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GREVE - À hora a que escrevo ainda não sei o que aconteceu de facto. Mas posso, sem grande risco, pensar que a greve de quinta-feira atingiu sobretudo serviços do Estado e empresas públicas. Dantes, as greves gerais não eram assim - paravam fábricas, paravam empresas privadas, paravam países. Agora conseguem parar os transportes e, por via disso, inviabilizam que algumas pessoas vão trabalhar, apesar de não quererem fazer greve. A verdade é que, historicamente, o desenvolvimento do transporte privado tramou os sindicatos e restringiu o universo grevista. Li esta semana que só 10% dos trabalhadores do sector privado são sindicalizados - e os sindicatos bem podem dizer que a culpa é das empresas que atemorizam oa assalariados, mas ninguém em seu perfeito juízo acredita nisso como regra geral. Mais provavelmente, muitos colaboradores de empresas privadas estão apostados em conseguir, nesta difícil conjuntura, que as empresas onde trabalham consigam produzir, vender, facturar e, consequentemente, pagar. Hoje ainda continua a haver quem queira apenas um emprego; mas há muita gente que prefere trabalhar, percebendo que só a sua produtividade ajuda a que a situação geral melhore. É triste que seja na administração pública, mais improdutiva que a actividade privada em termos objectivos, que a greve alcance indícies palpáveis. É o melhor sinal da urgente necessidade de uma reforma e redimensionamento do Estado, muito para além do que os partidos, tementes das suas clientelas eleitorais, estão dispostos a arriscar. Em Portugal continua a falar-se muito de direitos e pouco de responsabilidades. Ao ler declarações, destes dias, do líder da CGTP, Arménio Carlos, dei comigo a pensar que quando um dirigente sindical aparece a pedir eleições, não está a fazer reivindicações, está a fazer política, necessariamente partidária. É nestes dias que vale a pena recordar as palavras de Oscar Wilde, ao sublinhar que “dever é o que esperamos dos outros, não o que nós mesmos fazemos”. Para terminar a conversa: uma semana depois do aviso, continuo à espera de ver como vai ser a prometida comunicação diária do Governo nestes tempos agitados. Terá feito greve?

 

SEMANADA - O Benfica tem 104 jogadores a contrato, o FC Porto tem 69 e o Sporting tem 62 - 235 jogadores apenas nestes três clubes;  o número de milionários em Portugal, usando o critério de património financeiro superior a um milhão de dólares, cresceu 3,4% no ano passado e é agora de 10.750 pessoas; 45 % das casaas do Algarve são residências secundárias; segundo o Banco de Portugal as empresas privadas e as famílias estão a conseguir reduzir a dívida, mas o estado continua a aumentá-la; a dívida pública, que no final de 2013 devia ser de 123%, já atingiu os 127%; o Secretário de Estado da Economia, Franquelim Alves, considerou que a “descida do IRC é um sinal crítico para a política económica” na captação de investimento; o Ministro das Finanças Vitor Gaspar disse na Assembleia da República que ainda não vê margem para poder baixar impostos”; a Secretária de Estado do Tesouro disse no Parlamento que o cancelamento de 69 contratos swaps não custou dinheiro aos contribuintes, embora provocasse uma perca de mil milhoes de euros, suportada pelo Estado; o negócio da construção prevê uma quebra de 15% neste ano.

 

ARCO DA VELHA - A colecta do IRS aumentou 30,6%, a do IRC apenas 8,2% e a de todos os outros impostos caíu 92% - e mesmo assim Vitor Gaspar diz-se satisfeito com a execução orçamental, feita à custa da cobranças mais simples.

VER - Lisboa vive um momento alto em matéria de exposições de fotografia. No Museu da Electricidade inaugurou “Pátria Querida”,  uma boa amostra do trabalho do espanhol Alberto Garcia-Alix, que se celebrizou a mostrar a movida madrilena. Se o que faz a fotografia é o modo de ver, a maneira de transmitir o que se observa, aqui o objectivo está bem conseguido. Na Gulbenkian, inseridas na programação “Próximo Futuro”, estão duas exposições imperdíveis - uma mostra dos Encontros de Fotografia de Mamako, que traça um retrato da África pós colonial, e “Present Tense”, uma mostra comissariada por António Pinto Ribeiro (o amentor do ciclo “Próximo Futuro”) e que desbrava caminhos contemporâneos da observação do espaço e das pessoas no continente africano. Finalmente, em “A Pequena Galeria” (24 de Julho nº 4C) está “De Maputo”, que agrupa fotografias de José Cabral e Luis Basto, com breves mas importantes evocações de Rogério Pereira e Moira Forjaz.

