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LISBOA - Aqui está uma coisa que me intriga: porque é que o actual Presidente da Câmara de Lisboa, o tal que foi nomeado por António Costa sem ter sido eleito para o cargo, não diz nada sobre o extraordinário projecto de arrasar com a estação de Santa Apolónia, defendido pelo seu compagnon de route Manuel Salgado? O Sr. Medina anda caladinho que nem um rato, a ver se passa na chuva sem se molhar. Claro que o Sr. Medina devia pôr ordem na Câmara e, quanto mais não fosse, salvar as aparências - o atelier do Sr. Salgado, antes de ele ser vereador, tinha imaginado a estação de Santa Apolónia eliminada, como parte de uma reestruturação que, sob o manto diáfano da proximidade do rio e dos espaços verdes, possibilitasse criar um corredor onde, entre arbustos, nascessem mais uns empreendimentos imobiliários, comerciais ou hoteleiros. Diga-se aliás que o vereador Salgado, familiar do Dr. Ricardo Salgado, na sua anterior encarnação como arquitecto, teve numerosas ocasiões de cruzar negócios com o BES, banco que por acaso estava ligado a esses empreendimentos. A sua preocupação com a jardinagem da frente ribeirinha é tudo menos ecológica ou paisagística. Vamos a ver se o Sr. Medina tem opinião própria ou se segue apenas as conveniências.

 

MUNDO - Eu fico muito preocupado com a situação grega e europeia embora ache que quem semeia ventos colhe tempestades. Mas não consigo deixar de achar extraordinário que não haja uma preocupação proporcional com a barbárie das execuções do ISIS esta semana conhecidas -  crucificar crianças que foram apanhadas a comer durante o Ramadão,  afogar homens em jaulas com gravações subaquáticas dos seus últimos momentos a afogarem-se, ou colocar colares explosivos noutros, comandados à distância. E também me incomodo com as limitações e perseguições que existem em países africanos, asiáticos ou da América do Sul. Queria só lembrar que há mais no mundo para além do caos grego e das encenações do Sr. Tsipras.

 

SEMANADA - Este verão metade dos portugueses fica em casa nas férias ;  o numero de apartamentos portugueses no airbnb é de 26.700, mais 65% que há um ano;  a população estrangeira residente em Portugal diminuiu 1,5 por cento em 2014, totalizando 395.195  imigrantes; em 2014, a comunidade estrangeira que mais aumentou foi a chinesa, que passou a ser a quinta mais representativa (21.402), com um crescimento de 14,8% face a 2013, ultrapassando a angolana, que diminuiu 2,3 por cento; mais de cinco mil empresas dependem em exclusivo de Angola em matéria de exportações; a taxa de poupança das famílias recuou para 6,8% do rendimento disponível nos primeiros três meses deste ano, a mais baixa desde o último trimestre de 2008; a exposição de Portugal à Grécia é de 4,6 mil milhões de euros, quase o dobro da Irlanda; as fábricas de conservas portuguesas estão a comprar metade da sardinha que utilizam a Espanha, França e Marrocos por falta de oferta no mercado nacional; o relatório provisório de incêndios florestais do ICNF indica que, entre 1 de Janeiro e 15 de junho, registaram-se 6.113 fogos, mais 3.578 do que no mesmo período de 2014;  os 6.113 incêndios resultaram em 14.971 hectares de área ardida, mais 9.446 do que no mesmo período de 2014, quando as chamas consumiram 5.525 hectares; 2015 vai ter o arranque de aulas oficial mais tardio da última década; Miguel Relvas comparou-se a Mouzinho da Silveira em matéria de dimensão das reformas autárquicas que ambos fizeram - a de Mouzinho da Silveira foi feita em 1832.

 

ARCO DA VELHA - Os serviços de informações enviaram um email a 383 candidatos a espiões pedindo-lhes que confirmassem o interesse numa vaga a que tinham concorrido - mas na mensagem enviada  estavam os endereços de todos os concorrentes que assim ficaram expostos numa acção muito pouco secreta dos nossos serviços secretos.

 

FOLHEAR - O disfarce é uma arte, a ilusão é  o segredo de qualquer mistério. Ao colocar na capa um transexual a Vanity Fair mostra como continua a conseguir conciliar o seu lado iconoclasta com o facto de ser uma das bandeiras do melhor grupo editorial de revistas,  Condé Nast. Não é por acaso que capas destas nascem - a Vanity Fair tem à frente um dos mais marcantes editores de revistas das últimas décadas, Graydon Carter, e uma das dores de cabeça da Condé Nast vai ser escolher o seu substituto quando ele atingir o limite de idade imposto pela empresa aos seus quadros superiores. Com Carter a Vanity Fair dedicou-se a explicar o que se passava à sua volta - fosse na finança, na política, na guerra ou nos costumes. Editou investigações, reportagens, perfis de pessoas influentes, contou histórias. Esta capa, que retrata o ex atleta olimpico Bruce Jenner depois de ter operado a sua transformação de género e se ter passado a chamar Caitlyn, é um exemplo de como a Vanity Fair é diferente do resto. Não aborda o tema com sensacionalismo, mas publica uma história muito bem escrita e superiormente fotografada por Annie Leibowitz. Nesta edição, de Julho, há muito mais para ler - dos cenários de guerra aos do ballet, passando pelos das novas séries de televisão.

