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2011 - Desta vez, quando começo a desejar bom ano aos meus amigos, sinto-me um pouco cínico. Já sabemos que o ano que entra não vai ser bom. Vamos ter maiores dificuldades, os preços aumentam, os impostos aumentam, provavelmente o desemprego aumentará, há uma elevadíssima probabilidade de não passarmos do fim de Março sem o FMI nos bater à porta. O mais engraçado de tudo isto é que a entrada do FMI pode ser, paradoxalmente, o seguro de vida de José Sócrates. Com o FMI em acção diminui-se a possibilidade de se radicalizar a crise política – a começar pelo Presidente da República que for eleito e que pensará ainda mais, antes de qualquer tentação de dissolver a Assembleia da República. Se o FMI entrar em cena muito provavelmente fica afastado o cenário de eleições antecipadas no próximo ano e aumentam as possibilidades de Sócrates chegar ao final desta legislatura. Por este andar, José Sócrates ainda vai acender uma vela a Dominique Strauss-Kahn, o Director Exxecutivo do FMI.


 


2010 - Este ano serviu para mostrar que em Portugal subsistem dois grandes problemas estruturais – uma Justiça que não funciona e que se degrada cada vez mais, e uma corrupção que grassa de forma endémica e tem tentáculos em todo o lado, alimentando partidos, instituições, figuras públicas. De certa forma os agentes da justiça estão hoje tão desacreditados como os políticos. Para o mundo exterior fazem parte do mesmo círculo de sobreviventes que faz tudo para iludir a verdade e manter o poder. O alastrar da corrupção tem a ver com a degradação da justiça, com o sentimento de impunidade que se tornou uma característica da sociedade portuguesa, com a aplicação de dois pesos e duas medidas no dia-a-dia nos mais diversos sectores. A ineficácia da justiça corrói o país e este é um daqueles sectores onde as reformas não têm existido e, ao invés, tudo se tem degradado ainda mais.


 


PERGUNTA – Com o switch off analógico e a implementação da Televisão Digital Terrestre já definido para o primeiro semestre de 2012, quando é que a Anacom esclarece a forma e calendário de escolha dos operadores de canais TDT?


 


ARCO DA VELHA – António Guterres, em entrevista à Única: «Olho para trás com enorme tranquilidade». É preciso ter lata.


 


VER – Nesta semana fui ver «Inside Job - A Verdade da Crise», um documentário de origem norte-americana que faz uma análise factual da crise de subprime de 2008  e que lançou o sistema financeiro mundial no abismo. O realizador é Charles Ferguson e o narrador é Matt Damon. Através de uma investigação cheia de dados e de entrevistas com algumas figuras chave da política, da finança, de universidades, instituições internacionais e da informação, o filme segue o crescimento da influência de uma indústria cujas principais figuras procuraram – e conseguiram – menorizar os organismos nacionais de regulação, manipular e influenciar agências de rating e que permanecem em postos chave do Governo e de organismos oficiais nos Estados Unidos. O filme baseia-se no contraste de depoimentos, no uso de contraditório e é um belo exemplo de cinema documental – tecnicamente escorreito, com todos os intervenientes convenientemente identificados, com uma  banda sonora dinâmica. Não deixa de ser curioso que as entrevistas a responsáveis do FMI pareçam as mais lúcidas na análise do que aconteceu, chamando a atenção para numerosos alertas feitos ao longo do tempo e que não foram escutados. A História não se repete – mas foi isso mesmo que aconteceu em Portugal – avisos repetidos, vindos de todo o lado, olimpicamente ignorados por quem tinha o poder de intervir e mudar as coisas.  Nos Estados Unidos, desde que foi lançado, em meados de Outubro, o filme já fez mais de três milhões de dólares de bilheteira, um número invulgar para a exibição de um documentário. Em Portugal, em cerca de um mês, já ultrapassou os 16.000 espectadores. Quando se sai do cinema, depois de ver este «Inside Job», percebe-se que os implicados nesta história estão por todo o lado – a começar pela Administração Obama – e preparam-se para fazer outra das suas habilidades logo que possam. A título de curiosidade . um dos responsáveis das agências de rating que na véspera da explosão davam boa nota ao Lehman Brothers, diz alto e bem som, numa Comissão do Senado, que se limita a dar a sua opinião e que os ratings nada mais são que uma opinião. Uma poderosa opinião, pelos vistos.


