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TV À MEDIDA

por falcao, em 27.04.10

(Publicado no diário Metro de dia 27 de Abril)


Até me faz impressão pensar nisto – o YouTube tem apenas cinco anos de existência – o aniversário foi a 23 de Abril -  e neste espaço de tempo o site fundado por três jovens em  2005 mudou substancialmente o mundo na forma como procuramos imagens. O YouTube rapidamente se tornou numa ferramenta indispensável para revelar novos talentos na música, mas também actores, realizadores, humoristas e, claro, políticos. A campanha de Obama não teria sido a mesma sem o YouTube.


Do ensino à  política, passando por programas de televisão, spots de publicidade, imagens da actualidade, o YouTube tem tudo – ainda recentemente foi o primeiro local onde apareceram imagens de catástrofes naturais e grandes acidentes, batendo as estações de televisão.


O crescimento tem sido espantoso –  no final de 2005 o YouTube já recebia 25 milhões de filmes por dia, hoje anda perto dos mil milhões de uploads diários. Um ano e poucos meses depois de ter sido fundado, a Google comprou o site por 1,6 mil milhões de dólares – e o YouTube é hoje o terceiro site mais visto na internet, logo atrás do Google e do Facebook.


Na música podemos lá encontrar quase tudo. E na política também – desde que o YouTube se popularizou ele é utilizado para fazer declarações, deixar mensagens solenes ou apenas recolher imagens divertidas da actividade dos políticos. Uma pesquisa rápida dá a situação portuguesa: a palavra «Portugal» parece em 14 700 videos; Sócrates em 5040, Paulo Portas em 1020, Francisco Louçã em 601, Jerónimo de Sousa em 440, Pedro Passos Coelho em 154. Em compensação Herman José aparece 4310 vezes e os Xutos e Pontapés 3210. Mas na política não há quem bata Obama que aparece referenciado 101.000 vezes.


Há quem diga que o YouTube caminha para ser uma estação de televisão que cada um de nós pode programar, uma televisão á medida de cada um. Hoje em dia até filmes em alta definição já se podem lá encontrar.


O YouTube, que agora nos parece um coisa corriqueira, mudou de facto a forma como podemos comunicar uns com os outros em apenas cinco anos. E ou muito me engano ou vai estar ligado a novas formas de distribuição de imagem num futuro próximo. 

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publicado às 18:45

 


*PORTUGAL* - Quando António Guterres chegou ao Governo o peso da nossa
dívida pouco passava dos 10% do PIB. Agora anda nos 120%. 15 anos de
estímulo do consumo, de projectos megalómanos do Estado, de negócios de
interesse duvidoso para os contribuintes, ajudaram a chegar onde estamos.
Cavaco Silva deve saber bem estes números - era Primeiro Ministro até pouco
tempo antes de Guterres se sentar em S. Bento e, com a sua formação e
atenção, certamente não deixou de olhar para os números da nação. O seu
silêncio sobre o que se passa, a forma como se esquiva a tomar atitudes
neste contexto tão difícil, dão muito que pensar. Está ele mais interessado
em ser reeleito sem grandes ondas do que em encontrar uma solução para o
desgoverno, que agora é já bem visível? Era bom que em relação à situação do
país Cavaco exibisse a mesma determinação e energia de que deu mostras
quando resolveu atravessar a Europa de carro para contornar a paragem
forçada dos aviões por causa das cinzas vulcânicas. Nunca lhe terá passado
pela cabeça a necessidade de um Governo de Salvação Nacional?


*EUROPA* - A minha geração arrisca-se a sair de cena confrontada pela
falência política da ideia da União Europeia, que foi em boa parte a sua
causa central e que condicionou toda a acção política nos últimos 30 anos. O
Euro, como nos últimos dias se tornou patente, está a ser ameaçado e
Portugal tornou-se no elo mais fraco da cadeia que especuladores e o sistema
financeiro norte-americano, com a implícita concordância de Obama, estão a
querer romper para projectar de novo o dólar e voltar a posicionar os
Estados Unidos como a plataforma que permitirá servir e favorecer a nova
ordem que se desenha, entre a Índia, a China, o Brasil e, talvez, ainda, a
Rússia. Esta guerra dólar-euro pode liquidar a ideia política da Europa e
fazer entrar o nosso continente numa fase de decadência que, a acontecer, se
adivinha prolongada. O mundo da prosperidade europeia não vai voltar tão
cedo e os senhores da Europa bem podem meter no saco ideias peregrinas como
o subsídio às viagens de jovens e idosos, inacreditavelmente anunciado esta
semana. O que está para vir não vai ser bonito de se ver.


