Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



UMA POLÍTICA CONFUSA

por falcao, em 29.01.13

A paisagem política portuguesa tem momentos muito curiosos. No momento presente temos pela frente uma coligação no poder, que obteve a maioria nas eleições, que dispõe de confortável maioria parlamentar, e uma oposição que não se consegue fazer ouvir de forma eficaz, mesmo perante o cenário de austeridade, aumento de impostos e diminuição de rendimentos. Todos achariam que este poderia se o momento ideal para um líder da oposição dar nas vistas. Seria natural.


Mas o que acontece é que o líder natural da oposição, o secretário-geral do PS, anda aflito a conseguir afirmar-se dentro do seu próprio partido. A crise interna do PS é, no momento actual, maior que qualquer crise que possa existir na coligação, e isso é uma das curiosidade da política à portuguesa.


Reparemos nisto: é no momento em que o desconforto dos contribuintes se vai revelar mais – porque vão agora receber os seus vencimentos ou pensões com as novas tabelas – que dentro do PS começa uma desregrada luta pelo poder interno, ainda por cima com várias matizes: de um lado os que entendem que Seguro deve continuar, do outro os amigos de Sócrates que querem fazer já uma fogueira num próximo e rápido Congresso; e finalmente, tentando navegar entre os dois, António Costa que tenta equilibrar a sua participação nas próximas autárquicas com a sua vontade de um dia liderar o PS.


No campeonato nacional de tiros no pé não é só o PS a competir. Também o líder da CGTP, Arménio Carlos, alcançou esta semana posição de relevo ao classificar o chefe da missão do FMI, o etíope Abebe Selassié, como um  “escurinho “.  Ele há coisas…


(Publicado no Diário Metro)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:43

MISSES - Por estes dias li um comentário que me ficou no ouvido: se as eleições pudessem mudar alguma coisa, há muito teriam sido ilegalizadas. Quanto mais olho para o que se passa à volta, mais me convenço que este comentário está cheio de razão. Já aqui tenho dito isto várias vezes, mas um sistema político que se baseia na votação de promessas, que sistematicamente não são cumpridas pelos eleitos, e em que não existe nenhuma punição para além dos votos, é um sistema que facilita a desonestidade cívica. As eleições foram substituídas por uma espécie de concurso de popularidade, ou, se quiserem, uma disputa de misses. Só que em vez de misses desfilam políticos e, em vez de medidas tentadoras, há promessas enganadoras: “sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia”  - nunca o desabafo escrito por Eça de Queiroz em “A Relíquia” se aplicou de forma tão certeira aos partidos que temos e às políticas que fazem.

TPC - Portugal anda a ficar parecido com a China de há uns anos atrás - um país, dois regimes. Por cá o regime que Vitor Gaspar enaltece é diferente daquele que Álvaro Santos Pereira procura, e isso dá cada vez mais nas vistas. Esta semana, desdizendo tudo o que havia proclamado há poucas semanas, lá foi Gaspar ao reino de Bruxelas renegociar a dívida, montado, com abuso e fulgor, no regresso do país aos mercados - que pode vir a ser boa notícia. Se alguém tem que levar parabéns pelo tal regresso aos mercados são todos os que recebem menos, deixaram de ter trabalho ou pagam mais impostos para um Estado que, na essência, graças ao facilitismo gasparista, continua igual. Do trabalho de casa, o Governo só soube até agora conjugar bem o verbo tirar, ainda não conseguiu chegar à letra P, de poupar.


TV - A RTP anda num grande movimento de mudanças internas, fundindo ou extinguindo direcções, fazendo novas nomeações, mudando programas do norte para o sul e vice -versa, mesmo que por enquanto algumas mudanças sejam mais no papel que na realidade. Mas não vi ainda um movimento que seria o fundamental para um serviço público de televisão, com um papel estratégico no desenvolvimento da produção audiovisual: descontinuar a produção interna, passá-la para os produtores independentes. Continua sem existir uma reflexão orientadora e clara sobre a missão que a RTP deve desempenhar - mas lá se vão fazendo mudanças, exonerações e nomeações, mesmo sem saber exatamente o objectivo e o propósito.

SEMANADA - 2,6 mil milhões de euros foi o total pago em 2012 com o subsídio de desemprego; o número de casas entregues aos bancos baixou 21% em 2012; o mau tempo fez cair quatro árvores por minuto no sábado passado; PSP e GNR detêm uma média de 200 pessoas em cada mês por desobediência; António José Seguro diz que só com maioria absoluta será capaz de aplicar o seu programa; António Pires de Lima diz que António Costa está a provocar que António José Seguro tome “posições cada vez mais demagógicas e populistas”; António Capucho diz que “a confusão no Governo é total”; Passos Coelho diz que “ninguém aconselhou os portugueses a emigrarem”; o número de portugueses que emigrou em 2011 aumentou 85% em relação a 2010 e a faixa etária mais numerosa é a dos 25 aos 29 anos; as remessas dos emigrantes em 2012, efectuadas até Novembro, ultrapassaram os valores totais de 2009, 2010 e 2011;  55% dos reformados do Estado em 2012 têm menos de 60 anos; no ano passado, quase 28 mil negócios fecharam as portas e a criação de sociedades abrandou 11,6%.

