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Balanço centenário

por falcao, em 30.09.11

GOVERNO – Nestes cem dias de governação ficou saliente um problema do regime: continua a existir uma grande contradição entre a energia na obtenção da receita, que a legitimidade dos votos proporciona, e a quebra das promessas que proporcionaram esses mesmos votos. Foram cem dias intensos – três aumentos de impostos, as primeiras decisões de redução do peso do Estado, o cumprimento do calendário do acordo com a troika. Cem dias que foram focados em criar uma imagem diferente, em termos internacionais, da governação de Portugal – espera-se agora que os próximos cem dias sejam dedicados a dar aos portugueses provas de que o país pode mudar para melhor. Observadores atentos de diversas áreas não se cansam de dizer que os próximos cem dias serão decisivos – o Governo tem sabido usar a palavra mudança, todos esperamos que possa começar a conjugá-la com a palavra esperança. Mais – é fundamental conseguir conciliar a austeridade, que tem de ser uma nova regra de vida, com o crescimento económico, sem o qual não há nem confiança nem esperança. Esta semana gostei de ouvir, numa conferência do «Jornal de Negócios», o Ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, a dizer preto no branco que a energia tem que estar ao serviço da economia e não a economia ao serviço da energia. A frase sintetiza uma alteração de comportamento – esperemos que efectiva. E gostei de ouvir o mesmo Ministro defender um reforço da competitividade das exportações portuguesas com recurso a portos marítimos mais eficazes e a linhas ferroviárias de bitola europeia, pensadas para transporte de mercadorias, a norte e a sul. Foi a primeira hipótese alternativa ao TGV que me pareceu interessante e possível. O próximo desafio do Governo – e não é pequeno - é concretizar os planos que elaborou nestes 100 dias.



OPOSIÇÃO – Nestes cem dias de Governo o PS fez um Congresso e mudou de direcção. O Congresso foi uma espécie de reciclagem dos pecadores, sem o ritual da confissão. Bastou a presença  no templo e passaram de pecadores a perdoados sem necessidade de arrependimento. A nova direcção do PS está a caracterizar-se por um vazio ideológico total e tácticas surpreendentes – negativas, entre a falta de noção da realidade e a mais baixa demagogia. Em jeito de balanço dos cem primeiros dias da Governação, António José Seguro resumiu desta forma o Estado da Nação: «O Governo passou os 100 primeiros dias a discutir a tutela do AICEP». No Congresso, o PS recusou-se a olhar para a realidade, para as más políticas que implementou no país. Agora o seu novo líder recusa-se a olhar para aquilo que, concorde-se ou não, tem sido feito pelo actual Governo. A desonestidade intelectual não é um bom programa político para nenhum partido de oposição.


 


ASAE – Esta semana soube-se que uma multa imposta pela ASAE à Livraria Barata tinha sido anulada pelo Tribunal. Há muito que não se ouvia falar da ASAE, esse símbolo dos primeiros anos do Governo Sócrates. A acção contra a livraria Barata é exemplar da forma abusiva como a ASAE actuou e como criou uma imagem de intolerância e prepotência. António Nunes foi o rosto desses abusos, o rosto de uma forma de funcionar que visava criar o medo, mais que prevenir ou esclarecer. A ASAE que foi derrotada em Tribunal é um dos resquícios que temos da forma de agir de Sócrates – os fins justificam os meios. Também aqui há muita coisa para mudar.


 


TV – Cada vez que se pensa na definição e competências do serviço público de televisão deve-se ter em conta os dados do novo relatório da Anacom, relativo à evolução do serviço de televisão por subscrição no segundo trimestre deste ano mostra um crescimento de 7,4% no número de assinantes, em relação ao período homólogo de 2010. O total de assinantes é agora de 2,848 milhões, o que significa aproximadamente 70% das famílias. O grande motor do crescimento do mercado tem sido a instalação de fibra óptica - o número de utilizadores de fibra óptica mais que duplicou entre o segundo trimestre do ano passado e o segundo trimestre deste ano, com o MEO a ser o único operador a crescer em quota de mercado. O operador com maior número de clientes continua a ser a Zon, com 55,8% do total, seguida da PT/MEO com 32,3% e da Cabovisão com 9%. Actualmente mais de metade dos assinantes dispõe de acesso a mais de 80 canais. O mundo já mudou, o serviço público é que não.


 


ARCO DA VELHA – Joe Berardo revelou esta semana que, há uns anos atrás, quis contratar Pinto da Costa para dirigir o Benfica oferecendo-lhe  500.000 contos pela transferência das Antas para a Luz.


 


SEMANADA – Foi extinta a Fundação para as Comunicações, a gestora do projecto Magalhães, que terminou com 70 milhões de euros de dívidas; o número de particulares que pediram insolvência aumentou 156% em relação a 2010; o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decidiu arquivar a queixa contra o Director da Revista Sábado, acusado pelo Ministério Público de ofensa à honra do Presidente da República por ter criticado o seu discurso de posse do segundo mandato; o homem mais rico da China, um industrial da Construção, está na lista para entrar no Comité Central do Partido Comunista Chinês; a frase da semana pertence a Augusto Mateus: «a Europa não pode continuar a ser uma fotografia de grupo de 27 pessoas sorridentes que, face a uma emergência, prometem uma solução para daqui a três meses».

LER – A «Wallpaper» assinalou a sua edição 150 com um número especial que revisita algumas das melhores escolhas da revista nos últimos 15 anos e a lista de 150 personalidades que marcaram a época. Fundada por Tyler Brulé, que depois a vendeu e, anos mais tarde, criou a «Monocle», a «Wallpaper» foi a partir do final dos anos 90 do século passado um guia sobre cidades, criadores, moda, designers – enfim, um manual de cultura urbana. Nesta edição destaco a reportagem dedicada ao renascimento de Roma, o clube privado concebido por David Lynch em Paris, um artigo sobre os directores de arte das grandes campanhas de moda dos últimos anos e. para terminar, as duas páginas sobre o L’And Vineyards, um projecto do arquitecto brasileiro Marcio Kogan, a quem o proprietário das vinhas, José Cunhal Sendim, encomendou o projecto, que fica perto de Montemor-o-Novo.