 

OUVIR- Lembram-se de Lloyd Cole? Com os Commotions conquistou fama graças a belas canções, intimistas q.b. Numa carreira a solo incerta, manteve a descrição e o seu novo disco, ironicamente intitulado “Standards”, não é um repositório de versões de lugares comuns, mas sim a tentativa de deixar para a memória do seu público algumas canções. A viver nos Estados Unidos desde há anos, o disco é marcado pelos sons do pop e rock americanos, mais do que pelo suave pop britânico que deu fama a lloyd Cole. Nõo é certamente por acaso que a única versão de canção alheia nestes “Standards” é “”California Earthquake”, de Cass Elliott, dos The Mamas & The Papas, um velho tema de 1968. Dos temas novos, que mostram como aos 52 anos ainda se consegue comabter o destino, destaco “Blue Like Mars”, “Women’s Studies”, “Opposites Day” e “No Truck”. A vasta legião de fãs de Cole em Portugal não ficará desiludida com este disco.

 

FOLHEAR - Qualidade de Vida em 2013, onde se pode encontrar?

Pois é, Costa, em ano de eleições Lisboa saíu da lista das 25 melhores cidades para viver elaborada pela “Monocle”. Eu, lisboeta, tenho pena. Aguentámos lá uns anos, mas não sobrevivemos ao mandato do Costa e do Sá Fernandes. Tenho muitoa pena de ver a minha cidade transforamada num fim de semana em cartaz publicitário de um hipermercado, como vai acontecer este sábado. Estas coisas pagam-se. Para o Continente é barato, para Lisboa, é caríssimo. A “Monocle” sublinha que uma boa cidade deve viver sete dias por semana, sem interrupções, para os seus habitantes. O que se vai passar sábado na Avenida  é uma interrupção da cidade. Além de uma foleirice, é um abuso. Rewsta-nos a satisfação de o Deli Delux ser referida como a sexta melhor loja de comida e bebida no “The Monocle Food And Entertaining Guide 2013”, com destaques para o vinho deo Porto da Taylor’s e para as conservas da Tricana. O City Survey da edição dupla de Verão, agora distribuída, é sobre o Rio de Janeiro. E, claro que me dói um pouco ver Madrid citada várias vezes e Lisboa assim esquecida. olhem, agradeçam ao Costa.

 

PROVAR - Onde é que uma cerveja moçambicana e a vista do casario de Lisboa, com o Tejo por pano de fundo combinam? A resposta é num belo terraço, perto do Castelo, no alto do antigo mercado do Chão do Loureiro, hoje um parque de estacionamento bem útil para se poder ir à zona da Costa do Castelo? Ali pode beber uma “laurentina” bem fresquinha”, mas também uma “dois MM”. No restaurante, que dispõe da mesma vista, tem uma boa selecção de vinhos - mas aceite a sugestão dos vinhos Casa da Ínsua, do Dão, que têm uma excelente relação qualidade-preço. Provou-se a galinha em caril com amendoim, o chacuti de vaca e o camarão à Laurentina e tudo merece elogios. O serviço, como diz voz amiga, é acima de simpático. O Zambeze está aberto todo o dia, alternando entre café, esplanada e restaurante, fica ao alto da Calçada do Marquês de Tancos e tem o telefone 218 877 056.

 

DIXIT - Procuro político honesto para votar - Cartaz em manifestação no Brasil

 

GOSTO- Os Moonspell e seus convidados são os escolhidos para, amanhã, sábado, encerrarem as Festas de Lisboa junto à Torre de Belém.

 

NÃO GOSTO - Já repararam que Antonio Costa protege o piquenicão e as hortas postiças do Continente, ao mesmo tempo que a Câmara arrasar hortas comunitárias?

BACK TO BASICS - Por mais interessante que a estratégia pareça, devemos sempre olhar para os resultados que proporciona - Sir Winston Churchill


(Publicado no Jornal de Negócios de 28 de Junho)

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publicado às 16:45

TV: OS EIXOS DAS PROGRAMAÇÕ

por falcao, em 28.06.13

Se olharmos para as audiências dos três canais comerciais constatamos que a TVI lidera graças ao Big Brother, que a SIC conquista público com as novelas e que o assunto da RTP é o futebol.

