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A CULTURA SÓ PARA ALGUNS

por falcao, em 27.07.12

COSTUMES - Um texto intitulado “É a falta de cultura, estúpido”, de Clara Ferreira Alves, publicado na edição de sábado passado da Revista do Expresso, agitou as redes sociais. No texto a autora defende a tese de que Portugal tem hoje apenas uma pequena elite que consome a cultura, e lamenta-se de essa elite ser velha e não ter sucessores. É um raciocínio antigo, e muito paroquial., baseado numa noção de cultura ela própria elitista e basicamente reaccionária. É este raciocínio que tem sustentado a existência de iniciativas, instituições, fundações e individualidades que pensam apenas no seu umbigo e nos umbigos dos que lhe são próximos. Noutros pontos do texto a autora insurge-se contra a cultura popular contemporânea, com a sobranceria própria das elites: já há uns anos o Maestro Vitorino de Almeida pregava contra a música pop e apelidava-a com diversos mimos e, hoje em dia, saltita nas ruas de aldeias do norte a dirigir uma população rural que consegue cantar o “All Together Now” dos Beatles num belo spot publicitário da Optimus. Mas a essência do texto de CFA relata somente a percepção, que ela tem, de ser uma parte de um núcleo que se fechou em torno de si mesmo e que foi incapaz de encontrar seguidores e sucessores. O seu texto é o retrato do falhanço de uma geração bem pensante que não conseguiu agir, preocupada que estava em se ver ao espelho. A história da criação artística está ligada à capacidade de comunicar, encontrar públicos e financiamentos, para não ir mais longe, pelo menos desde a Renascença. Os artistas sempre procuraram mercado, no sentido de procurarem quem lhes comprasse – ou pagasse - as obras. Não há que ter medo da popularização da criação artística nem da procura do mercado. Pelo contrário, eu defendo que há é que ter medo dos artistas que não querem ter público e do público que quer ser pequeno e ter acesso exclusivo. Isso é que me preocupa. Nos últimos anos, ou nas últimas décadas, um dos problemas das instituições que apresentam produções culturais, clássicas ou vanguardistas, é a comunicação da sua actividade. A maioria das grandes instituições, ditas de referência, peca por se dirigir sempre aos mesmos iluminados e por não procurar cativar novos públicos. Uma análise primária da comunicação dessas instituições mostra isso mesmo. Não estou só a falar da comunicação jornalística, mas também da comunicação publicitária, que todas fazem, mas que as mais das vezes é executada sem critério, sem qualquer base técnica, acabando por impactar sempre os mesmos, em círculo fechado – os tais que não conseguiram reproduzir-se. Agir assim é como pregar a missa aos convertidos e desistir de encontrar novos fiéis – um curioso paralelo entre a ala mais retrógrada da igreja e as instituições que se gabam da sua presença no mundo da criação artística, clássica ou contemporânea. Se forem ver bem o que nos últimos anos tem sido feito pelas grandes instituições, públicas ou privadas,  nesta área do marketing cultural, perceberão que na maioria dos casos não estudam alvos de público, fazem compras directas de espaço publicitário aos media, muitas vezes sem cuidar nem da eficácia nem do preço, com um sibilino (e incorrecto) racional por trás que é o de, assim, estabelecendo uma relação comercial directa, poderem talvez influenciar positivamente o conteúdo editorial. Não estou a falar de cor quando digo isto, na minha vida profissional já me deparei várias vezes com o assunto. Mas tudo vai dar ao mesmo ponto: não basta escolher e programar em abstracto – é preciso saber que públicos se querem conquistar ou que públicos se querem perder. Quem não consegue renovar públicos deve interrogar-se sobre o que está a fazer mal. Talvez se pensarem, em vez de repetirem chavões, consigam ultrapassar o diletantismo típico das infecundas elites portuguesas.


 


 


  


SEMANADA – No primeiro semestre foram extintas mais 33% de empresas que no mesmo período do ano passado; os manuais escolares do 12º ano custam 200 euros e continuam a ser distribuídos em papel; 50% dos portugueses vêem televisão e navegam na internet em simultâneo; o número real de desempregados já ultrapassa o milhão e, destes, cerca de 300.000 não recebem qualquer subsidio;


quase metade das empresas municipais arrisca fechar por não cumprirem os requisitos da lei; apesar da subida de impostos a receita fiscal diminuiu 3,1% no primeiro semestre; há 374 médicos a ganhar duas vezes num mesmo hospital; a dívida do Estado as empresas  de construção aumentou 147 milhões de euros no primeiro semestre e anda agora nos 1,5 mil milhões de euros.


  


ARCO DA VELHA – Apesar dos aumentos, a receita do IVA caiu 119 milhões de euros no primeiro semestre.


