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DISPERSAR EM VEZ DE CONCENTRAR

por falcao, em 29.03.11

(Publicado no diário Metro de dia 29)


 


Não é preciso ser bruxo para adivinhar que estamos todos metidos numa considerável complicação. O Governo que está em funções vai abaixo e o próximo é uma incógnita. Os dados existentes permitem concluir que o PSD terá dificuldades em ter uma maioria clara sozinho, e existe a possibilidade de Sócrates conseguir um resultado eleitoral acima daquilo que há uns tempos atrás se pensava ser possível.


 


Incúrias várias, de parte a parte, entre partidos e Presidência da República, algum desprezo pela opinião dos portugueses, e a degradação do sistema político criaram uma situação complicada. A coisa acentua-se porque já se percebeu que José Sócrates controla completamente o aparelho do PS e faz o que bem entende – e será ele a liderar as listas socialistas nas próximas eleições.


 


Estão a vê-lo ser número dois de alguém numa eventual coligação? Isto quer dizer que, do resultado das eleições, sairá sempre um PS pouco disposto a fazer acordos, pouco disponível para negociar, mais interessado em alimentar uma guerrilha contra o vencedor do que em encontrar uma solução de consenso.


 


Quem rever o que têm sido os últimos dois anos perceberá rapidamente que o padrão de comportamento do PS é fomentar o desacordo em vez de procurar o consenso. Num quadro destes cada vez acho mais complicado defender um sistema de bipolarização, entre PS e PSD – o que faz sentido é que haja maior atenção aos partidos mais pequenos e que o peso dos votos expressos seja mais diluído que o habitual.


 


Na verdade acredito que só isso possibilitará encontrar soluções equilibradas de alianças parlamentares, sempre mais difíceis quando a diferença entre votos é enorme. Vamos ter pela frente meses difíceis, com um Governo que não inspira confiança, e do qual se pode, legitimamente face à sua actuação ao longo dos últimos anos, pensar que se prepara para aproveitar o tempo que lhe resta para pôr o país ainda mais a saque. Estes meses vão ser um desafio para o funcionamento do regime.

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publicado às 12:07

A FILA – Nos últimos dias assistimos ao surgimento de uma bicha de ex-dirigentes e responsáveis do PS, pedindo aos partidos da oposição que continuassem a perdoar as trapalhadas que José Sócrates tem montado. Até Mário Soares, que na semana passada tinha dito que a forma de apresentação do PEC IV tinha sido um erro grave, avisando que iria descambar numa crise séria, apareceu esta semana a desejar que ninguém ligasse àquilo que, há uma semana atrás, achava criticável. Também Jorge Sampaio, João Soares, Manuel Alegre, António Costa e muitos outros vieram falar no mesmo sentido – o de os outros partidos deverem atender aos apelos do Partido Socialista que, num clima destes, insistiu sempre em dizer que a culpa não era sua, mas sim dos outros. O inefável Jorge Sampaio, algures no Dubai, confessou-se muito preocupado com a estabilidade – sem querer recordar-se que toda esta instabilidade, em boa parte, está directamente ligada à forma como ele próprio, então Presidente da República, geriu as consequências da saída de Durão Barroso para a Presidência Europeia. Noutras ocasiões a estabilidade não lhe interessou – agora, nas Arábias, está arreliadíssimo com o que se passa.


 


Mas o mais curioso nesta bicha de opiniões de notáveis socialistas é que não há quem veja a evidência: para que se concretize o entendimento alargado que todos pedem é fundamental que Sócrates saia de cena. Se ele se recandidatar em legislativas antecipadas será muito difícil conseguir esse acordo alargado que dizem defender: do ponto de vista político Sócrates mentiu demais, ameaçou demais, chantageou demais, foi arrogante demais. Perdeu a credibilidade – não só nos actos (que nos conduziram onde estamos), como nas palavras que revelaram um sistemático desfoque da realidade. De facto não foi a economia que nos tramou, foi a política seguida por Sócrates, de desprezar a realidade, que nos levou onde hoje estamos. Com Sócrates no PS o entendimento alargado torna-se virtualmente impossível. Era com isto que os guardiões da estabilidade se deviam preocupar. E em vez de pedirem aos outros para mudarem, mais valia que Mário Soares, Jorge Sampaio, Manuel Alegre, Francisco Assis, António Costa e tantos outros pusessem, mãos à obra para mudarem o que tão mal tem funcionado no Partido Socialista. Já que pertencem ao PS tratem do seu partido em vez de se preocuparem tanto com os outros.


 


E, se o PS não conseguir internamente, com todos estes notáveis, resolver o problema que de facto existe – e que algumas corajosas vozes dissonantes sublinham – de facto o resultado pode ser bem complicado. Qualquer que seja o desenrolar desta situação já se percebeu que Sócrates não pode fazer parte da solução, porque ele esteve na raiz do problema. E é sobre isto que eu gostava de ouvir que têm a dizer tantos notáveis.


 


ARCO DA VELHA – Não consigo perceber porque é que tanta gente que apoiou Manuel Alegre apelou nesta semana a Cavaco Silva para intervir em defesa de Sócrates. Como blogou um amigo meu, se os portugueses quisessem que o Presidente da República atendesse aos apelos do PS, teriam votado Manuel Alegre.