 


VER – Em termos de exposições a rentrée lisboeta está animada. No Museu Berardo (CCB) está uma exposição retrospectiva do brasileiro Vic Muniz, um cartão de visita á actividade deste artista que integra uma centena de obras; Rui Chafes mostra desenhos inéditos na Galeria João Esteves de Oliveira, ao Chiado; no espaço BES ARTE, no Marqu~es de Pombal, está uma exposição fantástica de fotografas de Gérad castello Lopes – absolutamente imprescindível;  e por vários locais da cidade, do MUDE ao Convento da Trindade, passando pelo antigo Tribunal da Boa Hora decorrem actividades da Experimenta Design, agora na sua semana inaugural – todas as informações em www.experimentadesign.pt .


 


OUVIR – Os Nirvana fizeram o histórico CD «Nevermind» há 20 anos. Canções como «Smells Like Teen Spirit», «Come As You Are» ou «Lithium» integravam os 12 originais que ajudaram a fazer de Kurt Cobain um mito. Para assinalar o 20º aniversário da edição  a Universal preparou uma edição com dois CD’s que reúne, para além do álbum original, nove temas que constituíram os lados B de outros tantos singles da banda. Além disso esta edição inclui registos antes nunca editados que passam por concertos ao vivo, actuações em programas de rádio, gravações de ensaios e demos de trabalho. Para encerrar, o booklet que acompanha esta edição inclui fotografias inéditas e diverso novo material gráfico. É uma edição magnífica, à venda na FNAC e El Corte Ingles.


 


PETISCAR  – Em Espanha, os presuntos 5J são sinónimo de qualidade. A marca remonta a 1879, e tem aberto alguns espaços de petiscar em locais seleccionados. O primeiro desses locais em Portugal abriu há uns meses no sétimo andar do El Corte Ingles, em Lisboa. Ali se pode provar o presunto, com um corte impecável  - já agora, porque é que por cá se corta tão mal o presunto? Mas também há outros petiscos, como lombo ibérico,  achovas de santona com queijo de cabra e beterraba, e ovos estrelados ou em tortilla, com várias possibilidades de ingredientes. Em suma uma casa de tapas onde não faltam uns deliciosos croquetes de presunto que por si só valiam uma deslocação. A carta de vinhos espanhóis é simpática e a cerveja de pressão é a magnífica Mahou. Aqui está um grande sítio para petiscar


 


BACK TO BASICS – Saber exactamente qual a parte do futuro que pode ser introduzida no presente é o segredo de um bom governo - Victor Hugo


 


(Publicado no Jornal de Negócios de dia 30 de setembro)


 

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publicado às 16:44

QUEM VÊ TV?

por falcao, em 29.09.11

Cada vez mais portugueses vêem televisão através de serviços de subscrição – cabo, satélite, fibra, etc. Na realidade o número de clientes destes serviços não pára de aumentar – no primeiro semestre deste ano o número de assinantes cresceu 7,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O total de casas que compram o acesso a serviços de TV atinge já os 2,85 milhões, o que quer dizer que 70% das famílias tem acesso a pelo menos meia centena de canais. Apenas 30% da população vê TV através das velhas antenas – e sobretudo em zonas do interior do país.


 


Os espectadores estão cada vez mais divididos. Na semana passada cerca de 29% optaram por ver canais de cabo em detrimento dos canais de sinal aberto (RTP 1 e 2, SIC e TVI). A TVI, que continua a liderar obteve 26% de audiência, contra 22,5% da SIC e 18,9% da RTP 1 e 3,9% da RTP 2.


 


Secret Story, jogos de futebol, as novelas Remédio Santo e Laços de Sangue, telejornais e a entrevista a Pedro Passos Coelho ocuparam a lista dos dez programas mais visto, numa semana em que 80% dos portugueses seguiram nalgum momento emissões de televisão.


 


E no cabo, o que se passa? – A SIC Notícias é sistematicamente o canal mais visto – os outros canais de informação estão longe – a RTP N vem em 8º lugar no top do cabo e a TVI 24 surge em 10º lugar.


 


A seguir à SIC Notícias os mais vistos na semana passada foram AXN, Hollywood, Sport TV e Fox – os cinco magníficos do cabo que conquistam a atenção de mais portugueses – o sexto é o Panda, para os mais miúdos.


 


Há 20 anos ainda não existiam canais privados – a SIC nasceu em 1992, a TVI em 1993 e a TV Cabo surgiu em 1994. Em menos de duas décadas os hábitos de consumo de televisão e as exigências dos espectadores por mais oferta não pararam de aumentar. E hoje há canais para todos os gostos. A qualquer hora.


 


Quando se fala de serviço público e da reestruturação da RTP é bom ter estes números presentes. O mundo mudou muito em 20 anos – até que ponto faz sentido o Estado hoje deter estações de televisão?


 


 


(publicado no diário Metro de dia 25 de Setembro)

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publicado às 16:08

MADEIRA – Existe uma criativa empresa em Lisboa que se dedica a estampar tshirts com frases relativas à actualidade. Esta semana colocou no mercado uma novidade que fez furor no Facebook: estampado sobre um fundo azul intenso, com letras abertas a branco, pode ler-se: “Escavadoras Jardim, a cavar buracos desde 1978”. A frase é mortífera e encerra o sentimento que o resto do país tem em relação à Madeira – todos andamos a pagar uma despesa que está descontrolada. Manda a verdade que se diga que os primeiros anos da governação de Jardim produziram obra a nível das infra-estruturas sociais – desde escolas a centros de saúde, passando por habitação social. Mas a partir de certa altura as grandes construtoras tomaram conta da ilha como, em geral, quiseram tomar conta do país. O mito das obras públicas como motor de desenvolvimento produziu os resultados que todos sabemos e a Madeira não escapou. Construíram-se estradas talvez não fundamentais e desencadeou-se um corrupio de grandes obras, mas, infelizmente, soube-se há dois anos, não se fez nada que pudesse prevenir a situação de catástrofe que a ilha da Madeira sofreu com as inundações. Alberto João Jardim, de há uns anos a esta parte, deixou de ser um político com obra para mostrar e passou a ser um político com obras para adjudicar – e sem dinheiro para as pagar. Falando depressa, Jardim passou o seu prazo de validade e não teve a honestidade política de se retirar no auge da obra útil que também fez; pior, no seu partido, todos temeram contrariá-lo e permitiram que ele agravasse os erros – políticos e económicos. Jardim foi fazendo afirmações cada vez mais estranhas do ponto de vista político, ameaçando com uma independência que não sobreviveria sem o dinheiro que o Governo da República lhe foi entregando. Percebe-se agora que as entidades supostas fiscalizar as contas da região andaram a dormir na forma durante muito tempo e o próprio Presidente da República se deixou ficar no engano porque lhe dava jeito - e Passos Coelho fez bem em se demarcar. O que eu sei é que Alberto João Jardim anda a fazer uma média de 1,5 inaugurações por dia na sua actual campanha eleitoral. Se ganhar, como é provável, fica-se com a certeza que, em política, o crime compensa.

