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MISTÉRIO I – Daqui a uns anos, quando se fizer a História destes anos da crise, vamos ter dificuldade em perceber para que serve a Comissão Europeia, que fez ela de concreto numa conjuntura difícil como esta e como se pode comparar a sua acção com a da França, Alemanha ou Reino Unido. A Europa vive destes equívocos, de uma Comissão sem capacidade de intervenção, de regulamentações absurdas – a última que soube tem a ver com as condições em que devem estar as galinhas poedeiras – área para cada uma, características do poleiro e do chão, existência de uma superfície do género lima para que as unhas não cresçam: em resumo, muito trabalho para a ASAE. Enfim, ainda se confinassem Merkel e Sarkozy ao galinheiro…


 


MISTÉRIO II - Dia 20, o Benfica-Porto, para a Taça da Liga, na SIC, obteve, segundo a GFK, 2 669 000 espectadores; terça-feira, na RTP1, o Benfica-Chelsea, para a Liga dos Campeões, apenas obteve, ainda segundo a GFK, 1 959 000 espectadores – uma diferença de  710 mil telespectadores. Pinto da Costa influencia muito mais do que aquilo que se pensa.... Mas a coisa não fica por aqui: nas audiências da noite de Domingo - em que existia o duelo entre «A Tua Cara Não Me É Estranha» da TVI e a estreia de «Ídolos» na SIC - existiu uma primeira versão das audiências que dava cerca de 1.086.000 espectadores à «Tua Cara Não Me É Estranha», da TVI, um resultado fraco comparado com as semanas anteriores; sabe-se lá porquê esta primeira medição foi suspensa e anulada; a segunda medição, que saíu ao fim da tarde, deu 1.486.000 espectadores ao programa da TVI. Isto acontece na noite em que as duas principais estações comerciais concentram as suas produções mais caras e competitivas. Nos últimos dias ocorreram vários atrasos e correcções nos resultados de audiências – as medições da GFK começaram a ser utilizadas a 1 de Março e desde então ainda não houve uma semana em que não surgissem problemas graves. Claro que esta situação descredibiliza a medição de audiências – tanto mais que o serviço era suposto estar a funcionar a 1 de Janeiro e três meses depois está no estado que infelizmente se conhece. O pior que podia acontecer era criar a sensação de que os resultados das audiências são afinados com lápis e borracha ao sabor das conveniências.




ESPIONITE – Em Novembro passado o SIS elaborou um relatório onde previa o pior em matéria de agitação social. Soube-se entretanto que em vésperas da greve geral da semana passada o SIS elaborou um outro relatório alarmista que previa para o dia da greve geral um princípio de guerra civil com explosões, cocktails molotov, caos geral. O relatório foi enviado à PSP. Até que ponto é que o delírio destes espiões de brincar do SIS foi responsável pelo comportamento da PSP? Ao espicaçar desta forma, o SIS acaba por ter responsabilidades em tudo o que se passou e na forma como as polícias actuaram. Pela segunda vez o SIS age de forma paranóica, com suposições que não estão baseadas em factos concretos. Alguém devia pôr ordem nestes espiões de trazer por casa antes que a mania da perseguição que os motiva tenha efeitos mais graves. E talvez não fosse mau garantir acompanhamento em matéria de saúde mental a quem, nestes serviços, autoriza relatórios destes e a sua divulgação. Ainda sobre os acontecimentos da semana passada não deixa de ser curioso que uma carga policial que demorou minutos, e que está amplamente documentada em imagens, vá levar quase um mês a ser investigada. Jogar no efeito da perca de memória é uma desresponsabilização a todos os níveis, a começar pelos responsáveis governamentais desta área.




SEMANADA –  Os árbitros de futebol anunciaram que vão fazer greve se continuarem a ser criticados; Portugal está entre os dez países da Europa com maior consumo de álcool por habitante; as finanças queriam deixar de reconhecer os atestados vitalícios de cegos cuja incapacidade havia sido avaliada por junta médica; Portugal foi dos países que mais gastou para apoiar o sistema financeiro - 1,3% do PIB; pausas para fumar reduzem a produtividade em 10%; funcionários da fábrica Molin demoraram 11 anos a receber a indemnização depois da falência da empresa; das quatro equipas que jogaram esta semana na Liga dos Campeões só uma era portuguesa- o Benfica: pois o Benfica foi a única equipa que alinhou sem portugueses  – o Chelsea, o Real Madrid e o Apoel  tinham jogadores portugueses em campo.




ARCO DA VELHA – Eu julgava que a concorrência era positiva para fazer descer preços mas esta semana soube que, a partir de Julho, a factura da electricidade vai aumentar de três em três meses para que os consumidores do mercado regulado não paguem menos que os do mercado liberalizado. É o que se chama concorrência e liberalização à portuguesa.




AGENDA – No BES Photo (Museu Berardo-CCB), e ao contrário daquilo que o nome podia indicar, a única exposição de fotografia presente é a de Mauro Pinto, com a belíssima série «Dá Licença»; Na Casa da Fotografia (Av Almirante Reis 74-1ºB entre as 17 e as 20h00) José Reis volta a expor em Portugal após longa ausência e mostra «Jardins Japoneses», um trabalho feito ao longo dos últimos sete anos nos Estados Unidos e no Japão. Para acompanhar o trabalho de escultura e desenho de Bruno Cidra vale a pena ir à Galeria Baginski (Rua Capitão Leitão 51-53, ao Beato). Finalmente para ver como a moda pode ser vista o MUDE (Rua Augusta 24), apresenta peças de (entre outros) Ana Salazar, Dinbo alves, Filipe Faísca, Maria Gambina, Ana Bela Baldaque, Os Burgueses e Storytailors na exposição «Diz-me do que gostas, dir-te-ei quem és».




