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TRISTEZA - Sobre a actualidade política digo apena isto: a disputa pela liderança do PS é um bom case study do que afasta as pessoas da política: barões e figurões que incentivam revisões apressadas dos estatutos, velhos do restelo que se juntam para esquecer o presente e fazer do futuro um regresso ao passado, uma actividade de permanente agressão nas redes sociais - tudo isto mostra o pior do sistema partidário que temos. Como escreveu no “Observador” Manuel Villaverde Cabral, “o caldo está a entornar-se”.

 

SEMANADA - Na noite de São João, no Porto, registaram-se  três esfaqueamentos e quatro agressões a polícias; na reunião da Comissão Nacional do PS, em Ermesinde,  registaram-se altercações, insultos e desacatos entre apoiantes de Costa e de Seguro; cada rapaz internado em 2013 em centros educativos - as “prisões” para jovens entre os 12 e 16 anos - cometeu em média nove crimes, enquanto as raparigas nas mesmas circunstâncias praticaram sete; a cobrança de mais impostos foi a responsável por 60% da redução do défice; quase metade do aumento de 477 milhões de euros da receita fiscal foi para pagar juros da dívida;  o número de devedores fiscais aumentou 22%; os processos parados nos centros de arbitragem subiram 21% em três anos; há mais de 265 escolas do 1º ciclo em risco de encerrar por falta de alunos; os chineses foram a comunidade estrangeira que mais cresceu em Portugal em 2013, com um aumento de 6,8%, para um total de 18 637 imigrantes; Portugal tem a segunda taxa mais alta da União Europeia em contratos a prazo involuntários; estudos da Markteste indicam que 85% dos portugueses têm contacto regular com jornais e revistas e que ao longo do mês de Maio 5,5 milhões de portugueses navegaram na internet a partir de computadores pessoais e cada utilizador esteve ligado uma média mensal de 23 horas e 19m minutos; num almoço público, em Lisboa, Rui Rio remeteu para o Destino a hipótese de ser Primeiro Ministro; Tony de Matos cantava, em 1970 a canção “O Destino Marca a Hora”, no filme do mesmo nome.

 

ARCO DA VELHA - Os comboios do Metro de Lisboa estão desde 2010 sem um dos sistemas de extinção de incêndios e os travões de emergência estão desactivados em toda a frota há dois anos  - a Procuradoria Geral da República admitiu estar a investigar falhas de segurança naquele meio de transporte.

 

FOLHEAR - Ivan Carvalho é um luso-descendente nascido nos Estados Unidos, correspondente da “Monocle”, sediado em Milão, e que nos últimos tempos tem sido o autor de uma série de artigos que a revista tem publicado sobre Portugal. A edição especial de Julho/Agosto da “Monocle”, agora distribuída, vem cheia de referências ao nosso país, a começar por um belo portfolio fotográfico de Cascais (com chamada de capa), acompanhado por um texto de Ivan Carvalho que percorre a influência do mar, mas também da gastronomia e das actividades culturais, seja na casa das Histórias Paula Rego ou as galerias e ateliers de artistas na Pousada da Cidadela. Pelo meio ficam os gelados Santini, relatos de estrangeiros que escolheram Cascais para viver e, sempre, a atracção do oceano. Mas a “Monocle” foi também ao Porto (com um guia de compras no Mercado do Bolhão), fala do surf na Ericeira, enaltece em Lisboa a recuperação do rio que a cidade começou a fazer há uns anos atrás, antes de Costa, elogia os desenhos dos passeios tradicionais que o actual executivo camarário pretende extinguir, chama a atenção para as debilidades na reabilitação, mostra o Bar Oslo no Cais do Sodré, sugere os quiosques recuperados onde se bebem refrescos e se petisca. Na habitual lista das melhores 25 cidades para viver que a “Monocle” publica nesta altura do ano, Lisboa volta a entrar na 22ªa posição, após uma ausência de dois anos,  atrás de Barcelona e à frente de Oslo. A melhor cidade, diz a “Monocle” é Copenhaga. Destaco ainda  os dez ensaios que são o prato de substância desta edição, muito focados na boa utilização das cidades. Finalmente artigos a ler sobre bosn exemplos de  imprensa local e sobre a recuperação de velhas salas de cinema como espaço de convívio de cinéfilos.