*MENTIRA* - É espantoso que nesta situação a mentira na política continue a
ser usada com desfaçatez total. Infelizmente a sucessão de casos surgidos
nos últimos tempos confirma que  cada vez mais corre-se o risco de a
política ser sinónimo de mentira; para pegar apenas em temas recentes isto é
válido no caso da TVI, é válido no caso do contrato de Figo com o Tagus
Park, é válido nas variações das contas de Lisboa apresentadas por António
Costa, nos números do deficit apresentados pelo Governo, nas negociatas de
financiamento de partidos. A mentira tornou-se habitual no dia-a-dia de um
sem número de gestos e declarações. Agentes políticos dos mais diversos
quadrantes mentem sem pudor como se mentir fosse o normal. A mentira
instalou-se na vida política, tornou-se banal. O problema é que quase já nem
gera indignação. E quando isto acontece a política apodrece e os cidadãos
afastam-se cada vez mais dela - abstêm-se deste jogo de mentiras e
conveniências. Será impossível fazer política sem fazer da mentira um
hábito?



*TELEVISÃO* - Anunciada ainda há dois anos como o remédio milagreiro para as
estações, a Televisão Digital Terrestre corre o risco de ser um grande e
caríssimo embuste. O progresso tecnológico não esteve à espera das demoradas
decisões de reguladores, das guerrinhas entre grupos de media nem de
concursos públicos várias vezes repetidos. A Anacom acaba por reconhecer
isto mesmo ao dizer, esta semana, que com 2,4 milhões de lares que já são
assinantes da tv paga (e o número vai ainda crescer um bom bocado...) apenas
1,5 milhões de lares deverão ser afectados pelo desligar do actual sistema
analógico dos canais abertos e pela passagem à TDT. Quando em meados de 2012
a TDT estiver pronta a ser instalada vai ser curioso ver quantos restam para
a utilizar. Eu aposto que menos de um milhão.


*ALQUEVA *- Esta Primavera o Alentejo promete ser uma deliciosa surpresa. As
terras estão cobertas de um tapete verde, as flores silvestres começam a
saltar e as primeiras papoilas já se vêem. A barragem do Alqueva transformou
toda a paisagem e agora do alto de Monsaraz vê-se como a planície alentejana
acolheu extensas manchas de água, numa paisagem completamente inesperada. O
meu último fim de semana foi passado ali perto, próximo de Portel,  na
Herdade do Sobroso, uma Casa de Campo instalada numa herdade perto do
Guadiana e no meio de uma vinha de 50 hectares que produz belos vinhos -
servidos nas refeições da casa - por mim destaco o rosé e o tinto de 2006. A
cozinheira, D. Josefa, tem mão sábia nos temperos e na confecção, e oferece
aos hóspedes uma sucessão de iguarias que tornam um fim de semana no Sobroso
uma experiência dos melhores petiscos da cozinha tradicional alentejana. A
Casa de Campo oferece dez quartos, fica perto da marina de Amieira, no
Alqueva, e tem à sua frente a Sofia e o Filipe, ela a comandar o acolhimento
e ele, enólogo, a organizar as vinhas. Todas as informações em
www.herdadedosobroso.pt .


 


*AGENDA* - Se puderem não percam Miguel Guilherme a ler textos de humor, de
autores portugueses, todas as terças e quartas, no Maxim, Praça da Alegria,
pelas 22h00. Fica até Junho. *Este fim de semana inauguram em Coimbra, no
âmbito do 30º aniversário dos Encontros de Fotografia, uma exposição de Jean
François Pisson, intitulada "Dessine Moi Une Voyage" e outra de Joana
Bastos, "A$T"; *Na Galeria Ratton, novas obras de Joana Rosa, sob o título
"A Bela Acordada";* No Algarve, em Estói, na casa rural da Villa Romana de
Milreu, a exposição "Pássaro Em Terra" de René Bertholo; *E finalmente em
Lisboa a  próxima semana é tempo do festival de cinema documental Indie ,
sigam a programação em www.indielisboa.com*.*


 


*OUVIR* - Este artigo foi feito ao som de "Orchestrion", a mais recente
experiência de Pat Metheny, que utilizou máquinas cuja origem remonta ao
século XVIII para criar a sua música, obviamente actualizadas e
complementadas com tecnologia digital contemporânea. Podem considerar que
Metheny toca a solo com uma orquestra de robôs, mas isto é simplificar a
coisa. O resultado é surpreendente, misturando a música popular com arranjos
sofisticados e desenhos rítmicos inesperados. Metheny no seu melhor. CD
Nonesuch, via Amazon UK.