ARCO DA VELHA - António José Seguro diz que “grande parte dos políticos portugueses está concentrada na trica e na intriga”.

FOLHEAR - A edição de Fevereiro da revista “Wallpaper”, já disponível, é dedicada aos prémios de design que a publicação atribui anualmente. Mas, apesar de ser indiscutivelmente interessante ver os premiados nas diversas categorias (livrarias, objectos, rebranding, lojas, utensílios e ideias diversas), o ponto alto da revista é um especial de duas dezenas de páginas dedicado à obra de Oscar Niemeyer - que foi uma presença repetida nas páginas da “Wallpaper” ao longo dos anos. Não se trata de uma homenagem vulgar - é um portfolio de fotografias da obra do arquiteto, feitas por Todd Eberle, um fotógrafo de arquitectura que seguiu com persistência e sensibilidade a obra de Niemeyer. Além de uma conversa com Eberle, a revista publica dezenas de fotografias,  a maior parte das quais inéditas, que são um documento precioso. Só por isso vale a pena dar os nove euros que custa a “Wallpaper”.


VER - "Chama Dupla" é o título da exposiçāo de Paulo Brighenti que inaugurou esta semana na Galeria Baginski (Rua Capitāo Leitāo 51-53, ao Beato). Brighenti, um lisboeta que expōe regularmente desde meados da década de 90, ocupa as duas grandes salas da galeria com trabalhos onde explora a natureza da côr e a maneira como as suas variaçōes podem afectar a evocaçāo das paisagens que retrata. A técnica que utiliza privilegia a referência à memória, em detrimento da reproduçāo da realidade e, como se vê nas pequenas aguarelas que sāo o estudo das pinturas, o método é seguido desde o início da concepçāo de cada obra. O resultado é emocionante, e esta capacidade de transmitir sentimentos é o ponto marcante desta nova exposiçāo na Baginski

OUVIR- Numa época em que se tornou hábito as estrelas pop revisitarem repertórios alheios, o mais recente disco de Brian Feery é baseado num conceito surpreendente: em vez de revistar obra de terceiros, Ferry propōe temas de várias épocas da sua carreira, com os Roxy Music ou a solo, mas baseado na sonoridade do jazz dos anos 20 e 30 e com influências claras do tipo de arranjo que era praticado por Duke Ellington ou preferido por Louis Armstrong. No disco, Brian Ferry não canta - os 13 temas, de “Do The Strand” a “Virginia Plain”, passando por “Avalon”, “ Slave To Love”, “The Bogus Man”  ou “Don’t Stop The Dance”, são apenas instrumentais, muito transfigurados em relaçāo aos originais, e ganham aqui uma nova dimensão - surpreendente e que dá que pensar sobre a forma como Ferry incorporou, desde o início dos Roxy Music, o que se sabia serem as suas referências e influências. A direcção musical é de Colin Good, que já tinha sido, com Ferry, o responsável pelos arranjos no disco de interpretações de standards “As Time Goes By”. É muito estimulante que ao fim de todos este anos Bryan Ferry continue a ser capaz de surpreender, como faz com este “The Jazz Age”. (CD BMG na Amazon).

PROVAR - As cafetarias são uma espécie de pastelarias modernas, um pouco mais básicas, mas com os seus encantos. Perto do Saldanha, a um escasso quarteirão da Versailles, nasceu a a Choupana Caffé, um conceito engraçado que junta uma cafetaria, padaria,  pastelaria de fabrico próprio, um balcão de iogurtes e aquilo a que com imaginação chamam mercearia. Entre as sete da manhã e as oito da noite, todos os dias da semana, pode-se ali petiscar - e aos fins de semana os seus brunch estão a ganhar boa reputação. Durante a semana, ao almoço, é vulgar ver-se gente à espera de uma mesa. Um dia destes provei lá um honestíssimo bagel com queijo philadélfia, alcaparras e rúcula, precedido de uma boa sopa de espinafres - acompanhado por água e finalizado por um café e um pastel de nata - a coisa andou pelos dez euros. Os scones, os croissants, as panquecas com nutella ou os iogurtes biológicos com cereais, frutos secos e mel são já êxitos da casa. Espero que com o tempo o serviço melhore - não é por falta de empregados, andam é todos a correr de um lado para o outro e a fazer as mesmas coisas. No espaço, logo à entrada, existe uma zona de venda de produtos, desde vinhos a azeites, passando por compotas (tem uma de figo que ainda hei-de provar...) e biscoitos a peso - a tal mercearia. A Choupana fica na Avenida da República 25 A e o telefone é o 213 570 140.


GOSTO - Em 2012 a Amazon vendeu 114 ebooks por cada 100 livros impressos.