OUVIR – Ao quarto álbum de originais, os Wray Gunn estão ainda melhores – e a coisa não era fácil. Continuando a trilhar o caminho dos blues e do gospel, baseados no talento de Paulo Furtado (sim, o Legendary Tiger Man, aqui numa outra encarnação), e nas vozes de Raquel Ralha e Selma Uamusse, os Wray Gunn mostram ser a banda portuguesa que melhor compreende e trabalha o universo do rock’n’roll. Destaco os temas «Don’t You Wanna Dance», «Kerosene Honey», «My Secret Love» e «That Cigarette Keeps Burning». Depois de «Soul Jam», «Ecclesiastes 1.11» e «Shangri-La», a banda edita agora «L’Art Brut», mais um exemplo de que os bons discos não são fruto da sorte – mas sim de talento, trabalho e persistência. CD Valentim de Carvalho.




FOLHEAR  –  A «Vanity Fair» deste mês tem Julia Roberts na capa, e ela fala sobre a nova direcção da sua carreira, entrevistada pelo realizador Mike Nichols e fotografada por Mario Sorrenti. Destaque para um artigo sobre a perca de poder do império de comunicação do «Washington Post», o jornal que publicou o caso Watergate e que agora é vítima da erosão digital. Outro bom artigo revisita a mítica série «The Sopranos», e fala com alguns dos seus principais protagonistas, fotografados por Annie Leibowitz. Outros temas: a influência da série «West Wing» na política americana, o novo filme de vampiros de Tim Burton com Johnny Depp, «Dark Shadows», a grande exposição de homenagem a Helmut Newton e a guerra de poderes por detrás das eleições russas. E, embora seja publicidade pura e dura, destaque para o especial de seis páginas sobre a colecção limitada da Banana Republic que replica a roupa da série Mad Men.




PROVAR –  Este provar de hoje tem apelo de petisco e som de fado. Vou sugerir que visitem o «Povo», um bar-restaurante que serve bons petiscos como moelas estufadas, ovos mexidos com farinheira, pica-pau, salada de polvo ou peixinhos da horta, tudo acompanhado de razoável vinho a copo (ou de garrafa, em querendo), cerveja ou outras coisas mais fortes. A curiosidade adicional é que todos os meses há uma residência de um fadista convidado, alguém ainda pouco conhecido, que volta e meia vai trazendo convidados inesperados. Cada um dos novos fadistas que por ali passar ainda terá direito a gravar um disco, editado com o selo da casa. O ambiente é muito bom, a conversa gira entre as mesas ou ao balcão. O «Povo» faz parte do novo Cais do Sodré, esta semana louvaminhado na BBC e na revista do International Herald Tribune. Rua Nova do Carvalho 32-36, telefone             213 473 403      , podem ver 


os acontecimentos do dia em www.facebook.com/povolisboa .




BACK TO BASICS – «Costumava ser a Branca de Neve, mas depois desvairei» – Mae West

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publicado às 11:54

A POLÍCIA E OS DIREITOS

por falcao, em 27.03.12

Quando acontecem situações como os confrontos entre a polícia e manifestantes, ocorridos na semana passada, há algumas coisas que merecem ser consideradas.


 


Em primeiro lugar  -  e este é um princípio básico – a liberdade de cada um de nós termina quando colide com a liberdade dos outros. Portanto, comportamentos violentos, venham de onde vierem, são sempre uma interferência na liberdade de terceiros.


 


Em segundo lugar, quer os promotores das manifestações, quer as autoridades policiais têm o dever de não permitir a existência nem de provocadores nem de elementos descontrolados no seu seio.


 


E em terceiro lugar a polícia não tem o direito de agredir por dá cá aquela palha e deve estar treinada para resistir e conter e não para ser um exemplo de selvajaria – e deve estar particularmente capacitada de que não pode responder de forma descontrolada a provocações, se elas existirem


 


Este tema das provocações traz à baila outra questão que é urgente ser conhecida – numa manifestação anterior, há pouco tempo, também perto do Largo de Camões, ficou no ar a dúvida se a polícia estaria ela própria a utilizar elementos infiltrados nas manifestações, e assim sendo, ficou também no ar a possibilidade de esses polícias infiltrados terem ou não agido como provocadores. A PSP escusa de se escandalizar com isto porque é sabido que as polícias usam infiltrados ( e eu duvido da legitimidade para o fazerem…) e em especial sabe-se que no caso das claques de futebol isso acontece com frequência.


 


Ora confundir manifestantes e exercício de liberdade de opinião e manifestação  com claques de futebol é o pior que podia acontecer. Eu espero que o inquérito à atuação da polícia, infiltrados incluídos, seja rápido, honesto e esclarecedor. Será utopia?


 


(Já depois destas linhas publicadas li o que o DN publicou sobre um relatório alarmista do SIS que previa para o dia da greve geral um princípio de guerra civil com explosões, cocktails molotov. O relatório foi enviado á PSP. Até que ponto é o delírio destes espiões da treta do SIS foi responsável pelo comportamento da PSP? A quem interessa espicaçar a polícia? Cá para mim quem esteve na origem das más situações que se criaram acabou por ser o SIS.)


