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UM REGIME BURLESCO

por falcao, em 28.12.12

BURLESCO - O ano acabou com duas novelas: o estranho caso da venda da TAP, que não aconteceu depois de estar prometida a Germán Efromovich, por este não ter prestado a garantia bancária exigida para o negócio, após ter andado semanas a encher a boca e os nossos ouvidos de milhões e milhões que nos iria dar; e o estranho caso do orador Artur Baptista da Silva, que vigarizou meio mundo e teve uma meteórica carreira em eventos, de conferências no insigne Grémio Literário ao Congresso da Felicidade, no Porto, onde foi convidado a botar faladura. Vivemos num país crédulo - alguma razão há-de existir para os actos eleitorais das últimas décadas terem dado os resultados que estão à vista.  Não sei porquê, encontro parecenças entre os dois. Ambos sugerem milagreiros de ocasião, actores de uma comédia falhada. Mas o que é certo é que ambos conseguiram protagonizar momentos decisivos, ambos encheram páginas de jornais, ambos tiveram honras de televisão. Alguma coisa vai terrivelmente mal quando tudo isto acontece. Num dia destes Adelino Maltez afirmava que vivíamos no reino do burlesco. Com a devida vénia, cito uma entrada no seu Facebook, colocada em jeito de comentário a posts politico-natalícios contemporâneos: “No primeiro dia do ano de 1974, tudo se passou como em iguais dias dos anos imediatamente anteriores" (expressão do Almirante Américo Tomás nas suas memórias e que inspira todos os teatros de Estado das mensagens de Natal e Ano Novo dos anos subsequentes...)”

REGIME - Quando vejo o que se passa e quando pensa no que tem acontecido fico com a certeza que o regime está caduco e que os partidos que o sustentam caducos estão. Por estes dias dei comigo a pensar que, entre 1969 e 1974, Marcelo Caetano teve mais consciência das limitações do regime que herdou, do que os políticos actuais  - que como os velhos do regime querem perpetuar o estado das coisas porque esse é o garante do compadrio de influências que é a sua razão de ser. 2012 fica para a História como o ano em que se agudizou o desrespeito do Estado pelos contratos implícitos que estabelece com a sociedade e os contribuintes. A narrativa política oscilou mais que um barco à vela no meio de uma tempestade. Em numerosos casos, de sectores e de importância diversas, o Estado desdisse o que tinha anunciado. Temos um Ministro das Finanças que é pior a fazer previsões que um quiromante de vão de escada a fazer horóscopos. Gaspar já não consegue acertar nem numa folha de excel, quanto mais no mundo real. Em cada mês que passa, por cada nova previsão falhada, confirma-se que nem bom técnico deve ser. Um político é suposto ter visão e não ser conformista. Não é isso que se passa com os políticos que temos no activo, em todos os quadrantes. Vivemos um reality show político tão mau que consegue perder audiências em vez de suscitar interesse. Há uma dupla perca de credibilidade - pela falta de cumprimento das promessas e pelas sucessivas falhas nas previsões, que se usam para justificar as políticas. Há muito que deixámos de ter uma estratégia, limitamo-nos a um zigue -zague.

SEMANADA - Depois de um ano bem atribulado e pouco secreto, o Diretor do SIS propôs a fusão das secretas; mais de um milhão de portugueses emigraram desde 1998 e a vaga de emigração está nos níveis dos anos 60; o regresso aos mercados pode ser adiado para 2014; o Governo prepara cortes nos salários se o Orçamento derrapar no próximo ano; Vitor Gaspar continua a falhar previsões de receita e de défice; Passos Coelho disse no parlamento que 2013 vai ser um ano de grandes dificuldades e comparou os portugueses a soldados num cenário de guerra; dias mais tarde Passos Coelho escreveu no Facebook que “este não foi o natal que merecíamos”;  em 2012 estão a vender-se menos 30 mil jornais por dia que no ano passado; Joe Berardo deu uma entrevista para dizer que  “este governo está a perseguir as pessoas do dinheiro” e para garantir que a sua “verdadeira situação financeira é muito boa”; 75% das codornizes consumidas em Portugal são criadas na freguesia do Landal, nas Caldas da Rainha, e são vendidas pelos criadores a cerca de 70 cêntimos cada animal - ao todo são cerca de três milhões de aves por ano; os calotes a condomínios já atingem mil milhões de euros ; no ano passado, em Lisboa, 1203 idosos morreram sozinhos, sem qualquer tipo de assistência medica.

ARCO DA VELHA - “Vertigo”, de Alfred Hitchcok, considerado o melhor filme de todos os tempos pelo British Film Institute, não foi considerado filme de qualidade pela Inspecção Geral das Actividades Culturais.