TGV- Eu sou dos que acha que a única linha de TGV que faz sentido é a  Lisboa-Madrid. Quando o actual Primeiro Ministro, então ainda apenas líder da oposição, começou a pôr em causa a possibilidade da sua construção nesta altura achei que ele dizia coisas com sentido e presumi que provavelmente os seus assessores teriam estudado as implicações de uma suspensão da obra. Vai-se percebendo que os estudos, se existiram, foram atabalhoados – pelos vistos não tiveram em conta acordos firmados com Espanha nem a possibilidade de manter os financiamentos comunitários para a obra. Desde há cerca de um mês que se intui que o discurso do Governo sobre o TGV está em processo de permanente evolução e a ideia mais recente é que talvez se avance só com uma única via, em vez da dupla via normal. Voz amiga, ao saber da novidade, exclamou logo: «só se for de sentido único para nos pirarmos daqui para fora». Coloquei a frase no Facebook e foi um sucesso. Eu sobre esta matéria não tenho mesmo certezas – mas tenho muitas dúvidas e as maiores delas, nesta questão da via única, é a de saber se, no longo prazo esta solução não encarecerá ainda mais a conclusão da obra a duas vias e se, por outro lado, em matéria de segurança não existem dúvidas. Com o que o passado recente trouxe em matéria de falta de estudo eu cá por mim limito-me a recomendar prudência, bom senso e humildade no estudo da situação.

ARCO DA VELHA – Devido à falta de material circulante, sapadores bombeiros de Braga começaram a utilizar ambulâncias funerárias como veículos de apoio no combate a incêndios.

SEMANADA – A Espanha anunciou que prepara restrições a novos parques eólicos; Lisboa viu as receitas municipais diminuírem 37,5% milhões de euros devido à quebra da actividade económica e diminuição da derrama; virou moda esconder números - confirmou-se que no Instituto do Desporto existiam 635 facturas por processar no valor superior a seis milhões de euros; em várias cidades a iluminação pública foi reduzida e nalguns casos anulada para conter os novos custos que decorrem do aumento do IVA na electricidade; 85% dos portugueses acham que os sacrifícios não estão a ser repartidos de forma

LER – Quando folheei a edição da Monocle, de Outubro, fiquei com vontade de a enviar a diversos responsáveis por alguns grupos de comunicação em Portugal. O tema central é “O Novo Modelo dos Media”, com exemplos analisados em diversos países. No texto de introdução, Tyler Brulé, o director da “Monocle” enfatiza a necessidade sublinhar os exemplos em que o investimento em boas práticas de jornalismo, em talento e em imaginação são aqueles que fazem ganhar audiência. O ponto central é este: é o conteúdo que dita a audiência e não apenas as plataformas de distribuição ou as formas como os conteúdos são empacotados nos vários serviços possíveis. Esta abordagem “back to basics” pode parecer estranha nestes dias, mas os exemplos relatados dão que pensar – e dar que pensar é de qualquer forma o objectivo de qualquer revista que se preze.

VER – Uma coisa que cada vez se torna mais saliente na obra de Ana Vidigal é o seu sentido de humor, que molda as peças, a escolha das técnicas e das cores, os desafios que nascem dos nomes das obras, escolhidos como parte da própria criação artística. «Estilo Queen Anne», um título que por si só é um programa, é a sua nova exposição, que ocupa, em contextos diferentes, as duas salas da Galeria Baginski com duas dezenas de trabalhos, entre a pintura, a colagem e desenho, com incursões pela pop art e pelo imaginário da banda desenhada - aqui usando autocolantes da BD bem comportada e personagens da BD mais marginal. Na outra sala da exposição Ana Vidigal ensaia suportes e técnicas gráficas de impacto visual, simulando o universo das imagens fotográficas e ambientes de fantasia. Depois da sua mostra antológica no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em 2010, esta exposição mostra os novos e  curiosos percursos que Ana Vidigal está a ensaiar, claramente em ruptura com o status quo instalado. Galeria Baginski, Rua Capitão Leitão 51-53, de 22 de Setembro até 5 de Novembro.

OUVIR – Em Abril deste ano Wynton Marsalis e Eric Clapton gravaram um disco de blues no Lincoln Center, em New York. À partida o desafio era aliciante – combinar a sonoridade do trompete com a da guitarra eléctrica, enquanto solistas numa formação clássica de jazz que combinava mais três metais, teclas, baixo, banjo e bateria. A boa notícia é que o resultado é magnífico – recorrendo a arranjos típicos das formações de jazz de New Orleans. Mantendo uma fidelidade absoluta ao espírito dos blues, Marsalis e Clapton fizeram uma reinterpretação inovadora de clássicos como “Ice Cream”, “Joe Turner’s Blues” ou “Corrine, Corrina”, já para não falar de temas do próprio Clapton, como “Layla”, aqui numa das suas melhores versões de sempre. As vozes são as de Marsalis e de Clapton, com a participação especial do grande Taj Mahal em três. Vale a pena ter a edição especial, que combina o CD áudio com o DVD do concerto. Numa recente entrevista à “Vanity Fair”, Marsalis dizia que os blues eram o grande amor da sua vida – “It cost a lot to find and much more to maintain”. Este disco é prova disso mesmo. CD Reprise, via Amazon UK.

PETISCAR – Ao fundo da Guerra Junqueiro, do lado esquerdo de quem desce, há uma pequena loja que se chama “Mercearia Criativa” que vale a pena ser visitada. Não é uma loja gourmet, como os seus proprietários gostam de sublinhar, é uma mercearia com produtos portugueses bem escolhidos, desde as batatas doces de Aljezur a queijo Monte da Vinha, passando por pão de Castro Verde, conservas tradicionais, os deliciosos croquetes de figo algarvios  e vinhos escolhidos. A Mercearia Criativa tem uma pequena esplanada onde se realizam degustações e se pode provar um petisco dos vários disponíveis no local. Se seguirem a sua página no Facebook irão tendo informação sobre as actividades. A Mercearia Criativa fica no nº 4A da Guerra Junqueiro, já perto da Alameda, e está aberta de segunda a sábado entre as 10 e as 20h00.