 


LER –  Sérgio Henriques Coimbra é um jornalista português de quem muito gosto e com quem tenho tido o prazer de trabalhar. Ainda por cima escreve muito bem – literariamente falando, e só descobri isso agora. Por estes dias, inspirado por uma ideia de John Steinbeck, editou um delicioso livro intitulado «Passeios com Moby». O Moby é o cão do Sérgio, que o acompanha num passeio por Portugal, uma jornada que é apenas um pretexto para um passeio pela própria vida do autor, para uma descrição ácida (mas lúcida) das vicissitudes de Portugal nos últimos anos.


 


Não é um livro de viagens no sentido tradicional do termo, é um livro que relata a viagem do Sérgio por este mundo e pelo nosso tempo – desde as memórias de Moçambique às reflexões sobre os dislates feitos à paisagem portuguesa, passando pelo apelo à contínua descoberta de novos mundos e novos lugares. De facto há muito que não tinha tanto prazer a ler um livro que, inesperadamente, é sobre a vida e o destino – incluindo o rejeitar as conveniências. «Passeios com Moby», 124 páginas, edição Aletheia.


 


VER – Até dia 6 de Maio vale a pena visitar a exposição de novos trabalhos sobre papel de Pedro Calapez, que inaugurou esta semana na Galeria João Esteves de Oliveira, na Rua Ivens 38. Chama-se «Suave Paisagem» e agrupa 34 novas obras, feitas em 2010 e algumas já em 2011. É um conjunto surpreendente, pela intensidade, pela diversidade de técnicas, mas também pelo lado de novidade das obras mais recentes – a série «Paisagens», desenhos feitos a pastel de óleo sobre papel que criam imagens a partir da junção de vários elementos apenas aparentemente dispersos. A série que dá o nome à exposição , «Suaves Paisagens», recorre a acrílico e aguarela sobre papel e é inesperada na forma como mostra um regresso à pintura unidimensional, depois dos trabalhos mais recentes do artista explorando formas, relevos e instalações tridimensionais. Pedro Calapez tem tido nos últimos anos uma actividade internacional assinalável e tem procurado explorar novos caminhos – como esta exposição bem mostra, até na pequena mas muito curiosa série «Estudos para Construção».


 


OUVER –  Não é gralha, quis mesmo escrever ouver porque vou falar de um misto de ouvir com ver – isto tudo a propósito da edição especial de «The Wall- Live In Berlim». Quem se escapou à missa rezada esta semana no Pavilhão Atlântico por Roger Waters, pode aqui ver e ouvir a liturgia original, do verão de 1990, gravada em Berlim. Além do concerto – com nomes que incluem Van Morrison, Sinead O’Connor, Ute Lemper, The Band, Thomas Dolby e vários outros, esta edição inclui ainda um documentário sobre tudo o que rodeou a produção do primeiro mega-concerto da década de 90 e diversos outros extras  como animações usadas em palco assim como os projectos de todo o cenário. Nesta nova edição especial da Universal - «The Wall Live in Berlin– Limited De Luxe Tour Edition» -  estão incluídos o DVD com as imagens já referidas e dois CD’s que reproduzem integralmente o concerto que de facto simbolizou o fim do Muro. É uma belíssima edição, já disponível em Portugal, e que é o testemunho de uma das maiores produções de sempre na história da música popular.


 


PROVAR – O conflito de Lisboa com as esplanadas é coisa que sempre me intrigou. Será do vento? Será do ar pálido cultivado por tantos cidadãos? Eu por mim gosto das esplanadas, e fico sempre contente quando abre mais uma. Esta semana, aproveitando o primeiro dia da primavera, fui até uma das esplanadas do Jardim de S. Pedro de Alcântara e por lá fiz um almoço ligeiro e tardio. Vista magnífica, o Tejo a espreitar ao fundo, ao lado do Castelo de S. Jorge, local abrigado, sem ventania.


 


Esplanada limpa e asseada, serviço simpático, boas surpresas. As tostas mistas felizmente evitam aquele pão de forma inspirado na borracha, que se tornou demasiado frequente, e usam umas cacetinhos saborosos, aquecidos quanto baste, sem ficarem espalmados e desinteressantes. Cada tosta mista é composta por dois desses pequenos cacetinhos. No meu caso escolhi a de presunto, queijo e rúcula - e não me arrependi. O presunto veio cortado fino, fácil de trincar, sem ser aquelas lascas grossas e secas que infelizmente são a matéria prima da maior parte das sanduíches de presunto locais – que as mais das vezes se assemelham a maus couratos. O queijo também vinha no ponto, aquecido, sem vir transformado em pastilha elástica escaldante. Na mesa ao lado estava uma idêntica tosta, mas de salmão fumado com queijo Filadélfia, com muito bom aspecto – fica para a próxima incursão. Dizem-me que ao fim da tarde vale a pena provar o gin tónico do local. Tenho impressão que ali voltarei mais vezes. Ali e ao outro quiosque –esplanada que fica na parte debaixo do jardim de S. Pedro de Alcântara, ainda mais abrigado, e que acolhe desde o ano passado os célebres cachorros-quentes que dantes só existiam no Guincho.


