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Realidades, segurança, sugestões

por falcao, em 23.12.11

BALANÇO  – Estive a rever a mensagem de Natal que José Sócrates dirigiu aos portugueses no Natal de 2010. Ela está no YouTube e é uma peça que merece ser recordada para ver a forma como um Primeiro Ministro andou a iludir este país. Nessa altura José Sócrates ainda negava a necessidade do pedido de ajuda externa, atitude que manteve durante meses. Mas antes do Congresso, que mais uma vez o glorificou, em Matosinhos, no já distante início de Abril de 2011, Sócrates teve mesmo que se render às evidências e fez esse pedido de ajuda. Apesar disso, em Matosinhos, a moção de Sócrates obteve 97,2% dos votos dos delegados, uma unanimidade que ele gostava de cultivar. Passados mais três meses Sócrates foi derrotado nas eleições legislativas antecipadas de Junho e, no Congresso seguinte do Partido Socialista, no início de Setembro, nem sequer se dignou aparecer. Não podemos viver obcecados com o passado, mas é bom lembrarmo-nos do que se passou. Esse discurso do Natal dde 2010 é o retrato vivo do resultado de entregar o Governo à perigosa ilusão de um homem.


 


SEGURANÇA – Esta semana, depois de mais uma vaga de assaltos, reuniram-se os responsáveis de diversas forças de segurança e da reunião pouco mais saíu que um repositório de lugares comuns e de simpáticas declarações de intenções. Os cidadãos acham, com razão, que faltam patrulhas dissuasoras, que em muitos locais a polícia não se vê. A ausência da polícia, já se sabe, torna os criminosos mais afoitos. Há sinais que podem e devem ser dados para mostrar que existe uma atitude de mudança. Vou pegar num caso concreto – todos os lisboetas sabem que o eléctrico 28 é o paraíso dos carteiristas que aí procuram afanosamente turistas descuidados. Os portugueses que utilizam aquela linha como meio de transporte sabem mesmo identificar os ladrões que regularmente ali exercem o seu métier e são capazes de contar vários dos truques utilizados. Todas as semanas vários turistas se queixam de roubos no eléctrico 28 – o que certamente não é bom para a imagem do país. Não me parece que fosse um exercício muito difícil colocar um agente naquele eléctrico – os carteiristas talvez estivessem menos à vontade mas, principalmente, não andariam para cima e para baixo com total impunidade. A função das forças policiais deve ser prevenir – e a sua presença física é a melhor forma de dissuasão. Os senhores comandantes das diversas forças, que se dissolveram em promessas, bem poderiam agir, dar uma amostra de determinação, por mais simples e simbólica que fosse, em vez de, como relataram os jornais esta semana, se preocuparem em ter messes de oficiais com serviço de mesa e messe de agentes em regime de self-service. O ridículo mata.


 


ASAE  -  Eu acho muito curiosa a forma como a ASAE actua cada vez que sente que há uma máquina registadora a funcionar e uma actividade económica que aparenta ter sucesso. Arranja logo maneira de acabar com o despautério, se possível detendo alguém pelo caminho e encerrando algum estabelecimento. O que se passou, pela mão da ASAE, num restaurante lisboeta nas últimas semanas, mostra como aquela organização prefere punir a fiscalizar, prefere abusar do poder a dialogar, prefere terminar com um negócio a procurar soluções. É sabida a minha opinião – acho desde há muito que a ASAE é governada pela mania da perseguição que o seu responsável, António Nunes, inculcou desde que dirige aquele organismo. Não se preocupa em aferir a razoabilidade das situações, não se preocupa em ver se as leis poderão estar desajustadas da realidade. É cega a reprimir, selectiva a escolher alvos. Se no Ministério da Economia existisse alguém com os pés postos na terra já tinha acabado com esta maneira de funcionar. A recente acção da ASAE é uma prova de força – continua a mostrar que pode abusar. E o Governo, deixa.



SEMANADA – O Hot Clube finalmente reabriu, no nº48 da Praça da Alegria; o roubo de cobre mais que duplicou em oito meses; o programa de preparação para os próximos jogos olímpicos apresenta deficit de 300 mil euros; os CTT já receberam este ano 300.000 cartas dirigidas ao Pai Natal; quase desapareceram os postais de Natal, substituídos por mensagens electrónicas.


 


ARCO DA VELHA – Numa curiosa interpretação do estímulo à exportação, Paulo Rangel defendeu a criação de uma agência governamental que auxilie os portugueses a emigrarem.


 


PALAVREADO - «Pinto da Costa espirra e os árbitros constipam-se» - Eduardo Barroso


 


VER – Quando tiverem um bocadinho visitem a exposição «Portugal connosco – o olhar dos carteiros». A ideia foi dos CTT, que desafiaram 3500 carteiros a andarem pelo país de máquina fotográfica em punho. O resultado foi um conjunto de 86.500 fotografias que um júri reduziu às 200 que agora estão expostas no histórico edifício dos Correios na Rua de S. José, em Lisboa, e recolhidas no livro que entretanto foi editado. As imagens mostram o país que os carteiros vêem todos os dias, nas cidades e no campo, os contrastes, as curiosidades, as pessoas. Eu confesso ter um fascínio pela actividade dos Correios – sou do tempo em que esperava a chegada do carteiro com as revistas que assinava, com as cartas que aguardava. O que já vi destas imagens – e sobretudo a iniciativa em si – parecem-me exemplares na ligação de uma empresa à comunidade.