 


*BACK TO BASICS -  A política tem a sua fonte na perversidade e não na
grandeza do espírito humano, Voltaire*

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publicado às 17:21

A FORÇA DAS HABILIDADES

por falcao, em 20.04.10

(Publicado no Metro de 20 de Abril)


 


Todos nós gostamos de ver outros a fazerem habilidades e todos nós temos o escondido desejo de ver alguém a espalhar-se a fazer essas habilidades. Esta realidade está na chave do grande êxito de dois concursos surgidos recentemente, «O Cubo» nas noites de sábado na RTP e «Achas Que Sabes Dançar» nas noites de Domingo na SIC.


Graças a estes dois programas, e com uma ajudinha do futebol, RTP e SIC, venceram este fim de semana a TVI, que ficou relegada para a terceira posição, apesar do bom resultado das suas novelas. Só que de facto os dois concursos são apelativos, cativam audiências e conseguem igualmente fidelizar espectadores.


Em «O Cubo» os concorrentes têm que demonstrar destreza, memória, conhecimento e até alguma estratégia. O concurso é tecnologicamente sofisticado em termos de captação de imagem – cada concorrente executa a prova dentro de um cubo transparente «vigiado» por quase seis dezenas de diversos tipos de câmaras digitais. O apresentador é Jorge Gabriel que, mais uma vez, desempenha bem o seu papel.


No lado da SIC João Manzarra prova que a solo ainda se sai melhor e conduz os espectadores ao longo do «Achas Que Sabes Dançar» - que inevitavelmente joga no ridículo de alguns concorrentes e no talento de outros.


E porque é que estes concursos alcançam tão bons resultados de audiências?  – de certa forma porque jogam na possibilidade de identificação/rejeição dos espectadores com os concorrentes, proporcionam uma interactividade emocional mais forte nos públicos mais novos – habituados a um universo visual de jogos digitais como é sugerido no «Cubo», ou habituados a concursos domésticos de disputa de talentos nas diversas consolas de jogos que o possibilitam fazer em casa.


A acção dramática das telenovelas, consegue captar outros públicos e garantir um outro tipo de fidelização – mas o que os recentes resultados demonstram é que cada vez mais é importante ter em antena vários produtos, que consigam atingir diferentes públicos. É fascinante o mundo da televisão – uma permanente caixinha de surpresas.

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publicado às 12:53

 


PRIVATIZAR A RTP - Mais uma vez o PSD coloca a privatização da RTP na sua agenda – já o fez antes e acabou por recuar quando percebeu a realidade do sector. Na maioria dos países ocidentais existem diversas formas de serviço público de televisão- os modelos são variáveis, mas existem, dos Estados Unidos à Suécia, passando pelo Canadá ou a Holanda. Continuo a pensar que mesmo nas economias mais liberais se justifica um serviço público de rádio e de televisão, com obrigações bem definidas, sem recurso ao mercado publicitário e que esteja inserido numa estratégia de desenvolvimento do tecido industrial privado na produção audiovisual. A existência de uma produção audiovisual minimamente dinâmica (para além de criadora de emprego e interessante do ponto de vista da actividade económica) é condição fundamental para a preservação do português enquanto língua viva - se o nosso idioma não existir sob a forma audiovisual no universo digital está condenada a ser uma espécie em vias de extinção. Parte do  desenvolvimento desta indústria, ainda nesta altura – nomeadamente na área dos documentários e nalgumas áreas da ficção – passa precisamente pelo serviço público. O problema, há muito levantado, está no incumprimento das obrigações do serviço público, incumprimento justificado em boa parte porque a RTP concorre na disputa de audiências e do mercado publicitário. É possível que partes da actual RTP possam e devam ser privatizadas – inclusive frequências (e tendo em conta o que serão as alterações produzidas pelas licenças de Televisão Digital Terrestre e pela distribuição de conteúdos de TV via internet). Mas no contexto actual é muito duvidoso que existam interessados numa privatização da RTP, com o que ela é hoje em dia, com o passivo e estrutura que tem. E nem seria seguro que essa seria a melhor solução para a consolidação dos canais privados que existem…Resumo: a questão não é privatizar a RTP, é alterar o seu modelo de funcionamento no mercado publicitário.