BACK TO BASICS – O desenvolvimento da economia é a coisa mais importante de um país e o crescimento da dívida pública o maior dos perigos – Thomas Jefferson


 


(publicado no Jornal de Negócios de 23 de Setembro)

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publicado às 17:16

UMA ESTAÇÃO AZUL

por falcao, em 23.09.11

Já devem ter reparado que vai para aí uma polémica sobre a estação da Baixa Chiado e o seu novo nome. Confesso que é uma polémica que não entendo. Como se sabe, nas estações de Metro existe publicidade, cujas receitas ajudam às contas da empresa e a evitar que os bilhetes sejam mais caros. Da mesma forma, a extensão da comercialização de espaço ao nome das estações cria novas oportunidades de receitas, mas, também, proporciona um valor adicional – como está a acontecer na estação Baixa-Chiado, em Lisboa. O que o metropolitano fez foi dar o direito a uma outra empresa a figurar no nome da estação – neste caso à PT. A estação passou a contar com o logótipo da operadora telefónica na sua designação e também com a expressão “blue station”, em alusão ao azul que é a cor da PT. A este tipo de negócio chama-se “Naming Rights” , ou direito de utilização do nome. É algo de vulgar por esse mundo fora em grandes espaços públicos, como por exemplo estádios desportivos ou prestigiadas  salas de espectáculo.


 


No caso do Metropolitano, a associação da PT à “blue station” da Baixa Chiado trouxe algo mais: os utentes da estação passaram a poder usufruir de conteúdos do SAPO, com informações sobre actividades diversas, informações para crianças e actualizações noticiosas, além de uma agenda cultural da cidade de Lisboa com um enfoque especial na zona da estação, o Chiado. Além disso a PT disponibilizou ligação Wi Fi gratuita a todos os utilizadores dentro do espaço da estação.


 


Finalmente a PT promove ainda uma série de eventos na própria estação em áreas como a Literatura, a Arte, a Moda, o design ou a Música. Ao longo de um ano 12 pessoas vão pensar as programações para cada mês – a promeira, já em curso, é da autoria do artsita Vasco Araújo. A estação ficou mais rica em animação, em informação e em serviços e o Metro com mais dinheiro para a manter operacional. Para os utilizadores da estação, esta foi uma boa ideia.


 


(publicado no Metro de 19 de Setembro)

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publicado às 17:09

Coisas que funcionam bem

por falcao, em 16.09.11

AVISO – Dedico a coluna desta semana a boas ideias, coisas bem sucedidas, exemplos a seguir – um modesto contributo para gerar um pouco de optimismo, mostrando que existe quem reaja e faça coisas, quem não fique de braços cruzados a lamentar-se. Esta semana estive num debate no Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos, sobre os problemas que existem na ligação entre o ensino e as empresas, e a maioria dos participantes apontou como principais questões a falta de desenvolvimento de espírito empreendedor e a ideia generalizada de que um diploma deve gerar automaticamente um emprego. A ideia de que a sociedade deve providenciar tudo foi uma curta ilusão nascida no pós-guerra, nos anos 50, e que se começou a desmoronar menos de 50 anos depois. É escusado pensarmos que a sociedade vai fazer alguma coisa por nós, se não nos esforçarmos por fazer alguma coisa pela sociedade. A melhor coisa que podemos fazer a nós próprios é esforçarmo-nos por conseguir acrescentar valor da forma que pudermos. É de casos destes que hoje vou tentar falar.


 


 POLÍTICA - A Universidade de Verão do PSD é um caso raro na política nacional e, este ano, de lá saíram interessantes declarações de vários dos oradores convidados, de vários quadrantes políticos, aliás. De uma forma geral, ano após ano, a Universidade de Verão do PSD tem sido mais interessante que qualquer congresso partidário, tem feito mais debate e criado mais formação entre jovens aspirantes a uma participação cívica que qualquer outra iniciativa. O seu grande impulsionador tem sido Carlos Coelho, deputado social-democrata, que ano após ano tem criado, durante uma semana, um espaço de debate, de experimentação e de troca de experiências – num país onde estas actividades em, matéria de política, são quase um deserto. Interrogo-me aliás se a chamada “rentrée” política do PSD não devia passar a ter a Universidade de Verão como referência, em vez do decadente jantar do Pontal.


 


LER – A Magnética Magazine é uma publicação digital que já vai no seu número 34. Em termos de uma revista exclusivamente digital é um produto particularmente bem cuidado do ponto de vista de conteúdos, nos textos e nas fotografias, e também no design gráfico. Esta iniciativa, que tem um sustentáculo em publicidade na área da moda, é fruto de uma equipa de cerca de 30 colaboradores, das mais diversas áreas, dirigida por Bruno Pereira. É um exemplo de uma equipa que procura fazer coisas diferentes, escolhe temas interessantes, estimula a curiosidade dos leitores e presta informações úteis através de um site com actualizações regulares de agenda. A edição de Setembro é dedicada ao Oriente e tem como destaque um trabalho com Bi Feiyu, um escritor chinês, autor do livro «Three Sisters», galardoado com o Man Asia Literary Prize de 2010.  Estranho? – Não, revelador de que se pode sempre descobrir algo de novo para mostrar. Comunicação é isto mesmo, não é?


 


VER - Luiz Carvalho é um dos jornalistas que há uns meses, num processo de redução de quadros, saíu do Expresso. Não cruzou os braços, começou a fazer workshops onde ensina técnicas de fotojornalismo e, ao mesmo tempo, foi desenvolvendo uma actividade de freelancer. Durante o Verão, Luiz Carvalho publicou no «Expresso», com quem mantém uma boa relação, uma série de reportagens com o título genérico «Portugueses» (revisitando um trabalho que já tinha sido feito sob a forma de livro em 1985). 26 anos depois Luiz Carvalho foi à procura destes novos Portugueses e encontrou 18, das mais diversas profissões, que por uma razão ou por outra tinham uma história para contar. Na revista «Única» publicou as fotos e um texto baseado no depoimento dos entrevistados e a versão iPad do semanário lá tinha também uma versão com filme. E nos últimos dias a SIC Notícias tem passado esses pequenos filmes, que são a extensão audiovisual das reportagens que o Expresso publicou. Têm entre 2 e 4 minutos cada. Tudo – fotografia, recolha do depoimento, filme -  foi feito por Luiz Carvalho, sozinho, e com uma mesma máquina, a Canon 7D. A pós produção vídeo também foi feita por ele no iMovie da Apple, um programa simples e eficiente residente nos computadores da marca. Trata-se talvez do primeiro trabalho desta envergadura feito por um único jornalista multimédia em Portugal. O resultado é um trabalho com qualidade narrativa e técnica, pensado e feito em multiplataforma, com recurso a materiais acessíveis. Um exemplo, em suma.


