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GOLPE - O desfecho do julgamento do caso Bragaparques é um belíssimo exemplo do que tem sido a política nos últimos anos em Portugal. Advogados habilidosos e imaginativos, em concluio ideológico com agentes do Ministério Público, criaram, na última década e meia, sobretudo na sua primeira metade, um sistema de fabrico de processos jurídicos para contestar decisões políticas. Nem é bem só a judicialização da política, é o alinhamento ideológico do sistema de investigação judicial que é o mais chocante. O agora vereador José Sá Fernandes foi um dos especialistas nesse assunto e, por isso, o Bloco o recrutou sob o lema “O Zé faz falta”. Cedo se percebeu que, a ele, fazia mais falta o apoio de António Costa que o do Bloco - e  lá está o Zé a alugar a avenida para feiras e a fazer vários dislates autárquicos, sob o manto diáfano do politicamente correcto. A verdade é que este processo da Bragaparques foi o que levou à queda do executivo autárquico de Carmona Rodrigues e à oportuna convocação de eleições municipais antecipadas em Lisboa, que acabaram por colocar António Costa na linha de partida para as suas ambições, agora já perfeitamente claras. Costa deve a Sá Fernandes a construção dessa rampa de lançamento e os eleitores devem à conspiração justicialista o estado em que a cidade está - do Marquês do Pombal às inundações, passando pelas sujidades. Sobre a acusação, cito a decisão do Tribunal, que absolveu Carmona Rodrigues e os outros réus, na época afastados da Câmara:  este processo teve por base um conjunto de “suspeições, impressões, convicções não sustentadas, boatos e rumores”. Lá vai Lisboa...

SEMANADA - As empresas públicas voltaram a furar os tectos de subida de endividamento, que atingiu 5,4% em 2013 quando o limite fixado era de 4%; o número de casais em que os dois estão desempregados aumentou 688% no espaço de três anos; a meio do primeiro período lectivo ainda há 35 mil alunos sem professores e já há escolas que estão a defender o adiamento dos exames; Alberto João Jardim propôs uma revisão constitucional que estabelece um mandado único de dez anos para o Presidente da República; Rui Rio defendeu a realização de eleições primárias no PSD; apoiantes de Rui Rio, do Fórum Democracia e Sociedade,  defendem a realização de um congresso antecipado do PSD; 30 dias após vencer as primárias do PS António Costa continua sem apresentar propostas concretas; o guião para a reforma do Estado foi apresentado há um ano e continua por executar; em todo o mundo são enviados 100 milhões de emails por minuto; o primeiro “banner” publicitário na internet apareceu há 20 anos no pioneiro site da icónica revista “Wired”; a internet já é hoje o segundo meio com maior investimento publicitário em Portugal, a seguir à televisão; Mira Amaral propôs que os investigadores dos laboratórios do Estado sejam classificados em função das patentes criadas e do trabalho feito em ligação com as empresas; o Instituto Politécnico de Bragança tem 1200 alunos estrangeiros; aguarda-se que Alexandre Soares dos Santos se pronuncie sobre a compra do célebre hotel Paris Marriott Champs Elysées por uma empresa chinesa.

ARCO DA VELHA - O director do Instituto de Ciências Sociais deu instruções para que fosse retirado da circulação o mais recente número da revista daquela entidade,  “Análise Social”, justificando que a publicação continha imagens ofensivas, fotografias de graffiti nas ruas de Lisboa que ilustram a insatisfação com o governo e agentes económicos.

FOLHEAR - Tenho desde há uns anos um fascínio pelo exemplar trabalho realizado pela Aperture Foundation no campo da divulgação e estudo da fotografia - seja nas exposições e debates que promove, seja nos livros que edita ou na revista que publica quatro vezes por ano, a “Aperture Magazine”. Só há pouco tempo tive ocasião de conhecer o local onde funciona, em plena zona de Chelsea, em Nova Iorque, num andar amplo em que coexiste o espaço de exposições e a livraria - no caso a exposição era de imagens que fizeram a primeira página do “New York Times” e marcaram a História. A “Aperture Magazine” tem 132 páginas, em grande formato, é excepcionalmente bem impressa em bom papel. Cada edição é dedicada a um tema , além de conter noticiário variado e sugestões. O tema central da edição de Outono da Aperture Magazine é “Fashion” e este número tem como editores convidados a dupla Inez & Vinoodh, que há 25 anos colaboram criando imagens invulgares de moda. Aqui estão referências à célebre responsável da Vogue Francesa Emmanuelle Alt e várias reflexões, de que destaco estas duas: a fotografia de moda foi uma incubadora de inovação e reflexão culturais, especialmente nos anos 60, 70 e 90 e, depois, a seguir ao 11 de Setembro; a outra é a que explora as ligações entre o trabalho da fotografia documental e o trabalho dos fotógrafos de moda. Destaque para os portfolios de Ed van der Elsken e de Jason Evans, este último com os trabalhos para a revista japonesa Hanatsubaki - são imagens impactantes. Há também um portfolio histórico com fotografias marcantes de Richard Avedon, Guy Bourdin, Annie Leibowitz, Bruce Weber, David Bailey, Deborah Turbeville, e Hans Feurer e uma revisitação da época de ouro das revistas britânicas como a I-D e The Face. Mais uma vez, neste número especial sobre a moda, a Aperture Magazine (disponível na Amazon), consegue conciliar a descoberta com a memória e a tradição.

VER - Destaco em primeiro lugar os meticulosos e certeiros desenhos a tinta da china de Pedro Proença em “O Nu E A Fraude”( na imagem) que estão na Galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18-B), onde a mitologia tem uma presença forte, e que o artista descreve como “uma reflexão sobre a escultura, a pintura e o cinema que não estão lá”.. Em segundo lugar destaco a exposição “Objectos Imediatos”, que mostra 93 obras de José Pedro Croft, feitas ao longo dos 12 últimos anos, em papel e escultura, em grande parte inéditas. Estão divididas pelo espaço do Torreão Nascente da Cordoaria e pela Fundação Carmona e Costa (Rua Soeiro Pereira Gomes 1).  Na Fundação Carmona e Costa estão 52 obras - 31 gravuras, 20 desenhos e uma escultura. As restantes 41 obras, 12 gravuras, 12 desenhos e 17 esculturas, duas das quais de grandes dimensões, estão na Cordoaria. O conjunto doa trabalhos permite perceber a ligação entre o suporte de papel e a escultura na produção de José Pedro Croft.