 


VER – Três sugestões de exposições. Em Lisboa, na Galeria Valbom (Av Conde Valbom 89), até final deste mês e no início de Setembro, uma exposição de Nádia Duvall, a vencedora do prémio Banif Revelação de 2008. Intitulada “Árvores Que Caem”, mostra mais uma vez a peculiar técnica de pintura da artista, desta vez  sobre um suporte de organza. O resultado é inesperado e mostra mais uma vez o experimentalismo da artista. A exposição inclui ainda uma série de pequenos desenhos, que têm a cera como uma das matérias primas, e que dão uma outra visão do trabalho de Nádia Duvall. Dando um salto até Algés vale a pena ver a renovada exposição do acervo do Centro de Arte Manuel de Brito e uma retrospectiva de Manuel Baptista. Se está no Algarve vá redescobrir a nova fase da vida do Centro Cultural São Lourenço, em Almancil, desta vez com a gestão a cargo da Galeria São Mamede, de Lisboa, que para lá levou obras do seu acervo,  numa colectiva de pintura e escultura.


 


OUVIR – O meu disco de Verão está encontrado: trata-se de “The Bravest Man In The Universe”, de Bobby Womack, uma lenda do soul (foi guitarrista de Sam Cooke) que reaparece após muitos anos. Amigo de Jimi Hendrix, admirado pelos Rolling Stones (que cantaram a sua “It’s All Over Now”), Bobby Womack reaparece depois de uma descida aos infernos pela mão do produtor Damon Albarn – a voz do velho soulman está em grande forma, o registo é soul incontornável e vale a pena ouvir os duetos com Lana Del Rey em “Dayglo Reflection” e em “Nothing Can Save Ya”, com Fatoumata Diawara, a brilhante cantora do Mali que esteve esta semana em Portugal no Festival Músicas do Mundo em Sines. “The Bravest Man In The Universe” tem 11 canções que povoam estes dias.


 


FOLHEAR – Mais uma sugestão de férias – neste ano de crise, em que dar uma escapadela é mais difícil, “A Arte da Viagem” é uma recolha bem escolhida de textos de Paul Theroux, onde ele conta histórias dos seus 50 anos de viagens, mas também intercalado por citações que reproduz de textos de outros grandes viajantes, como Mark Twain, Bruce Chatwin, Hemingway ou Samuel Johnson, entre outros. Fiquei fã de “As regras de viagem de Murphy” e das “Regras de Reportagem de Rosenblum”. Edição Quetzal.


 


PROVAR – Como a crise provoca uma diminuição do trânsito automóvel na cidade, agora há lugar para estacionar no pequeno largo, junto do Museu Nacional de Arte Antiga, onde fica “Le Chat”, uma bar-restaurante com o melhor entardecer de Lisboa. Experimente a tábua de queijos, escolha um vinho, e deixe-se ficar a conversar e a ver o sol a partir. Jardim 9 de Abril, às Janelas Verdes, telefone 966 537 387, fecha às segundas.


 


GOSTO –  Da exposição que assinala os 45 anos de Corto Maltese em Évora, que inclui cinco dezenas de desenhos originais de Hugo Pratt.


 


NÃO GOSTO – De Vítor Gaspar ter imposto para assessorar as privatizações da EDP e REN uma empresa dirigida por um amigo seu, contra a opinião de elementos da administração da CGD.


 


BACK TO BASICS -  “Na Arte só têm importância os que criam almas, e não os que reproduzem costumes” – Eça de Queiroz. 


 


 (Publicado no Jornal de Negócios de 27 de Julho)

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publicado às 23:32

A INJUSTIÇA EM QUE VIVEMOS

por falcao, em 24.07.12

Passam os anos e existe um sector onde nada se altera – a Justiça. É raro o mês em que não acontece mais um daqueles casos que nos põe de cabelos em pé. A decisão sobre o caso Freeport é o mais recente exemplo da ineficácia de um sistema em que os vários intervenientes públicos – Procuradoria, investigadores policiais e tribunais - não se entendem e arranjam sempre maneira de descobrir buracos uns dos outros em vez de conseguirem focar-se nos factos e nos casos em julgamento.


 


A um outro nível, em poucas semanas, os tribunais produziram situações assim: um pedófilo assumido foi condenado a 5 anos de pena suspensa depois de pagar uma indemnização à família de uma das vítimas - diz-se “arrependido” e o tribunal justifica a decisão dizendo que ele é uma pessoa “inteligente e estruturada”; um empresário da noite, julgado e condenado a 22 anos de prisão por homicídio em atentado à bomba, foi deixado em liberdade por decisão de um tribunal que anula a decisão anterior por motivos processuais; um psiquiatra foi ilibado por um Tribunal depois de ter violado uma paciente grávida em 2011. Por mais boa vontade que se tenha não se consegue acreditar na justiça, na procuradoria, nos investigadores e nos tribunais.


 


O sistema não funciona e não é só por ser demorado e penoso – não funciona porque se desgasta em guerras internas em vez de procurar esclarecer a verdade, descobrir os culpados e atribuir-lhes o castigo que merecerem. Em Portugal os tribunais deixaram de ser órgãos respeitados para serem a origem de maus exemplos, de anedotas de humor negro, de ineficácias diversas, de tempo perdido. Alguma coisa vai mal num sistema em que deixa de haver justiça e em vez disso há uma farsa onde nunca há culpados.