 


TV – Um recente estudo norte-americano indica que, em 2013, cerca de  55% de todos os modelos de receptores de televisão fabricados terão capacidade de ligação à internet, contra os 18% actuais. O mesmo estudo sublinha que num futuro próximo todos os conteúdos audiovisuais estarão disponíveis via internet, que será a principal plataforma de distribuição, sendo de prever uma competição directa com os modelos de distribuição em sinal aberto e por cabo.


 


FOLHEAR 1 – Na «Wired» americana de Abril um belo artigo - «Rise Of the Machines – How tablets will change the world» - mais do que uma maquineta, os tablets – da Apple ou de outras marcas -  serão a plataforma individual de consumo de conteúdos.


 


FOLHEAR 2 – Na «Monocle» de Abril uma ediçãoo dedicada às melhores lojas, à arte da venda, de livros á comida, passando pela moda. Dossiers sobre o novo design brasileiro, em São Paulo, e sobre a cidade convidada desta edição – Seul.


 


LER – A editora «Tinta da China» vem publicando uma deliciosa colecção de livros de viagem, com direcção editorial de Carlos Vaz Marques. A mais recente edição da colecção é «Nova Iorque», um «excepcional e engenhoso monólogo….tão emotivo quanto humorístico sobre a cidade de Nova Iorque que o autor considera o lugar mais fascinante do mundo» - nas palavras do prefácio de Enrique Vila-Mata ao livro do irlandês Brendan Behan, um autor até aqui inédito em Portugal. A lenda reza que este livro foi escrito num corredor do Chelsea Hotel, no andar onde vivera Dylan Thomas. «Depois de ter estado em Nova Iorque, qualquer pessoa que regresse a casa dar-se-à conta de que o seu lugar de origem é bastante escuro». Apesar de a tradução ser menos feliz que a de outros volumes desta colecção, «Nova Iorque» é um belíssimo exemplo de um livro sobre uma cidade – melhor dizendo, sobre a experiência de descoberta e de vida numa cidade que nunca pára.


 


 


VER – Cada vez mais a «Egoísta» é um prazer para a vista – na realidade é muito mais feita para ser vista do que para ser lida. Claro que a paginação e o trabalho gráfico ajudam a que os textos também desempenhem um papel visual, que às vezes até se sobrepõe à sua leitura. Destaque nesta edição (que tem capa em 3D e inclui os necessários óculos bicolores) e que é integralmente dedicada ao Oriente, para as fotografias de José Maçãs de Carvalho, de Cláudia Cristóvão, de Filipe Casaca, de António Júlio Duarte e de Paula Oudman; destaque ainda para as ilustrações de Pedro Proença e a pintura de Anna Muzi Falconi; finalmente para os textos de Carlos Vaz Marques, João Tordo, Gonçalo M. Tavares e  Ricardo Adolfo. Patrícia Reis, a directora da «Egoísta», continua a surpreender mesmo ao fim de dez anos.


 


OUVIR - «Valleys Of Neptune» é uma colecção de gravações até aqui inéditas de Jimi Hendrix, feitas ao longo de 1969, depois do êxito obtido com o álbum «Electric Ladyland». 1969 foi um ano decisivo para o desenvolvimento do conceito musical que Hendrix queria aprofundar e o trabalho em estúdio, primeiro em Londres e depois em Nova York mostra as linhas experimentais que ele queria seguir. O folheto que acompanha esta edição conta detalhadamente toda a historia destes registos, 12 canções – das quais 10 da autoria do próprio Hendrix, uma fantástica versão de «Sunshine Of Your Love» (dos Cream)  e outra de «Bleeding Heart», de Elmore James. Destaque para «Hear My Train A Comin’», para o injustamente esquecido «Stoine Free», que era o lado B de «Hey Joe», aqui numa nova versão e «Crying Blue Rain». Mas toda esta colecção é magnífica, com soberbas interpretações de Hendrix, mostrando a sua superioridade e o seu lugar como um dos grandes guitarristas da história do rock. Uma sonoridade única.


 


PETISCAR – Há muitos anos que não ía ao restaurante Frascati, um pioneiro na comida italiana, pizzas incluídas, em Lisboa. Por estes dias lá regressei e fiquei cliente. Belíssimos raviolis de trufas e cogumelos e uns impecáveis escalopes à milanesa. Vinho a copo honestíssimo ( Cerejeiras), conta simpática, mesas amplas, serviço impecável. Rua Padre António Vieira 12, junto ao liceu Maria Amália, telefone 213882282.


