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RTP: CONCORRENCIAL OU COMPLEMENTAR?

por falcao, em 26.12.14

Muita da polémica à volta da RTP e do conceito de serviço público tem a ver com o debate sobre duas palavras que moldam o conceito de estação – concorrencial e complementar. O enquadramento legal existente, por mais estranho que pareça, aponta à RTP o dever de ser concorrencial em relação aos outros canais generalistas, SIC e TVI. Tenho para mim que este facto é uma das portas abertas para toda a situação que se vive. A Direcção de Programas e a Direcção de Informação da televisão pública têm assim a obrigação de desenvolver estratégias de programação e de informação concorrenciais e a Administração tem o dever de as apoiar nessas estratégias. É aliás isso que levou a que se comprassem os direitos da Champions League, e é isso que justifica boa parte dos programas e do conceito de telejornais existentes. Mas, se em vez de “concorrencial” a palavra fosse “complementar”, aí deixava de haver razão para ter os mesmos formatos e lógica dos outros canais e, provavelmente, a estratégia traçada seria diferente. Esta não é uma discussão bizantina – é a discussão de fundo. A RTP não pode ser concorrencial com menos orçamento de grelha, com menos tempo de publicidade por hora, com menos receitas. E, além disso, se fôr concorrencial, está a fazê-lo com dinheiros públicos, da contribuição audiovisual, o que seria desleal em relação aos canais privados que obviamente não recebem ajudas oficiais. Mais lógico era que se clarificasse de vez se queremos um serviço público concorrencial ou complementar em relação às estações privadas. O ideal era que o EStado, que é accionista e gere os nossos dinheiros, assumisse a responsabilidade em vez de se encostar a um Conselho Geral Independente que em matéria de audiovisual é um vácuo de ideias. 

(esta nova versão foi revista e actualizada depois de ter sido publicada na edição de 26 de Dezembro da revista de televisão do Correio da Manhã)

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publicado às 11:09

DISTRAÍDOS -Nos últimos tempos, em diversas ocasiões, em diversas circustâncias, tornou-se habitual ouvir responsáveis de empresas, bancos e até de organismos oficiais dizerem que não sabiam o que se passava nas estruturas que dirigiam, que não tinham conhecimento de decisões onde eram supostos terem participado. Aparentemente, apesar de estarem em postos de direcção, não detectaram o mais leve indício de que alguma coisa de menos bom se passava. É como se estivessem em lugares de responsabilidade sem, de facto, terem nenhuma responsabilidade. Como um amigo meu dizia este fim de semana, a questão é que durante anos todas estas pessoas ganharam salários aparentemente sem nada terem feito daquilo que fazia parte das suas funções enquanto responsáveis e dirigentes. Continuo a citar o meu amigo, recomendando que o melhor seria que todas estas pessoas devolvessem ops salários e prémios que ganharam, já que nada fizeram daquilo que deviam, já que confessam nada saber daquilo que se passava à sua volta. Ou, mais prosaicamente “se não sabia, se não acompanhou, devolva todos os salrários que ganhou para saber e acompanhar”.

 

SEMANADA -  No primeiro mês de detenção José Sócrates recebeu mais de duas dezenas de visitas de dirigentes e quadros do PS; o Público on line fez um título fantástico: “João Soares foi visto em Évora” ; mais de metade das receitas de empresas ligadas a Santos Silva vieram de câmaras PS e da Parque Escolar; João Perna, o motorista, confirmou ter feito viagens a Paris e disse que Carlos Santos Silva lhe entregava dinheiro para o fundo de maneio do ex Primeiro Ministro;  motorista de Sócrates passa a prisão domiciliária; segundo o “Expresso” Sócrates admitiu não saber quanto recebeu de Santos Silva; Portugal perdeu 146 mil habitantes desde o início da década; a TAP pediu um empréstimo de 250 milhões para fazer face à crise de tesouraria que atravessa; a Força Aéreia lançou o primeiro curso de pilotos de drones; as famílias portuguesas gastam uma média de 271 euros em prendas de Natal, mais do que os espanhóis, os gregos e os russos; Marques Mendes e José Maria Ricciardi são ambos administradores de uma imobiliária ligada ao BES.



ARCO DA VELHA -  Luis Filipe Menezes invocou a sua qualidade de Conselheiro de Estado do Presidente da República para classificar de devassa da sua vida privada a investigação da Judiciária aos seus sinais exteriores de riqueza.