 


BACK TO BASICS – Uma vida dedicada à política é uma nobre carreira, um jogo hábil ou uma grande calamidade (Oscar Wilde)

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publicado às 10:23

O PARQUE DE DIVERSÕES DE SÓCRATES

por falcao, em 23.03.11

(publicado no diário Metro de 22 de Março)


 


Na noite de Domingo coloquei no Facebook e Twitter esta pergunta: «Estou aqui com uma dúvida: se em Portugal não votámos em Angela Merkel porque é que é ela que manda?».


 


A melhor resposta veio de um conhecido publicitário e tinha a forma de outra pergunta: «porque paga?».


 


Este é o busílis da questão: colocámo-nos numa posição em que desbaratámos todas as ajudas que a Europa foi concedendo ao logo dos anos, diminuímos, por imposição europeia a nossa capacidade de produção – nas pescas, na indústria e na agricultura – e tornámo-nos num país que vive apenas de serviços. Portugal transformou-se num imenso centro comercial que compra tudo ao estrangeiro e se endivida para depois pagar o que consome.


 


Dizer que o país tem sido governado como uma mercearia é uma ofensa para o pequeno comércio. Na verdade os nossos governantes geriram Portugal como um parque de diversões, sem pensar em nada mais que o gôzo imediato e a satisfação de todas as vontades.


 


A Alemanha, pelo seu lado, produz cada vez mais, exporta cada vez mais, e vive das vendas no mercado europeu que ajudou a construir na forma que ele tem hoje. Com grande sentido de missão, a Alemanha financiou o desenvolvimento de mercados periféricos na Europa, para onde passou a vender os seus produtos, as suas marcas, a actividade das suas empresas.


 


Como se tem escrito várias vezes ao longo desta crise, a Alemanha conseguiu, pela economia aquilo que foi incapaz de fazer através da guerra: dominou a Europa. Uma das respostas ao meu post era o clássico «É a economia, estúpido». E esta é a verdade. A força da economia alemã fez com que as decisões dos Estados que não se souberam governar fossem tomadas em Berlim. Foi à senhora Merkel que Sócrates apresentou mais um capítulo do seu PEC – não foi ao presidente português. O episódio ilustra o estado da nação.


 


Que José Sócrates venha agora dizer que a instabilidade não é provocada por ele, mas por outros, é apenas mais um número de circo, dentro do parque de diversões que ele desgraçadamente montou em Portugal ao longo dos últimos anos.

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publicado às 13:02

IMPUNIDADE - Uma das razões do êxito das manifestações de Sábado passado tem a ver com a sensação, que se instala, de em Portugal não existir quem exerça de facto um poder de fiscalização sobre a acção dos políticos em geral, e dos governantes em particular. Não existe quem faça o papel de um Provedor do Eleitor com poderes para suspender políticos incumpridores e punir partidos que os acolhem - imaginem que o PS era multado por cada promessa falsa de Sócrates. A impunidade dos políticos e dos partidos em Portugal é total. Ninguém é responsabilizado pelos seus actos.


 


O Parlamento, a quem caberia fiscalizar a acção do Governo, está bloqueado na lógica que se instalou do bipartidarismo. Os 230 deputados existentes de facto não têm voz própria, são apenas abono das respectivas direcções parlamentares. E a reflexão sobre o bloqueio que o bipartidarismo está a causar é urgente. Mais do que reforçar maiorias parlamentares, estou convicto que a solução passa por uma profunda reforma no sistema politico e eleitoral, que o adapte ao tempo presente, quer em matéria de comunicação, quer de campanha eleitoral, quer de votação, quer em matéria da constituição de novos partidos e movimentos. Quanto mais diversificada  e próxima dos cidadãos for a constituição partidária do parlamento, maior é a probabilidade de sair fora da lógica da alternância entre PS e PSD e forçar a existência de coligações e alianças, que provoquem um Parlamento mais dinâmico, interveniente e com poderes mais efectivos, roubando-os às cúpulas dos grandes partidos.


 


Da maneira como estamos os partidos grandes apenas geram deputados dóceis, conformistas e, na esmagadora maioria dos casos, perfeitamente inúteis. Fragmentar em vez de concentrar pode ser a solução nesta fase – e aliás isso corresponde à evolução do que acontece em tantos aspectos da sociedade contemporânea.


 


 


CRISE - Agora estamos oficialmente em crise – uma crise que se prolongou demasiado porque as tácticas parlamentares e a táctica do Presidente da República assim o quiseram. A reacção de José Sócrates foi a de um cavalo selvagem que não quer ser domado: depois do discurso de posse de Cavaco, pôs-se aos coices. A sua declaração da passada segunda-feira foi uma espécie de denúncia de que o rei vai nu – só que se esqueceu que, neste caso, o rei é ele próprio. A entrevista que deu na quarta-feira na SIC Notícias mostra a escalada em que está empenhado e evidenciou que não vai desistir. Entrou em braço de ferro e é um sobrevivente. No seu partido tem as questões arrumadas – António Costa já mostrou que não se quer meter na confusão e prefere continuar por Lisboa e António José Seguro sente que ainda não tem apoios. Sócrates avisou que vai continuar em cena e mesmo com todas as manifestações que se viram, subestimar a sua capacidade é um erro grave – também ele já percebeu que, sendo impossível resolver a crise em pouco tempo, provavelmente o que mais lhe convém é ir a eleições o mais rapidamente possível. No meio disto existe a possibilidade real de, no quadro actual, sair de eleições um panorama que obrigue a coligações. E com Sócrates ainda em palco. A coisa promete.