 

Programas destas tipologias estão no topo dos mais vistos da semana em cada um destes canais. Uma análise mais fina permite perceber que a RTP 1 e 2 obtêm os seus melhores resultados na zona Centro do país, que é também onde a diferença entre a TVI e a SIC é menor. Em contrapartida é na zona de Lisboa que essa diferença é maior e é também em Lisboa que a RTP2 obtém o pior resultado, ficando em sétimo lugar, atrás de canais de cabo como a Disney, o Hollywood e a SIC Notícias.

 

“Bem Vindo a Beirais”, único programa de ficção da RTP que aparece na lista dos mais vistos da estação, surge em 14º lugar, uma posição modesta, apesar da qualidade – e características populares – do programa – o que pode ter a ver com os hábitos criados nos públicos que seguem a RTP, um canal quase sem ficção.

 

(Publicado dia 28 na revista Correio da Manhã TV)

 

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publicado às 14:00

OS SALTA POCINHAS

por falcao, em 25.06.13

Este romance dos candidatos autárquicos salta-pocinhas, que se apresentam como autarcas profissionais e querem passar de uma Câmara para outra independentemente do número de mandatos que levam no cartório, é um dos mais tristes episódios do nosso sistema político.

Mas não é só a situação em si que é caricata – quando o problema começou a surgir, aqui há uns meses, a Assembleia da República tinha tido oportunidade e tempo de corrigir ou esclarecer aquilo que houvesse a fazer em matéria legislativa, o que teria evitado o lavar de roupa suja entre tribunais e candidatos a que temos assistido. Deve aliás sublinhar-se que as maiores culpas de não se ter esclarecido esta situação no local competente, que era o Parlamento, vieram do PSD e do PS, que na altura sacudiram a água do capote e não quiseram pronunciar-se. O PS, previdentemente,  tem evitado apresentar candidatos salta-pocinhas mas o PSD não resistiu e, portanto, está cheio de problemas ainda por cima nas duas Câmaras politicamente mais significativas – Lisboa e Porto.

 

Eu, por princípio, sou contra a perpetuação de responsáveis de cargos políticos nos mesmos cargos e por isso até achei razoável que houvesse um limite de três mandatos. Acho uma cobardia política que, na altura devida, os deputados tenham fugido a pôr esta situação em pratos limpos – tanto mais que deixaram campo aberto para o que agora está a acontecer: face à mesma situação, vários tribunais decidem de maneira diferente e, nuns casos autorizam a candidatura de quem já tem três mandatos, noutros, não. Tudo isto contribui para desacreditar a política e os políticos, para confundir os eleitores – com eleições já marcadas não se saberá, de certeza certa, quem serão os candidatos em várias autarquias. Um triste espectáculo.

 

(Publicado no diário Metro de 25 de Junho)

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publicado às 12:33

PORTUGAL - Duas décadas de desvario vão custar-nos outro tanto tempo para recuperarmos de tudo aquilo em que nos deixámos enredar - seja a Europa, seja a inconsciência local. As PPP’s, de que tanto se fala, são um bom exemplo de fazer vista com dinheiro alheio, de comprar jóias a crédito que irão ter pouco uso. Hoje, já percebemos que é assim: endividámo-nos por soberba. Deixámo-nos, todos, cair na tentação. As PPP’s são o melhor retrato de um país que, mais do que de negócios, gosta de negociatas. Se olharmos bem para a nossa História vemos muitos negociantes, comerciantes espertos, vendedores de especiarias,  de volfrâmio, ou do gás natural que o Ministro do Canadá diz que vai extrair no Algarve. No fundo andamos todos à espera que saia um euromilhões ao país. Poucos são os empresários portugueses que preferem criar, inovar, desenvolver e fabricar, a comprar e a vender. O comércio está-nos na alma e é isso que lá vamos fazendo. O pior é quando vendemos o país ao desbarato ou quando vendemos ilusões uns aos outros. É o que tem acontecido, com a benção de Bruxelas e as negociatas à sombra dos partidos instalados. No Correio da Manhã, Paulo Pinto de Mascarenhas escreveu que PPP’s quer dizer “Portugueses Pagam Políticos”. Tudo indica que tem razão.