 


LER – Aqui há uns anos, um dos grandes enigmas para os apreciadores de histórias de espiões, era saber como é que escritores como John Le Carré sobreviveriam ao fim da Guerra Fria, à queda do muro de Berlim e à desarticulação da URSS. Pois a verdade é que lá têm sobrevivido, e como se mostra no novo livro de Le Carré, «Um traidor dos nossos», continua a existir forma de construir um enigma e uma história em torno de um casal inglês de classe média e de um Russo de contornos duvidosos. O encontro entre os dois homens, o inglês e o russo, dá-se num court de ténis e é esse o cenário para a definição de personagens e o ponta pé de saída de toda a história. Empolgante, com belos episódios, «Um Traidor dos Nossos» é um regresso de John Le Carré a alguns dos seus melhores momentos, evocando situações do passado, numa mistura bem doseada com o presente, algures entre a nostalgia pelo tempo das longas partidas de ténis nas férias e a realidade do presente, marcada pelo instantâneo dos actos e das notícias.


 


OUVIR – O melhor disco português de 2010 teve a sua edição original em 1970. Chama-se «Com Que Voz» e é considerado, a par de «Busto», a melhor gravação da fadista. David Ferreira, que conhece como poucos a obra de Amália, pegou no disco original e nos arquivos da Valentim de Carvalho e criou uma nova edição. Rodeou-se de pessoas conhecedoras. A nova edição tem dois discos – o álbum original, remasterizado (e ainda mais surpreendente) e um segundo disco, intitulado «A Procura», que revela 19 gravações feitas na época e que eram desconhecidas ou pouco conhecidas, entre as quais alguns inéditos, como por exemplo uma gravação alternativa de «Com Que Voz». Frederico Santiago, que fez a procura nos arquivos e depois dirigiu a recuperação das gravações, fez um trabalho extraordinário. Da edição faz ainda parte um livro, de 88 páginas, no formato do CD, e que agrupa textos de vários autores, contando diversos episódios que marcaram uma época e as pessoas que na altura trabalhavam mais de perto com Amália Rodrigues. É preciso sentir e viver uma dedicação especial para fazer um objecto assim – com respeito pela tradição e com a curiosidade da descoberta; com evocação da memória e a revelação do que estava escondido. David Ferreira é dos grandes editores portugueses e não havia melhor pessoa para ter dirigido este trabalho e nos ter feito redescobrir, ao fim de 40 anos, a grandeza, criatividade e originalidade de Amália Rodrigues.


 


BACK TO BASICS – «Hoje que tanto se fala em crise, quem não vê que, por toda a Europa, uma crise financeira está minando as nacionalidades? É disso que há-de vir a dissolução » - Eça de Queiroz


 

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publicado às 17:10

PRESIDENCIAIS


Os debates televisivos entre os vários candidatos presidenciais estão a ser o «flop» do ano. Discursos redondos, manifesta falta de ideias, mero aproveitamento de oportunidade propagandística, há de tudo um pouco. O outro lado da evidente falta de interesse tem a ver com uma questão de fundo: os cidadãos afastam-se da política e  a culpa não é certamente deles, mas sim dos políticos que prometem uma coisa e fazem outra, eleição após eleição.


No caso concreto do Presidente da República a situação é agravada pelo descrédito em que a função tem caído – os estranhos e oscilantes mandatos de Jorge Sampaio ajudaram a denegrir a função,  e este mandato de Cavaco Silva, que correu entre a crise e o silêncio, foi tudo menos empolgante. Não deixa de ser irónico que no centenário da República a eleição para Presidente esteja a ser tão apagada e tão pouco mobilizadora.


Alguma coisa está mal, profundamente mal, em todos este sistema cada vez mais desfasado da realidade. Depois, claro, há oportunismos políticos que agravam tudo isto: como se pode acreditar num candidato, como Manuel Alegre, que está atado nas críticas ao Governo pelo facto de ser o candidato oficial do PS, e que não diz uma palavra sobre as formas de sair da crise?


 


 


LISBOA


Dos filmes de Vasco Santana e António Silva ficam-nos na memória personagens como o Costa, do Castelo. Infelizmente agora o Costa é outro – tem pouco humor e muita malandrice. Especializou-se em cobrar taxas e mais taxas a quem gosta de viver em Lisboa. O Costa, da Câmara (um apoiante de Alegre, claro) cobra taxas do subsolo e agora quer aplicar taxas para a protecção civil e bombeiros. Por acaso quem vive em Lisboa já cá paga IRS, já paga a contribuição autárquica e as receitas arrecadadas deviam ser para fazer funcionar os serviços da cidade. Mas não – as taxas são para a máquina burocrática da Câmara. Os serviços básicos e de emergência, esses, ficam a descoberto. O que o Costa, da Câmara, anda a fazer é um abuso e dos grandes – anda a meter-nos a mão no bolsos - nas próximas eleições lembrem-se disto. Lisboa está cada vez pior, o  incentivo para cá viver é cada vez menor. É uma pena mas é assim. E enquanto isso o centro da cidade vai definhando e ficando cada vez mais deserto. O ponto é este: a protecção e o funcionamento de uma cidade fazem parte da razão de ser de pagarmos impostos – cobrar mais taxas pelos serviços básicos é abuso e nada mais.