 


BACK TO BASICS –  Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir – Winston Churchill


 


 

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publicado às 12:52

VIVA A DANÇA

por falcao, em 14.04.10

(Publicado no diário Metro de 13 de Abril)


Nuno Santos, o Director de Programas da SIC tem boas razões para ficar satisfeito: a SIC liderou destacada as audiências no Domingo passado, dia da estreia do programa «Achas Que Sabes dançar?» - um concurso de revelação de talentos, só que agora, e pela primeira vez, na área da dança. A brincar, a dançar, o concurso bateu a novela «Meu Amor», da TVI, e João Manzarra, o apresentador, saíu-se muito bem sobretudo nas partes dos bastidores.


O formato do concurso é simples e replica a generalidade dos concursos semelhantes, como o «Ídolos». Como o aumento das escolas de dança por todo o lado e com o elevado número de pessoas que fazem da dança um passatempo e uma forma de expressão, o êxito estava garantido à partida: hoje em dia multiplica-se aulas de hip-hop, mas também de sevilhanas, de tango e até mesmo de dança do ventre. Se em cada um de nós há um bailarino escondido, porque não aproveitar o tema para um concurso? O racional é perfeito e funciona.


Na realidade mais de três milhões de pessoas assistiram à estreia do concurso e o clima criado nesta primeira emissão do programa é garantia de que ele pode ser uma excelente arma de fidelização de audiências: a cena de choro de dois membros do júri quando se viram forçados a afastar uma concorrente vai entrar na história destes concursos: subverteu-se a lógica habitual de serem os concorrentes a chorar e o júri mostrou as suas emoções – uma cena que, se se repetir, vai de certeza ser um factor adicional de empatia entre o programa e as audiências televisivas.


É engraçado como este júri surge logo de início com uma imagem mais humana e menos agressiva – desde Miguel Quintão, um homem da rádio e da música com perfeito domínio das novas tendências e capaz de contextualizar as escolhas dos concorrentes na cultura urbana contemporânea, com as apreciações técnicas de Marina Grangioia (que tem uma excelente expressividade facial e gestual enquanto os concorrentes actuam) e de César Augusto Moniz, estes dois últimos profissionalmente ligados á dança há muito tempo. Bela estreia, palpita-me que temos programa de sucesso e um arrasador de audiências.


 

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publicado às 11:07

ROSSIO – António Costa decidiu fazer uma experiência piloto na Praça do Rossio, para combater o mau hábito de atirar pastilhas elásticas já mastigadas para o chão. A ideia é boa mas vê-se logo que Costa anda mais tempo com os olhos no chão do que com a atenção no ar: se no Rossio, sobretudo ao fim da tarde, olhasse não para o chão, mas para o que está à sua volta veria que tem muito com que se preocupar antes de chegar às pastilhas elásticas. Bastaria pensar no estado em que na maior parte dos dias se encontram as escadarias do Teatro Nacional, a sujidade dos passeios e da Praça, bastaria ver as actividades pouco recomendáveis que se processam em todos os cantos. Uma Praça que é o centro de uma cidade não pode ser um território no estado a que o Rossio chegou.
 
 
SUBMARINOS – Isto é um ping-pong: sai notícia incómoda para Sócrates, sai notícia incómoda para a oposição. Vivemos no reino dos criadores de suspeitas, um reino onde nada se esclarece, nada se apura, nenhuma responsabilidade é avaliada. Portugal é o país dos escândalos interrompidos, da culpa sem julgamento, do crime sem castigo. Até a Comissão de Ética da Assembleia da República dá triste imagem de si própria pela novela que tem alimentado. Já há personagens demais nesta história para o enredo ser credível. A Comissão está a desacreditar-se a si própria.
 
