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MUNDO TV

por falcao, em 28.05.10

(Publicado no diário Metro do dia 25)


 


A SEMANA DA SIC


Vai uma guerra aberta nos canais de televisão: a SIC conseguiu o seu melhor resultado semanal do ano, com um share de 25% nestes últimos oito dias, colada à TVI que teve 26,6% e a com uma confortável vantagem sobre a RTP, que teve 22,7%, apesar dos resultados conseguidos com a final da Liga dos Campeões, no sábado. O cabo, no mesmo período, atingiu 20,7% - um quinto das audiências.


A SIC, em época de fim do enredo das novelas, teve bons resultados ao longo de toda a semana e bons números na sua programação de Domingo, graças à Gala dos Globos de Ouro. O resultado é que a SIC venceu destacada a guerra deste Domingo com 30,6%.  Nem o regresso de Marcelo Rebelo de Sousa à TVI,  embora tenha tido um excelente resultado para as circunstâncias, foi suficiente para segurar a liderança nesse dia.


Se olharmos para o top tem dos programas mais vistos da semana, quatro são da TVI (um deles o Jornal da Noite de Domingo com a análise de Marcelo Rebelo de Sousa), quatro são das SIC e apenas dois da RTP – a final da Liga dos Campeões e um Especial Informação com uma entrevista a José Sócrates em pleno período de anúncio de medidas de austeridade – nada de ficção produzida em Portugal entre os êxitos do Serviço Público – a menos, é claro, que consideremos José Sócrates um caso de ficção (mas isso é outra conversa).


No cabo também há mudanças – e esta semana a Fox ultrapassou mesmo o canal infantil Panda, e conquistou pela primeira vez  a segunda posição dos canais mais vistos em sistemas de cabo e satélite, atrás da SIC Notícias.


O mais interessante é analisar o que se passa nos lares que acedem à televisão via um dos operadores de cabo, e que são a maioria nas grandes cidades, na zona litoral e no Algarve :  já só cerca de 2/3 vêem os canais abertos – RTP 1 e 2, SIC e TVI e, quase sempre, a ordem de preferências é TVI, seguida da SIC, da RTP 1, da SIC Notícias e só depois da RTP 2.


A televisão continua a ser um bem muito consumido: a média de tempo de consumo de televisão dos telespectadores portugueses esta semana foi de 3 horas, 59 minutos e 41 segundos.


 


 

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publicado às 11:40

José Sócrates, voando de balão, dá conta de que está perdido. Avista um GNR, aproxima-se dele e pergunta-lhe: 
 - Pode ajudar-me? Fiquei de me encontrar às duas da tarde com um amigo, já estou meia hora atrasado e não sei onde estou...
 - Claro que sim! - responde-lhe o guarda - O senhor está num balão, a 20 metros de altura, algures entre as latitudes de 40 e 43 graus norte e as longitudes 7 e 9 graus oeste.
 - Você é da GNR, não é? - interroga Sócrates
 - Sou sim senhor! Como foi que adivinhou?
 - Muito fácil: porque o que me disse está tecnicamente correcto mas é inútil na prática. Continuo perdido e vou chegar tarde ao encontro porque não sei o que fazer com a sua informação...
 - Ah! O senhor é socialista, não é? 
 - Sou! Como descobriu? 
 - Muito fácil: porque o senhor não sabe onde está nem para onde vai, assumiu um compromisso que não vai poder cumprir e está à espera de que alguém lhe resolva o problema. Com efeito, está exactamente na mesma situação em que estava antes de me encontrar só que agora, por uma estranha razão, a culpa é minha!...

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publicado às 16:11

MÚSICA - No início dos anos 80 existia uma banda pop britânica chamada Fun Boy Three, que teve algum relevo na época. Um dos seus êxitos intitulava-se «The Lunatics Have Taken Over The Asylum». Na passada terça-feira, enquanto assistia à exibição de José Sócrates na RTP, esse foi o refrão que me veio à cabeça e comecei a trautear o que lembrava dessa bela canção. Por acaso ao mesmo tempo dei comigo a pensar que aquele cartaz em que o nariz de Sócrates crescia como o de Pinóquio estava cada vez mais actual.