OUVIR - Quando comecei a ouvir o novo disco de Leonard Cohen, “Popular Problems”, surgiu-me um sorriso. Aos 80 anos Cohen continua a surpreender, a jogar maravilhosamente com as palavras. É impressionante esta capacidade que continua a mostrar. Defende-se, é claro, o seu estilo está cada vez mais próximo da fala do que do canto e os arranjos de Patrick Leonard permitem dar espaço às palavras e à sua voz, aqui e ali ajudada por outras vozes femininas. Cohen grava discos há 47 anos, antes disso escrevia canções, como a que em 1966 entregou a Judy Collins e ficou célebre - “Suzanne”. Foi a escrever poesia e ficção que fez as  primeiras edições - “Let Us Compare Mythologies”, um livro de poemas. data de 1956 e foi a sua estreia editorial. Há meio século que faz canções, grava discos, escreve livros de poesia e novelas, sempre um observador atento da vida, do amor e das relações entre as pessoas. Tem 15 livros editados, 13 discos de originais, seis mais gravados ao vivo e cinco compilações.  Neste “Popular Problems”, que me acompanha por todo o lado há umas semanas, destaco os temas “Slow”, “Almost Like The Blues”, “Did I Ever Love You”, “Nevermind” e “Born In Chains”. Conjuga o humor com o retrato dos tempos actuais, como faz logo na abertura do disco, em “Open”: “ I am slowing down the tune/ I never liked it fast/ you want to get there soon/ I want to get there last”. Portanto, uma canção deste tempo.

PROVAR - Hoje vou falar de uma instituição lisboeta que é o Bar do Hotel Ritz, situado no lobby, à direita de quem entra. O sítio, como toda a arquitectura do hotel aliás, é magnífico. Quando está bom tempo pode utilizar-se o terraço, mas a zona interior é espaçosa e confortável, dominada por uma belíssima tapeçaria a evocar motivos vinícolas. Ao longo de todo o dia o bar serve refeições ligeiras, algumas até algo elaboradas - embora estas estejam só disponíveis à hora de almoço e jantar. Durante a tarde, e sobretudo ao fim da tarde, o Bar do Ritz é um ponto incontornável de encontros entre figuras bem conhecidas da actividade empresarial, da comunicação ou da política. Há mesmo quem faça do local uma espécie de escritório e agende reuniões para o local ao longo da tarde - já vi algumas pessoas ficarem á espera, num qualquer sofá, de falar com uma personbalidade porque o encontro anterior demorou mais e ela ainda está ocupada. Mas reuniões à parte o Bar do Ritz é um local excelente para petiscar durante uma conversa. Para além da inevitável, mas exemplar, salada Caesar, há um belíssimo prego em pão especial (que pode ter ovo ou não), um hamburguer com pickles e cebola confitada ou uma sanduíche de salmão com queijo Philadelphia e endro, além daquela que é talvez a melhor sanduíche club de Lisboa. Quem quiser só tapas tem uma selecção de queijos ou de enchidos de barrancos, os apreciadores de cozinha italiana têm risottos, raviolis e sobretudo um famoso fettiucine de lagosta e camarão. De 4ª a sexta há uma carta de sushi. Destaque ainda para a carta de vinhos do Porto e de vinhos e, ao fim da tarde, para os cocktails.

DIXIT - “Não é por razões fiscais que as pessoas vão ter filhos” - Rui Morais, Presidente da Comissão de Reforma do IRS

GOSTO - Do trabalho de edição de documentários e cinema português em DVD que a Cinemateca Portuguesa,mdirigida por José Manuel Costa, começou a fazer em colaboração com o Museu de Etnologia

NÃO GOSTO - Fiscalidade verde faz subir para 19 cêntimos a diferença do preço da gasolina face a Espanha.

BACK TO BASICS - O nosso destino não está nas estrelas mas sim em nós próprios - William Shakespeare

 

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publicado às 14:00

AR ABAFADO, SALGALHADAS ESCALDANTES

por falcao, em 24.10.14

XADREZ - Um estranho clima percorre o país e não é só este verão de S. Martinho, abafado e antecipado. A temperatura continua quente na Justiça e na Educação, com as confusões em torno do Orçamento de Estado, com os novos abusos do Fisco, com as pequenas guerrilhas dentro da coligação. O cenário geral de actuação do Fisco merece particular atenção e não tem só a ver com o aumento da carga fiscal - tem a ver com os abusos na cobrança do IMI relatados esta semana e tem, sobretudo, a ver com a diminuição dos direitos de defesa dos contribuintes. O Fisco tem dois comportamentos e isso tornou-se política oficial neste Orçamento: limitar os direitos de quem tem poucas condições para reclamar e manter as aparências nos restantes. Quando um sorriso é permanente há boas razões para se pensar que ele pode ser falso. A Ministra das Finanças é desse género de permanente sorriso, e talvez por isso se diga que ela tem ambições políticas - a hipocrisia é uma característica necessária no sistema que temos. Se ela enveredar pela política terá muita concorrência - perfilam-se no horizonte os candidatos a protagonistas do próximo ciclo político: em dois anos vamos ter as eleições legislativas, as presidenciais e as autárquicas. Se repararem com atenção já se estão a dispôr peões para estes três tabuleiros, até para o autárquico. Os jogos começaram a desenhar-se, mas ainda ninguém consegue dizer como eles se vão desenvolver. Imagino algumas surpresas, antevejo candidatos a mudarem de tabuleiro e imagino muita gente a dar o dito por não dito em termos de disputas de cargos.