 

FOLHEAR - Já pensaram numa aventura meio passada no futuro, entre uma Londres desolada e uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, onde nada é como agora pensamos ou esperamos que seja? A história, passada entre épocas, num labirinto de personagens e enigmas, gira em torno de viagens no tempo, armas, drogas e terrorismo. O livro, agora editado, “The Peripheral”, é a 11ª obra de William Gibson, que se tornou conhecido há 30 anos, em 1984, com “Neuromante” - o livro que mudou a ficção científica e abriu novos caminhos à imaginação, ajudando a definir a cultura da época. “The Peripheral” é um bilhete para uma viagem ao futuro, num mundo caótico, de valores invertidos e mistérios. São 480 páginas que nos projectam noutra dimensão. Como dia o Guardian, qualquer dos 11 livros de William Gibson estão entre as melhores e mais singulares novelas escritas em inglês. (à venda na Amazon)

 

VER - Temos a infeliz mania de dizer que por aqui não se passa nada. Mas é mentira. Passam-se imensas coisas boas em Portugal. Quando nos aplicamos sabemos fazer na indústria, na agricultura e nos serviços. E sabemos também juntar vontades para mostrar a nossa História. Uma visita ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota é uma belíssima surpresa. Faz-nos pensar que Portugal já teve estratégia, assente na ideia da independência e da  expansão. Que No século XV e XVI soubemos marcar fronteiras e ir além delas. Soubemos analisar os inimigos, ver quais eram os seus pontos fracos e utilizar os nossos pontos fortes.  Essa é a grande lição de Nuno Álvares Pereira, que a Fundação Batalha de Aljubarrota tão bem conta, sem nacionalismos serôdios, mas com orgulho e rigôr. A minha sugestão é que planeiem uma visita à Fundação, que passeiem no campo de batalha e vejam as indicações que lá estão, que se sentem a assistir ao espectáculo multimedia que recria a batalha. Este não é um museu morto, é uma obra bem viva. A partir do antigo museu militar que ali existia foi desenvolvida uma nova área, tecnologicamente evoluída e exemplar nos conteúdos que proporciona. Ao olhar para a obra da Fundação fico a pensar que ela merece ser mais conhecida e divulgada. Fica a uma hora e um quarto de Lisboa e permite-nos, a todos, compreender melhor o país que é o nosso. www.fundacao-aljubarrota.pt.

 

OUVIR - Se eu tivesse que escolher um disco de Natal, daquelas colectâneas que se fazem sempre nesta época, escolhia “Round Nina - A tribute to Nina Simone”. São dez das grandes canções que Nina Simone cantou, interpretadas por nomes contemporâneos, que vão de Gregory Portes e Melody Gardot a Liannne La Havass com passagem obrigatória em Camille, que faz uma excelente versão de “My Baby Just Cares For Me”. Outras hipóeteses de prendas natalícias discográficas:  se o lado clássico fôr o objectivo sugiro a belíssima nova edição da Decca para a Ópera Turandot, de Puccini, um registo de uma versão histórica, com as participações de Joan Sutherland, Luciano Pavarotti, Montserrat Caballé e Tom Krause, nume gravação do início dos anos 70 dirigida por Zubin Mehta. Se o saudosismo imperar então vale a pena redescobrir “Crime Of The Century”, dos Supertramp, que eu costume dizer que são a banda com o nome mais autocrítico da história da música popular. Finalmente, ainda nas memórias, destaco o disco que assinala os 20 anos de o álbum “Viagens”, de Pedro Abrunhosa. Se gostam de bandas sonoras, a do mais recnete “Hobbit” , “The Battle of The Five Armies” , foi composta por Howard Shore e vale a pena ser bem ouvida. E finalmente, aquele que para mim é o melhor disco prenda deste Natal, “Amália no Chiado”, que foi agora editado (e já aqui mencionado há duas semanas) e que inclui inéditos e raridades gravadas no estúdio que existia na antiga loja Valentim de Carvalho no Chiado, em 1951, tinha Amália 31 anos nessa altura. Imperdível.

 

PROVAR - Como imagino que se esteja em fase de dietas sugiro que se aproveitem estes dias entre o Natal e o Ano Novo para rumarem a Portalegre, ao restaurante Tomba Lobos. Na mesa há pão como deve ser, azeitonas das boas. Só as entradas são uma perdição: da tiborna aos peixinhos da horta, passando pelos queijinhos assados e umas inesperadas e deliciosas pétalas de toucinho. Se gosta de tutano experimente as vieiras do montado. No dia em que lá fui recentemente, um sábado, havia cozido de grão, com chouriço mouro e farinheira, boas carnes da região. Na sobremensa venceu uma boleima de maçã e uns queijinhos de ovos irresistíveis. A casa tem duas salas, fica nos limites de Portalegre, e além das duas salas do restaurante tem uma zona onde pode adquirir produtos que levam o carimbo do autor de toda esta cozinha, José Júlio Vintém. Destaque para os seus enfrascados - perdiz de escabeche, orelha de porco, salada de pato, coelho de vilão e fraca de escabeche. A acompanhar a refeição veio um vinho da região, o Herdade Porto da Bouga, tinto, reserva. feito na Serra de São Mamede. O Tomba Lobos fica no Bairro da Pedra Basta, lote 16, e o telefone é o 965416630. Se seguirem a sua página no Facebook podem ver o que o Chef Vintém vai propondo na ementa, como uma perdiz brava assada no forno á antiga que por estes dias lá tem aparecido.

 

DIXIT - “Chega o Natal e os meus amigos inundam-me de cuecas e de meias. Triste fado. Mas por que motivo eu não terei um amigo como o amigo de José Sócrates?” - João Pereira Coutinho.

 

GOSTO - Da sugestão, de Marcelo Rebelo de Sousa, dirigida a Cavaco Silva, para que ele fale sobre a TAP.

