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EMEL - Esta semana voltei a irritar-me com esse organismo de violentação dos contribuintes lisboetas que se chama EMEL. O facto de os seus regulamentos, ditados pela empresa, serem aprovados pela Assembleia Municipal, serve para justificar face aos cidadãos que as anacrónicas regras de comprovativo de residência a que obrigam (e que são uma violação do direito à privacidade) não podem ser alteradas sob pretexto algum. O direito elementar de um cidadão residente, recenseado e contribuinte em Lisboa, a poder escolher a zona onde pretende estacionar de forma fixa é negado com base em questões burocráticas e de essência policial. Quando há uns tempos escrevi isto recebi uma chamada telefónica do Presidente da EMEL, entretanto reconduzido por António Costa, dizendo-me que não tinha razão. Pedi novo parecer sobre o mesmo tema e veio a mesma reposta - os cidadãos não têm direito a escolher. Outra prova da arrogância da empresa e dos seus dirigentes está o facto de o estacionamento pago ser introduzido em novas zonas, como recentemente em algumas artérias de Campolide, sem a mínima acção de sensibilização dos moradores ou residentes ou sequer uma informação pública e local sobre a data a partir da qual entrariam em funcionamento os parquímetros - embora este entrar em funcionamento seja relativo porque mesmo novos limitam-se nalguns casos a caçar moedas sem fornecer o impresso comprovativo. Se há empresa municipal cujo funcionamento devia ser repensado de cima a baixo, e cujos regulamentos deviam ser redefinidos, é esta  EMEL. Deixo aqui um apelo à Assembleia Municipal para rever e pôr na ordem os procedimentos e abusos de poder da EMEL, já que os vereadores e o Presidente não dão mostras de se interessarem por este assunto.

 

SEMANADA -  Sondagens desta semana apontam para uma abstenção da ordem dos 60% e para um empate técnico entre PS e coligação PSD/PP; Edite Estrela, que recebeu este ano o prémio  MEP Awards, em Bruxelas, por ter sido considerada a melhor deputada europeia nos assuntos sociais e emprego, não faz parte da lista que o PS apresenta às próximas eleições europeias; o slogan do PS para as eleições europeias é “Mudança!”;  o Conselho de Ministros debateu na semana passada os novos cortes, entre 1,5 e 1,7 mil milhões de euros; um dia depois do Conselho de Ministros Marques Mendes anunciou, no seu comentário semanal na SIC, cortes no mesmo valor; o primeiro ministro disse segunda-feira que o pacote das novas medidas de austeridade que inclui cortes entre 1500 e 1700 milhões de euros vai ser conhecido em Abril, quando for apresentado o Documento de Estratégia Orçamental; apesar de tudo isto o líder parlamentar do PSD garantiu terça-feira que não surgiriam mais cortes;  cerca de 55% dos jovens portugueses entre os 18 e 29 anos  não têm meios para garantir a sua independência e continuam a viver em casa dos pais;  1532 familias pediram á EPAL a tarifa social da água; universidades e politécnicos já fecharam 150 cursos este ano lectivo; metade dos alunos do 3º ciclo já pensaram em emigrar; risco de insucesso escolar afecta 23,8% dos alunos do primeiro ciclo; os automóveis do sorteio do fisco vão custar 1,55 milhões de euros aos contribuintes; metade da frota automóvel da PSP e GNR tem mais de 10 anos; cada um dos carros sorteados pelo fisco irá significar em custos de circulação e manutenção cerca de 350 euros por mês a quem fôr premiado e utilizar o veículo em deslocações normais.

 

ARCO DA VELHA - Nos dois primeiros meses deste ano a despesa com juros e outros encargos do Estado disparou 47,7% em comparação com o mesmo período do ano passado, e desde o início do ano os contribuintes pagaram 13,1 milhões de euros por dia para esses juros e pagaram 39,1 milhões de euros por dia em IRS.

 

FOLHEAR - Os numerosos exemplares da edição de Abril da revista “Monocle” que são  distribuídos em Portugal ostentam na capa um autocolante amarelo que diz “Portugal, the nation that dresses the world”, um chamariz para um artigo no seu interior sobre a excelência dos têxteis portugueses que, ainda na primeira página, têm direito a uma chamada: “Tchau China: How Made In Portugal Is Going Premium”, e isto a respeito de um artigo onde se relata como algumas das melhores marcas de roupa estão a escolher fabricar em Portugal pelo cuidado colocado no fabrico e  pela qualidade da confecção. Esta edição tem precisamente por tema a roupa e os acessórios, desde quem os desenha a quem os fabrica e vende. Numa secção desta edição dedicada a exemplos de boa governação surge em destaque o Presidenet da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira - e  conhecendo eu a revista desde praticamente o princípio quer-me parecer que este é o primeiro português em cargos políticos a aparecer com este destaque. Quem aparece também em destaque é a fábrica têxtil Somelos de Guimarães e referências à qualidade do mobiliário e da cerâmica portuguesa.