 


OUVIR – Trabalhei alguns anos no jornalismo musical e na indústria discográfica. Habituei-me a pensar que quando a crise espreita surgem as grandes oportunidades para os independentes. Nestas ocasiões as editoras independentes, ágeis, criativas, entusiastas, ganham uma vida especial na descoberta de talentos e na apresentação de trabalhos que doutra forma talvez ficassem desconhecidos. Tem graça que a música popular contemporânea é das actividades onde felizmente não há subsídios do Estado e onde eles não são, por via de regra, solicitados. Até aí a independência dá outro sabor às coisas. Vem isto a propósito de um grupo que se chama Rose Blanket, um projecto musical que gira à volta de Miguel Dias desde 2003. O seu novo disco, o terceiro, chama-se « Nothing Ahead/Nothing Behind» e  é um duplo CD, editado de forma independente, e as gravações decorreram entre Dezembro de 2008 e Fevereiro de 2011, entre Barcelos e Lisboa. O projecto envolve vários outros músicos portugueses, a voz inesperada e magnífica de Filipa Caetano e duas cantoras norte-americanas, Jennifer Charles (dos Elysian Fields) e Dana Schechter (Bee and Flower, colaborações em American Music Club). O resultado é fruto de um processo criativo feito da experimentação, repetição, correcção, às vezes obsessivo, mas surpreendentemente envolvente. «Feel My Way Around» é o nome da canção que serviu de base para o vídeo, realizado por Joana Linda (vencedora do Shortcutz Maio de Lisboa com a curta metragem «Boudoir») e que pode ser visto no site www.roseblanket.net. Moral da história: vários músicos, várias cantoras, um disco editado, um vídeo feito, uma série de espectáculos que vão surgir – tudo feito de forma independente, com determinação e paixão. É isto que torna o universo da música popular tão atraente.


 


VISITAR – Todos sabemos como as empresas públicas de transporte vivem em situação deficitária. Pois a MOP, concessionária da publicidade no Metro de Lisboa, propôs à empresa a possibilidade de, nalgumas estações, associar o nome pelo qual são conhecidas, e que depende da sua localização, a um patrocinador. Chama-se a isto, em termos publicitários, «naming rights», uma acção utilizada numa série de situações por esse mundo fora, com satisfação para todas as partes envolvidas – as empresas detentoras dos espaços (que recebem dinheiro) e as patrocinadoras (que ganham notoriedade). No caso do Metro a operação foi pensada com cuidado, para não ser intrusiva, nem na estação, nem nos utilizadores, nem sequer no design das novas placas que associam o nome da estação Baixa –Chiado ao patrocinador PT. A arquitectura da estação, desenhada por Siza Vieira, impunha ela própria limitações à forma de intervenção do patrocinador. A solução encontrada pela PT foi inteligente e esteticamente conseguida, graças também à facilidade com que trabalha com novas tecnologias. Usando projecções de imagem e de luz em vários pontos da estação e sempre com recurso ao azul que é a cor identificadora da marca PT, prestam-se uma série de informações úteis aos utilizadores do Metro, mas também se propõem, no próprio espaço da estação, uma série de performances e actuações, num conjunto de actividades idealizado e programado, neste mês, pelo artista Vasco Araújo – outros se lhe seguirão nos meses seguintes. A estação ficou mais rica em animação, em informação e o Metro com mais dinheiro para a manter operacional.


ARCO DA VELHA - Se Portugal tivesse uma lei de responsabilidade fiscal que punisse os violadores das leis orçamentais com a não reelegibilidade durante 10 anos muita coisa tinha sido diferente, no continente e nas ilhas, nestas últimas duas décadas. Como afirmou esta semana Silva Lopes, precisamos de penalizações para políticos que não cumprem regras.


 


BACK TO BASICS – Parece ter-se trocado o valor das coisas pelo preço das coisas – Adriano Moreira


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 16 de Setembro)


 

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publicado às 16:16

Como tratar os culpados políticos?

por falcao, em 13.09.11

Nas últimas semanas temos vindo a ser bombardeados com anúncios  de subidas de impostos, aplicação de novas taxas, impostos especiais – tudo a recair quase exclusivamente sobre os rendimentos do trabalho. O Ministro das Finanças foi claro : é mais prático lançar novos impostos muito fáceis de cobrar porque são deduzidos nos vencimentos, do que tentar outras medidas mais difíceis.


 


Bem sei que o país está num aperto, bem sei que temos que tentar endireitar as contas, bem sei que o mundo mudou e nós todos, aqui neste rectângulo, só demos por isso tarde demais.


 


Mas também sei que durante década e meia foi um fartote de asneiras governamentais, vindas de vários quadrantes partidários, que muito contribuíram para o estado em que estamos. A megalomania tomou conta do país e tornou-se linha política.


 


Mas o que também sei é que, agora, na hora de pagar a factura, ela cai em cima dos mesmos de sempre e nada acontece aos que, verdadeiramente, pelos seus actos, foram responsáveis pelo que aconteceu.


 


Dir-me-ão – perderam as eleições, o Governo mudou, foram politicamente punidos. Pois. Mas não basta – os responsáveis políticos têm que ser punidos por má gestão, por delapidação dos dinheiros públicos, por políticas desastrosas e não estou a falar só de uma punição política.


 


Alguns responsáveis políticos dirão que esta posição é populista – acontece que na realidade foram medidas populistas em excesso, desses mesmos políticos, que nos levaram onde estamos. Irresponsabilidade conjugada com impunidade produziram aquilo que estamos agora a sentir.


 


Quem aumentou o endividamento do país, quem adoptou políticas que não tinham sustentabilidade, quem colocou o Estado a gastar acima das suas possibilidades foram os políticos, quer na administração central, quer na administração local. Em nome de promessas eleitorais delapidaram-se milhões, os milhões que hoje nos estão a tirar, imposto após imposto, taxa após taxa.