 


(publicado no Metro de dia 27 de Março)

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publicado às 11:07

FICÇÃO  – Começo por avisar que qualquer semelhança entre esta história e a realidade só pode ser considerada pura coincidência – é este o aviso que costuma acompanhar alguns filmes, séries e romances. Pois deixado o alerta, vou começar a ficcionar: era uma vez um país em que o supremo chefe já tinha passado dos 70 anos de idade, depois de uma vida de trabalho intensa. Uma carreira política inesperada, agitada, polémica e cheia, repleta de cargos de responsabilidade, em momentos difíceis - tal podia ser o resumo rápido da actividade desse homem nas últimas três décadas. Franzino, nervoso, repentista, o chefe supremo já tinha sido aconselhado por alguns dos seus mais próximos a abrandar o ritmo de trabalho, os mais afoitos sugerindo até que  estava chegada a hora de ele mudar de vida, para evitar que algum problema surgisse no desempenho das suas altas funções. Teimoso e orgulhoso, ele não quis dar ouvidos nem parte de fraco e continuou a fazer o que queria, como queria. Aos poucos aqueles que o observavam mais de perto foram notando umas pequenas falhas aqui, outras ali, alguns desabafos inesperados, que alguns diriam inapropriados das funções. Todos os dias havia indicadores de que o povo já não o aclamava como antes e mesmo o seu círculo mais próximo olhava preocupado para o que se passava. Alguém lembrou que, tal como as estrelas,  era mais importante saber sair de cena no auge, do que viver a decadência. Já havia quem estudasse a situação e traçasse planos: como preparar a paragem, como organizar a saída, como escolher as datas ideais. Os conselheiros sucederam-se e as suas conversas começaram a ser faladas na praça pública. Não demorou muito para que se percebesse que nalguns círculos se preparava a sucessão. O país, atónito, assistia embasbacado a um inédito reboliço – de repente surgiam imensos candidatos ao lugar de chefe supremo. Sentado num cadeirão, um velho sábio olhava para o horizonte e pensava: não há fumo sem fogo.



MOEDA
 - Ontem houve greve. Mais do que uma acção sindical esta foi uma manifestação política do poder do novo líder da CGTP e da forma como ele pretende governar a sua central. Desde 25 de Abril de 1974 até 24 de Novembro do ano passado só tinham sido realizadas em Portugal seis greves gerais. E, de repente, surgem duas, assim de enfiada, no espaço de quatro meses. Ao contrário da anterior, que teve o apoio da UGT, esta foi apenas convocada pela CGTP. Como muita gente já disse esta é uma banalização da greve geral, uma estranha opção de qualquer líder sindical.  Olhando com atenção, e na inexistência de objectivos concretos declarados, percebe-se que o motor desta greve foi propagandístico - toda a acção foi montada para permitir que houvesse o condicionamento de uma maioria por uma minoria, que procurou parar sectores fundamentais como os transportes. Assim, mesmo com um mau resultado em termos de adesão global, com fraquíssima repercussão fora do sector público, cria-se a imagem da ilusão. Olhando friamente para o assunto, esta greve parece-me tão despropositada como as declarações de António Borges, no início da semana, sobre o clima laboral em Portugal. São duas caras de uma mesma moeda – e não é desta moeda, nem destas caras, que precisamos.


 


SEMANADA -  O Observatório da Segurança tem novos dirigentes, eleitos esta semana, incluindo diversos elementos da maçonaria, vários espiões e o Sr. Nunes da ASAE; depois de derrotado nas eleições presidenciais timorenses, Ramos Horta disse que não estava muito motivado; a primavera começou mas o Sporting nem quer ver Paixão; apesar dos aumentos registados o IVA começou a cair em Fevereiro, o que não acontecia desde 2009; impostos sofrem derrapagem de cinco milhões por dia; desemprego atinge 293 pessoas por dia; desempregados inscritos no IEFP aproxima-se dos 650 mil, mais 19,6% que em Fevereiro do ano passado.


 


ARCO DA VELHA – Passos Coelho manifestou preocupação pelo aumento do preço dos combustíveis mas sublinhou que o Governo não podia fazer nada sobre o assunto.


 


OUVIR – Etta James, que morreu a 20 de Janeiro deste ano, deixou atrás de si uma carreira que teve início ainda na década de 50 – embora o seu primeiro disco seja de 1960. Ao longo de cinco décadas percorreu os caminhos do jazz, do gospel, dos blues e da soul music. Era carinhosamente tratada por Miss Peaches e gravou duas dezenas de álbuns de originais. A colectânea que agora a Universal lançou, «The Best Of Etta James», inclui 25 clássicos do seu repertório, entre os quais «I Just Want To Make Love To You», «You Can Leave Your Hat On», «Stormy Weather», «I Got You Babe», «Spoonful», «Light My Fire» ou «These Follish Things». É uma bela forma de recordar Etta James – e de apreciar o seu talento de intérprete.


 


VER  – Esta semana tive uma má notícia, a do fim do Centro Cultural de Almancil – uma iniciativa privada, de um casal franco-alemão, Marie e Volker Uber, que em 1981 abriu as portas. O casal adquiriu uma série de casas na rua da Igreja de S. Lourenço, abriu ligações entre elas pelo interior e transformou os velhos pátios numa área contínua de jardim – entre casas e jardins são quase 4500 m2. No interior, para além da residência do casal, no resto da área de construção, decorriam exposições, conferências, pequenos concertos. No exterior peças de escultura habitavam o jardim que acolhia os visitantes. Era rara a vez em que ía ao Algarve e não queria passar por lá, para ver o que havia. O local era um misto de casa habitada e galeria de artes e encantos, uma espécie de tertúlia permanente onde se podia ficar um par de horas a descobrir o que por ali havia. Lá comprei algumas peças, vi muitas que gostaria de poder ter comprado. Os preços não eram especulativos, muitos artistas em princípio de carreira puderam ali ter as suas obras ao lado de nomes consagrados, alguns deles de artistas portugueses que ao longo dos anos se foram radicando no Algarve. O Centro tornou-se um exemplo de uma iniciativa privada ligada à divulgação das artes. Volker Uber, o alemão que imaginou e criou este Centro, morreu há oito anos. Agora, Marie, decidiu pôr ponto final na aventura. Vai vender o conjunto de casas do Centro e fazer, no dia 7 de Abril, uma festa de despedida, que contará com muitos dos artistas que ao longo dos anos ali expuseram. No dia da festa cada um dos visitantes poderá, mediante o pagamento de 100 euros, ter direito ao sorteio de uma peça das centenas de obras do acervo do Centro – desenhos, gravuras, esculturas, cerâmicas. É pena que ninguém tenha querido continuar a obra de Volker e Marie, mas é bonito acabar com uma festa. E até lá podem sempre ver este local único.