 


(Publicado no diário Metro de 24 de Julho)

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publicado às 11:16

FACTURAS – Eu acho óptimo que se combata a evasão fiscal. Acho ainda melhor que se combata a grande evasão fiscal. Mas fico um bocadinho preocupado se tiver que pedir uma factura quando compro o jornal da manhã, ou se tiver que explicar à simpática senhora que me vende umas belas laranjas da sua pequena propriedade que ela me deve passar uma factura. O que leio nos jornais é que quem não passar factura fica sujeito a uma coima que vai quase a quatro mil euros. Num pais com o desemprego que existe e com a  economia no estado que todos conhecemos, esta medida dificulta o arranque de iniciativas de auto-emprego – seja vender o que a terra dá, seja fazer bolos ou lavar escadas. Bem sei que todos devemos pagar impostos – mas temo que o histórico do passado mostre que os mais fracos serão os que mais serão perseguidos por pequenas infracções, enquanto os especialistas em fugir ao fisco continuarão na mesma. Todos temos uma responsabilidade social – mas em Portugal essa responsabilidade, em matéria fiscal, atinge mais os fracos e muito menos os fortes. Eu sei que, quando viajo, na Europa ou nos Estados Unidos, compro muitas coisas na rua e não vejo os vendedores de pretzels com máquinas registadoras a emitir facturas. Aí vale o dinheiro e não o pagamento electrónico. De certeza que existe uma maneira justa de encontrar uma forma de taxar estas actividades sem as sufocar e penalizar- basta estudar o que se passa nesses países. Estas actividades de rua criam emprego, prestam serviço,  animam as cidades, são úteis. Nos jornais leio que, em função das exigências da facturas, foi feita uma Lei que promove deduções no IRS das famílias. Só que para atingir o teto máximo de deduções de 250 euros no IRS, é necessário reunir facturas de hotelaria, oficina ou cabeleireiro, no montante de 2280 euros por mês, o que se traduz em  perto de 27 mil euros por ano. De certeza que quem fez isto não vive no mundo real. E quer enganar alguém – Vítor Gaspar está enganado ou quer atirar-nos areia para os olhos?


 


ERC – Essa coisa – nem entidade consigo dizer -  que é suposta regular os media deliberou que os resumos vídeo dos jogos da Liga de Futebol só devem ser dados a canais abertos.  A pedido, excluiu o site da “Bola” e o futuro canal que este jornal tem quase pronto a lançar no cabo. Eu achava que uma entidade reguladora devia proporcionar oportunidades para o futuro, acompanhar o presente, e estar atenta aos novos desenvolvimentos tecnológicos. A ERC, não toda, reconheça-se, acha que interessa manter o status quo. Vive no século passado. Ignora a Web TV, os canais de Cabo, o mundo actual. Esquece que 70% da população portuguesa tem acesso ao MEO ou ZON, ou outros operadores. Esta ERC, a mesma que foi conivente com o despautério da Televisão Digital Terrestre, tem por missão impedir o futuro. Em matéria de televisão e de comunicação, a ERC é coisa que cheira a bolor. Em nome da saúde pública denuncie-se o bolor à ASAE, a ver se duas abjecções sucumbem.


 


SEMANADA –  A região Norte perdeu 1256 escolas; em Lisboa já há mais de mil casas sem água por falta de pagamento; mais de cinco mil pais deixaram de pagar pensão de alimentos;  57% das famílias não tem rendimento para pagar IRS; metade das empresas factura baixo de 150 mil euros por ano; em média 11 casas por dia são entregues à banca por famílias que não têm capacidade para assumir os seus compromissos;  em dez anos o numero de agregados familiares que vivem exclusivamente de pensões passou de 329 mil para 850 mil; no mesmo dia em que o Ministério Público pediu a absolvição de dois promotores do Freeport no célebre caso das luvas, decidiu abrir uma investigação à compra da EDP e REN por chineses; a Bolsa de Lisboa perdeu 57 mil milhões em cinco anos


 


ARCO DA VELHA – " A ASAE visitou recentemente um dos melhores restaurantes do país e levantou um auto ao estabelecimento e ao gerente porque o prato "posta
mirandesa" devia ser chamado " posta à mirandesa", dado a carne não ter
certificado de origem!" citado por José Carlos Pinto Coelho, do Onyria Resorts, no estudo “Países Como Nós 2”.

VER – Não é muito vulgar um artista português dedicar tanta atenção a construir um bom site, e, menos ainda, a um bom site de vendas online de obras suas em diversos formatos. Pedro Calapez, que é um explorador incansável, procura sempre surpreender com o que faz e o trabalho que se pode ver em  http://calapez.com/ e em http://buyacalapez.com/ é de facto ímpar na paisagem portuguesa. É uma permanente mostra da evolução da sua criatividade, um actualizar de tendências e um guia para uma melhor compreensão da sua obra. Quase tão bom como visitar o seu atelier ou uma das suas exposições.