 

SEMANADA - As novas medidas do IRS foram modificadas em diversos pontos depois de apresentadas; o responsável pelo estudo sobre a reforma do IRS considerou uma “salganhada” a cláusula de salvaguarda anunciada por Passos Coelho; um estudo da Deco calcula que o Fisco esteja a cobrar 244 milhões de euros em excesso no Imposto Municipal sobre Imóveis; os contribuintes com processos no fisco até cinco mil euros ficam sem direito a recurso aos tribunais para se poderem defender; insultar funcionários do fisco vai dar multa ou prisão até 5 anos; Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças, questionou a aplicação da Fiscalidade Verde num país com baixa competitividade como Portugal; as confusões sobre a sobretaxa do IRS e na educação criaram mal estar na coligação; as negociações sobre uma eventual nova coligação só começarão no início de 2015; no momento da despedida Durão Barroso disse que a União Europeia tinha ficado mais forte depois da crise e confessou que, ao longo dos dez anos em que foi Presidente da Comissão Europeia, perdeu “as ilusões”; um docente que já estava colocado nos Açores, foi simultaneamente colocado em mais 95 escolas por todo o país e, em consequência, cerca de dois mil alunos continuaram sem aulas; Passos Coelho elogiou a determinação de Nuno Crato; os gastos em estudos e pareceres no Estado sobem 32% no orçamento para 2015, atingindo 766 milhões, contra 581 milhões este ano; os ninhos de cegonha em Portugal aumentaram 50% nos ultimos dez anos; seis em cada dez lisboetas não utilizam transportes públicos; a partir de 2015, em todas as salas de cinema da NOS, será possível consumir pipocas portuguesas feitas a partir de 400 toneladas de milho que serão compradas a 10 produtores nacionais.

 

ARCO DA VELHA - A coisa já é sobejamente conhecida mas não resisto: Os Juízes do Supremo Tribunal Administrativo reduziram a indemnização a uma mulher alegando que “aos 50 anos a actividade sexual não tem a importância que assume em idades mais jovens”. A mulher, na sequência de um erro médico numa cirurgia, nunca mais conseguiu ter relações sexuais após a operação. Não é só o Citius que não funciona na justiça portuguesa.

 

FOLHEAR - A edição de Novembro da revista “Monocle” tem a arquitectura e o design como pratos principais, mas há bastante mais para ler. Um dos artigos interessantes é sobre a divisão, ainda hoje existente, dos Ministérios do Governo federal Alemão, entre Bona e Berlim, 25 anos depois da queda do Muro. Outro curioso artigo é sobre  as mudanças que o novo adido cultural da França em Nova Iorque está a introduzir, com o objectivo de tentar fazer renascer a francofonia no outro lado do Atlântico - algo que podia ser lido pela diplomacia portuguesa, em prol da lusofonia, claro. Ainda dentro dos temas culturais destaque para o primeiro de uma série de artigos sobre a criatividade na concepção de novos espaços, no caso uma galeria de arte em Los Angeles, “The Mistake Room”, Passando para o lado das cidades um dos destaques vai para Istambul, com uma boa proposta de roteiro. No Design Directory há um destaque para o Bairro da Bouça, no Porto, um projecto de habitação social, e ainda duas referências adicionais a Portugal: uma à empresa O Editorial que produz as tábuas de cozinha e de servir tapas desenhadas por Gonçalo Prudêncio,  e a outra à cadeira Aranha, desenhada por Marco Sousa Santos e produzida pela Branca, em Paços de Ferreira. A terminar, mais dois destaques - um para o belíssimo relato de um almoço com Gay Talese em Nova Iorque, um dos mentores do New Journalism; e o outro vai para o editorial de Tyler Brulé, que reflecte de forma acertada, mas polémica, sobre a decadência da imprensa e as razões de tal situação, e os modelos de negócio seguidos por alguns jornais no digital. Atrevo-me a dizer que é leitura obrigatória para quem trabalha em qualquer disciplina da comunicação.

 

VER - Há para ver, nos próximos tempos, dois documentários sobre música bem distintos, ambos com um longo processo de gestação. Vou começar por “Uivo” (na foto), um documentário sobre o radialista, editor e produtor António Sérgio, que morreu em 31 de Outubro de 2009. No Facebook há uma página intitulada “Eu aprendi a ouvir música com António Sérgio”, que é por si só o testemunho de uma geração que descobriu faces menos óbvias da edição discográfica através dos seus programas radiofónicos, como “A Hora do Lobo”, “Som da Frente” ou “Lança Chamas”. O produtor e realizador do “Uivo”é Eduardo Morais, que já se tinha aventurado antes, noutro documentário sobre a temática do rock,  “Meio Metro de Pedra”, que traçou um panorama da produção portuguesa desde a década de 50. O “Uivo” vai ser estreado dia 1 de Novembro no Palácio Foz e ao mesmo tempo será apresentado o livro “O Uivo da Matilha”, de Ana Cristina Ferrão. mulher e colaboradora de António Sérgio, que com ele trabalhou intensamente.

O outro documentário, bem diferente, vem assinado por Bruno de Almeida, chama-se “Fado”, e foi realizado sobre o trabalho de Camané, a partir da gravação do disco “Sei de Mim”, de 2008. Depois de um documentário sobre Amália, esta é a segunda incursão de Brunco de Almeida no Fado. O documentário estreou por estes dias no Doc Lisboa e é uma viagem ao processo de criação de um disco, que, no caso, mostra também a importância do trabalho do produtor, que foi José Mário Branco.