SEMANADA - A derrapagem nas PPP do sector rodoviário pode chegar aos nove mil milhões de euros; o Estado já assumiu mil milhões de euros em perdas com “swaps”; há mais de 12 milhões de indivíduos, no mundo inteiro, com um património superior a um milhão de dolares; segundo a Caritas, o risco de pobreza afecta 23,5% da população portuguesa; Silva Peneda, Presidente do Conselho Económico e Social, considerou, numa comissão parlamentar, que o cenário macroeconómico do orçamento rectificativo, já aprovado, é irrealista e sublinhou que o programa de ajustamento tem corrido mal; em 2012 mais de 120.000 portugueses abandonaram o país em busca de trabalho na emigração, mais 20% que no ano anterior; o poder de compra dos portugueses está 25% abaixo da média europeia; a emissão de Bilhetes de Tesouro registada esta semana foi emitida com juros mais altos que em Maio do ano passado; em termos de receitas, a Liga portuguesa de futebol está ao nível da Liga da Ucrânia; António Costa vai deixar de ter Helena Roseta como vereadora e passou-a para a Assembleia Municipal de Lisboa; António Costa designou o deputado do PS Fernando Medina como seu sucessor na Câmara Municipal; António Costa nomeou Mega Ferreira para a direcção da Orquestra Metropolitana de Lisboa; António Costa criou um novo cargo, Provedora do animal, e atribuíu-o à ex-deputada do PS Marta Rebelo;  por este andar qualquer dia António Costa pode anunciar que há um provedor das bicicletas; Cavaco Silva decidiu não desistir do processo contra Miguel Sousa Tavares por causa das analogias entre o Presidente e uma actividade circense.


ARCO DA VELHA - Na mesma semana em que Paulo Portas apresentou a sua moção de estratégia ao Congresso do PP, na qual defende a baixa do IRS ainda na actual legislatura, e em que vários digirientes do PP confessaram “profunda incomodidade” com os resultados do Governo, o Ministro Poiares Maduro considerou que a coligação do Governo “é muito coesa” e Passos Coelho afirmou não ter um calendário para a descida do IRS.

VER - Estava cheio de curiosidade em ver a nova Photographer’s Gallery, em Londres, no Soho, perto de Oxford Circus, que abriu, renovada, este ano. Data originalmente do início dos anos 70 e é,  como se diria aqui, uma iniciativa da sociedade civil, aliás de uma pessoa, Sue Davies - com apoios de diversas entidades, umas públicas, outras, mais numerosas, privadas, desde empresas de consultoria a empresas industriais. É uma daquelas coisas que não existe, por enquanto, em Portugal. Há galerias e espaços disto e daquilo, de umas marcas e de outras, mas não há muitos espaços de iniciativa privada que consigam reunir apoios institucionais diversos - e do próprio público que contribui - para se desenvolverem. Gostei muito da nova galeria, do seu espaço, de iniciativas como a “What Do You See?”, onde se pede para cada visitante que queira expressar o que sentiu a olhar para a única fotografia que está exposta naquela sala. De todas as exposições, e eram várias, a que mais me intertessou foi a de Chris Killip - “What Happened - Great Britain 1970-1990”, em que o autor retrata como era a vida em comunidades que estavam a passar pela desintegração da velha sociedade industrial.  Mas, lá como aqui, a fotografia é território de polémica, entre os que olham para a realidade e os que preferem a fantasia ou a manipulação da técnica. De qualquer forma, a verdade é que os vários lados desta história estão nesta galeria. (Ramillies Street 16-18)


 

FOLHEAR - Em boa companhia, estive uma hora na fila, uma hora a fazer horas para entrar, e um bocadinho mais de duas horas a visitar a exposição. Não me arrependo de um único segundo gasto nesse dia. Já antes, para prevenir o excesso de peso na bagagem de regresso, tinha encomendado, e recebido, o catálogo da exposição. Estou a falar de “David Bowie Is Here”, que até Agosto está no Victoria & Albert, cada vez mais um dos museus incontornáveis do Reino Unido. De maneira que quando voei para Londres, com Bowie na mira, já o tinha bem folheado em casa, e levava na cabeça a frase na dupla página do começo: “I opened doors that would have blocked their way, I braved their cause to guide, for little pay”. O catálogo tem um nome diferente da exposição, um pequeno jogo de palavras: "David Bowie is Inside" - são cerca de 300 páginas, editadas pelos curadores da exposição, e que, tanto quanto possível num livro, fazem justiça à exuberância visual e tecnológica que nos permite percorrer a carreira de Bowie, as suas manias, as suas obsessões, as suas paixões. No fim, um quase concerto, em surround, um momento de transição, antes de voltar à rua. A tecnologia, nesta exposição, é admirável e permite uma experiência única. Mas este livro, que se pode encomendar pela Amazon por 24 libras, permite-nos ter uma ideia de tudo o que se mostra no Victoria & Albert. E a mim vai-me servir de memória de um dia de descoberta.