 


DANÇA - Talvez inspirado pelo êxito do concurso da SIC «Achas Que Sabes Dançar?», Sócrates foi para Madrid dizer que gostava bastante de Passos Coelho como parceiro para o tango – citando a velha máxima de «it takes two to tango» e sublinhando a importância do entendimento entre ele e o líder da oposição. Mas os últimos dias têm mostrado uma táctica curiosa: Passos Coelho faz um acordo com Sócrates e no momento seguinte algum Ministro vem dizer o contrário do acordado ou vem tentar esticar a corda, ou alterar os termos, prazos ou conteúdo do acordo; o passo seguinte é Sócrates arredondar o combinado, deixando espaço de manobra. Fico sempre com a impressão que isto não é descoordenação inter-governamental, é expediente para ver até onde se consegue ir sem se ser topado.


 


DIFERENÇAS - Tenho estranhado muito o silêncio à volta do furto de dois gravadores no Parlamento. Os gravadores foram furtados a dois jornalistas da revista «Sábado» por um deputado do PS, Ricardo Rodrigues, há mais de duas semanas. O PS, em bloco, veio defender a atitude do seu deputado. Ora eu acho que alguém que furta, que rouba, não é uma pessoa de bem e acho que quem defende a atitude do furto não pode ser considerado pessoa de bem. Que diria Francisco Assis se o autor do furto fosse um deputado de outro partido? E, porque se calaram, em geral, os vários partidos parlamentares sobre este caso, um furto, filmado, nas instalações da própria Assembleia? Às vezes ponho-me a imaginar o que teria sido se este caso acontecesse, por exemplo, no Governo Santana Lopes, com um deputado do PSD – e fico com a sensação de que a democracia portuguesa, os políticos, os partidos, a imprensa e a opinião pública têm pesos e medidas bem diferentes conforme a cor política dos intervenientes. Ricardo Rodrigues tem fama de ser amigo de Carlos César, o líder do Governo dos Açores, que não nega a amizade. E dizem que o homem dos gravadores mantém muita influência nalgumas decisões de organismos públicos dos Açores. Toda esta situação é muito estranha – até o silêncio do também açoreano Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama.


 


BANCA - No dicionário Webster há duas definições para a palavra Bank. Uma diz que é uma entidade que «se dedica a guardar, emprestar, trocar ou emitir dinheiro, podendo conceder crédito e facilitar a movimentação de quantias»; a outra é «alguém que se dedica a gerir uma casa de apostas ou de jogo». Que recorda estas definições é o editor da «Vanity Fair», Graydon Carter, sublinhando que a primeira citação corresponde à ideia geral do que as pessoas de bom senso entendem ser um banco e a segunda é a descrição da verdadeira actividade de grande parte da banca nos dias de hoje, especulativa e arriscada. Isto é mais que um jogo de palavras – é parte da explicação dos problemas que estamos a viver.


 


LER - As estrelas do mundo contemporâneo são desportistas, músicos pop e rock e actores. A mobilidade social mais evidente e mais brusca agora é feita através de carreiras nestas áreas, fortemente mediatizadas. A capa da revista «Vanity Fair» de Junho – mês do Mundial - é uma fotografia feita por Annie Leibowitz a dois futebolistas, Didier Drogba da Costa do Marfim (joga no Chelsea) e Cristiano Ronaldo de Portugal (a jogar no Real Madrid). Ambos têm apenas vestido um slip criado especialmente pela marca que patrocina cada um, estampado com a respectiva bandeira nacional. Não deixa de ser curioso que no meio de toda a crise Portugal chegue pela primeira vez à capa de uma das mais prestigiadas revistas norte-americanas com um homem em cuecas Armani verde-rubro e com uma visível boa forma física. Curiosidades à parte, o portfolio de Annie Leibowitz é excepcional e mostra uma dezena dos melhores futebolistas que vão estar no Mundial.


 


VER – Duas curiosas exposições, radicalmente diferentes: na Lx Factory, na galeria Netcast, Inês Norton evoca em «Zoom In Zoom Out» a arte africana a partir de fotografias de Pedro Norton de Matos, usando cores fortes, colagens, motivos étnicos; na Fundação das Comunicações (R D. Luis), Daniela Ribeiro faz interpretações da visão através da utilização de peças electronicas de telemóveis numa instalação intitulada «Olho Biónico» e que é a mais conseguida mostra da artista até à data.