 


OUVIR – Como tudo na vida tem o seu tempo, os Keane nasceram em 1995 mas só em 2000 gravaram o seu primeiro singlee um álbum inteiro nasceu em 2004. Foram refinando o estilo – e acentuando a sonoridade do piano, assim como a qualidade das canções ao longo dos anos. Já em 2012 editaram “Strangeland”, que é aquilo que se pode classificar como um perfeito álbum pop. O êxito das suas actuações ao vivo – já estiverem recentemente em Portugal e ainda cá voltarão este Verão – ajuda a consolidar a imagem da banda. Canções que ficam na memória são o passaporte para boa recepção nos festivais:  canta tudo em coro e afinadinho. “Strangeland” ajudou muito a isso este ano.


 


FOLHEAR – Prosseguindo na senda da recomendação dos livros para férias, hoje aventuro-me pelos petiscos. Anthony Bourdain é um nova-iorquino, filho de pai francês, e que se tornou nos últimos anos numa das referências da cozinha mundial – principalmente graças à televisão. Bourdain esteve recentemente em Portugal e fez em Lisboa um episódio da sua série “No Reservations”, que, como habitualmente, primou pelas escolhas inesperadas – podem vê-la no YouTube. O seu primeiro grande êxito editorial foi “Cozinha Confidencial- aventuras no submundo da restauração”, um original de 2000, que foi reeditado entre nós graças à notoriedade que entretanto a televisão trouxe. Bourdain é um tipo divertido, que escreve de forma cativante e que conta histórias de forma deliciosa – como por exemplo a sua descoberta das ostras. Na realidade o livro descreve a forma como ele foi descobrindo o prazer da comida, como foi descobrindo sabores. Mas conta também como é a relação de poder dentro de um restaurante – da cozinha ao bar, passando pela sala. Está bem escrito, bem traduzido e, já agora,  proporciona boas ideias para quem nas férias se quiser aventurar a fazer de cozinheiro.


 


PROVAR – Um destes dias fui jantar a um aprazível local no Cais de Sodré, o IBO, uma homenagem aos sabores de Moçambique, e fiquei com a refeição azeda quando vi que lá estava Vítor Gaspar a jantar, numa mesa de burocratas, nacionais e comunitários. Só mesmo a excelência do caril do IBO e a simpatia do serviço, além dos convivas da mesa, me permitiram sair incólume da noite. Já que os Ministros das Finanças nos aborrecem tanto, deviam ser aconselhados a não estragar a noite aos contribuintes aparecendo em locais públicos ainda por cima provavelmente jantando à custa desses mesmos contribuintes. Adiante, que o IBO merece melhor recomendação que a criatura das Finanças. Quando quiserem provar o melhor caril de Lisboa – de gambas ou caranguejo –é lá que se devem dirigir. Telefone             213 423 611      .


 


GOSTO –   De terem escolhido caricaturas do desenhador António  para a nova estação do Metro do Aeroporto


 


NÃO GOSTO – Que, em qualquer caso ou situação, um Bispo use a sua posição na hierarquia da Igreja para expressar opiniões politicas


 


BACK TO BASICS –  Nada há de mais ruidoso – e que mais vivamente se saracoteie com um brilho de lantejoulas – do que a politica – Eça de Queiroz.


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 20 de Julho)


 

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publicado às 13:23

A BUROCRACIA QUE NOS ESTRANGULA

por falcao, em 17.07.12

Conseguir obter uma licença para fazer um negócio de rua, legítimo, é hoje em dia o cabo dos trabalhos. Se se tratar de uma roulotte das que servem comida pior ainda. Pessoa amiga contou-me há dias a saga de um desempregado, recente, que tinha tentado começar um negócio próprio vendendo, num pequeno veículo, fruta fresca, sanduíches, sumos. Nada de cozinhado. Uma coisa simples, a bom preço, tudo previamente embalado. Ao fim de muita andança lá soube que neste momento não há novas licenças e não conseguiu, apesar de muitas tentativas, qualquer forma de resolver a questão. Se a licença tivesse sido possível, uma pessoa desempregada teria ficado com trabalho e teria ainda criado um outro posto de trabalho, de mais uma pessoa que repartisse trabalho e horários com ele. E no fim o Estado pouparia no subsídio de desemprego e ainda conseguiria alguma receita.


 


No estado em que estamos acho estas burocracias incompreensíveis – não se percebe porque é que se impossibilita a alguém a oportunidade de trabalhar, de forma legítima. Isto empurra as pessoas para situações à margem das autorizações - e depois lá vem a ASAE e outras que tais invocar a falta de licenças para fechar tudo. Ainda por cima querem agora lançar uma taxa que será paga pelos consumidores para cobrir os custos da ASAE – ele há dias em que isto não é um país, é uma anedota de humor negro.