OUVIR - Entre as Caldas da Rainha e Londres nasceram Los Waves - com uma formação mutante que passou do duo inicial ao quarteto actual. A banda tem feito uma carreira internacional desde que se estreou em Londres, em 2011 e este seu primeiro álbum é editado praticamente em simultâneo nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Portugal. Los Waves cruzam vários estilos, é possível detectar influências que vão da new wave à pop urbana, aqui e ali com uns laivos psicadélicos. Há uma coisa curiosa neste “This Is Los Waves So What?”, que é o facto dos 11 temas manterem uma qualidade homogénea ao ponto de haver quem diga que este álbum é um somatório de singles. Talvez por isso mesmo já há canções de Los Waves nas bandas sonoras de séries como”Gossip Girsl” e “Mentes Criminosas” e em filmes como “Veronica Mars”, “Enough Said”  ou “Cradle Of Storms”. “Golden Maps” foi a canção que ganhou notoriedade no festival South By Southwest e abriu-lhes as portas da América. Claro que está neste disco, que tem tanto de inesperado como de atraente.

 

PROVAR - Quando se fala em éclairs o que vem à mente são bolos, doces, uma das delícias da pastelaria francesa. Acontece que também há éclairs salgados, que podem ser acompanhados por uma salada e assim constituir uma refeição. O admirável mundo dos novos éclairs chegou a Lisboa, mais precisamente à Avenida Duque de Ávila 44. Nos dias bons há uma esplanada no passeio e a sala é espaçosa e elegante. “L´Éclair” é obra de um jovem pasteleiro francês, de 26 anos, Mathieu Croiger, que decidiu experimentar a sua arte e a sorte em Lisboa. O local é cuidado na apresentação e exemplar no serviço, muitas vezes com o próprio dono presente. E além dos éclairs doces ou salgados, há macarons que podem ser invulgares, como os de pistáchio ou de alfazema, e o clássico pain au chocolat. Logo de manhã, que a casa funciona cedo, há deliciosos crosissants bem frescos para o pequeno almoço. Está aberto de segunda a sexta das 07h30 às 20h00 e ao fim de semana das 09h30 às 19h00. Podem ser encomendados éclairs ao metro, para ocasiões especiais, num dos 15 sabores disponíveis. E volta e meia há surpresas, como o éclair de amendoim com uma pitada de flor de sal.

 

DIXIT - “Vocês aqui fazem descontos a deputados?” - parlamentar cujo nome não foi revelado em pergunta ao dono do restaurante “XL”, perto da Assembleia da República, citado pelo jornal “i”.

 

GOSTO - Da série “Os Anos 90”, transmitida às quartas-feiras pelo canal National Geographic.

 

NÃO GOSTO - Os processos judiciais de cobranças de dívidas ainda não estão no Citius.

 

BACK TO BASICS - Quanto mais se observa a política mais se tem a noção que os partidos são todos o mesmo, a única diferença é que aqueles que estão na oposição prometem sempre um mundo melhor - Will Rogers

 

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OVNI  - Um observador neutral que, de repente, no decurso desta semana, tivesse aterrado no país, saído de um OVNI, depois de ouvir as declarações de Passos Coelho sobre o Orçamento de Estado, diria que o Primeiro Ministro está farto de ser Governo e se quer ir embora logo que possível. Essa poderá ser a única explicação para o Governo ter desistido de rever a carga fiscal dos cidadãos em 2015, ter inventado mais umas taxas com desculpas ecológicas e, de um modo geral, ter continuado a ser mais papista que o Papa em matéria de austeridade. Já se viu que o Orçamento é baseado na perspectiva de a receita fiscal crescer o triplo da economia, o que diz tudo sobre a estratégia que se deseja para o país. O facto de existir um efectivo agravamento da carga fiscal obrigou a Ministra das Finanças a malabarismos de contorcionismo intelectual para o tentar esconder. A apresentação do Orçamento decorreu sob o espectro de crises graves na justiça e na educação, que deixaram marcas em dois sectores que tocam toda a população. Vozes de dentro do PSD, como Marques Mendes, já começaram a insinuar a necessidade de uma remodelação que substitua as figuras que notoriamente não provaram ser capazes. A crise nos tribunais, que demorou mais de um mês a resolver, foi no entanto pouca coisa comparada com o caos no arranque do ano lectivo - por muitas ideias que tenha, Nuno Crato perdeu no ponto crítico ao dar razão aos professores sobre a situação de descalabro no seu Ministério. Esse é porventura o custo mais grave de uma gestão política inábil de toda a situação. A nova oposição também não está muito melhor: António Costa apressou-se a reivindicar a demissão de Crato - mas menos de 24 horas depois foi literalmente inundado, numa demonstração de falta de organização da Câmara Municipal a que preside. Para agravar as coisas recorreu a um  sentido de humor bem negro - parece que a culpa das inundações, na versão oficial da autarquia, foi de ter chovido e Costa afirmou alto e bom som que não ha solução para as inundações em Lisboa. Se seguir raciocínio idêntico para o país o pequeno rectângulo afunda-se de vez. Entre uns e outros venha o diabo e escolha, pensa com os seus botões o observador que saíu do OVNI.

 

SEMANADA - Bruxelas pediu mais austeridade para o Governo não agravar o défice; diversos fiscalistas vêem falta de transparência na solução apresentada para a sobretaxa do IRS; o Orçamento não indica nenhuma diminuição de impostos; o líder parlamentar do PSD congratulou-se por não haver nenhum aumento de impostos; o CDS tinha reivindicado uma diminuição da carga fiscal em 2015; o Orçamento prevê que receita total dos impostos cresça 4,7%, o triplo do crescimento estimado do PIB que é de 1,5% ; quatro autarquias já pediram ajuda de emergência ao Governo; no último ano aumentou em dez mil o numero de milionários portugueses, há agora 76 mil portugueses com um património de um milhão de dolares ou superior; os portugueses trabalham mais 300 horas por ano que os alemães; a quantidade de empregos vagos em Portugal daria apenas para ocupar 2,74% dos desempregados; mais de metade dos europdeputados exerce actividades fora do parlamento europeu; o preço dos combustíveis não está a companhar a descida do preço do petróleo, que já atingiu o mínino dos últimos quatro anos; o Porto de Lisboa perdeu tráfego e recuou para níveis de há doze anos; Cavaco Silva pediu reflexão sobre o modelo de colocação de professores; já há escolas a eliminar matéria que não vão conseguir dar por falta de tempo devido aos atrasos no começo das aulas; António José Seguro vai dar aulas de Teoria do Estado no curso de Relações Internacionais e a sua turma tem 12 alunos; em Coimbra a nova moda é atirar carros de compras do supermercado ao Mondego no final do desfile dos caloiros.