NÂO GOSTO - Do espalhafato à volta de uma conversa telefónica entre Marcelo Rebelo de Sousa e Mário Soares


BACK TO BASICS - “Vi mais do que aquilo de que me recordo , lembro-me de coisas para além do que vi” - Benjamim Disraeli


(Publicado no Jornal de Negócios de 25 de Janeiro)


Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:34


Um dos fenómenos que me intriga é a mudança de nomes tradicionais de organismos do Estado. Alguns eram boas marcas, fáceis de memorizar e directamente relacionados com a actividade. Não havia que enganar.Quando se queria saber o estado do tempo ía-se à metereologia e o caso ficava arrumado.


A designação foi popularizada durante anos em apontamentos de previsão metereológica na televisão, na rádio e nos jornais. Técnicos do Instituto de Meteorologia tornaram-se até figuras populares, e respeitadas, graças à televisão.


Pois no ano passado o Instituto de Meteorologia e Geofísica foi transformado em Instituto Português do Mar e da Atmosfera - IPMA. Dificilmente se encontraria um nome tão pomposamente gongórico como este, tão anormal em termos de objecto e de comunicação. E a mudança é coisa para ter custado uns cobres aos contribuintes...


Mas o mais curioso é percorrer os nomes de duas dezenas e meia de instituições europeias semelhantes e descobrir que apenas a nóvel instituição portuguesa omite da sua nomenclatura a palavra meteorologia ou suas abreviaturas. A criatividade dos nossos burocratas não pára de me surpreender. Tornámo-nos assim verdadeiramente um país percursor que faz da meteorologia uma ciência tão oculta que até o seu nome é escondido da designação.


Isto pode parecer um preciosismo, mas não é. O nome das instituições deve ser claro sobre elas e a sua missão, deve ser amigável e claro para os utilizadores, confortável e conveniente para nacionais e estrangeiros. Tudo o que a bizantina designmação IPMA não é.


(Publicado no diário Metro de 22 de Janeiro)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:57

TIROTEIO - Ouvi dizer que o PSD está no Governo, mas há dias em que, quando abro os jornais, acho que estará na oposição- todas as semanas há um novo episódio  daquela fantástica história “Eu gosto de dar tiros nos pés”. A coisa é de tal forma que já existem guionistas e produtores a prepararem uma série de ficção para o serviço público com o título “Sapatos furados deixam entrar água”. Por causa disso mesmo um dos pontos fortes da reindustrialização, ultimamente muito acarinhada, é a construção de uma fábrica de sapatos à prova de bala.  Os primeiros protótipos estão já em ensaio na Presidência do Conselho de Ministros e no Ministério das Finanças. Estes sapatos blindados serão distribuídos a membros do governo, seus assessores de comunicação, líderes da oposição, deputados e membros seleccionados dos gabinetes governamentais e de algumas autarquias - António Costa já manifestou também intenção em oferecer um par ao vereador Nunes da Silva e consta que antes de ir para o Largo do Rato enviará uns ao seu amigo José Lello (que aliás já tinha pedido uns para António José Seguro). Os sapatos saídos desta nova indústria serão também resistentes ao efeito de ricochete ocorrido esta semana na conferência do silêncio, perdão,  “Pensar o Futuro”. Existirão vários modelos destes sapatos à prova de bala, para homem e senhora. Está em estudo também um modelo de sapatos de corrida, blindados, que será oferecido a José Sócrates no seu próximo período de férias escolares em Portugal, e o modelo de havainas com blindagem transparente, para os políticos que gostam do verão brasileiro, também deverá ser disponibilizado em breve.

SEMANADA - O Banco de Portugal previu o desaparecimento de 88.500 postos de trabalho este ano; há 34 mil pedidos de reforma pendentes na Função Pública, dos quais 25 mil são de reformas antecipadas; um inquérito recente mostra que 49% dos portugueses não conseguem poupar para a reforma; no quarto trimestre de 2012 a economia alemã registou uma contracção de 0,5% devido ao abrandamento considerável na actividade económica dos parceiros europeus; as salas de cinema portuguesas perderam 8% de receitas em 2012 e registaram menos 12,3% de espectadores que no ano anterior; os novos escalões do IRS provocam diminuição dos rendimentos a perto de 300.000 lares; o Primeiro Ministro prometeu um “alívio fiscal permanente” na mesma semana em que foram publicadas as tabelas de retenção do IRS, com os maiores valores de sempre; 10,5% dos portugueses têm falta de interesse sexual, sendo o grupo etário mais afectado o dos 30 aos 39 anos (mais de 24%), e o cansaço e o stress são as principais causas apontadas.

ARCO DA VELHA - Em Lisboa há cada vez mais lugares vagos no estacionamento mas o Presidente da Câmara conseguiu observar que existem mais viaturas em circulação - que devem andar em movimento contínuo e nunca estacionam, provavelmente com medo das tarifas da EMEL.

