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UM ESTRANHO CASO DE LUTA PELO PODER

por falcao, em 25.07.14


ROAD TO NOWHERE - Esta semana dei comigo a pensar que as piores alianças são as ditadas pela ambição pessoal num processo de tomada de poder. Lembrei-me disto a propósito das declarações de fé numa espécie de  bloco central, de contornos indefinidos, esta semana surgidas. Como corolário de um arrulho de pombinhos que dura há uns anos, António Costa e Rui Rio emitiram esta semana pensamento conjunto sobre a antecipação do calendário eleitoral para as legislativas e manifestaram confiança política um no outro, assim como  disponibilidade recíproca para entendimentos futuros. Já se sabia que Rui Rio e António Costa são ambiciosos e lendo declarações recentes dos dois constato ser cada vez mais evidente que se julgam superiores aos demais - sobretudo dentro dos respectivos partidos. Ambos estão numa cruzada pessoal pelo poder: Costa de forma saliente no PS, Rui Rio ao seu estilo mais conspirativo no PSD. Em nenhum se vislumbra programa político, apenas ocasional conjugação de interesses. Os dois prometem acordo de regime, mas ninguém sabe em que princípios concretos será assente esse acordo. E os dois estrearam uma nova figura da politica portuguesa: candidatos a candidatos. As ideias que apregoam são tão inesperadas como sacos de plástico a encherem-se passageiramente de ar, ao vento. Costa e Rio apoiam-se porque criaram estas personagens, ficcionadas, de “compagnons de route” e definiram que assim poderiam conquistar o poder. O único problema é que ninguém sabe onde leva a estrada que eles querem percorrer.

 

SEMANADA - Fernando Nobre avisou que não excluiu voltar a candidatar-se à Presidência da República; em 2013, em relação ao ano anterior, os portugueses consumiram menos carne, leite, fruta, cereais e vinho; as propostas de revisão do IRS traduzir-se-ão no aumento do imposto para 70% dos contribuintes; a cobraça de IRS nos primeiros seis meses deste ano foi 427 milhões de euros maior que no primeiro semestre de 2013; segundo dados da Marktest o concelho de Oeiras é o que apresenta maior percentagem da sua população pertencendo ás classes sociais alta, média alta e média - 69,4% do total, enquanto Cascais tem 61,6% e Lisboa 60,5%; Portugal foi o terceiro país da União Europeia em que a dívida pública mais subiu; os portugueses aplicaram em Junho mais de 400 milhões de euros em dívida pública; a dívida portuguesa já vai em 741 mil milhões, mais cinco mil milhões que em Dezembro passado; o endividamento do Estado cresceu 2%; em sentido contrário o endividamento dos particulares desceu 1,2% e o endividamento das empresas caíu 2,2%; no Turismo, os primeiros cinco meses do ano revelaram números mais fortes do que os registados em igual período de 2013, ano recorde do sector;  o sector da construção perdeu 30% dos trabalhadores entre 2008 e 2012; no mesmo período a maior quebra do volume de negócios foi na agricultura e pescas, com uma quebra de 25,2%, logo seguido da construção, que caíu 20,3%; o Governo quer colocar empresas privadas a passar multas de estacionamento; metade dos 14500 reclusos portugueses é reincidente; as propostas que António Costa vai apresentar na convenção dos seus apoiantes não incluem, nos nove painéis definidos, qualquer referência às questões do défice, da dívida e da consolidação orçamental.

 

ARCO DA VELHA - O cúmulo da idiotice legislativa do Ministério das Finanças e do Fisco é uma lei que deixa dúvida sobre se os reformados podem trabalhar, a título gratuito e de voluntariado para o Estado, sem perderem o direito à sua pensão de reforma.

 

FOLHEAR - O livro mais recente de Miguel Esteves Cardoso, “Amores e saudades de um português arreliado” continua a transmitir surpresa e encanto na descrição de observações do quotidiano, que ajudam a traçar o retrato do que nos rodeia, mas tem uma dimensão pessoal maior e uma maneira de ver a vida mais emocional e sentida. Lendo agora estes textos, de seguida, em vez da leitura pontuada pelos tempos de edição no “Público”, eles ganham outra densidade e outro sentido. Uma das coisas que sempre me atraíu em Miguel Esteves Cardoso é a forma como ele consegue ser o espelho dos estados de espírito de uma geração. Não é, e suponho que nunca quis ser, o porta voz de coisa alguma. Limitou-se a observar, a relatar, a fazer a crónica das coisas, dos hábitos e dos costumes, um género que entretanto havia desaparecido da escrita portuguesa no último quarto do século passado. Ao longo dos anos foi mudando a sua forma de olhar e escrever e, no prefácio de "Amores e saudades de um português arreliado", Miguel Esteves Cardoso afirma que "dantes, tentava escrever colectivamente, generalizando sempre que podia", e sublinha que actualmente, tem aprendido ser melhor escrever sobre os próprios sentimentos, porque "os leitores facilmente apagam e substituem os objetos de amor, saudade e arrelias" que motivam o autor. “A solidão é essencial para quem escreve, mas escreve-se para partilhar emoções vividas. A melhor coisa que pode acontecer a quem escreve é alguém, do outro lado, pensar 'sim, é mesmo assim” - nesta frase está contada a essência daquilo que verdadeiramente conta. "A única coisa é a vida. A única coisa é a vida de cada um. Sem vida, nada feito. Viver não é a melhor coisa que há: é a única coisa. Cada momento da vida não é único. Mas há momentos únicos. A nossa felicidade não é passá-los como quisermos. É dar por ela a aproveitá-los", escreve Miguel Esteves Cardoso algures nestes textos agora agrupados em livro. No fim destes “Amores e Saudades de um português arreliado” há uma certeza - ele continua a ser o intérprete de uma época e a testemunha de uma geração que tardou a descobrir a vida e a encontrar o Amor.