 


 


COMPRAS


Quem por estes dias for a um supermercado fazer compras do Natal vai ficar espantado como há tão pouca coisa produzida em Portugal. De figos secos a guloseimas, de frutas variadas a congelados, cada vez há menos produtos cultivados, transformados e embalados em Portugal. Deixámos de ser um país produtor, mesmo nas coisas onde tínhamos tradição. Um dos efeitos perversos da política europeia foi este de destruir a capacidade agrícola dos pequenos países e de fomentar a exportação pelos grandes produtores. Agora, os grandes países apontam-nos o  dedo porque nos endividámos para lhes fazer compras – em tudo, da indústria à agricultura. A utopia europeia revelou-se uma  perigosa forma de acentuar as diferenças entre os mais ricos e os mais pobres. Apenas os ingénuos acreditam que em Berlim e Paris há quem pense no bem comum. Como sempre, cada um faz por si, à custa dos outros. É uma história que tem séculos.


 


 


PERGUNTA


Donde vem tanta euforia com os sucessos da educação se esta semana foram revelados estudos que indicam que em 45% das escolas os resultados são fracos relativamente ao insucesso escolar?


 


ARCO DA VELHA


A notícia é de estarrecer: PS e CDS receberam a dobrar reembolso do IVA relativo a despesas de campanha eleitoral, apenas porque os serviços que deviam ser competentes não detectaram que existia uma duplicação.


 


 


VER


Até 23 de Janeiro, no Museu da Electricidade, junto ao Tejo, a Fundação EDP apresenta a “As Cidades de Vieira da Silva e Arpad Szenes”., num bem sucedido esforço de complementaridade em relação à Trienal de Arquitectura. Através de 58 obras das colecções da Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva, Metropolitano de Lisboa e de uma colecção particular,  traça-se um percurso de observação do espaço urbano e da presença das pessoas nesse mesmo espaço. Como curiosidade algumas destas obras são agora expostas pela primeira vez. De terça a Domingo, entre as 10 e as 18h00.


 


LER 


A edição de Janeiro da revista norte-americana «Vanity Fair» tem na capa uma extraordinária fotografia de Johnny Depp, executada por Annie Leibowitz. O mais curioso é que a entrevista a Depp é feita Por Patti Smith, sim a mesma que canta e toca. E é uma bela entrevista, a propósito do file «the Tourist», protagonizado por Depp. Outro ponto de interesse nesta edição é um belo artigo sobre a vida de Jacqueline Onassis enquanto editora de livros, com algumas revelações curiosas sobre a forma como ela organizava o seu dia a dia no mundo da edição livreira.


 


REGISTO


«Femina», de Legendary Tiger Man, aliás Paulo Furtado, está  entre os melhores do ano da revista francesa Les  Inrockcuptibles. Merece. Já agora, para a mesma publicação, o melhor disco de 2010 foi «Suburbs», dos Arcade Fire. Para mim, também.


 


OUVIR


Chet Baker começou por ganhar fama graças a uma versão de «My Funny Valentine» que o então jovem tropetista gravou em 1952, inserido no quarteto de Gerry Mulligan. Uns anos mais tarde, em 1958, Chet Baker grava para a etiqueta Riverside um disco em que aparece primordialmente  como cantor - «Chet Baker Sings». Baker tem uma voz envolvente e um estilo vocal descontraído, mas sedutor. Chet costumava dizer que ele próprio não sabia se era um trompetista que cantava ou um cantor que tocava trompete. O disco adensa a dúvida – mas é um exercício de criatividade vocal e um dos momentos altos da sua carreira, agora remasterizado digitalmente, e com a inclusão de quatro extras em relação aos dez temas da edição original. «It Could Happen To You» - Chet baker sings, CD Riverside/Universal, na FNAC.


 


PROVAR


Se um dia destes lhe apetecer ouvir  música africana, acompanhada por boa muqueca de camarão, moamba ou cachupa, o destino pode ser a Casa da Morna, na Rua Rodrigues Faria 21, a Alcantara. Nas noites de quinta-feira Tito Paris está por lá – é um dos sócios da casa. Sala ampla, mesas confortáveis, bom som. Telefone 213 646 399.


