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MINISTROS - Numa recente e amena conversa sobre a situação política o meu interlocutor defendia que pessoas como Vitor Gaspar eram superiormente preparadas e afirmava que, também por isso, tinha sido um dos melhores Ministros que Portugal teve nos últimos anos. A conversa levou-me a pensar nas características que fazem de alguém um bom Ministro. Algumas são fáceis de identificar: o conhecimento do sector, a capacidade técnica, o empenho na mudança, a capacidade de liderança de equipas. Mas outras são mais difíceis de detectar: vontade e capacidade de negociação, objectivo de gerar consensos e usá-los para alcançar mudanças estruturais, sensibilidade, conhecimento e poder  políticos, e, por fim, mas cada vez mais importante, capacidade de comunicação. Um excelente técnico que seja teimoso, incapaz de gerar consensos, politicamente insensível, que julgue a sua opinião como uma verdade indiscutível e que tenha fraca capacidade de comunicação dificilmente será um bom Ministro, por muitos conhecimentos e capacidades que tenha nas áreas que tutela. O problema com Vitor Gaspar vinha da sua arrogância, intelectual e comunicacional - esta última agravada por um sentido de humor baseado no cinismo, do qual a história da enorme carga de impostos foi o paradigma. Mas claro que um consensualista que deixe tudo na mesma e se preocupe mais com jogos de equilíbrio do que com a gestão da coisa pública também não serve. Por isso é tão difícil encontrar bons ministros: quem aceita ir para o lugar fá-lo certamente por sentido de dever e patriotismo - mas não excluo que em alguns casos o faça por vaidade pessoal e vontade de exercer o poder sem olhar a fins. Feitas as contas, não me parece que Vitor Gaspar tenha sido um bom ministro - a prova está hoje à vista: preocupou-se mais em aumentar a receita do que em diminuir a despesa e não fez mudanças estruturais duradouras. Este foi o pecado original do no anterior governo e Gaspar tem uma boa quota parte de responsabilidade nisso: as mudanças foram feitas sem o objectivo de as tornar irreversíveis e deixaram a estrada aberta para aquilo a que agora assistimos, e que talvez nos custe ainda mais do que já nos custou.

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SEMANADA - Em 2015 os hotéis portugueses ultrapassaram pela primeira vez os dez milhões de hóspedes estrangeiros; o aumento de turistas em Lisboa provocou um aumento das rendas, afastou residentes do centro da cidade e levou ao encerramento de estabelecimentos comerciais históricos; o preço das casas em Lisboa aumentou 7,1% no ultimo ano; o Governo vai injectar mais 567 milhões de euros no BPN; o Estado perde 140 mil euros por dia em burlas na saúde e na Segurança Social; quase 60% dos desempregados não recebem subsidio; em 2015 foram registados 24 crimes de branqueamento de capitais e 2528 crimes no domínio da cibercriminalidade; os residentes da zona euro vão ver cerca de 250 mil milhões de euros dos seus impostos a servir apenas para pagar juros e encargos das dividas publicas da região; o Tribunal Constitucional divulgou esta semana, ao fim de cinco anos, as multas que decidiu aplicar nas eleições presidenciais de 2011; o Tribunal de Contas detectou ilegalidades de 4,2 milhões de euros nos serviços prisionais; desde que tomou posse o actual Governo já anulou seis concursos para cargos dirigentes de organismos públicos; título do “Público” : “o orçamento de que ninguém gosta vai ser aprovado por alguns”; pela primeira vez em 42 anos a esquerda votou em conjunto um orçamento de Estado; remessas dos emigrantes em 2015 foram as maiores em 15 anos; Lisboa iniciou um ciclo de obras que vai dar cabo da cabeça aos residentes da capital até ás eleições autárquicas; quer-me parecer que o pequeno rectângulo vai começar de novo a meter água um dia destes.

 

ARCO DA VELHA - O economista Vitor Bento manifestou convergência com  o PCP quanto à  nacionalização do Novo Banco. O PS manifestou simpatia pela ideia.