 


(Publicado no diário Metro de dia 13 de Setembro)

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publicado às 11:29

FACILITISMO - Quando se intui que não há resposta para algumas perguntas, mais vale não ir a interrogatório – vem isto a propósito da forma como Vitor Gaspar, a meio da semana, se expôs numa série de entrevistas que tinham a intenção de melhorar a comunicação sobre o aumento de impostos e as medidas de redução da despesa. A coisa não funcionou e o resultado teve momentos penosos para o Ministro. Vitor  Gaspar é um tecnocrata puro, demasiado dogmático em matéria europeia, e tem uma assinalável falta de capacidade de comunicação. Já se percebeu que não é um político – embora alguém devesse ter pensado que a pasta das Finanças é politicamente das mais importantes. Toda a gente já percebeu o seu papel – encontrar equilíbrio nas contas, o que é um bocado diferente do anterior Ministro das Finanças que procurava esconder o desequilíbrio das contas. Nestas entrevistas, Vitor Gaspar teve uma frase que resume a sua agenda: é mais fácil e mais rápido aplicar impostos do que mudar o funcionamento do Estado. Ele disse isto de uma maneira mais suave, mas o conteúdo foi este. E, é aqui que reside o nosso problema – é sempre mais fácil ir buscar mais dinheiro ao bolso dos mesmos, que pagam sempre, do que procurar outras soluções. O Estado é preguiçoso por um lado e abusador por outro. É claro que o Ministro podia tentar fazer diminuir a evasão fiscal e assim ir buscar mais receitas; é claro que o Governo podia  tornar a justiça mais célere e assim cativar mais investimento; é certo que podia procurar dinamizar a economia, criar emprego, e assimgerar mais receitas. Eu sinceramente desejo e espero que este Governo consiga resolver o nosso problema. Mas, se vai lá pelo lado da facilidade e não ataca o problema de fundo, nem com impostos de 100% nos safamos.


 


LIVRO - Daqui a uns anos o que vai ficar das duas primeiras décadas deste século? Os políticos que nos levaram à ruína, as medidas de austeridade, ou os criadores, escritores, músicos, artistas, cuja obra perdure? Acham esta pergunta estranha? – E esta: o que é mais importante? - a cultura ou a política? Não me lembro de um político que corporativamente não diga que a política comanda a vida. Ora acontece que, como a História demonstra, não é bem assim. A nossa identidade enquanto nação é marcada pelos nossos criadores e não há vulto da política que na comparação resista ao passar dos séculos. Dito isto, que sinal se pretende dar com um hipotético aumento do IVA nos livros? Portugal já tem das mais baixas taxas de leitura da União Europeia, tem dos índices mais baixos de compras de livros na Europa. Bismark dizia que a política é a arte do possível – mas neste caso acho que esta citação deve ser remetida ao Primeiro-Ministro, que tem a responsabilidade da tutela da pasta da Cultura. É a ele que compete dizer ao seu Ministro das Finanças que aumentar o IVA no livro é impossível (além de provavelmente ter um reduzidíssimo efeito prático na receita). De alguma forma na decisão que for tomada está a pedra de toque da política cultural deste Governo. Vence o dogma, ou aceita-se a razão? Qualquer aumento, mesmo que parcial em relação à taxa máxima, agravará a nossa situação. Esta responsabilidade e esta decisão, repito, pertencem ao Primeiro-Ministro e estou com curiosidade de ver o que fará Passos Coelho depois daquilo que escreveu sobre política cultural, no seu livro «Mudar», lançado em Janeiro de 2010.


 


SEMANADA – 14 600 pessoas perdem em cada mês o direito ao subsídio de desemprego; o sector público deve a fornecedores privados mais de 4 mil milhões de euros; apenas seis das 51 cadeias portuguesas têm salas para encontros íntimos de reclusos com visitas; na última semana três polícias foram assaltados na rua; Ana Gomes apelidou Merkel de “anjinha”; Portugal tornou-se líder europeu na apreensão europeia de chifres de rinoceronte; a Porsche abriu um stand em Pequim.


 


ARCO DA VELHA – Afinal, o tumulto é no PSD - a principal oposição ao Governo, na última semana, veio de dentro do PSD: três ex-líderes e vários notáveis não pouparam críticas à política fiscal e à comunicação do executivo.




VER – Até 18 de Setembro estão em exposição, no Museu da Electricidade, em Lisboa, as obras dos nove finalistas do Prémio EDP Novos Artistas 2011. Esta iniciativa da EDP tem permitido revelar nomes como Joana Vasconcelos, Vasco Araújo, André Romão ou Gabriel Abrantes. É, talvez, o mais regular radar de reconhecimento de novos talentos nas artes plásticas. Priscilla Fernandes é a vencedora deste ano, com os dois vídeos que apresentou e a instalação de André Trindade teve uma Menção Honrosa. Os vídeos de Priscilla Fernandes fogem aos lugares comuns infelizmente frequentes deste género de suporte e remetem para um cruzamento de formas de expressão que de certa forma têm a sua raiz na pintura, como aponta o texto de Delfim Sardo sobre a obra premiada. Já André Trindade fez uma observação do quotidiano com recurso a situações e soluções inesperadas numa instalação muito conseguida – percebe-se que o Júri deve ter hesitado entre as obras destes dois artistas. Em termos mais pessoais o trabalho de João Serra, com recurso a vídeo e fotografia, num registo muito documental e minucioso de uma região mineira no norte da Rússia, constitui um outro ponto incontornável da exposição.


 


LER – Numa fase em que tanto se discute a educação em Portugal, a edição de Setembro da “Monocle” vem mesmo a calhar. A revista investiga e mostra exemplos de experiências educacionais por vezes invulgares na Colombia, Peru, Finlândia, Coreia e Itália. Além disso aborda experiências individuais de duas dezenas de professores e profissionais de várias áreas com experiência relevante no ensino e na formação. A revista privilegiou o lado prático da formação e os resultados obtidos, destaca afirmações e opiniões polémicas sobre estas matérias. É talvez um dos melhores números da “Monocle” desde há meses. Outros temas de interesse são uma entrevista com o novo CEO da Air New Zeland, que está a proceder a uma revolução na empresa, e também uma muito oportuna reportagem sobre um canal de televisão noticioso na Venezuela. Finalmente destaque para as oito páginas que constituem o guia da criatividade em Singapura. Muito para ler, bastante para descobrir, coisas para aprender.