VER - Enquanto não começa o novo ciclo de exposições, dedico-me a ver fotografia num dos melhores sítios que conheço para o efeito. Chama-se ASX e pode ser localizado em www.americansuburbx.com. Aí pode encontrar uma diversidade de notícias, portfolios e ensaios sobre fotógrafos e a fotografia. Há uma e-newsletter diária, que recebo há uns meses, cuja visualização é sempre um dos pontos altos do meu dia.  A diversidade de material disponível é impressionante, e vai desde obras recentes de Eggleston até revisitaçlões de trabalhos de Nan Goldin ou de Ralph Eugene Meatyard. Cá pelo burgo tenho curiosidade em ver as “Casas Vazias”, de Filipe Condado, que inaugura no fim do mês na Sala do Veado (rua da Escola Politécnica) e cujas amostras já publicadas no Facebook são muito curiosas. E, já agora, a curiosidade também existe em relação à exposição “O Rio É Uma Festa”, do fotógrafo brasileiro José Medeiros, que abre por estes dias no espaço BES Arte & Finança, no maltratado Marquês do Pombal.

PROVAR - Hoje vou falar de um restaurante de que gostava muito, o Gemelli, por cima do Mercado de S. bento, frente à Assembleia da República. Pois o Gemelli fechou portas e o seu proprietário, o chef Augusto Gemelli, explicou Domingo passado no Facebook as razões que o levaram a fechar aquele que para mim era o melhor restaurante italiano da cidade, a milhas de todos os outros. Ficam aqui as suas palavras, que eu tomo a liberdade de dedicar aos deputados, que no palacete frente ao local do restaurante, consentem este estado de coisas. “Sem querer alegar desculpas, quero só dizer que a pressão exercida desde o ano 2008 sobre a indústria da restauração e o mundo do turismo no geral chegou a um ponto limite insuportável e o reflexo disto é a autêntica razia que está a levar ao encerramento de tantos restaurantes de bom nível, em todo o país. Nós também temos as nossas culpas e sem dúvida fizemos alguns erros de gestão, mas em situações complicadas, às vezes é difícil tomar a decisão certa. Quando o negócio começou a entrar em crise, nunca fiquei à espera passivamente e sempre tentei modificar a minha proposta como restaurante com o objetivo de continuar a dar-vos a melhor qualidade possível, mas agora que já não consigo fazer isto mais, tomei a decisão de fechar as portas.”

OUVIR - Maria Rita anda há uma década a construir uma carreira graças ao seu talento - mesmo que a semelhança das vozes evoque sempre a sua mãe, Elis Regina. Ao fim destes dez anos, Maria Rita resolveu dar o passo que faltava - perder o medo de cantar as canções que tornaram célebre Elis. Para isso montou um espectáculo, “Redescobrir”, que fez digressão no Brasil, foi gravado e depois editado em duplo CD, com 28 temas clássicos (existe também um DVD). O jornal brasileiro “Globo” fez a descrição exacta deste “Redescobrir” : “Elis está sempre com ela, no seu timbre, nos arranjos e interpretações que, a despeito de serem efectivamente novos, remetem às gravações clássicas da mãe. Há um desejo consciente de humildade e de adequação ao projeto-tributo, mas que tira um tanto das possibilidades artísticas do show.”.

FOLHEAR - Como é costume a “Monocle” fez uma edição especial em meados de Dezembro, em formato de jornal, dedicada ao inverno.  Este ano tive a bela surpresa de receber uma assinatura da revista como prenda de Natal, e isso é a garantia de que aqui continuarei a falar de uma publicação que me fascina desde o início, faz em Fevereiro sete anos. A revista de Tyler Brulé dedica uma atenção especial à evolução das tendências de vida e tem um fascínio pelas cidades, mas também pela manutenção das tradições. Nesta edição especial “Monocle-Alpine” há um artigo que eu verdadeiramente gostava que fosse lido por alguns dos obreiros das nossas desgraças económicas. O artigo fala da recuperação da Islândia, depois do colapso de 2008, uma recuperação baseada em pequenos negócios focados nas comunidades onde estão inseridos, recuperando postos de trabalho e dinamizando a economia. A revista tem feito reportagens regulares sobre a evolução da Islândia depois do colapso dos seus três maiores bancos, e tem seguido algumas pessoas que têm tentado dar a volta à vida. Uma delas, de que esta reportagem fala, era concessionário de boas marcas automóveis até 2008, ano em que o seu negócio se tornou redundante; depois dedicou-se a uma pequena empresa de serviços na área do turismo, que acabou por se especializar no apoio à produção audiovisual internacional, que, graças aos incentivos fiscais, está a ir para a ilha. De concessionário falido até interlocutor de Ridley Scott, como foi o caso recente, vai um belo passo. A reportagem tem outros bons exemplos de pessoas que mudaram de vida e criaram coisas novas - como um arquitecto que agora se dedica a vender bicicletas que ele próprio transforma e personaliza. Sem financiamentos do Estado mas com uma fiscalidade que ajuda quem começa um negócio.

PERGUNTINHA - Costa vai ficar a inventar mais rotundas ou segue direito para o Largo do Rato?

GOSTO - De ser rectificado o trânsito na faixa central da Avenida, voltando ao que era antes do caos Costista;

NÃO GOSTO - Da persistente teimosia do caos Costista nas rotundas do Marquês;

BACK TO BASICS - “Aqueles que não se conseguem disciplinar a si próprios,
depressa encontrarão alguém que o faça por eles.” - Friedrich Nietzsche

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:05

QUERO, POSSO E MANDO

por falcao, em 15.01.13

O Governo anda há 18 meses a desbaratar tempo. Em vez de ter logo começado, em Junho de 2011, a trabalhar na reforma do Estado, foi deixando sempre isso para segundo plano; preferiu ir aumentando os impostos, com os resultados que se conhecem, e que não são bons – nem mesmo a nível da receita fiscal, que não é a esperada.