 

ARCO DA VELHA - Vitor Bento foi Presidente do BES sem nunca perder a ligação ao Banco de Portugal, do qual ainda é funcionário, e onde gozava de uma licença sem vencimento desde que foi para a SIBS em 2000.

 

FOLHEAR - A edição de Outubro da revista “Wired” é o número anual dedicado ao design e, para além de conter um mostruário de gadgets e de tendências, apresenta este ano “Dez Lições Para Uma Nova Era”. É um repositório de ideias, de evocações, de incursões no mundo novo, dos objectos de decoração às próteses para o corpo, passando pela arquitectura, por novas empresas, pela moda e pela recuperação das suas marcas (o exemplo da Burberry), pelo equipamento tecnológico da Nike, pelos drones e pelo poder da imaginação e da criatividade da mente humana. É uma edição para guardar, onde poderão ainda encontrar artigos sobre como se podem fazer partes de esqueleto com uma impressora 3D ou uma conversa com o Monty Python Terry Gilliam.

 

VER - A Sala do Veado fica na Faculdade de CIências , na Rua da Escola Politénica. É um espaço amplo e austero, despido, onde a relação entre o lugar das obras e a configuração da sala é por si só um desafio. Ana Vidigal aceitou o desafio e mostra pedaços da sua vida, entre imagens, leituras e objectos De 2 de Outubro a 2 de Novembro, “Où Va-t’-on?”,(na foto) uma obra única com três elemantos - uma série de 90 Polaroids, trabalhadas em técnica mista com recurso a banda desenhada e comentários manuscritos, e duas pequenas vitrinas onde estão um veado em porcelana e um bambi num dispensador de pastilhas Pez. Mais uma vez Ana Vidigal mostra o seu humor e sentido de observação aplicado ao quotidiano e a evocações do seu próprio passado. Uma outra exposição a visitar - é a de Inez Teixeira, “No Vazio da Onda”, que vai estar até 30 de Dezembro  no Teatro Municipal Joaquim Benite, de Almada. É uma pena que durante a semana estas exposições estejam tão vazias e que a promoção seja tão pontual e dirigida fundamentalmente ao momento da inauguração. Qualquer uma destas duas exposições merece atenção.

 

OUVIR - Desta vez proponho um DVD e um CD. O DVD é de Sting, acompanhado em palco por uma orquestra de 14 músicos. Dentro do horário previsto Sting apresentou este mês na Broadway “The Last Ship”, uma peça de teatro musical baseada no seu disco de final do ano passado. A coincidir com a estreia Sting editou um DVD que  reproduz um concerto realizado no Public Theatre de Nova Iorque, e apresenta 15 temas, em vez das onze que estavam no CD do ano passado e que foi o seu primeiro disco de originais nos últimos dez anos . “The Last Ship” conta a história do declínio da indústria de construção naval em Newcastle, onde Sting cresceu. Há uma forte influência de música folk, e como aqui escrevi quando o disco saíu,  “as canções não são para brincadeiras, contam histórias duras, abordam rupturas familiares e tensões dentro da comunidade, mas também casos de amor e desejo, como em “I Love Her So But She Loves Someone Else””. O segundo disco é um resumo da carreira de Madeleine Peyroux, uma cantora de jazz americana com quase 20 anos de carreira (o seu primeiro disco é de 1996). Trata-se de um duplo CD com 27 canções, que percorre muitos dos seus temas originais mas também versões de canções alheias que ela incorporou no seu cancioneiro. Eu gosto do estilo desprendido de Madeleine Peyroux e mesmo nos discos de estúdio ela canta como se estivesse num cabaret frente ao público. Não exagero se disser que ela é uma das minhas cantoras preferidas, bem longe de algumas coisas delico-doces que por aí abundam.

 

PROVAR - A Quinta do Monte d’Oiro, de José Banto dos Santos, já nos habituou a reservas de grande qualidade. A de 2010, agora colocada no mercado, distingue-se pelo aroma e suavidade na fruta, pela presença discreta da madeira, pelo final longo. Este vinho, da região de Lisboa, é feito com 95% de casta Syrah e 5% de casta Viognier. Este Reserva já vai na 12ª colheita, de uma vinha plantada em 1992  e tem-se mostrado consistente na qualidade, progressivamente mais apurado e requintado. É porventura das melhores reservas de produtores portugueses, um tinto verdadeiramente excepcional que vai bem com pratos de caça e carnes intensas.

 

DIXIT - “Com este elenco governativo nem vale a pena concorrer às próximas eleições” - António Lobo Xavier

 

GOSTO -  A Weso, uma orquestra portuguesa especializada em bandas sonoras para a indústria cinematográfica, venceu a 6ª edição do Prémio Nacional Indústrias Criativas Super Bock/Serralves.

 

NÃO GOSTO - Nuno Crato continua sem dizer quando estará resolvida a colocação de professores.

 

BACK TO BASICS - “Já houve um tempo em que tudo era muito melhor, até o futuro” - Nir Hod, artista plástico, numa exposição em Nova Iorque

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ANIMAÇÃO - As duas primeiras acções politicamente relevantes de António Costa após a sua vitória foram fazer a partilha de lugares dentro do PS na proporção dos votos das primárias e ir discursar no Congresso do partido Livre: um sinal interno e outro externo, à sua esquerda. E logo a seguir começou a marcar território - mesmo sem conhecer o documento, Costa já decidiu: vai votar contra o Orçamento de Estado que o Governo irá apresentar. Com o espectro do novo partido de Marinho Pinto no ar, as eleições legislativas do próximo ano já motivam jogadas de xadrez por todo o lado. Na área do Governo, o CDS/PP abriu com estrondo a frente da diminuição da carga fiscal e o PSD não perdeu tempo a deixar correr rumores de que admite que a actual coligação se desfaça. Fica na dúvida se mais este arrufo público de Passos e Portas não será o primeiro acto de uma negociação que permita fazer nascer das cinzas desta coligação um novo acordo, cheio de oportunas medidas em véspera de eleições. Tudo indica que este vai ser um ano de muita retórica, de imenso falatório, de muitas "photo opportunities" e de numerosos rumores e boatos. A coisa promete.