 

NÃO GOSTO - De o FMI ter responsabilidades na epidemia do Ébola, segundo um estudo da Universidade de Cambridge, devido às políticas na área da saúde que implementou na África Ocidental.

 

BACK TO BASICS - O grande problema com os tempos actuais é que o futuro já não é aquilo que costumava ser - Paul Valéry

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publicado às 10:39

QUARENTÕES - Olhando para trás, para o início de 2013, o que me apetece dizer é que este foi um ano perdido. O Governo deixou muito por fazer e nos últimos meses as indecisões, os atrasos e a falta de capacidade de concretização tornaram-se regra. É como se a ideologia reinante fosse a procastrinação - não faças hoje o que não te apetece que aconteça amanhã. Isto aplica-se desde a gestão dos fundos comunitários a acordos de coligação para as próximas eleições, passando pela RTP ou até o novo Banco de Fomento. Este é sobretudo o ano daquilo que não aconteceu - mesmo que alguns episódios laterais, como o caso da corrupção nos vistos gold, a queda do BES e de Ricardo Salgado e a detenção de José Sócrates possam parecer indícios de mudança. Lamento muito ter opinião contrária - tudo isto foram distracções, areia lançada para a ventoinha de forma a tornar a visão menos clara e fazer esquecer a falta de mudanças de fundo. Nada do que se passou faz mudar o regime, embora até possa ser justo que algumas coisas tenham acontecido. Os corporativismos continuam, tanto na TAP como noutras greves de transportes, o preconceito ideológico voltou a ser dominante sobre o raciocínio e nada disto encerra boas notícias. Este é o ano em que se completam quatro décadas sobre a mudança de regime, em 1974. Seria curioso estudar quanto dessas  décadas foi tempo perdido, agora que temos quase tanto tempo de democracia como de ditadura. Hoje, finalmente, começamos a ter uma ideia de que em termos de país a nossa mudança foi fraca, pouco produtiva e que gerou muita corrupção e um sistema político-partidário mais do que suspeito. Não é um bom retrato de quem entra nos quarentas.

 

SEMANADA - Costa foi visitar Sócrates a Évora - mas estou a falar de Pinto da Costa; um amigo meu, a ver a cena na TV, saíu-se com esta: “les beaux esprits se rencontrent”;  os EUA declararam o fim do embargo a Cuba; no mesmo dia o rublo teve uma queda histórica; o Papa Francisco disse que a resolução das relações entre Cuba e os EUA era o melhor presente que podia ter no seu aniversário; Putin começou o ano a ameaçar e parece ir fechá-lo a meditar; num cenário próximo da deflação a Entidade Reguladora do Sector Energético efectuou, para 2015, um aumento de 3,3% nos custos da electricidade para uso doméstico; um terço do novo crédito ao consumo destinou-se à compra de automóveis; o fundo de resgate municipal já recebeu pedidos de 14 Câmaras; o Ministro Poiares Maduro escreveu num artigo de opinião que o Conselho Geral Independente da RTP “contribui para um serviço mais dinâmico e inovador”; Marques Mendes disse na SIC que o CGI “está morto e enterrado”; Nuno Morais Sarmento afirmou que o modelo proposto por Maduro para a RTP “não faz sentido”; Alberto da Ponte, Presidente da RTP, pediu “bom senso” ao Governo; Passos Coelho disse no Conselho Nacional do PSD que não precisa do CDS para ganhar eleições; escolas de diversos pontos do país abrem as suas cantinas nas férias escolares para prestarem ajuda alimentar a famílias carenciadas; 30% dos portugueses nunca utilizaram a Internet; um estudo do Ministério da Economia indica que quase 90% das reivindicações dos trabalhadores em greve são rejeitadas; o Instituto de Medicina Legal tem 57 mortos que não foram reclamados; Ricardo Salgado foi eleito o pior CEO de 2014 pela BBC; os sócios brasileiros da PT, acordados entre Lula-Dilma e Sócrates, são frescos: a Andrade Gutierrez, accionista da Oi, está a ser investigada no âmbito de um caso de corrupção de grandes dimensões no Brasil.

 

ARCO DA VELHA - O Arcebispo de Braga recusou a investigação, no Tribunal Eclesiástico da sua Arquidiocese, de acusações de pedofilia que recaem sobre um padre de Fafe, preferindo que a investigação seja desenvolvida pela congregação dos Dehoninanos, a que o padre pertencia.