 

VER -  Duas chamadas de atenção para o MUDE - Museu do Design e da Moda. Esta semana inaugurou a exposição “O Respeito E A Disciplina que a todos se impõe” (na foto) que mostra mobiliário para equipamentos concebidos durante a époica do Estado Novo e que percorre a história e o legado da Comissão para Aquisição de Mobiliário, criada em 1940 e que até 1980 contribuíu para modelar a paisagem interior dos edifícios representativos do Estado, desde Hospitais a Direcções Gerais, estabelecendo padrões de funcionalidade e uma orientação estética bem definida. A exposição teve curadoria de João Paulo Martins. Ainda no MUDE, e até 31 de Agosto, continua a exposição “Os Iconoclastas Anos 80” que apresenta sete dezenas de peças do acervo da colecção Francisco Capelo, desde Vivienne Westwood e MalcolmMcLaren até Amish Kapoor, passando por John Galliano, Thierry Mugler, Ettore Sottsass, Christian Lacroix ou Issaye Miyake e Comme des Garçons.



OUVIR - “Fuzzy Logic”, de Taylor Haskins, é um disco especial. Haskins tem-se afirmado como um dos mais originais trompetistas a aparecer nos últimos anos. Aqui surge na companhia do guitarrista Ben Monder, do baixista Kermit Driscoll e do baterista Jeff Hirshfield. O CD tem dez temas, oito originais e duas versões, uma de um tema de Thomas Dolby (“Airwaves”) e outra de uma canção de Tom Waits (“Take It With Me”). Se os oito temas originais mostram bem o valor deste quarteto, o talento de Haskins e a sua capacidade como produtor, é nas versões, e sobretudo na de “Airwaves” onde, ao lado da guitarra de Monder, se torna patente a sua capacidade de interpretação e a importância do fraseado do trompete, sem exibicionismos fáceis. Gosto muito do trabalho na faixa título, “Fuzzy Logic”, mas também de “Perspective”, do clima de sedução da faixa inicial “Somewhere I’ve Never Travelled” ou ainda da maneira como se desenvolvem temas como “Four Moons” ou  “Too Far”. CD Sunnyside, na Amazon.

 

PROVAR - Vale a pena provar o prego de atum em bolo do caco que é servido no Le Chat - para quem não sabe uma das melhores esplanadas de Lisboa, o sítio ideal para o fim de tarde no Verão, com uma vista única. O Le Chat é uma estrutura de vidro que fica ao lado  do Museu Nacional de Arte Antiga, com o rio todo pela frente, numa localização privilegiada. Depois das obras do último inverno ficou com um pouco mais de espaço e mais confortável, quer no interior, quer na esplanada. A carta apresenta numerosas sugestões de petiscos, a começar por uma bem aviada tábua de queijos e enchidos. Além do prego de atum provou-se o pica-pau, os pedaços de carne de boa qualidade, bem temperados, acompanhados por pickles e focaccia, e um pedido extra de uns chips de batata doce que estavam fantásticos. A imperial é bem tirada, a lista de vinhos não é extensa mas tem ofertas consensuais a preços sensatos e a casa propõe ainda alguns cocktails- Nas sobremesas destaque para os gelados de pastel de nata e de mojito. O serviço é simpático, nesta altura do ano é muito bom ver ali nascer a noite.

O Le Chat foi considerado pelo New York Times como um dos locais a conhecer em Lisboa. Fica no jardim 9 de Abril, à Rua das Janelas Verdes e tem o telefone 213 963 668.

 

DIXIT - “Seria um privilégio para o país ter o engenheiro António Guterres como Presidente da República” - disse António Costa em relação ao ex-primeiro-ministro que fugiu depois de uma derrota nas autárquicas de 2001, sabendo o estado do país, para o qual aliás o seu Governo notoriamente contribuíu.

 

GOSTO - A época futebolística começou com uma vitória do Sporting sobre o Benfica.

 

NÃO GOSTO - Presos por violência doméstica quadruplicaram em quatro anos.