VER - A galeria Mário Sequeira, em Braga, é um caso raro no panorama português da arte contemporânea. Nascida em 1994 no rés do chão de uma antiga casa de quinta do final do século XIX, a Galeria tem exibido ao longo destas duas décadas de vida, nomes como Richard Long, Gerhard Richter, Anselm Kiefer, Sigmar Polke, Georg Baselitz, Andy Warhol e Rachel Witheread, entre outros. Em 2000, a galeria inaugurou um novo edifício projectado por Carvalho Araújo, rodeado por um  jardim onde já foram apresentadas exposições de escultura de exterior de artistas como  como Anish Kapoor, Richard Long, Rui Chafes, Pedro Cabrita Reis, Serge Spitzer,Gary Webb, Gavin Turk, Aaron Young e Liam Gillick, entre outros. A partir deste sábado a Galeria acolherá “E Não Havia Nada Que Não Viesse do Olhar”, uma exposição individual de Pedro Calapez, a partir das suas pinturas sobre alumínio. Segundo Pedro Calapez, as obras, na sua maioria inéditas, são trabalhos datados de 2013 a 2015, em suporte de alumínio (na imagem) e mostram diferentes séries de trabalhos. A exposição ficará patente até 30 de Agosto na Galeria Mário Sequeira, Quinta da Igreja, Parada de Tibães, Braga. Mais informações sobre a Galeria e suas exposições em www.mariosequeira.com .

OUVIR - Mão amiga fez-me chegar um disco que regista uma das incursões que Keith Jarrett tem feito pelo território da música clássica. Já conhecia as suas incursões pela obra de Bach, confesso que desconhecia estas “Suites For Keyboard”, de Handel, que Keith Jarrett gravou, em piano, em Setembro de 1993 e que foram originalmente editadas pela ECM em 1995. A gravação foi feita em Nova York e o próprio Jarrett explica nas notas de capa como considera Handel um dos mais interessantes compositores barrocos, cujas composições para teclas são pouco conhecidas. Foi precisamente para chamar a atenção para esses trabalhos de Handel que Jarrett se dispôs a fazer esta gravação, seleccionando ele próprio o repertório que decidiu interpretar. Originalmente estas composições foram tocadas pelo próprio Handel num cravo, um instrumento bem diferente do piano em que Jarrett optou por as gravar. Na época a opção foi polémica, mas a ideia era mostrar como elas poderiam viver em termos contemporâneos. Os puristas não receberam bem este disco, mas aqueles que gostam de ouvir música sem preconceitos, como acho que é o meu caso, ficam seduzidos pela forma como Keith Jarrett aborda as extravagâncias musicais de Handel. Uma delícia, à venda na FNAC.

 

PROVAR - O nosso ritmo de trabalho e a persistente mania de começar a trabalhar tarde - e acabar ainda mais tarde - impede um dos maiores prazeres destes dias longos que é um cocktail ao fim de tarde tomado com calma em volta de uma boa conversa, de preferência numa esplanada. Diga-se em abono da verdade que em Portugal a tradição de cocktails é fraca e as long drinks são frequentemente derrotadas pela cerveja. A excepção a isto nasceu da moda do Gin Tónico, que nos últimos anos se enraizou. Por estes dias tenho-me convertido ao Campari - uma bebida licorosa, com cerca de 24º, feita a partir de toranja, limão, laranja e especiarias, oriunda do noroeste de Itália, onde começou a ser popular por volta de 1860. Pode ser bebido com soda (uma parte de Campari para duas de soda, muito gelo e uma rodela de laranja), ou um Negroni (uma parte de Campari, uma de gin e uma de vermute tinto, uma rodela de laranja e gelo - bebida apreciada por Orson Welles quando estava em Itália),  ou ainda o Sbagliato - uma parte de Campari, uma de vermute e outra de prosecco, tudo com gelo e a rodela de laranja. Há quem na versão com soda inclua também uma medida de vermute - o resultado uma vez misturada a soda, dá pelo nome de Americano. Em dias quentes a minha preferência vai para o Campari Soda simples -  o sabor ácido da bebida ajuda a refrescar o espírito.

 

DIXIT - "O problema que neste momento afeta a Segurança Social chama-se pura e simplesmente desemprego", disse Manuela Ferreira Leite, notando que a sustentabilidade do sistema depende mais da situação económica do país do que do envelhecimento da população.

 

GOSTO - O CCB vai promover neste Outono uma mostra sobre o que foi a Exposição do Mundo Português, de Junho de 1940, realizada na zona de Belém, incluindo aquela onde o Centro foi construído.

 

NÃO GOSTO - De ver o centro de Lisboa, seja no Parque Eduardo VII ou noutro sítio,  transformado numa feira de gado e de hortaliças ao serviço de uma acção publicitária apoiada pela Câmara Municipal.

 

BACK TO BASICS - O respeito pelas tradições  nunca enfraqueceu uma nação e na realidade é algo que as fortalece nos momentos de perigo - Winston Churchill.