 


OUVIR – Assim, de repente, o nome de Francisco Silva não dirá grande coisa a muita gente. Mas o nome Old Jerusalem já faz levantar umas orelhas – trata-se de um projecto musical desenvolvido por Francisco Silva e que vai agora no seu quinto disco e no décimo ano de carreira. Os primeiros discos tiveram um assinalável aplauso da crítica e permitiram também alguma carreira internacional. Aos poucos Old Jerusalem tornou-se num nome de culto e o seu mentor, Francisco Silva, que compõe, canta e toca a maioria dos seus temas ( e que acumula a carreira musical com uma vida de economista), foi ganhando reconhecimento pelo cuidado colocado sobretudo nas harmonias vocais que se tornaram a sua marca muito própria. Este quinto disco “Old Jerusalem” sai dentro de dias, retoma em parte o espírito dos registos iniciais, mas revela um aperfeiçoamento considerável, mantendo no entanto uma capacidade de surpreender que se revela em vários temas do CD – são doze, onze de Francisco Silva e um de Lou Reed, ainda do tempo dos Velvet Underground, uma versão de “Candy Says”. “Old Jerusalem” já tem distribuição assegurada em Portugal e na Alemanha.


 


PROVAR – Se quiserem conhecer o restaurante onde Pedro Passos Coelho levou Lula da Silva a jantar esta semana, A Horta dos Brunos, fiquem sabendo que fica na Rua da Ilha do Pico 27, perto da Estefânia e é reputado por ser um templo das tradições da cozinha portuguesa, com um ambiente informal e simpático e uma garrafeira de eleição. O saudoso David Lopes Ramos não poupava elogios às suas pataniscas de polvo, às «lulas à Pedro» (o dono do restaurante chama-se Pedro Filipe) e a um arroz com costelas de porco guisadas com couve. O telefone é o 213153421e a casa tem quatro dezenas de lugares.


 


BACK TO BASICS – As livrarias são das poucas provas de que ainda existem pessoas que pensam – as que lêem livros (Jerry Seinfeld)


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 9 de Setembro)


 

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publicado às 11:38

A ESCAVADORA

por falcao, em 09.09.11

Começa a ficar claro que os vários serviços secretos portugueses têm vivido em roda livre. Os seus agentes, seguindo os filmes do género, mostram-se pouco receptivos a cumprir a Lei, acham-se acima de qualquer suspeita e não gostam de dar conta do que fazem.  Ao longo das últimas semanas vários jornais têm aprofundado a investigação do comportamento das secretas e o rol de irregularidades é considerável – passa por favores pessoais a amigos, informações a empresas passadas debaixo da mesa, trânsito de agentes entre a actividade das secretas e a actividade privada.


 


Tudo isto, vai-se sabendo, usando meios técnicos e recursos humanos do Estado para fazer uma circulação ilícita de informações, num misto de favores pessoais e negócios muito pouco claros. Face à situação, aparentemente sistemática de abusos, ainda bem que há jornais que conseguiram investigar e publicar estas informações – e no meio de um clima que se começa a gerar por aí vale a pena dizer os jornais têm feito o que devem e têm mostrado que os serviços secretos – e não os jornais -  é que têm feito asneira, e da grossa. Num tempo em que se discute muito o serviço público vem a propósito dizer que esta forma de agir dos jornais que têm investigado o caso constitui um dos mais importantes serviços públicos que os órgãos de comunicação podem fazer: denunciar abusos.


 


Escavar informação sobre abusos do Estado e dos seus agentes é um bom princípio de funcionamento da imprensa livre. Não por acaso, uma das ilegalidades que se descobriu foi a obtenção ilícita de dados de um jornalista que investigava os serviços secretos. Já se sabe que o objectivo era descobrir quais seriam as fontes de informação do jornalista, adivinha-se que para as perseguir, investigar ou pressionar . No fim de tudo isto sobra uma certeza – os nossos serviços de informação são fraquinhos, não resistem a uma investigação sumária e estão mais cheios de guerrilhas e intrigas internas que um clube de futebol.


 


(Publicado no diário Metro de 6 de Setembro)


 

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publicado às 11:35

Televisões, Espiões, Sugestões

por falcao, em 05.09.11

TELEVISÃO – Quem segue os números de audiência da televisão deverá ter estranhado o súbito aumento de espectadores do universo dos canais exclusivamente de assinatura e a diminuição dos canais abertos, generalistas – RTP1 e 2, SIC e TVI. Não há grande mistério – o que aconteceu foi que o painel de audiometria começou a reflectir, desde o início do segundo semestre, a verdadeira proporção do que é a distribuição do sinal de televisão em Portugal. Efectivamente, já menos de metade dos lares acede à distribuição do sinal de televisão por antena, e a maioria utiliza cabo, satélite ou outras tecnologias de distribuição.


Os números actuais estão certamente mais próximos da realidade do que os anteriores. Na realidade, na maioria da população, os três canais generalistas comerciais concorrem com dezenas de canais das mais diversas áreas – notícias, infantis, séries, cinema, desportivos, documentários, etc. O que tem acontecido é que, desde que foram introduzidas estas alterações no painel de audiometria, o Cabo tem andado perto dos 30% de audiência, na maior parte das vezes à frente de qualquer dos canais de sinal aberto. Por exemplo, na semana passada, o Cabo registou 31% de audiência, a TVI teve 22,4, a SIC 21,4% e a RTP 20,1%. Claro que estes números preocupam os canais comerciais de sinal aberto, já que o seu impacte na captação de investimento publicitário é imediato – desde o princípio do ano os canais de sinal aberto têm vindo a perder algum investimento precisamente para os canais de cabo. E, nos canais de cabo o líder de audiências é a SIC Notícias. Na semana passada o segundo lugar ía para o Disney Channel, seguido do Hollywood, o Panda, o Fox, depois a Sport TV e a seguir o AXN. A RTP N só aparece em nono lugar e a TVI 24 em 11º. E quanto mais rigoroso for o sistema de audiometria, com a introdução de novas tecnologias de recolha de dados, mais se acentuará este fosso. É um caminho sem retorno.