CONGRESSO – O convite de  Pedro Passos Coelho a Paulo Rangel para encabeçar a sua lista ao Conselho Nacional, e a Aguiar Branco para dirigir a revisão do programa do partido, propostas que serão votadas no Congresso do PSD no próximo fim de semana, é um sinal de que alguma coisa está a mudar. O facto de Paulo Rangel e Aguiar Branco terem aceite o convite é outro sinal, muito importante, de que assumir as diferenças é a melhor forma de construir uma unidade duradoura. Tudo indica agora que a próxima segunda-feira, depois do Congresso, marcará o regresso do PSD à luta política. Isto é bem mais interessante que outras distracções que têm ocupado o tempo dos analistas políticos. 
INVEJA – O pior que existe nos portugueses – o espreitar os outros,  a inveja, fazer a denúnciazita - voltou esta semana em grande força. No sempre indispensável blogue Albergue Espanhol, António Nogueira Leite resumiu a situação das críticas às remunerações dos gestores de diversas áreas numa frase lapidar:« If you pay peanuts, you get monkeys». No universos dos tweets nacionais cito aqui um, de João Villalobos, que me ficou na memória: « Vejo gente criticada por darem ganhos a ganhar; gostava de ver críticas aos que ganham, mesmo contribuindo para percas consecutivas». Por esta boa lógica devíamos começar a fazer um levantamento dos responsáveis a quem devemos pedir indemnização por perdas e danos ao país, não só nos resultados práticos dos números, como nos gastos devidos ás orientações que deram a gestores de empresas onde o Estado ainda está presente.
 
VER – Carlos Medeiros é um fotógrafo e actor dos Açores, com um percurso já longo. A sua exposição, que esta semana inaugurou na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa (na Rua Barata Salgueiro, à Avenida da Liberdade), foi feita em colaboração com o Cineteatro Micaelense e mostra imagens a preto e branco, com base em película e numa impressão exemplar, fabricadas pelo autor como se fossem instantes ocasionais de uma narrativa. Fazendo nalguns momentos evocar fragmentos da obra de Duane Michals (uma boa influência), esta exposição, «insomnia», joga com sequências de imagens e com um olhar por vezes quase surrealista - 32 imagens. realizadas durante uma noite num mesmo quarto. «insomnia» é uma ideia bem concretizada, estará na Cinemateca até 31 de Julho e merece uma visita.
 
LER – No final dos anos 60 Patti Smith chega a Nova Iorque para descobrir a grande cidade. Casualmente encontra Robert Mapplethorpe e os dois estabelecem uma ligação, cuja cumplicidade se manterá até à morte dele. Na altura eram ambos ilustres desconhecidos que queriam desesperadamente mostrar o talento que sentiam ter e afirmarem-se como artistas. «Just Kids», escrito por Patti Smith, é a história do amor entre ambos, da amizade que depois os uniria, das descobertas que foram fazendo, mas também do apoio que sempre deram um ao outro, a nível pessoal e criativo. É um livro tocante, pela ingenuidade da narrativa, mas também pela naturalidade como as coisas se passaram. É, também, um livro de história, porque nos ajuda a perceber a Nova Iorque de final dos anos 60 e início dos anos 70, porque nos faz descobrir o papel de locais como o Chelsea Hotel, onde a certa altura quase tudo se passave e onde Jimi Hendrix se podia cruzar com Janis Joplin, ou, ainda, o papel que diversas outras figuras tiveram na criação artística contemporânea. «Just Kids» é um livro apaixonante, uma das obras que maior prazer me deu ler nos últimos meses. Edição Bloomsbury, via Amazon UK.
 
OUVIR – O disco que me tem deliciado nos últimos dias é de um novo grupo português, Orelha Negra, que vive agarrado à ideia de divulgar o funk, criar ritmos, fazer agitar as águas e mostrar o trabalho de grandes músicos como Sam the Kid, Dj Cruzfader, Francisco Rebelo, Frederico Ferreira e João Gomes – que são os participantes no projecto. Ao longo dos 12 temas do álbum desenvolve-se um trabalho musical notável com canções verdadeiramente surpreendentes. Destaque ainda para todo o conceito gráfico de Pedro Cláudio que torna este CD num objecto visualmente invulgar e único.
 
PETISCAR – Um cozido à portuguesa é um somatório de petiscos – as couves, cada um dos enchidos, o caldinho. Não sei bem por qual razão instaurou-se a ideia de que o cozido tem dia obrigatório – a quarta-feira (deve ser para retemperar forças a meio da semana). Confesso o meu descuido por não ter ainda experimentado o cozido à moda do «Salsa & Coentros», feito com enchidos de porco preto e com as carnes mais magras, abundante nas couves e com caldo saboroso. Ainda para mais vem acompanhado de uma deliciosa sopinha quente do cozido, feita com pão, hortelã e caldinho. É claro que depois a tarde é algo penosa e o espírito tende a vaguear pelos campos primaveris. Mas um dia não são dias e vale mesmo a pena experimentar este cozido das quartas no «salsa & Coentros» - Rua Coronel Marques Leitão 12, junto aos Bombeiros e ao mercado de Alvalade, reserva recomendada pelo telefone 218410990.
 