SEMANADA - Há 15 mil imóveis, que eram do BES, com um valor estimado de dois mil milhões de euros, os quais, por falta de enquadramento legal, não podem ser negociados e são activos mortos; segundo o “i” Ricardo Salgado recusou explicar à família porque tinha recebido "uma liberalidade" de 14 milhões de euros do empreiteiro José Guilherme; segundo o mesmo jornal Ricardo Salgado terá dito, noutra ocasiāo, sobre a questão das comissōes de 15 milhōes da Escom, relativas ao negócio dos submarinos, que houve "uma parte que teve de ser paga a alguém em determinado dia", e obviamente não revelou o misterioso destinatário, que deve ter ficado preocupado; no primeiro semestre deste ano os sete maiores bancos já fecharam quase 200 balcões no país; os prazos nos tribunais foram suspensos até o Citius funcionar; sobre a situação no PS o título mais curioso foi “Seguristas seguram-se"; dos projectos apresentados pelo Centro Português Para a Cooperaçãao, a ONG ligada a Passos Coelho, só se concretizou um curso de costura na Pedreira dos Húngaros; Marinho Pinto mostrou-se disposto, no seu novo partido, a fazer alianças “até com o Diabo” se as considerar úteis; António Costa foi discursar ao congresso do partido Livre; um estudo da Uniāo Europeia estima que em 27 anos o programa Erasmus, que incentiva a mobilidade entre estudantes, gerou mais de um milhāo de bebés; em plena crise Tecnoforma Passos Coelho assistiu à final do europeu de ténis de mesa, sem aparato e sem vaias e quis o destino que aplaudisse a vitória de Portugal sobre a Alemanha, feito raro nos últimos tempos.

ARCO DA VELHA - Todos os anos desperdiçamos dois mil milhões de euros em combustível nas filas de trânsito, feitas as contas são cinco milhões de euros por dia.

FOLHEAR - A revista “Intelligent Life” é publicada de dois em dois meses e integra o grupo editorial da revista semanal “The Economist”. Tem edição em papel com distribuição normal e uma bela aplicação para iPad, oferecida gratuitamente graças ao Credit Suisse , que patrocina a edição digital. Na edição de Setembro/Outubro destaco um ensaio fotográfico sobre Myanmar por Mathias Messner, uma investigação sobre a vida real da mulher que inspirou a Madame Bovary de Flaubert - qual das mulheres da vida do escritor era Emma Bovary? Uma das colunas incontornáveis da publicação é “The Wine-List Inspector” onde Tim Atkin, desta vez, lança pistas sobre o que há a descobrir nos vinhos turcos. Outras colunas imperdíveis: sobre desporto ( “Reading The Game”) e culinária (“The Kitchen Dialogues” ). Uma secção que vale a pena ler é a agenda cultural, informativa, não sectária, a descobrir novas tendências e novos protagonistas. Finalmente o prato forte desta edição é um suplemento especial, “Inspiring Innovation” que conta com colaborações de David Lynch sobre Mikhail Gromov, James Lovelock sobre Charles Harington, Jimmy Wales sobre JJ Abrams, Jazzie B on sobre James Brown, Sophie Wilson sobre Isaac Asimov e Frances Corner sobre Yohji Yamamoto.

VER -  Mário Macilau é um fotógrafo Moçambicano, que vive em Maputo e nasceu em 1984. Esteve na edição do BES Photo de 2011, expôs nos festivais de de Bamaki e de Arles e é o director do novo Maputo Foto Fest , que se vai estrear em 2015. Algumas das suas obras mais recentes podem ser vistas na Galeria Belo-Galsterer, Rua Castilho 71, r/c esq, sob o título “Moments Of Transition”. O projecto visa fotografar jovens de Maputo que ao Domingo se vestem com redobrados cuidados, combinando peças de marcas globais com peças feitas de capulanas, numa mistura estilizada e elegante, muito individualizada. Macilau selecciona as personagens que lhe parecem mais interessantes, convence-as a serem fotografadas em estúdio e estas imagens são o fruto desse trabalho - é um projecto que segue uma ideia que anteriormente foi explorada por nomes da fotografia africana como Malick Sidibé e Seydou Keita, ambos do Mali, ambos explorando a identidade e cultura de quem fotografaram, documentando tradições e novos conceitos de comportamento. Num outro plano é curioso comparar este trabalho de Macilau com as imagens de “Olhar o Futuro”, de Luisa Ferreira, feitas em 2012 e que estão expostas na Galeria do Ministério da Saúde (Avenida João Crisóstomo nº9). “Olhar O Futuro” retrata uma comunidade de jovens portugueses fotografados em grupo e individualmente, sempre enquadrados no mesmo cenário natural.

OUVIR - Richard Bona é um músico nascido numa pequena aldeia dos Camarões, em 1967. Começou por tocar guitarra em grupos de baile, mas evoluíu muito depressa para o território do jazz e para o baixo eléctrico. Em 1989 foi para Paris e em 1985 rumou a Nova Iorque, onde ganhou reputação como um dos mais interessantes baixistas. Em 1999, após numerosas gravações como músico de estúdio, editou o seu primeiro disco a solo, “Scenes From My Life”. Ao longo dos últimos anos reforçou o seu trabalho como produtor e “Bonafied”, agora editado, é o seu sétimo álbum. É um álbum intimista, o lado acústico ganhou força e a mistura de géneros surge natural - desde o jazz latino de “Mute Esukudu” aos tango de “An Uprising of Kindness”, passando pelo afro-pop de “Diba La Bobe”, até cançōes de cabaret como “Janjo la Maya”. A música dos Camarões é evocada em “Tumba la Nyama”, mas a grande faixa do disco é talvez “Mulema”, com guitarra acústica e percussão, recorrendo também ao tradicional balafon, um instrumento africano que faz lembrar o xilofone. A canção relata a viagem de um homem no oceano em busca da sua amada. No disco há uma outra versão da mesma canção, interpretada pela francesa Camille e que tem por título “La Filla d’a Coté”, e que conta a história na perspectiva da amada que não sabe onde está o seu homem.  Finalmente, a terminar o CD, há uma versão instrumental de um original de James Taylor “On The Fourth Of July” , onde Bona segue as pisadas da sua maior influência no jazz, o baixista Jaco Pastorius. “Bonafied”, Richard Bona, CD Universal, diusponível em Portugal.