 


OUVIR – O mais recente disco do contrabaixista Carlos Bica foi gravado ao vivo em três concertos, na Culturgest, na Casa da Música e no Museu do Oriente, todos em 2008, e é um bom exemplo dos novos caminhos que Carlos Bica procura na sua música. Acompanhado por Matthias Schriefl no trompete, por João Paulo no piano, por Mário Delgado na guitarra eléctrica e João Lobo, na bateria, Bica mostra o seu talento de solista e de arranjador percorrendo temas da sua própria autoria (destaque para o enérgico «D.C.» e também para «Canção Número Dois» e «Roses For You»), uma composição de João Paulo, outra de Marc Ribot e uma bela versão de «Paris, Texas», de Ry Cooder. É um grupo de músicos de eleição e o resultado destas três sessões de gravações ao vivo é absolutamente fora de série. CD Cleanfeed.


 


PROVAR – Se estiver perto do Conde Redondo e lhe apetecer um sabor do Líbano vá direito ao restaurante Fenícios. Rezam os livros que a cozinha libanesa tem influências árabes, turcas e francesas, um tempero delicado de grande variedade de especiarias e ervas aromáticas. Peça um sortido de entradas para começar e sentirá a diversidade dos paladares. Depois talvez um dos típicos pratos de borrego ou carneiro – peça conselho ao proprietário que ele gosta de ajudar na escolha. Para rematar prove um doce de pistáchios. A conta é razoável, o ambiente é simpático e a experiência é muito boa. Rua do Conde Redondo 141 A, telef 212448703.


 


BACK TO BASICS – Aqueles que não economizam irão ter um futuro de agonia - Confúcio

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publicado às 11:26

QUEM QUER CAÇAR ANGELINA JOLIE?

por falcao, em 21.05.10

(Publicado no diário Metro de 18 de Maio)


 


O próximo filme com Angelina Jolie como protagonista chama-se «Salt» e é um thriller que vai ter uma campanha de publicidade muito pouco tradicional – e que abre todo um novo campo de possibilidades. Em vez de apostarem em anúncios de página inteira nos jornais, ou excertos de trailers para publicidade em televisão, os responsáveis da Sony Pictures decidiram produzir um jogo on line com abundante recurso a redes sociais, nomeadamente ao Facebook.  A campanha teve um orçamento de produção à parte, que incluiu filmagens específicas com sofisticados efeitos especiais. Intitulado «The Day X Exists», o jogo terá nove episódios diferentes, divulgados em semanas sucessivas, com cada novo episódio sempre revelado em dayxexists.com . Quando se vai a esta página salta logo um convite: torne-se num agente secreto que participa na caça à hábil fugitiva Evelyn Salt, ou seja, Angelina Jolie.


O objectivo da Sony com esta operação, que combina um jogo on line com as redes sociais, é conseguir replicar o êxito de jogos como «Mafia Wars», que arrebanhou dezenas de milhões de utilizadores do Facebook. Desta forma o filme e a sua narrativa poderão ser conhecidos em todo o mundo por muitos milhões de potenciais espectadores, numa acção de contacto pessoalizada, que faz de cada jogador um interveniente na própria história, e espera-se alguém ansioso por ir ver o filme sobre cujo argumento esteve a jogar durante nove semanas.


A empresa que produziu o jogo, a Fourth Wall Studios, diz que o objectivo é fazer com que as pessoas falem acerca do jogo e do filme, partilhem a história e se tornem divulgadores do produto. Esta nova tendência não tem a ver com as extensões de alguns filmes em jogos para consolas – estes jogos são gratuitos e após o lançamento do filme, desaparecem. Mas o mais engraçado é que o jogo foi feito por forma a poder captar a atenção das mulheres – é que os produtores de «Salt» confiam que Angelina Jolie é capaz de atrair o público masculino, mas para captar o público feminino a aposta é «The Day X Exists» - irá uma mulher derrotar a espia Angelina Jolie on line?

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publicado às 11:24

PUBLICIDADE   – Na minha actividade, a comunicação e a publicidade, o ano de 2009 foi difícil de passar e depositavam-se algumas esperanças de normalização em 2010. Com quase meio ano percorrido já se percebeu que o grande desejo é conseguir que não existam mais quebras de investimento. Depois de um arranque de ano promissor, a instabilidade geral tem levado os anunciantes a hesitarem, compreensivelmente, no timing das suas campanhas. Adiamentos, replaneamentos, cancelamentos são actividades que hoje em dia já quase ocupam mais tempo que o desenho normal de uma acção. O resultado de toda esta instabilidade não é bom para os anunciantes:  perca de notoriedade, diminuição de eficácia, apagamento de marcas. Recuperar o que se perdeu vai ter sempre um custo – e nem sempre vai ser totalmente conseguido.