 


LER – Há muito poucas pessoas a reflectirem sobre política cultural em Portugal e António Pinto Ribeiro (não o ex-Ministro, mas o ensaísta e programador) é uma delas e certamente quem melhor tem explorado o tema ao longo de vários anos e em diversas circunstâncias. Grande parte desse trabalho foi recolhido no livro «Questões Permanentes, ensaios escolhidos sobre cultura contemporânea», editado agora pelos Livros Cotovia. Aqui se repescam escritos sobre diversas áreas da política cultural, desde a formação dos públicos à cultura das elites, passando pelo papel das Universidades, o populismo, as industrias criativas ou a importância dos documentários, para só citar alguns exemplos. Estes textos, muitas vezes escritos num tom provocador que é próprio do autor, são pedradas no charco do lugar comum e do politicamente correcto sobre as questões culturais. Agitam e fazem pensar e isso é a melhor coisa que me ocorre dizer. Já agora o livro publica a aguerrida e interessante polémica de António Pinto Ribeiro e Vasco Graça Moura sobre Património Cultural e Arte Contemporânea, uma série de escritos sobre livrarias que o autor gosta de visitar em diversas cidades de todo o mundo e, a encerrar, uma inédita «Autobiografia com muitas fantasias», uma espécie de ensaio do autor sobre si próprio, com muito pouco de umbigo e muito de ironia.


 


OUVIR – «Pull Up Some Dust And Sit Down» faz lembrar os primeiros discos de Ry Cooder, baseados em versões de Lead Belly e Woody Guthrie. Na realidade, o álbum deste ano de Ry Cooder merece figurar entre os melhores discos de 2011, é um retrato destes tempos de depressão em que vivemos. A faixa «No Banker Left Behind» é o equivalente musical do incontornável documentário «Inside Job», de Charles Ferguson. Firmemente ancorado na melhor folk norte-americana e nos blues, este CD é o género de disco que Woody Guthrie não desdenharia assinar se ainda fosse vivo.


 


PROVAR – Ao almoço, o buffet do restaurante Roda das Sedas, na Rua da Escola Politécnica 231, já quase a chegar ao Rato, merece ser visitado. Por 14 euros temos ao dispor entradas fartas e variadas, uma boa selecção de queijos e propostas de pratos quentes bem elaboradas e declaradamente portuguesas – desde coisas simples como panados até uma honesta massada de peixe ou polvo à lagareiro. Os doces, para quem ainda exerça essa parte da degustação, não desmerecem. Se quisser no bar servem-se petiscos e cocktails. À noite o regime de buffet é substituído por uma carta com sugestões interessantes, desde uma raia com puré de courgettes e aipo e legumes salteados, até uma empada de perdiz. A garrafeira não é muito extensa mas é bem escolhida e tem preços sensatos. Mas, honestamente, o melhor de tudo é o local, as salas que se sucedem, o bar, a bela esplanada, a forma como foi bem aproveitado o edifício da antiga Real Fábrica das Sedas. Telefone 213 874 472.


 


BACK TO BASICS –  Aqueles que não têm respeito pela verdade nas pequenas coisas não podem ser dignos de confiança nos assuntos importantes – Albert Einstein


 

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publicado às 12:01

GENTE QUE NÃO INTERESSA

por falcao, em 20.12.11

Quando um partido político escolhe para vice-presidente da sua bancada parlamentar um deputado que roubou gravadores a jornalistas no decorrer de uma entrevista, que lhe estava a ser incómoda, a coisa parece um bocado estranha; quando um outro vice-presidente da mesma bancada defende publicamente, de forma empolgada, que Portugal não deve pagar as dívidas que contraiu, então a coisa começa a ficar mais séria. Este partido é o PS e esses deputados são Ricardo Rodrigues e Pedro Nuno Santos. Como se pode confiar num Parlamento que funciona assim?




Para usar uma expressão de marketing, se há partido que precisa de fazer um rebranding e voltar a ganhar credibilidade, esse partido é o PS, depois de quinze anos quase seguidos de Governo que levaram o país onde estamos, com compadrios diversos – desde os contentores do Porto de Lisboa até uma série de obras públicas suspeitas e parcerias público-privadas ruinosas.


 


 


 


Mas em vez disso o PS chama para os postos de responsabilidade políticos absolutamente suspeitos, pelos actos e pelas palavras. Nenhum partido está isento de ter nas suas hostes pequenos escroques e oportunistas que vivem dos favores da política para irem fazendo as suas vidinhas. Na realidade todos os partidos deviam fazer periodicamente uma reclassificação de militantes, que depurasse as suas fileiras daqueles que comprovadamente não têm ética por palavras e actos. Mas ninguém tem coragem de fazer isso com medo de ferir susceptibilidades do célebre aparelho.