 


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Era bom que as pessoas que têm dificuldade em comunicar optassem por ficar caladas – Tom Leher

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publicado às 11:47

PRESIDENCIAIS


Este ano as candidaturas ao mais alto cargo do regime resolveram todas usar trajes de virgens puríssimas e, em uníssono, afirmam-se totalmente castas e isentas de especialistas em marketing em comunicação. Não tenho tanto a certeza que assim seja, mas admitamos que os candidatos falam verdade – coisa rara entre políticos. Se isso acontecer, como diz um amigo meu, há duas coisas interessantes de seguir: por um lado será curioso ver como se comporta a participação do eleitorado sem o esforço de captação de vontades coordenado por especialistas – ou seja, teremos maior ou menor abstenção?; e, por outro, já que juram que não existem spin doctors de serviço, é lícito pensar que as asneiras e malfeitorias produzidas durante a campanha serão da responsabilidade dos próprios candidatos e não de nenhuns especialistas. Na fase em que estamos Manuel Alegre leva a palma na utilização de golpes baixos e na táctica Wikileaks – calhandrices descontextualizadas com o objectivo de denegrir outro candidato. Já que os candidatos se afirmam entregues a si próprios teremos oportunidade de ver qual é o que melhor pensa pela sua cabeça, o que, confesso, me provoca uma certa curiosidade. Para já registo que no primeiro debate televisivo Fernando Nobre passou um rolo compressor por cima de Francisco Lopes, que corre o risco de mostrar o seu jogo ainda antes do que tinha planeado: sair de cena e dedicar-se à venda de digestivos que ajudem a tragar outro candidato logo na primeira volta – talvez o mesmo do Bloco de Esquerda e do PS. Até finais de Janeiro ainda me vou divertir um bocadito.


 


 


WIKILEAKS


A questão básica em todo o caso Wikileaks é a da verificação dos factos. O Wikileaks pegou em registos de comunicações diplomáticas e divulgou-os, tal e qual. Enviou-os a alguns jornais que aceitaram publicar informações desses registos, sem se preocuparem com a verificação da verdade dos factos. Ou seja, alguns dos mais prestigiados jornais do mundo publicaram afirmações, boatos, interpretações, sem o mínimo cuidado de verificar a sua veracidade, ao contrário do que mandam as suas regras internas de apuramento de notícias. O Wikileaks, na feliz expressão de  João Quadros neste jornal, não é mais que a porteira do mundo, que se dedica à intriga. A única coisa que o Wikileaks mostra é o triste estado de diplomatas de diversos países, mais preocupados em fazer calhandrice em torno de um gin tónico, do que em fazer análises sérias. Os documentos tornados públicos dão uma imagem pífia da diplomacia, e se calhar o retrato corresponde à realidade. Espiões de pacotilha, boateiros compulsivos, construtores de fantasias e fofoqueiros profissionais – eis o conteúdo principal do que tem sido revelado. Talvez fosse altura para que os diplomatas começassem a pensar no que fazem e na forma como falam, e não nos resultados das asneiras que dizem quando são publicamente conhecidas.


 


 


RESUMO DA SEMANA


O FMI está de novo a visitar as nossas contas; O Tribunal de Contas quer esclarecer a compra pela PSP dos blindados que chegaram atrasados à cimeira da Nato; Mário Soares acusou Angela Merkel e Nicolas Sarkozy de quererem destruir a Europa; o Ministro Santos Silva mostrou-se indignado com a demagogia dos políticos.


 


 


PERGUNTA


Porque será que «Sem Eira Nem Beira», a célebre canção dos Xutos sobre o senhor engenheiro, não foi tocada no concerto de apresentação da nova imagem da Novabase, que por acaso tem como grandes clientes em Portugal diversos organismos públicos?


 


 


ARCO DA VELHA


Num total de 233 milhões de euros que o Estado português pagou às empresas de sete sectores responsáveis por actividades consideradas de serviço público,  70% foi para o sector da comunicação social e, destes, 145,9 milhões foram para a RTP (e o resto para a Lusa). Existe aqui uma clara desproporção – o que torna ainda mais urgente ver o que deve e não deve ser considerado serviço público nesta área.


 


 


CASTIGO


Depois de uma campanha publicitária em que, de forma canhestra, se tentava captar a simpatia dos lisboetas, a EMEL lançou nos últimos dias uma nova estratégia de sedução: tolerância zero nas zonas centrais da cidade neste período de compras de Natal. Imagino que seja uma medida de apoio ao comércio de rua e de incentivo a viver e comprar em Lisboa. Claro que nesta frenética actividade a EMEL depois demonstra o melhor da sua incompetência quando não consegue dar prazos para desbloquear viaturas, provocando mais e mais incómodos, e quando o seu centro de atendimento telefónico é um exemplo de desprezo pelos utentes. Disto  (da falta de resposta no serviço a multados e bloqueados) é que ninguém na EMEL fala – porque o princípio é pura e simplesmente cobrar – e aí vale tudo- até a má educação dos agentes que, quando protestam pela demora, dizem que é consequência de se ter prevaricado. Já agora – as queixas relativas a tudo isto também se aplicam, ipsis verbis, à Polícia Municipal.