 

VER -  António Pinto Ribeiro é o criador e programador do  “Próximo Futuro”, uma iniciativa tão inovadora e disruptiva que nem parece saída das teias de aranha, tradicionais ou contemporâneas, que infelizmente se tornaram a imagem de marca da acomodada Gulbenkian. Ao longo dos últimos anos o “Próximo Futuro” tem vindo a construir o cruzamento de ideias e de práticas artísticas entre Portugal e a Europa, África, América Latina e Caraíbas. Por estes dias iniciou-se o ciclo de Verão, que vai até Setembro, particularmente focado na América Latina. Para além das exposições há debates e sobretudo um jornal que sazonalmente dá conta do Programa e recolhe ideias, mostra imagens e incentiva, de facto, à leitura. Na Galeria de Exposições temporárias, de terça a domingo, infelizmente sempre apenas das 10 às 18, está a exposição que reúne obras de 21 artistas de diversos paíeses e continentes. Há no Jardim da Fundação uma peça de arquitectura criada de propósito para a ocasião, apresentada como um tótem desenvolido por Tiago Rebelo de Andrade e Diogo Ramalho, da Subvert, “que permite às pessoas experenciarem o seu interior”. De 20 a 22 de Julho decorreu a festa da literatura e do pensamento da América Latina que pretendeu debater se existe, ou não, uma identidade latino-americana. Ao mesmo tempo houve já música e cinema, que em Setembro se repetem, ao lado de teatro e de dança. Sigam o programa em www.proximofuturo.gulbenkian.pt

 

OUVIR - Tiago Bettencourt começou a sua carreira em 2003 com os Toranja e logo se fez notado. Em 2007, acompanhado pelos Mantha, fez “O Jardim”, que incluía o tema “Canção Simples”. Meia dúzia de anos e de discos depois surge “do princípio”, talvez o seu álbum mais maduro. Como sempre as canções são integralmente da sua autoria, a banda que o acompanha integra agora João Lencastre na bateria, Tiago Maia no baixo (muito bom) e Daniel Lima nos teclados. Há colaborações de Fred Ferreira, Jacques Morelenbaum e Mário Laginha, entre outros, e a produção executiva é de João Pedro Ruela. Gosto muito da maneira como Tiago Bettencourt escreve, embora por vezes o ache entre o previsível e o inconstante na interpretação. Mas neste disco há temas incontornáveis, como “Maria”, “Fúria e Paz”, um quase hino chamado “Ameaça”, o belíssimo “Sol de Março” ou um momento que evoca Jorge Palma e que é perfeitamente contemporâneo, mesmo que Tiago Bettencourt, nas entrevistas, lhe queira tirar a carga política de crítica da actualidade: “Aquilo Que Eu Não Fiz”, o grande tema deste disco, que certamente ficará entre as grandes canções portuguesas deste ano: “Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz (...) Não fui eu que gastei mais do que era para mim/ não fui eu que tirei, não fui eu que comi, não fui eu que comprei, não fui eu que escondi quando não estavam a olhar, não fui eu que fugi”. (CD Universal)

 

PROVAR - Numa boa e cúmplice surpresa descobri, a meia centena de quilómetros de Lisboa, um segredo bem escondido chamado Areias do Seixo, um hotel com uma dúzia de quartos, num local único, em cima do oceano, entre a Lourinhã e Santa Cruz, no meio das dunas, sobre uma falésia que desce para o mar. Para além do bem conseguido projecto de arquitectura, de exterior e interiores, há um cuidado com os pormenores na utilização de materiais naturais e da região e na utilização de materiais reciclados no mobiliário. O sítio combina, em doses invulgarmente certas, o rustico com o conforto e o contemporâneo. O hotel tem uma pequena área de horta e outra de estufa  onde se cultivam produtos que são servidos no restaurante - legumes, fruta, ervas a infusões, e também, noutro plano, ovos frescos. O buffet do pequeno almoço é exemplar no aproveitamento dos recursos naturais e da região, sem coisas desnecessárias e com muita atenção a proporcionar um bom começo de dia. O peixe é fresquíssimo e é porventura o maior trunfo da cozinha, privilegiando os temperos naturais e os processo culinários simples. A carne é bem cozinhada, no ponto, sem margem para dúvidas. No bar, além dos biscoitos e dos chás do lanche, há petiscos, que se repetem na carta de entradas. Pessoalmente abomino menus de degustação impostos, que é o ponto fraco da proposta do jantar onde os items infelizmente não se podem separar. Mas tirando isso, a lista tem alternativas e a coisa corre muito bem embora fosse desnecessário o encanto pela espuma servida numa sobremesa que não era mais que um chantilly disfarçado - síndrome de chef com complexo molecular, digo eu. O serviço é geralmente atento, eficaz e discreto, embora por vezes renitente a críticas na zona da restauração. Há bons vinhos da região, os inevitáveis gins da moda, mas abertura suficiente para servir um gin tónico à antiga, á moda do império britânico. Na mercearia, além das infusões, há peças artesanais, compotas, vinhos e azeites. O balanço geral é francamente positivo, pelo conforto, pela atenção, pelo descanso que é possível ter entre as areias do seixo. Reservas para 261 936 350 ou info@areiasdoseixo.com.