 

FOLHEAR - Ainda há espaço para criar novas publicações em papel? Depois de ter reinventado o conceito de publicação mensal, a Monocle avança agora para o conceito de anuário - o novíssimo “Forecast”, assinado “by Monocle”, pretende ser lido ao longo dos próximos meses para que o possamos recordar ao longo de 2015. Dantes chamava-se a isto um almanaque - temos entre nós o belo exemplo do Borda d’Água, muito mais modesto na abrangência e no número de páginas, mas tivémos durante anos o Anuário editado pela empresa que hoje detém por exemplo o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias. Os anuários - a Bertrand edita hoje o melhor anuário português - são peças centrais de leitura porque são feitos para perdurar. A revista mensal “Monocle” ganhou relevância pela forma inovadora com que passou a tratar de alguns assuntos, como descobriu temáticas inesperadas e como fomentou diálogos e debates pouco ensaiados. O número inaugural de “Forecast” foi publicado por estes dias e tem como tema principal descobrir quais os pontos que devem ser o centro das nossas atenções em 2015. Não se trata apenas de tendências, como acontece na edição da Wired que aqui referi na semana passada, é mais que isso. Por exemplo, como deve ser a televisão quando fala de política - que leitura tão interessante para o serviço público da RTP, este artigo, quase provocatório no nosso contexto, que relata experiências de outros países, a começar pela vizinha Espanha. Do design à comida, passando pela ficção, com incursões na fotografia, na moda, nos comportamentos, o lema da “Forecast” é “A View Beyong The Horizon”: que slogan perfeito.

 

VER - Cada vez que me sinto inquieto e não sei onde hei-de descobrir coisas para ver tenho a tendência de visitar o site da Saatchi Gallery. O local físico, próximo de Sloane Square, em Londres, onde antes foi um antigo quartel militar, tornou-se um incontornável radar de arte contemporânea. Com base no acervo da colecção Saatchi, e mantendo o mesmo espírito de abertura e descoberta que marcaram aquela colecção, a Gallery, que na verdade nos poucos anos de vida já ganhou direito a ser considerada uma instituição, é um dos motivos pelos quais lamento não ir mais frequentemente a Londres. Presentemente apresenta duas exposições colectivas que, cada uma à sua maneira, se revelam novas fontes de descoberta. A primeira, “Pangea - New Art From Africa and Latin America” é um catálogo vivo daquilo que mais interessante se produz agora na arte contemporânea daquelas regiões. Ainda mais interessante é a colectiva “Post Pop: East meets West” (na imagem) onde algumas dezenas de obras artistas, de Keith Haring a Ai Wawei, passando por Jenny Holzer, são postas em confronto. Falizmente o site www.saatchigallery.com permite, mesmo à distância explorar e descobrir grande parte do que por lá se passa.

 

OUVIR - Uma das incontornáveis edições musicais deste ano é a nova colectânea, de seis discos, “The Basement Tapes”, resultado de um período, na primavera e verão de 1967, durante o qual um Bob Dylan convalescente de um acidente de moto, em conjunto com The Band, compôs e gravou cerca de 100 canções. O mais extraordinário é que além destes temas, que eram mais ou menos conhecidos, houvesse mais umas dezenas de letras escritas por Dylan, não musicadas, mas feitas nessa época, e absolutamente desconhecidas durante todos estes anos. Esta foi a matéria prima de uma outra colectânea, recente, que é outra das grandes edições de 2014,  “Lost On The River”. T. Bone Burnett, um dos mais importantes e históricos produtores discográficos norte-americanos, encarregou-se de providenciar a junção de talentos que musicou e interpretou alguns desses temas, que deu melodia às letras de Dylan, com a ajuda de nomes como Elvis Costello, Marcus Mumford, Jim James (My Morning Jacket), Rhiannon Giddens (Carolina Chocolate Drops) e Taylor Goldsmith (Dawes). Esses meses de 1967 foram uma época particularmente fértil para Bob Dylan, e mesmo as canções deixadas por acabar, e que aqui se revelam, mostram a enorme criatividade do seu autor naquela época. Os convidados desempenham com esmero o que deles se esperava - que não fossem traidores à ideia original. Pela surpresa e talentos envolvidos esta é a minha colectânea do ano - “Lost on the River: The New Basement Tapes” (editado pela Harvest/Electromagnetic, comprado na Amazon)

 

PROVAR - Confesso ter uma especial tentação por figos secos nesta altura do ano. Um dia destes fui surpreendido por uns figos secos invulgares: à primeira dentada revelaram amêndoas no seu interior em vez da polpa natural. São figos especialíssimos - diria que quase vigaristas: mete-se-lhes o dente e em vez do sabor esperado fui assaltado pelo paladar da boa amêndoa algarvia. Uma curta investigação detectou a origem: www.portugalclick.com, uma loja online inspirada na qualidade, proximidade e serviço das antigas mercearias de bairro. Se quiser os figos com um acompanhamento adequado a mesma loja online  tem “A Velhinha dos Vermelhos”, nome de origens desconhecidas e certamente provocatório, que alberga um medronho artesanal suave e que é capaz, com vantagem, de bater o pé a uma qualquer grappa importada. Estes figos cheios, assim se chamam, são uma especialidade algarvia. A portugalclick.com tem ainda produtos de outras regiões, vinhos das melhores proveniências, como Flor do Tua, a Quinta da Cinchorra Reserva 2010 ou o superior Quinta do Crasto reserva 2012, além de produtos pré-cozinhados como perdizes  estufadas e de escabeche. Experimente viajar no site e veja esta montra de produtos portugueses que farão a delícia de muita gente no Natal: entregas à medida do freguês e em 24 horas.