 


 


VER


Até 30 de Janeiro está patente no Palácio Quintela (Rua do Alecrim 70), a exposição «Display: Objects, Buildings And Space», organizada pela Experimentadesign em colabortação com seis galerias de Lisboa e que apresenta obras de 22 artistas – entre os quais Daniel Blaufuks, João Penalva, José Pedro Croft, Rui Chafes e Mauro Cerqueira. De Terça a Domingo entre as 10 e as 20 horas.


 


 


LER


Como estamos em época de desafios culinários, deixo aqui uma bela sugestão que fará as delícias de todos os apreciadores da arte da cozinha: «Memórias e receitas culinárias dos Makavenkos», um livro do grande animador deste grupo lisboeta, Francisco de Almeida Grandella – o homem que fundou os armazéns do mesmo nome e cuja vida é contada num belo prefácio de Anabela Natário. As receitas incluídas no livro são cruzadas com relatos de episódios e memórias diversas – já nem sei distinguir o que é mais delicioso.


 


 


OUVIR


Se gostam de heresias «Mongrel» é o disco ideal para passar estes dias. Trata-se de uma interpretação muito livre do trio de Mário Laginha à música de Chopin. Atenção, não é uma adaptação jazzística do trabalho do compositor – vais num sentido de recriação, mais do que de apenas fazer arranjos. Além de Mário Laginha no piano, o trio integra Bernardo Moreira no baixo e Alexandre Frazão na bateria – uma formação sólida em cujo talento reside grande parte do bom resultado obtido.


 


 


PROVAR


O restaurante D’Oliva Al Forno criou reputação em Matosinhos ao longo dos anos e agora chegou ao centro de Lisboa, à Rua Barata Salgueiro, um pouco abaixo da Cinemateca, onde antes era uma loja de roupa. Primeiro o espaço: muito bem conseguido, em dois níveis, uma zona agradável para fumadores perto do bar (que também é utilizado para servir refeições) e outra, mais ampla, para não fumadores. Boa insoniração – mesmo quando cheio a cacofonia não incomoda. Público muito diversificado em idades – ambiente simpático, bem decorado e, sobretudo, muito bem iluminado. Depois: uma cozinha verdadeiramente bem dirigida, pratos simples, bem confeccionados, uma lista bem pensada, com opções de preço sensatas e uma lista de vinhos bem escolhida e, também, com preços ajustados à realidade. Resta dizer que o serviço é verdadeiramente invulgar, em qualidade e atenção às mesas, mesmo com o restaurante cheio. As propostas são diversas, desde peixes do dia a massas italianas. Rua Barata Salgueiro 37ª, Telefone 213528292


 


 


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Nada sei, excepto a dimensão da minha ignorância – Sócrates (469-399 A.C.)

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publicado às 11:41

PRESIDENCIAIS


Não havia necessidade nenhuma de se ter criado ruído em torno da marcação dos debates entre os candidatos às presidenciais. A candidatura de Cavaco Silva teria ficado bem melhor na fotografia se não se tivesse deixado posicionar como avessa a debates, usando pretextos um pouco desfocados e que ainda por cima só vieram chamar atenção para o seu próprio atraso em ter terminado a recolha das assinaturas de suporte à candidatura – um misto de inocência e de inexperiência política da máquina que está na candidatura do actual Presidente.


 


No fundo, a posição assumida em relação aos debates é a mesma lógica do tabú sobre a recandidatura: uma persistente atitude de auto-suficiência, de muita insensibilidade e, talvez, até de alguma dificuldade em conviver com os mecanismos comunicacionais das sociedades abertas e contemporâneas. Não basta estar nas redes sociais e ter sítios de internet bem feitos. O que interessa é o conteúdo – que se constrói dia-a-dia com acções e, também, com a forma como as decisões são tomadas. Os actos, como se sabe, falam mais que as palavras.


 


Dito isto, Cavaco Silva é, acho eu, o menor dos males, embora exista um tema central nestas eleições, que devia ser a prioridade do debate e do esclarecimento dos candidatos: o que fazer à seguir à eleição, quando a situação económica e política inevitavelmente se complicar ainda mais? Que pensa cada um dos candidatos sobre o Day After? Com os dados que temos, qual a probabilidade de dissolver o Parlamento ou de procurar outras soluções de Governo? A ideia é manter a crise em lume brando até o cozinhado apodrecer ou existe alguma ideia nova?


 


PARADOXO


Num país que inventa tantos mecanismos de regulação, que tantas vezes é intransigente em excesso em relação a normas e regulamentos, é paradoxal que uma situação que implica com a dignidade da vida humana, ainda por cima em situações de grande fragilidade física e psíquica, seja tão descurada e permita a manutenção em funcionamento - conhecendo-as – de instalações como o local onde se acumulavam idosos à espera da morte, na Charneca da Caparica, e que só por um infeliz acaso foi desmascarado.