 


SEMANADA – No passado dia 12 de Março completaram-se seis anos sobre a tomada de posse do primeiro governo liderado por José Sócrates. Nos últimos cinco anos a divida pública portuguesa passou de 80 mil milhões de euros para cerca de 150 mil milhões de euros. Apenas há um mês o Primeiro Ministro dizia que existia uma folga de 800 milhões no orçamento, para agora ter descoberto que afinal faltam 1,4 mil milhões – a justificação utilizada para o novo plano de austeridade. O bem humorado e perspicaz blogue “31 da Armada” fez notar que em Portugal já há mais PEC’s em funcionamento que automóveis eléctricos a circular – quatro PEC’s e dois automóveis. O aniversário do Governo foi evocado com manifestações que tiveram um aspecto curioso – foram transgeracionais e mobilizaram pessoas de todo o espectro político.


 


ARCO DA VELHA – Se existirem eleições antecipadas, Sócrates recandidata-se sem oposição interna visível no PS. Ele próprio o garantiu. Quem diria, há meia dúzia de meses, que isto podia acontecer, que ele não seria corrido pelos seus pares?


 


LER –  Comecei a seguir a carreira de Tina Brown quando percebi o que ela tinha feito na tradicionalíssima revista britânica “Tatler” no início dos anos 80. Como prémio, foi chamada em 1984 a dirigir a “Vanity Fair” e transformou a histórica revista naquilo que ela é hoje. A seguir, em 1992, tornou a “New Yorker” mais contemporânea. E em 1999 criou a revista “Talk”, talvez um projecto à frente do seu tempo. Em Outubro de 2008 iniciou-se no mundo da internet  e criou o site “The Daily Beast”, que cedo deu que falar . No início deste ano aceitou reformular o newsmagazine “Newsweek” .


Depois de duas edições já publicadas sob a direcção de Tina Brown, percebe-se o que mudou: a fotografia voltou a ganhar importância, o grafismo foi completamente remodelado e novos nomes começaram a assinar nas páginas da Newsweek. O resultado é que a revista saiu da letargia dos últimos anos, em que estava enfadonha, desligada da actualidade e  desinteressante. A edição mais recente, desta semana, tem a melhor capa que até agora vi sobre a catástrofe no Japão e mostra o que uma boa edição fotográfica, que use imagens com espaço e respiração, permite fazer a uma revista. Na última página escreve P.J. O’Rourke, um dos meus heróis. Tina Brown mostra mais uma vez como é importante não só ter bons conteúdos, como apresentá-los de forma superior. Quem disse que não valia a pena fazer nada na imprensa?


 


VER – A edição deste ano do prémio BES Photo 2011 evidencia uma significativa mudança de critério do júri de selecção, em relação ao que tem sido a prática – pouco interessante e muito conservadora – dos últimos anos. Até agora o júri tem privilegiado o domínio da estética politicamente correcta, mas finalmente parece ter resolvido deixar preconceitos e amarras de parte. Esta é talvez a melhor selecção dos últimos anos e conta com trabalhos de Kiluanji Kia Henda (Angola), Carlos Lobo (Portugal), Mário Macilau (Moçambique), Manuela Marques (Portugal) e Mauro Restiffe (Brasil). Fiquei surpreendido pela intensidade das imagens de Mário Macilau, pelos enquadramentos de Kiluanji Kia Henda, pelo olhar de Carlos Lobo e pela interpretação de Mauro Restiffe. Todos acrescentam alguma coisa à evidência, mas todos reflectem o tempo em que vivem – o que nem sempre aconteceu nas seis edições anteriores do prémio. Esta exposição vale francamente a pena ver – tem menos exercícios de estilo, menos jogos florais e maior criatividade e formas de ver – que no fundo é a essência da fotografia. Em exposição no Museu Berardo até 13 de Junho.


 


AGENDA – Na galeria Vera Cortês (Av 24 de Julho, 54, 1º), inaugura Sábado “Forking Paths”, fotografias de Gabriela Albergaria; Na galeria Baginski (Rua Capitão Leitão 51-53), dois projectos em confronto – “Máquina de Chilrear” de Cecília Costa e “De tempos a tempos a terra treme”, de Joana Escoval; no Espaço Arte Tranquilidade (Rua Rodrigues Sampaio 95) está a exposição colectiva “O consolo da pintura” com obras de Ana Jotta, Carlos Correia, João Paulo Serafim, Freek Wambaco, João Pedro Vale, Miguel Ângelo Rocha e Rodrigo Oliveira.