 

DIXIT -  “Quem é que em Portugal não confiava no Dr. Ricardo Salgado?”  - José Manuel Espírito Santo

 

GOSTO - De saber que Horta Osório foi designado Chairman da Wallace Collection, uma das mais importantes instituições culturais britânicas.

 

NÃO GOSTO - Da sucessão de greves no sector dos transportes, dos interesses corporativos que recusam a mudança e prejudicam tantas pessoas.


BACK TO BASICS - Há uma grande diferença entre saber governar e ocupar um lugar no Governo - H.L. Mencken

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publicado às 18:41

ALERTA - Silva Peneda, o Presidente do Conselho Económico e Social, que se tem revelado autor de algumas das mais certeiras opiniões sobre o que se passa na sociedade portuguesa, disse esta semana que “é preciso perceber que não foi o mercado que falhou, o que falhou foi o sistema político que não foi capaz de prever, fiscalizar e disciplinar o funcionamento dos sistemas financeiros”. Reivindicou que “as políticas públicas deverão penalizar a especulação”  e defendeu que “os apoios financeiros têm estar, prioritariamente, ao serviço de quem cria emprego e riqueza”. Sublinhou que “a suposta auto-regulação dos mercados é uma teoria sem qualquer adesão à realidade”  e, por isso, defendeu que “a intervenção dos poderes públicos seja decisiva”. Mas talvez o momento mais importante tenha sido quando sublinhou que não basta querer reformar o Estado, é fundamental reformar e rever o modelo de governação, que deverá ter como bases a visão a longo prazo, o diálogo estruturado e a concertação, em vez da visão a curto prazo que predomina e incentiva a disputa partidária. E não resisto a citar mais este excerto: “É costume dizer que o maior problema é o desemprego. E é verdade. É preciso ter a consciência de que a manterem-se os valores elevados de desemprego, e o fenómeno de pobreza que lhe está associado, e a debilidade do investimento, o que está verdadeiramente em causa é a perda da confiança no futuro. O que inquieta é saber que os cidadãos vítimas do desemprego correm o sério risco de, com o tempo, perderem a confiança em si próprios e nos que os rodeiam. O que assusta é sabermos que quando se perde a confiança em nós próprios já não há mais nada a perder.”

 

SEMANADA - Banqueiros e administradores do BES e do GES encontram-se entre os principais doadores da campanha de Cavaco Silva em 2011; Ricardo Salgado disse na Comissão Parlamentar que “o BES não faliu, foi forçado a desaparecer”; desde que foi preso José Sócrates já escreveu quatro cartas a orgaõs de informação; António Costa admitiu erros no governo de Sócrates e anunciou que o irá visitar à prisão de Évora mais perto do Natal; uma das primeiras propostas de António Costa depois de ser confirmado à frente do PS foi a de repôr os feriados que foram suspensos; segundo a Marktest, em Novembro de 2014, António Costa foi líder em termos de duração total das notícias nos canais generalistas de televisão - esteve em 92 notícias com um total de 4 horas e 20 minutos de duração; apenas 7% do volume de negócios da área da construção civil é proveniente da reabilitação de edifícios; o serviço Nacional de Saúde perdeu 3 mil enfermeiros em dois anos; Portugal tem a taxa de mortalidade por pneumonia mais elevada no conjunto dos países da União Europeia; no ranking das melhores unidades de saúde, os hospitais de Lisboa ficaram pior classificados do que os do Porto e do Alentejo; mais de 60% dos doentes internados chegam aos hospitais pelas urgências; 1560 médicos recém formados estão a aguardar indicação sobre onde vão fazer o internato a partir de 2 de Janeiro; as fraudes no Serviço Nacional de Saúde ascendem, no ano de 2014, a 118 milhões de euros; nas prisões portuguesas há 51 reclusos por crimes de corrupção; na bolsa portuguesa , das 47 cotadas há 22, quase metade, a valer menos de um euro;  na Europa foram criados 100 mil empregos relacionados com marcas de luxo; as empresas e lojas instaladas na Avenida da Liberdade representam um volume de negócios anual de quase 14 mil milhões de euros; na avenida há somente 11 fogos ocupados com habitação.

 

ARCO DA VELHA - O índice da economia paralela aumentou 2013 e atinge um recorde de 26,81% do PIB - as principais causas deste aumento são "o peso dos impostos diretos e indiretos e das contribuições para a segurança social, e a taxa de desemprego".

 

FOLHEAR - 2015 vai ser o ano do robot? Essa é uma das apostas da edição especial da revista “Wired”, dedicada à antevisão do próximo ano, sob o título genério de “What’s Next”. Editado pela Wired britânica este anuário explora o que pode acontecer em campos tão diversos como os negócios, a tecnologia, a medicina, a política e actuação dos governos, a evolução dos media, ambiente e lifestyle. Nas 104 páginas da publicação cabem ainda artigos de James Dyson sobre os novos robots, de Saul Klein sobre o crescimento económico das indústrias criativas e de Carlo Ratti sobre os automóveis sem condutor e as cidades do futuro - isto para além de 101 ideias que vão mudar o mundo e um catálogo de gadgets, de bicicletas a sistemas de som. Boa leitura para nos situarmos no planeta. Mas talvez o mais fascinante artigo seja o de David Hambling sobre o grande salto que pode ser proporcionado pelos novos processadores que permitem o desenvolvimento da computação neuromorfica - processadores que não só são mais eficazes como, de alguma forma, podem tornar os aparelhos que usamos no dia a dia mais humanos - porque a forma de concretizar o processamento dos dados se assemelha à forma como o cérebrocompreende e age em função de imagens ou de sons, por exemplo.