 


Esta triste situação é o retrato de um Estado demasiado presente numas coisas e inexistente noutras. Para além dos responsáveis concretos pelo local, têm também de ser investigadas as entidades que deviam fiscalizar e evitar estas situações. Os nossos impostos, de todos, devem servir, em primeira linha, para evitar casos como este. Como sabemos não é isso que se passa.


 


 


PERGUNTA


O dinheirinho com que o Presidente Carlos César quer pagar compensações aos funcionários públicos açoreanos caíu do céu, foi pescado no mar, ou vem de todos os contribuintes?


 


 


ARCO DA VELHA


As preocupações governamentais sobre ecologia e sustentabilidade são esquecidas quando se operacionalizam sistemas como o dos novos recibos verdes electrónicos, que entraram em fase experimental no início de Dezembro. Não só, quando se imprimem, provocam um gasto mais alto de papel, como ainda por cima estão desenhados para inevitavelmente esvaziarem mais depressa os tinteiros das impressoras, provocando gastos suplementares e desperdícios acentuados. Aqui está um caso de uma medida que podia ter sido bem melhor pensada.


 


 


FOLHEAR


A edição do «The Economist» de 4 a 10 de Dezembro, traz uma série de artigos sérios e preocupantes sobre a Europa e sobre o Euro – analisando sem fantasmas nem pruridos a questão do desaparecimento do Euro, quer por dificuldades dos países do Sul, quer por falta de vontade da Alemanha. E na mesma edição está um belo dossier, sobre os perigos do aumento de poderio da China. Já agora, para os que têm iPad, é possível consultar alguns artigos escolhidos pelo editor de forma gratuita. E são boas escolhas, não é refugo.


 


 


VER


Cem anos depois do restauro dos painéis de S. Vicente de Fora, de Nuno Gonçalves, o Museu Nacional de Arte Antiga e a Faculdade de Belas Artes organizam uma série de colóquios e exposições, que, a propósito da efeméride, juntam artistas contemporâneos de várias gerações. Por exemplo na Galeria da Faculdade de Belas Artes estão até 7 de Janeiro obras de Ana Telhado, José Quaresma, Manuel San-Payo e Filipa Roque, entre outros. E, em vários locais do Museu Nacional de Arte Antiga, até 27 de Fevereiro, estão obras de Rui Chafes, Sara Bichão, Manuel Vieira, Manuel Botelho, Jorge Molder, Isabel Sabino e Pedro Cabrita Reis, entre outros.


 


LER


Confesso que de início pensei que a biografia de Keith Richards, «Life», seria um aborrecido relatório de ocorrências na vida dos Rolling Stones, nomeadamente os seus conflitos com Mick Jagger, pontuado por aspectos picantes da atribulada vida pessoal do guitarrista dos Rolling Stones. Acontece no entanto que logo nas primeiras páginas fiquei envolvido pela forma como a narrativa está construída por James Fox, o responsável pela forma final do livro. Ao longo de quase 550 páginas Keith conta a sua vida – desde as influências musicais da infância, até à forma como conheceu Jagger e os outros Stones.


 


Um dos aspectos curiosos é que ao longo do livro se percebe como desde cedo os elemntos dos Stones perceberam quepor mais divergências que tivessem tinham que manter o grupo em andamento – até porque o grupo era essencialmente a empresa que les haviam criado. Desse ponto de vista «Life» é um curioso relato de como manter um projecto no meio de todos os sobressaltos  - uma coisa que por exemplo os Beatles foram incapazes de fazer, divididos em primeiro lugar por disputas intensas em volta do quinhão de  pessoal cada um.


 


Keith Richards fala abertamente da forma como utilizou drogas e relata numerosos momentos da sua vida, na maior parte das vezes com o cuidado de procurar encontrar um ponto de contacto, no tempo, com a actividade da banda. E os relatos do processo de criatividade e de reinvenção que os Rolling Stones têm tido ao longo dos seus já quase 50 anos de vida – começaram em 1962 – são numerosos. De certa forma é também o relato destas décadas que passa por «Life», uma inesperada deliciosa leitura para estes dias.


 


 


OUVIR


Querem viajar no tempo e recuar até 1978? Fácil, ouçam o novo disco de Bruce Springsteen e vejam como gravações feitas nessa altura continuam actuais. «The Promise», assim se chama o novo duplo CD de Springsteen, agora editado, agrupa 21 temas que foram registados na altura das sessões de gravação do álbum «Darkness On The Edge Of Town» e que, na maioria, devido a um conflito legal entre o músico e o seu agente da época, ficaram bloqueadas para edição durante anos. Depois de convenientemente misturadas vêem agora a luz do dia, assim como alguns temas já conhecidos, como «Racing In The Street», que aliás abre o álbum. Há também as «versões Springsteen» de canções entretanto gravadas por outros artistas, como «Because The Night», um tema tornado popular por Patti Smith, e «Fire», que foi um tema que Springsteen escreveu para ser interpretado por Elvis Presley e cuja versão mais conhecida é das Pointer Sisters.