 

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publicado às 16:33

CABO COM MUDANÇAS À VISTA

por falcao, em 26.06.15

Até final do corrente ano poderemos ter uma alteração dos canais de cabo portugueses. A entrada da Altice na PT, onde procurará reduzir o valor dos contratos com os canais, poderá levar a médio prazo a alterações na paisagem audiovisual portuguesa – já que é natural que os outros distribuidores aproveitem a ocasião para procurarem igualmente renegociar em baixa os valores que pagam. Já na Cabovisão a Altice fez isso e desta vez o mercado televisivo aguarda com alguma expectative o que se irá passer – sendo que alguns canais têm como única fonte de rendimento o que recebem dos distribuidores já que as suas receitas publicitárias são residuais. As audiências obtidas passam assim a ser determinantes para aferir o valor negocial de um canal. Por exemplo o CMTV tem vindo a melhorar os seus resultados – na semana passada esteve em 18º lugar a nível nacional e em 8º na região sul, sendo que é distribuído através de uma única plataforma, a MEO. A TVI 24, graças aos jogos da Copa América, esteve à frente da SIC Notícias , tornando-se no segundo canal de cabo com maior audiência, logo atrás do Hollywood. Tudo isto acontece na semana em que o conjunto dos canais de cabo obteve o seu melhor resultado dos ultimos dois meses, ao conseguir captar 31,5% do total de audiências. O programa mais visto da semana continuous a ser a novella “Mar Salgado”, da SIC, o único canal aberto que não teve transmissões desportivas – matéria em que a RTP foi recordista.

 

(Publicado originalmente na revista "Sexta TV & Lazer" do Correio da Manhã)

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publicado às 16:30

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QUENTE - O verão promete ser escaldante não só na nossa política interna, mas também em Bruxelas. A razão desta onda de calor politico que agita a Europa está, claro, na Grécia. O que irá acontecer? O primeiro-ministro grego, Tsipras, estará a fazer bluff e recua na recta final? Ou o bluff parte do Eurogrupo, que agora estabelece como objectivo retomar as negociações e não um objectivo palpável de acordo nessas mesmas negociações? Quem, irá recuar? O Eurogrupo continuará colado a Berlim e ao FMI ou vai distanciar-se? Ou, no fim, ninguém recua? Por mais especialistas que surjam a dizer que uma saída da Grécia da Zona Euro não terá perigo de contágio a outros países, a verdade é que, se isso acontecer, o conceito de Comunidade Europeia até aqui existente mudará substancialmente. E, no meio disto, como ficará,a situação em Portugal, nas várias versões possíveis da evolução dos acontecimentos? Se a Grécia retomar negociações e conseguir alguma coisa - e já nem é preciso muito neste ponto - ficam com razão os que defendem que era possível outra via de negociação. Se a Grécia sucumbir, ficam sem saber o que fazer os que viam no Syriza o farol que lhes guiava o caminho. Uma solução negociada alimentará os que querem alterar as políticas de austeridade; uma ruptura não deixará de condicionar o eleitorado português nas suas decisões. Os próximos dias, as próximas semanas, vão ser escaldantes. Seja o que fôr que aconteça, existirão implicações na situação portuguesa, implicações que contaminarão as próximas eleições, poderão levar os partidos a alterar propostas já apresentadas e poderão, sobretudo, fazer o eleitorado pensar. Vai ser um verão quente.

 

SEMANADA - Há quatro queixas por dia apresentadas contra seguranças privados e 80% são por agressão; os agentes das secretas vão poder usar identidades falsas, vigiar e localizar telemóveis, ter acesso a dados fiscais e bancários e consultar facturações detalhadas; há 19 202 cães perigosos registados em Portugal; o PS, PSD e CDS devem um milhão de euros à Assembleia da República por terem recebido subvenções a mais nas eleições autárquicas de 2009; a segurança social recusou 1359 pedidos de reforma antecipada, um terço do total apresentado; as exportações portuguesas de vinho cresceram 20% nos últimos quatro anos; o peso do Turismo na balança comercial está a crescer 20% em 2015; os call centers instalados em Portugal empregam mais de 40 mil pessoas; trabalhadores precários ganham em média 730 euros por mês; em apenas cinco anos Portugal perdeu 200 mil habitantes; os transportes públicos totalizaram sete meses de greve ao longo dos sete ultimos anos; só este ano já se realizaram sete greves no Metropolitano de Lisboa; Donald Trump é o 13º candidato que se propõe às presidenciais norte-americanas pelo Partido Republicano; no fim de semana saíu a história de que Passos Coelho quer Fernando Nogueira como candidato presidencial em Portugal; o PS anunciou que a evolução da situação grega pode levar a alterar o seu programa eleitoral; Sérgio Sousa Pinto, deputado socialista, afirmou que não é impossível um acordo entre o PS e PSD; o Verão começa oficialmente dentro de momentos.

 

ARCO DA VELHA - A Ministra francesa da Ecologia fez um apelo público para que diminua o consumo de Nutella e, em resposta, o Ministro italiano do Ambiente defendeu o produto fabricado no seu país e anunciou que planeava jantar pão com Nutella.