 

VER - Semana rica em possibilidades. Começo por destacar, no MUDE (Museu do Design e da Moda”, a exposição dedicada à obra de António Lagarto enquanto figurinista. Sob o título “De Matrix à Bela Adormecida” inclui cerca de 200 figurinos feitos nas últimas três décadas para o ballet Gulbenkian, para os Teatros Nacionais de São João e D. Maria II, e ainda para o São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado. Finalmente é possível ter uma visão de conjunto da obra de um dos grandes cenógrafos e figurinistas portugueses contemporâneos. Até 29 de Março, de terça a domingo, entre as 10 e as 18h00. Como dia António Lagarto, “fazer figurinos é contar uma história que é paralela à história do espectáculo”. Vale a pena destacar também a exposição “Almada Negreiros - O Que Nunca Ninguém Soube Que Houve ” que na Sala Cinzeiro 8 do Museu da Electricidade, que apresenta desenhos, pinturas e livros de artista de Almada Negreiros - até 29 de Março (na imagem). Outra exposição a não perder é “Toda a Memória do Mundo, Parte Um”, da Daniel Blaufuks, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado. Esta exposição de fotografias e video de Blaufuks nasceu em torno das obras de dois escritores, Georges Perec e de W.G. Sebald e pode ser vista até 22 de Março. Na Garagem Sul do CCB está a exposição “Homeland - News From Portugal”, organizada e produzida pela trienal de Arquitectura para a 14ª Mostra Internacional de Arquitectura da Bienal de Veneza. Finalmente vale a pena referir a exposição de Miguel Telles da Gama, Azul Profundo, na Casa Museu Medeiros e Almeida, até 31 de Janeiro.

OUVIR - O tempo tem destas coisas - levar-nos a esquecer onde tudo nasceu. Uma das maiores discográficas do mundo foi a EMI, de Londres, com instalações em Abbey Road, empresa que assim se chamava porque queria dizer Electric And Musical Industries, designação de que poucos se lembrarão nas Bolsas onde está cotada. Se podemos encontrar um paralelo português para este caso a escolha cai na Valentim de Carvalho, dedicada à electrónica e à música a partir de uma loja no coração de Lisboa, na Rua Nova do Almada, desde o início do século passado. Em 1951, na histórica loja do Chiado, consumida pelo incêndio de Agosto de 1988, Amália Rodrigues gravou pela primeira vez para disco. Tinha na altura 31 anos e já uma carreira asinalável no teatro e no cinema. Pela mão de Rui Valentim de Carvalho e Hugo Ribeiro, o técnico de som com quem ela sempre quis trabalhar, gravaram-se numerosas bobines de fita magnética, que a empresa sempre salvaguardou. Muitos desses registos nunca viram a luz do dia  - alguns fragmentos foram sendo usados ao longo dos anos mas nunca se teve a noção da essência do tempo - até agora. O duplo CD “Amália no Chiado” é um trabalho exemplar de recuperação de memória. Permite-nos ouvir Amália em 46 fados e canções, com uma voz fresquíssima, à vontade, a cantar aquilo de que gostava, da “Perdição” à “Libertação” - os inéditos do Chiado. No segundo disco gravações antigas, algumas já editadas, mas dispersas, ou de “la Vie en Rose “ até à “Falsa Baiana”. “Amália no Chiado”, uma belíssima edição coordenada por Frederico Santiago, tem ainda vantagem de incluir um texto original sobre a carreira de Amália escrito por Vitor Pavão dos Santos, o seu mais notável estudioso, um texto cheio de histórias de época e de memórias. Poucas edições discográficas em Portugal têm esta qualidade. É verdadeiramente um álbum exemplar que nos ajuda a entender a vida de Amália e a ouvir o seu génio. (Duplo CD, edições Valentim de Carvalho).

 

PROVAR - Um bom disco, um bom restaurante, um bom livro ou um bom vinho têm uma coisa em comum: são um trabalho de amor, talento e perseverança. Já aqui tenho louvado a obra de José Bento dos Santos na sua Quinta do Monte D’Oiro, onde introduziu castas poucos frequentes em Portugal, desde que adquiriu a propriedade em 1986. Também ganhou fama de vazer vinhos invulgares, como estes três de que hoje vos falo. Enquanto o sol dura neste Outono, começo por um branco, o Madrigal 2012, um monocasta viognier elaborado pela enóloga Graça Gonçalves, com o apoio de Grégory Viennois, a equipa que elabora os vinhos da Quinta. A casta viognier, oriunda das encostas do Rhône, que começa a aparecer com maior frequência em Portugal, permite vinhos brancos de uma grande elegância e paladar, frescos e levemente florados, de que este Madrigal é um bom exemplo; depois sugiro a prova do Têmpera 2011, um vinho feito com a portuguesa Tinta Roriz  - um tinto com toques de frutos silvestres, muito adequado para pratos tradicionais de cozinha portuguesa; e finalmente, a estrela da casa, o Syrah 24 de 2011, proveniente da parcela 24 da vinha, com apenas dois hectares e plantada em 2004 - é um vinho reserva que estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês, muito envolvente e suave, com notas de frutos pretos, chocolate e especiarias. São três vinhos sedutores e inesperados, à venda nas boas garrafeiras.