OUVIR- Na vida de qualquer grupo rock e pop decente o primeiro disco deve ser bom, o segundo um desafio e, o terceiro, a redenção. “Modern Vampires Of The City”, o novo e terceiro álbum dos Vampire Weekend, encaixa-se que nem uma luva nesta descrição. Aqui está uma bela colecção de temas, alguns com arranjos e vocalizações inesperadas, a romper com os discos anteriores. Há boas canções, uns toques de ironia nas letras, poderia quase falar em rebeldia, mas mais não digo - desde que sei que o ex-Ministro da Defesa e da propaganda socrática, Santos Silva, está a investigar, numa Universidade onde pontifica, o movimento punk em Portugal, o qual considera pouco proletário, ando a pensar em desistir de escrever sobre música. Já me chegam as PPP nas estradas, escuso de me aborrecer mais com assuntos destes. Não é? Mudando de conversa, e para não enjoar, não perdem nada em ouvir este disco. Tem mesmo cantigas atrevidas.


PROVAR - Aviso já que hoje falo para carnívoros - vegetarianos e fanáticos de aquários podem abster-se. O assunto aqui é carne, de várias origens e com vários corte e temperos. O Talho é uma aventura de Kiko Martins e, se de um lado serve carne crua para levar para casa e cozinhar, do outro é um agradável e bem decorado restaurante, com uma espaço confortável (uma acústica perfeita), e boas surpresas na confecção de vários géneros de carne. Há um menu de almoço mais económico, há sempre uma proposta de hamburguer do mês - por estes dias é o hamburguer manjerico, com manjericão e parmesão. Num belo jantar o rosbife asiático marcou pontos, assim como a vitela maronesa. E o serviço também merece destaque. (Rua Carlos Testa 18, frente ao El Corte Ingles, é a rua que sai do Largo de S. Sebastião da Pedreira). Telefone 213 154 105.


DIXIT - “Quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão”, Bartoon, sobre a greve dos professores


GOSTO- Da inovação de uma rolha de cortiça de enroscar desenvolvida em Portugal pela Amorim.


NÃO GOSTO - Do surto de nomeações camarárias de António Costa.

BACK TO BASICS - Não sou obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos terá dado a razão e o intelecto se esqueceu de nos ensinar a utilizá-los - Galieleo Galilei

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publicado às 16:11

BICICLETAS NOS PASSEIOS

por falcao, em 18.06.13

Até há pouco tempo eu julgava que os passeios eram para peões e as faixas de rodagem para veículos. Lembro-me que, quando estudei o código da estrada, as bicicletas era consideradas veículos e não deviam andar em cima dos passeios. Pois constato que hoje isso é letra morta. Há poucos dias ía sendo atropelado por duas bicicletas que seguiam numa zona estreita de passeio, com andaimes, na Rua Castilho, ao fim da tarde. Não é a primeira vez que em passeios para peões, e fora das ciclovias, me cruzo com ciclistas que circulam com a convicção que os passeios são seus e que os peões se devem desviar.

 

Também não consigo compreender porque é que os ciclistas, em Lisboa, muitas vezes decidem não acatar a sinalização dos semáforos e passam os vermelhos, de preferência contornando-os pelas passadeiras para peões. Outra coisa que me faz espécie é que os ciclistas andem lado a lado na faixa de rodagem, condicionando todo o trânsito. Tudo isto são contravenções ao código da estrada – mas em nome do espírito politicamente correcto que se instalou para quem anda de bicicleta, o código da estrada pelos vistos deixou de ser aplicado. Esta é uma originalidade portuguesa. Lá fora não vejo isto – e vejo muito mais bicicletas a circular nas cidades do que aqui.

 

Os ciclistas andam nas faixas de rodagem ou nas suas zonas demarcadas, param nos sinais vermelhos e não andam por cima de passeios nem em passagens de peões. Não percebo porque é que em Portugal existe isto – e já imagino que os fanáticos das bicicletas se indisponham com o que aqui escrevi – mas na verdade não me agrada nada ir no passeio - e andar na rua a pé é uma coisa de que gosto - e ter que me desviar por causa de um ciclista.