 

FOLHEAR -  Diz a tradição que o fruto proibido é o mais apetecido. Por isso mesmo todas as proibição são em si mesmas um desafio - seja em que civilização fôr, seja em que época da História nos estejamos a focar. Proibir não é apenas uma questão ideológica - a segunda metade do século XX está cheia de proibições de um lado e outro das ideologias - ou até do Muro de Berlim, para falarmos numa coisa mais física. A  principal limitação do livro de António Costa Santos, “Proibido!”, originalmente editado em 2007 e com sucessivas reedições ao longo dos anos, é que atribui implicitamente apenas a razões ideológicas e c políticas a carga de proibições que atravessaram a sociedade portuguesa até 1974, descontextualizando-a dos brandos usos e costumes de então - fosse no tamanho dos fatos de banho, no comportamento público ou na protecção dos monopólios, como a Fosforeira Nacional. A lista de proibições  passava por beijos em público, casar com uma enfermeira ou usar isqueiro na rua (em casa era permitido). A favor do livro está o espírito de humor com que é escrito, mas também o rigor dos factos relatados. Tudo somado é uma peça fundamental para perceber como se vivia em Portugal antes de 1974, O livro foi escrito por António Costa Santos, tem 196 páginas e foi agora relançado pela Guerra & Paz.



VER - Enquanto não têm oportunidade de visitar o novo Whitney Museum, em Nova Iorque (na imagem), vale a pena passar algum tempo a navegar no seu também novo site -  http://whitney.org . Além de poder conhecer a história da instituição, criada em 1930 por Gertrude Vanderbilt Whitney, poderá também conhecer todos os detalhes do novo edifício projectado por Renzo Piano para o Meatpacking District, junto ao rio Hudson (originalmente estava em Greenwich Village). O site está cheio de imagens dos arredores do museu, muitas acompanhadas por descrições e pequenas histórias, e até por programas desenvolvidos em parceria com outras entidades do Meatpacking District e Chelsea e a já célebre Highline, um parque público que está a uma dezena de metros do nível da rua, onde anteriormente passava uma linha férrea de transporte de mercadorias que abastecia a cidade. E para além de toda a informação possível sobre as exposições em curso (o novo edifício foi inaugurado no princípio da primavera), é possível visitar virtualmente a colecção própria da instituição - o site anterior mostrava apenas 700 das suas obras e este permite visualizar 21 mil. Mais do que uma instituição única no panorama da arte, o Whitney é um exemplo de trabalho com a comunidade, e, neste caso,  sobretudo de integração na reconversaão urbana de uma parte importante e emblemática da cidade. Como poderão ver, tudo foi pensado e nada foi deixado ao acaso. Outras vidas - como diria alguém ao meu lado.

 

OUVIR - O segundo disco dos Real Combo Lisbonense é uma homenagem a Carmen Miranda -  a cantora que nasceu no  Marco de Canavezes em 1909, que foi para o Brasil com apenas dez meses e que, depois de aí ter feito carreira a partir de 1928, acabou por ir para os Estados Unidos, estreando-se na Broadway em 1939. Daí foi para Hollywood, onde fez 14 filmes. Criou a imagem da baiana extravagante e morreu aos 46 anos, em 1955. Em pouco mais de duas décadas de carreira deixou sua voz em 279 gravações no Brasil e mais 34 nos EUA, num total de 313 gravações. Onze dos seus temas, seleccionados entre os  mais conhecidos, foram recriados pelo colectivo "Real Combo Lisbonense" para o CD “Saudade de Você”, lançado há poucas semanas. Entre esles estão o célebre “Escrevi Um Bilhetinho”, mas também “Saudade de Você, “O Que É Que Você Fazia”, “Salada Mixta” e “Adeus Batucada”, entre outros. O Real Combo Lisbonense, uma aventura única na música portuguesa contemporânea, foi fundado por João Paulo Feliciano e inclui, entre outros, Tomás Pimentel (o trompetista que fez os arranjos), Bruno Pernadas, Sérgio Costa, David Santos, João Pinheiro, Rui Alves, Mário Feliciano e, nas vozes, Ana Brandão, Margarida Campelo, Joana Campelo e Ian Mucznik. Cá por casa o disco roda em alta rotação, sobretudo nos fins de tarde, quando a luz começa a esvair-se. “Saudade de Você- às voltas com Carmen Miranda”, CD Pataca, à venda nos sítios do costume.



PROVAR -  Confesso que este ano ainda não apanhei sardinhas daquelas que ficam na memória por boas razões. Mas em compensação esta semana provei umas cavalas em molho picante, acompanhadas por uma salada simples, que hei-de repetir ao longo do verão. O melhor de tudo é que qualquer um pode ter estas cavalas, inteiras, óptimas, à disposição - são produzidas numa das mais tradicionais fábricas de conservas de Portugal, a Pinhais, de Matosinhos. A fábrica exporta a maior parte da sua produção, apenas composta de conservas de sardinha e cavala, e em Portugal  pode ser encontrada em lojas seleccionadas. A produção é feita apenas a partir de peixe fresco pelo método tradicional, sem recurso a camaras congeladoras. O processo é baseado na salmoura , no cuidado manuseamento do peixe e depois na sua cozedura a vapor. Só depois de arrefecer ao ar, é que o peixe é enlatado e a única parte do processo em que são utilizadas máquinas é na esterilização e na cravação das latas, para as fechar. Este ritual de produção repete-se desde a fundação da Pinhais, em 1926.