 


LER – A “Monocle” de Abril, acabada de chegar aos escaparates, vem carregada de motivos de interesse. Para além de algumas incursões em extravagâncias arquitectónicas e de regime em África, há uma curiosa elocubração sobre o tema do que deveria ser um parlamento ideal. A seguir, depois de umas páginas sobre o melhor de Espanha, que de facto são parte de uma bem imaginada série de artigos de publicidade redigida, há bons artigos sobre a recuperação do centro de Toronto, outro muito engraçado sobre o que é ser jornalista desportivo e ainda uma boa apresentação do trabalho do arquitecto Richard Neutra. Portugal aparece com o café e restaurante Aia, no Porto, e com uma bela reportagem sobre os nossos gloriosos sabonetes Ach Brito. A terminar, a “Monocle” entusiasma-se, com razão, com a apresentação daquilo que a etnia Sami conseguiu fazer, em termos comunitários, na Finlândia. É a volta ao mundo em 180 páginas.


 


PROVAR – Imagine que foi ao CCB e não teve tempo de jantar. No fim do espectáculo dá-lhe um ratinho no estômago e apetece-lhe algo, talvez um bifinho. Pois está em bom sítio – a escassas centenas de metros do CCB fica a Nune’s Real Marisqueira, uma cervejaria onde, além do marisco a escolher ainda vivo, se pode comer um muito apreciável bife especial à Nune’s (que, em querendo, pode ser apenas meio bife), feito como todo o preceito, a preço sensato, e acompanhado de uma bela cerveja – que pode ser servida a copo ou numa caneca metálica fresquíssima que é um dos emblemas da casa. Encerra às quartas e fica na Rua Bartolomeu Dias 120, telefone 21 301 98 99      .


 


BACK TO BASICS – O discernimento consiste em saber até onde se pode ir – Jean Cocteau


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 23 de Março)

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publicado às 12:05

ESTRANHAS MEDIÇÕES

por falcao, em 23.03.12

O novo sistema de medição de audiências não alterou a posição relativa dos canais generalistas, mas nos canais de cabo a conversa é bem diferente. A SIC Notícias, que era sempre o mais visto dos canais de cabo, e que ocupava, em termos globais o quarto posto entre a totalidade dos canais, caíu agora para a 9ª posição em termos nacionais – embora em Lisboa e na zona centro esteja no 8º posto – mas está em 10º no norte e em 11º no sul. Ainda nos canais informativos, em termos nacionais, a TVI, no 14º posto, ultrapassou a RTP Informação. Quem melhorou muito os resultados é a TV Record, que em Lisboa é o 5º canal mais visto, embora seja o 12º a nível nacional.


 


AXN, Hollywood e Disney são agora os três canais de cabo mais vistos no país. Mas o quarto posto das audiências, a nível nacional, vai para a categoria «Outros» - que engloba tudo o que são consumos não identificados. Em Lisboa o «Outros» está mesmo em terceiro lugar, à frente da RTP1 – não admira que o novo sistema de audimetria esteja a gerar tanto protesto.


 


(Texto publicado no Correio da Manhã de 23 de Março)


 

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publicado às 12:01

BANALIZAR A GREVE DARÁ RESULTADO?

por falcao, em 20.03.12

Uma nova greve geral – a segunda no espaço de quatro meses – está anunciada para a próxima quinta-feira. Não ponho obviamente em causa o direito à greve – mas acho que vale a pena refletir sobre o significado de duas greves gerais tão próximas uma da outra. Desde 25 de Abril de 1974 até 24 de Novembro do ano passado só tinham sido realizadas em Portugal seis greves gerais. E, de repente, surgem duas assim de enfiada.


Se em Novembro passado a UGT e a CGTP conseguiram atuar em conjunto, já se sabe que na próxima quinta-feira a UGT não quis associar-se à convocação de uma greve geral que aliás não tem objetivos definidos e que surge como mais um protesto contra as medidas de austeridade que fazem parte do acordo com a troika. A greve geral tem sempre  um duplo efeito – diminuir a retribuição dos que nela participarem e agravar as contas do país, que já estão numa situação que dispensaria iniciativas destas.


 


Banalizar a greve geral é um caminho que leva à descredibilização das formas de reivindicação – veja-se o que tem acontecido na Grécia onde as greves se sucederam , banalizando-se e não conseguindo qualquer espécie de efeito prático.


 


Mas o pior de tudo é a ausência de objetivos específicos e concretos – assim a greve é uma ação essencialmente de propaganda – neste caso de afirmação da linha da nova direção da CGTP -  cujo efeito prático na resolução dos problemas será impossível de medir. Os sindicatos que aderirem à greve brandirão números, esquecendo-se que  uma greve destas interferirá diretamente no exercício da opção de ir trabalhar daqueles que precisam dos transportes públicos.  É bem possível que estejamos perante o condicionamento de uma maioria por uma minoria.


