes a bares e lojas. Fala do renascimento urbano do Rio e cita o exemplo de uma instituição chamada Rio Filmes, que financia filmes que têm a cidade como palco – e que trabalha em estreita relação com a Film Commission local – um bom exemplo de trabalho nesta área de produção de cinema. O segundo especial é um suplemento de 36 páginas inteiramente dedicado a Espanha. Está editado com enorme cuidado, é objectivamente feito em parceria com as autoridades espanholas do turismo e quem o vir nem acredita que existe uma grave crise aqui no país vizinho. Editorialmente está focado em temas com a indústria, a energia, a cultura, turismo, moda e design, entre outros, sempre numa perspectiva de mostrar o que é novo e não apenas o que já é conhecido. Em termos das pessoas focadas nota-se o cuidado em mostrar talentos emergentes na área do cinema e da moda e não os nomes já consagrados. A imagem que resulta é a de uma sociedade criativa, viva e dinâmica, a responder às dificuldades. É um suplemento exemplar daquilo que pode ser a divulgação da imagem contemporânea de um país. Outro interessante artigo relata a guerra política que vai em torno dos grandes grupos de media turcos – muito interessante se tivermos em conta a nossa história recente por estas bandas. 

 


VER - «Sem Rede», a exposição retrospectiva de Joana Vasconcelos que esta semana inaugurou no Museu Berardo é verdadeiramente irresistível. A artista é polémica e eu descrevo assim o seu trabalho: excessivo, intensamente físico, delirante e fantástico. A montagem aproveita os grandes espaço do CCB e obras de referência da artista como «A Noiva» (o lustre feito de tampaxes), «Burka», «Contaminação» ou «Cinderela» são aqui novos motivos de surpresa. A exposição vai estar até 18 de Maio e garantidamente constituirá um êxito de público – o que é muito bom.


 

OUVIR – As coisas simples são frequentemente as melhores. «Home», um disco do norte-americano Peter Broderick datado de 2008, é o exemplo de como se podem fazer excelentes canções com parcos recursos – guitarras, alguma percussão, alguns instrumentos electrónicos, uma harmónica e um vibrafone aqui e ali. Arranjos elegantes, letras intimistas e inteligentes, uma voz quente. E aqui está um grande disco.
 

 


PETISCAR – Durante anos habituei-me a encontrar no restaurante «O Manel» do Parque Mayer um refúgio seguro a preço razoável. Por lá tive encontros de trabalho, almoços e jantares com amigos, sempre com serviço cuidado e boa qualidade. Quando o Parque Mayer fechou, no final do ano passado fiquei sem saber o que tinha acontecido a Júlio Calçada, o filho e herdeiro do fundador,  e à sua equipa.  Mudaram-se para o restaurante do Clube Municipal de Ténis de Monsanto, a Grelha Real. A lista do velho «O Manel» mantém-se e esta semana lá fui experimentar a primeira lampreia da época – arroz saborosíssimo, no ponto, belos bocados do bicho perfeitamente cozinhados. Enquanto a lampreia durar por lá estará às quartas; o cozido mantém-se às quintas e todos os dias há bom peixe fresco. E Júlio Calçada continua a saber o que é tratar bem os seus clientes. Está encerrado ao Domingo à noite e toda a Segunda-feira e nos outros dias serve almoços e jantares. Tem parque privativo, fica a dez minutos de carro das Amoreiras e o telefone é 213 646 302. 

 


 


BACK TO BASICS – Os partidos têm de ter vergonha e ter cuidado com quem colocam nos postos cimeiros - José Luis Saldanha Sanches  


             

 


 

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