 


Quem vai a qualquer cidade nos Estados Unidos vê por todo o lado gente a trabalhar a vender cachorros, pretzels, fruta, soft drinks. Em cada grande cidade são milhares de pessoas que assim ganham a vida, de forma legítima. Em Portugal persegue-se e dificulta-se a vida de quem quer montar um pequeno negócio de rua. Muita coisa tem de ser mudada para este país funcionar. Da maneira que estamos, não vamos lá.


 


(Publicado no Metro de dia 17 de Julho)

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publicado às 14:27

PROBLEMA – Há um problema neste Governo e chama-se Ministério das Finanças. É dele que depende o fisco e é da politica fiscal que depende o desenvolvimento da economia. Todos sabemos o que está a acontecer por causa da diminuição do consumo provocado pelo aumento da carga fiscal. Mas há mais: o fisco português tem automatismos que funcionam a favor do Estado, mas não tem automatismos que funcionam a favor dos contribuintes. Um cidadão que tenha sido ameaçado de execução por causa de uma suposta dívida, arrisca-se a ficar meses com a indicação de devedor mesmo depois de o Estado reconhecer razão ao contribuinte. Há umas semanas atrás o fisco enviou milhares de ameaças aos possuidores de motociclos de 125cc, na maioria scooters, por supostamente não terem pago o imposto de circulação de 2008 – quando nesse ano esses veículos ainda não eram taxados. O que nisto provocou de horas perdidas aos contribuintes e aos funcionários das Finanças não é mensurável. Mas será que o Fisco apresentou desculpas e anulou as ameaças? Até agora nada fez, nem sequer reconhecer publicamente o problema. Este exemplo pode parecer mesquinho ao pé das barbaridades que se passam com execuções fiscais a famílias carenciadas e das tolerâncias a dívidas de milhões. Mas é um exemplo da arrogância, arbitrariedade e impunidade do Estado e dos seus agentes - que erram e não corrigem os erros.


 


SITUAÇÃO – O facto politico mais relevante desta semana foi o apoio de utentes – doentes – à greve dos médicos . O protesto fez o “crossover” – uma coisa rara e que geralmente é desejada quando, em comunicação, se tentam tocar públicos bastante diversos. Pois os médicos conseguiram-no, com a preciosa ajuda de uma notável falta de jeito do Ministério da Saúde. Desde o caso do encerramento de serviços e unidades, passando pelo caso dos salários dos enfermeiros, o Ministério conseguiu o notável feito de fornecer motivos para juntar os grevistas com os utentes atingidos pela greve. Este facto mostra o estado a que está a chegar a tensão social em Portugal. Numa época em que os protestos neste rectângulo pouco têm passado de desabafos no Facebook e outras redes sociais, e de uma acções insignificantes do PC e da CGTP, a greve dos médicos é um sinal vermelho ao Governo. A despesa do Estado deve diminuir sim, mas saber onde cortar e quem penalizar é a questão mais decisiva num país em que as grandes fraudes financeiras são branqueadas. Há qualquer coisa errada na forma como se resolvem os buracos deixados pelos grandes infractores e se penalizam os cumpridores. O Estado da Nação é este: o esforço dos portugueses não é acompanhado por um esforço do Estado e nem os malabarismos das esotéricas criaturas que povoam o Tribunal Constitucional conseguem disfarçar isso.


 


SEMANADA – A imprensa relata que aumenta o número de empresas que estão a adiar o pagamento dos subsídios de férias; mais de dez mil empresas foram extintas em Portugal no primeiro semestre deste ano; segundo a OCDE Portugal destruiu quase meio milhão de postos de trabalho nos últimos quatro anos; os ginásios perderam cerca de 100 mil clientes nos primeiros seis meses do ano; um pedófilo assumido foi condenado a 5 anos de pena suspensa depois de pagar uma indemnização à família de uma das vítimas - diz-se “arrependido” e o tribunal justifica a decisão dizendo que ele é uma pessoa “inteligente e estruturada”; um empresário da noite, julgado e condenado a 22 anos de prisão por homicídio em atentado à bomba, é deixado em liberdade por decisão de um tribunal que anula a decisão anterior por motivos processuais. um psiquiatra foi ilibado depois de ter violado uma paciente grávida em 2011; um psiquiatra foi ilibado por um Tribunal depois de ter violado uma paciente grávida em 2011.


 


ARCO DA VELHA – O sector leiteiro português pode perder metade do seu rendimento com a nova reforma da politica agrícola comum europeia.



VER – Joshua Benoliel foi o mais importante foto repórter português das duas primeiras décadas do século XX. Este pioneiro da fotografia na imprensa portuguesa trabalhava para o “Século” (jornal extinto por Manuel Alegre nos anos 70). Em boa hora o Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, que tem grande parte do espólio de Benoliel, montou uma exposição que mostra a visão que ele tinha das varinas de Lisboa. São imagens autênticas, densas, que mostram o que era a cidade vivida no Mercado da Ribeira, em mulheres que inspiravam (e muitas vezes cantavam) o Fado. A exposição “Varinas de Lisboa”, por Joshua Benoliel, pode ser vista de segunda a Sábado, entre as 10 e as 19h00, na Rua da Palma 246. Agora que os museus da cidade estão em redefinição, aqui está um que bem podia ganhar em protagonismo e notoriedade.