 

O Dr. António Costa achará que isto é forma de tratar os peões lisboetas ou continua a fechar os olhos aos devotos do vereador Fernandes?

 

(publicado na edição do diário Metro de dia 18 de Junho)

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publicado às 10:29

O DISCURSO DO PASSADO

por falcao, em 11.06.13

Ouvi dizer que o Presidente da República está muito preocupado com o futuro e com o que o país deve fazer no pós-troika. Mas a verdade é que no seu discurso do 10 de Junho só o ouvi falar sobre o passado, como Portugal era maravilhoso e se transformou de forma tão inexcedível quando ele foi Primeiro-Ministro. Foi um discurso cínico, cruel. a justificar opções passadas que, em muito, nos conduziram onde estamos. Foi o elogio disfarçado e hipócrita de uma época em que Cavaco Silva optou pelo betão, pelo princípio do desvario nas obras públicas e se esqueceu de criar bases sustentadas de desenvolvimento. Cavaco, Primeiro-Ministro, entregou o país ao eixo franco-alemão que nos inundou de fundos para pagar o que nos roubava na agricultura e nas pescas. É de um cruel cinismo falar como ele falou. Se existiam dúvidas de que Portugal não merece ter um Presidente da República como ele, desvaneceram-se com o que Cavaco Silva disse neste 10 de Junho.

 

Quando daqui a uns anos se fizer a história verdadeira - não o embuste habilidoso dos discursos do 10 de Junho - ver-se-à quão nefastas foram as escolhas e opções estratégicas de Cavaco na governação e como foram perniciosas as suas opções no desencadear e evoluir dos momentos críticos da crise  - desde Sócrates até agora. Nessa altura poder-se-à perceber como os milhões que a Europa pagou a Portugal se destinaram apenas a iludir e distrair o pagode com estradas, enquanto uns quantos as construíam e outros íam fazendo negociatas à conta dos lugares que tinham ocupado na política. O maior legado de Cavaco, de que ele não fala, é o rol de casos pouco claros que envolvem gente da sua entourage e que continuam a ser o exemplo do pior que o regime tem para mostrar.


(Publicado no diário Metro de 11 de Junho)

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publicado às 16:09

A COMPETITIVIDADE NAS MÃOS DO ESTADO

por falcao, em 07.06.13

COMPETITIVIDADE - Para usar as palavras do engenheiro dos desenhos manhosos, o Governo está com uma narrativa complicada: o que prometeu não se concretiza, as previsões falham, as taxas de impostos aumentaram mas a cobrança é menor, e a dívida do país não pára de aumentar - até o PS já aparece a falar da eventualidade de um segundo resgate.  Pior que isso, no seio do Governo é cada vez mais evidente a clivagem - Gaspar continua a revelar a sua falta de bom senso em episódios como a nomeação da administração da CGD, há Ministros desaparecidos em combate e que não dão sinal de si e, de uma forma geral, os grandes dossiers prometidos para esta altura estão como este estranho Verão: incertos e frios. Mesmo as medidas anunciadas são tímidas e não atacam de frente as questões. O Governo olha para a crise e tenta pegas de cernelha mal sucedidas. O maior problema que se põe na captação do investimento não tem a ver com o Tribunal Constitucional e as suas decisões: tem a ver com as altas taxas de IRC comparadas com outros países europeus nossos concorrentes, com a instabilidade fiscal e os sucessivos agravamentos de toda a espécie de taxas e, finalmente, com uma justiça ineficiente e lentíssima que é um obstáculo à actividade das empresas e ao crescimento da economia. Estes três pontos - falta de competitividade no IRC, instabilidade fiscal e funcionamento da justiça - são todos da responsabilidade do Estado e constituem o maior e mais grave factor de perca de competitividade em Portugal. Mas nisto não vejo o Governo a tocar.