 

DIXIT - “Sócrates não antecipou a gravidade da crise financeira nem travou as PPP” - João Proença, membro do secretariado do PS e ex-dirigente da UGT.

 

GOSTO - Da decisão de criar a curto prazo uma Film Commission que permita captar mais produções audiovisuais internacionais para Portugal.

 

NÃO GOSTO - Do sacudir água do capote dos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol a propósito do Mundial

 

BACK TO BASICS - Os políticos são todos semelhantes em qualquer país: prometem fazer pontes onde nem sequer existe um rio - Nikita Khrushchev

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publicado às 18:44

O TRIUNFO DOS PORCOS

por falcao, em 20.06.14

Foto: O TRIUNFO DOS PORCOS em Lisboa.Imaginem isto aplicado ao país !

 

(foto Luiz Carvalho)

 

POCILGA -  António Costa iniciou a sua campanha eleitoral em Lisboa entregando a cidade aos porcos. Imagina-se o que fará se tiver o país nas mãos. Num dos únicos pronunciamentos programáticos que fez, António Costa manifestou-se a favor de uma “terceira via”, de  aposta no crescimento das receitas, como alternativa à política de cortes na despesa ou aumento dos impostos. Não explicou, no entanto, se esse crescimento de receitas se deveria aos favorecimentos, como o que concedeu ao entregar à Sonae a Avenida da Liberdade e parte do Terreiro do Paço, para pocilga, durante uma semana. Num outro momento particularmente ilustrativo da sua modernidade, Costa foi apoiado entusiasticamente por Mário Soares e por Ferro Rodrigues, que lhe irão dar testemunho de inquebrantável fé na tradição, na retórica e na falta de ideias como forma de resolver os problemas nacionais - trata-se de uma clara e disruptiva aposta na dignificação de uma nova geração de políticos que possa regenerar o país. Enquanto tudo isto se passa, o Tribunal de Contas anuncia, com a pompa e circustância que gosta de imprimir às suas rábulas, que lava as mãos, como Pilatos, das consequências dos seus actos. Por junto não quer saber dos efeitos das acções que toma, nem quer fazer ideia de como se resolvem as situações que cria. Digamos que tem uma grande convergência, neste aspecto, com António Costa: quem atrás de mim vier, que feche a porta, como outros antes fizeram. Sócrates, esse, sorri e vai deixando umas frinchas abertas por onde passa.

 

SEMANADA - Alberto Martins, dirigente socialista, diz que “o PS deve excluir o bloco central e coligar-se à esquerda se não tiver maioria” nas próximas legislativas; António Arnaut, ex-dirigente socialista teme “que o PS entre num estado de letargia”; o Teatro Capitólio, que o vereador Manuel Salgado, eleito pelo PS, garantiu desejar ter pronto em finais de 2009, continua com as obras paradas e muito atrasado; o PS considera que o resultado positivo apresentado nas contas de Rui Rio na Cãmara Municipal do Porto revela má gestão; Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que as legislativas deviam ser realizadas antes do verão de 2015; Jerónimo de Sousa foi ao Palácio de Belém pedir a demissão do Governo; Marcelo Rebelo de Sousa criticou Passos Coelho por este ter faltado ao jogo inaugural da selecção portuguesa; Merkel esteve no estádio a torcer pela Alemanha; o preço das casas em Portugal caíu 3,3% no último ano; os produtores de Sever do Vouga estão a vender os mirtilos a quatro euros o quilo, mas nas grandes superfícies são vendidos a 24 euros o quilo; o salário médio sofreu um corte de 400 euros por ano devido às alterações das leis laborais em 2012; todos os dias 341 portugueses, em média, abandonam o país; o Provedor de Justiça queixa-se de falta de meios para garantir a defesa dos direitos dos presos; dois reclusos suicidaram-se em seis dias na cadeia de Paços de Ferreira;  no ano passado registaram-se 13 suicídios nas prisões portuguesas; a PSP pediu ajuda às juntas de freguesia de Lisboa para comprar carrinhas que sirvam de esquadras móveis, depois de ter decidido fechar uma série de esquadras na cidade.

 

ARCO DA VELHA - Vários reclusos queixaram-se às Finanças do comportamento da cantina do Estabelecimento Prisional de Lisboa, que se recusa a dar-lhes factura da despesa lá efectuada. Os detidos queixosos consideram que assim ficam descriminados e prejudicados em relação ao sorteio dos Audi atribuídos pelo Fisco aos contribuintes que pedem factura identificada.