 


DESCONTOS – O mercado do espaço publicitário em Portugal vive de tabelas que não são cumpridas e de consideráveis descontos, que responsáveis de marketing de grandes contas pensam que podem sempre continuar a aumentar. Imagino que o que vou dizer não seja muito popular junto dos anunciantes, mas aqui vai: continuar a forçar descontos tem a prazo um efeito inevitável, que aliás já se está a sentir: diminuição da qualidade de conteúdos, seja na imprensa, na rádio ou na televisão. O aumento dos descontos traduz-se na diminuição da receita dos media e isto provoca inevitavelmente uma redução dos custos. Esta redução nos custos chegou ao ponto em que, a continuar a existir, compromete a qualidade dos conteúdos - e assim irá prejudicar as audiências obtidas e, finalmente, a eficácia das campanhas compradas com o desejado desconto reforçado. Quando se compra um espaço publicitário espera comprar-se contacto com audiências. Se os descontos que alguns anunciantes insistem em reivindicar aumentarem, eles poderão comprar o mesmo espaço – mas é garantido que estarão a destruir a qualidade e a quantidade da audiência. Aconselho os adeptos dos hiper-descontos a estudarem com atenção o que tem sido o êxodo de audiências – que é real e não uma previsão. A continuarem assim arriscam-se a conseguir grandes descontos e fracos resultados – ou sejam, exagerando, arriscam-se a anunciar no deserto – um deserto de que foram também responsáveis.


 


PRESSÕES – Numa altura em que quase toda a gente cede a pressões em nome da sobrevivência, é de saudar a coragem da PT em não ceder à pressão da Telefonica, de Espanha, no caso da proposta de compra da participação portuguesa no operador móvel brasileiro Viva. Mais do que pensar nos resultados imediatos, a PT está a pensar no longo prazo, a ter consciência dos limites criados pela dimensão do nosso mercado local e da necessidade de contornar esse limites,  crescendo no exterior. Se o resto do país agisse como a PT nesta matéria talvez estivéssemos em melhor posição. O curto prazo tem sido o pecado mortal de Portugal nos últimos anos.


 


REALIDADE - Das promessas eleitorais, dos fantásticos planos feitos à pressa, passámos para um governo sem ideias, ziguezagueante, incapaz de mostrar uma estratégia. Leio nos jornais que o Governo, finalmente e de semblante contrariado, se prepara para fazer um esforço maior de reduzir o défice. Mas é com surpresa que vejo que esse esforço não é feito sobretudo de poupanças, de cortes nos custos e na despesa, mas fundamentalmente através das receitas de novos impostos. Da próxima vez que cada um de nós for votar vale a pena ver quanto se cortou na despesa e quanto se foi buscar ao aumento da receita, que é como quem diz, aos nossos bolsos. A política faz-se com resultados , com símbolos e com sinais. Um Governo que não dá sinais de querer aumentar a produtividade nem reduzir custos necessariamente está a dar um péssimo sinal para toda a sociedade.


 


FACTO  - Os consumidores domésticos de electricidade em Portugal pagam hoje mais em subsídios do que em energia eléctrica propriamente dita, mostram os dados da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), nos documentos oficiais que suportam as tarifas fixadas para 2010.


 


PREVISÃO - Na situação em que estamos faz todo o sentido ler «The Next 100 Years», o livro publicado no ano passado por George Friedman, o mentor da Startfor, uma agência privada que se dedica a recolher e a estudar informação sobre as principais tendências mundiais. Do papel dos Estados Unidos na cena mundial à probabilidade de fragmentação da China, passando pelo conflito com a Al-Qaida, até ao apagamento da Europa Ocidental face a um novo bloco centrado na Polónia, o livro, escrito de forma cativante, leva-nos até ao cenário de uma terceira guerra mundial, no início da segunda metade deste século. Com base em abundantes informações e num grande conhecimento da geopolítica, Friedman descreve as próximas décadas como se estivesse a ler uma bola de cristal – mas tendo em conta o número de vezes em que ele acertou nas suas análises ao longo dos últimos anos, mais vale tomar alguma atenção ao que ele diz.  «The Next 100 Years» - George Friedman,  na Amazon.