 


O aparelho é a máquina partidária que elege os líderes e depois apresenta a factura – em negócios de favores locais, regionais ou nacionais, e em colocações. O aparelho é uma máquina de apetite voraz que não tem memória nem coerência. Hoje aplaude um líder num congresso e amanhã aplaude outro da mesma forma, sem se preocupar em saber o que se passou. O aparelho é um monstrinho autofágico que só olha para dentro de si próprio e das vantagens que consegue obter para si e para os seus fiéis. Ou os partidos mudam de funcionamento ou vão ser cada vez mais apenas o refúgio de gente que não olha a meios para atingir os seus fins. Ou seja, gente que não interessa.


 


(publicado no Diário Metro)

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publicado às 16:33

TRABALHO – O maior problema que a Europa vai ter nos próximos anos é conseguir conter o desemprego e, ao mesmo tempo, fomentar a criação de novos postos de trabalho – e inacreditavelmente ouço muito poucos responsáveis comunitários a falar deste assunto. Durante décadas a Europa, com poucas excepções, persistiu no modelo da desindustrialização, habituou-se a viver acima das suas possibilidades e, de certa forma, fomentou o desprezo pelas formas mais tradicionais de trabalho, substituindo-as por outras que requerem menos mão de obra e criam menos emprego – e nalguns casos utilizando emigrantes para suprir o afastamento de algumas actividades. O resultado disto é que o sistema passou a ter mais encargos sociais, nomeadamente com os desempregados, e menos receitas já que havia menos gente a contribuir, e, dessa, muita gente a contribuir menos. Inevitavelmente os impostos começaram a subir à medida que os Estados agravaram as suas contas. Cada campanha eleitoral trouxe promessas de novas abundâncias, que geraram novos custos, que provocaram novos desequilíbrios. Medina Carreira dizia esta semana que, na Europa, nos últimos 25 anos, os trabalhadores passaram para os serviços, que exigem menor formação e pagam piores salários, e que a deslocalização da indústria para Oriente levou com ela o investimento. Esta deslocalização, sublinha ainda Medina Carreira, deveu-se em grande parte ao custo das contribuições sociais na Europa, que juntamente com os impostos tiveram grandes aumentos para se manter o Estado Social. O resultado é conhecido: quanto mais impostos houver, menos a economia cresce. Um ex-membro do governo sueco deu esta semana uma entrevista ao «Público», onde explica uma série de coisas que levam a que no seu país a crise seja menor. Uma delas tem a ver com o facto de os apoios a desempregados serem feitos em parceria com os sindicatos – na realidade os sindicatos pagam parte do subsídio de desemprego. Logicamente o interesse de todos os que pagam apoios aos desempregados é que se encontre novo trabalho o mais rapidamente possível – e a falta de trabalho ou a falta de vontade de trabalhar é vista como um estigma social na Suécia, onde a noção ética da importância do trabalho, seja ele qual for, é valorizada.


Um pouco diferente daquilo que por aqui se passa.


 


CENÁRIO – Olho para Portugal e imagino que estamos dentro de um programa de televisão, daqueles onde o cenário é de croma e varia conforme as circunstâncias. Os cenários de croma (um fundo de verde ou azul intenso) permitem colocar electronicamente, por cima dos painéis coloridos, cenários virtuais. Assim, o mesmo espaço tem várias aparências. Portugal vive como se estivesse coberto por um enorme telão de croma onde os políticos vão colocando cenários à conveniência do momento. Neste reality show em que o país se transformou, todos os dias somos surpreendidos por novos relatos de desgraças passadas  e de dificuldades futuras. Assistimos, em directo, nas nossas próprias vidas, à Casa dos Segredos, e os políticos, no Governo ou na oposição, estão numa competição desenfreada para nos irem aos poucos contando as revelações que andam a guardar, para estarem sempre a captar a nossa atenção. Não é a falar do passado que vamos resolver as coisas, mas sim a mudar o presente para termos um futuro diferente. Vejo com agrado alguns ministros, como Nuno Crato, a enveredarem por esse caminho; e vejo com preocupação que outros, como o da Economia ou o das Finanças, sejam mais ministros de protecção ao Estado do que Ministros da sociedade em geral. A propósito de Estado, as últimas semanas são férteis em relatos de abusos de cobrança da segurança social e dos impostos – percebe-se que nesta situação se queiram incrementar as receitas, mas o Estado deve ser o primeiro a não dar o exemplo de arbitrariedade. E deve entender que ele próprio tem que emagrecer, e muito, para que o sector privado possa viver e criar emprego.


 


 


TELEVISÃO – Três temas: primeiro, ao contrário do que estava previsto, o novo sistema de monitorização das audiências televisivas não vai estar operacional a partir do princípio de Janeiro, como era previsto, confirmando os piores receios sobre a forma como a escolha da nova entidade responsável por este serviço foi feita. Vale aqui a pena recordar que, por mais paradoxal que isto seja, foi por pressão dos anunciantes (que são quem teoricamente mais precisa de dados seguros para salvaguarda da eficácia dos investimentos publicitários que efectuam) que foi escolhido um sistema não testado em lugar algum por uma mera questão de diferença de preço, ainda por cima reduzida.  Em segundo lugar quero chamar a atenção para a confusão criada na introdução da televisão digital terrestre, um processo que já teve custos enormes, que já vem atrasado, e que agora, da forma que está, serve para muito pouco. E em terceiro lugar registo que no universo do serviço público, nesta semana, a RTP 1 se manteve no segundo lugar de audiências, mas a RTP2 caíu para a 9ª posição no universo do cabo, enquanto a RTP Informação, no mesmo universo do cabo, consegue estar abaixo do canal que só passa em contínuo o reality show Secret Story. Enquanto isto se passa, nada se sabe sobre o modelo que vai ser seguido na privatização, não foi dado nenhum novo passo e muito pouco está efectivamente definido sobre o que deve ser o serviço público de televisão.