FOLHEAR - Pelo caminho que as coisas levam, vou começar a coleccionar derradeiras edições de revistas. O começo da colecção não podia ser melhor: “#LAST PRINT ISSUE” - este é o título da derrradeira edição em papel da revista semanal “Newsweek”, letras a branco e vermelho colocadas por cima de uma fotografia a preto e branco com o arranha-céus de Manhattan, que alojou a redacção da revista, em primeiro plano. A partir de Janeiro a Newsweek passará exclusivamente a ter vida em edição digital - na realidade é  a primeira revista de informação global a migrar do papel para o digital. Acredito que esta não é uma derrota, mas um acto de visão. A célebre página “Perspectives”, que ao longo dos anos recolheu citações e observações, recorda nesta edição especial uma ideia defendida em 1995 por Nicolas Negroponte, o director do Media Lab do Massacchussets Institute of Technology. Dizia ele, há quase duas décadas, perante o cepticismo de quem o ouvia, que dentro de pouco tempo as pessoas passariam a comprar e a ler livros , jornais e revistas na Internet. Pois esse tempo foi chegando e agora não há muita volta a dar e, em vez de erguer um muro de lamentações, mais vale aproveitar as potencialidades do mundo novo que está à nossa volta. Tina Brown, a carismática directora da revista, que lhe pegou numa época difícil há cerca de um ano, assina um editorial onde afirma o que devia já ser óbvio para todos: “às vezes a mudança não é somente positiva, é necessária”.

OUVER (Não é gralha, é para ver e ouvir...)  - Acho muito engraçado ver a evolução das listas de discos mais vendidos nos últimos anos. Quem seguir as tabelas da FNAC em Portugal verá que em muitas semanas, à frente da tabela, estão discos de fado, de jazz vocal e, como aconteceu há pouco tempo, até de música clássica. Isto tem uma razão: são as pessoas acima dos 35 anos que hoje em dia mais compram discos em suporte físico,  em vez de fazerem o seu download - porque ainda não se sentem confortáveis a fazê-lo. Por isso mesmo Cecilia Bartoli liderou há pouco tempo a tabela de vendas com o seu “Mission”, uma produção dedicada à música de Agostini Steffani, um compositor barroco, além de diplomata, espião e missionário. Depois do sucesso alcançado pelo CD, eis que agora aparece o DVD, numa estratégia de edição pensada ao pormenor desde o início. Na realidade o DVD é um filme, rodado em Versailles, partindo de uma visita ficcionada do compositor à corte do Rei Sol no final do século XVII. Bartoli tem-se dedicado a fazer descobrir compositores quase desconhecidos e este seu trabalho, completo e apaixonado, sobre Agostino Steffani é exemplar do ponto de vista da capacidade de um intérprete em explorar diversos meios para fazer chegar a sua obra a diversos públicos. O filme, co-produzido pela ARTE, foi escrito e realizado por Olivier Simonnet (e dá que pensar sobre a utilidade de incentivar a produção audiovisual - mas isso, são outras músicas, por cá bastante desafinadas). O DVD “Mission” já está disponível por cá e é a minha sugestão para a noite de fim de ano.

PROVAR - A bem do equilíbrio da nossa balança de pagamentos sugiro que em vez de comprarem sucedâneos de caviar (já nem falo do verdadeiro...) experimentem as ovas de bacalhau e de sardinha, ambas da fábrica conserveira “la Gondola”, em Perafita, Matosinhos. Garanto que não se arrependem se no fim de ano experimentarem este petisco, acompanhado, por exemplo, por um Alvarinho, como o Deu La Deu. Eu pessoalmente prefiro as de sardinha, mas reconheço que ambas são muito boas - nomeadamente com um bocadinho da indispensável e saudável broa de milho. A todos um 2013 melhor do que aquilo que esperamos e nos prometem!

GOSTO - Dos elogios às novas formas de utilização da cortiça por criadores portugueses, numa recente edição do Wall Street Journal.


NÃO GOSTO - Da maneira atabalhoada como foi feita a reforma do poder local.

BACK TO BASICS - “Não me façam perguntas; assim não me ouvirão mentir” - Oliver Goldsmith

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publicado às 18:23

UMA ESPÉCIE DE BALANÇO

por falcao, em 21.12.12

MUNDO - Começo por vos dizer que, se me estão a ler, é sinal que o mundo ainda não acabou, apesar da profecia que vem do tempo dos Maias. Mas, se isso é verdade, não é menos verdade que este final de ano está cheio de sinais de rupturas. O mundo pode não ter acabado, mas, este ano, para muita gente, mudou de uma forma tal que o modo de vida que tinham acabou mesmo. Nuns casos isso é bom, noutros nem por isso. No espaço de pouco mais de um ano um número assinalável de indicadores regrediu para valores de há uma década, e esse  movimento de regressão vai continuar. É um ajustamento que está a ter repercussões no dia a dia, nas questões mais básicas. Atinge também áreas que muitos consideram marginais, como a criatividade, a expressão artística, a cultura. Gostava, quase a começar um ano que quero encarar como o princípio inevitável de um novo mundo, de recordar estas palavras de Mario Vargas Llosa: “É muito importante que haja participação cívica, fiscalização constante do poder e que este esteja impregnado de ideias, não só de paixões. Para isso, é indispensável a cultura, que dá à política padrões morais.”