 

DIXIT - “Ricardo Salgado não lida maravilhosamente com a verdade” - Pedro Queiroz Pereira

 

GOSTO - Da ideia de viagens low cost para os Açores.

 

NÃO GOSTO -  Da ideia de que o Serviço Público de Televisão deve ser concorrencial em relação aos privados.

 

BACK TO BASICS - Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades - ditado popular

 

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publicado às 14:00

RTP - Os acontecimentos das últimas semanas mostram que, à primeira prova de fogo, o modelo de governação implementado este ano pelo Ministro Poiares Maduro na RTP deu em conflito insanável. Na prática o modelo proporcionou que regressássemos à época em que os Conselhos de Administração da RTP eram demitidos face às circunstâncias políticas do momento - pode dizer-se que esta coisa de demitir Conselhos de Administração da RTP era um comportamento do século passado. Quando Morais Sarmento tutelou o sector instituíu, e bem, a impossibilidade de demitir o CA, deixando-o cumprir os seus mandatos e os seus projectos. Foi isso que permitiu que a partir de 2002 a RTP tivesse traçado um percurso de reestruturação profundo, graças à estabilidade da sua administração - que, ouvindo o accionista, desenvolvia a sua estratégia. Esse percurso de 12 anos foi agora interrompido, tornando-se evidente a falência do modelo preconizado pelo actual Governo. Tenho alguma curiosidade em saber se face ao acontecido - e sobretudo face à clara existência de várias posições públicas divergentes no executivo -  o Ministro não considera a hipótese de se demitir perante os resultados da situação que criou, e que teimou em implementar apesar de numerosos avisos públicos e privados. Ao contrário daquilo que parece, o que se passou não tem a ver com o caso da Champions - que foi um pretexto -  tem a ver com a falta de coragem do accionista em apontar um caminho de serviço público, baseado na complementaridade e não concorrência em relação aos privados, um modelo de serviço público que devia fomentar o papel de regulador do sector, fomentar o papel estruturante e dinamizador que a RTP devia ter na produção audiovisual portuguesa, essencial para a defesa da nossa língua e cultura no mundo digital. A questão não é essencialmente de orçamento, é sobretudo de escolhas - talvez com menos canais, menos espalhafato, desenvolvendo competências e informação regional, fazendo programação de referência infantil, impulsionando a produção de documentários, desenvolvendo ficção e formatos nacionais e abandonando alguns conteúdos que consomem mais orçamento e cuja tipologia já existe nos canais privados. É ambicioso? Pois é, mas também o são os desafios de qualquer estação de televisão neste momento - e a RTP tem a vantagem de ter profissionais e equipas com capacidade de o fazer se forem motivadas e se existir uma ideia clara do que deve ser prestar serviço público, única razão para ter o financiamento que recebe dos portugueses.

 

SEMANADA - A Ministra das Finanças diz que a Troika não tem razão em dizer que o Governo perdeu o ímpeto reformista; o CDS afirmou querer repôr o feriado de 1 de Dezembro, retirado na reforma dos feriados abolidos em 2012; dos 1711 cargos dirigentes da administração central que deviam ser eliminados apenas foram extintos 463; o barril de petróleo desceu muito mas a diferença no preço dos combustíveis ainda não se fez sentir nos consumidores na proporção dessa descida; até Novembro foram vendidos mais 37,3% veículos do que em igual período do ano passado, um total de 156.351 unidades; os hotéis do Algarve, Madeira e Porto estão praticamente sem vagas para a passagem do ano; a Universidade de Aveiro é a preferida pelos estudantes estrangeiros que estão a fazer o Erasmus em Portugal; apenas 50,7% dos alunos do secundário dizem que em em casa é habitual lerem-se jornais, revistas ou livros; um estudo da OCDE indica que funcionários de empresas públicas são os que mais aceitam subornos internacionais; António Costa estabeleceu o objectivo de maioria absoluta para o PS, nas legislativas de 2015 e anunciou recusar coligações com PSD e CDS; no rescaldo do congresso do PS Francisco Assis disse que ali foi estabelecido “um modelo de partido que não é o meu, não me reconheço”; o antigo primeiro-ministro, José Sócrates, e o empresário Carlos Santos Silva, amigo de infância do socialista, financiaram a campanha eleitoral de António Costa às eleições primárias do Partido Socialista; José Sócrates foi medicado, no estabelecimento prisional de Évora, para regular a tensão arterial, que estava elevada.