Outros temas: uma bela reportagem sobre a renovação da histórica cidade chinesa de Xi’an, antiga capital imperial, a selecção de lojas exemplares dos quatro cantos do mundo, o guia de moda (que inclui os sapatos de camurça Green Boots produzidos em Leiria), um guia de produtos (que inclui o creme Benamor), uma destaque sobre o kit de sobrevivência da editora lisboeta Serrote e um guia de locais e urbanizações que vão dar que falar, de Londres a Porto Rico, passando por Berlim. Finalmente, para quem gosta de comunicação, recomenda-se o artigo sobre o talk show “Skavlan”, que faz êxito nos países escandinavos. Uma edição a não perder.

 

VER - Ana Vidigal tem vindo a desenvolver desde a sua exposição retrospectiva “Menina Limpa, Menina Suja”, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em 2010, uma série de pesquisas e ensaios, sempre muito pessoais, onde aqui e ali se sentia a procura de novos rumos. A sua nova exposição, inaugurada esta semana na Galeria Baginski mostra como ela conseguiu encontrar um novo caminho que lhe possibilitou um passo em frente. “Em Primeiro Lugar O Fim”, assim se chama a exposição, reúne 15 novos trabalhos que evidenciam novas formas de ver e de mostrar - não é uma ruptura com o passado, mas é uma mudança de tempo, no sentido em que a obra, agora, se projecta mais no presente e no futuro sem renegar o que ficou para trás. Há elementos de continuidade em algumas peças, mas existe, na maioria, um sentido de descoberta que Ana Vidigal consegue partilhar - e esse é o maior encanto desta nova série de obras. A exposição vai estar até 24 de Maio na Baginski, Rua Capitão Leitão 51-53, ao Beato. A inauguração foi uma festa, com uma animação que vai sendo rara hoje em dia - uma alegria de mostrar o que se faz, que contrasta saudavelmente com o cerimonioso enfado institucional de tantos outros locais.

 

OUVIR - Há uns anos a prestigiada etiqueta discográfica Deustche Grammophon começou a fazer um reposicionamento em termos de novas edições, procurando alargar o leque do seu catálogo para passar a incluir outros géneros musicais, alguns mais populares, outros de inspiração etnográfica, e outros de fusão. Entre os novos intérpretes cedo se destacou o guitarrista montenegrino Milos Karadaglic, com os seus dois primeiros discos, “Mediterraneo” de 2011 e “Latino” de 2012, exemplos do seu virtuosismo. Neste seu terceiro álbum, “Aranjuez”, gravado com a London Philarmonic Orchestra dirigida por Yannick Nézet-Séguin, o guitarrista executa uma versão do “Concierto de Aranjuez” de Joaquim Rodrigo que é um exemplo de equilíbrio entre a orquestra e o solista. Mas é sobretudo em “Fantasia Para Un Gentilhombre”, também de Joaquin Rodrigo, que se evidencia aquilo que é a maior característica deste CD - a prova da capacidade de interpretação e da subtileza de Milos Karadaglic e da sua guitarra.

 

PROVAR - Há restaurantes que têm uma vida dupla. Outros, como este, têm uma vida tripla: almoços económicos, petiscos e wine bar de fim de tarde, jantares e por vezes fados lá mais para a noite, às terças-feiras. O local existe desde Novembro do ano passado, chama-se “Taberna Saudade” e tem, por fora e por dentro, uma decoração que dá gosto. No exterior chamarizes do tempo antigo, mas actuais; no interior uma guitarra portuguesa e uma viola dominam uma parede, junto a uma fotografia de Alfredo Marceneiro. Uma dúzia de pequenas mesas confortáveis e um bar de passagem completam o local. Ao almoço há pratos do dia - coube-me um caril de lulas e um entrecosto no forno com grelos, ambos sem direito a reparos. Noutros dias pode encontrar iscas com elas, rojões com migas de batata e lombarda salteada, frango de cabidela ou arroz de polvo, por exemplo. A página do Facebook vai colocando a ementa diária. Nos petiscos há preciosidades como esse raro enchido que é a cacholeira e alguns queijos seleccionados. Tudo foi acompanhado por um tinto Monte das Cascas, que se portou muito bem - e a conta foi módica. Para quem queira há cerveja artesanal Sovina e Ginjinha Saudade para rematar. A “Taberna Saudade” fica perto da Pampulha, na Rua Presidente Arriaga 69 e tem o telefone 213 950 730.