 


OUVIR – Vou ser prático e rápido – “Orelha Negra” está entre os cinco melhores discos portugueses dos últimos anos. Tem canções, tem músicos, cantores, ritmo, melodia e sentimento. Tem intensidade. Dá gosto ouvir e repetir. Inspira-se em sons americanos e europeus, usa guitarras estridentes e linhas de baixo intensas, percussões soltas e teclados envolventes. Se considerar só este ano, é o melhorzinho que por cá ouvi, mais português que alguns fadistas de ocasião. É um belo argumento de exportação. E de animação em qualquer noite destas.


 


FOLHEAR – Inauguro hoje a lista de sugestões para leituras de férias com um livro escrito por um professor inglês de Ciência Politica, uma disciplina ultimamente de reputação duvidosa. Adiante – Neill Lochery está actualmente no University College de Londres e no ano passado publicou o livro “Lisbon – War In The Shadows Of The City Of Light 1939-1945”. A Editorial Presença editou o livro em Portugal há pouco tempo e as histórias de espiões que povoam estas páginas encantam-me – até porque o autor soube criar um relato cativante da forma como Lisboa se tornou na única cidade europeia onde aliados e potencias do Eixo operavam à luz do dia e se vigiavam mutuamente. Nestes anos Lisboa era o ponto de passagem de figuras como os duques de Windsor, Calouste Gulbenkian, Ian Fleming (o criador de 007) e muitos outros personagens. O autor mostra o delicado equilíbrio politico em que Salazar jogava a neutralidade na II Grande Guerra e traça um retrao aventureiro de Lisboa. A edição portuguesa, bem traduzida, chama-se “Lisboa – A guerra nas sombras da cidade luz”.


 


PROVAR –Volta e meia regresso aos mesmos restaurantes, mas é o destino que o dita. Neste caso o destino está ligado a pastéis de bacalhau. É fácil fazer um mau pastel de bacalhau, mas é muito difícil fazer de forma constante um bom pastel de bacalhau. O equilíbrio da mistura entre batata e bacalhau desfiado, os diversos condimentos, a forma de os moldar, de salpicar de salsa a massa crua, e, no fim, o ponto certo da fritura, fazem toda a diferença. Para mim os melhores pasteis de bacalhau nascem no Apuradinho, em Lisboa, na Rua de Campolide 209-A. Nem sempre estão na lista mas pode indagar da sua existência pelo telefone 213880501 . Vêm geralmente acompanhados de um arroz de tomate bem cozinhado sem malandrices, com um toque de pimentos. O “Apuradinho” tem boa fama, mas quem lá vai tem bom proveito. Eu não me canso de repetir a dose e até acontece encomendar, para levar uma pratada de pasteis de bacalhau, acabadinhos de fazer, para uma patuscada de amigos.


 


GOSTO – As exportações portuguesas continuam a aumentar


 


NÃO GOSTO – De investigações jornalísticas com agenda politica nem de notícias com cheiro de vingança


 


BACK TO BASICS – Devemos treinar para suportarmos a perca daquilo que mais tememos ver desaparecer – George Lucas, em Star Wars


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 13 de Julho)

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publicado às 17:17

O ESTADO DA NAÇÃO

por falcao, em 10.07.12

O verdadeiro debate do Estado da Nação deve ser a avaliação do trabalho do Ministro das Finanças. Gostava que ele fosse avaliado em função das previsões que fez, da estratégia que escolheu, das medidas que implementou e dos resultados que obteve.


 


O Ministro das Finanças estabeleceu um objectivo para o deficit e já veio dizer que não o vai conseguir cumprir; o Ministro das Finanças estabeleceu um objectivo para a colecta fiscal e, apesar de ter aumentado impostos de forma sensível, já se sabe que a cobrança fica muito abaixo do esperado; o Ministro das Finanças escolheu uma estratégia assente em políticas de austeridade e tomou medidas que provocaram o aumento das falências, o consequente aumento do desemprego e uma degradação da situação do país, em termos económicos e financeiros.


 


Começo a pensar que a chave dos problemas da Economia não está no Ministro da Economia mas nas más opções do Ministro das Finanças. Uma avaliação imparcial da actuação do Ministro das Finanças mostra que ele não cumpriu objectivos e errou no efeito previsto das medidas tomadas. Em qualquer circunstância, fora da política, um mau desempenho como este levaria a que o seu responsável fosse afastado. Vitor Gaspar é o maior falhanço do Governo, e a sua acção contaminou vários Ministérios.


 


Aquilo que pode ter parecido uma boa opção – a escolha de alguém conhecedor dos mecanismos financeiros da União Europeia , acabou por se revelar uma péssima escolha quando se percebeu que ele não passava de um burocrata cego, sem vontade nem capacidade de negociação, desligado da realidade e incapaz de corrigir erros em tempo oportuno. As vantagens que poderá ter trazido são bem menores que os prejuízos que causa.