 


(Publicado no Metro de 20 de Março)

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publicado às 12:02

AUDITORIA – Se pensam que vou falar da auditoria ao sistema de medição de audiências da GFK enganam-se – apesar de continuarem a ocorrer coisas estranhas como, por exemplo, no Domingo passado, o canal de cabo mais visto no Algarve ter sido o angolano TPA. Mas adiante - o que venho aqui propor é uma auditoria à ANACOM e a todo o processo de implantação da Televisão Digital Terrestre. Como a imprensa tem relatado sucedem-se os casos de zonas onde o sinal não chega ou chega em más condições e onde, segundo a Anacom «terão de ser as populações a suportar o custo de adaptação à TDT». Como o serviço público de televisão – seja ele qual fôr no futuro – é suposto ter um acesso universal, livre e gratuito, temos aqui uma espécie de vazio: para alguns cidadãos ele terá custos, o que no mínimo vai dar azo a muita conversa jurídica. Mas para além deste aspecto, formal, aquilo que merece de facto uma auditoria é a falta de conteúdos presentes na TDT, que conseguiu a proeza, inédita na Europa, de apenas oferecer os quatro canais de sinal aberto e não proporcionar nenhum dos diversos canais portugueses que já existem no cabo.  Aqui está um assunto que a ERC devia analisar - porque, este sim, tem a ver com serviço público.


 


PRIMÁRIAS – Não estou a falar dos Estados Unidos – onde os republicanos continuam a disputar as suas primárias para as presidenciais. Estou a falar de Portugal, onde por estes dias foi dado o tiro de saída para as primárias das próximas presidenciais. Graças a Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa reencontrou espaço para explicar como um Presidente da República se deveria comportar. Estivesse ele sujeito aos seus próprios exames e levaria nota alta – uns 18 pelos exigentes critérios que usa. Imagino que Marcelo, quando falou, já sabia que António Costa apresentaria a meio da semana um livro de recolha do seu pensamento político – uma tarefa árdua, convenhamos. Mas o facto de António Costa publicar significa alguma coisa – no cenário do PS e no cenário eleitoral – significa até bastante. Assim Costa sai do estatuto de reserva da nação e volta a entrar no activo. A sua entrevista de quarta-feira ao «Público» não deixa margem para dúvidas: «Não fujo de cargo nenhum». Uma sondagem publicada segunda-feira pelo «Correio da Manhã» apontava o duelo presidencial entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa como o que recolhia as preferências do eleitorado. António Costa recolhia 33,1% de preferências como melhor candidato à esquerda, à frente de António Guterres (que adoraria voltar a ser missionário na sua terra), Maria de Belém e de Carvalho da Silva – que regista uns 10,3% que podem não ser displicentes na altura das grandes decisões. À direita Marcelo, com 40%, quase que dobra Durão Barroso, enquanto Leonor Beleza e Santana Lopes surgem praticamente empatados à volta dos 9%. Teoricamente as eleições presidenciais são daqui a quatro anos – mas uma coisa é certa: esta semana começou o posicionamento dos pretendentes e a contagem das espingardas. O país está na crise que sabemos, mas a luta política promete ser animada.


 


SEMANADA – A retracção do consumo de combustíveis provoca uma quebra de receitas fiscais diária de cerca de 645 mil euros; associação de  juízes processa 14 ministros do PS por suspeita de gastos ilegais; dois agentes da PSP de Lisboa foram detidos por envolvimento com uma rede criminosa de romenos; as falências de restaurantes aumentaram 68% em dois meses; um juiz do tribunal de Viana do Castelo emitiu uma ordem de serviço proibindo a aplicação do novo acordo ortográfico; Daniel Bessa admitiu que «Portugal está hoje muito pior que em 1994»; a CGD é o banco público com maior quota de mercado entre os seus congéneres europeus.


 


ARCO DA VELHA – Comentando a situação criada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa chamou a atenção para o facto de Cavaco Silva ter corrido o risco de Sócrates poder ter vencido as eleições legislativas, sem que ele, Cavaco, dissesse uma palavra sobre a «deslealdade gravíssima», que na semana passada subitamente revelou.


 


AGENDA – Andreas Stocklein apresenta até 11 de Maio trabalhos de pintura, azulejo e desenho sobre papel na Galeria Ratton numa exposição intitulada «Entre cá e lá – Outros Lugares». A Ratton (Rua da Academia das Ciências 2-C, de segunda a sexta, das 15 às 19h30), fez nome a partir de  trabalhos sobre azulejo, promovendo edições exclusivas de nomes como Paula Rego, Pedro Proença, Julio Pomar, ou Rachel Korman.  Frequentemente, como é o caso da exposição de Andreas Stocklein,  apresenta obras sobre outros suportes. A Ratton existe desde 1987, pela mão e persistência de Ana Viegas e o ponto de partida foi trabalhar com artistas dispostos a utilizar o azulejo como suporte da sua criatividade. Desde o início a Ratton procurou artistas contemporâneos, procurando recuperar a tradição ao azulejo, mas também, tendo em conta a evolução das técnicas de produção, procurar novas formas de os utilizar nos espaços actuais.


 


OUVIR – Conseguir manter-se atento e interveniente ao fim do 17º disco não é coisa fácil, mas Bruce Springsteen trilha esse caminho com «Wrecking Ball», o seu novo álbum, um fresco sobre a crise e as suas consequências nos Estados Unidos. De certa forma este trabalho tem pontos de contacto com «Darkeness On The Edge Of Town», o seu quarto disco, editado na Primavera de 1978, e que relatava a época do início da queda das cidades industriais norte-americanas. É impossível ouvir a faixa de abertura de «Wrecking Ball», o hino «We Take Care Of Our Own», sou ainda «Easy Money», sem rever a história recente dos Estados Unidos. Musicalmente o disco mostra a diversidade de registos que Springsteen gosta de explorar. É um disco «engagé», é um disco de rock, como poucos dos últimos tempos. É um notável trabalho de um músico de 62 anos que continua a querer mostrar as suas diferenças. E a afirmar o seu olhar sobre a América.