 

Pelo caminho dificultou a vida às pequenas empresas – muitas tiveram que fechar, outras vêem-se aflitas para conseguirem cumprir tudo o que lhes é obrigado. Pelo meio encerram estabelecimentos, cria-se mais desemprego, numa cascata que agrava a situação económica em que vivemos.

 

O Governo, em vez de ir analisando onde e como cortar no Estado, deixou o assunto para o fim. Não negociou cortes de boa fé com os parceiros sociais, habituou-se a anunciar medidas pela comunicação social, em vez de as debater e consensualizar primeiro. Para os devidos efeitos práticos é como se agisse segundo o princípio do “Quero, posso e mando”, sem atender às consequências dos seus atos.

 

O triste espetáculo da semana passada, em que os ministros se contradisseram sobre o relatório do FMI, e a forma como finalmente foi apresentado, são fatais. Se quisessem boicotar qualquer mudança séria do Estado, não fariam melhor.

 

A reforma do Estado tem que se fazer. Tem que perder peso, regimes de exceção e ganhar racionalidade. Não vale a pena querer negá-lo, como faz o PS; nem vale a pena querer faze-lo de qualquer maneira, como o Governo tem evidenciado. Cada vez mais se percebe que lidar com a realidade é um problema para o Governo, mas também para o PS - por razões distintas, mas o resultado é o mesmo.

 

(Publicado no diário Metro de 15 de Janeiro)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:30

POLÍTICA - O expediente é conhecido: quando uma administração de uma empresa quer tomar uma decisão, que já sabe poder provocar rupturas, pede a uns consultores para analisarem a situação a seu contento. E, depois, anuncia que os sábios opinaram naquele sentido e lamenta dizer que, para garantir a sobrevivência, o único caminho é aquele.  Isto foi o que o Governo fez com os consultores do FMI - lêem-se os agradecimentos do estudo e percebe-se como saíu este resultado. Não é uma surpresa: quando Passos Coelho anunciou a refundação do memorando, no início de Novembro, era dos preliminares deste estudo que falava, como agora se percebe.
O Estado tem que ser cortado - isso já se sabe. Mas sendo assim, porque é que o Governo de Passos Coelho, que tomou posse a 21 de Junho de 2011, durante um ano e meio nada fez para diminuir o peso do Estado? O curioso é que, quando se lê o estudo do FMI, não se encontram novidades na análise da situação. Para fazer isto, bem podiam ter feito logo o serviço em 2011 - mas isso era desagradável, porque Passos Coelho tinha ganho as eleições com um programa onde não falava em nada disto e tinha escrito um livro, “Mudar”, editado há precisamente três  anos,  onde o cenário agora traçado não se vislumbrava.
Ninguém se pode queixar de falta de informação. Em 2005, Miguel Cadilhe, num artigo no “Expresso”, explicava como a reforma do sistema remuneratório da função  pública, implementada no final dos anos 80 por influência directa de Cavaco, era responsável pelo crescimento do défice das contas do Estado. Segundo o historiador António José Telo, na sua “História Contemporânea”, o lema central do cavaquismo era "Menos Estado, Melhor Estado" - mas a realidade foi completamente diferente: Cavaco aumentou os funcionários em salário e em número, e criou um monstro despesista que foi continuado por António Guterres.  Desde 1985, ano em que chegou ao governo, até 1995, no terceiro e último executivo de Cavaco Silva, os funcionários públicos passaram de 464.321 para 639.044, um crescimento de 174.723 funcionários em dez anos -  87 mil por legislatura, mais do que os 75 mil de Guterres (os números são da Pordata). Como tudo isto já era conhecido, o relatório do FMI foi largado na velha táctica política de atirar o barro à parede. Diz-se o pior cenário possível, para depois qualquer recuo dar a sensação de uma vitória aos seus opositores. Não deixa de ser curioso notar que este atirar de barro à parede é feito no dia a seguir ao discurso optimista de Passos Coelho sobre o QREN, por acaso também no dia a seguir a Paulo Portas ter constatado  que “há sintomas de desalento e desânimo da sociedade que é preciso contrariar com sensibilidade”. A sensibilidade viu-se - e o mínimo que se pode dizer é que de certeza esta não é a melhor forma de começar uma discussão séria sobre a redução do peso do Estado - que de facto é necessária. Temos vivido numa ilusão, e querem dar-nos outra. Um país, por muito que tenha que ser bem gerido, não é exatamente uma empresa. José Adelino Maltez fez notar que o relatório do FMI apenas numa única nota de pé de página utiliza a expressão “democracia”. E não usa as palavras “justiça”, “nação” ou “igualdade”, já para nem mencionar “liberdade”. Isto traz-nos à questão de fundo: temos que reduzir o peso do Estado, mas temos que o fazer dentro dos mecanismos do regime em que vivemos. Quem se mete na política tem que conhecer as suas regras.