 


(Publicado no diário Metro de 10 de Julho)

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publicado às 17:41

OS SENHORES DOUTORES E TEMAS DIVERSOS

por falcao, em 06.07.12

DOUTORES – Razão tinha Álvaro Santos Pereira quando, vindo fresquinho do Canadá, entrou no Ministério da Economia pedindo por o tratarem por Álvaro, sem qualquer título académico em prefixo. Esta mania portuguesa de tratar toda a gente por um título académico dá nefastos resultados na política e torna-se ridículo no dia a dia. Fruto dos costumes,  os políticos sentem-se obrigados a ostentar um título e fazem tudo para o adquirir. O assunto afecta de forma especial aqueles que passaram o tempo normal de estudo nas juventudes partidárias e que desleixaram os exames em função da actividade política – e isso não é um pecado. Mais tarde inscreveram-se de novo numa faculdade para obterem o canudo, cuidando mais do título do que do saber. Pegando em casos recentes, Sócrates escondeu as peripécias do seu inglês técnico, ao menos Miguel Relvas assumiu as coisas como elas aconteceram. Mas o essencial da questão não é isso. O essencial é que o que conta num político é a dedicação à causa pública, ideias concretas para Portugal, honestidade e capacidade de liderança – além de intuição política, claro. O resto, é secundário. Com a proliferação de cursos e a abundância de licenciados, a triste verdade é que, agora, até os anúncios de convívios eróticos têm meninas que se apresentam como licenciadas para se valorizarem face aos potenciais clientes e à concorrência. Nada disto faz sentido.


 


SEMANADA – Os negócios imobiliários caíram 44% em 2011; as vendas de carros em Portugal caíram 43,9% no primeiro semestre; o crédito ao consumo caíu 15,2% em 2011; existe escassez de professores de mandarim em Portugal face ao aumento da procura; a empresa chinesa State Grid, accionista da REN, vai investir 12 milhões de euros na criação em Portugal de um centro tecnológico; no primeiro semestre deste ano, as falências judiciais aumentaram 83% face ao mesmo período de 2011, alcançando praticamente a barreira das dez mil e a um ritmo de 53 por dia; está a diminuir o número de imigrantes em Portugal, sobretudo de brasileiros; a Bolsa de Lisboa perdeu 27 empresas cotadas na última década; a grande distribuição vendeu menos 173 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano em comparação com igual período do ano passado; um enfermeiro contratado pelo Estado via uma empresa de prestação de serviços ganha menos à hora que uma mulher a dias.


 


ARCO DA VELHA – Por causa de uma directiva europeia sobre as gaiolas nas quais devem estar as poedeiras,  cerca de três milhões de galinhas arriscam ser abatidas no fim do mês, cerca de metade do total que existem no país.


 


VER –  Duas sugestões bem diversas na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, inauguram exposições este fim de semana. A primeira resulta das interpretações que, com trabalhos inéditos, Paula Rego e Adriana Molder fazem de «A Dama Pé de Cabra», um conto recolhido por Alexandre Herculano nas suas «Lendas e Narrativas», de 1851.  E a outra resulta de um desafio feito a Pedro Calapez para interagir com uma das mais marcantes obras de Paula Rego, “Anjo”, de 1998.  Em «Innervisions», um outro olhar sobre a colecção da casa das Histórias, Pedro Calapez justapõe «Dark Skies», uma série inédita de trabalhos concebida especificamente para este momento como uma instalação.


 


OUVIR – Se eu escrever que «Banga», o novo CD de Patti Smith é provavelmente o seu melhor trabalho desde “Horses” estarei a cometer uma heresia? A avaliar pelo que tenho lido aí nalguma crítica lusitana inspirada pela surdez, deverei ser crucificado e alvo de impropérios diversos. Corro o risco e assumo: “Banga” é um grande disco, onde Patti Smith faz de forma superior aquilo que a caracteriza – um rock apaixonado, emotivo, sentido, sempre com a guitarra do eterno Lenny Kaye a guiar o caminho. Tive a sorte de encomendar na Amazon a edição especial, que na verdade é um pequeno livro, com fotos e polaroids, que conta como o disco começou a tomar forma – a bordo de um cruzeiro, em 2009, quando Patti Smith e Lenny Kaye foram convidados por Jean Luc Goddard no agora célebre Costa Concordia, para filmar algumas cenas do filme «Socialism». Foi em frente da costa da Sicília que algumas destas canções foram compostas. As canções têm relações directas com a vida de Patti Smith - «Seneca» é sobre o seu afilhado Seneca Sebring, «This Is The Girl» é uma homenagem a Amy Winehouse, «Nine» é um presente de aniversário a Johnny Depp, que aliás toca guitarra e percussão na faixa que dá o nome ao disco, “Banga”. Outros grandes temas são por exemplo «Amerigo», April Fool» (com um solo de Tom Verlaine) ou «Tarkovsky». O álbum termina com uma versão de homenagem a um clássico de Neil Young, “After The Goldrush” – mas a edição especial tem uma faixa extra, “Just Kids”, o nome da autobiografia da própria Patti Smith. E esta faixa, como quase todo este disco, mostra como ela, aos 65 anos, continua a ser capaz de combinar a poesia com a sensualidade e energia do rock como nenhuma outra artista.