PROVAR - Depois de uma incursão, há uns meses, à hora de almoço, fui desta vez experimentar o Restaurante Avenue ao jantar. O Avenue fica na Avenida da Liberdade, paredes meias com o Hotel Sofitel, num primeiro andar. A sala dá para a avenida e em qualquer das mesas junto à janela tem-se uma belíssima vista. A sala estava bem composta, o serviço foi atento e, mais uma vez, a cozinha, a cargo da Chef Marlene Vieira, excedeu as expectativas. O menu executivo proposto ao almoço vale 20 euros sem bebidas e à noite o menu proposto está cheio de tentações. Marlene Vieira foi anteriormente a Chef residente do restaurante Manifesto e trabalhou com Luis Baena. O couvert proposto inclui pão e duas manteigas - uma de torresmos (que é deliciosa) e outra de cabra com ervas. Para a mesa vieram ainda uns peixinhos da horta perfeitos e estaladiços com maionese de coentros. A escolha da lista recaíu numa asa de raia corada com lavagante e terrina de courgettes, e num pregado com molho de ostras e legumes glaceados, ambos a fazer jus à reputação da Chef. A terminar, um gelado de pastel de nata, o ponto mais fraco do jantar.  Ampla lista de vinhos, recomendações acertadas e de preço honesto para vinho a copo. Serviço atento e eficaz.  Avenida da Liberdade 129 B, telefone 216 017 127.

DIXIT - “Agora (António Costa) tem de se explicar em público em vez de ouvir olimpicamente, na Quadratura do Círculo, a oposição que Pacheco Pereira fazia por ele” - Vasco Pulido Valente.

GOSTO - Da nova imagem do portal Sapo

NÃO GOSTO - Este ano já emigraram mais de 300 médicos

BACK TO BASICS - “Quando há falta de ideias, falar bem dá muito jeito” - Goethe

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publicado às 13:08

BATALHAS FLORAIS NO HORIZONTE POLÍTICO

por falcao, em 03.10.14

FLORES - Durante o próximo ano vamos assistir a um despique curioso. De um lado está António Costa, que, aposto, permanecerá até ao limite do possível na autarquia lisboeta, e que vai usar a sua função de Presidente da Câmara para fazer umas flores de sedução eleitoral, tentando dar uma ideia do que poderá vir a praticar no país, se chegar a Primeiro-Ministro; do outro estará Passos Coelho, a ver se consegue fazer crescer algumas flores no território devastado que é Portugal. Tenho a tentação de dizer que ambos se vão dedicar à jardinagem, para que os eleitores possam escolher entre os respectivos arranjos florais. A coisa seria divertida se não fosse trágica: de um lado um recém eleito líder da oposição que foge de dizer que medidas e políticas quer implementar; do outro um Primeiro Ministro desgastado pela obediência cega à Europa e que desistiu de criar um projecto para o país. Ambos têm em comum a actividade política continuada desde a adolescência, ambos dedicaram o essencial da sua vida adulta à actividade nos respectivos partidos, ambos são um exemplo daquilo que esses partidos produzem no seu interior. Olhando para o que têm feito, olhando para como se têm comportado, não se pode dizer que sejam um exemplo estimulante para gerações futuras. Ambos pertencem à mesma geração, têm em comum a persistência, a teimosia, uma agenda própria que ultrapassa a do respectivo partido e alguma indiferença pelo que os outros dizem. Ambos vão ter que olhar para o mesmo sítio no próximo ano: para o eleitorado do centro que, mais uma vez, será o decisivo. António Costa vai procurar federar a esquerda que lhe quiser dar boleia, como aconteceu já em Lisboa - mas não se pode arriscar a perder o centro; e Passos vai ter que manter apoios à direita sem perder de vista o eleitorado que está à sua esquerda. Vai ser um ano interessante - cheio de batalhas florais.

 

SEMANADA - Domingo, no início das votações para as primárias do PS, a candidatura de António Costa enviou um SMS apelando ao voto e, mais tarde, depois de reclamações e protestos, afirmou que se tratava de um erro processual, opinião que foi partilhada por Jorge Coelho, que dirigia o processo eleitoral; Enquanto António José Seguro ficou na sede do PS, no Largo do Rato, António Costa preferiu utilizar a sede da Assembleia Municipal de Lisboa, um edifício que é propriedade da Câmara que dirige; nas eleições para as federações distritais do PS realizadas no início de Setembro, e onde só votaram militantes inscritos, António José Seguro recolheu 51,2% dos votos contra 48,8% dos candidatos apoiados por António Costa, mas nas eleições primárias de Domingo passado, abertas a militantes e simpatizantes, António Costa ganhou com larga vantagem ao obter 67,88% dos votos, contra 31,65% registados a favor de António José Seguro; António Costa “tem predisposição e vontade” para envolver apoiantes de Seguro, disse fonte próxima do novo líder; António Costa nomeou Ferro Rodrigues líder da bancada parlamentar do PS; Jerónimo de Sousa disse que “o PS mudou as caras mas não apresentou alternativa” ; alguns jornais indianos festejaram a vitória de António Costa e dizem que ele é conhecido por “Gandhi de Lisboa devido ao seu estilo de vida espartano”; o salário mínimo aumentou para 505 euros a 1 de Outubro; 78% dos pensionistas têm pensões de velhice inferiores ao salário mínimo;  apenas metade das pessoas entre os 55 e 64 anos estão activas e a trabalhar; a família Espírito Santo terá recebido cinco dos cerca de 30 milhões de euros pagos à Escom por serviços de consultoria no caso da compra dos submarinos; um artesão de Barcelos, Joaquim Esteves, provocou o caso parlamentar da semana com a exposição, no Parlamento, de bustos de barro de todos os Presidentes da República, incluindo os do período da ditadura - a exposição foi proposta à Assembleia da República pela autarquia de Barcelos, do PS.