BACK TO BASICS – Nada é permanente, salvo a mudança - Heráclito

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publicado às 13:19

INDÚSTRIAS CULTURAIS

por falcao, em 09.04.10

(Publicado no Jornal Metro)


 


Durante dois dias, por iniciativa da Presidência Espanhola da União Europeia, representantes dos Estados Membros debateram em Barcelona os novos desafios que se colocam a todos os que estão ligados às actividades do sector da Cultura. Infelizmente em Portugal teve muito pouco eco este Forum Europeu das Indústrias Culturais, praticamente limitado á notícia da presença da Ministra da Cultura no encerramento da reunião. O tema principal do Forum cujo tema principal do Forum foi a legislação da propriedade intelectual no novo mundo digital, como base para que as industrias culturais e criativas se possam desenvolver em todo o seu potencial. Para situarmos as coisas, estamos a falar de um sector – as industrias criativas e culturais – que representa já 3,1% de todos os postos de trabalho dos 25 Estados da União Europeia, tendo uma contribuição para o PIB europeu que atinge 2,6%, mais que o sector químico ou têxtil, por exemplo. A Comissão Europeia está a preparar um Livro Verde sobre este sector, que será divulgado no final do corrente mês. Vamos ver o que, agora, cada Estado membro fará para garantir o fomento das indústrias culturais e a competitividade no mundo dos conteúdos digitais, com um conjunto de legislação que proteja os direitos de produtores e autores. O Forum pediu ainda a atenção de cada Estado para o desenvolvimento de programas educativos específicos que tenham em conta as especificidades desta área. Deste ponto de vista é sintomático o balanço de uma pós graduação em Gestão e Empreendedorismo Cultural, do ISCTE/INDEG, cuja primeira edição terminou recentemente. O problema é que no curso, que contou com a recomendação de organismos do Ministério da Cultura, questões tão cruciais e decisivas, como a gestão dos direitos, a exploração de royalties, ou as técnicas de fund raising estiveram praticamente ausentes. Da mesma forma a importância – sistematicamente descurada - do marketing, da estratégia publicitária e da utilização, neste contexto, das redes sociais foram também pontos quase ignorados. Uma nova política cultural também passa por questões como estas.

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publicado às 08:53

CULTURA – «A principal matéria prima é a capacidade de criar e inovar», sublinhou Odile Quintin, Directora Geral de Educação e Cultura da Comissão Europeia, na abertura do Forum Europeu das Indústrias Culturais, que decorreu em Barcelona no início da semana, com representação oficial do governo português. Não deixa de ser curioso que numa recente entrevista Gabriela Canavilhas se tenha discretamente demarcado do conceito de indústrias culturais, colocando de novo a tónica nos subsídios concedidos pelo Estado e fugindo a traçar planos de incentivo a iniciativas sustentáveis no sector. Mais preocupante é o facto de a Ministra da Cultura retomar o discurso de colocar o Estado como árbitro da qualidade no momento da atribuição dos financiamentos. Questões fulcrais para possibilitar uma dinamização do investimento no sector, como incentivos fiscais especiais (das artes plásticas ao audiovisual) ou uma Lei do Mecenato mais ambiciosa e eficaz são deixados completamente de parte. E na mesma entrevista a Ministra afirma, preto no branco, que o caminho que pretende seguir não é o de garantir um grande orçamento para o Ministério que dirige. 


 


ENSINO – Precisamente sobre o ensino relacionado com as indústrias culturais, aqui há um ano atrás formulei muitas reservas sobre uma pós graduação em Gestão e Empreendedorismo Cultural, do ISCTE/INDEG. Agora que terminou essa primeira pós graduação cabe dizer que as reservas tinham fundamento: questões tão cruciais e decisivas do ponto de vista do desenvolvimento desta indústria, como a gestão dos direitos, exploração de royalties, marketing, publicidade, redes sociais e fund raising foram praticamente ausentes. Mesmo dando de barato que a gestão do curso foi (por facilitismo?) orientada para museus e função pública, a verdade é que o conteúdo privilegia a noção estatal da cultura em detrimento da visão de desenvolvimento de uma economia assente no desenvolvimento das industrias criativas e culturais.  