 

BACK TO BASICS - Os factos são o maior inimigo da verdade - Miguel de Cervantes

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publicado às 14:00

CASE STUDY - Longe do escrutínio da Comissão Nacional de Eleições, necessário na substância mas bacoco na forma, as directas do Partido Socialista vão constituir um bom momento para estudar os métodos  e ferramentas de comunicação e propaganda utilizados pelos candidatos e para avaliar a maneira como os Media, num combate político bipolarizado, farão, sem constrangimentos de leis eleitorais desfasadas do tempo, as suas opções editoriais - sobretudo como as televisões irão cobrir a campanha de Costa e Seguro, mas também, depois, a votação e a análise dos seus resultados. Por outro lado esta campanha para as directas está já a ter uma presença digital assinalável, e às vezes imaginativa e agressiva, quer em blogues, quer em redes sociais. Este lado digital, longe das baias pré-históricas da CNE, será porventura das coisas mais interessantes a seguir e a analisar. Eu, que não sou simpatizante do PS nem de nenhum dos dois candidatos, estou cheio de curiosidade a ver como tudo isto vai evoluir - sobretudo porque daqui se poderão - ou não - tirar lições para que a comunicação política provoque maior participação, provoque maior esclarecimento e produza maior empenhamento dos eleitores. Se a coisa, pelo contrário, se resumir ao relambório do costume, ninguém ficará a ganhar e o crédito dos cidadãos nos partidos sofrerá mais uma machadada.


SEMANADA - Ana Drago anunciou a sua saída do Bloco de Esquerda; a direcção do Bloco de Esquerda rejeitou ser “sucursal do PS”; Francisco Louçã atacou Daniel de Oliveira no Facebook; Rui Rio já tem uma plataforma de apoio, intitulada “Portugal em Primeiro”; no dia do arranque do recenseamento para as primárias do PS inscreveram-se 160 simpatizantes por hora; a hotelaria registou 4,4 milhões de dormidas em Maio, o que gerou um aumento das receitas  do sector na ordem dos 19%; foi detectada uma rede envolvida no tráfico de menorers nigerianas que as introduziam na Europa através de Portugal; foi detectada uma rede que vendia cartas de condução a analfabetos; foram detectados casos de doentes que chegam aos hospitais públicos em situação de subnutrição; a segurança social recusa pagar a trabalhadores de empresas em dificuldades; o montante total das portagens nas scut ascende a 96,6 milhões de euros, cerca de 66,5% do total arrecadado em portagens no primeiro semestre do ano; a Via do Infante foi a SCUT que teve maior aumento de utilização, cerca de 21%; Gerard Depardieu anunciou que vai produzir vodka biológico na Rússia; nos últimos três anos registam-se 2700 lugares a menos no ensino superior; um estudo da Universidade Portucalense revela que os alunos do 3ºciclo e do ensino secundário “não são capazes de gerir as suas finanças, não possuem hábitos de poupança, nem estão familiarizados com a linguagem financeira”; Portugal é o país europeu com menos nascimentos, só nascem dez crianças por hora; em consequência da quebra da natalidade e da emigração o ensino pré-escolar e o básico continuam a perder alunos - 26 mil no último ano.


ARCO DA VELHA - O fisco briga com toda a gente e, para não nos esquecermos da natureza beligerante do esbulho fiscal, o novo diretor geral da Autoridade Tributária e Aduaneira chama-se BRIGAS Afonso.


FOLHEAR - A “Vanity Fair” de Julho dedica a sua capa à nova vaga de estrelas de Hollywood. Mas do ponto de vista editorial a estrela desta edição é um magnífico artigo sobre o plano de desenvolvimento das companhias aéreas do Médio Oriente, que em poucos anos conseguiram transformar o aeroporto do Dubai num dos mais utilizados do mundo, graças a linhas aéreas como a Emirates, cujo terminal próprio naquele aeroporto é o maior terminal aéreo do planeta. As três companhias aéreas do Golfo, a Qatar e a Ethiad e a Emirates, estão a transformar o negócio da aviação e fizeram da sua base no Dubai um local incontornável, ao ponto de, actualmente, todas as semanas, 130 companhias aéreas utilizarem o aeroporto do Dubai como ponto obrigatório em 6000 vôos para 260 destinos. Não é por acaso que a “Vanity Fair” se gaba de ser a revista não económica que publica os melhores artigos sobre temas de negócios e economia . Neste artigo, “The New Jet Age” vem tudo explicado - o plano, os meios, os objectivos e as etapas para que no meio do deserto se criasse em tão pouco tempo um ponto nevrálgico e incontornável do negócio aeronáutico. Para além deste artigo, noutro registo, vale a pena ler a peça sobre o método de trabalho e a obra de Jeff Koons, agora que ele está quase à beira dos 60 anos, com uma exposição a abrir brevemente no Louvre e com as suas obras a atingirem preços recorde, na casa das dezenas de milhões de dolares. Só estes dois artigos já dão mais informação que a maior parte de edições inteiras de outras revistas.