 


FOLHEAR –O que é “Fast Company”? Um nome de um filme? Um nome de uma canção dos Eagles? Ou uma revista sobre tecnologia, design e negócios? Pois as três coisas encaixam no título, mas é sobre a revista que vou falar. Foi criada em 1995 por ex-editores da Harvard Business Review e em 2000 a Bertelsmann comprou-a aos fundadores por 350 milhões de dólares, um número recorde na época. De entre as iniciativas da Fast Company contam-se a Most Innovative Companies, a Most Creative People in Business e Masters of Design. A revista tem ganho numerosos prémios e a sua área digital inclui a Co.Exist, a Co.Design, a Co.Create e a Co.Lead, além de um site verdadeiramente genial chamado 30 Second MBA. Pode dizer-se que o conjunto de iniciativas e sites da revista é um exemplo de como transformar uma publicação em papel  tradicional numa organização digital influente. A edição de Junho era dedicada precisamente às 100 pessoas mais criativas na área dos negócios e é uma espécie de guia de tendências. Vou dizer os três primeiros – Ma Jun, o Director da agência ambiental chinesa, Rebecca Van Dick, que dirige o marketing para consumidores do facebook e Adam Brotman, Chief Digital Officer da Starbucks. Esta edição é preciosa.


 


PROVAR – Descobrir sabores orientais no meio de Azeitão é obra; conjugá-los com a tradicional e saborosa carne do rabo do boi é ainda mais curioso. Mas o resultado final é simpático – os folhados de rabo de boi foram uma excelente surpresa e a sopa Thai, bem condimentada, foi apreciada. Os vinhos, da região, estão a preço comedido, o serviço precisa de melhorar mas o balanço geral é positivo. A equipa, a começar pelo Chef, é jovem, e decidiu arriscar no mesmo espaço que já teve vários protagonistas, desde os tempo do pintor João Vieira até outros mais recentes do restaurante Azeitão, cuja equipa está agora no Clube de Golfe da Quinta do Peru, ali perto. O Eden, assim se chama agora o espaço, fica na Praça da República nº8, em Vila Nogueira de Azeitão, tem o telefone 919 932 182 e é liderado pelo Chef Maurício do Vale (não tem relação com o crítico tauromáquico). Quer-me parecer que lá hei-de voltar mais vezes.


 


GOSTO –   Em 2016 Angola deverá ultrapassar a África do Sul como maior economia de África.


 


NÃO GOSTO – De todo o processo da greve dos pilotos da TAP, cuja reivindicação foi o afastamento de responsáveis das operações de vôo sem cuidar dos prejuízos causados.


 


BACK TO BASICS –  Para se ser um líder tem que se ter a capacidade de fazer com que haja pessoas que nos queiram seguir; mas ninguém quer seguir alguém que não sabe para onde vai – Joe Namath


 

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publicado às 16:50

OS ABUSOS DO ESTADO

por falcao, em 03.07.12

Uma coisa que sempre me indignou é a forma como o Estado trata os cidadãos e como tem dois pesos e duas medidas – aos cidadãos exige tudo, cobra juros e estabelece prazos apertados, mas o Estado não cumpre prazos nem atua diligentemente. Vou relatar um caso concreto.


 


Um contribuinte recebeu, do Fisco, no início do ano a indicação de que existiria uma dívida fiscal vultuosa, relacionada com a venda de uma casa de habitação própria. Por entender que não havia razão para essa dívida, iniciou um processo de reclamação. Entretanto, como a dívida entraria em execução fiscal, apresentou uma garantia bancária no valor que o Fisco estabeleceu, em finais de Fevereiro, no prazo devido. Apesar de a garantia bancária estar feita, na  página pessoal do referido contribuinte continua a constar que serão feitas penhoras no âmbito da execução fiscal – apesar de por várias vezes ter explicado a situação e pedido aos serviços para retirarem a referência.


 


No final de Maio o contribuinte foi notificado que a reclamação efetuada havia sido deferida, estando portanto anulada a existência da dívida. Desde essa altura, já vai mais de um mês, o contribuinte tenta que os serviços fiscais informem o banco de que a garantia bancária já pode ser extinta. Apesar das várias diligências feitas, os serviços continuam sem o fazer, e o cointribuinte continua a pagar os custos da garantia.


 


O contribuinte tinha prazos para apresentar a reclamação, que cumpriu; tinha prazos para apresentar a garantia bancária, que cumpriu; o Estado, apesar de já ter concordado que a reclamação era justa, continua sem desbloquear a situação.



Como pode um contribuinte respeitar um Estado que age assim?


 


(Publicado na edição do Metro de 3 de Julho)


 

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publicado às 10:07


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