 


OUVIR – Loreena McKennitt é uma cantora e harpista canadiana com uma carreira de já duas dezenas de anos. O seu novo disco, “The Wind That Shakes The Barley” é um claro retorno às suas origens folk, que aliás lhe deram fama e notoriedade. O resultado é o seu melhor disco dos últimos anos, integralmente baseado em sonoridades celtas e em versões de temas tradicionais, vários deles da Irlanda e Escócia. O nome do disco aliás é o mesmo de um filme de Ken Loach, sobre a Irlanda, premiado em Cannes em 2006. A voz etérea de Loreena McKennitt ajusta-se na perfeição a estas canções e continua a surpreender como em “As I Roved Out” ou “The Star Of The County Down”.


 


BACK TO BASICS – Em política lembre-se o que convém e esqueça-se o que já não interessa (anónimo)

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publicado às 18:01

Em defesa dos cidadãos

por falcao, em 18.03.11

(Publicado no diário Metro, 15 MAR 2011)


 


Ao longo de décadas o nosso sistema político desenvolveu-se em benefício dos intervenientes e não dos cidadãos. Nos últimos anos a situação agravou-se: à medida que aumentava o divórcio entre os partidos políticos e os eleitores, os dirigentes partidários ficaram sentados a olhar para os próprios umbigos. Como consequência o sistema começou a funcionar em circuito fechado, de forma cada vez mais evidente. Os resultados de todos os mais recentes actos eleitorais mostram que a abstenção aumenta e que o número efectivo de votantes vai diminuindo.


 


As duas últimas eleições legislativas ficaram marcadas por promessas que foram negadas e contrariadas nos dias e meses seguintes à votação. Tornou-se habitual que os eleitores votem numa promessa que só lá está por táctica eleitoral e que verdadeiramente não é para ser cumprida. O resultado é o descrédito generalizado nos políticos e na classe política. Pelos erros de alguns acabam todos por pagar


 


Alguma classe política vive da impunidade de saber que as promessas não cumpridas, tornou-se inimputável. Gera desconfiança e descrédito. «A política é a única profissão no país que goza da mais completa impunidade» - escreveu, com razão, Vasco Pulido Valente na semana passada.


 


Por mais estranho que isto seja o nosso sistema político funciona sem fiscalização efectiva. A Assembleia da República deixou há muito de ter a função de vigiar o Governo – é apenas uma corrente de transmissão do executivo.


 


O Presidente da República tem teoricamente um papel de arbitragem, mas há muito deixou de exercer o papel de fiscal e zelador. O Presidente da República, sobretudo no seu primeiro mandato, não serve para defender o interesse dos eleitores, preocupado que está com a sua reeleição.


 


Mais valia que houvesse um provedor dos eleitores, alguém com poder para punir políticos incumpridores, alguém que pudesse sancionar partidos que não cumprem programas eleitorais e penalizasse a sua actividade.

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publicado às 17:58

ELEIÇÕES – Estou inclinado a achar que, no início do segundo mandato, os Presidentes da República abusam de Viagra ou de alguma outra substância semelhante. No segundo mandato os presidentes, como Cavaco Silva bem mostrou no seu discurso desta semana, dizem o que antes achariam desestabilizador e passam a agir de forma diferente. Como se toda a vida tivesse pensado e dito o mesmo, Cavaco Silva apelou a que a sociedade civil se levantasse contra o estado das coisas em que o país anda  - «é altura de os portugueses despertarem da letargia em que têm vivido», avisando que «há limites aos sacrifícios» e apelando aos jovens para fazerem ouvir a sua voz.


 


É uma mudança extraordinária de quem, para além do razoável, tolerou, em silêncio, o degradar da situação económica, o degradar do funcionamento das instituições, o degradar do funcionamento do sistema político- partidário, algo que culminou com todos as anomalias eleitorais no próprio dia da sua reeleição e com a elevada abstenção que se estabeleceu no país. Agora, depois de um mês a ouvir opiniões do focus group de notáveis que chamou a Belém, vestiu um camuflado e partiu, diferente e aguerrido, com alma guerreira. Mais vale tarde que nunca? – é verdade – mas escusávamos de ter perdido tanto tempo a deixar o Governo em roda livre só para garantir a reeleição.


 


O problema, aliás, não é só de Cavaco Silva – os Presidentes anteriores fizeram sempre isto – um pouco como se durante o primeiro mandato andassem alimentados a Valiums, acalmando-se à força para garantirem a reeleição, para, depois, no segundo mandato, usarem estimulantes como carburante. É uma situação que se está a tornar ridícula e que é sintomática da forma como os Presidentes governam em função dos seus interesses políticos e pouco mais.


 


Quando olho para este fenómeno penso se não seria mais útil limitar o mandato do Presidente da República a um único, mesmo que um ano mais longo. Assim se evitariam estes tristes episódios em que assistimos à negação das evidências durante metade do seu ciclo de vida político em Belém.


 


Já que os Presidentes governam em função da obtenção do seu segundo mandato, melhor seria tornar esse segundo mandato inexistente. Podia ser que assim tomassem decisões, em vez de viverem de equilibrismos.