 

FOLHEAR - Existe uma lenda à volta da revista “Holiday”, nascida nos anos 40 do pós guerra. Contratava os melhores escritores  e fotógrafos e enviava-os para destinos fantásticos com contas de despesa ilimitadas. O resultado foi brilhante durante várias décadas, até meados dos anos 60, graças ao génio de um editor visionário, Ted Patrick, e de um director de arte atrevido, Frank Zachary. Pelas mãos destes dois homens passaram talentosas peças de nomes como Hemingway, Steinbeck, Kerouac ou Cartier-Bresson, Robert Capa e Edward Steichen. A Holiday era a revista do sonho, da viagem, da descoberta. Morreu quando a televisão entrou no seu domínio. A boa notícia é que agora ressurgiu, com duas edições por ano, feitas em Paris - deve ser a melhor coisa a sair da capital francesa nos últimos tempos. Neste número, que tem por tema ícones de 1969, destacam-se as canções de Gainsbourg, o Aston Martin DBS e uma interessante playlist da época assinada por Etienne Daho. E claro, há um belo portfolio sobre a história antiga da própria revista, que só por si merece a compra desta edição.

 

VER - Hoje, vai um roteiro. Começo pelo Arquivo Municipal de Fotografia, na Rua da Palma (a instituição já não se chama assim, mas o nome era apropriadamente este antes de uma reforma que lhe tirou a identidade) - ali está o núcleo central da obra de Artur Pastor (na imagem), que documentou Portugal nos anos 40 e 50. Regente Agrícola por formação, descobriu a fotografia como auxiliar do seu trabalho em 1942. Está a decorrer, até 31 de Agosto, uma exposição com a sua obra, constituída por três núcleos, apresentados em três espaços distintos da cidade: Arquivo Fotográfico da Rua da Palma, o Pavilhão preto do Museu da Cidade no Campo Grande e o espaço da loja Colorfoto na Praça de Alvalade.

Mudando de rumo sugiro que descubram uma colectiva intitulada "O Caminho Estreito Para o Sul Profundo", com trabalhos de Ana Morgadinho, Angela Dias, Pedro Calhau, Ricardo Pires, e Vasco Futscher. Finalmente, em Belém, nao Projecto Travessa da Ermida, apresenta-se um filme , “Vintage Drawings & Current Graphic Works”, de André Romão, Pedro barateiro e André Valentim. A terminar, sugiro   os novos trabalhos de Manuel João Vieira na Casa da Cerca em Almada.

 

OUVIR - Contido nas palavras, ora exuberante ora discreto nos arranjos, o brasileiro Gui  Amabis é sempre intenso. “Trabalhos Carnívoros”, o seu novo disco, lançado agora em Portugal, em simultâneo com um concerto que fará dia 8 de Julho, na Casa Independente, em Lisboa, é exemplo disso mesmo. Compositor e músico, Gui Amabis é também produtor - foi ele que trabalhou no novo disco de Rita Red Shoes, “Life Is A Second Of Love”. Regressando a “Trabalhos Carnívoros”, destaco a forma como Amabis consegue conjugar um lado electrónico, quase experimental, como no tema título “Trabalhos Carnívoros”, com a suave forma de encantar em “Um Bom Filme” e, sobretudo, em “Menino Horrível”.As palavras das suas canções - as letras como se diz - valem a pena. São declarações sintéticas, descrições de estados de espírito, como “Crespúsculo”, ou de diagnóstico irónico, como “Consulta Mental”. Gui Amabis é uma boa surpresa e este seu “Trabalhos Carnívoros” é um bom momento.

 

PROVAR - Antigamente chamava-se Masstige, hoje em dia o conceito mudou, chama-se Lateral, o espaço está semelhante mas é um pouco mais descontraído. Há imagens nas paredes que parecem saídas de um cinema antigo, a clientela tem um mix de  idades e origens bem engraçado, pelo menos ao almoço. A comida é um oásis de simplicidade, bom senso e boas matérias primas no meio de sub-chefes cada vez mais espumosos. Aqui há  petiscos como croquetes de alheira e mel, ou polvo à Galega; há saladas de frango panado com mel, ervas e parmesão; há hamburgueres variados (de 170 a 350 gramas), linguinis e crepes, bruschettas e batatas fritas sublimes, aos palitos, fininhas, estaladiças e temperadas com ervas. Como gosto de hamburgueres de boa carne, mal passados, sou suspeito - porque estes são muito bons. Gosto do hamburguer de cogumelos, simples. A cerveja, apesar de ser espanhola, a Estrella Damm, sai sempre bem tirada. Aqui está um sítio que não me desilude e que me refresca o espírito. 15 valores em 20. Avenida  Barbosa du Bocage  107 A, reservas por sms pelo 914 327 572

 

DIXIT - “Temos de saber gerir os momentos de jogo em função do clima e de outros fatores” - Paulo Bento, antes do jogo com a Alemanha

 

GOSTO - Da homenagem a António da Cunha Telles na Cinemateca Portuguesa

 

NÃO GOSTO - Da falta de resposta da EMEL às reclamações que os seus utilizadores lhe enviam por email.