 


LER – Pela mão de António Barreto a Fundação Francisco Manuel dos Santos, que criou a base de dados Pordata, lançou agora o portal «Conhecer a Crise». Na apresentação explica-se que este é «um portal destinado a dar visibilidade aos principais indicadores económicos e sociais capazes de traduzir com mais pormenor a situação de crise que Portugal atravessa ». Os promotores da iniciativa sublinham que «além de entidades oficiais, foi necessário recorrer a organizações civis e a empresas económicas que detêm informação importante» e declaram utilizar também com frequência inquéritos de opinião e atitudes. O «Conhecer A Crise» utiliza dados trimestrais e mensais, «mais adequados a medir a evolução actual, assim como as reacções das famílias e empresas, na sua tentativa de se ajustar ao novo contexto económico e superar algumas dificuldades». Finalmente, «com esta iniciativa, pretende a Fundação Francisco Manuel dos Santos contribuir para um melhor conhecimento da realidade, tantas vezes ocultada ou exagerada». Disponivel em www.conheceracrise.com , o portal é graficamente muito atraente, de navegação fácil e inclui na área «A Crise Como Eu A Vejo», a possibilidade de selecionar os conteúdos que interessam mais a cada utilizador.


 


PROVAR –  O Solar dos Presuntos é, há 38 anos, um templo da gastronomia lisboeta onde se volta sempre com prazer. Não sou assíduo, mas cada vez que lá vou fico rendido à qualidade do presunto que dá nome à casa – a começar no produto propriamente dito e a acabar no corte, perfeito como é raro encontrar. Outro ponto exemplar reside na forma como a garrafeira está organizada e guardada, à boa temperatura para cada caso – o Solar dos Presuntos desde cedo aproveitou o potencial do iPad e a sua lista, extensa, de vinhos é trazida à mesa nesse aparelho – está sempre actualizada e é rica em informação sobre cada vinho. Nesta altura do ano o Solar dos Presuntos dedica-se à lampreia, e tem fama – e proveito - de ser um dos locais onde ela melhor é preparada em Lisboa. Até agora a melhor que provei este ano, foi aqui – por sorte com ovas, saborosa, carnuda, tenra. Esta magnífica lampreia à bordalesa que lá provei esta semana, foi antecedida de uma versão espectacular, e menos difundida, que é a lampreia de escabeche – em que o ciclóstomo aparece escabechado em finas fatias, assim como que a servir de aperitivo. O Solar dos Presuntos fica na Rua das Portas de Santo Antão 150  e tem o telefone 213 424 253.


 


BACK TO BASICS – Nas eleições a maior parte das pessoas vota contra alguém em vez de votar a favor de um candidato – Franklin P. Adams.


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 16 de Março)

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publicado às 17:21

FUGIR DO PROBLEMA

por falcao, em 13.03.12

O Presidente da República anda a desenvolver, com método e precisão, a arte de dar tiros nos pés.  O que se passou na semana passada é bom exemplo disso: no meio de um ambiente difícil, provocado pelas medidas de austeridade e pelo impacto dos aumentos de preços nas bolsas de todos,  Cavaco Silva mostrou mais uma vez uma grande inabilidade.


 


Depois de ter estragado a sua imagem com a fuga à escola António Arroio , os seus argutos estrategas políticos inventaram uma visita criativa ao Porto onde a única novidade foi o chapéu usado pelo Presidente da República. Os mesmos estrategas decidiram então lançar um pouco de areia nos olhos dos comentadores e deixaram cair a acusação de deslealdade a José Sócrates.


 


No meio das dificuldades vigentes, e da forma como foi feita, a acusação serviu apenas para encher de ar o peito dos apoiantes de Sócrates que não perderam tempo a responder. O “Correio da Manhã” relatou, com pormenores, como Sócrates esfregou as mãos de contente e a partir de Paris comandou as tropas indígenas para o contra-ataque.  Figuras extraordinárias como Ferro Rodrigues, José Lello e Silva Pereira esfregaram as mãos de contentes, atirando-se à função como gato a bofe. Até o desaparecido Manuel Alegre se sentiu compelido à defesa da honra socrática. Pelo meio juntaram no mesmo saco, como lhes convém, o Presidente e o Governo.~


 


Mais uma vez, correu mal a semana ao Presidente, ou como se costuma dizer – saíu-lhe o tiro pela culatra. Cavaco Silva mostrou apenas que para não agitar as águas e não arranjar problemas para a sua reeleição deixou Sócrates em roda livre. E ficou caladinho para não arriscar perder votos. Fugiu do problema – como também aconteceu na António Arroio. Este comportamento está a tornar-se num desagradável padrão.