 

DIXIT - “Eu não vinha preparado para isto” - José Sócrates em resposta às questões colocadas por José Rodrigues dos Santos

 

GOSTO - Da campanha “recuperar a esperança”, do BES

 

NÃO GOSTO -  O risco de pobreza atinge quase dois milhões de portugueses

 

BACK TO BASICS - Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta - John Galbraith

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publicado às 13:56

TEMA - Quanto mais o sol brilha, mais me parece que este país precisa de uma primavera política. Olho à volta, vejo os deputados comentadores dos canais de televisão e confirmo que os nossos políticos são invernais, quanto muito outonais, mas sempre cinzentos, tristes e com uma previsibilidade de ideias assustadora. Levam-se demasiado a sério, interpretam muito, analisam imenso, alguns reproduzem o que lhes dizem, há quem apenas diga o que outros querem ouvir. Falam para o umbigo dos partidos. Não admira que os programas  de debate sobre futebol tenham maior audiência nos canais de informação que os debates entre políticos - são mais bem humorados, fazem poucas promessas e são bem mais sinceros. O actual Governo cumpriu os seus primeiros mil dias de existência e, para mim, o seu pecado capital é ter-se esquecido que a parte mais importante da governação é convencer as pessoas, procurar ganhar o seu apoio, explicar o que se faz e o que nos espera à frente. Não há política possível sem ter em conta as pessoas e lembrarem-se apenas delas nos momentos eleitorais tem levado o país ao estado em que está. Em vez de programas fazem-se promessas; em vez de estratégias fazem-se manobras tácticas; em vez de reformas fazem-se manobras. Portugal vive em ciclos, é um país bipolar inconstante, e acaba sempre por penalizar quem não deve, deixando impune quem  merecia castigo.

 

SEMANADA - Em 2012 o tempo médio para resolver uma acção em tribunal foi de 860 dias ou 2,3 anos em 2012; os tribunais portugueses levam em média dois anos para decretar uma insolvência; os tribunais custam 45 euros por ano a cada português; após três horas de reunião soube-se que  o estado da nação é uma divergência insanável; 48% dos portugueses manifestam-se a favor de maior transparência na vida política; um relatório da OCDE diz que 15% dos jovens portugueses entre os 15 e 24 anos não tem qualquer ocupação; o mesmo relatório diz que seis em cada dez desempregados não recebem subsídio e 49% dos 850 mil desempregados estão sem trabalho há mais de um ano; 36% dos espanhóis confiam no Governo do seu país e em Portugal o número é de 26%, o segundo mais baixo da Europa; a despesa em saúde publica per capita em Portugal é a segunda mais baixa da Europa; mais de 60% das obras públicas derrapam nos prazos; em 2012 o procedimento adoptado em 96,2% de todos os contratos públicos foi o ajuste directo; o Presidente da República marcou as eleições para o Parlamento Eurtopeu para 25 de Maio, apelou à participação dos eleitores e recomendou contenção aos partidos; António Costa recomendou ao Governo que deixe em paz o lixo de Lisboa; existem cerca de três mil ninhos de cegonhas em torres de distribuição eléctrica.

 

ARCO DA VELHA - Retrato instantâneo da crise da imprensa: três quartos dos portugueses têm acesso a canais de cabo e quase 30% dos espectadores preferem-nos -  mas grande parte da imprensa ainda só dá informação regular sobre a programação dos canais generalistas.

 