Azeite virgem, molho de tomate e azeite virgem com picante são as variedades utilizadas e, até serem abertas, as conservas ficarão a apurar o sabor na companhia de uma rodela de cenoura fresca (descascada e cortada também na fábrica), uma rodela de pepino em salmoura, uma malagueta tratada em salmoura também, um pedaço de folha de louro, um traço de cravinho e uma bolinha de pimenta preta. Uma lata leva quatro cavalas saborosíssimas e dá uma refeição de verão absolutamente deliciosa.

 

DIXIT - “Só em Estados autoritários é que as Forças Armadas podem desempenhar funções policiais ou de segurança interna” - Jorge Bacelar Gouveia, constitucionalista, sobre o projecto de colocar militares em escolas.

 

GOSTO - O Prémio Camões deste ano foi atribuído a Hélia Correia - poucas vezes a escolha foi tão certeira.

 

NÃO GOSTO - O Instituto Nacional de Estatística considera que em 2014 o número de emigrantes temporários portugueses ultrapassou os 85 mil, o maior número desdxe que há registos.

 

BACK TO BASICS - Volta e meia surgem uns homens que pensam que o mundo pode ser mudado graças a um qualquer panfleto que escreveram - Benjamin Disraeli.

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publicado às 14:00

AS APARÊNCIAS E A POLÍTICA

por falcao, em 12.06.15

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APARÊNCIAS - Enquanto a política andar a reboque da justiça a coisa, neste país, vai funcionar mal. Não deixa de ser irónico que tenha sido a esquerda, através de José Sá Fernandes por exemplo, a iniciar o périplo da transposição da luta política para decisões dos tribunais, numa evocação inconsciente do que o anterior regime fazia. Todos sabemos como a justiça funciona mal em Portugal, todos nos lembramos dos dislates, dos últimos anos, da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal em matérias delicadas, tentando apagar ou modificar o rumo da História, evitando que se investigasse, apagando provas. Este ainda adolescente século tem sido abundante em demonstrações de influência política na justiça - mas esta realidade nunca nos deve toldar o pensamento. Todos são inocentes até prova em contrário. Mas o senso comum, que permite olhar para a vida das pessoas e observar a forma como elas se comportam, faz parte da análise que fazemos do mundo: à mulher de César não bastam as aparências. E, das aparências, os políticos não se podem livrar. Nem a electrónica os salva.

 

SEMANADA - A cimeira do G7 custou 90 mil euros por minuto; o menu da cimeira, ocorrida na Baviera, teve em destaque salsichas e cerveja; o regime de pulseira electrónica proposto a José Sócrates foi criado pelos Governos PS, quando António Costa era Ministro da Justiça; Sócrates foi o primeiro detido a recusar pulseira electrónica; António Capucho apoia António Costa e anunciou que se o PS o convidar para “voos mais altos não digo que não”; o pastel de nata já se vende em dezena e meia de países - volta Álvaro Santos Pereira, que estás perdoado; são penhorados 833 mil euros por dia em depósitos bancários sem despacho de um juiz por dívidas em cobrança nos tribunais; atestar o depósito de um carro a gasolina está 10,35 euros mais caro do que no início do ano; três em cada cem casamentos celebrados em Portugal este ano foram de noivos estrangeiros; desde 2013 registam-se quase quatro queixas por dia contra seguranças privados; os prejuízos das empresas públicas aumentaram 23% no final de 2014; a coligação PSD-PP adoptou a sigla PàF; 40% dos médicos dizem que a falta de material nos hospitais está a interferir no seu trabalho; Portugal vendeu 37 mil milhões de activos a estrangeiros; a casa de Jorge Jesus foi colocada sob protecção policial; o primeiro parque de campismo naturista abriu em Marvão, uma iniciativa privada sob o lema “economia da felicidade”; o PS tem um passivo de 18 milhões e é responsável por mais de metade da dívida total dos partidos.

 

ARCO DA VELHA - António Costa reivindicou ter diminuído a dívida da Câmara Municipal de Lisboa em 40%, e acusou o Governo de ter aumentado a dívida do país em 18%. Esqueceu-se de dizer que a razão principal da sua proclamada diminuição de dívida veio do negócio dos terrenos do Aeroporto, que o Estado pagou à Câmara - que significou 43% do montante em dívida, libertando o município do pagamento de mais de 22 milhões de euros de juros anuais.

 

FOLHEAR - Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo, nascido em 1195, quem é? Pois fiquem sabendo que é um conhecido nosso, que o correr dos tempos foi associando às festas dos santos populares. Amanhã, sábado, dia 13, recordo, é Dia de Santo António, o padroeiro de Lisboa e de Pádua, o inicial Fernando deste parágrafo. O Santo tem uma História que se cruza com lendas e atravessa os séculos. O Papa Leão XIII chamou-lhe o santo de todo o mundo e reza a história que, com os seus sermões da Quaresma, inspirou a “Divina Comédia”, de Dante. António Eça de Queiroz publicou em 2010 a primeira edição de “Santo António - A História do Santo mais popular de Portugal”, Na introdução o autor conta como ficou surpreendido pelo facto de Santo António exceder largamente aquilo que o comum dos lisboetas pensa. Vale a pena ler este livro, reedição recente da “Guerra & Paz” - devora-se de um trago e aprende-se muito.