 

 

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LER - Muitos de nós olhamos para o que se passa, para o processo deste Orçamento de Estado e dos anteriores, para o que sucedeu com a troika e, digo eu, legitimamente, podemos interrogar-nos: qual a razão de fundo para isto cá estar a correr tão mal? A principal virtude de um livro lançado esta semana,  “A Economia Portuguesa Na Zona Euro”, de Alexandre Patrício Gouveia, é abrir pistas para podermos reflectir sobre isto. O livro é um trabalho importante de recolha e compilação de dados, mas também da sua comparação com outros países que têm dimensões de PIB mais ou menos semelhantes. Aqui está a dívida - do Estado, das empresas e das pessoas - a informação sobre os sectores que receberam maior investimento e os efeitos globais que as opções tiveram na economia. O livro é feito do estudo de dados, mas também de convicções, de sugestões e mesmo de propostas - e é esta mistura virtuosa da observação dos factos com a sua interpretação, e com o abrir de pistas, que o torna especialmente atraente e uma leitura estimulante. A questão central da dívida e como lá se chegou,  das pensões, do desemprego, das reformas estruturais ou dos custos da energia, por exemplo, são abordados sempre numa perspectiva de comparar os dados que aqui existem com outros, equivalentes, de outros países, procurando os melhores exemplos e louvando as virtudes dos que alcançaram bons resultados. “A Economia Portuguesa na Zona Euro” é um livro de consulta, de leitura fácil, que nos pode ajudar a perceber como chegámos ao ponto onde estamos. (edição Aletheia).


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VER - Para a semana já saberemos quais são os vencedores dos Óscares de Hollywood - de maneira que esta semana tenho duas sugestões, a propósito desta matéria. A primeira é que vão ver sem falta “The Hateful Eight”, ou “Os Oito Odiados” na versão portuguesa, o novo filme de Quentin Tarantino. As críticas têm sido oscilantes mas na minha opinião é dos melhores filmes que vi nos últimos meses: uma escolha de actores verdadeiramente excepcional (de onde me permito destacar Samuel J. Jackson, Jennifer Jason Leigh, Kurt Russell e Tim Roth), um argumento sólido sobre uma das fases mais duras da História dos Estados Unidos, no pós-Guerra Civil, diálogos verdadeiramente excepcionais e uma banda sonora, já aqui referida noutra ocasião, e que é um dos grande trunfos do filme - assinada por Ennio Morricone. Acresce que “The Hateful Eight” foi filmado em Super Panavision de 70mm, obviamente em película da boa. Este é um invulgar western, cuja acção decorre no interior de um posto de paragem das velhas diligências, no Wyoming. Os oito odiados, que dão o nome ao filme, criam entre eles uma tensão dramática enorme, que espelha as velhas rivalidade entre o Norte e o Sul, mas também as tensões entre quem está do lado da Lei e quem lhe foge. Tudo iosto com uma participação especial da sombra patriarcal de Abraham Lincoln sobre todo o enredo, como aqueles que forem ver o filme descobrirão. Como sairá a contenda de Oscars com Star Wars- The Force Awakens ?

 

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FOLHEAR E OUVIR  - Já que estamos em maré de Óscares não posso deixar de recomendar a edição especial da revista Vanity Fair dedicada ao evento,  com Jane Fonda, Kate Blanchett, Viola Davis e Jennifer Lawrence na capa, fotografadas por Annie Leibowitz. Além do portfolio fotográfico de Leibowitz, esta edição propõe uma viagem pelas memórias de Hollywood, com histórias de bastidores, destaques musicais como os que Randy Newman foi aprontando ao longo da sua carreira e, já agora, uma visão muito particular de Hollywood por Samuel L Jackson. Outro artigo delicioso é sobre a carreira de Kathleen Kennedy, a produtora que tem trabalhado toda a vida ao lado de Spielberg, responsável ela própria por “Star Wars- The Force Awakens”, e que é considerada das mulheres mais poderosas de Holyywood. Ver com muita atenção esta edição é o mais próximo que podemos estar da magia do cinema na noite deste Domingo pelo módico preço de nove euros e meio. A edição encerra com o habitual “Questionário de Prous”, aplicado a Chris Rock, que este ano será o anfitrião da cerimónia dos Oscares.  A terminar: se quiser folhear a revista e ao mesmo tempo ter um momento revivalista agarre-se ao CD ou ao DVD que registam a passagem de Charles Aznavour num espectáculo de carreira, realizado no Palais des Sports, de Paris, em 2015, onde ele interpreta todos os seus grandes sucessos.