 

ARCO DA VELHA - Em Santo Tirso a autarquia, governada pelo PS, entregou por ajuste directo, no valor de 33 mil euros, a produção de uma revista municipal a uma empresa de fabrico de mobiliário.

 

FOLHEAR - A edição de Outubro da revista Wallpaper tem a capa desenhada por Frank Gehry e lá dentro tem fotografias do novo edifício da Fundação Louis Vuitton, em Paris,  desenhado por Gehry que são uma espécie de injecção de ciúmes para aquilo que Lisboa perdeu por obra e graça do então inquilino de Belém, Jorge Sampaio - para os mais distraídos recordo que o projecto de Gehry para o Parque Mayer foi vetado pelo Presidente da República da época. Frank Gehry é aliás um dos editores desta edição da revista, ao lado de Jean Nouvel - um número de luxo. Enquanto Gehry mostra o seu espectacular edifício novo, em Paris, Nouvel mostra alguns dos monumentos que criou ao longo das duas últimas décadas e também alguns dos seus projectos futuros. Outros destaques são o top 100 de peças de design, um portfolio sobre as aventuras no rock’n’roll de Heidi Slimane (onde ela sugere apenas o que nunca mostra) e a short list dos melhores novos hotéis de cidade, onde figura o lisboeta Memmo Alfama. É precioso este número da Wallpaper. Uma coisa de coleccionadores.

 

VER - Sandra Vásquez de la Horra é chilena, vive há anos na Alemanha, tem um sentido de observação que  propulsiona uma imaginação furiosa e desenha com um traço vigoroso que consegue reproduzir o que lhe vai no pensamento. Não é coisa pouca. O seu trabalho tem raízes na tradição popular e na literatura fantástica da América do Sul, o imaginário chileno está presente, a figura feminina assume o papel principal na sua obra, com as personagens a criarem permanentes manifestos de afirmação do seu corpo, entre a provocação e o recolhimento. A exposição, na Galeria João Esteves de Oliveira, “Todas íbamos a ser reinas” inclui 30 desenhos e uma série de 9 gravuras, de uma edição de 25. Sandra Vásquez de la Horra foi vencedora do prémio Fundação Guerlain em 2009 e o seu trabalho estará na Galeria João Esteves de Oliveira, até 21 de Novembro - Rua Ivens 38, às segundas-feiras entre as 15h00 e as 19h30 e de terça a sábado das 11 às 19h30.

OUVIR - Os Boo Radley tiveram mais um fogacho de fama nos anos 90 graças a canções como “Wake Up Boo”. O grupo tornou-se um precursor do renascimento do britpop. Não é de estranhar que Martin Carr, então autor das canções e guitarrista da banda, seja um assumido seguidor dos cânones pop, com um grau de ecletismo que neste seu álbum a solo, “The Breaks”, lhe permite revisitar desde Style Council a Eagles, passando por Smiths ou Elvis Costello por exemplo. A revisitação faz-se pela forma de sugestão de uns acordes, uns truques de vocalizações e de construção de letras, de que o melhor exemplo será “St. Peter in Chains”. “The Breaks” é basicamente uma operação de revivalismo do britpop em que os Boo Radleys se inseriam. Digamos que este é um disco de variedades, feito com grande know how e apurada execução. As pilhagens de inspiração são feitas em bons sítios e o resultado tem sido elogiado. Quem quer recordar o pop antigo encontra motivos de satisfação, mesmo quen passageira. Como dizia o outro, “ a splendid time is guaranteed for all” - desde que queiram passar por lá. Se ouvirem com atenção o tema “I Don’t Think I’ll Make It” ficarão convencidos.

 

PROVAR - Os grandes apreciadores de atum dizem que  a ventresca é a parte mais apreciada do peixe. Há quem diga que a ventresca está para o atum como os secretos estão para o porco preto. E o que é afinal a ventresca? - trata-se da parte muscular que forra a cavidade abdominal do peixe. Tem um sabor intenso e uma textura irregular. Prová-la bem fresca é experimentar um manjar único - mas é difícil de encontrar. Felizmente há quem faça belíssimas conservas de ventresca de atum, como a açoreana fábrica Corretora. Experimente abrir uma lata, partir a ventresca aos pedaços e servi-la com quadrados de requeijão bem fresco aromatizado com cebolimho. É uma entrada magnífica, mais ainda se deixar ao acaso umas finíssimas fatias de pepino cortadas em mandolina. Vai ver que ninguém resiste. É uma entrada simples e barata. O pepino encontra em qualquer lado, as conservas da Corretora estão no gourmet do Corte Inglés e um bom requeijáo também por lá existe. Duas latas, um requeijão e meio pepino fazem a festa para quatro. A Corretora é uma fábrica de conservas localizada nos Açores, em Ponta Delgada e existe desde 1913, há mais de cem anos portanto. 

 

DIXIT - “É o estilo missionário, mais do que as suas origens indianas, que fizeram Costa ganhar a alcunha de Gandhi de Lisboa” - Andrée-Marie-Dussault, “Outlook India”.

 

GOSTO - Da nova imagem gráfica da Câmara Municipal do Porto

 

NÃO GOSTO - Por causa dos problemas informáticos os distritos judiciais de Lisboa e do porto optaram por deixar de lado os julgamentos dos crimes mais graves.

 

BACK TO BASICS - “O grande problema da vida dos políticos é que alguém está sempre a querer interromper com uma eleição o que eles fazem ” - Will Rogers

 

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