PRÉMIOS - Prémio “não sei quem é o Sócrates” para António José Seguro; prémio “Quem? Eu?” para Miguel Relvas; prémio “vou fazer do serviço público um canal horeca” para Alberto da Ponte; prémio  “já vos tramo a todos que vos ponho às voltas no Marquês” para António Costa; prémio “não sei porque não gostam de mim” para Godinho Lopes;  prémio “eu faço tudo bem e vocês não me compreendem” para Pedro Passos Coelho”; prémio “o melhor da raspadinha” para Vitor Raspar, perdão, Vitor Gaspar; prémio “mais vale tarde que nunca” para Cavaco Silva; prémio “a ver se não me molho” para Paulo Portas; prémio  “onde está o Louçã” para Daniel Oliveira; prémio “lá vamos cantando e rindo” para o grupo parlamentar do PSD; prémio “em busca do tempo perdido” para Álvaro dos Santos Pereira.

ARCO DA VELHA - Na mesma noite em que o Conselho Nacional do PSD se reunia em Lisboa, num hotel da capital, soube-se que António Nogueira leite se havia demitido da vice-presidência da caixa Geral de Depósitos. João Gonçalves, um blogger acutilante, escreveu estas palavras que aqui reproduzo, com a devida vénia: “A saison, não o horrível natal, vai "animada" com uma sucessão de demissões. Do director de informação de um operador televisivo a um director-geral de outro, de um inspector-geral passando pela administração da Casa da Música e por um administrador executivo da CGD, constato que nem todos os que pedem a demissão a deviam ter pedido, ao mesmo tempo que alguns que a deviam pedir o não fazem. O pensamento que calcula, para recorrer à expressão de Heidegger, pesa mais que qualquer outro pensamento nos tempos que correm. Muitas vezes, nem sequer vale a pena falar em pensamento, para não ofender o conceito. A ver vamos como dizia o cego.”



OUVIR - Estamos num tempo em que existe uma oscilação, por vezes confusa, entre nostalgia e repetição. Mas é muito curioso que alguns dos melhores registos do ano venham, em várias áreas da música popular, de nomes, digamos, antigos. Neil Young fez um disco absolutamente brilhante com “Psychedelic Pill”; Bob Dylan mostrou que continua surpreendente com “Tempest”. Bruce Springsteen mostrou como continua atento com “Wrecking Ball”. Bobby Womack ressuscitou com “The Bravest Man In The Universe” , Bill Fay volta a dar uma lição em “Life Is People”. Leonard Cohen, coerentemente, mostrou a vitalidade de “Old Ideas”. E, mesmo com o ano a chegar ao fim, Caetano Veloso ofereceu-nos um “Abraçaço” que confirma a sua criatividade e o seu génio. Mas há também outros grandes discos - “Blunderbuss” de Jack White, “Idler Wheel....” de Fiona Apple, “Sun”, de Cat Power. No jazz gostava de recordar “The Cherry Thing” de Neneh Cherry, “Ode” de Brad Mehldau. Por cá, Orelha Negra, Wray Gunn, António Zambujo e Ana Moura foram os portugueses cujos discos mais me fizeram vibrar neste ano de 2012, mas há várias bandas novas, a despontar, que merecem atenção. Bem vistas as coisas, os mais antigos deram uma boa prova de vida, mas a música popular, nas suas várias vertentes, continua vibrante. Muito do que este ano ouvi já não foi em suporte físico - foram discos comprados no iTunes, por impulso, no momento, porque me apetecia descobri-los. Conseguir tê-los tão facilmente mostra também a mudança que vivemos.

FOLHEAR - O que li este ano? Alguns policiais, alguns livros de História, e, claro, muitas revistas e jornais. O kindle e o iPad mudaram de facto a minha vida. Agora vou descobrindo os novos policiais graças ao Kindle e vou folheando revistas e jornais no iPad - algumas descubro em agregadores como o Zite ou o Pulse, que me permitem estar mais informado que pensava possível. Volto e meia descubro também alguma coisa no Twitter. Divirto-me com prazer com  boas edições digitais como a da “Wired”, ou a “Intelligent Life”, mesmo que os seus efeitos sonoros inesperados provoquem sobressaltos no dormir de outrem - problemas de quem gosta de ler na cama. Mas não desprezo boas surpresas em papel como a Monocle, que continua a ser um exemplo e uma referência, a portuguesa “Egoísta” e, se tiver que escolher um livro em papel, vou pelo álbum do ano, que é o LX 60, uma viagem a Lisboa na década de 60.

VER - A Estação Imagem, de Mora, fruto do entusiasmo do fotojornalista Luis Vasconcelos, merece destaque este ano - pela persistência do seu trabalho, pela forma como tem divulgado a fotografia, como tem promovido exposições e edições, como tem estado activa e presente, sem beneficiar nem de financiamentos extraordinários nem de recorrer a lamechices na praça pública. O seu lema, bem presente no site, é uma frase de W. Eugene Smith: “Nunca encontrei limites ao potencial da fotografia”. Nos dias que correm é engraçado vermos como as novas formas de fotografia, como o Instagram, provocam adesão e polémica, como a vulgarização da fotografia digital permite tornar ainda mais realidade o facto de ela ser a forma de expressão visual mais democrática, no sentido de ser acessível a todos. Da mesma forma que com os sms, os messenger, os emails e o Facebook a escrita voltou a ganhar um lugar na comunicação, a fotografia, a imagem fixada do instante, a forma de ver, voltaram a estar na ordem do dia. Esta organização, que hoje destaco, chama-se “Estação Imagem” porque a sua sede é numa antiga estação de caminhos de ferro, entretanto desactivada, em Mora. É de lá que ela irradia actividade, como uma bem visivel em Lisboa, agora por estes dias: na Fábrica de Braço de Prata está a participação portuguesa no projeto Aday - 15 fotógrafos visitaram - documentando-o - um dia na vida de mulheres em Portugal. Dali nasceu um livro e uma exposição. Eu gosto de quem, no meio da crise, encontra espaço para trabalhar e fazer - sejam canções, discos, livros, revistas ou exposições. Apesar do Estado, muitas vezes contra o Estado, tudo isto existe.