FOLHEAR - Habituei-me a ver em José Manuel Felix Ribeiro um dos poucos economistas que, além de fazer o diagnóstico da situações, elenca estratégias possíveis e propõe soluções concretas. Isso distingue-o dos econo-políticos que desgraçadamente povoam o arco da governação. O seu novo livro, “Portugal - A Economia de Uma Nação Rebelde” é um belo guia de ideias para estes tempos que atravessamos - “findos os primeiros quarenta anos do regime democrático, está na altura de definir um novo conjunto de escolhas fundadoras para as próximas décadas”, como diz o autor nesta sua obra que, salvaguardadas a distância e o contexto, bem podia ser encarada como uma espécie de “Portugal E O Futuro” contemporâneo. “Portugal - e o espaço lusófono - só sobreviverão com relevância mundial num quadro da  globalização, naturalmente organizado em torno dos oceanos. E por isso é que Portugal e o espaço lusófono têm como aliados naturais o espaço anglo-saxónico (e os Estados que com ele se articulam)” - sublinha Felix Ribeiro, para depois afirmar: “A proposta de uma parceria transatlântica de comércio e investimento proposta pela Administração dos EUA é o futuro que nos interessa explorar. Do mesmo modo que são as relações históricas múltiplas com Estados da Ásia que constituem o elemento mais diferenciador de Portugal no contexto europeu - relações históricas com a Índia, o Japão, a China e a Malásia”. O livro analisa e elenca sectores, traça prioridades e culmina com a proposta de um novo mapa de alianças para crescer na globalização. São ideias e propostas invulgares, algumas polémicas, outras de uma desarmante evidência. Mas merecem ser conhecidas e debatidas, em vez das estéreis discussões de conveniência que por aí abundam. Aqui está boa matéria de discussão nas europeias.

 

VER - Vai-se a um dos bons Hotéis de Lisboa, o Tivoli, e entra-se no seu restaurante do piso de entrada, a Brasserie Flo, cujas janelas dão sobre a Avenida da Liberdade - e onde se podem degustar das melhores ostras de Lisboa e um bife tártaro exemplar. Agora este espaço do Tivoli passou a apresentar regularmente obras de arte contemporânea. A estreia coube a Inez Teixeira com a exposição de pintura e desenho “O Jogo das Nuvens”, que estará exposta no restaurante até 15 de Junho. Depois seguir-se-ão fotografias de Pauliana Valente Pimentel. A exposição compreende 3 impressões digitais sobre tela a partir de desenhos e dois originais, de acrílico cobre tela. A paisagem volta a ser o tema dominante nestes desenhos e pintura que mostram mais uma vez como o olhar meticuloso de Inez Teixeira interpreta o mundo à sua volta.

 

OUVIR - Anne Clark toca 13 diferentes instrumentos mas é na guitarra eléctrica que verdadeiramente ela dá cartas e mostra um talento, discreto, mas constante. A forma como canta também contribui para a sonoridade que é a sua imagem de marca. Este seu quinto disco, “St. Vincent” é porventura aquele onde ela consegue mostrar de forma mais saliente a progressão na composição e interpretação das suas canções, em simultâneo com a consolidação de um estilo próprio. A sua imagem ficou marcada pelas colaborações com David Byrne em 2012, que lhe deram notoriedade mas puseram à sombra da fama alheia. Neste novo disco ela sai da sombra e afirma-se, logo desde a faixa de abertura, “Ratllesnake”, marcada pela electrónica, até ao humor cáustico da letra de “Digital Witness” ou da deliciosa balada com que finaliza o disco, “Severed Crossed Fingers”. É justo destacar ainda a forma como ela toca guitarra em “Birth In Reverse”, o esplendor de “i Prefer Your Love” ou os desafios de “Prince Johnny”. 40 minutos de grandes canções.

 

PROVAR - Até aqui o Largo da Anunciada, em Lisboa era conhecido por duas coisas: ficava perto desse clássico que é o “Solar dos Presuntos” e da Ervanária da Anunciada, casa de pergaminhos em produtos naturais. Agora adiciona-se à lista de pontos de interesse do local a “Champanheria do Largo”, um misto de wine bar com restaurante, onde petiscos se conjugam com ampla selecção de champagnes e espumantes e uma curta mas bem escolhida lista de vinhos. Muita desta existência está disponível a copo. Existe ainda a changria que como o nome indica é uma sangria de champagne e uma champirinha que por estas horas já adivinharam o que é. A lista de petiscos é extensa e variada, a decoração é contemporânea e confortável, existe uma pequena esplanada, o serviço é atento.  A Champanheria é dos mesmos proprietários do Avenue, que fica do outro lado da Avenida da Liberdade, quase em frente. A clientela tem estrangeiros encaminhados dos hotéis que são próximos, mas pode também ter figuras como o Chef Rui Paula, do DOC e do DOP, recentemente a ganhar fama de júri televisivo - a bem dos seus restaurantes espero que a prestação televisiva não o faça descurar aquilo que lhe deu notoriedade.