 


OUVIR - Gil  Scott Heron, 61 anos, não gravava há década e meia mas este novo «I’m New Here» é um belíssimo regresso, mostrando uma faceta mais intimista e melancólica de um dos precursores do hip-hop, um dos autores que melhor soube conjugar música com poesia. O título, curioso porque Gil Scott Heron faz neste disco um inesperado balanço da sua vida, serve de cartão de visita para a actual digressão que aliás passa por cá nestes dias: dia 15, sábado, na Casa da Música no Porto e dia 17, segunda-feira, na Aula Magna em Lisboa. O disco é verdadeiramente fora de série e os espectáculos têm tradição de serem memoráveis.


 


PETISCAR – O Funil está a funcionar há quase 40 anos nas Avenidas Novas com uma linha clara: comida tradicional portuguesa em ambiente confortável e recatado. Nas proximidades é do melhor que se pode encontrar, na relação qualidade-preço. Das lulas recheadas a favas guisadas com entrecosto, passando por cataplanas de borrego ou garoupa, as propostas são variadas. O serviço é atencioso e a garrafeira é razoável. Bom para uma conversa sossegada ao almoço. Avenida Elias Garcia 82 A, telef 217 966 007.


 


BACK TO BASICS –   Ter dúvidas não é uma condição agradável, mas ter certeza é um absurdo - Voltaire

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publicado às 11:22

MEMÓRIA - Há sete anos, e noutro contexto, escrevi este texto: «Das duas uma: ou isto das escutas se resolve e esclarece ou vai acabar por destruir o próprio processo onde nasceram. Das duas uma: ou o segredo de justiça começa a ser levado a sério, ou da maneira como as coisas estão hoje em dia vai deixar de haver justiça de vez.


Das duas uma: Ou este processo provoca resultados, ou o povo em geral deixa mesmo de acreditar nisto tudo.» -  Como me recordaram esta semana tudo isto se mantém terrivelmente actual.


 


POLÍTICA - A absolvição no chamado processo Parque Mayer de Carmona Rodrigues e de dois dos seus vereadores, Fontão de Carvalho e Eduarda Napoleão, volta a colocar uma questão que merece resposta: pode o sistema judicial ser manobrado para atingir objectivos políticos? Tudo indica que sim e que a queixa então feita por Sá Fernandes ao Ministério Público teve apenas intuitos políticos. A sentença de absolvição afirma ser «impossível de retirar, do comportamento dos arguidos, qualquer responsabilidade criminal». É bom recordar que  a suspeição, a acusação pública e depois o processo do Ministério Público foram a causa directa da queda prematura do então Presidente da Câmara e da eleição de António Costa em sua substituição. E já agora é bom recordar que José Sá Fernandes vai somando derrotas nos Tribunais e prejuízos à Cidade – patrimoniais no caso do Túnel do Marquês e políticos neste lamentável incidente de manipulação do sistema judicial.


 


REALIDADE - A sentença agora proferida tem, ainda, outro aspecto: os juízes chamaram - e bem - a atenção para o facto de ter sido a Assembleia Municipal de Lisboa a aprovar o negócio que levantou suspeição, considerando, preto no branco, que os deputados municipais tinham tido um comportamento pouco responsável. O funcionamento das Assembleias Municipais e a sua constituição são dos aspectos que precisam de ser revistos urgentemente. Tal como estão – e falo do caso de Lisboa, que conheço-  as Assembleias Municipais são mini-parlamentos que servem apenas para fazer desfilar mini-vaidades. Os períodos de antes da ordem do dia são ridículos e penosos, o afastamento em relação ao dia a dia da autarquia e da cidade é total e os líderes partidários limitam-se a transformar a Assembleia num palco para a afirmação das posições das respectivas agremiações sem ligação alguma com a realidade. Um estudo sobre a utilidade do tempo dispendido nas assembleias Municipais havia de dar resultados interessantes – nomeadamente na de Lisboa.