PROVAR - Ao pé do escritório onde trabalho, nas Avenidas Novas, fecharam nos últimos meses meia dúzia de restaurantes. Alguns tinham aberto há menos de um ano, eram tentativas, algumas bem engraçadas, de criar pequenas empresas que geravam meia dúzia de empregos. Nasceram no momento errado e não sobreviveram. Em alguns deles passei bastantes almoços solitários este ano - uma experiência que gosto de ter, a olhar para os sítios e as pessoas que os frequentam, a provar o que nos põem na mesa. A vida dos restaurantes é dura - um dos livros que me divertiu e educou nestas férias foi “Cozinha Confidencial” de Anthony Bourdain. Depois de o ler passei a olhar para os restaurantes e para quem lá trabalha de outro modo. Por isso mesmo, nestes tempos em que fecham restaurantes, apetece-me elogiar quem se mete a essa aventura, num projecto que ao fim de poucos meses ganhou logo uma estrela Michelin. Não é que eu ligue muito a estas condecorações - mas reconheço que José Avillez e o seu Belcanto merecem elogios - pela coragem de um investimento destes nesta altura, mas também pelo cuidado posto para que cada cliente se sinta especial. E porque lá se come de facto muito bem.

GOSTO -  Dos que, em todas as áreas, se esforçam por criar ou manter empresas, postos de trabalho e actividade, apesar de tudo o que o Estado inventa.

NÃO GOSTO - Do estado da Justiça, da banalidade com que a responsável do Departamento de Investigação e Acção Penal considera que não se conseguem combater as fugas de informação.

BACK TO BASICS- “Eis ao que leva o intervencionismo do Estado: o povo converte-se em carne e massa que alimenta o simples artefacto e máquina que é esse Estado” - José Ortega Y Gasset

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publicado às 16:21

A CALCULADORA AVARIADA

por falcao, em 18.12.12

Este Natal não posso deixar de pensar em quem nos trouxe até aqui – nos políticos, que, por boas ou más intenções, embarcaram na desgraça do Euro e da Comunidade Europeia, que desmantelaram a nossa indústria, a nossa agricultura e as nossas pescas, comprometeram o futuro a troco de subsídios de Bruxelas e do seu quinhão na partilha do poder. Olho para os últimos 20 anos e tenho a sensação de olhar para uma farsa, para uma espiral de demência, em que os políticos se entretiveram a brincar.

 

Olho para trás e vejo como a justiça não melhorou, como a nossa sociedade se continua a basear em atropelos, atrasos, julgamentos na praça pública, fugas de informação e toda a espécie de desmandos – onde se pretende fazer justiça pouco mais existe que um arremedo. Olho para o aparelho judicial e não acredito nele – do Ministério Público aos juízes. Em Portugal a justiça é uma estado de espírito mas nunca chega a ser uma realidade – e este é bem capaz de ser o maior dos problemas que temos para conseguir mudar o funcionamento do país. Ninguém é responsabilizado, só os fracos são punidos.

 

Olho para estes partidos que existem e vejo como estão fechados em si mesmos, mais interessados no seus próprios aparelhos do que em delinear medidas, reformas, soluções. A política deixou de ser um fim nobre e passou apenas para um jogo, tipo monopólio, onde se repartem fatias do país.

 

Eleição após eleição assisto a programas e promessas que são imediatamente deitadas para o lixo e contrariadas mal se conhecem os resultados e os novos inquilinos chegam ao poder. Em cada eleição deteriora-se a forma como os cidadãos são tratados, aumenta o engano e aumenta o peso do Estado. Tudo o resto diminui. O país tornou-se numa calculadora que só tem uma função ativa: a subtração.