 


Ao longo destas duas décadas existem registos de algumas destas canções por Springsteen em gravações ao vivo, mas as gravações originais, de estúdio, eram desconhecidas. O que é mais curioso é que estas canções, escritas há mais de duas dezenas de anos, com uma das melhores formações de músicos da carreira de Springsteen ( Clarence Clemmons, Max Weinberg e Stevie Van Zandt nomeadamente) se mantêm particularmente actuais na conjuntura de crise e transformação em que vivemos.


 


 


PROVAR


Nada melhor para esta altura do ano que uma perdiz. Eu por mim gosto muito de as petiscar no Salsa & Coentros, quer a deliciosa perdiz com couve lombarda, quer a empada de perdiz. Rua Coronel Marques Leitão 12, Alvalade, telefone 218 410 990.


 


 


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Muita da histórica social do Ocidente nas últimas três décadas pode resumir-se a ter substituído o que funcionava por aquilo que parecia poder funcionar (Thomas Sowell)


 

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publicado às 17:17

ANIVERSÁRIO – O Tratado de Lisboa está a celebrar o seu primeiro aniversário. A Europa, segundo opinião mais ou menos generalizada dos especialistas, está desfeita. Entre a pirómana Merkel e o desbragado Sarkozy, a crise alastra por todos os países. Depois da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, já se fala de problemas em Itália, na Bélgica e na Holanda. Alguns mais atrevidos dizem que a França virá a seguir. Esta Europa é uma ilusão caríssima, que interessou aos grandes países só até certo ponto e que acabou por prejudicar de facto as economias mais pequenas. Os políticos que, nos pequenos países, se deixaram enredar pelo canto da sereia têm responsabilidades históricas no falhanço de uma comunidade que nunca foi verdadeiramente equalitária. A Comunidade Europeia é uma fantasia política cujo preço vamos pagar durante muitos anos. A verdade resume-se a isto: para nós, querer ser europeu é pior do que querer ser apenas português. Há uns anos a Restauração, que esta semana se assinalou, tinha percebido isso mesmo. Precisamos mais de uma Restauração do que de uma remodelação. E não precisamos ainda de um Presidente da República que olha para a ideia da Europa como para um Sol que nos ilumina – mesmo quando é evidente que nos apaga.


 


FEIRAR –  A Arte Lisboa tem o objectivo, programático, de divulgar a actividade de artistas e galeristas portugueses e de internacionalizar o mercado de arte em Portugal. Aos poucos tem deixado de fazer qualquer destas coisas. Este ano, por força da cimeira da NATO, mudou-se da Expo para a Junqueira, o que só por si podia ser uma boa coisa. A Junqueira é um espaço projectado por Keil do Amaral, mais aconchegado, mais central. O grande problema é que não foi feita comunicação suficiente para a mudança de local e muita gente foi ter à FIL Expo à procura de uma Feira que estava a uma dezena de quilómetros de distância.  Esta feira modificada teve um dia de duração a menos, a segunda feira, crucial para o público alvo que pode preferir não estar em Lisboa ao fim de semana. Não convidou jornalistas estrangeiros para divulgarem o evento, nem fez a mínima tentativa de internacionalizar o certame junto dos mercados de arte que nos são próximos. A lógica da FIL é apenas alugar os metros quadrados dos stands sem se preocupar em garantir notoriedade ou estimular a presença de visitantes. A campanha publicitária foi má e  quase inexistente. A comunicação foi ridículamente fraca. O lado profissional do marketing do evento foi desprezível. Comparando com o que a AEP faz a Norte, nas suas feiras, a FIL tem muito a aprender. E é uma pena, porque entre interesse dos artistas, vontade dos galeristas e até apoios do Estado, o que aqui falta é uma capacidade de organização e divulgação que justifique a sua existência.


 


MUDAR - A remodelação vai-se fazendo aos poucos. Na Justiça, entre Secretários de Estado e directores gerais, já começou. Nas Obras Públicas, Ministro e Secretário de Estado já lêem o mesmo discurso, portanto presume-se que um dos postos seja extinto, por óbvia sobreposição de competências. O Governo desfaz-se, em cada reprimenda europeia que leva, à média mínima de duas por semana. Um dia destes Sócrates é Primeiro Ministro de um Governo-sombra.