 


SEMANADA –Como bem titulou o diário «Metro», o TGV segue pela via da esquerda, graças ao apoio conjunto do PCP, do BE e do PS a esta obra; O caso do patrocínio do Taguspark a Figo, que coincidiu com o apoio de Figo a Sócrates, e que há um mês todos os envolvidos juravam ser uma coisa trivial, já provocou a queda da maioria dos membros executivos do respectivo Conselho de Administração; No mesmo dia em que se soube que Portugal é considerado dos países mais eficazes a cobrar impostos, foi também noticiado que os conflitos fiscais em tribunal subiram 14% em 2009; A primeira reacção à candidatura de Manuel Alegre veio de Fernando Nobre, que sublinhou o facto de ela ser uma candidatura partidária, com o apoio do Bloco de Esquerda – acusando ainda Alegre de andar a piscar o olho ao PS;


 


A CITAÇÃO - «Trata-se de ex-Ministros que tiveram o seu tempo» - António Mendonça, Ministro das Obras Públicas, sobre os nove ex-Ministros que vão ao Presidente da República manifestar posição contra os grandes investimentos previstos pelo Governo.


 


LER – A edição de Maio da «Monocle» é um exemplo do peso crescente do Brasil. Otema de capa é a política externa de Brasília e lá dentro está uma curiosa reportagem sobre o funcionamento do Itamarati e também uma página sobre a influência de Lula . O subtítulo diz tudo – « como o amarelo e verde estão a substituir o vermelho, branco e azul na diplomacia internacional». Outro tema imperdível nesta edição: o que faz o sucesso de um museu? – um belo dossier com uma cuidada análise de algumas das melhores coisas que se fazem por esse mundo fora nesta área e a lista dos museus incontornáveis – onde não consta nenhum português.  A directora do Museu de Design da paróquia faria bem em ler todo o dossier e em especial a parte sobre o Museu de Design de Israel. Conhecer o que se passa à nossa volta, nem que seja no Mundo, ajuda-nos a ter perspectiva – a frase também se aplica ao regedor da paróquia lisboeta, António Costa – sobretudo porque lhe fazia bem seguir a série, iniciada nesta edição, sobre os desafios que se colocam às cidades e o futuro do ambiente urbano.


 


OUVIR – Aqui há semanas um disco intitulado «Muxima», feito a partir de canções do Duo Ouro Negro, despertou-me a curiosidade e fui comprá-lo. Fiquei bastante frustrado quando o ouvi – aquelas canções que eu recordava tinham perdido alma, ritmo e entusiasmo. No entanto reganhei o sorriso quando apareceu uma colectânea, «Perfil», que agrupa as versões originais, pelo Duo Ouro Negro, de 22 dos seus êxitos, como «Eliza», «Maria Rita», «Vou Levar-te Comigo», «Mucxima» ou «Kurikutela». É nas versões originais do Duo Ouro Negro que se percebe o seu talento e a genialidade dos músicos que tocavam com eles quando estas gravações foram feitas, a meio da década de 60.


 


VER – Eu não gosto particularmente da maneira como foi instalado e vive o Museu de Design – no meio de escombros, com dificuldades de circulação, de acolhimento e de iluminação. Mas a exposição que lá foi inaugurada há dias, sobre a obra do designer português António Garcia, merece ser descoberta. Desde capas para livros a mobiliário, passando por projectos de stands em feiras e logótipos de marcas, António Garcia teve uma actividade riquíssimna e polifacetada que bem merece ser descoberta. Até 4 de Julho, na Rua Augusta 24


 


VISITAR – É uma pequena exposição – meia dúzia de desenhos cuidados e misteriosos, intrigantes, atraentes. São obras de Teresa Gonçalves Lobo, expostas sob o título «Silêncios» na livraria Babel, Rua da Misericórdia 68 – até 31 de Maio.


 


 


 


ESPLANADA – Nestes dias de sol sabe bem a esplanada «Mensagem», no Altis Belém, perto da  Doca do Bom Sucesso Experimentem as várias saladas, aventurem-se no Bife Belém e deixem-se tentar pelo rosé Touriga Franca Vale das Areias. Na sobremesa não se arrependerão se escolherem o milfolhas de framboesa. Reservas pelo telefone 210400208.


 


BACK TO BASICS –   «Cada um é tratado segundo as suas obras» , da Bíblia.