 



SEMANADA – Dezenas de galos capões vivos foram vendidos numa feira de Freamunde entre 40 a 50 euros a unidade; os portugueses, juntamente com os mexicanos e romenos são os que tem uma vida sexual mais activa praticando sexo pelo menos duas vezes por semana, segundo um inquérito de uma empresa farmacêutica; na actual conjuntura económica a ASAE voltou a dar nas vistas depois de deter o conhecido empresário Olivier por existir gente a dançar num dos seus restaurantes; o detido anunciou ir preparar uma festa «prison break»; os chineses ofereceram mais que os alemães pela EDP; Ilda Figueiredo, do PCP, deixa de ser deputada europeia ao fim de 12 anos;  a casa de um investigador da PJ que trabalhou no processo Face Oculta foi assaltada e revirada, computadores incluídos, de uma ponta à outra; Alberto João Jardim foi filmado para as televisões a cantar o Jingle Bells.


 


ARCO DA VELHA – Em Vila do Conde um militar da GNR, que era o campeão das multas sobre infracções de trânsito, serviu de motorista ao seu capitão e guiava frequentemente veículos da corporação, até se descobrir que não tinha carta de condução.


 


VER – Numa viagem, entre a estrada e o deserto, as pequenas cidades, as caras e os corpos, os automóveis e os reclames luminosos, as imagens sucedem-se e a fotografia é o melhor diário para registar as sensações – e definir paixões. «Passion» nasce destes registos – e é o título da nova exposição de Albano Silva Pereira, fotógrafo e organizador dos Encontros de Fotografia de Coimbra desde 1985. A exposição - e a viagem é recorrente no trabalho de Albano da Silva Pereira - estará até 30 de Janeiro na Galeria Graça Brandão, na Rua dos Caetanos 26, no Bairro Alto, em Lisboa.


 


LER – A edição de Janeiro de 2012 da revista britânica «Uncut», já à venda, é fundamental para quem queira seguir o estado da música contemporânea – faz um balanço informativo e crítico dos discos de 2011, atribuindo o galardão de melhor CD do ano a «Let England Shake», de P. J. Harvey, que aliás é entrevistada na mesma edição, revisitando toda a sua carreira. A revista é acompanhada por um CD oferta que inclui 15 temas extraídos de outros tantos álbuns de outros tantos artistas, todos indicados entre os melhores deste ano que está a acabar. Por €7.50 é difícil pedir mais.


 


OUVIR – Na última semana o chef Anthony Bourdain fez mais pela divulgação do novo disco dos Dead Combo do que qualquer serviço público. «Lisboa Mulata», editado há cerca de dois meses, é o mais recente trabalho de Tó Trips e de Pedro Gonçalves e foi a banda sonora que acompanhou o conhecido cozinheiro, autor do programa de televisão No Reservations. Espero que a música do programa sobre Lisboa seja deste disco, um dos melhores álbuns portugueses do ano, sobretudo graças a um sentido de festa e de prazer musical raros hoje em dia.


 


BACK TO BASICS –  Um problema não pode ser resolvido no mesmo nível de pensamento que esteve na origem desse problema – Albert Einstein 

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publicado às 16:32

SEIS MESES DE ABSTINÊNCIA

por falcao, em 13.12.11

Estou sentado em casa, ao fim de tarde,  e no meio de um leve dormitar, parece-me  ver Sócrates aparecer num telejornal. A princípio penso que deve ser um pesadelo qualquer – noites mal dormidas, sonos acumulados, tudo isso às vezes pode provocar esta espécie de alucinações.


Mas depois reparo que não estou a dormir, estou acordado e que o homem aparece nos jornais das oito da noite das três televisões e, em todas, repete, em directo de Paris, a mesma ladainha – sobre a dívida, sobre as responsabilidades de quem governou. Esteve três meses em abstinência e voltou ao pecado ainda com mais força.


 


Fico a sorrir – continua igual, ele é que sabe, ele é que tem razão, os outros são todos estúpidos e não o entendem. Reafirma que as dívidas dos estados não são para pagar mas para serem geridas. Claro que não diz uma palavra sobre a forma como geriu a nossa dívida. Fico a acreditar que no vocabulário de José Sócrates gerir é sinónimo de aumentar. A única gestão de Portugal que ele fez foi aumentar a nossa desgraça, aumentar a nossa dívida, aumentar os nossos impostos,  aumentar a irresponsabilidade, aumentar os planos megalómanos.


Mas José Sócrates Primeiro Ministro não aumentou nem o emprego, nem o nosso nível de vida, nem o bem estar dos portugueses – tudo coisas que havia entusiasticamente prometido nas eleições em que foi candidato.