 

VER - Não é nada frequente uma grande empresa prestar uma homenagem assim à arte de ver. Essa é uma das razões que me leva a dizer que a nova campanha da EDP, “Um século de energia”, inspirada num trabalho de Manoel de Oliveira, extravasa a noção tradicional que temos de publicidade. E, no entanto a ideia - arriscada- foi da MSTF Partners, uma agência de publicidade portuguesa, que ousou desafiar o cineasta a pegar numa sua obra antiga e fazer dela ponto de partida para uma campanha publicitária. Em 1932 Manoel de Oliveira filmou o arranque da central do Ermal, em Guilhofrei, no Rio Ave, obra na qual o pai teve um papel importante. O pai, Francisco José Oliveira,  tem aliás uma história ligada  à energia - foi também o impulsionador da primeira fábrica de lâmpadas eléctricas. Com a central do Ermal, Manoel de  Oliveira fez um documentário chamado “Hulha Branca”, a preto e branco, com planos magníficos, a recordarem o que de melhor na época se fazia no cinema - utilizando restos de película do seu marcante “Douro, Faina Fluvial”. A partir dessas imagens antigas, Oliveira mostra a evolução na criação de energia. Esta era uma ideia no fio da navalha, que ainda por cima cruzava com a música e a dança, e que se arriscava a correr mal. Mas a verdade é que Oliveira, já nos últimos meses de vida, filmou o que quis, e embora a edição final tenha sido feita após a sua morte, ele deixou também uma recomendação: queria que este filme fosse divulgado numa dezena de cidades portuguesas, projectado ao ar livre, numa grande parede branca, para que as pessoas, todas as pessoas, o pudessem ver. A iniciativa - e o filme - podem criar sentimentos divididos - mas esta campanha fez mais pelo cinema português e por um dos seus maiores do que múltiplas declarações de intenção. A versão integral pode ser vista em https://1seculodeenergia.edp.pt ,  assim como o making of do filme. Que me lembre é a primeira vez que uma grande empresa portuguesa fez uma campanha publicitária que divulga a obra de um grande artista.



OUVIR - Depois da incursão pela World Music feita no seu disco “The Absence”, de 2012, Melody Gardot dedica-se agora à tradição musical americana dos anos 60 e 70, sob o manto da soul e do funk, numa série de novas canções originais  temperadas com letras que mostram as suas preocupações sociais. Este seu quarto álbum de estúdio mostra-a na melhor forma, vocalmente madura, servida por arranjos  do francês Clément Ducol e por uma produção exemplar de Larry Klein. Ouve-se bem o baixo a cruzar-se com um orgão Hammond, os arranjos são a prova de como a tradição não deve ter medo de se abrir à inovação. Este novo álbum, “Currency Of Man”, é um passo exemplar na carreira de Gardot, que não evita escrever e cantar sobre temas difíceis, alguns de clivagem - um passo arriscado para quem vem de uma zona de soft jazz candidata a prémios Grammy. Mas embora as letras sejam empenhadas, é sobretudo na experimentação musical que este álbum se destaca e é aí que ele mostra que Melody Gardot acabou de abrir as portas para um novo posicionamento na sua carreira musical. (CD Decca/ Universal)

 

PROVAR - A época dos caracóis abriu e o assunto deve ser olhado com atenção, Este ano regressei a um local onde não ía há anos, o Tico Tico, na Avenida Rio de Janeiro 19, esquina com a Avenida da Igreja. É um dos restaurantes históricos de Alvalade. A ementa vai de cabidela de frango a peixes grelhados, escolha ampla. Nesta época do ano a maior parte das mesas, ao fim da tarde, na esplanada, ostenta belíssimos caracóis. É preciso dizer que, nesta casa, os caracóis não são temperados em demasia nem afogados em ervas. O tempero é q.b., por forma que o sabor do animal saia na sua plenitude. Bem sei que há por aí uma campanha contra o hábito de comer caracóis - porque eles são cozidos vivos e há umas almas que se indignam sobre o tema. Mas a minha impressão é que o ridículo mata e prefiro provar caracóis bem cozidos a ouvir dislates. A seguir aos caracóis a tradição manda um prego, mas aqui pode pedir-se um bitoque do lombo a meias, cada metade com seu ovo estrelado, uma travessa de batatas fritas aos palitos, não congeladas, como acompanhamento. O resultado final está a par da cerveja de pressão, que é magnífica. Uma pratada de caracóis custa sete euros, o serviço é sempre atento e a carne tinha boa qualidade. Eu gostei destes caracóis.

 

DIXIT - “É preciso ter confiança no país de contas certas. Com o PS há sempre o risco de as contas deixarem de ser certas” - Paulo Portas

 

GOSTO - O nordeste transmontano foi classificado como reserva da biosfera.

 

NÃO GOSTO - Os taxistas propuseram que a bandeirada de 20 euros dos aeroportos fosse estendida dos portos de cruzeiros marítimos.