SEMANADA - Os transportes públicos de Lisboa registaram uma quebra de 25% de utilizadores; nas autoestradas portuguesas circulam menos 245.000 carros por dia que há um ano; a Segurança Social registou um défice de 857 milhões em 2012; a receita fiscal continua muito abaixo das previsões;  o Presidente da Republica enviou o Orçamento para o Tribunal Constitucional; o PS mandou o Orçamento ao Tribunal Constitucional; o Bloco de Esquerda, os Verdes e o PC deixaram o Orçamento no Tribunal Constitucional; o Provedor de Justiça entregou o Orçamento ao Tribunal Constitucional; o Secretário de Estado do Orçamento fez uma declaração a avisar o Tribunal Constitucional dos perigos em que pode incorrer se rejeitar o Orçamento; Vital Moreira escreveu no seu blog que o Orçamento, na sua opinião, não é inconstitucional; a taxa de desemprego em Portugal é de 16,3% e a média da União Europeia é 10,7%; a taxa de desemprego entre os jovens com menos de 25 anos é de 38,7%; as Presidenciais são em 2016 e Guterres regressou a funções em Portugal, no Conselho de Administração da Gulbenkian.

ARCO DA VELHA - Josualdo Ferreira é o quarto treinador do Sporting nesta época em que o clube, em sete jogos, leva apenas duas vitórias na Liga. Traduzindo por miúdos: treinadores - 4; Sporting - 2.

OUVIR - Gosto muito de ouvir discos só de guitarra e “Mel Azul”, de Norberto Lobo, é uma bela descoberta. Não é fundamentalista, é arriscado, oscila de ritmos e influências, passa dos sos de Lisboa para os de África, os tropicais ou os blues com à vontade e sem visrtuosismos de pacotilha. É garantidamente um belo trabalho - dá prazer a ouvir e percebe-se ter sido feito com igual prazer e empenho.

VER - Alguns livros, como os que mostram obras de fotografia, são uma espécie de exposições portáteis, que podemos revisitar em casa quando apetece. “A Cortina dos Dias”, de Alfredo Cunha, é um desses livros. Mostra imagens do foto-jornalista Alfredo Cunha, feitas entre 1970 e 2012 e é uma espécie de compêndio visual da História recente de Portugal. Alfredo Cunha foi testemunha de excepção de muitos dos momentos  marcantes das últimas quatro décadas - primeiro no “Século”, depois nas agências noticiosas, mais tarde no Público, na Visão e no Jornal de Notícias, para além de uma passagem como fotógrafo oficial dos Presidentes Ramalho Eanes e Mário Soares. No prefácio do livro, João Silva, fotojornalista do new York Times, cita Richard Avedon: “Todas as fotografas são verdadeiras. nenhuma delas é a verdade”. As centenas de imagens deste livro são a preto e branco - como eram impressos muitos dos jornais e revistas onde originalmente foram publicadas. Alfredo Cunha tem uma maneira de ver - não se limita a registar. E é precisamente a existência desta maneira de ver que faz dele um dos grandes foto-jornalistas portugueses.

FOLHEAR - “Debaixo das Tílias” é o segundo volume das poesias de Henrique Segurado, de 1990 a 2010. Há um ano tinha surgido o primeiro volume, que ía de 1969 a 1989 e tinha por título “Almocreve das Palavras”. À semelhança do primeiro volume este tem também ilustrações de Rui Sanches, mas há uma clivagem entre os dois - fruto das épocas e dos momentos de escrita, fruto das diferenças dos tempos e situações. São poesias do quotidiano, um bloco notas de emoções, como um diário que se vai espalhando por folhas soltas.

PROVAR - Durante alguns anos habituei-me, por facilidade logística e genuíno prazer, a almoçar no Cervejanário, um restaurante situado no passeio de Neptuno, loja 9 e 10, em frente à marina da Expo. Além de bifes diversos, a casa fazia jus ao nome com uma boa colecção de cervejas de várias geografias e com uma cozinha portuguesa que tinha sempre bons pratos do dia. Há pouco tempo Joaquim Amaral Marques, o fundador, um homem com história na televisão, passou o testemunho a Carlos Rodrigues. O novo responsável optou por não mexer no que estava a funcionar bem. A casa usa boa matéria prima e a confecção é cuidada - como um polvo à lagareiro atestou um destes dias. Outros pratos usuais são salsichas frescas com couve lombarda, bacalhau à Braz, arroz de polvo.  A garrafeira tem preços sensatos e além disso o serviço é atento e expedito, mesmo quando existe um grupo grande na sala, como era o caso. Gozando de uma localização privilegiada, junto ao rio, com vista directa para a marina, o local é ideal para espairecer ideias a meio de um dia de trabalho ou para juntar amigos ao fim de semana.  Aberto sempre para almoços, e para jantares mediante marcação prévia, o Cervejanário às vezes mostra os seus pratos do dia no Facebook e pode ser contactado pelo telefone 218 946 044.

GOSTO - Do video do tema “Incomplete”, com Rodrigo Leão e Scott Matthew.