SEMANADA -  Gaspar falhou todos os timings de nomeação da nova administração da Caixa Geral de Depósitos; 23 mil empresas ficam indevidamente com o IRS retido aos seus funcionários; foram perdidos mais de cem mil empregos em três meses; em Abril, o número de casais em que ambos os cônjuges estão desempregados aumentou para 13.176, mais 67,3% do que em  2012; o PIB do primeiro trimestre caíu 4% em relação ao mesmo período do ano anterior e atingiu o valor mais baixo desde 2000; 51% dos valor corrigido no Orçamento Rectificativo deve-se ao agravamento da recessão e falha das previsões e não às decisões do Tribunal Constitucional; o orçamento rectificativo reviu em baixa todas as previsões de receita de imposto, com uma queda média de 4,5% face ao valor inicialmente previsto; o FMI admitiu “erros graves” nas suas decisões sobre a Grécia;  29 das 49 cadeias portuguesas estão sobrelotadas;  a Ordem dos Advogados decidiu não acatar uma decisão de um tribunal sobre os exames a estagiários; um barómetro de opinião divulgado esta semana mostra que os portugueses estão a perder confiança nas instituições governamentais, nos media e nas instituições não governamentais e apenas 36% dos inquiridos confia na Banca; os cinco maiores partidos portugueses têm menos de 300.000 militantes no seu conjunto, ou seja menos de 3% da população; os três maiores clubes de futebol portugueses têm, no seu conjunto, cerca de 380.000 sócios; Treinadores: no Porto foi-se embora o que venceu, no Benfica ficou o que perdeu.


ARCO DA VELHA - Dois policias que faziam uma prova para chefes, foram apanhados com cópias dos testes que iam fazer, mas foram perdoados e podem repetir a prova - os policias apanhados a cabular admitiram que tinham tido acesso prévio à prova e informaram que ela era do conhecimento de muitos dos candidatos, mas escusaram-se a revelar quem a facultou.


VER - Três recomendações bem diferentes: no Centro Cultural de Cascais, até 1 de Setembro, fotografias das grandes estrelas do cinema da época de ouro de Hollywood, que fazem parte da colecção de John Kobal. No Museu Berardo, no CCB, está até 27 de Outubro “O Consumo Feliz”, uma colecção de 350 imagens de cartazes publicitários  do acervo da agência  James Haworth & Company, uma das principais produtoras de publicidade do Reino Unido, com actividade iniciada por volta de 1900 e continuada até cerca de 1980. E finalmente, para uma coisa completamente diferente recomendo a exposição “Marco Aurélio And Friends - Sete Artistas Ulissiponenses”, em que destaco os trabalhos de Ana Fonseca, Conceição Abreu e Teresa Gonçalves Lobo. Tudo na Plataforma Revólver, Rua da Boavista 84, em Lisboa. No mesmo local, mas na VPF Cream Art, o destaque vai para o trabalho de Luis Alegre.


OUVIR- Aqui há uns anos existia uma designação, “bubble gum music”, para definir aqueles discos que se ouviam, eram muito doces de entrada, mas rapiudamente perdiam o sabor e o interesse e se deitavam fora a seguir. Pois bem, os discos dos The National são tudo menos isso. Ouvem-se com redobrado gosto vez após vez, em cada nova audição descobrem-se novas subtilezas nas letras, novos pormenores nas canções. “Trouble Will Find Me” é o título do sexto album

dos The National, e inclui a presença de convidados como Annie Clark of St. Vincent, Richard Reed Parry dos Arcade Fire ou Sufjan Stevens, e Sharon Van Ette. O primeiro single deste novo disco é “Demons”, exactamente uma dessas canções que cresce com o tempo - graças a uma percussão quase hipnótica, a um ritmo que nos agarra e a uma vocalização, de Matt Berninger, que só na aparência parece displicente e desinteressada, quando ele canta, como se estivesse apenasde passagem por ali palavras como estas:  “When I walk into a room I do not light it up.”  Não há muitas bandas hoje em dia que se possam gabar disto: de terem motivos de interesse nas letras, na música e nas vocalizações. Destaco ainda outros temas como a faixa de abertura  “I Should Live In Salt”, “Graceless”, “Slipped” ou ainda a canção que encerra o disco, “Hard To Find”, uma espécie de declaração de intenções em que Berninger promete não deixar de se questionar.  Uma das razões do sucesso dos The National tem a ver com a forma como as suas canções evocam histórias, casos, cenários ou pensamentos que acabam por ser comuns a toda uma geração e na qual muitos se revêem. Deixo-vos uma frase incontornável de “Slipped”, onde Matt Berninger escreveu e canta “I'm having trouble inside my skin, I'm trying to keep my skeleton in,”. Estas canções são sobre o poder dos sentimentos. E, por isso, deixam marca.