 


ARCO DA VELHA – O Governo anunciou esta semana outra medida de contenção: vai criar  mais uma empresa pública – a Agência para o Investimento Público e Parcerias. A empresa destina-se a acompanhar as grandes obras públicas e as parcerias público-privadas. Terá três admnistradores e um quadro técnico à medida das necessidades e servirá para retirar competências a várias Direcções Gerais do Estado e mesmo a alguns Ministérios.


 


PERGUNTA – O que é feito do Hot Clube? Porque é que já ninguém fala do assunto? As antigas instalações do Hot Clube, na Praça da Alegria, arderam em 22 de Dezembro do ano passado, está quase a fazer um ano. Em Abril soube-se que a Câmara Municipal disponibilizaria um outro espaço, também na Praça da Alegria, uma antiga loja nos números 47 e 49 e contribuiria com 200.000 euros para as obras. Entretanto não se sabe de mais nada. A Escola de Jazz Luis Vilas Boas lá vai tendo actividade, na Rua da Galé, a Alcântara, mas o site e a newsletter do Hot Clube são completamente omissos a respeito das novas instalações, do ponto de situação das obras, dos planos para o regresso à Praça da Alegria. Quem é que não está a cumprir?



 


LER Em 1987 Herberto Hélder pegou em alguns dos seus textos favoritos de outros autores e fez deles uma versão portuguesa. Assim nasce “As Magias”, que como o autor esclarece mais não são que “poemas mudados para português”. São poemas breves de autores como Blaise Cendars, D.H. Lawrence, Henri Michaux ou Marie Welch, para além de escritos tradicionais, anónimos, dos índios Cunas, dos pigmeus da África Equatorial, da Austrália, da Roma antiga, da Colômbia ou do México. A Assírio & Alvim reeditou agora o livro, na sua bela colecção O Gato Maltês. Uma pequena jóia para tardes outonais


 



FOLHEAR – A edição de Dezembro-Janeiro da revista “Monocle” parece ter sido inspirada num dos nossos queridos almanaques do Borda d’Água. Tem previsões para o ano que aí vem, receitas diversas para ultrapassar dificuldades, sugestões avulsas sobre as mais variadas áreas. E tem três especiais: um guia sobre novas ideias para pequenos negócios, um dossier sobre a Finlândia que faz  crescer a vontade de visitar o país e um especial sobre viagens com um top de 50 sugestões. Fiquem a saber que o melhor restaurante frente ao mar, Segundo a Monocle, é o Azenhas do Mar, aqui mesmo ao pé de Lisboa, no alto da falésia com o Atlântico pela frente.


 



VER– Até 22 de Janeiro pode ser vista na Plataforma Revólver a exposição “Pieces and Parts”, que numa selecção cuidada agrupa curiosas tendências e artistas, entre os quais Alexandra Mesquita, Ana Vidigal, Cristina Ataíde, Inês Nunes, Julião Sarmento, Rui Effe e Teresa Milheiro, entre outros. Será certamente uma opção individual, mas gostei especialmente do trabalho que Cristina Ataíde fez para esta exposição, e que serviu aliás de imagem para o evento. Rua da Boavista 84-1º, Lisboa.


 



OUVIR – Jane Monheit editou o seu primeiro disco há cerca de dez anos e tem feito uma carreira notável. “Home”, o seu novo disco, recolhe uma série de standards e é uma bela prova do seu amadurecimento artístico e da forma como a sua interpretação vocal  foi ficando cada vez mais segura. Neste disco existe um único tema original, “It’s Only Smoke”, um dos dois duetos vocais do album. Aqui, Monheit canta com Peter Eldrige e o resultado é arrebatador. Mas o ponto alto do disco vem no outro dueto, uma versão do clássico “Tonight You Belong To Me” onde se cruzam as vozes de Jane Monheit e de John Pizarelli, que é também quem toca, de forma superior, a sua guitarra eléctrica. Só por isto já valia a pena descobrir este “Home”.


 


PROVAR – Lisboa tem um novo restaurante nepalês, nas Avenidas Novas. Chama-se Casa Nepalesa e oferece uma boa escolha de pratos do dia, assim como à lista. Provei um frango cortado aos pedaços, cozinhado com espinafres e um molho temperado que estava excelente e uns filetes de linguado com molho de caril que foram uma bela surpresa. Como sobremesa comi um arroz doce à moda do Nepal, diferente do nosso, que me deixou a pensar de onde veio aquela ideia – se fomos nós que buscámos inspiração a oriente, se foram eles que tiveram algum visitante lusitano.  O ambiente é muito acolhedor, a decoração evoca uma casa nepalesa, o serviço é muito atento e simpático e o preço é comedido. Há vinho a copo e uma lista pequena mas razoável de vinhos. Casa Nepalesa, Avenida Elias Garcia 172 A, telefone 217979797.


 


BACK TO BASICS – Gosto de Teatro é muito mais real que a vida. Oscar Wilde.


 

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