 

BACK TO BASICS - É preciso acabar com o mito do poeta inspirado - Álvaro de Campos

 

(Publicado no Jornal de Negócios de 20 de Junho)

 

 

 

 

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publicado às 15:55

APOSTAS - Um amigo meu, do PS. dizia-me logo após as europeias, quando as intenções de Costa despontaram, que o candidato teria dificuldades porque Seguro controlava bem o aparelho e as distritais . Escassas semanas passadas um jornal titulava que "uma a uma as distritais afastam-se de Seguro e aproximam-se de Costa”. Um dos grandes problemas do nosso sistema político é que isto acontece em todos os partidos. Lembro-me ainda dos jantares de Passos Coelho na sua primeira campanha para disputar a liderança do PSD, que perdeu. Tinham mais independentes que militantes e aparelho. Uns anos depois, quando Sócrates já estava em queda e o aparelho laranja cheirava o poder, começou a surgir todo o lastro que andou desaparecido. Esta volatilidade dos aparelhos dos partidos, esta dependência de estruturas desfasadas da sociedade e que vivem em circuito fechado a olhar para o umbigo tem os nefastos efeitos que conhecemos desde o início do actual Governo - feito de compromissos internos. Hoje em dia acontece o mesmo no PS - o aparelho já acha que com Seguro não lhe sai a rifa e aposta que Costa pode premiar melhor. É uma aposta, não é política. Falamos de coisas venais e não de convicções. Esse é o grande problema dos partidos e dos seus dirigentes, que vivem desse expediente de distribuição de benesses e recompensa de favores. Programa político? Reformas? Esqueçam isso - dá trabalho e não dá votos.

 

SEMANADA - Marcelo prometeu, a propósito das perguntas enviadas para o Constitucional,  dar um raspanete a um assistente seu em Direito, hoje em dia assessor do Governo, quando ele voltar à Faculdade “daqui a uns meses”, uma maneira airosa de dizer que não acredita na continuação da coligação; o consumo já subiu e os depósitos das famílias caíram em finais de Abril para mínimos de um ano; numa sondagem recente 56% dos inquiridos consideram o atual Governo pior do que esperavam; a Câmara de Sintra conta cinco mil processos parados no seu Departamento de Urbanismo, vários há mais de uma década, e o atraso agravou-se no período em que Fernando Seara foi presidente da autarquia; esta semana Fernando Seara não conseguiu chegar à fase final das eleições para a Liga de Futebol porque  a candidatura da sua lista foi apresentada incompleta; nos últimos cinco anos perderam-se 372 postos de trabalho por dia; 28% dos salários em Portugal foram congelados entre 2012 e 2013; O Governo, através do Ministério da Administração Interna, deve meio milhão de euros a agentes policiais por serviços gratificados, que não estão a ser pagos desde há oito meses; o fisco já vendeu 23 mil carros penhorados este ano; a economia portuguesa caíu 0,6% no primeiro trimestre de 2014; o Estado paga em média 20 milhōes de euros por ano a cidadāos prejudicados por erros judiciários;  os seguranças de Cavaco Silva impediram impediram a obtenção de imagens em local público e mandaram mesmo apagar as fotografias a alguns repórteres fotográficos que estavam mais perto no local onde o Presidente se sentiu indisposto nas comemorações do 10 de Junho.

 

ARCO DA VELHA - António Costa, que desistiu de se preocupar com o lixo em Lisboa e já quase deixou de ser visto na capital,  anunciou ao país que se orgulha “da estratégia e do impulso reformista dos governos” de Guterres e de Sócrates.  

 

FOLHEAR - Nos últimos anos fui assistindo ao lento declínio da “Newsweek”, uma revista que leio há umas boas três décadas. De repente, há pouco tempo, a “Newsweek” reapareceu com um novo grafismo e um conceito editorial diferente, baseado numa edição fotográfica sólida e naquilo a que se tem chamado “long stories”, com um pé na actualidade e com outro na reflexão sobre os acontecimentos. Tenho na mão a edição com a data de 13 de Junho, na capa está o título “Finding The Next Facebook - Meet The Tech Investors With The Midas Touch”. Neste novo formato fotografias de página inteira são frequentes (a livraria Lello, do Porto, está numa delas num artigo sobre as livrarias que tentam novos modelos de negócio). Aliás as primeiras páginas da revista funcionam sob o título “Big Shots” e são fotos em página dupla de temas da semana. Há um ângulo diferente nas coisas - por exemplo, o mundial de futebol é olhado do ponto de vista da equipa da Bósnia, que chega à competição pela primeira vez. O artigo sobre as start-ups surge como um verdadeiro manual, de tão bem informado que é. E, contrariando o habitual comportamento politicamente correcto a revista dá conta de como o cientista que chamou a atenção para o degelo na Antártica considera que o aquecimento global pode ter vantagens.