 


PSD – Pedro Passos Coelho venceu folgado, trabalhou para isso e juntou um vastíssimo leque de apoios. O mais difícil começa agora, com o arrumar da casa, com a forma de relacionamento das clientelas internas sequiosas de poder, com a concretização das verdades gerais em propostas políticas concretas e, sobretudo, com a forma de fazer oposição e disputar a sua liderança. Com um PP parlamentarmente muito activo, com Paulo Portas a ser, para um número crescente de eleitores, a cara da oposição a Sócrates, e com a capacidade de marcação da agenda política que os Populares têm sabido gerir, como recentemente na educação e na segurança, o grande desafio imediato de Passos Coelho é disputar a liderança da oposição sem descurar a possibilidade de alianças futuras que permitam uma nova solução governativa. 


 


NÚMEROS - Um estudo recente mostra um dado aflitivo: nos últimos três anos a taxa de execução do QREN foi de 23,5 por cento e dos 8,3 mil milhões de euros que a Comunidade Europeia disponibilizou para Portugal, ficaram por utilizar 6,3 mil milhões. Contra números destes não há grandes argumentos, mas deviam ser procurados responsáveis – a começar pelo Governo – e deveria ser analisado o que falhou. Na situação em que estamos este funcionamento perdulário é mais que irresponsável – é criminoso. Sócrates chegou ao poder a bramar contra a má gestão da coisa pública. Os números do deficit, os números do endividamento externo e os números da execução destes programas comunitários não deixam dúvidas sobre o que de facto é uma péssima gestão do PS. 


 


LISBOA – O vereador Gonçalo Reis publicou um belo artigo sobre a verdade dos números do orçamento proposto para a Câmara Municipal de Lisboa, com três meses de atraso, por outra paladino da gestão eficaz, António Costa: crescimento da despesa corrente em 6,2% para 492,4 milhões de euros, fornecimentos e serviços externos a aumentarem 26,4% para 30,9 milhões de euros, deficit previsto no exercício de 2010 de 115,4 milhões de euros, investimentos previstos a três anos no valor de 669,6 milhões de euros sem indicação de como serão financiados. As contas de Lisboa apresentadas pela equipa de António Costa são uma trapalhada. Claro que agora há-de dizer que a ausência de orçamento aprovado se deve à oposição e não à sua incapacidade. 


 


LER – A palavra «Money» em destaque é o elemento comum nas mais recentes edições das revistas Vanity Fair e Wired, por acaso ambas do grupo editorial Condé-Nast e por acaso ambas com edições preparadas para o iPad, cujo lançamento está por dias. Digital à parte, são duas boas edições em papel. A Wired dedica-se ao futuro do dinheiro virtual, em novas formas digitais. E a Vanity Fair centra a edição na continuação de Wall Street com Michael Douglas no papel de Gordon Gekko, nas sequelas do crash de há um ano e nas novas fortunas nascidas na crise. Revistas assim há poucas. 


 


OUVIR – É uma delícia ouvir um disco feito por bons músicos pelo prazer de tocar boa música – a descrição aplica-se que nem uma luva a Hats And Chairs, dos Soaked Lamb, uma banda portuguesa que revisita os sons do vaudeville norte-americano, com referências claras ao blues e a New Orleans. Destaque para Mariana Lima, a vocalista e saxofonista que contribui para que este seja um dos discos portugueses dos últimos tempos que mais gozo me deu. 


 


VER – Medina Carreira e Nuno Crato, moderados por Mário Crespo e com a presença de mais um convidado em cada semana, fazem de «Plano Inclinado» um dos melhores programas de debate da televisão portuguesa. Passa na SIC Notícias ao sábado às 22h00, com repetições noutros horários e sempre disponível na internet. 


 


DESILUSÃO – Vítima de algumas descrições entusiásticas, resolvi um dia destes experimentar um estabelecimento intitulado OPAQ, que se apresenta como um restaurante e bar muito ligado à moda e ao mundo da moda, muito glamour e coisa e tal.


A decoração adequa-se à descrição, mas a coisa fica por aí. A comida era apenas mediana, o serviço bem intencionado mas frouxo, a lista de vinhos curta e mesmo assim com algumas faltas. A terminar não havia outro vodka sem ser Eristoff – o que é uma má ideia – e nada de Visa, apenas Multibanco. Fraco, fracote. Boqueirão do Douro 50 (ao Conde Barão), telef 213 940 602. 


 


BACK TO BASICS – As ideias são o motor do progresso – Dalai Lama 

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