 

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publicado às 11:22

XADREZ – A notação da Standard & Poor’s foi a chicotada psicológica que fez PS e PSD entrarem de repente num cenário de total pragmatismo, à moda da «realpolitik», procurando entendimentos práticos em detrimento de bases políticas. No cenário actual esta actuação, orientada a resultados, vai proclamar a sua bondade e necessidade  para assegurar interesses nacionais, requerendo que se comprometam princípios ideológicos. Até aqui tudo bem. Mas a «realpolitik» é um jogo de xadrez feroz e tenho alguma curiosidade em ver como Sócrates e Passos Coelho vão movimentar as peças. E quem no fim termina com a desejada expressão «xeque-mate».


 


PRODUZIR – Qualquer que seja o jogo de xadrez que os políticos decidam fazer, há uma curta nota na avaliação da Standard & Poor’s sobre Portugal que, sendo cínica, põe no entanto o dedo na ferida: as medidas de contenção são boas, mas correm o risco de não favorecer o desenvolvimento da economia. No fundo há um horizonte que não pode ser perdido: quando se tem dívidas tem que se produzir mais para garantir o pagamento do que se deve; o nosso problema é que o nosso crescimento económico é baixo. Temos que produzir mais, vender mais. Isto quer dizer, como sempre e em qualquer caso, estudar e definir uma estratégia, desenvolvê-la e não andar sempre aos zigue-zagues. Parece básico mas a realidade é que isto não tem sido feito.


 


CRISE –A posição da Alemanha em toda a crise europeia é muito ditada pela proximidade das eleições regionais do próximo dia 9 de Maio, em que existe o risco de se esvaziar a coligação que sustenta o Governo de Angela Merkel. A oposição acusa a chanceler de esmagar a classe média com impostos, que no fim são canalizados para outros países. O cenário de instabilidade no Reino Unido, com os Liberais Democratas a arriscarem uma votação histórica no próximo dia 6, também condiciona o desenvolvimento próximo de uma posição europeia sobre a situação grega  - que é o mesmo que dizer sobre a crise que ameaça o euro.


 


SEMANADA –  Quem não quer saber do que se passa na Grécia nem na Europa é Manuel Alegre que apresenta a sua candidatura presidencial formalmente dia 4; a Assembleia da República foi paralisada por uma greve dos funcionários de apoio; o melhor discurso das cerimónias do 25 de Abril coube a Aguiar Branco com as suas citações de Lenine a Sérgio Godinho, mas sobretudo com a forma como gozou com o preconceito e como mostrou que a liberdade deve estar acima das ideologias; a melhor citação da semana vai para Domingos Amaral, que no «Correio da Manhã», e citando o discurso de Cavaco sobre a necessidade de Portugal se virar para o mar, escreveu: «Se formos cínicos podemos sempre lembrar que já investimos no mar muito dinheiro com a compra de dois submarinos. Se calhar é esse o nosso maravilhoso destino marítimo: usar os dois novos e caríssimos periscópios à procura de um novo milagre económico…»


 


CURIOSIDADE – As Comissões de Inquérito na Assembleia da República têm servido para evidenciar uma coisa muito curiosa: pelos vistos há imensos gestores de grandes empresas que não fazem a mínima ideia do que se passa dentro das casas que são supostos administrar.


 


 


 


VER –A partir desta semana há uma nova razão para se ir ao Lux: ver as instalações que um grupo de dez artistas plásticos lá colocou e que nos próximos dez meses transformam todo o espaço. Com o título «O dia pela noite» este conjunto de dez instalações é a forma de o Lux assinalar o começo desta nova década. De entre os artistas escolhidos estão alguns dos mais promissores da nova geração. Sem querer fazer destaques deu-me especial gôzo ver a forma como Vasco Araújo trabalhou o espaço da discoteca, como Rodrigo Oliveira interveio sobre a parede do bar principal e a cabina do DJ e como João Pedro Vale cenografou  a entrada do Lux. Mas todas as dez intervenções merecem ser vistas e vividas, do fundo da discoteca, passando por todas as escadas até ao topo do terraço. O conceito foi desenvolvido pelo Lux em parceria com a Fundação EDP - e Manuel Reis está de parabéns por mais uma grande ideia bem concretizada.