NÃO GOSTO - Do video “Lisbon Soul Of The World” que pretende apresentar a cidade como destino ideal para a instalação de criadores e de indústrias criativas.

BACK TO BASICS- «O que é ilegal faz-se rapidamente; o que é inconstitucional leva um bocadinho mais de tempo»  - Henry Kissinger

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:23

UMA ESTRADA DESCONHECIDA

por falcao, em 08.01.13

Poucas alturas do ano têm tantas mensagens como esta. O Natal, o novo ano e até o Dia de Reis (pelas Janeiras), são pretexto para declarações diversas. Nas últimas semanas assistimos a um verdadeiro ping-pong de palavras entre o Presidente da República, o Primeiro Ministro, o líder da oposição e até alguns ministros e secretários de Estado. O tema andou sempre entre o Orçamento de Estado, o futuro próximo, o prazo de permanência da troika e todo o pano de fundo que conhecemos – privatizações, as novas nacionalizações, a falta de rumo e a incógnita cada vez maior que nos cerca.

 

Não quero parecer pessimista, mas por estes dias, cada vez que ouvia um dos nossos distintos políticos a falar, só me lembrava de uma canção dos Talking Heads, chamada “Road To Nowhere” e que rezava assim:

“They can tell you what to do

But they’ll make a fool of you

And it’s all right baby, baby it’s allright

We’re on a road to nowhere.”

 

O problema é este mesmo: é raro o dia em que não sentimos que o caminho que está a ser trilhado não tem direcção nem destino e é muitas vezes contraditório.

 

Por exemplo, percebo o que leva o Governo a prestar apoio a Bancos – mas são de qualquer forma um apoio a empresas privadas. E choca-me que ao mesmo tempo que apoia umas empresas privadas, dificulte tanto a vida a tantas outras – em tantos sectores. Às vezes, para apoiar tantos sectores produtivos, e geradores de emprego e de actividade, nem era preciso financiá-los, como à Banca – bastava que o seu dia a dia fiscal fosse mais leve, que existissem incentivos em vez de constrangimentos, que o Estado fosse menos tirânico.

 

Este país está a viver a dois pesos e a duas medidas. E é esse o caminho seguro para um beco sem saída.

 

(Publicado no diário Metro de 8 de Janeiro)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:25

FUTURO - Esta primeira “Esquina” de 2013 é dedicada ao futuro. A primeira coisa que me ocorre dizer é que, de certeza, isto não vai ser pêra doce; a segunda, é que o futuro se vai fazer com algumas coisas do passado e muito poucas do presente - e isto também se aplica ao Sporting...; e a terceira é que ou mudamos de método, de protagonistas e de funcionamento, ou o nosso futuro vai ser mesmo amargo. Começo a estar um pouco farto de aprendizes de políticos que utilizam a palavra “colossal” em discursos, como se estivessem a resolver apenas um problema de palavras cruzadas. Para seguir com a linha de palavreado como colossal, eu gostava de dizer que tenho um titânico desprezo pelos falhanços descomunais das previsões, além de um gigantesco desagrado pelas manifestações de hercúleo desrespeito das promessas eleitorais. As eleições, que, permito-me recordar, regressarão neste ano, são, recorrentemente, uma barrigada de promessas. Acontece que estas barrigadas têm sido avassaladoramente indigestas nos últimos anos. O cúmulo é que neste Natal não houve sequer sonhos para provar: umas rabanadas...., e basta. O futuro é pensar quanto custa um mau Governo e ver se descubro porque é que a factura cai em cima de mim e não deles. Estar no Governo, quer-me parecer,  é a única situação em que quem cava o buraco consegue evitar cair nele e escapar-se a tapá-lo. O meu desejo é que o sistema mude, que os partidos mudem e que os políticos de serviço se reformem - compulsivamente, de preferência. E quando se reformarem, que fiquem caladinhos por favor para não fazerem a triste figura dos seus antecessores.

ESCREVER - Desde há uns meses ando a ver se aprendo a escrever de acordo com as novas regras. E, sinceramente, já não tenho idade para tanta imposição nova. Ainda se fossem regras  lógicas, podia entender - mas, absurdas como são, só me fazem desprezar ainda mais quem as criou. Foi com um sorriso, confesso, que esta semana dei por mim a abençoar as autoridades brasileiras que tiveram o bom senso de dizer o óbvio - que o novo acordo ortográfico tresanda a asneira e vai ter que esperar para ser aplicado. É assim como que uma imensa bofetada de luva branca, tão grande que atravessou o Atlântico. Já não sou crédulo que chegue para imaginar que quem nos governa se preocupe com estas minudências do idioma ou da gramática. Mas gostava que ao menos não aplicassem à língua portuguesa o que estão a fazer a Portugal, que é deixá-lo cair aos poucos.

AQUILO - Prometi a mim mesmo que não iria escrever sobre aquilo. O tabu anunciado. Isso. A mensagem na véspera do anúncio. A decisão na véspera da revelação. A maneira de dizer e não dizer. A forma de não fazer, fazendo. O estilo de deixar correr sem remorsos.  