 


Olho para este Sócrates parisiense, a dar palestras numa universidade francesa a estudantes predominantemente latino-americanos, que no fim o aplaudem, e não posso deixar de pensar na forma como se relacionou com outros aldrabões políticos seus contemporâneos, como Hugo Chavez. Imagino este Sócrates, arrogante e cheio de certezas como sempre, a comandar o PS por telemóvel desde os Campos Elíseos, a conspirar com José Lello, ou com Francisco Assis, ou a estimular as piruetas parlamentares de Carlos Zorrinho.


 


Sócrates resistiu seis meses a aparecer de novo nos telejornais e a dar um ar da sua desgraça. Fez uma abstinência  mediática de seis meses e quando foi apanhado em falso não resistiu a declarar-se, mais uma vez, dono da verdade. Ele há coisas extraordinárias – ele em Paris e nós aqui a pagar a factura que ele deixou.


 


(Publicado no diário Metro de 13 de Dezembro)

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publicado às 10:28

TELECOMANDO - Esta semana o «Correio da Manhã» relatou uma curiosa intervenção pública de José Sócrates, numa Universidade, em Paris, onde defendeu a possibilidade de Portugal não pagar a sua dívida. «Pagar a dívida de um pequeno país como Portugal é uma ideia de criança, as dívidas dos Estados são por definição eternas» - cita o jornal. Imagino a vida de José Sócrates enquanto estuda Ciência Política e profere conferências destas sobre a sua experiência como Primeiro-Ministro para estudantes latino-americanos que, no fim, segundo o mesmo jornal, o aplaudiram. Não me custa imaginá-lo a passear nos Campos Elíseos, de telemóvel em punho, a fazer telecomando político para Lisboa, falando com José Lello, ou Carlos Zorrinho, ou Francisco Assis. Não custa imaginar o que dirá de António José Seguro, não custa imaginar que conversas terá tido nas vésperas do turbilhão que passou no Grupo Parlamentar do PS aquando da votação do Orçamento de Estado. O exilado político mais célebre de Portugal deve sorrir ao imaginar que as tecnologias que sempre o encantaram permitem que continue a ter influência no Largo do Rato, mesmo estando mais longe do que quando habitava na Rua Brancaamp.  


 


MUDAR – No período em que vivemos fico surpreendido cada vez que percebo que nas nossas escolas – nomeadamente nas universidades – se dedica muito pouca atenção à necessidade de preparar as pessoas para trabalharem e criarem alguma coisa, e não apenas para irem à procura de um emprego com um certificado na mão. Ainda vou a meio da biografia de Steve Jobs escrita por Walter Isaacson mas já deu para perceber que, mesmo nos anos 60, as universidades americanas inculcavam um espírito de desafio aos seus alunos que os levava a arriscar – em experiências ou em negócios próprios. Aqui há tempos fui convidado para falar numa escola superior, no âmbito da minha actividade, planeamento estratégico de publicidade, e fiquei espantado como alunos já no fim do curso ignoravam coisas básicas do dia a dia de uma empresa, na facturação ou nas cobranças – como dia um amigo meu, esta malta nem sequer sabe o que é o IVA e depois não conseguem fazer nada direito. Isto não é uma coisa menor – não estão preparados para, por exemplo, iniciarem uma actividade própria. Com a enorme mudança a que estamos a assistir, com o fim dos empregos garantidos, o que é preciso é estimular a capacidade de empreender, desenvolver ideias, arriscar, avançar. Um livro bem recente, «Mudar de Vida», conta as histórias de 17 pessoas, já com anos de experiência, que na actual conjuntura ficaram sem trabalho de um momento para o outro ou quiseram fazer algo de diferente. São 17 histórias de sucesso, de pessoas que arregaçaram as mangas e procuraram resolver os problemas – não ficaram à espera que ninguém os resolvesse por elas. É isto que nos falta, enquanto país – e sobretudo aos mais novos: procurar soluções em vez de ficar sentado à espera que elas caiam ao colo. Vou acabar com um exemplo, que pode ser aplicado ao sector da Cultura. Há poucos dias recebi um mail a anunciar que os túneis perto do teatro Old Vic, em Londres, vão estar neste Natal com animação – desde vendedores diversos até petiscos. Tudo se passa ao ar livre, com temperaturas bem mais baixas do que em Lisboa, mas as pessoas procuram fornecer motivos para atrair públicos e surpreendê-los, angariando receitas suplementares em vez de pedir mais subsídios. Da mesma forma alguns museus, em várias cidades europeias, sugerem como prenda de Natal cartões-assinatura de entrada nas suas exposições durante um período determinado – é uma prenda simpática e útil. Têm iniciativa, procuram clientes, dão sugestões, em vez de lamuriarem ou exigirem mais apoios. Há uns anos que aprenderam como é importante mudar de vida.


 



SEMANADA – Esta semana só títulos tirados jornais diários: Cátia Palhinha é evangélica e lê a Bíblia em casa;Craque do Benfica namora à beira rio; Carla Salgueiro perdeu peso a dançar flamenco; Irina Shayk aquece o Natal dos portugueses; PSP precisaria de 17 milhões para pagar todas as dívidas; Jardim promete rigor financeiro; enriquecimento ilícito pode ser crime para todos; Portugal é líder europeu no fosso entre ricos e pobres; Bárbara Guimarães preparada para o frio; Obama assume paixoneta antiga por Meryl Streep.