 

VER - Quando lhe apetece ir ver arte e não sabe onde ir há-de ter uma vida difícil pela frente se seguir apenas os jornais, quer diários, quer semanais. Se existe uma área da actividade cultural que é mal coberta, essa área é a das galerias e das exposições, quer se realizem em pequenos locais ou em grandes museus. Apenas alguns nomes consagrados e mega eventos conseguem ganhar atenção e espaço mediático. A crítica é cada vez menos crítica e a divulgação pouco existe. E isto acontece apesar de as galerias de arte serem, já o tenho aqui escrito, um importante serviço público - proporcionam-nos, gratuitamente, a possibilidade de nos confrontarmos com a criação contemporânea - é nas galerias que aparecem as obras que significam rupturas, que trazem novidades, que experimentam novos caminhos. E, apesar disto, sabemos pouco delas. Desde há uns anos existe um site português - www.gategalleries.com - que é um guia precioso para saber o que se passa (na sua secção de agenda) e que tem um directório muito completo de todos os locais que se dedicam a artes plásticas por todo o país. Criado e dirigido por Maria Lacerda, o GateGalleries é de visita obrigatória para quem quer saber onde ir. Foi tecnicamente remodelado há pouco tempo, tem visualização fácil nos vários formatos de dispositivos móveis e navegação rápida num grafismo simples. Ali estão todas as possibilidades, cabe-lhe a si decidir.

 

OUVIR - Não é muito frequente encontrar um disco onde mãe e filho se juntam - mas “Childhood Home”, de Ben Harper e da sua mãe Ellen, é isso mesmo. Uma visita ao passado, com canções assinadas pelos dois, integralmente acústicas, com forte matriz folk e cujos temas são as recordações e as mamórias de tempos que já passaram. Ouvindo Ellen a tocar, e escutando algumas das canções que ela compôs, sobretudo “City Of Dreams” e “Altar Of Love”, percebe-se onde Ben foi buscar o seu talento. O disco tem dez canções, seis de Ben Harper e quatro de Ellen e o tema de entrada, “A House Is A Home” é logo uma bem sucedida declaração de intenções. Outro tema a registar é “Born To Love You”. O disco evita piegices e complacências maternais. Não é por acaso que Ben Harper descende de uma família de músicos - os seus avós fundaram em Claremont o California’s Folk Music Center and Museum , onde a sua mãe trabalhou toda a vida e onde o jovem Ben se cruzou com nomes como Ry Cooder ou Taj Mahal, que eram visitas habituais.

 

PROVAR - O brunch é essa mistura de breakfast e lunch que vai ganhando adeptos ao fim de semana e feriados. Depois de uma busca pela net, a escolha recaíu no "Pāo Nosso" , que fica nas avenidas novas, na Rua Marquês Sá da Bandeira 46, com uma pequena esplanada em frente ao jardim da Gulbenkian. O seu brunch ganhou fama no admirável mundo digital. Há três variedades de brunch, uma é dupla e foi a escolhida. Inclui um cesto de pāo bem aviado e uma tábua com três variedades de queijo, além de presunto, salmāo fumado, manteiga, um bom azeite, mel de rosmaninho e doce. Nos quentes deveria haver quiche com salada, mas como às duas e um quarto já estava esgotada, foi sugerida uma tiborna acompanhada por salada e tomate recheado com queijo de cabra - a tiborna estava apenas um pouco acima de mediana, sobretudo por defeito no corte e preparação do pão. Para rematar, além de um iogurte natural com mel, também já esgotado à mesma hora, vale a pena experimentar  a tarte de maçā - a salada de frutos, outra possibilidade, é sensaborona. A ementa deste brunch duplo inclui bebidas frias e quentes para duas pessoas e, sem extras, fica nos 28 euros. Se nāo quiser o brunch, que é servido do meio dia às quatro, pode sempre optar por uma das sanduíches da casa - estas existem todos os dias da semana. O balanço do brunch do Pão Nosso, no dia visitado, foi de 13 em 20. Fraco para os elogios lidos na net. Para informações o telefone é 210 107 222.

 

DIXIT - “Necessitamos de política e de jornalismo mais reflexivo...Ser moderno não é utilizar corretamente e eficazmente o Twitter ou dar bons soundbites. Ser moderno é ter coragem de pensar, discutir e falar acertadamente”. - João Adelino Faria.

 

GOSTO - Do regresso de Pedro Rolo Duarte à televisão, pela mão da RTP2 e do programa “Tanto Para Conversar”, ao fim da noite das terças feiras.

 

NÃO GOSTO - Do abuso de poder, completamente ilegsl, da segurança de Cavaco, ao ordenar a um fotojornalista que apagasse a fotografia do desmaio presidencial.