SEMANADA - Em 2012, venderam-se menos de 100 mil ligeiros de passageiros novos, o que não acontecia desde 1985; o custo potencial das dúvidas constitucionais colocadas pelo Presidente da República rondará os 1,7 mil milhões de euros, mais ou menos 0,7% do PIB; Estão a ser declaradas 52 falências judiciais por dia; registaram-se 30 casos graves provocados por drogas legais em dois meses; segundo o INE, em 2011, os jornais diários registaram menos cinco títulos e os não diários menos 152, enquanto as revistas perderam 162 títulos; na área da cultura, o Instituto Nacional de Estatística regista a diminuição de 5,2% do número de espectadores no cinema em 2011, relativamente a 2010; no mesmo período o número de sessões aumentou ligeiramente (0,1%); entre 2005 e 2011, o número médio de espectadores que assistiram a espectáculos ao vivo baixou 11,2%; existem perto de cinco milhões de emigrantes portugueses espalhados pelo mundo;
em 2011 saíram cem mil emigrantes e o destino mais procurado foi Angola, seguido do Reino Unido, França e Suiça ;  o Brasil veio no fim da lista. a par com a Holanda.

ARCO DA VELHA - “Balas & Bolinhos” foi o filme português mais visto em 2012, com 255 548 espectadores, seguido de “Morangos com Açucar” com 236 856, enquanto o “Consul de Bordéus” registou 50 740, as “Linhas de Wellington” conseguiu 49 343 e “Florbela” ficou-se nos 40 875.

VER - Uma maneira fácil de ir seguindo boa fotografia é ver o site do British Journal Of Photography. Apesar da solenidade do nome, e do peso histórico que carrega, o conteúdo é bem contemporâneo, a atenção à evolução da forma e da técnica é constante, e a maneira como são mostrados novos talentos e obras consagradas é assinalável. A revista em papel é luxuosa, o site é dinâmico e a aplicação para iPad funciona bem. Mas nada seria relevante se a dedicação à fotografia não fosse tão exemplar como de facto é.

OUVIR - Não usei muitas vezes a expressão “the next big thing” referindo-me à música. Mas desde que ouvi um disco chamado “Manuel Fúria contempla os Lírios do Campo” que ela não me sai da cabeça. Manuel Fúria é o nome do homem de sete instrumentos que fez este disco, estas nove músicas. Soube ouvir, sabe pensar e sabe fazer. E sabe escrever canções que se podiam dizer vestidas de metralhadora - tiros em rajada, certeiros, com palavras que ficam. Eu gosto disto e é um belo começo para a música portuguesa em 2012.

FOLHEAR - Volta e meia regresso à “Wallpaper” e a edição deJaneiro é precisamente dedicada ao futuro - e registo, contente, que um dos locais recomendados é a Miss’Opo, uma guest house, ou casa de hóspedes para usarmos o vernáculo antes que se perca. Não me vou demorar a dizer o que a revista tem - e tem muito - e fico-me pelo editorial. O escrito pega num triângulo com três vértices: bom, barato e rápido. E conclui aquilo que nunca devemos esquecer: posso fazer as coisas bem e de forma rápida, mas não vai ser barato; posso fazer as coisas muito bem e por bom preço - mas não vai ser rápido; e finalmente podemos ter as coisas feitas depressa e por bom preço - mas então raramente serão boas. Há quem se esqueça disto - desde pedidos de propostas até medidas de Governo. O resultado está à vista e podia chamar-se Portugal.

PROVAR - Num tempo de contenção, um restaurante com boa onda e que vive do reaproveitamento gastronómico das conservas portuguesas, merece aplauso e destaque. Os leitores destas páginas sabem do apreço que tenho pelas boas conservas portuguesas. Folgo em registar que  é o mesmo sentimento que Rui Pregal da Cunha, o vocalista dos Heróis do Mar, mais tarde publicitário e homem de vários ofícios, resolveu professar no seu restaurante “Can The Can”. O nome é uma graçola feita a partir de uma canção da época “glam-rocak”, por Suzi Quatro, uma rapariga notoriamente à frente do seu tempo. Já agora o trocadilho da canção aplica-se que nem uma luva às latinhas das conservas. Tenho ouvido louvaminhar a tiborna de atum e um dia destes vou mesmo passar pelo “Can The Can”. É fácil, fica no Terreiro do Paço, ali pelo número 82, para os lados do Ministério das Finanças. Dizem-me que nem a Troika nem o Raspar (perdão, Gaspar...) por lá costumam passar, o que é sempre uma boa carta de apresentação. O telefone é o 914007100, que pode ser usado para marcações, para também para saber se na noite em que lá quiserem ir canta alguém, o que por vezes acontece - sem causar indigestões.

GOSTO - De assistir à série “The Hour” na Fox Life.

NÃO GOSTO - De nenhum dos putativos candidatos autárquicos em Lisboa.

BACK TO BASICS- A gente tem sempre tempo de esperar algum tempo, de saber quem é que se afunda e desaparece, quem é que fica - Jorge de Sena

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:32


Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2006
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2005
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2004
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2003
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D