VER -  Até meados de Setembro a Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38), apresenta uma exposição colectiva que agrupa trabalhos de artistas como André Almeida e Sousa, Diogo Guerra Pinto, Eugénia Mussa, Manuel Gantes e Paulo Miguel Lopes. Como é hábito nesta Galeria, os trabalhos usam como base de trabalho o papel, em diversas técnicas. Logo na sala de entrada destacam-se os trabalhos de André Almeida e Sousa e, no primeiro andar, os de Manuel Gantes e a interessante abordagem de Paulo Miguel Lopes (aqui reproduzido), num universo que muitas vezes evoca a BD. Na Pousada de Cascais o Cidadela Art District apresenta este fim de semana uma série de propostas novas - uma exposição de Pedro Pascoinho, uma sessão de live painting por Filippo Fiumani no espaço da revista digital Magnetica e uma video instalação de Paulo Arraiano e Duarte Amaral Netto com Andrea Hackl.


OUVIR - “Last Dance” é o título do disco editado este ano na ECM por Keith Jarrett e Charlie Haden, dois músicos que colaboraram intermitentemente ao longo de várias décadas. Este “Last Dance” acabou por ter um título premonitório - Charlie Haden morreu este mês, e quando decorreram as gravações de “Last Dance” , em 2007, já estava bastante doente. O disco revisita em parte o reportório de “Jasmine”, o CD que assinalou em 2010 o reencontro entre os dois músicos. Baseado no cancioneiro popular e nos grandes standards da música americana, “Jasmine” surgiu como uma lufade de ar fresco em relação a outros registos de Jarrett anteriores. Aqui, em “Last Dance”, nota-se o cuidado nos arranjos, perfeitos e intensos, mas de uma sobriedade exemplar. Destaco “Everything Happens To Me”, “Where Can I Go Without You”, “Every Time We Say Goodbye”, “Round Midnight”, “It Might As Well Be Spring” - e corro o risco de dizer que a faixa final, “Goodbye”, um clássico de Gordon Jenkins, é aqui deixada como testamento do que foi o prazer destes dois músicos de excepção a tocarem um com o outro. A ECM, que durante muitos anos foi representada em Portugal pela Dargil, está agora sem importador nacional - pelo que com sorte as suas edições se apanham de vez em quando na FNAC ou no El Corte Ingles. Ou então, na Amazon, que apesar das entregas cada vez mais caras e acidentadas, continua a ser uma hipótese.


PROVAR - O sol brilha, a temperatura aumenta. Apetece qualquer coisa muito fresca. Pois é, estamos na época em que os gelados se tornam mais apetecíveis. Acontece que o mundo dos gelados mudou muito nos últimos anos e surgiram uma série de variedades inesperadas. Por exemplo, começaram a ser feitos gelados com sabores que vão de pastel de nata a tarte de maçã, passando por Mojitos. Há vários fabricantes a apostar em sabores pouco tradicionais, mas uma das marcas portuguesas de gelados que produz sabores mais inesperados é a Artisani. A boa novidade deste verão é um gelado com sabor a Sunlover, uma bebida nutri-cosmetica portuguesa, com zero calorias, que promete aumentar as defesas do corpo e diminuir o envelhecimento acelerado da pele. O Sunlight Sorbet Light é a proposta da Artisani, já disponível nas suas lojas de Cascais, Carcavelos, Doca de Santo Amaro e Avenida Álvares Cabral, em Lisboa. É frutado, não é demasiado doce e a sua textura de sorbet parece perfeita. Garantidamente é bom mesmo depois de o sol se pôr e desperta os sentidos para experimentar a bebida com base na qual é elaborado.


DIXIT - Depois da maneira como correu este Mundial fiquei com a sensação que a FIFA está a fazer do futebol uma coisa tão pouco entusiasmante como aquilo em que a FIA transformou a Fórmula Um - Oliveira de Figueira


GOSTO - Da empresa portuguesa Tekever. que produz drones utilizados em missões de defesa e vigilância e os exporta para diversos países.


NÃO GOSTO - A Comissão de Recutamento e Selecção Para a Administração Pública recusou a um candidato o acesso às suas classificações detalhadas num concurso público a que concorreu e de onde foi excluído


BACK TO BASICS - Um banqueiro é alguém sempre disponível a  emprestar o guarda chuva quando está um sol radioso, mas que exige a sua devolução mal começa a chover - Mark Twain.

 

 

 