 


INVESTIMENTOS – Olhar para a evolução dos investimentos publicitários é sempre curioso. Os números agora conhecidos do mês de Janeiro mostram um ténue sinal de retoma, é certo que muito baseado na publicidade das grandes cadeias de distribuição. No sempre difícil mês de Janeiro o investimento cresceu um pouco mais do que 2% , saindo do ciclo de queda dos últimos meses do ano passado. O investimento publicitário nos canais de cabo continua a crescer a bom ritmo – mas o investimento nos canais de sinal aberto caiu – o mesmo sucedendo, embora de forma mais acentuada, na imprensa diária e semanal. O maior crescimento, claro, continua a ser o investimento publicitário nos meios online, que aumentou cerca de 70% em relação ao mês de Janeiro do ano passado, ultrapassando já, em valores reais, o investimento na rádio e na imprensa diária.


 


SEMANADA – Angolanos compraram mais 5% do BCP; Durão Barroso afirma que Portugal não deve pedir ajuda externa; Portugal subiu ao 5ºlugar da lista dos países que correm maior risco de bancarrota; os juros da dívida pública portuguesa atingiram valores recorde; os Homens na Luta ganharam o Festival RTP da canção; o secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, horas antes do discurso de Cavaco Silva, considerou que o Governo «tem todas as condições políticas para alcançar os objectivos a que se propôs e superar a crise que o país enfrenta».


 


FRASE DA SEMANA - «Tudo depende de o PSD continuar escondido atrás da sua táctica de caça aos patos ou mostrar que não tem medo de ir a jogo» - António Nogueira Leite, no Facebook


 


ARCO DA VELHA – Dois terços dos carros da Polícia Judiciária estão inoperacionais ou com problemas de manutenção e, segundo relata a imprensa, a principal polícia de investigação portuguesa está em falência técnica. Nada de novo no universo da Justiça.


 


VER – A galeria Appleton Square é um agradável espaço na antiga zona industrial de Alvalade, por detrás da Avenida da Igreja, que se tem dedicado a arte contemporânea. Agora expõe seis novas obras de Jorge Humberto (JOH), um pintor que se tem destacado pela forma como experimenta técnicas que criam texturas complexas. O título genérico da exposição é «Tradutor», um nome bem escolhido para sublinhar a forma como JOH nos faz ver outras realidades além das evidências. O artista gosta de explorar os sentidos, provocando a imaginação. Usa a cor de uma forma particular, moldando-lhe tonalidades com texturas, às vezes quase como se quisesse criar uma terceira dimensão na sua pintura. Até 26 deMarço, Rua Acácio Paiva 27, aberto das 15 às 20, de terça a sábado.


 


AGENDA – No Teatro Municipal de Almada uma exposição-leilão, que agrupa obras de vários artistas (de Pedro Calapez a Cristina Ataíde, passando por André Gomes, Rui Chafes, Pedro Proença, Jorge Martins, Graça Sarsfield ou Egas Vieira, entre outros) – até dia 17 de Abril.


 


FOTOGRAFIA – Até 15 de Junho, no Museu Colecção Berardo, no CCB, as sempre polémicas escolhas do prémio BES Photo, este ano com trabalhos de Carlos Lobo, Kiluanji Kia Henda, Manuela Marques, Mário Macilau e Mauro Restiffe; no Centro de Artes Visuais, em Coimbra, duas exposições: «2011», de André Cepeda; e «arquivo#0» de José Maçãs de Carvalho.


 


LER –  O novo livro de José Eduardo Agualusa é um divertido exercício de usurpação de estilo. O escritor vestiu a pele de 25 autores já desaparecidos e escreve, sobre temas, factos, pessoas, músicas e tendências actuais como os próprios o fariam, replicando o estilo e, aqui e ali,  os tiques de discurso literário. É um belo exercício de imaginação e bom humor, que resulta em 25 histórias curtas que traçam um bom retrato dos tempos actuais, recorrendo à inspiração de nomes como Eça de Queiroz, Nabokov, Senghor, Bertrand Russell, Bruce Chatwin, Sophia de Mello Breyner, Camilo Castelo Branco ou Nelson Rodrigues, entre outros. Delicioso. José Eduardo Agualusa, «O Lugar do Morto», Edição Tinta da China 157 péginas.


 


OUVIR – Alguns discos são tão belos e perfeitos que se torna muito difícil escrever sobre eles. Logo à primeira audição mostram-se irresistíveis. É o que acontece com o novo trabalho dos norte-americanos The Decemberists, «The King Is Dead», o seu sexto álbum. Normalmente associados a influências do folk britânico, este novo disco é no entanto aquele que mais marcadamente revive a tradição musical norte-americana, com momentos onde se notam influências de nomes como Neil Young, dos REM (Peter Buck colabora aliás no disco). Outra das colaborações vem de Gillian Welch, essa extraordinária intérprete americana que foi às raízes musicais dos Estados Unidos buscar inspiração e que aqui se destaca. Elegante, criativo, inspirado, este disco viveria mesmo que não tivesse estas duas colaborações excepcionais. The Decemberists, The King is Dead, CD Rough Trade


 


PROVAR – Nos anos 60 o restaurante Arraial era um dos locais incontornáveis na zona da Avenida de Roma. Decoração típica portuguesa à moda da época, cozinha tradicional. Com o andar dos anos foi decaindo, e no ano passado sofre uma remodelação total. A decoração ficou mais leve, o espaço mais luminoso, com zona para fumadores. Confortável, boa garrafeira, serviço atento, o Arraial voltou aos seus melhores tempos, mantendo a fidelidade à cozinha portuguesa. Por estes dias provei um bacalhau à Brás e um Choco Frito à moda de Setúbal, ambos a corresponderem às expectativas. Preços razoáveis, boa qualidade, bom serviço. Restaurante Arraial, Travessa Conde de Sabugosa 13 A e 13 C, Telefone 218 400 089.