 


(Publicado na edição de hoje do diário Metro)

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publicado às 15:36

TELEVISÃO –.Os estudos de audiência de televisão não são nenhuma ciência cabalística. Há regras, como noutros estudos de mercado, há processos e há princípios de estatística que devem ser observados. Durante anos uma empresa portuguesa, a Marktest, desenvolveu sistemas e softwares, que aliás chegou a exportar. Claro que esta é uma actividade onde qualquer erro é amplificado e os canais que se consideram injustiçados movem legitimamente as suas influências. A televisão é o único meio de comunicação em que, no espaço de 24 horas, existem dados, que se pretendem seguros, do que foi o comportamento dos telespectadores. Isto é de uma importância extraordinária porque a publicidade em televisão – de uma forma geral e numa explicação rápida -  tem um preço, variável, que é estabelecido em função da audiência obtida. Portanto o estudo de audiências tem implicações nas receitas publicitárias dos canais e é fundamental para que os programadores façam os ajustes de grelha e de conteúdos que lhes possibilitem fidelizar ou captar mais audiências. Com a proliferação dos distribuidores de cabo e satélite, a medição complicou-se, já que o número de canais aumentou e a tecnologia impunha novos sistemas técnicos de medição. Foi por isso que no ano passado um organismo tripartido, privado, a CAEM (Comissão de Análise dos Estudos de Mercado) iniciou um processo de abertura de um concurso para garantir, em teoria a partir de 1 de Janeiro deste ano, um novo sistema. A CAEM junta a APAN, a associação de anunciantes, as estações e distribuidores de televisão (RTP, SIC, TVI, ZON e MEO) e a APAME, a Associação das Agências de Meios. Da consulta acima referida, num processo algo conturbado, saíu vencedora a GFK, uma multinacional de estudos de mercado, e em segundo lugar ficou classificada a incumbente, Marktest. Num contrato que terá cinco anos de duração, a GFK apresentou o melhor preço e teve pior classificação técnica, além de se propor utilizar um hardware ainda não testado em mercados competitivos e complexos de televisão como o nosso. Infelizmente foi a questão preço que prevaleceu (embora a diferença fosse pequena) – e isso aconteceu, na altura, por forte pressão dos anunciantes – que fecharam os olhos ao peso dos critérios técnicos. O resultado está à vista: a GFK não conseguiu arrancar com o processo a 1 de Janeiro, os próprios testes arrancaram tarde (apenas a meio de Fevereiro) e mesmo assim com fortes reservas dos especialistas das estações e das agências representados no órgão técnico da CAEM. Finalmente o novo painel foi forçado a arrancar a 1 de Março, já que o painel anterior não podia prolongar por mais tempo a medição de audiências sem custos adicionais. O resultado já se sabe – confusão nos valores apontados, períodos significativos com zero de audiência registados, consumos anormalmente altos de televisão (um número improvável de espectadores a verem mais de 12 horas de TV por dia), um número anormalmente alto de espectadores sem consumo identificado, falhas técnicas não explicadas. Infelizmente os primeiros dados apontam para um painel com graves falhas a nível da implementação e da recolha de dados. Hoje a situação está bem pior do que há um ano. Ninguém pode estar satisfeito com este resultado.


 


SEMANADA – O número de idosos sozinhos em Portugal aumentou 47% face a 2011; as obras da Parque Escolar tiveram uma derrapagem de custos de 447% ; no Parlamento Europeu Vital Moreira ameaçou expulsar de um workshop quem aplaudia críticas a um relatório que pretende impor limitações à internet e que ele próprio defendia; mais de 16 mil alunos endividaram-se para pagar os estudos e o crédito disponível para estudantes caíu para metade este ano.


 


ARCO DA VELHA – Entre gemidos e simulações de orgasmos, nove eurodeputadas, entre elas a socialista Ana Gomes, representaram no Parlamento Europeu a peça «Os Monólogos da Vagina» , da norte-americana Eve Ensler. A autora, presente na representação, afirmou: «a vagina está no Parlamento».


 


PALAVREADO – «Deixe-me dizer-lhe, já agora, que nunca pensei ganhar o concurso» - António Salvador, presidente da GFK Portugal, sobre o facto de a sua empresa ter sido a escolhida para elaborar o novo estudo de audiências de televisão. 


 


AGENDA – Esta semana nem sei bem para onde me hei-de virar. Na Moda-Lisboa (que vai até Domingo à noite) tenho pena que não alguns criadores estejam ausentes, mas tenho sempre curiosidade em ver o que Dino Alves (hoje) e Filipe Faísca (domingo) têm para apresentar; para a semana, na quarta-feira, é inaugurada no Museu Berardo a exposição BES Photo 2012, desta vez com trabalhos de Cia das Fotos, Duarte Amaral Netto, Mauro Pinto e Rosângela Rennó;  Jorge Silva Melo encena «Danton», que estreia dia 15 no Teatro Nacional D. Maria II; gostei de visitar a Carpe Diem (Rua do Século 79) e sobretudo os trabalhos de Pedro Calapez, da série «Gymnasium», pelo ambiente criado e pelos materiais e técnicas utilizadas;  no Museu da Cidade e em várias galerias (Graça Brandão, Antiks Design) estão obras da Bienal de São Tomé e Principe , sob o título genérico «Africando»; e a exposição «Mini Market», do ilustrador Xavier de Almeida (um dos mais interessantes deste rectângulo à beira mar plantado), que está na Who Galeria, Rua Luz Soriano 71.


 


OUVIR – Um dos discos portugueses mais estimulantes que ouvi nos últimos tempos é dos Jigsaw, chama-se «Drunken Sailors & Happy Pirates» e é o seu terceiro álbum de originais. Os Jigsaw existem desde meados da década passada, vêm de Coimbra – um viveiro musical à época – e sentem-se neles as influências dos blues e às vezes folk, mas também, descaradamente aliás, as de Leonard Cohen ou de Nick Cave – e digo isto num sentido positivo. A revista francesa Les Inrockuptibles considerou-os uma das bandas a seguir em 2012. João Rui, Susana Ribeiro e Jorri são os três músicos que integram os Jigsaw e que são também responsáveis pela composição das suas canções – ambientes musicais envolventes, letras com sentido, arranjos fortes. Destaco no novo álbum os temas «The Strangest Friend», «Lovely Vessel», «Even You», «I have Been Away For So Long», «The Last Waltz», «Devil On My Trail», e «Drunken Sailors & Happy Pirates», o tema título. A banda tem considerável actividade por essa Europa – digamos que é um bom exemplo de exportação do nosso talento. Neste momento está em plena digressão ibérica com concerto agendado para o próximo dia 23 no auditório Carlos Paredes, em Lisboa.