Uma recente visita permitiu provar, com agrado, uns peixinhos da horta de fritura impecável e de tempero aromático inesperado, vieiras frescas na chapa, mini hamburgueres de pato acompanhados de batata doce frtta às rodelas finíssimas, uns muito bem apanhados croquetes de ostra e, a rematar, uma sopa de frutos vermelhos com papos de anjo. A petisquice foi acompanhada pelo transmontano Vértice, o nosso espumante que não se apaga ao lado de muitos champagnes. Largo da Anunciada 20, telefone 213 470 392, encerra às segundas, aberto entre as 12 e as 24.

 

DIXIT - “A primeira qualidade que por aí acham que um Primeiro Ministro deve ter não é a lucidez. Nunca dizem: "Vou dar o máximo para manter a capacidade de lucidez." Em vez disso, a primeira frase que se ouve sobre os nossos últimos PM's é: "Vejam a coragem das medidas que está a tomar" - José Medeiros Ferreira em entrevista ao Negócios em 2012.

 

GOSTO - “Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável” - frase final do livro “O Segredo do Hidroavião”, de Fernando Sobral

 

NÃO GOSTO - Em 15 hospitais portugueses há falta de anestesistas.

 

BACK TO BASICS - O talento acerta num alvo onde mais ninguém consegue acertar, mas o génio atinge um alvo que ninguém conseguia ver  - Arthur Schopenhauer

 

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publicado às 14:08

SINAIS - As primeiras páginas dos jornais desta semana oscilaram entre as imagens de um cabo da GNR, inicialmente fardado a preceito, a fazer strip tease numa ladies night de uma discoteca de Oliveira de Azeméis, uma foto de Maria e Aníbal Cavaco Silva de pacote Cerelac na mão depois de o Presidente da República ter garantido que a austeridade era para ficar, e as variadas notícias e consequências de um manifesto a favor da reestruturação da dívida, que já provocou baixas entre os consultores do Presidente da República que acharam por bem subscrevê-lo.  O dia a dia do país assemelha-se a um reality show - as semanas ficam marcadas por imagens ridículas e actos manhosos. Sucedem-se os escândalos, as prescrições de justiça, ouvem-se os mesmos de sempre a dizerem a mesma coisa, num ensaio geral de palavreado para umas eleições europeias que suscitam desinteresse e bocejos generalizados. De dentro dos partidos que apresentam candidatos surgem vozes clamando contra a má qualidade das respectivas listas e o tema mais quente do momento continua a ser debater quem irá a votos nas próximas eleições presidenciais. Se um marciano aqui passasse diria que Portugal está virado do avesso. Muito provavelmente é isso mesmo que acontece.

 

SEMANADA - Cavaco Silva começou a semana a fazer futurologia sobre os próximos 20 anos e, contra os objectivos que o próprio anunciou, criou uma tempestade em vez de promover consenso; em resposta 70 pessoas, de quadrantes bem diversos, pediram para se equacionar uma reestruturação da dívida, num movimento de diálogo bem maior que qualquer iniciativa presidencial; Morais Sarmento criticou o desempenho  de Cavaco enquanto Presidente da República; Santana Lopes disse que Cavaco Silva manifesta falta de força política; Mário Soares recebeu o prémio “personalidade do ano da imprensa estrangeira” e, na cerimónia, foi notada a presença de José Sócrates e a ausência de António José Seguro; José Sócrates anunciou que irá colaborar na campanha eleitoral do PS para as europeias; em contraponto Paulo Rangel invocou os 101 dálmatas na apresentação do seu manifesto eleitoral para as europeias; os directores de informação das três estações de televisão generalistas anunciaram que consideram “abdicar novamente de fazer a cobertura das campanhas eleitorais ou realizar debates entre os candidatos” porque o novo projecto de Lei no parlamento restringe e condiciona a liberdade editorial; no último ano os bancos cortaram 35% do crédito a empresas; em Portugal o PIB está a níveis de 2000 e o emprego já recuou até aos níveis de 1996; desde que a troika chegou desapareceram 328 mil postos de trabalho; o desemprego estrutural atinge 630 mil pessoas; a DECO recebeu meio milhão de reclamações de consumidores em 2013, mais 15% que no ano anterior.

 

ARCO DA VELHA - A Câmara Municipal da Guarda tornou-se a campeã nacional da piratagem informática ao utilizar nos seus serviços programas de computador não autorizados, o que levou a Microsoft a reclamar 336 mil euros de compensação por uso ilegal do seu software.