 

BACK TO BASICS - “Quanto mais evidentes são os  actos que envergonhem um homem,  mais ele é temido” - George Bernard Shaw

 

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publicado às 10:23

FRAGILIDADES DEMOCRÁTICAS

por falcao, em 05.06.15

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(pormenor da exposição Inside-Outside de José Barrias e Bárbara Fonte) 

 

GEOGRAFIAS - O mundo está num processo de mudança complexo e um dos sinais disso mesmo é a percepção de que a democracia liberal se está a tornar num regime geograficamente limitado, e progressivamente mais minoritário. A noção ocidental de regime democrático é um conceito que países como a China, a Rússia, grande parte dos países árabes (para não falar do Estado Islâmico e da Coreia do Norte) não pratica. A chamada democracia liberal está confinada geograficamente a uma porção da Europa e à maioria do continente Americano - mas é muito frágil ou inexistente em vastas regiões da Ásia, de África e da Europa Central e Oriental. Hoje em dia é cada vez mais frequente observar que líderes de alguns países não hesitam em proclamar o seu autoritarismo - um contraste significativo com uma época, recente, em que por todo o mundo novos líderes políticos diziam rever-se no retrato das democracias liberais. A crise económica, conflitos, o fracasso das reformas e a quebra de desenvolvimento de muitas dessas democracias e a proliferação de conflitos abriram campo para o ressurgir dos nacionalismos e dos autoritarismos, assim como de novos fenómenos como o jihadismo - bons pretextos para, em nome da segurança, alguns estados limitarem a democracia. Mesmo em países onde o regime democrático existe assiste-se a uma crise latente no modo de funcionamento do sistema político. O sistema apodreceu e o mais perigoso de tudo é não o perceber a tempo.

 

SEMANADA - Rui Rio atacou os jornalistas que noticiaram que ele pretendia ser candidato à Presidência da República; Segundo a newsletter “Confidencial” Rui Rio já começou a contactar potenciais financiadores da sua campanha às presidenciais; Jorge Jesus passou do Benfica para o Sporting quinze dias depois de se sagrar campeão; quatro dias depois de ter insistido na realização do congresso que o reelegeu, Blatter demitiu-se de Presidente da FIFA; a posição das empresas patrocinadoras dos eventos da FIFA, que ameaçaram retirar todos os patrocínios perante os escândalos revelados, terá sido a razão para o recuo de Blatter; as apostas ilegais nos resultados da I Liga portuguesa devem representar 30 milhões de ano por ano e estima-se que três milhões de euros sejam destinados a subornos para manipulação de resultados - revela um estudo do Parlamento Europeu; os ratings dos bancos nacionais foram cortados 60 vezes desde 2011; segundo o Bareme Imprensa Crossmedia 2015, da Marktest, 82.1% dos portugueses contactam com a imprensa, quer seja em papel ou no meio digital; Miguel Relvas vai lançar um livro intitulado “O Outro Lado da Governação” que será apresentado por Durão Barroso; polícias da PSP queixaram-se da Ministra da Administração Interna ao Primeiro Ministro; num debate sobre políticas culturais a vocalista dos Óquestrada disse a  Sampaio da Nóvoa que ele tinha”uns olhos muito bonitos para colocar em outdoors”.

 

ARCO DA VELHA - As celebrações do Dia Mundial da Criança organizadas pela Câmara Municipal de Portalegre, com o apoio da PSP, incluíram a simulação  de um motim por crianças em idade pré-escolar, e enquanto umas faziam de polícia com escudos e capacetes, outras representavam  manifestantes que lançavam “pedras” feitas de papel às autoridades.

 

FOLHEAR - “As Mulheres que fizeram Roma - 14 histórias de poder e violência”  - agrupa de uma forma aliciante outras tantas narrativas sobre a vida de mulheres que estiveram ligadas a episódios que marcaram a História do Império Romano, como Reia Sílvia, Lucrécia, Cleópatra, Valéria Messalina, Agripina ou Helena de Constantinopla. Carla Hilária Quevedo conta episódios de luta pelo poder e descreve a importância que as mulheres tiveram em diversas fases do Império, como eram encaradas, qual o seu papel na sociedade e como eram vistos temas como o casamento, a maternidade ou o adultério. Através da sucessão de episódios, e do seu permanente enquadramento na época em que ocorreram, é possível perceber como evoluíu a noção de poder imperial, como se alteraram os hábitos e costumes, como a própria lei e a moral se vão adaptando e como as religiões se cruzam com o andar dos tempos e como a nossa própria compreensão do passado se foi modificando. É sempre o poder - seja a sua conquista, seja o seu exercício - que baliza as histórias aqui contadas e, no fundo, a História ao longo dos séculos. Para quem gosta de ler os pormenores da História e os seus episódios menos conhecidos este é um livro aliciante. Edição Esfera dos Livros

 