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publicado às 16:38

ESTAROLAS - Em 2015 vamos ter legislativas e essa vai ser a primeira possibilidade de voto para quem nasceu em 1997. Quem nasceu a partir do início da década de 90 estará entre os novos eleitores - e já nem falo de quem nasceu a partir de meados dos anos 80 e tem agora 30 anos. Tudo junto é muita gente. Será que este universo de eleitores ainda separa a esquerda da direita como os que tinham 20 ou 30 anos em 1974 ou 1984? E como é que olham para a ideologia? Que acharão eles do que se passa dentro do PS? Que acharão eles dos políticos que falam sobretudo da tradição, eles que se debatem com o desemprego jovem e um futuro nebuloso? Comecei a pensar nisto quando vi que a estratégia de António Costa tem sido arregimentar  os históricos do PS, da Juventude Socialista e em geral figuras tradicionais da esquerda, próximos hoje em dia do PS. Chamo a isto a estratégia dos dinosauros excelentíssimos, que vivem de memórias mais do que de actos. Esta semana, num momento particularmente elucidativo do seu estilo, António Costa juntou apoiantes da chamada área da Cultura. Nas fotografias vi imagens de um parque jurássico onde se passeavam devedores de favores, pretendentes a prebendas e devotos variados. Interrogo-me sobre a razão de ser destes apoios a alguém que, em sete anos de presidência de Câmara Municipal de Lisboa, manifestamente não mostrou estratégia para a cidade nem para a cultura. Dizem-me que pode ter a ver com a solidariedade de uma esquerda cheia de memórias e carente de ideias - aqueles que preferem a emoção à razão. Mas, constato que, mesmo sem formular políticas, António Costa já sabe como vai organizar um Governo, se um dia o tiver. É patética a promessa de um Ministério da Cultura sem antes saber que recursos vai poder ter e como vai poder funcionar - serve apenas para cenário imaginário onde poderá alojar umas vaidades, várias delas na plateia. Este Costa que quer governar o PS e o país está há sete anos a mandar na cidade e, tirando as obras na rotunda, o notável desprezo pelos habitantes e o aluguer da avenida da Liberdade para servir de pocilga de supermercado, não se lhe nota obra feita. Como a congregação desta semana mostrou, este é um daqueles casos em que o rei vai nu e chamou uns estarolas para o cobrirem. Há uma página de Facebook que dá pelo nome de “Costa no Castelo” e que conta as aventuras de “Inércio, o alcaide que queria ser Rei”. Está resumido o assunto.

 

SEMANADA - O revisor oficial de contas da Câmara Municipal de Lisboa levantou um conjunto de reservas sobre as contas de 2013 da autarquia, num montante superior a mil milhões de euros; o passivo total da Câmara Municipal de Lisboa em 2013 aumentou 10,3% em relação a 2012, atingindo os 1420 milhões de euros; a Câmara de Lisboa mais do que triplicou a sua despesa com a adjudicação de empreitadas e a aquisição de bens e serviços entre 2012 e 2013; faltam 82 dias para as primárias do PS; Paco Bandeira é um dos 600 artistas a subscrever um manifesto de apoio a António Costa; a polícia municipal de Braga tem 47 agentes que estão sem comandante há dois meses; em 2013 o prejuízo médio por farmácia foi de 8703 euros, ou seja mais de 25 milhões de euros no total; os vistos gold captaram já mil milhões de euros de investimento este ano; as contas bancárias penhoradas aumentaram 10% num só ano; o crédito malparado das famílias portuguesas atingiu em Maio deste ano o valor mais alto desde o princípio de 1998, um total de 5262 milhões de euros; a bolsa de Lisboa perdeu 16% em três meses; 12 dos 16 administradores da Espírito Santo Internacional, a braços com uma  dívida superior a 7 mil milhões de euros,  pediram a demissão; a Espírito Santo Internacional pondera apresentar pedido de insolvência.

 

ARCO DA VELHA - Narciso de Miranda, ex-presidente da Cãmara de Matosinhos eleito pelo PS ao longo de 29 anos, foi acusado de ter feito uma falsa declaração de roubo de um iPhone 3, para que a Associação de Solidariedade, a que presidia,  substituísse o modelo antigo por um mais recente que lhe agradava mais.

 

FOLHEAR - O número 215 da revista “Aperture” é dedicado à cidade de São Paulo. Publicada quatro vezes por ano por iniciativa da Aperture Foundation, criada em 1952, a  edição do Verão deste ano é pela primeira vez na história da revista dedicada a uma cidade fora dos Estados Unidos. É o pretexto, para em época de Mundial, se falar do Brasil e da fotografia brasileira. Sérgio Burgi escreve um bom ensaio, “An Itinerant Photography”, sobre as primeiras revistas ilustradas e o surgimento dos clubes de fotografia no pós guerra. Militão Augusto de Azevedo, um precursor da fotografia, é recordado pelo seu álbum comparativo de imagens feitas em São Paulo entre 1862 e 1887, quando a cidade passou de 25 mil a 50 mil habitantes - hoje já ultrapassa os 20 milhões. A “Aperture” lembra publicações como a revista ilustrada semanal “O Cruzeiro”, que existiu entre 1928 e 1975 e que em 1954 tirava meio milhão de exemplares. Fala da abertura da Bienal de São Paulo à fotografia em 1953, do lançamento da newsmagazine “Realidade” pela editora Abril em 1966 - durou dez anos. Recorda, com um belo portfolio, Geraldo de Barros, um dos nomes marcantes da fotogradia brasileira dos anos 40 ao final do século XX. Mas a “Aperture” não se fica no passado e mostra trabalhos de nomes como Caio Reisewitz, Barbara Wagner, Hudilson Urbano Jr., Mauro Restiffe (a sua forma de ver o funeral de Niemeyer), Jonathas de Andrade, Regina Silveira, Sofia Borges ou Claudia Andujar. Faz um ponto de situação das residências, galerias e museus ou locais de exposição que privilegiam a fotografia e mostra como os photobooks documentaram a história da cidade ao longo dos anos. Um dos melhores artigos da  edição é assinado por Ronaldo Entler e mostra trabalhos dos colectivos mais marcantes na fotografia contemporânea em São Paulo, a Cia da Foto cujos membros não assinam as fotografias individualmente, a Garapa que se distingue por experimentar novas formas de narartiva fotográfica em trabalhos financiados por crowdfunding, o FotoProtestoSP que nasceu para cobrir as manifestações de 2013, a SelvaSP. criada em 2012, para retratar o lado mais negro da cidade ou a MídiaNinja, também saída dos protesto de 2013.