 


ESPIÕES – Quando os espiões são notícia, alguma coisa vai mal. Quando um país tem serviços secretos que criam a imagem de servir mais para negócios privados que para outra coisa qualquer, está criada a confusão. Mas, quando as ilegalidades que os espiões cometem são tornadas públicas alguma coisa começa a ir bem. Percebe-se agora que os serviços secretos andam em roda livre, que o controlo sobre a sua actividade é virtual, que ilegalidades são cometidas e escondidas. Na prática percebeu-se que o Estado tem sido conivente com estas situações, que há dois pesos e duas medidas. Era bom que esta investigação não terminasse sem culpados – porque caso contrário quem perde é o regime, que se torna permissivo e conivente com ilegalidades. Tudo se passa como se o Estado se tivesse distraído e resolvesse deixar de funcionar.


 


IMPOSTOS - À medida que os aumentos se começam a fazer sentir percebe-se que as receitas que se esperavam não se cumprem. O aumento do IVA provoca uma diminuição do consumo, nas SCUT com pagamento já em vigor diminuíu o número de veículos, no estacionamento em Lisboa as novas tarifas mais altas geram receitas mais baixas. Há um ponto a partir do qual os consumidores dizem basta. E as receitas que se esperavam ver crescer arriscam-se a ficar abaixo das que existiam anteriormente. Estes aumentos agravam o problema em vez de o resolverem – com uma outra consequência – afectam toda a cadeia da produção e distribuição de bens, terão provavelmente reflexos na perca de mais postos de trabalho e na deterioração da situação económica de vários sectores. Esta semana, no Público, João Carlos Espada escreveu um belo artigo sob o título  "Impostos e Criação de Riqueza", que bem merece ser lido por quem anda com algumas ideias peregrinas no ar e por quem encontra sempre a mesma solução fácil: mais impostos. Excerto: «Não são os impostos a fonte primordial de melhoria da condição de vida do maior número. A riqueza da Europa e do Ocidente - que ainda hoje merece admiração no resto do mundo - não foi produto da redistribuição da riqueza dos ricos para os pobres através dos impostos. Foi produto da criação de riqueza num ambiente de liberdade económica, em regra associada a impostos baixos, justiça célere, e, sobretudo, à ausência de barreiras à entrada de novos competidores. Esta verdade elementar foi precocemente observada por Adam Smith, já em 1776. E foi mais facilmente corroborada depois disso.»


 


SEMANADA – Em dez semanas de governação o Governo criou onze grupos de trabalho; desde Janeiro faliram 2917 empresas; quase duas dezenas de figuras públicas de vários sectores confessaram ao “Diário de Notícias” que suspeitam estar sob escuta telefónica; na Liga, em nove pontos possíveis, o Sporting só somou dois e continua a achar que a solução é comprar mais jogadores.


 


ARCO DA VELHA – O suspeito de ter sequestrado e violado durante três dias uma turista italiana em Lisboa foi identificado pela polícia, levado a tribunal e solto com a obrigação de se apresentar na esquadra de quinze em quinze dias; deu morada falsa e nunca mais apareceu. Isto é um Estado de Direito?


 


VER – Três razões para ver o site www.artecpital.net: o artigo sobre a exposição dos candidatos ao prémio EDP Novos Artistas 2011, outro sobre a exposição de Pedro Portugal no Gabinete da Politécnica e sobretudo o artigo de Augusto M Seabra sobre a obra de arte na era digital. Muito interessante também o vídeo que explica – e mostra – o processo de trabalho de José Roca, o curador-geral da 8ª Bienal do Mercosul e o artigo sobre a exposição de João Penalva no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian. Mas há outros bons motivos de leitura e navegação neste site dedicado à arte contemporânea.


 


LER – A Vanity Fair deste mês tem Jennifer Lopez na capa, com um porfolio fotografado por Mario Testino. Mas além disso tem um belo artigo de Michael Lewis sobre como a Alemanha domina a Europa. Na mesma edição Annie Leibowitz fotografa o pintor John Currin e Jean Stein usa as fotos de William Eggleston num belíssimo artigo sobre o ambiente que se vivia no célebre clube Tropicana, em Havana, poucos meses antes de Fidel castro ter tomado o poder. Outro tema interessante abordado pela revista é o relato dos ataques de hackers chineses a segredos norte-americanos.


 


OUVIR – Em 1964 Count Basie e a sua orquestra fecharam-se em estúdio e gravaram Basie Land, um álbum de 10 temas compostos e orquestrados por Billy Byers. Na verdade Count Basie decidiu nessa altura refrescar o som da banda e entregou a direcção de todo o projecto a Byers – que se saíu bem da experiência, conseguindo transmitir uma energia e uma profundidade musical diferente do que acontecia até aí – os temas “Basie Land”, “Rabble Rouser” e “Gymnastics” são bom exemplo disso mesmo. Destaque ainda para “Sassie”, um blues em  homenagem a Sarah Vaughan. O disco ainda hoje alimenta alguma polémica entre os fãs do estilo tradicional de Count Basie, que olharam com desconfiança para a lufada de ar fresco que Byers imprimiu á gravação. O disco foi agora reeditado, na série Verve Orinals, pela Universal. Como diria John Lennon num célebre álbum dos Beatles, «A splendid time is guaranteed for all».


ound Dog ou Heartbreak HotelH


 


PROVAR – Alguns inocentes acham que o peixe chamado anchova se resume à tirinha deliciosa que vem acondicionada dentro de caixas de conservas – e em Portugal temos vários bons fabricantes. Eu gosto muito de conserva de filetes de anchova, mas gosto ainda mais da anchova fresca, grelhada, sem condimentos, simples e deliciosa. A anchova, da família do biqueirão, mas maior, é um peixe de sabor especial. Quem nunca o experimentou fresco nem sabe o que está a perder. Em Lisboa é difícil de encontrar mas no Algarve encontra-se com alguma paciência – embora seja um daqueles peixes a que dantes ninguém ligava e que agora toda a gente quer. Este ano deliciei-me com uma anchova muito bem grelhada – escalada mas sem estar queimada – no Restaurante Pedro, em Cabanas de Tavira. Se estiver pelo Algarve vale a pena ligar para lá e saber se têm anchova – reserve, se houver. O telefone é o 281 370 425 e a morada é Rua Capitão Batista Marçal 51, no sítio onde a marginal de Cabanas bifurca.


 


BACK TO BASICS – A força dos governos é inversamente proporcional ao peso dos impostos -  Guy de Girardin.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


(Publicado No Jornal de Negócios de 2 de Setembro) 

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publicado às 10:33


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