 


BACK TO BASICS – A palavra foi dada ao homem para esconder o seu pensamento - Stendhal

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publicado às 18:48

Esquina 398 - Jornal de Negócios

por falcao, em 04.03.11

TELEVISÃO - A contínua progressão do cabo continua a fomentar um clima de  agitação nas estações de televisão em sinal aberto. Os números da semana passada são elucidativos: a TVI obteve um share médio de 26%, a SIC ficou em segundo lugar com 23,6%, o conjunto de canais de cabo ficou na terceira posição com 23,5% e a RTP 1 só conseguiu o quarto lugar com 23%; a RTP 2, vítima da falta de estratégia alternativa, caiu para os 3,9%, o seu pior resultado desde há muito tempo. Na realidade o somatório dos canais de cabo já está, nas últimas semanas e de forma regular, na terceira posição, à frente de um dos canais de sinal aberto. 


 


Se olharmos só para os resultados dos que vêem televisão por serviços de distribuição pagos (já existem 2,77 milhões de casas com assinatura de cabo, fibra óptica ou satélite), na semana passada o quarto canal mais visto, logo a seguir aos três canais generalistas, foi a Sport TV, seguido da SIC Notícias, AXN, e só depois a RTP 2. A seguir, para completar o top ten, vêm Hollywood, Fox e Panda.


 


Mas o mais curioso de tudo é que na semana passada, nas casas com televisão por assinatura, 52,2% preferiram os canais do cabo e só 47,8 ficaram pelos canais de sinal aberto. Não é isto que costuma acontecer e certamente a transmissão de vários jogos de futebol na Sport TV justificou esta enorme alteração de padrão. Mas mesmo que nas próximas semanas o cabo volta a ser minoritário, os dados estão lançados e esta é uma realidade que não vai voltar para trás. O mundo da televisão está a mudar de forma acelerada.


 


Os espectadores assumiram o controlo do comando, como dizia a (boa) publicidade da Meo – e o que é facto é que o aumento do número de assinantes de televisão que se verificou desde que existem dois grandes operadores no sector veio contribuir para que progressivamente diminua o número de espectadores da RTP, SIC e TVI.


 


CRISE – Estamos numa situação em que o PS tem medo de cair, mas o PSD parece ter medo de ganhar Um amigo meu dizia-me, há dias, que ao PSD falta « killer instinct» - e Sócrates, é claro, aproveita-se disso. Cada dia que passa ouvem-se mais rumores de que tudo se vai acelerar a partir do próximo dia 9, quando Cavaco Silva tomar posse no segundo mandato como Presidente da República. Esta semana Belém deixou cair nos jornais que o Presidente havia criticado o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, a propósito da ameaça de processo disciplinar que este fez a um Juiz que não obedeceu á destruição das gravações das escutas de Sócrates, incluídas no processo Face Oculta. Noutras ocasiões recentes Cavaco deu sinais de distanciamento em relação ao Governo e de preocupação com o evoluir da situação portuguesa. Está agendado um duelo, só que ainda não tem hora marcada – mas mais tarde ou mais cedo ele vai mesmo ocorrer.


 


SEMANADA -Teixeira dos Santos descobriu, ao fim de anos de Governo, que a economia portuguesa não pode continuar a assentar numa espiral contínua de endividamento. O Governo afirmou que prepara mais medidas de austeridade. O concurso do TGV continua a girar sem que ninguém perceba exactamente o que se passa. Sócrates terá falado do TGV na conversa com Merkel?


 


ARCO DA VELHA – Leio nos jornais que os magistrados vão ter de deixar de usar separadores de cartão, em processos judiciais, como importante medida de contenção da despesa anunciada pelo Director Geral da Administração da Justiça.


 


VER – A nova exposição do fotógrafo Paulo Nozolino, Makulatur, é criativamente avassaladora, formalmente contida, mas com uma energia contagiante. Esta intensidade é ainda mais marcante porque o tema da exposição é a vida e a morte, uma vida marcada pela expiação, às vezes apenas reduzida a um caminho para o fim. Os seis dípticos que constituem a exposição são uma evidência da transitoriedade de tudo o que nos rodeia. A própria forma como a exposição está montada, quase a evocar a ida a um sepulcro, apenas quatro pessoas dentro do espaço de cada vez, contribui para uma ideia de criatividade total, tecnicamente irrepreensível,  com a possibilidade de estimular múltiplas leituras. Por fim alguém sai do bonitinho e não hesita em provocar. Ou ser realista. Makulatur, Galeria Quadrado Azul, Largo Stephens 4, até 21 de Abril.


 


AGENDA – Pintura de Michael Biberstein em diálogo com escultura e instalações de Rui Sanches ,em diálogo no Pavilhão Branco do Museu da Cidade de Lisboa, no Campo Grande, até 10 de Abril; trabalhos recentes, sobre papel, de pedro Chorão, na Galeria João Esteves de Oliveira, Rua Ivens 38, até 18 de Março.