 

VER -  A exposição da semana está no antigo edifício dos Correios, na Praça de D. Luis, junto ao Mercado da Ribeira, a Central Station. Dentro em breve o edifício vai ser reconvertido, mas entretanto, até dia 17 deste mês,  mostra no seu segundo andar o trabalho de 51 artistas contemporãneos, de diversas áreas, do desenho à fotografia, passando pela pintura, a escultura. A “Mostra”, assim se chama a iniciativa, pretende a partir de agora mostrar todos os anos o trabalho de artistas emergentes ao lado de alguns consagrados, dando uma oportunidade de exposição que vai sendo rara. A “Mostra” estará aberta todos os dias das 13 às 20 horas até à próxima quinta-feira. Mais informações e detalhe do programa paralelo em http://www.mostradearte.com. A não perder. Entretanto neste fim de semana realiza-se também a edição inaugural da Est Art Fair, que se posiciona como uma feira internacional de arte contemporânea. Estão representadas três dezenas e meia de galerias, metade das quais estrangeiras. Mais informações em est-art.com .

 

OUVIR - José James é um dos nomes em ascensão no jazz vocal e já actuou algumas vezes em Portugal. Volta este domingo, aos Jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras, integrado no edpcooljazz. Na bagagem traz o seu novo álbum, já editado entre nõs, “While You Were Sleeping”. O disco tem provocado alguma polémica porque James saíu do caminho tradicional dos rhythm’n’blues que tem sido a sua imagem de marca e ensaia outros terrenos - logo desde a primeira faixa, “Angel”, onde uma guitarra que evoca o fraseado de Jimi Hendrix, surpreende quem esperava outra coisa e mostra como José James experimentou a liberdade de sair dos cânones que o marcavam. Outros temas a reter são “Dragon”, que conta com a colaboração da cantora Becca Stevens, o tema título “While You Were Sleeping”, ou ainda “U R the 1”, “4 Noble Truths”  e sobretudo a sua versão do clássico de Al Green, Simply Beautiful”, que encerra o trabalho. (CD Blue Note/Universal).

 

PROVAR - Apresenta-se como o mais tradicional restaurante chinês de Lisboa, tem meia dúzia de semanas de funcionamento e fica no Beato. Chama-se Dinastia Tang e é fruto do trabalho de um casal luso-chinês. Todos os elementos decorativos do restaurante vieram da China, a mobília é tradicional, confortável, sólida. O espaço é amplo, aberto numa parte, com recantos noutra. No rés do chão existe uma sala para grupos, muito utilizada pela comunidade chinesa. A cozinha que aqui se pratica é também diferente daquela que é servida na maior parte dos restaurantes chineses da cidade. A escolha do menu e o cuidado no tempero fazem a diferença, assim como os pratos ao vapor, desde os dim sum ao pão chinês ou a sobremesas como as bolas de arroz com sésamo.  Aqui a influência maior é da gastronomia de Cantão. Amendoins com orvalho, frango ou camarões com fruta variada e caju (muito bom), um excepcional pato com castanhas, ou um tradicional pato à Pequim são apenas alguns dos pontos de uma lista extensa que merece ser explorada. Há raridades, como raiz de lótus, línguas de pato, salada de medusa (ou alforreca em português mais corriqueiro) e, por fim, um afamado doce de leite frito. A serviço é acolhedor e simpático, os preços são ajuizados, o balanço final da primeira experiência foi bom. Dinastia Tang, Rua do Açucar 107, telefone 967145938.

 

DIXIT - “O fantasma de Sócrates vai estar sempre presente” - José António Saraiva, no “Sol”, sobre a situação no PS

 

GOSTO - Do comportamento do Banco de Portugal em relação ao caso BES, bem diferente do que antes se passou no tempo de Constâncio e do BPN.

 

NÃO GOSTO - Num só ano, nos vários graus de ensino, Portugal perdeu cem mil estudantes do pré-primário ao universitário.