DESCOBRIR - Hoje proponho um magazine digital que tem por programa publicar uma boa história por dia. É isso mesmo que tem acontecido, desde há uma semana, em www.carrosselmag.com ou facebook.com/carrosselmagazine. No projecto está uma equipa pequena mas criativa que inclui os fundadores Joana Stichini Vilela, (a autora do livro “Lx60 – A Vida em Lisboa Nunca Mais Foi a Mesma”), e Bruno Faria Lopes. A bordo estão outros jornalistas da sua geração e com provas dadas, mas também uma agência de produção digital, a Gomo, e uma agência de comunicação, a iupi. O resultado tem sido bom de seguir todos os dias e tem revelado empresários criativos, tendências geracionais como voltar ao campo, reportagens de concertos, portfolios de fotografia, novas formas de agitação política em Barcelona e até a verdadeira história dos hamburgueres do Honorato ou a experiência de um “ghostwriter” a contar a história de outra pessoa. Ir ao Carrossel passou a fazer parte da minha lista diária de leituras.



PROVAR - O restaurante “Sabor & Arte” fica no Páteo Bagatela e neste tímido Verão proporciona uma boa esplanada, além de uma ampla sala interior. A ementa é baseada na cozinha portuguesa e ali se encontram honestos e frescos linguados dourados com arroz de tomate, ou um bife de boa qualidade - mas nesta altura do ano quem fôr pelas sardinhas não ficará desiludido e os filetes com salada podem ser também uma boa alternativa. Menos português mas igualmente interessante é o ossobuco à Romana. Os preços são razoáveis, o serviço é simpático, vê-se sempre alguém conhecido. A lista é variada, os vinhos têm boas propostas correntes e  a esplanada é mesmo muito agradável. Fica na Rua Arilharia 1 nº51 e o telefone é 213865390.


DIXIT - Vitor Gaspar foi útil para o Governo numa fase, mas agora é bastante inútil - Marcelo Rebelo de Sousa


GOSTO - Do prémio Leão de Ouro, na Bienal de Veneza, atribuído a Angola, para a melhor representação nacional, pelo trabalho do fotógrafo Edson Chagas.


NÃO GOSTO - Existem 24 mil idosos em Portugal a viver em lares clandestinos


BACK TO BASICS - A grande diferença entre uma democracia e uma ditadura é que, na democracia, primeiro votamos e depois obedecemos a ordens, enquanto que numa ditadura não se perde tempo a votar - Charles Bukowsky


(Publicado no Jornal de Negócios de 7 de Junho)

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publicado às 16:52

O SEU A SEU DONO

por falcao, em 04.06.13

Estamos, como país, a apertar o cinto de uma maneira terrível – melhor dizendo, os cidadãos apertam o cinto muito para além do que há dois ou três ano imaginaram que iria suceder; mas isto não impede que a dívida portuguesa continue a aumentar, que o Estado continue a gastar mais do que devia e que a nossa situação geral não esteja a melhorar – na realidade alguns indicadores mostram que está a piorar. As sucessivas previsões de receita fiscal revelam-se enormes falhanços, porque o consumo é cada vez menor, porque há menos empregados a contribuir, porque há mais empresas a falir. 

 

Ao mesmo tempo que a receita fiscal desce, os custos com o desemprego sobem – uma coisa é consequência da outra. A economia portuguesa, destruída de forma metódica – na pesca, na agricultura e na indústria -  graças a incentivos europeus ao longo dos últimos 25 anos,  continua a ser o sector mais subalternizado pela acção governativa. O nosso sistema fiscal é uma roleta russa – e os investidores que criam emprego e riqueza geralmente não são fãs de encostar uma pistola à cabeça. A nossa taxa de IRC é por si só um obstáculo à captação de investimento, por mais esforços de diplomacia económica que existam.

 

O Governo diz que quer captar investimento, mas as medidas que toma são marginais e não atacam o fundo do problema: um sistema fiscal com valores nada competitivos em termos europeus , um sistema fiscal que muda todos os seis meses e que não garante a estabilidade mínima que os investidores procuram, uma justiça lentíssima que é também um obstáculo à actividade das empresas – por si só estes três pontos constituem o maior e mais grave factor de perca de competitividade da economia portuguesa – e são todos da exclusiva responsabilidade do Estado.

 

(Publicado na edição de dia 4 de Junho do diário METRO)

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