 


LER – A edição da revista Monocle de Março aborda um tema actualíssimo: Será que não se dorme na nação do futuro - deixa de haver horários, estamos sempre ligados?.A Monocle sugere formas de equilibrar o trabalho, o descanso e a diversão na época em que estamos sempre ligados através de um dos múltiplos aparelhos que nos rodeiam. Com humor anuncia que os OOOR são uma classe perigosa desfasada com o ritmo dos tempos. OOOR quer dizer «Out of Office Reply» e quem utiliza este mecanismo nos dias de hoje está desfasado da realidade. Por outro lado, sobretudo na Ásia, proliferam os OAH – Open All Hours. A abordagem da Monocle faz-nos poensar nos desafios que a capacidade de conectividade colocam quer ás empresas quer aos profissionais. Muito interessante.


 


OUVIR - Let England Shake, o novo e oitavo álbum de originais de P.J. Harvey, quatro anos depois do perturbante White Chalk, é um disco surpreendente – em termos das canções, do ponto de vista musical e das letras – e, como ela diz, as suas canções nascem de palavras que depois ganham forma musical. Está a tornar-se um lugar comum dizer que este disco coloca a carreira de miss Polly Harvey num novo patamar – mas de facto é verdade. Ela consegue levar a música popular contemporânea para um território há muito inexplorado, num disco em que a música pop regressa ao tema da guerra. «Todos os meus discos são políticos no sentido original do termo - falam da forma como nos relacionamso uns com os outros» - afirmou Harvey numa recente conversa publicada na revista francesa Inrockuptibles. Neste disco ela  fala da guerra através da poesia, fala de conflitos que, ora não localiza no tempo ora descreve de forma clara. Claro que no fim se percebe que ela, em todas estas canções, fala sobretudo da condição humana. Uma das canções, «England», é assim: “I have searched for your springs, but people, they stagnate with time, like water, like air…” .


 


PROVAR – Gostava de conhecer Moçambique, de ouvir lá a sua música que tanto me fascina, de provar os petiscos de que amigos meus falam. Pois fiquem os lisboetas sabendo que há um bocadinho de Moçambique perto do Cais de Sodré, no restaurante Ibo, já aqui mencionado noutra ocasião. Fica mesmo ao lado do Bar do Rio e retorno ao tema porque nestes dias em que o sol começa a querer dar sinal, apetece mesmo ir para  a pequena esplanada do Ibo e beber uma imperial com cerveja de marca «Laurentina», uma das cervejarias famosas de Maputo, comendo umas gambas à moda do que lá se faz. Há muitas outras iguarias – mas destaco o caril de caranguejo, que continua a ser uma especialidade. É pena que aquela zona da cidade esteja tão desleixada pela Cãmara, tão suja e cheia de lixo, e que tenham construído uma pista de ciclismo que obriga quem ali passeia à beira-rio a permanentes exercícios para evitar ser atropelado. Ibo – Cais do Sodré, Armazém A, Telefone 213 423 611.



BACK TO BASICS – A dúvida é o princípio da sabedoria - Aristóteles

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publicado às 10:58

GOLPADAS PARTIDÁRIAS

por falcao, em 02.03.11

(Publicado no diário Metro de 1 de Março)


 


De repente o PS, com ajuda de parte do PSD, começou a falar da necessidade de reorganizar o território. Fala-se em diminuir o número de freguesias, talvez o número de municípios,  em iniciar o processo de regionalização e em promover o reordenamento administrativo do território. À primeira vista tudo parece perfeito.


 


Acontece que, quando ouço falar disto, apetece-me, como dizia o outro, sacar da pistola – a probabilidade de tudo isto só servir para ir ao bolso dos contribuintes ainda mais é elevadíssima, a probabilidade de isto só servir para mais uns jobs for the boys é enorme. Regra geral quando, no contexto do nossos sistema político, se fala de reordenamento administrativo, isso quer dizer fazer uma partilha equilibrada de lugares entre partidos.


 


Como de boas intenções está o inferno cheio vale a pena ver o que se passou em Lisboa, a nível do projecto de redução das freguesias, cozinhado à socapa pelos líderes das distritais do PS e PSD, dois aparelhistas com anos de experiência de negociatas destas. Guiados pelo desejo de dar um exemplo ao país, fizeram um acordo que tem por base a maximização dos resultados eleitorais de ambos os partidos (desprezando os outros), ignorando qualquer diálogo com os eleitos – nas freguesias ena vereação. Ou seja, o único objectivo foi concertar posições que salvaguarde os dirigentes partidários, passando por cima daqueles que foram escolhidos pelos eleitores.


 


PS e PSD dizem que o acordo de Lisboa é exemplar –  na realidade é um alerta para o que, se puderem, responsáveis partidários do calibre dos que fabricaram o negócio irão fazer pelo resto do país.


 


É bem verdade que uma reorganização administrativa do território é uma peça importante de modernização – mas era bom que ela fosse feita com base em estudos e decisões de técnicos e de especialistas,  e não com base nos objectivos partidários do bloco central – que passam por esvaziar a paisagem à sua volta e partilhar lugares.

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publicado às 10:55


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