 

FOLHEAR - Nos últimos meses a revista “Wallpaper” parece ter ganho uma nova vida: temas mais interessantes com uma produção mais cuidada e uma direcção editorial mais atenta. Fazendo do design e da arquitectura os seus dois principais focos de interesse, a revista persegue tendências e mostra novos caminhos. Esta é uma revista luxuosa que gosta de falar - e de mostrar - o luxo. Na edição de Março um dos destaques vai para a nova sede da marca de jeans G Star Raw, em Amsterdão, um projecto do atelier OMA de Rem Koolhas. Situado numa das principais auto-estradas de acesso a Amsterdão, o edifício foi desenhado como um espaço multifuncional e o método utilizado pelo arquitecto para definir as traves mestras do projecto é explicado com algum detalhe. Outro artigo muito interessante dedica-se a mostrar exemplos de pequenas editoras de livros que vivem no meio de tiragens limitadas na Austrália, em França, Alemanha ou Estados Unidos, por exemplo. Colónia é a cidade em destaque, com uma reportagem que detalha o trabalho de designers, artesãos , fotógrafos e desenhadores de jóias, curadores de arte, ou estilistas que marcam o seu quotidiano. Finalmente nesta edição sugiro uma boa leitura para muitos responsáveis de edifícios com valor patrimonial e actividade cultural - a história de como Gwin Miles conseguiu inverter o ciclo de decadência da Somerset House de Londres, com muito pouco orçamento e bastantes boas ideias.

 

VER - Desde o passado fim de semana a Pousada da Cidadela de Cascais, do Grupo Pestana, passou a acolher, de forma permanente, galerias de arte, lojas de marca, e ateliers de seis artistas. Dentro da Pousada, agora designada por “Cidadela Historic Hotel & Art District”, seis quartos tiveram intervenções destes artistas e ao longo dos espaços comuns existem também obras de arte de outros autores. Um Art Concierge está disponível para enquadrar os visitantes nas obras apresentadas e no projecto. O trabalho de recuperação do antigo forte da Cidadela em Pousada é notável e esta ideia de incorporar a criação e divulgação artística neste espaço é um bom exemplo do que se pode fazer quando há vontade e criatividade. Nas áreas dedicadas às galerias e marcas estão nomes como a histórica, mas inovadora Viarco, a Magnetica Magazine a livraria Espaço Branco, e galerias como a Raw Art, a Cinco e a Allarts. Os artistas que estão nos open studios, que podem ser sempre visitados, são Duarte Amaral Netto, Paulo Arraiano, Bruno Pereira, Pedro Matos, Susana Anágua e Paulo Brighenti.

 

OUVIR - Um título malandro - “A Bunch Of Meninos”,  uma guitarra que logo nos primeiros acordes do disco dá um ar gingão, um disco que é um manifesto de inquietude, uma guitarra e um baixo que falam um com o outro como se vivessem em permanente romance - é isto o novo trabalho dos Dead Combo, o duo de Pedro Gonçalves e Tó Trips que há uma década cometem repetidamente a heresia de fazerem discos predominantemente instrumentais. Há muito que gosto deste estilo, aqui reforçado com  as colaborações cruzadas com o percussionista António Serginho e o baterista Alexandre Frazão, que aparecem pontualmente nalguns dos 13 temas. Os meus preferidos são “Waiting For Nick At Rick’s Cafe”, “Povo Que Cais Descalço”, “Zoe Llorando”, “B.Leza”, “A Bunch Of Meninos”, “Welcome Simone” e “Mr. Snowden’s Dream”. Os títulos das canções são, já se vê, são um episódio. As fotografias que visualizam o ambiente do disco são de Pauliana Valente Pimentel, um dos nomes promissores da fotografia portuguesa. E evitem por favor a tentação de dizer que Tó Trips evoca o fado com a sua guitarra. Isto é outra coisa.

 

PROVAR - Um dos meus petiscos favoritos é pregado frito acompanhado de açorda. Um dos locais onde a escolha é certeira é o restaurante Mar do Inferno, em Cascais, mesmo ao lado da Boca do Inferno. Numa recente visita provou-se o pregado frito e também uns crepes de lagosta panados, que satisfizeram. Situado em cima do mar, e ao contrário de outros restaurantes desta zona, o local é despretencioso, a matéria prima marítima é de primeira qualidade, o serviço é simpático e a casa é honesta nos preços e na confecção. A lista de vinhos é equilibrada. Apesar da dimensão sente-se a gestão familiar de Lurdes Tirano e dos seus filhos, nesta casa que leva já três décadas de vida. Encerra às quartas-feiras, fica na Avenida Rei D. Humberto e o telefone é 214 832 218.

 

DIXIT - "O primeiro-ministro diz que (o Manifesto dos 70) morreu à nascença, mas como eu sou cristão acredito na ressurreição"  - Bagão Félix

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GOSTO - Das criações de Filipe Faísca na recente Moda Lisboa, a confirmar que ele é dos valores mais sólidos entre os estilistas portugueses.