 


LER – A revista «Intelligent Life» faz parte do grupo «The Economist» e já teve uma edição portuguesa. Em papel é uma revista interessante mas a sua versão de iPad é um bom exemplo de como transportar um conceito editorial tradicional para a nova paisagem digital. Enquanto a edição em papel é vendida nas bancas, a edição para iPad está disponível gratuitamente na App Store, graças a um patrocínio exclusivo do Crédit Suisse, que viabiliza esta forma de edição(aliás com uma publicidade bem imaginada). Na capa da mais recente edição está Cate Blanchett e o interior oferece um bom guia do que está a acontecer na música, no teatro e no cinema. A área da gastronomia e da crítica de restaurantes é muito divertida e há vários artigos que são verdadeiros guias de conselhos úteis. A rematar, um belo portfolio fotográfico de Yves Marchand e Romain Megffre. Por fim registo que há muitos conteúdos multimedia ao longo da edição iPad da «Intelligent Life».


 


PROVAR –  Hoje vou falar de um clássico lisboeta, nascido na zona da Lapa em 1995 e que há uns anos migrou para a Rua da Junqueira 120. Trata-se do S. Bernardo, uma casa que fez fama com pratos cozinhados para levar para casa – a salvação de todos os que não querem ou não pode dedicar-se à cozinha mas que gostam de receber amigos à mesa.  A lista comporta numerosas possibilidades, incluindo pratos vegetarianos e saladas (como a salada fria de pescada e camarão), e tradicionais como um afamado arroz de pato, o bacalhau com coentros ou empadas com recheios diversos, além de salgados, sobremesas, biscoitos variados. Há pratos congelados mas há também a possibilidade de fazer encomendas de pratos confeccionados na altura. A lista é enorme e merece ser consultada em www.saobernardo.pt . No mesmo local, por cima da loja, funciona ao almoço um restaurante com uma bela vista, onde os pratos tradicionais da casa vão rodando na forma de um buffet generoso, por 16 euros. A sala leva 46 pessoas e pode ser reservada para jantares ou ao fim de semana. O telefone é o 213 600 570.


 


BACK TO BASICS – Os factos são incontornáveis, as estatísticas são maleáveis – Mark Twain


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 9 de Março)

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AUDIÊNCIAS ESTRANHAS

por falcao, em 09.03.12

Os resultados dos primeiros dias da nova  medição de audiências confirmam os piores receios – o sistema está muito instável e mais de um décimo dos espectadores estão num limbo de canais não identificados que nas medições aparece sob a designação «Outros» e que atinge um valor anormalmente alto – 12,1%, quase tanto como a audiência da RTP, que foi, em média nesses quatro dias, de 13,9%.




A grande alteração verifica-se nos valores atribuídos à RTP, que na última semana de funcionamento do sistema de medição anterior tinha registado 19,9% de share e que nestes quatro dias registou os 13,9% já referidos.


Mas onde o grupo de «Outros» não identificado, também produz grandes variações é nos canais de cabo. De um dia para o outro a SIC Notícias deixou de liderar, e caíu da quarta posição que ocupava para a nona.  Em matéria de estudo de audiências este novo, da GFK, ainda tem um longo percurso para melhorar, e para provar que pode ser confiável – coisa que claramente ainda não é.


 


(Publicado do Correio da Manhã TV de 9 de Março)

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publicado às 10:20

A AVENIDA PODIA SER DIFERENTE

por falcao, em 06.03.12

Há quase uma década o arquitecto norte-americano Frank Gehry foi convidado para fazer o projecto de transformação do Parque Mayer. Incluiria um Casino (que mais tarde foi parar à zona da Expo), salas de espectáculos, zonas de lazer, uma academia de formação de artes cénicas e também a reinstalação do Hot Clube.


 


Os desenhos do projecto, que eu conheci, tinham a marca inconfundível do célebre arquitecto norte-americano. Eram arrojados, integravam-se no local, respeitavam a envolvente do Jardim Botânico. Ofereciam soluções para as várias funcionalidades que se pretendiam. Os novos edifícios seriam certamente um pólo de atracção. O movimento que toda esta zona geraria – Casino, Teatros, auditóriois, restaurantes, teria tido um enorme impacto, positivo, na Avenida.


 


Lembrei-me disto quando há dias um amigo meu, que não vive em Portugal há muito, comentou como a cidade está mortiça à noite e como a Avenida da Liberdade, mesmo sendo a principal artéria da cidade, praticamente morre depois das 21h00. Falei-lhe neste projecto, abotado por razões mesquinhas e políticas. Hoje em dia é evidente que seria bem melhor ter o Parque Mayer já recuperado (nesta década que entretanto decorreu o projecto teria ficado pronto) e avenida dinamizada, viva e pulsante.


 


Puxei um bocadinho pela memória e lembrei-me de alguns factos curiosos: em primeiro lugar, o projecto era auto-sustentável e estava coberto pelas receitas das contrapartidas do próprio Casino; em segundo lugar existia um genuíno entusiasmo de diversas entidades ligadas à produção de epsectáculos; e em terceiro lugar recordei-me que tudo foi abortado por um veto presidencial directo ao diploma que viabilizava a montagem de toda a operação. Esse veto, lembrei o meu amigo nessa conversa, veio do Presidente de então – Jorge Sampaio. Mais um dos seus feitos que fica para a História.


 


(Publicado no diário Metro de 6 de Março)

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