 


ARCO DA VELHA – O presidente da Câmara de Amares construíu, para si próprio, uma casa de consideráveis dimensões, numa zona de reserva agrícola nacional, em violação de toda a legislação existente, mas confessa-se tranquilo porque a revisão do PDM, da autarquia a que preside, regularizará a situação.


 


VER - Com curadoria do britânico Peter Cherry , «A Perspectiva das Coisas» dedica-se à natureza morta na Europa através de diversos artistas, a partir de obras produzidas entre 1840 e 1955, e estará na Fundação Gulbenkian até 8 de Janeiro. Antes de irem ver a exposição espreitem o magnífico mini-documentário realizado por Filipe Araújo e que está no You Tube. Basta pesquisar  «Documentário sobre a exposição A Natureza-Morta na Europa» e encontram-no logo – tem quase oito minutos e é magnífico. E a exposição ainda sabe melhor se o tiverem visto antes.


 


LER – Há muito tempo que não me passava um almanaque pelas mãos, de maneira que fiquei contente  com uma publicação intitulada XXI e que é uma espécie de almanaque dos tempos actuais – ou um resumo do estado da nação, se quiserem. Da responsabilidade da Fundação Francisco Manuel dos Santos, com edição de António Barreto, direcção de José Manuel Fernandes e colaborações de nomes como Ricardo Cabral, Pedro Santos Guerreiro, António Pedro Ferreira, Jorge Calado e Jorge Barreto Xavier, entre outros, a publicação tem o título genérico de «Dias Inquietos» e é um testemunho da época conturbada que vivemos. Textos de referência (destaco os sobre a banca, sobre a dívida, sobre tibunais, sobre a cultura e sobre a criação), boa fotografia (destaco o portfolio sobre os  portugueses), boa ilustração e boa paginação (de Jorge Silva). Só tenho pena que o formato seja tão pouco dado a guardar uma edição que merece ser preservada. Podia ser mais pequena em altura, assim quase como um livro, que encaixasse na estante e se fosse guardando ao longo dos anos, nas sucessivas edições. Espero que o projecto continue que eu ando deliciado a ler as suas 200 páginas. Custa 5 euros e está nas bancas de jornais.


 


OUVIR – Hoje vou socorrer-me de uma nota do blogue de Pedro Rolo Duarte, a propósito do novo disco de Rodrigo Leão, «A Montanha Mágica»: « Já lí criticas absurdas sobre o Rodrigo Leão “refém” do estilo que criou – como se isso não fosse o melhor que um compositor pode ter e ser, ele próprio no universo musical que criou para si». Também já eu ouvi estes reparos e admito até que nos primeiros instantes pensei que a coisa estava muito igual. Mas depois fui descobrindo os momentos de encanto e, sobretudo, tenho tido o maior gôzo do mundo em ouvir o disco vezes sem fim – anda comigo sempre no iPhone, ouço-o literalmente por todo o lado. Confesso que quando o ía comprar numa discoteca e percebi que custava entre 17 e 20 euros, dependendo dos sítios, e tinha um DVD que não me interessava para nada, resolvi o problema no iTunes por menos de 10 euros e  tive o disco no minuto. Gosto cada vez mais de o ouvir – e é curioso que Rodrigo Leão tenha voltado a tocar baixo, como fazia nos Sétima Legião. Maioritariamente instrumental, com arranjos mais simples, o CD tem três temas cantados – um pelo brasileiro Thiago Pethit, outro pelo australiano Scott Matthew e finalmente, algo inesperadamente, o terceiro pelo autor da capa do disco, o ilustrador Miguel Filipe,  e que acaba por ser uma boa surpresa. E assim se vê que a aparente igualdade é afinal feita de muitas diferenças.


 


PROVAR – Vou fazer uma confissão: sou fã de caracóis – daqueles que se cosem com ervas e nalgumas localidades são conhecidos por “vagarosos”, mas também dos bolos – a massa suave, enrolada de forma concêntrica, com pequenos pedaços de fruta cristalizada pelo meio, de preferência levemente tostada. Até prova em contrário acho que os caracóis (bolos) da Versailles, na Avenida da República, são os melhores que há. Alguém devia lá ter levado o “chef” Anthony Bourdain, que nos últimos dias andou por Lisboa a filmar petisquices diversas – ainda para mais o prédio da Versailles está restaurado de novo em toda a sua grandeza, mostrando sem vergonhas como é um dos mais bonitos edifícios de Lisboa. E com o melhor caracol… Acho que tinha ficado bem no programa televisão que Bourdain cá veio filmar.


 


BACK TO BASICS –  O socialismo terá valor simplesmente porque levará ao individualismo – Oscar Wilde


 


 


 


 


 


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 9 de Dezembro) 


 


 


 

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publicado às 11:50

Voltar às origens

por falcao, em 09.12.11

Experimentem ver com atenção as bancas de frutas, legumes e frescos dos supermercados. A maioria dos produtos vem de Espanha e de outras origens. São raros os casos de origem portuguesa. Por mais que me expliquem que a situação tem a ver com preço, uniformidade do tamanho, embalagens estandardizadas, nada disto me convence. Ainda por cima em muitos casos tenho que comprar uma quantidade que não me interessa ter, porque só se vendem as embalagens inteiras e não se pode comprar a peso. A coisa agrava-se quando se percebe que muita da fruta é descongelada e nunca atingirá o seu ponto de maturação ideal, passando a podre com enorme velocidade. Alguma da comida que se compra assim, embalada, acaba muitas vezes por se estragar antes de ser consumida.