 

(Publicado no diário Metro de 18 de Dezembro)

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publicado às 10:08

FUTEBOL - Um estudo divulgado esta semana indica que as dívidas à banca dos três maiores clubes de futebol - Porto, Benfica e Sporting - já ultrapassam os 400 milhões de euros, tendo aumentado 60 milhões de euros desde o final da época passada, já este ano. Há outros dados curiosos: as despesas operacionais do Sporting são quase iguais às do Porto, mas as receitas operacionais dos leões são muito mais reduzidas.  Para além das aparências todos os clubes perdem dinheiro, mas continuam alegremente a fazer contratações e todos gastaram mais em compras de jogadores do que realizaram em vendas. Vem tudo isto a propósito da analogia entre os clubes de futebol e a maneira como Portugal tem sido governado - sempre a gastar mais do que se pode, sempre a ficar em dívida. O futebol entusiasma multidões, mas é bem o espelho do país, mesmo no descalabro financeiro. O retrato do futebol, traçado neste estudo de um professor do ISEG, António Samagaio, divulgado pelo “Público”, é o retrato dos velhos vícios, dos velhos exageros e do velho desgoverno. Esta semana em Alvalade muitos se terão interrogado sobre o sentido de tanto dinheiro atirado à rua, sobre o facto de o Sporting ser o clube em pior situação financeira e , também, o que pior resultados tem alcançado entre os três grandes. Uma fábrica pode ter boa matéria prima, mas se for mal gerida não coloca no mercado bons produtos que desafiem a concorrência. Passa-se exactamente o mesmo no futebol.

INVESTIGAÇÕES - Uma das lendas do foto-jornalisno norte-americano  é Weegee, o pseudónimo de Arthur Fellig. No final dos anos 30 as suas fotografias da vida noturna de Nova Iorque fizeram escola. Dizia-se que ele chegava ao local de um crime mais depressa que a polícia, e às vezes era verdade. O segredo era simples - Weegee tinha no seu carro um rádio sintonizado na frequência da polícia e quando ouvia o relato de uma ocorrência que lhe parecia poder dar fotografia, corria para o local. No enorme porta bagagens do seu carro tinha um mini laboratório fotográfico onde revelava as imagens, de forma a conseguir entregá-las nos matutinos ainda a tempo da edição. Quando esta semana li os relatos das buscas em casa de várias pessoas, em duas operações distintas, foi em Weegee que pensei. No seu tempo ele ouvia as notícias num rádio que tinha pirateado para ouvir a polícia; hoje em dia em Portugal há evidentemente alguém na polícia ou no ministério público que, há anos, se entretém a dar indicações sobre onde e quando vão ser feitas operações contra figuras conhecidas. Independentemente do que vier a ser apurado, há pessoas que  são expostas na praça pública sem lhes ser dada a presunção da inocência. Estes braços perversos do sistema judicial e policial são um atentado à justiça. E vivem há demasiado tempo na impunidade, trocando favores e influências. E fazendo, imagino eu, umas vingaçazinhas a soldo de quem dá mais a estas gargantas fundas, 

SEMANADA - O crédito malparado nas empresas exportadoras aumentou 45%; crédito em incumprimento ultrapassou a fasquia dos 5 mil milhões de euros; 6,4% das famílias já não conseguem pagar o crédito da casa; consumo de combustível caíu mais de 13%;Lula acusado de benficiar do “mensalão”; o Papa estreou-se no twitter; o Brasil adiou para 2016 o acordo ortográfico; a análise do ACP às alterações no trânsito do Marquês do Pombal e Avenida da Liberdade é arrasadora das experiências da Câmara e pode ser consultada no site da instituição; o Governo quer reduzir o numero de camas nos hospitais; 10% das compras on line foram em sites de apostas e jogos; as compras na internet mais que duplicaram desde 2007, mas ainda representam apenas 1,2% do total de pagamentos; uma declaração de um responsável de uma empresa de capitais públicos, no Parlamento, na comissão de ética, cidadania e comunicação, valeu-lhe um processo disciplinar com vista a despedimento e a interdição de entrar nas instalações da empresa e toda a gente no parlamento acha o sucedido normal; em saúde investimos 7% do PIB, menos que a média da OCDE,  que é 7,5%; em Portugal os apoios sociais levam 18,7% do PIB, a média da OCDE é de 20,5%; só o Chipre gasta mais que nós em defesa e segurança - 4,7% contra os nossos 4,1%; temos 1182 empresas públicas, 29 mil carros, 356 institutos públicos, 343 empresas municipais, e 13 740 instituições sentadas à mesa do orçamento.

ARCO DA VELHA - A Associação Empresarial de Penafiel, por intermédio do Centro de Emprego da localidade, contratou desempregados, a 43 cêntimos à hora, para se vestirem de Pai Natal, pagando um total de 83 euros por 30 dias seguidos de trabalho. “Desenvolvimento e promoção de ações de animação do comércio local no centro histórico de Penafiel durante o período natalício” é a descrição do trabalho contratado.

PALAVREADO - “Qualquer apoio do Ministro Miguel Relvas a uma candidatura é um beijo da morte” - Marcelo Rebelo de Sousa

PROVAR - Há alguns meses abriu no Centro Comercial das Amoreiras o segundo restaurante da cadeia alemã Block House em Portugal. A cadeia nasceu em Hamburgo, no ano de 1968 e tornou-se uma referência pela qualidade das carnes que serve, provenientes de novilhos das raças Angus e Hereford. Os acompanhamentos são simples - saladas frescas e batatas assadas recheadas de sour cream polvilhado de cebolinho, mas para quem queira há a clássica batata frita ou legumes salteados por exemplo. Quem quiser tem cordeiro, peru ou salmão, mas quem aqui vem procura mesmo bife - e há sete variedades diferentes, cada uma com o seu corte e preparação, do filet mignon de 180 gramas até ao rib-eye mastercut de 350 gr. E, claro, também há um bom hamburguer. Nas sobremesas há uma tarte de maçã à austríaca muito boa e um New York Cheesecake com molho de frutos vermelhos, que é um sucesso entre os mais gulosos. Pode parecer estranho este entusiasmo por um restaurante de centro comercial - mas a verdade é que este Block House é atualmente dos melhores sítios onde se pode comer um bom bife, cortado e cozinhado como deve ser. Para quem goste as batatas assadas são uma delícia e devo dizer que o serviço é acima da média.