VER - José Barrias é um importante artista português que desde 1968 vive em Milão. Utiliza o desenho, a pintura, a fotografia e a escultura, que frequentemente conjuga na criação de instalações. As suas exposições têm um acentuado cuidado na apresentação e encenação das obras, uma atenção ao detalhe e um cuidado visual, que por vezes parece quase  cinematográfico, como foi bem evidente quando apresentou “In Itinere”, na Fundação de Serralves, em 2011. Uma outra característica de José Barrias é o seu interesse em conhecer a obra de novos artistas e a vontade que tem de trabalhar em conjunto com eles, explorando as diferenças de gerações e de linguagens, mas procurando as complementaridades e os pontos de contacto. É o que acontece com a exposição “Inside Outside”, o cruzamento entre a obra de uma quase estreante, Bárbara Fonte, e o trabalho do próprio José Barrias, que inaugurou na passada semana na Plataforma Revólver. No fundo esta é, para ambos, uma exposição de desenhos, que por vezes assumem outras formas, esculturas, instalações, fotografias - mas é o imaginário do desenho que permanece como fio condutor. É aliás o próprio desenho que foi usado para criar o cenário de acolhimento nas paredes das salas do edifício onde decorre a exposição. É uma exposição surpreendente - por alguns dos desenhos de Bárbara Fonte e pelo ambiente criado pelas obras de José Barrias, marcantes, e pela própria envolvente que ele criou com numerosos pormenores e que obrigam a uma constante revisão da forma de ver o que está à vista - criando a deliberada dúvida sobre onde é o começo e o fim da exposição. Na Rua da Boavista 84, informações em www.transboavista-vpf.net .

 

OUVIR - Terence Blanchard é um dos grandes trompetistas de jazz norte-americanos e nos últimos anos tem feito algumas incursões na fusão com outros géneros musicais. Com Don Was a dirigir agora a Blue Note as experiências de fusão são encorajadas e daí esta incursão que passa também pelos rhythm’n’blues e o funk, não perdendo as referências no jazz contemporâneo. Trata-se da primeira gravação de Blanchard com o seu novo quinteto, o E-Collective. O título do álbum, segundo o próprio Blanchard, evoca as três últimas palavras pronunciadas por Eric Garner, “I can’t breathe”, quando foi imobilizado e asfixiado por um polícia em Nova Iorque num polémico caso ocorrido em Julho de 2014. O disco começa com uma surpreendente versão de “Compared To What”, um tema de Les McCann e Eddie Harris onde o trompete de Blanchard se cruza com a voz de PJ Morton (que aparece em mais faixas do disco) e as percussões de Oscar Seaton. É um inesperado começo para um disco onde o trompetista se aventura também em versões de “I Ain’t Got Nothin’ But Time” de Hank Williams ou “Midnight” dos Coldplay, que encerra o CD. A E Collective dá uma marcante sonoridade funky, capaz de inquietar quem esperava um disco mais tradicional de um trompetista de jazz da escola de Nova Orleães. A minha faixa favorita é “Everglades”, um instrumental composto pelo pianista do E Collective, Fabian Almazan, mas entre os vários originais de Terence Blanchard destacaria “Confident Selfleness” e “Tom & Jerry”. CD Blue Note, distribuído por Universal Music.

 

PROVAR - Aberto há pouco tempo, o restaurante do Hotel Porto Bay Liberdade corre o risco de se tornar num ponto incontornável na zona da Avenida. O restaurante Bistrô 4 tem uma carta preparada pelo Chefe Benoit Sinthon, um francês que vive há largos anos na Madeira e que aí ganhou uma estrela Michelin, a única do arquipélago, no restaurante Il Gallo D’Oro do Hotel Cliff Bay, que pertence ao mesmo grupo desta nova unidade que abriu em Lisboa. A sala é ampla, embora incaracterística, mas o páteo adjacente, situado entre prédios, bem protegido do vento, é verdadeiramente um local à parte no centro da cidade. A lista propõe um sortido de petiscos frios e quentes de entrada e uma carta com opções muito variadas. Na mesa estava um cesto de pão de boa qualidade, manteiga  com flor de sal e patê de atum com azeitona, a preparar a chegada das entradas escolhidas - um ceviche muito bem temperado e uma cavala marinada com legumes, ambos a exceder as expectativas. Passando a coisas mais sérias a escolha recaíu num tártaro de vitela com cebola confitada e batata frita em rodelas finíssimas rendilhadas, e num couscous chow mein, quente, com camarão, verdadeiramente surpreendente. A garrafeira tem uma ampla e cuidada selecção e a copo existem boas opções - no caso provou-se um Morgado da Calçada Branco Reserva de 2010 e um Ninfa Escolha de 2012, do enólogo Rui Reguinga, que se revelou uma opção acertada. A terminar partilhou-se a sobremesa Paris- Lisboa- Funchal, ou seja massa chou com recheio de pastel de nata, raspas e pedaços de bolo de mel. O Bistro 4 fica na Rua Rosa Araújo 6, junto à esquina com a Avenida da Liberdade, telefone 210 015 700.

 

DIXIT - “Décadas depois de Abril, alguém de direita ainda causa espanto e indignação” - Maria de Fátima Bonifácio, n’Observador

 

GOSTO - Da aplicação web opontodoparlamento.org, que permite seguir a assiduidade e tipo de trabalho desenvolvido pelos deputados - útil em ano eleitoral.

 

NÃO GOSTO -  De não poder escolher entre usar um táxi mal disposto ou um Uber atencioso.

 

BACK TO BASICS - Num regime democrático cada partido dedica o melhor das suas energias a dizer que o outro partido é incapaz de governar - e ambos têm razão e acertam de forma alternada - H.L. Mencken

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