 

NÃO GOSTO - Da lentidão da justiça que numa só semana permitiu prescrições em dois casos ligados à Banca.

 

BACK TO BASICS - O Universo é feito de mudança e a nossa vida é aquilo que os nossos pensamentos forem capazes de fazer dela - Marcus Aurelius Antoninus

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publicado às 15:53

TRUQUE - Um bom exemplo do que são as novas formas de fazer publicidade aconteceu na noite dos Oscares - o momento em que a apresentadora Ellen deGeneres promoveu uma selfie (fotografia tirada a si própria), que correu mundo e foi um fenómeno impressionante de partilha nas redes sociais. A história que apareceu no dia a seguir é curiosa: durante toda a emissão da entrega dos Oscares, Ellen deGeneres brincou com um telemóvel Samsung Galaxy Note branco que tinha na mão - e foi esse aparelho que ela passou ao actor Bradley Cooper para ele fazer a selfie que correu mundo, ao lado de estrelas como Brad Pitt, Meryl Streep, Kevin Spacey e Jennier Lawrence, para além da própria deGeneres, à sua volta . O momento da selfie foi filmado e emitido na transmissão televisiva e lá está bem visível o logo da Samsung. Acontece que a Samsung investiu cerca de 20 milhões de dolares em spots que passaram nos intervalos da transmissão da entrega dos Oscares deste ano e a presença em palco do Galaxy fazia parte do pacote negociado. Mas a marca não se ficou por aí e preparou a sua presença em ecrã, desde pessoas que o usavam na passadeira vermelha a fazer fotografias e a filmar, até ao momento da selfie. Segundo o “Wall Street Journal” a selfie terá sido ideia de Ellen deGeneres, mas a cadeia ABC, detentora dos diretos da transmissão e comercialização da publicidade, sugeriu que ela o fizesse com um Samsung Galaxy Note, e responsáveis da Samsung estiveram nos ensaios e ensinar Ellen deGeneres a familizar-se com o aparelho para que na altura certa o pudesse utilziar de forma bem visível. Na realidade o selfie não foi uma coisa espontânea, foi um product placement bem pensado e trabalhado que deu um enorme retorno à marca coreana. A foto foi retweetada quase três milhões de vezes na segunda feira à tarde e a Samsung chegou a ser mencionada 900 vezes por minuto nas redes sociais durante esse espaço de tempo. É impossível quantificar o valor que isto significa - mas excede em muito aquilo que foi pago pelos spots exibidos nos intervalos da emissão.




SEMANADA - Existem 36 câmaras municipais em risco de falir pela segunda vez, mesmo depois dos mil milhões de euros do programa de apoio à economia local, desenhado pelo Governo para ajudar os municípios a pagar dívidas aos fornecedores; por causa do mau tempo alguns municípios adiaram os corsos de carnaval para depois da quaresma, para domingo que vem; “as coisas estão feitas, só não as ouve quem não quer” - disse Fernando Tordo, sobre a falta de audiência para as suas obras gravadas, na mesma entrevista em que afirmou que receber o emblema de 75 anos de sócio do Benfica é um dos seus projectos de vida; a PSP admitiu que o consumo de álcool por agentes durante a anterior manifestação de polícias foi a principal causa dos problemas ocorridos frente à Assembleia da República;  no início desta semana, o Ministro da Administração Interna terá perguntado ao director nacional da PSP se a polícia tinha agora condições para evitar incidentes semelhantes aos da última manifestação; em Portugal, em 206, seremos apenas sete milhões de pessoas se a evolução demográfica continuar ao ritmo actual; as vendas de automóveis aumentaram 44,3% em Fevereiro; este Governo criou 208 grupos de trabalho em dois anos e meio e, desses,  há 58 grupos que não divulgaram relatórios.

 

ARCO DA VELHA - As empresas cotadas na bolsa com ligações a ex-governantes e dirigentes partdiários têm quase o triplo do volume de negócios das restantes e 47% dos políticos que integram orgãos sociais das empresas cotadas passaram por um Governo.