OUVIR - Andei uns tempos a ouvir este disco até escrever sobre ele. Ao princípio estranhei. Depois, entranhou-se. António Zambujo canta de forma desprendida - às vezes quase se pode dizer que não canta, conta-nos histórias corriqueiras, às vezes brejeiras, com um tratamento musical completamente inesperado mas que resulta muito bem. Há aqui influências de muitas músicas deste mundo, o Fado passeia-se como pano de fundo sem ser dogma. Gosto muito de algumas canções de João Monge, de Maria do Rosário Pedreira, de Pedro de Silva Martins. E gosto das sonoridades das guitarras de José Manuel Neto e Bernardo Couto; e da guitarra eléctrica do Mário Delgado, da bateria do Alexandre Frazão, do contrabaixo de Ricardo Cruz, do clarinete de José Miguel Conde, do trombone de André Conde. O resultado de tudo isto é uma boa mistura explosiva. E gosto dos arranjos, e gosto deste disco tão despretencioso e divertido, descarado mesmo, um disco como há muito não ouvia igual. Chama-se”Quinto”, pelas óbvias razões de ser o quinto disco da carreira de António Zambujo.

VER - Muito para ver por estes dias. Começo por Coimbra onde, no Círculo de Artes Plásticas (Rua Castro Matoso 18), está até 31 de Janeiro uma retrospectiva de fotografias de Albano Silva Pereira, 40 anos de trabalho reunidos na exposição “Atlas S. 1972-2012”. Salto para Lisboa - na Sala do Veado, do Museu Nacional de História Natural e da Ciência  (Rua da Escola Politécnica 56) está “Vuoto”, de Miguel Telles da Gama, um trabalho metódico e invulgar cheio de surpresas. No Porto, claro, está em Serralves até 3 de Março a retrospectiva“Noites Brancas”de Julião Sarmento. E, finalmente, também em Lisboa, no Palácio Galveias, está uma curiosa mostra de fotografias intitulada “12.12.12” - doze fotógrafos retratam o ano que corre, cada um com 12 páginas no livro que acompanha a exposição. É um reatrto do país num ano terrível, mas é também o retrato do trabalho de 12 nomes da nova geração de reporteres fotográficos. E vale a pena.

GOSTO -A Leya criou e disponibiliza uma plataforma de autopublicação - www.escrytos.com - que permite aos autores criar os seus próprios ebooks.

NÃO GOSTO - A dívida pública portuguesa deverá chegar aos 119,1% do PIB este ano, e aos 123,7% em 2013.

BACK TO BASICS- Se não formos capazes de dizer a verdade acerca de nós próprios, somos incapazes de o fazer em relação a outras pessoas” - Virginia Woolf

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publicado às 16:49

CRONOLOGIA DO CASO RTP

por falcao, em 11.12.12

Quando as coisas parecem complicadas não há nada como alinhar os factos. Na penúltima semana de Novembro Nuno Santos, Diretor de Informação da RTP, foi chamado à Administração por causa do visionamento de imagens de uma manifestação por parte da PSP. No decurso dessa reunião Nuno Santos sentiu que se devia demitir do seu cargo, invocando sentir falta de confiança da Administração.

 

A mesma Administração mandou instaurar um inquérito aos factos ocorridos, e os responsáveis por esse inquérito entenderam não pedir o depoimento de Nuno Santos e do seu Diretor-Adjunto, Vitor Gonçalves, sobre o ocorrido.

 

No dia 28 o Presidente do Conselho de Administração da RTP, citado por vários jornais, disse: “a empresa concluiu que não há motivos para um processo disciplinar, pois o apurado configura uma deslealdade e uma falta processual, mas não é o suficiente para proceder a um processo disciplinar”. 

 

No dia 5 de Dezembro, em audição numa Comissão Parlamentar da Assembleia da República, Nuno Santos disse aos deputados considerar que a sucessão de factos ocorridos configurava, na sua opinião, “um saneamento político”.

 

No dia 6 de Dezembro, a Administração da RTP, informa Nuno Santos que as suas declarações no Parlamento são razão para desencadear um processo disciplinar com vista a despedimento e proíbe a sua entrada nas instalações da RTP.

 

No dia 10 de Dezembro, à hora a que escrevo este artigo, a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, ainda não falou sobre o facto de alguém ser suspenso por causa de declarações numa comissão parlamentar. Também nenhum líder parlamentar da maioria se inquietou sobre o significado de um processo disciplinar originado por declarações proferidas numa Comissão Parlamentar.