 

BACK TO BASICS - A tradição deve ser um guia e não uma prisão - Somerset Maugham

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publicado às 16:16

UMA EUROPA QUE FICA MAL NA FOTOGRAFIA

por falcao, em 04.07.14

EUROPA - Com alguma perplexidade descobri que, em quase todos os principais sítios de notícias portugueses, o discurso inaugural da presidência italiana da Comunidade não constava, com qualquer destaque visível, por volta das dez das noite de quarta feira, meia dúzia de horas depois de ter sido proferido. E no entanto o antigo presidente da câmara de Florença foi iconoclasta - chamou a atenção para os podres da Europa, traçou prioridades, sublinhou que o Pacto de Estabilidade também é um Pacto de Crescimento, lembrou a necessidade de políticas especiais para incentivar os mais novos e defendeu o papel de referência humanística da Europa na cena internacional. “O grande desafio do semestre europeu não é fazer uma lista de problemas a resolver, o grande desafio é recuperar a alma europeia” - disse Renzi. É impressão minha ou ouve-se muito pouco disto ultimamente, quer cá dentro, quer em Berlim ou em Paris? Paradoxalmente, no mesmo dia, todos os jornais e sítios da internet tinham mais espaço consagrado às desventuras policiais de  Sarkozy que ao discurso de Renzi.

 

SEMANADA - Continua a crise no PS; continua a crise no BES; a irrevogável crise no Governo dura há um ano; no ano passado o fisco detectou 72 operações montadas em empresas para permitir a fuga a impostos; as dívidas fiscais prescritas e anuladas somaram 650 milhões de euros em 2013; o Governo baixou o IVA dos torresmos e do pão com chouriço de 23 para 6%; as vendas de carros novos cresceram 40% no primeiro semestre, mas estão ainda 20% abaixo da média dos últimos dez anos; na Europa apenas Chipre, Croácia, Espanha e Grécia têm uma taxa de desemprego maior que a portuguesa; a taxa de desemprego recuou para 14,3% e o número total de desempregados é agora de de 736 mil, menos 145 mil que há um ano; no espaço de um ano 535 389 pessoas perderam prestações sociais do Estado, entre as quais 412 mil desempregados; em 2013 foram detectados 222 mil cheques carecas; este ano os estrangeiros já foram responsáveis por 15% de transações imobiliárias em Lisboa; os gastos de turistas chineses em Portugal aumentaram 697,7% no primeiro quadrimestre deste ano; o número de cartões de crédito em Portugal diminuíu 35% em 2013; a dívida pública atingiu 132,9% no final do primeiro trimestre, mais 4% que o valor registado no final do ano passado; 3606 professores pediram a rescisão com o Estado; a Fundação Cidade de Guimarães desperdiçou mais de três milhões de euros, ou seja cerca de 40% do dinheiro disponível para promoção do ano cultural junto dos turistas; Sarkozy foi interrogado por suspeitas de tráfico de influências; 88% da superfície oceânica tem detritos de plástico; o BES Photo mais uma vez optou por não premiar fotografia.

 

ARCO DA VELHA - Em matéria de justiça este ano tem um mês a menos - o Conselho Superior da Magistratura e a Procuradora Geral da República recomendaram aos magistrados do Ministério Público que evitem marcar julgamentos e outras diligências em Setembro por causa da entrada em vigor do novo mapa judiciário.

 

FOLHEAR - Depois da desgraça que foi o debate do Estado da Nação, do vazio de ideias que se anuncia no Conselho de Estado e do triste espectáculo proporcionado pelas várias tendências do PS, aqui está uma muito boa leitura para nos fazer a todos meditar: “Dimensões da Cidadania” é um estudo sobre a mobilização política em Portugal, da autoria de Manuel Villaverde Cabral, agora editado pelas edições Afrontamento. A evolução histórica de Portugal, o seu lugar na Europa, o papel da religião, a aliança com a Inglaterra e a adesão europeia são marcos que ajudam a balizar a evolução do comportamento da sociedade portuguesa. Como diz o autor na apresentação “foi possível demonstrar que o país sofre, além das desigualdades sociais bem conhecidas, de uma tendência generalizada para um envolvimento cívico e político no espaço público comparativamente baixo>” . O livro analisa, com rigor e detalhe, o exercício da cidadania política em Portugal, recorrendo a numerosos estudos, a uma análise comparada de dados que permitem ver em pormenor como tem sido a evolução do comportamento - um afastamento dos partidos, das formas de intervenção políticas habituais, das classificações ideológicas tradicionais. A análise está aqui, bem feita. Pelo caminho que as coisas levam o distanciamento em relação às organizações antigas, que são as que ainda nos governam, vai acentuar-se. Depois deste livro ninguém pode dizer que o assunto não foi estudado e anunciado. O que se passa na política à portuguesa está lá bem explicadinho.

 

VER -  Quatro sugestões para esta semana: “Dissection”, de Alexandre Farto, aliás Vhils, no Museu da Electricidade - a intervenção do artista fica em exposição até 5 de Outubro, e apresenta um conjunto de obras feita expressamente para o interior e o exterior do museu, naquilo a que se poderia chamar graffittis esculpidos em paredes - trata-se da maior exposição de Vhils apresentada até hoje em Portugal; no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian o fotógrafo Edgar Martins mostra o trabalho que desenvolveu entre 2012 e 2013 na ESA - European Space Agency em nove países diferentes espalhados por três continentes. São oito dezenas de fotografias (uma delas aqui reproduzida) que mostram o óbvio como se fosse documental, fazendo do pormenor um ponto de vista; no Hotel Tivoli, Avenida da Liberdade, Pauliana Valente Pimentel mostra imagens de viagem, muito particulares, na exposição “The Passenger”; e em A Pequena Galeria (Av 24 de Julho 4C), a partir de sábado, Pedro Guimarães mostra  com “Valley” as imagens que reteve da natureza no vale de Foz Côa.