Mas, em muitas lojas de bairro e nos pequenos mercados continuo a ver produtos portugueses, que se podem comprar ao peso. Os vendedores vão comprar os produtos frescos aos mercados abastecedores. No comércio de rua e nos mercados, ao contrário dos supermercados, a maioria dos produtos vem de Portugal. Muitas vezes as maçãs não são todas iguais, mas sabem melhor e são mais frescas – viveram sem a agressão do frio.


Vejo com agrado que nalgumas zonas, muitas bem perto de Lisboa, lentamente estão a ressurgir produtos artesanais – desde doces a queijos e a pão, passando por pequenas produções de fruta ou de legumes, que se podem comprar no comércio local e às vezes dentro das próprias explorações.


 


Vou dar o exemplo de um produtor de morangos que, na época,  vende na sua propriedade os melhores morangos que conheço, colhidos diariamente e vendidos por ele próprio. São incomparáveis, em sabor e textura aos que se vendem nos supermercados das proximidades e são mais baratos.  E mais -  ele criou quase por acaso uma rede de pequenos produtores nacionais e recebe fruta de outros locais, como do Algarve, em que a qualidade é também superior. E agora, mesmo quando não tem morangos, faz negócio.


 


(Publicado no diário Metro de 5 de Dezembro)

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publicado às 11:43

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por falcao, em 02.12.11

VIOLÊNCIA – A semana passada encerrou com os ecos da greve geral e das manifestações, com algumas pessoas preocupadas com a eventualidade de alastrarem confrontos violentos. Um dia depois percebia-se que a maior violência está, afinal, nos campos de futebol, nas claques acicatadas por dirigentes sem escrúpulos e por provocações grosseiras. Mas a violência é também mais preocupante nos crimes domésticos que crescem de dia para dia, nos assaltos violentos que proliferam – e a preocupação das autoridades deve estar mais dirigida para aí, para o combate à insegurança nas ruas, do que para conspirações saídas dos livros de espionagem ou de manuais de guerrilha urbana. O que as pessoas querem é maior segurança nas ruas, maior protecção às suas casas e aos seus bens, não é mais polícias nas manifestações. Se os responsáveis pelas autoridades alinharem nas conspirações, vão estar a desproteger os cidadãos do roubos e violência, e isso sim é que é grave. Quem manda nas polícias tem um clima de insegurança para resolver – mas esse clima não vem dos protestos, vem de actividades criminosas. Concentrem-se nisso – e em fazer funcionar a justiça, para evitar que os criminosos sejam soltos quase à velocidade a que são detidos - que os contribuintes agradecem.


 


SERVIÇO PÚBLICO – Os estudiosos do serviço público de televisão e os fanáticos da impossibilidade de mudar o que quer que seja fariam bem em olhar para o que se está a passar na PBS, o Public Broadcasting Service, criado nos Estados Unidos e que agora, espante-se, está também disponível no Reino Unido, terra da sacro santa BBC. O novo canal, com uma programação autónoma e distribuído pela British Sky Broadcasting e pela Virgin Media, chama-se PBS UK e tem uma participação a nível de investimento do Quadra Group. Pretende atingir um público com exigências a nível da cultura e da informação, educado e com capacidade económica e irá incluir serviço informativos produzidos localmente sob o princípio da objectividade e independência que caracterizam a estação norte-americana. Os nossos estudiosos também poderão reparar que a PBS planeia já distribuir o canal para outras regiões, incluindo a India, Escandinávia e África. Tudo isto acontece quando continuamos sem saber o que será no futuro o serviço público de televisão em Portugal – nem a questão da publicidade nem do número de plataformas de distribuição é factor essencial, o fundamental é acordar que tipo de conteúdos e de serviços queremos, nos programas e na informação, e depois podemos começar a perceber que canais podem e não podem existir, que estruturas são necessárias e como se organiza o modelo de gestão. O que eu sei é que agora estamos numa altura em que a RTP2, entre os espectadores do cabo, e que já são a maioria, fica atrás da SIC Notícias, Hollywood e Sport TV e praticamente empatada com o AXN. O que quer dizer que é mesmo importante repensar todos os modelos e começar a desenhar de novo o que se quer fazer – até porque falta apenas um ano – pouco tempo em matéria de televisão – para que algumas medidas concretas têm que ser tomadas – como a privatização, que também ainda ninguém explicou bem o que vai ser.


 


PROVA -  O recibo de salário de Dezembro deste ano vai ficar como prova e testemunho do que a irresponsabilidade e a megalomania de um homem podem fazer. Por mais crise internacional, por mais mau estado das finanças públicas, por mais heranças que tenha encontrado,  José Sócrates andou a alargar o buraco – e muito - em vez de o reparar. O PS, que agora brada aos céus, empurrado por Soares e comandado via telemóvel dos Campos Elíseos pelo próprio Sócrates, foi cúmplice e  entusiástico apoiante de todas as políticas mais ruinosas que vimos nos últimos anos – ou estão esquecidos do congresso unanimista que reelegeu Sócrates e o colocou num pedestal?