 

Fica uma pergunta: passou a ser aconselhável não responder às perguntas dos deputados numa Comissão Parlamentar?

 

(Publicado no diário Metro)

 

 

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publicado às 10:18

TVs, POLÍTICAS, DESABAFOS & SUGESTÕES

por falcao, em 07.12.12

TV - Quando daqui a uns tempos olharmos para trás e pesquisarmos o que, neste ano da graça de 2012 se passou na RTP,  teremos alguma dificuldade em compreender como de forma tão rápida se destrói a reputação de uma estação, se afastam pessoas, e se desvaloriza uma empresa. Pondo de lado a questão do modelo de privatização, gostava apenas de recordar que a manutenção de um serviço público de rádio e televisão se mede não apenas por listagens de conteúdos, sempre polémicas, mas, sobretudo por um papel de catalisador da presença audiovisual da língua e da cultura portuguesas. No mundo digital em que vivemos já não faz sentido olharmos para as obrigações de um serviço público como há duas décadas ou mesmo há uma. Mas faz sentido termos em conta que o papel de um serviço público de rádio e de televisão é garantir diversidade e fomentar a produção nacional, não a produção interna, da casa, mas sim a produção externa, de produtores independentes, que dinamize a existência de um sector industrial dedicado ao audiovisual, única forma de nos mantermos linguisticamente vivos no mundo electronico do qual fazemos parte. Não sou dos que acredita que a solução da criatividade está no interior das estações, e muito menos na do serviço público, mas sim na boa gestão das encomendas e dos fornecedores, na combinação entre os conteúdos que se pretendem e as melhores pessoas e organizações para os fazer. No fundo, no desafio que é conseguir a combinação da criatividade com a capacidade de comunicar e de atrair públicos. Gostava que, seja qual fôr a solução encontrada, o serviço público de rádio e de televisão se vire para fora e não se deixe consumir em querelas internas. Vendo o que se passou nestas duas semanas, quanto mais cedo o Estado sair de cena, melhor. Perigoso é mesmo ficar ainda com 51% - vai sempre ter a tentação de mandar, instruir, condicionar - tudo aquilo que tem sido este longo rosário. Nesta matéria o actual Governo nem é inovador, limita-se a seguir os passos do anterior.

PARTIDOS -
Estamos a chegar ao fim de um ciclo político. Os partidos, organizados neste regime há 38 anos, são um poço de contradições internas e externas. Vêm de um tempo em que o sistema de comunicação e de ligação das pessoas era completamente diverso e de um período em que as prioridades da sociedade eram outras - e alguns deles têm raízes ainda mais atrás. Com o passar dos anos cristalizaram, tornaram-se autistas, e especializaram-se em criar um eco-sistema onde só eles vivem, cada vez mais distantes dos eleitores, com cada vez menos gente a votar. O sistema privilegia a mentira nas campanhas eleitorais, não responsabiliza as políticas executadas, nem os desvios cometidos. Nos países da norte da Europa os partidos que hoje existem não têm nada a ver com os que existiam há 40 anos. Começa a ser boa altura para este assunto ser tema de debate. Não são só os políticos que não nos servem - eles são apenas frutos dos partidos onde nasceram e cresceram. Este eco-sistema político está poluído demais.


SEMANADA -
O agravar de quadros de ansiedade entre idosos provoca aumento das idas às urgências de psiquiatria no Porto; Lisboa desceu três lugares no ranking da qualidade de vida em grandes cidades e está agora na 44ª posição; mercado cervejeiro deve cair 10% este ano em Portugal; Bancos têm de assumir perdas de 474 milhões de euros no imobiliário; dívidas incobráveis disparam para 488 milhões de euros; quase metade dos tribunais estão em estado de degradação; todos os dias 25 empresas pedem insolvência; vendas de automóveis caem 40% nos 11 primeiros meses do ano; tráfego na Via do Infante caíu 44,6% desde a introdução de portagens; tráfego nas auto estradas a nível nacional caíu 16%; 15 famílias por dia pedem ajuda à DECO para pagarem créditos; Portugal piorou na última década, em termos de percepção e combate à corrupção - caíu dez lugares em dez anos e, na Europa, atrás de nós, só Malta, Grécia e Itália.


PERGUNTINHA:




ARCO DA VELHA -

PROVAR - “A Tarte” nasceu há uns meses e tem feito sucesso. Com base numa receita tradicional algarvia, e tendo como matéria prima a amêndoa, “A Tarte” tornou-se rapidamente uma sobremesa incontornável. Está no Facebook e vende-se em vários locais. Quem a prova diz que é viciante. Pois por alturas deste Natal os criadores da Tarte decidiram fazer uma edição especial, limitada ao tempo da consoada. A novidade é que, em vez de amêndoa, leva pinhão, que é cada vez mais uma espécie de diamante dos frutos secos. O resultado é pinhão doce, com aquela massa dura para trincar. Nasceu mais um clássico. Se forem ao Facebook” e escreverem “A Tarte” poderão saber tudo sobre esta delícia.