 

ARCO DA VELHA - Um parecer de um catedrático de Direito da Universidade de Coimbra, Calvão da Silva, defende que a prenda de 14 milhões de euros, de um construtor a Ricardo Salgado, pode ser entendida como um exemplo de “espírito de solidariedade e entreajuda”.

 

FOLHEAR - Querem saber o que aconteceu a Van Gogh nos últimos dias da sua vida? A sua morte terá sido suicídio ou assassínio? - esta é a pergunta a que a Vanity Fair tenta responder na edição de Dezembro, que tem Angelina Jolie na capa, fotografada por Mario Testino. Outro dos grandes artigos desta edição é dedicado à luta entre a editora Hachette e a Amazon. Graydon Carter, o histórico editor da “Vanity Fair”, resume assim o que está em jogo: “a luta a propósito do preço é de facto uma disputa sobre como remunerar a criatividade - e, sendo assim, sobre a própria essência do valor da cultura”. Outros artigos imperdíveis: as memórias de Anjelica Houston com Jack Nicholson, a maneira como nasceu a Khan Academy no YouTube, ou a reportagem sobre o crescimento do serviço de transporte da Uber.

 

VER - Quem me dera poder estar em Madrid para ver a exposição que a arista portuguesa Cristina Ataíde ali inaugurou ontem. Chama -se “Esperando que nieve…” , inclui desenhos de grandes dimensões de 2010 (na imagem) e está no  Centro de Arte Alcobendas, na Mariano Sebastián Izuel, 9. Pondo os pés na terra e regressando a Lisboa, confesso que estou cheio de vontade de ir ver ao Museu Nacional de Arte Antiga ver as obras da colecção de Franco Maria Ricci, que uma boa fortuna trouxe até Lisboa. Se quiser variar para o desenho e colagens posso ir até à Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38) ver a exposição “Araruta”, de Ana Jotta e Manuel Caldeira. Descendo até ao nº4 da 24 de Julho podemos descobrir fotografias  do livro “A Flor do Mal”, de Pedro Norton, expostas n’a Pequena Galeria. E na Baginski (Rua Capitão Leitão 51), quatro artistas (Emilio Chapela Perez, Bruno Cidra, Jan Nálevka e Katarina Poliaciková) expõem “Truth And Void Between Realities”, interrogações sobre a natureza e os limites da imaginação humana.

 

OUVIR - António Zambujo continua a ser um caso à parte na música portuguesa contemporânea. Em primeiro lugar isso deve-se à sua capacidade de interpretação, em segundo lugar fica o seu cuidado na escolha das canções que grava e dos autores que selecciona. Em “Rua da Emenda”, o seu novo disco, estão nomes como João Monge, Samuel Úria, Miguel Araújo, Maria do Rosário Pedreira, José Eduardo Agualusa, José Fialho Gouveia, Edu Mundo e até Serge Gainsbourg com a “Chanson Du Pévert”. Zambujo canta gingão, tem voz malandra, entoação picante e quem o ouve sente-se parte da história que ele está a cantar. Confesso que de todas as canções - e não lhes chamo fados de propósito - a que mais gosto é a “Barata Tonta”, escrita por Maria do Rosário Pedreira, que se vai tornando obrigatória nos seus discos, e o próprio António Zambujo, que compôs a música. Basta isto para perceber porquê: “Ai, por um sonho dos seus/Emq ue fosse eu quem a beija/ Dava toda a minha vida”. E “O Tiro Pela Culatra”, outra canção de Maria do Rosário Pedreira, não lhe fica atrás em matéria de canções com história e que podiam dar filmes. (CD Universal/ Sons Em Trânsito).

 

PROVAR - Gosto perdidamente de romãs, esse fruto de outono, às vezes tão difícil de preparar. Gosto de o misturar em saladas, de o usar em alguns cozinhados, de reduzir o seu sumo e usá-lo nos molhos. A árvore, ainda por cima, é lindíssima. O melhor livro que conheço, onde as romãs fazem parte da acção, é “Summer At The Villa Rosa”, de Nicky Pellegrino, passado no sul de Itália, e que li há uns anos. Como frequentemente acontece nas obras de Pellegrino as receitas culinárias e a descrição das refeições são parte integrante da história. Lembrei-me disto tudo enquanto bebia a melhor alternativa que conheço à água, o Sunlover Winter Edition, precisamente feito à base de romã e, tal como a água, com zero calorias. É a bebida mais agradável e potencialmente mais saudável que já experimentei.

 

DIXIT - “O agente público que está na posse de riqueza de que não se sabe a origem põe em causa a credibilidade das instituições democráticas” - João Cravinho.

 

GOSTO - De Marcelo Rebelo de Sousa ter chamado a atenção para a maneira como os deputados seguem os trabalhos parlamentares nos ecrãs dos seus computadores observando “raparigas avantajadas”.

 

NÃO GOSTO - Da péssima tradução nas legendas do filme “Saint Laurent”, actualmente em exibição.

 

BACK TO BASICS - Odeio televisão da mesma forma que odeio amendoins - o único problema é que não consigo deixar de comer amendoins (Orson Welles)

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