 

PROVAR -  Existe um restaurante de bom peixe e produtos do mar, nas Amoreiras, com decoração cuidada, serviço atencioso e propostas interessantes? A resposta é sim, existe, chama-se Barbatana, nasceu  há meio ano, a partir da tradição do Porto de Santa Maria, o histórico restaurante do Guincho. Situado na renovada zona de restauração do Centro Comercial, tem um balcão e uma área no food court, com lista própria, onde se pode petiscar ao longo do dia - de pica pau do lombo a prego de atum. Além disso o Barbatana tem uma sala, ampla, luminosa e confortável, com uma lista mais tradicional, onde, além dos peixes da lota, há ao longo da semana sugestões de pratos fixos em cada dia - como os filetes de polvo com arroz de feijão, à segunda feira, que eram verdadeiramente acima da média. No área do balcão existe um menu do dia a 10,80 €, que inclui entrada, prato, bebida e café, que é renovado semanalmente e está na página do Barbatana no Facebook. A supervisão é de Miguel Laffan, que aceitou o desafio de trabalhar esta nova marca do Porto de Santa Maria. O branco da casa, que experimentei, é o Quinta da Monteira, de Alcácer do Sal, e portou-se muito bem. Quer no balcão, quer na sala, a experiência é boa e merece elogio. Reservas para a sala do restaurante pelo telefone 913 582 639.  

 

DIXIT - “(em relação á Europa)  a política portuguesa caracteriza-se por a esquerda estar a mexer e a direita não” - Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros

 

GOSTO - A realizadora Leonor Teles ganhou o prémio do Festival de Cinema de Berlim para a melhor curta-metragem, “Balada de um Batráquio”.

 

NÃO GOSTO - No último ano Lisboa desceu um lugar no ranking que avalia a qualidade de vida nas cidades.

 

BACK TO BASICS - Não há homem que tenha uma memória suficientemente boa para poder ser um mentiroso capaz - Abraham Lincoln

 

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publicado às 14:00

Esta semana as semelhanças entre o caos que a Cãmara Municipal se prepara para instalar em Lisboa e o caos instalado no Orçamento de Estado - com uma semelhança : nem Costa foi eleito Primeiro Ministro, nem Medina foi eleito Presidente da Câmara. Coincidências nascidas na interpretação que este PS faz do sentido de voto nas eleições.

 

HABILIDOSOS - No meio das desgraças que assolam Lisboa fiquei a saber que a grande preocupação do presidente não eleito da autarquia,  Fernando Medina, é descobrir o que fazer à Moda Lisboa, que vai estar na Praça do Município, no dia da tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, o qual gostaria de patrocinar uma festa no local, nessa ocasião, para celebrar a sua investidura. Reparei agora que estamos perante uma conjugação interessantíssima de factores - em São Bento temos um Primeiro Ministro que não ganhou em eleições e que deixou na Câmara Municipal de Lisboa, para lhe suceder, um seu correlegionário que também não ganhou eleições para o cargo que ocupa. Deve ser uma coisa nova da malta do PS - conseguir estar no poder, de forma habilidosa, à revelia dos resultados eleitorais. Enfim, já se sabe que o mundo é feito de mudança. O pior é que Medina resolveu dar cabo do sossego aos lisboetas e começou uma série de obras que prometem o caos para durante a sua existência e depois da sua conclusão. Os vereadores Salgado e Medina estão a querer ser réplicas contemporâneas do Marquês do Pombal mas a verdade é que se assemelham mais a réplicas do terramoto. Já está à vista o resultado dos desvarios na Avenida da Liberdade - maior concentração de trânsito e maior poluição, ao contrário do que se apregoava. Vai ser assim no resto, sobretudo no tal eixo central. Mas o pior de tudo é que, para esta gente, a comodidade de quem vive na cidade não interessa para nada. Apenas interessa arranjar o jardim para os visitantes passearem. É sabido que nos anos de Costa o centro da cidade perdeu habitantes, que muito comércio tradicional foi encerrado, que os lisboetas perderam qualidade de vida. É muito engraçado, embora pouco realista, querer fazer-se uma cidade contra o automóvel, mas à autarquia sabe-lhe bem cobrar os impostos de circulação e os estacionamentos, mantendo transportes públicos ineficazes. Que nome dar a quem ocupa o poder para fazer obras em interesse próprio e  em desrespeito pelo interesse colectivo?