OUVIR - “Iridescente” é o resultado, em disco, do desafio que a Fundação Gulbenkian lançou a Mário Laginha e Maria João para integrarem o projeto “Músicas do Mundo”. A cantora explica como nasceu este disco: «Surgiu-nos a ideia de compor originais e conjugar instrumentos que gostamos numa formação invulgar: voz, piano, acordeão, harpa e percussão». Desde 2008, do CD “Chocolate”, que Maria João e Mário Laginha não faziam um disco. O resultado, mantendo traços característicos da extensa obra gravada dos dois, tem arranjos invulgares, graças à inclusão de instrumentos como a harpa (Eduardo Raon) ou o acordeão (João Frade) e a uma percussão (Helge Norbakken) mais evidente que em discos anteriores.

FOLHEAR - A versão inglesa da revista “Wired” fez uma edição especial dedicada às principais tendências para 2013 em campos tão diversos como os media, política, tecnologia, ciência, negócios ou arquitetura. São 132 páginas bem recheadas de ideias e opiniões por algumas dezenas de personalidades, com revelações sobre novos aparelhos em fase de protótipos ou o rumo que algumas áreas de actividade estão a tomar, com base no reforço da actuação em rede. De Richard Branson a James Dyson, passando por Anne-Marie Slaughter, uma série de artigos de leitura indispensável para estes últimos dias do ano. David Baker, o editor deste número especial, sublinha que para além das áreas tecnológicas que a Wired costuma cobrir, quis com esta edição mostrar como existe, cada vez mais, fruto do funcionamento em rede, uma polinização cruzada de ideias em campos que vão das artes à política, passando pela bio-engenharia ou a política. “O mundo, diz ele, está demasiado interligado para que nos possamos dar ao luxo de ignorar o que se passa à nossa volta.”

VER - Rodrigo Amado tem uma vida dupla - de um lado o jazz (músico, sempre, por vezes também crítico, às vezes produtor e até editor) e, do outro lado, fotógrafo. É engraçado porque as duas atividades andam ligadas. Fotografa outros músicos, faz fotos para capas e cartazes da Clean Feed, a editora que ajudou a fundar, e vai documentando o que vê, em viagens. Para assinalar os 30 anos desta vida dupla fez por estes dias dois concertos e juntou imagens de cidades, como Moscovo, Varsóvia, Berlim e Copenhaga e juntou-as com o título “Un Certain Malaise”. As imagens deram uma exposição, que está na Fundação EDP (Central Tejo, sala Cinzeiro 8) até 10 de Fevereiro, e um livro no qual as fotografias coexistem com um texto de Gonçalo M. Tavares. Fico-me pela exposição, de que gostei muito:  as paisagens urbanas que Rodrigo Amado fotografou são como que o palco daquilo que poderiam ser naturezas mortas contemporâneas. No seu olhar, aqui fixado nas fotografias, existem instantes decisivos, construídos a partir de pessoas que aparecem, mas mal se vêem.

GOSTO - Do spot “Aldeia Global”, versão deste Natal da Optimus - e de todos os outros pequenos filmes feitos a partir desse spot para o YouTube

NÃO GOSTO - Da forma como a greve dos estivadores está a decorrer e dos seus efeitos.

BACK TO BASICS- A pobreza é a origem do crime e das revoluções - Aristóteles

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publicado às 16:30

O LABIRINTO DA AVENIDA

por falcao, em 04.12.12

Na semana passada acompanhei, numa volta por algumas zonas de Lisboa, um responsável estrangeiro de um grupo de grandes marcas de moda. É francês,  vive entre Paris e Londres,  e tinha interesse em ver como são as lojas no Chiado e na Avenida da Liberdade. Quando saímos do Chiado e descemos para a Avenida, ele não queria acreditar no cenário: o trânsito das laterais ao contrário da via principal, constantemente a fazer círculos, filas imensas, confusão de pára-arranca a meio da manhã, de um dia de semana, com trânsito moderado mas engarrafado. Escusado será dizer que o visitante não ficou bem impressionado.


Com tanto motor ao ralenti e tanto pára-arranca não acredito que haja descida significativa da poluição e não me admirava mesmo que, nalgumas zonas, tenha aumentado. A entrada das laterais nos cruzamentos e no troço central da avenida é um foco constante de filas - a situação do cruzamento da Barata Salgueiro é um bom exemplo do que não devia acontecer.


O autor deste esquema de circulação na Avenida da Liberdade, em que se têm de dar voltas sucessivas a quarteirões, em que não se consegue fazer percursos de modo linear, em que não há sinalização de semáforos no encontro das vias laterais com as perpendiculares, de certeza que não mediu bem as coisas, não teve capacidade de previsão. Fez um desenho muito bonito no papel, mas não contou com a realidade.


Se a Câmara de Lisboa não quer carros a circular tem bom remédio: proíba zonas inteiras, mas já agora deixe também de cobrar o respectivo imposto de circulação. O que existe é um labirinto maquiavélico capaz de dar cabo da paciência a um santo. Estamos todos perante um desvario que custou caríssimo e que prejudica a vida aos lisboetas. É para isto que serve um executivo municipal? É com esta obra que Costa se recandidata?


(Publicado no diário Metro de 4 de Dezembro)

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publicado às 12:21


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