 

BACK TO BASICS - “A renúncia é a libertação. Não querer é poder” - Fernando Pessoa  

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publicado às 10:57

GOLPISTAS - No dia em que o Tribunal Constitucional decidiu propôr o aumento de impostos, como medida alternativa às medidas de redução da despesa que reprovou, entrou no caminho de querer impôr um programa de Governo. Esse caminho, para que não existam dúvidas, é o percurso que leva aos golpes de Estado. O Tribunal Constitucional passou a ser desde a semana passada candidato a putschista. Não é uma boa notícia. Na sala onde o Tribunal Constitucional anuncia as suas decisões, sempre com atraso sobre a hora marcada (o que diz muito sobre o respeito dos juízes pelos cidadãos), há uma tapeçaria criada a partir de uma obra de Eduardo Batarda que é bem simbólica - linhas que se cruzam e enredam num novelo difuso e confuso, impossível de destrinçar. É a imagem ideal para ilustrar o Tribunal Constitucional que temos. Os impostos que o Tribunal deseja, como bem lembrou neste jornal Fernando Sobral, transferem rendimentos de todos para uma entidade que os esbanja, e que é o Estado. Na realidade os impostos espremem o trabalho e estrangulam o investimento. Neste terceiro ano da legislatura percebem-se bem os nefastos efeitos da falta de reforma do Estado - cuja ausência é na realidade  o chapéu de chuva onde se abriga a parte do Tribunal Constitucional que quer governar. Como bem escreveu Miguel Cadilhe esta semana a nossa Constituição obriga o Estado a prosseguir muitos fins mas nunca se refere aos meios necessários para os alcançar. Esse é o nosso problema. Mas pelos vistos o Tribunal Constitucional não tem essa preocupação porque acha que a receita é simples: mais impostos. Quererão os juízes formar uma junta governativa? Serão eles os golpistas contemporâneos? O regime chegou ao pior dos impasses.

 

SEMANADA - Com o golpe anunciado pelo Tribunal Constitucional, António Costa, esperto, diz querer clarificar tudo no PS ainda nesta semana; António José Seguro diz que antes de Setembro não há primárias; vários lideres distritais do PS marcaram reunião à revelia da direcção de Seguro; Augusto Santos Silva critica “incapacidade do PS” de Seguro; Seguro diz que “se anulou” no PS para manter a paz interna; segundo José Sócrates “liderança bicéfala só no Vaticano, que tem dois papas”; depois de ter considerado em Maio de 2011 que a saída de Portugal do euro seria inaceitável por ser a pior das soluções, Francico Louçã regressou à política para sugerir agora que a saída da moeda única poderá ser a única  solução para Portugal; Rui Tavares, líder do “Livre”, anunciou em entrevista que vai estudar latim; soube-se esta semana que um Manual do SIS recomenda aos espiões a violação da lei em matérias como os dados bancários e dados das operadoras telefónicas; esta semana a Presidente da Assembleia da República foi desautorizada duas vezes na conferência de líderes parlamentares; mesmo assim a Assembleia da República encontrou tempo para aumentar em 38% os membros da Comissão Nacional de Eleições responsáveis pela confusão em torno dos debates eleitorais e co-responsáveis, com os partidos, pelo desinteresse face aos actos eleitorais.

 

ARCO DA VELHA - O presidente do Sporting comparou esta semana o futebol a um“ânus”, com duas “nádegas imponentes de onde ou sai vento mal cheiroso ou trampa”.

FOLHEAR - Na “Vanity Fair” de Junho, destaco dois artigos - o perfil de Jon Hamm, o actor que protagoniza Don Draper em Mad Men, e que agora começa uma carreira no cinema com “Million Dollar Arm”, e um magnífico relato da vida do fotojornalista Robert Capa, centrado na sua cobertura do desembarque aliado na Normandia. Outra peça muito interessante é aquela em que Matt Bernan recorda os tempos em que foi o director criativo da revista “George”, criada por John F Kennedy Jr em 1995. Diane Keaton é quem responde este mês ao dicionário de Proust na última página da revista e o retrato de Annie Leibowitz vai para Sting. Dois dos casos noticiosos dos anos 90 - o incidente do vestido azul de Monica Lewinski e a fuga de O.J. Simpson coberta em directo pelas televisões - são pretexto para visitar a década que vulgarizou a tabloidização da informação. Para quem gosta de espionagem industrial o relato da guerra entre a Apple e a Samsung é uma peça imperdível.