SEMANADA – Semanas antes de sair do Governo, o ex-secretário de estado da energia do muito ambientalista governo de Sócrates encomendou para o Governo um Audi de cilindrada elevada e motor de combustão e, apesar do entusiasmo retórico, não escolheu nem um híbrido nem um veículo de motor eléctrico; ao longo da última década a carga fiscal subiu em Portugal o dobro do que desceu na OCDE, ou seja o peso das receitas de impostos sobre o PIB subiu dois pontos percentuais; aos poucos recomeça o folhetim da regionalização – agora Rui Rio veio propor que além da região Norte seja também criada uma região Porto; o vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos, Norberto Rosa, foi vítima de carjacking perto de Lisboa e obrigado a ir levantar dinheiro com os seus cartões a caixas multibanco.




ARCO DA VELHA – O Supremo Tribunal de Justiça comprou em 2004, para o gabinete do seu Presidente, um quadro da pintora Vieira da Silva por 80.000 euros e metade deste montante foi coberto por facturas falsas, com a conivência dos serviços, do Presidente e dos juízes que integravam o Conselho de Administração do STJ.


 


OUVIR –Editado em Outubro de 1973, «Quadrophenia» foi o sexto álbum de originais dos Who e a sua segunda opera rock – a primeira havia sido «Tommy» (1969). Localizada nos anos 60, «Quadrophenia» desenvolve-se em torno da história de um mod, de seu nome Jimmy - os mods eram os rivais dos rockers, gostavam de ryhtm’n’blues,  soul e reggae, casacos de bom corte e preferiam as Vespa às motos Triumph ou BSA. Mods e rockers envolviam-se frequentemente em zaragatas, e algumas, ocorridas em Brighton, ficaram célebres e inspiraram parte da história do disco. Jimmy é de facto a figura central da obra e é ele que conta a sua própria história, na primeira pessoa – as suas dúvidas, as suas angústias, as suas frustrações e as suas inseguranças. Marca de uma geração, montra do talento e do excesso de Pete Townshend, o líder dos Who, bem acompanhado por Keith Moon, Roger Daltrey e John Entwistle. Há temas históricos neste disco - «The Real Me», «o tema –título «Quadrophenia», «Cut My Hair», «Doctor Jimmy» e o intrigante «The Rock». Originalmente um duplo LP, surge agora uma edição em duplo CD que inclui todos os temas originais, remasterizados, e 11 versões demo inéditas e todo o material gráfico original da edição em LP.


 


LER – A edição especial Dezembro/Janeiro da revista «Monocle» já está nas boas bancas de revistas, tem 314 páginas e um suplemento especial sobre a Dinamarca, que é absolutamente para guardar e levar na próxima visita a Copenhaga. Além disto a revista estreia uma lista das 100 pessoas, produtos e lugares que influenciarão o próximo ano, um guia dos 50 locais a conhecer em viagem e um guia de presentes de natal. Esta é também a edição que faz o relatório dos 30 países com «soft power» - que no conceito dos editores da revista tem em conta os recursos naturais combinados com a criatividade e o pensamento contemporâneo. A revista testou os países em 50 segmentos de análise, desde a percentagem do PIB investida em ajuda externa até ao património classificado pela Unesco, passando pelo número de medalhas obtidas nos Jogos Olímpicos, número de utilizadores de internet ou taxa de criminalidade – são 20 indicadores ao todo. Os Estados Unidos estão no primeiro lugar, seguidos do Reino Unido, França, Alemanha, Austrália e Suécia. Portugal entrou este ano no ranking na 25ª posição, descrito como a potencial Califórnia da Europa (o Pedro Bidarra deve estar contentinho…) mas com um grave problema de falta de dinheiro. A Espanha ficou na 13ª posição, o Brasil na 21ª e atrás de nós ficaram Israel, Índia, Rússia, República Checa e Grécia.


 


PROVAR – Gostam de amêndoas? – não estou a falar das de Páscoa – mas de amêndoas cortadinhas, espalhadas numa bela massa, dura q.b. e tostada, formando uma gloriosa tarte? Se é esse o caso podem dar um salto à Mercearia Criativa às 16h00 de Domingo dia 4, Avenida Guerra Junqueiro 4A. Esta tarte tem marca: A Tarte, com o subtítulo A Melhor Tarte de Amêndoa. Eu já provei e garanto que é candidata ao título de sobremesa do ano. Para além da Mercearia Criativa, A Tarte está disponível no Gelato Mio de Miraflores e no QB Essence, em Oeiras. Mas o mais fácil é irem ao Facebook, onde está tudo explicado sobre A Tarte, como a comprar, onde a encontrar – basta ir a facebook.com/amelhortartedeamendoa e na secção de informações encontram o que é preciso para se viciarem neste doce. E não é exagero meu.


 


BACK TO BASICS –  O imposto é a arte de depenar o ganso fazendo-o gritar o menos possível e obtendo a maior quantidade de penas – John Pollard

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