 


LER – Não é absolutamente nada inútil folhear e ler a revista «Inútil». É certo que é um raio de um nome para uma publicação, mas também é certo que o título chama a atenção e dá logo vontade de pegar no objecto para descobrir o que lá está. A «Inútil» é uma daquelas revistas movidas pela paixão de fazer e editar. A sua directora, Maria Quintans, usa a revista que criou como se fosse uma galeria onde mostra palavras, desenhos, fotografias, grafismos, textos. É como se cada novo número da «Inútil» (este, dedicado ao TEMPO, é o segundo)  fosse uma exposição colectiva onde  se exploram e mostram várias ideias e vários caminhos.


 


OUVIR – Doris Day nasceu em 1922, começou como cantora numa banda de jazz e tornou-se depois uma estrela de Hollywood. Nellie McKay é bem mais nova, nasceu em 1982, e tem desenvolvido a sua carreira como cantora e como actriz, nomeadamente em stand up comedy. «Normal As Blueberry Pie» é o título do CD que agrupa 13 temas que em tempos foram interpretados por Doris Day, desde «The Very Thought Of You» a «Crazy Rhythm» passando por »Send Me No Flowers»? ou «Do Do Do». Neste disco Nelli McKay fez curiosos arranjos e orquestrações , canta, toca piano e umas percussões ocasionais. É um disco inesperado e divertido, uma bela homenagem a Doris Day..


 


PETISCAR – Volta e meia gosto de voltar aos restaurantes que só frequento ocasionalmente, como acontece com o Casanostra. Nunca fui assíduo do local, mas das vezes que lá me sentei saí sempre bem servido. Com 24 aninhos de vida completados no início de Abril, o Casanostra está na esquina da Rua da Rosa com a Travessa do Poço da Cidade, e surgiu como um restaurante que se propunha mostrar que a comida italiana não se resume às massas e à pizza. A aposta foi bem conseguida e volta e meia ainda me consigo surpreender com pratos que não tinha provado – como uns fígados de pato acompanhados de polenta que estavam absolutamente magníficos. Feitos na frigideira, com um molho consistente e saboroso, tinham um tempero irrepreensível. Casanostra, Travessa do Poço da Cidade 60, telefone 21 342 59 31.


 


 


 


BACK TO BASICS –  Numa crise tenham em conta os perigos mas estejam atentos ás oportunidades -  John F. Kennedy

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publicado às 11:20

AS TRÊS DIMENSÕES

por falcao, em 14.05.10

(Publicado no diário Metro de dia 11)


 


Tudo indica que este vai ser o ano em que filmes em três dimensões se tornam verdadeiramente um hábito que cativa espectadores. As grandes estreias mais recentes têm mostrado  que o público valoriza a experiência em 3D, está disposto a pagar mais por isso e, melhor ainda, a tecnologia está a ser responsável por fazer aumentar as vendas de bilhetes um pouco por todo o mundo – Hollywood espera este ano um novo recorde de receitas apesar da crise. O sucesso obtido pela projecção em três dimensões parece radicar no facto de, graças à tecnologia, se ter descoberto um novo encanto e uma nova magia no acto de ir ver um filme a um cinema.


Na realidade o cinema não mudava muito, do ponto de vista tecnológico, desde há cerca de setenta anos, quando se passou do preto e branco para a cor; o anterior salto tecnológico tinha sido a passagem dos filmes mudos para sonoros no início do século XX; agora, com a massificação da exibição 3D, verifica-se a terceira grande evolução na história do cinema.


Claro que existe ainda o lado desconfortável e pouco estético dos óculos maleáveis em gelatina – mas isso está em vias de ser ultrapassado já que a Ray Ban anunciou que irá lançar a curto prazo óculos para visionamento 3D baseados no modelo Wayfarer e que poderão receber lentes adaptadas às necessidades visuais de cada espectador.


Jerry Katzenberg, um dos sócios da Dreamworks, ao lado de David Geffen e Steven Spielberg, considera que um dos próximos grandes negócios vai ser vender óculos 3D de qualidade a cada um de nós. Dentro de pouco tempo,  diz, cada pessoa terá o seu par de óculos, personalizado e devidamente adaptado, que levará ao cinema ou usará em casa para ver cinema ou televisão em três dimensões. Nos Estados Unidos prevê-se que até final do ano sejam investidos 1,5 mil milhões de dólares na reconversão de ecrãs de cinema para 3D e os grandes fabricantes de televisões dizem que 2011 vai ser o ano da massificação dos aparelhos de televisão em três dimensões. O melhor é começar a procurar uns óculos confortáveis…


 

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