 

VER - No momento em que Délio Jasse é um dos finalistas do BES Photo deste ano, com a sua participação exposta no Museu Berardo, a Galeria Baginski, que representa o artista, dá provas da sua atenção á actualidade e apresenta uma exposição inédita, “Terreno Ocupado”, que mostra duas facetas da obra do artista. Délio Jasse usa a fotografia para expressar a sua interpretação do mundo. Não documenta, fica-se por mostrar, juntar peças e propôr uma leitura. Consegue fazê-lo de duas formas diferentes - fantasiando e propondo quase colagens de imagens na série “Os Tinhas” e nas duas peças sem título de película sobre acrílico; e, por outro lado, mostrando uma visão do quotidiano, distorcida de várias formas, na série “Hora do Comércio” e, sobretudo, na série que dá título à exposição, “Terreno Ocupado”, onde por vezes se sente a proximidade com o trabalho de manuseamento da realidade de Ed Ruscha na California do final dos anos 60. O “Terreno Ocupado” (na imagem aqui reproduzida) de Délio Jasse, é a Luanda que ele quer mostrar.

 

OUVIR - Um académico chileno desenvolveu uma teoria chamada “o género portuário” - diz ele que alguma da música que se ouve nas docas de várias cidades costeiras da América do Sul tem origem na guitarra e na voz do fado -  nomeadamente estará na origem do tango, do bolero ou da ranchera. Daniel Gouveia, que em 2001 acolheu esse académico, Miguel Angel Vera Sepulveda, no I Colóquio Internacional do Fado, em Lisboa, e que foi o lado português das investigações do etnomusicólogo chileno, explica como tudo aconteceu nas notas introdutórias de “Amália, de Porto em Porto”, um novo CD que reúne um conjunto de gravações inéditas em disco. São 16 canções, muitas delas gravadas de forma rudimentar e maioritariamente cantadas em castelhano. Aqui estão clássicos como “Fallaste Corazon” (que Amália interpretaria várias vezes ao vivo, apresentando o tema como um fado mexicano), “Por Un Amor”, “No Llamarme Petenera”, “Mala Suerte”, “La Cama de Piedra” ou “Tres Palabras”, além de uma deliciosa versão de “Lisboa Não sejas francesa”. Estas gravações foram feitas no México, em 1950, e são agora editadas em CD, pela primeira vez, pela Valentim de Carvalho. A edição inclui ainda um texto de Miguel Angel Vera Sepulveda onde ele relata como foi descobrindo etas gravações, as suas conversas com Amália e a sua convicção das relações do fado com estas canções portuárias.

 

PROVAR - Este é um restaurante especial - ao almoço há um buffet a preço económico e ao jantar há escolha entre três menus - um filipino, outro italiano e um português. A responsabilidade da variedade geográfica da escolha é do Chef, um cozinheiro filipino que esteve anos no La Trattoria e aí se dedicou à cozinha italiana. O buffet muda todos os dias, custa seis euros, tem várias entradas e pelo menos cinco pratos principais em opção, que vão variando ao longo dos dias da semana. Escolhi o menu filipino e depois de uns bons crepes de vegetais, bem  crocantes, acompanhados de chutney, veio um frango em molho de soja e tamarindo;a  terminar,  torta doce. Do outro lado da mesa a esolha foi italiana . um carpaccio, ligeiramente ácido em demasia, um risotto que estava honesto e um tiramisú. Mas é na cozinha filipina que este restaurante brilha - exemplos são o kare-kare, um osso buco com estufado de couves, com molho de amendoim e farinha de arroz torrada. Na mesa ao lado olhei com inveja para uns camarões na chapa com alho, pimentos e cebola e noutra mesa estava uma salsicha filipina, de carne de porco com especiarias e cana de açucar, acompanhada de um ovo estrelado. O tradicional bife tem um toque filipibo - o adobong baka  é um bife de vaca à portuguesa temperado com a acidez do tamarindo. Dois menus e vinho, ficou tudo por 35 euros. O restaurante encerra á segunda-feira e senta 40 pessoas numa sala confortável com um tranquilo tom de azul. Normalmente tem mais gente ao almoço que ao jantar, a escolha de vinhos é curta mas os preços são razoáveis, a cerveja é bem tirada, e é evidente que acolhe muita clientela de bairro. O Kababayan fica na Rua Marquês da Fronteira 173 A, telefone 218 220 209.

 

DIXIT - Comentando a decisão do Tribunal Constitucional, o constitucionalista Vital Moreira, declarou-se preocupado com “o facto de as regalias da função pública terem de ser pagas pelos contribuintes, incluindo os que, no setor privado, não gozam da mesma proteção no emprego nem das mesmas remunerações do setor público”.

 

GOSTO - Da declaração de voto de Maria Lúcia Amaral no Tribunal Constitucional.

 

NÃO GOSTO - Da apetência de Joaquim Sousa Ribeiro, presidente do Tribunal Constitucional, pelo confronto político.


BACK TO BASICS - Nunca devemos pedir aquilo que temos poder e capacidade de obter sem ajuda - Miguel de Cervantes

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