OUVIR - Ao mesmo tempo que investiu fortemente num sistema de som que pretende restaurar o prazer da alta fidelidade na era digital, o Pono, Neil Young gravou agora um disco, “A Letter Home”, no mais rudimentar sistema que se pode imaginar - uma máquina de final dos anos 40 que se destinava a gravar discos, em feiras e parques de diversões, podendo logo o utilizador levar consigo para casa um vinyl ali gravado. O Voice-O-Graph, assim se chama a máquina, era usado para gravar declarações de amor, canções de aniversário ou versões de temas populares e na moda, bem antes de existirem as chuvas de estrelas contemporâneas. A qualidade é péssima, alguns dizem que a evocação da gravação antiga proporciona uma patine que tem os seus atractivos, mas a distorção é constante. Apesar disso, ou, talvez, a contar com isso, Neil Young excede-se neste disco, canta inesperados standards folk e faz algumas versões absolutamente brilhantes, como a de “Girl From The North Country”, um tema de Bob Dylan, gravado originalmente em 1963 pelo próprio e, anos mais tarde, em 69, num dueto com Johnny Cash, na abertura do álbum “Nashville Skyline”. Aqui estão também temas de Gordon Lightfoot (como  “If You Could Read My Mind”  e “Early Morning Rain”), de Willie Nelson (“Crazy” e “on The Road Again”), um brilhante “My Hometown” de Bruce Springsteen, os clássicos “Changes” de Phil Ochs e “Reason To Believe” de Tim Hardin, "I Wonder If I Care as Much" dos Everly Brothers e, sobretudo,  “Needle Of Death” de Bert Jansch que tem óbvias ligações a “The Needle And The Damage Done”, um dos temas marcantes do próprio Young. Neste disco,  ao lado de Neil Young aparece, em dois temas, Jack White, ex-White Stripes - um dos músicos que tem mais em comum com Young entre os da geração mais recente. A máquina Voice-O-Graph de facto pertence a White e este disco, “A Letter Home” na realidade foi inicialmente editado apenas em vinil na editora de Jack White, Third Man Records. Entretanto cresceu para a forma actual em CD e numa box especial que inclui um DVD e um livro.

 

PROVAR - Em plenas avenidas novas fica um daqueles restaurantes discretos e familiares, tradicionais mas não decadentes, bem de bairro, que já vão rareando em Lisboa. Dá pelo malandro nome de “O Bacano” e identifica-se como restaurante e snack bar em neons bem à moda dos anos 70 - não é de admirar, a casa foi fundada em 1972. À entrada está uma longa barra que faria as delícias de um bar de cocktails ao fim da tarde, se tal coisa fosse habitual nesta terra. “O Bacano” fica na João Crisóstomo 47 C, bem perto do cruzamento com a Marquês de Tomar. Conserva no interior tudo o que é decoração típica da época, onde não faltam quadros espelhados da Martini e cartazes turísticos de Portugal. O sítio ganhou fama porque na época da lampreia a preparação do ciclóstomo é muito adequada - seja de que forma fôr - até a escabechada. No dia a dia, fora da lampreia, destaca-se o cozido das quintas, o bacalhau  à Narcisa que existe sempre, assim como os choquinhos grelhados e as pescadinhas de rabo na boca. Outros pratos do dia são bem portugueses - mão de vaca com grão, empadão de batata com vitela e grelhada mista com açorda de míscaros. Na casa surge leitão com frequência e às sextas há arroz de pato à antiga. A casa é despretenciosa mas honesta, o serviço é simpático, a clientela é familiar, a fazer par com a cozinha bem caseira. Há um menu económico diário a 6 euros. Telefone 213 533 859

 

DIXIT - "Se fizéssemos uma selfie à Europa, a sua face seria a do cansaço e da resignação, seria o rosto do aborrecimento numa altura em que o mundo corre a uma velocidade extraordinária" - Matteo Renzi, Primeiro Ministro de Itália

 

GOSTO - De um artigo de Miguel Cadilhe no Jornal de Notícias onde demonstra que o esforço fiscal dos contribuintes portugueses é o maior da União Europeia

 

NÃO GOSTO - Da maneira como se fez na Assembleia da República o debate do Estado da Nação - demasiada retórica, muito propaganda e poucas ideias, ou seja, o retrato do regime que os partidos criaram.

 

BACK TO BASICS - “Não se pressentem soluções nem resultados definitivos: grandes torneios de palavras, discussões aparatosas e sonoras; o país, vendo os mesmos homens pisarem o solo político, os mesmos ameaços de fisco, a mesma gradativa decadência. A política, sem actos, sem factos, sem resultados, é estéril e adormecedora “ - Eça de Queiroz

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