 

FOLHEAR - A edição de Março da revista “Monocle” é dedicada à Itália e um dos artigos mais engraçados mostra-nos cinco pessoas que  estão a provocar mudanças importantes - desde um banqueiro que criou um funbdo de auxílio a pequenos negócios, até à mulher que saíu do Banco de Itália para dirigir a RAI e provocar uma revolução no operador de serviço público de televisão, passando por novos talentos na área do design e até política e que estão alterar os padrões existentes. Mas este artigo é apenas o cartão de visita e o aperitivo de uma edição que percorre algumas cidades italianas, os artesãos de Nápoles, que indica dez áreas de excelência nas quais a Itália contínua a ser líder, passando por exemplos a seguir na indústria, nos media e na cultura - e na área dos media o destaque vai para esse fenómeno que é a Gazzetta dello Sport, o jornal italiano mais lido - que na opinião de Andrea Monti, o seu Director, é não apenas um jornal mas uma organização noticiosa multi plataforma. Claro que não faltam referências a algumas das grandes marcas italianas, assim como se recomendam percursos de viagens, restaurantes e lojas diversas. Se planeia ir em breve a Itália, vale bem a pena ler esta edição antes, para fugir ao óbvio e procurar o que pode ser mais interessante.

 

VER - No espaço BES Arte & Finança, no Marquês do Pombal, até 15 de Abril, vale a pena visitar a exposição “Amar as Diferenças”, de Michelangelo Pistoletto e Marco Martins. Com curadoria do Centro de Criação de Teatro e Artes de Rua, a exposiçãoé fruto de uma parceria entre o cineasta Marco Martins e o artista Michelangelo Pistolette. Esta é a primeira apresentação deste projecto multidisciplinar, na realidade uma instalação entre o cinema e as artes plásticas.  São apresentadas obras de Michelangelo Pistoletto exibidas em diversos museus internacionais e, em simultâneo, é projectado ininterruptamente o filme criado por Marco Martins que já esteve em exibição no Museu do Louvre, DOC Lisboa, Festival Internacional de Cinema de Roma e a Arte Fiera, de Bolonha. Poder ver em Lisboa obras de Pistoletto, ainda por cima num contexto de cruzamento com o trabalho de um cineasta português, é um momento raro, que infelizmente tem passado algo despercebido. A exposição, que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, estará patente ao público de segunda a sexta, das 9h às 19h, até ao dia 15 de abril.

 

OUVIR - A Deutsche Grammophon resolveu juntar numa só edição, em duplo CD, as gravações feitas, em diversos momentos, por Lang Lang, um dos mais aclamados pianistas contemporâneos, das obras de Sergei Rahmaninov, um expoente do romantismo russo. Este duplo CD reúne edições originais de 2005 da própria Deutsche Grammophon e de 2001, da Telarc,. No primeiro disco, da DG, estão o Concerto para piano nº2, a célebre Rapsódia Paganini (gravada ao vivo em 2004 com a orquestra do Mariinsky Theatre dirigida por Valery Gergiev), e a terminar  o “Trio Élégiaque” em que Lang Lang é acompanhado por Vadim Repin no violino e por Mischa Meisky no violoncelo. O Concerto para piano nº3 e a Sonata para piano nº2, estes últimos que integravam a gravação da Telarc, foram gravados ao vivo respectivamente no Royal Albert Hall e no Seijio Ozawa Hall. Todas estas gravações, aqui reunidas pela primeira vez na mesma edição, são uma prova do virtuosismo e da capacidade de interpretação de Lang Lang.

 

PROVAR - Vão proliferando as cervejas artesanais, sobretudo oriundas do norte de Portugal. Depois da estimada cerveja Sovina, já aqui comentada há uns meses, surgiu mais recentemente, no Minho, a “letra” (www.cervejaletra.pt) . O nome vem do facto de as diversas variedade serem identificadas por uma letra: a A é uma Weiss, de maltes de trigo e cevada, a B é uma Pilsner, de Cevada; a C é a Stout, de maltes de cevada, trigo e chocolate torrado e a D é uma Red Ale, à base de Cevada e Cristal. Provei a A e a B, ambas aromáticas, de sabor cheio e envolvente. Prefiro a Pilsner, mais leve, mas igualmente saborosa e intensa. Os métodos de fabrico são artesanais, os ingredientes são 100% naturais.

 

DIXIT - “Como na salada dos pais do imortal Basílio, o acordo foi mexido por uns cegos e temperado por uns loucos” - Vasco Graça Moura, a propósito do acordo ortográfico.

 

GOSTO - A previsão meteorológica aponta para temperaturas de 20º no fim de semana.

 

NÃO GOSTO - Uma em cada três mulheres da União Europeia é vítima de violência.

 

BACK TO BASICS - Há quem diga que o tempo muda as coisas, mas a verdade é que somos nós que temos que provocar essas mudanças - Andy Warhol

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