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SEMANADA - António Costa mandou os Ministros falar com o PS pelo país fora no fim de semana passada, a explicar o que o Governo anda a fazer; o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais desdobrou-se em entrevistas e assustou meio Portugal com o que disse sobre o imposto sucessório;  António Costa fez videos a explicar as contas do orçamento - não sei bem em qual das versões das contas se baseou; a ideia dos videos governamentais no YouTube é boa como conceito de propaganda, só que o actor é péssimo; fiquei a ver um dos videos convencido que estava a ver um daqueles canais de compras que passam de madrugada a vender bruxedos; um amigo meu diz que o Costa, nos videos, parece aqueles spots dos canais regionais de televisão norte americanos com vendedores de carros em segunda mão a fazerem contas provando que vendem mais barato que os outros; os videos fizeram-me pensar se António Costa não estaria a querer ser o Chavez da Europa em versão tecnológica; no resto da pátria está tudo tranquilo;  Passos Coelho inaugurou uma escola - de repente pensei que era notícia antiga mas não, foi mesmo desta semana; Mário Centeno anunciou que vai injectar mais 567 milhões de euros no defunto BPN; um amigo meu diz que Mário Centeno é parecido com Zé Colmeia, uma figura de banda desenhada que gosta de ir ao pote do mel; outro diz que, com as confusões do Orçamento, António Costa parece um daqueles condutores que entram em sentido contrário numa auto.estrada e começam a barafustar contra quem vem contra ele.

 

ARCO DA VELHA - Este orçamento já vai em três versões - uma que foi para Bruxelas, outra que foi feita depois para cá corrigindo o que Bruxelas achou excessivo, um rol de erratas que corrigia diversas coisas e finalmente mais umas rectificaçõezitas sobre uns mapas que estavam com numeros um bocadinho errados.

 

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FOLHEAR - Quando leio um livro como “M Train”, de Patti Smith, interrogo-me sobre o sentido da vida e sobre o que algumas pessoas, cuja obra admiramos, dela fazem. O livro anterior de Patti Smith, “Just Kids”, apesar de relatar os anos 70 em New York e a relação de Patti com Robert Mapplethorpe, parece uma reportagem num jardim escola quando comparado com este “M Train” - o relato da vida e da cumplicidade que ela desenvolveu com Fred “Sonic” Smith, o guitarrista dos MC5, um dos génios da guitarra eléctrica, desaparecido prematuramente em 1994. Patti Smith E Fred viveram, tiveram filhos, fizeram música e viagens. Este livro é o relato de uma paixão e de uma cumplicidade, do que fizeram e do que ficou por fazer, das viagens que ela ainda faz pensando em Fred, das suas obsessões, dos seus hábitos e rotinas, mas é sobretudo uma viagem ao processo criativo de uma artista marcante da sua geração. Não é nem uma biografia nem uma memória - é um ensaio sobre o dia-a-dia. E é um dos melhores livros que se pode ler para perceber o que vai dentro da cabeça de uma artista cheio de talento. (Edição Bloomsbury, na Amazon).

 

 

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VER - Recomendações para esta semana: na Galeria Belo-Galsterer a exposição colectiva “PAPERWORKS III - Paisagem sem Paisagem”, com C. B. Aragão, Claudia Fischer, João Grama e Marta Alvim (Rua Castilho 71, r/c esq); na Pequena Galeria (Av 24 de Julho 4c), a exposição RETRATOS, dos fotógrafos Marilene Bittencourt e Fernando Ricardo; “AS PALAVRAS”, assemblages de José Pinto Correia, na Corclínica, Campo Grande 28 - 2º-C; mas o meu destaque, embora tardio, vai para  a belíssima exposição “MÃOS”, de Teresa Dias Coelho, na Galeria Monumental, que encerra já neste sábado dia 20 - a partir das 16h00 desse dia tem uma finissage, aproveite para ir ao Campo dos Mártires da Pátria 101 ver outras obras como esta que aqui se reproduz.

 

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OUVIR - Este segundo disco do saxofonista Charles LLoyd para a Blue Note tem o feeling dos blues, a descoberta de temas originais do próprio Lloyd, o encanto de algumas versões e a perenidade de tradicionais folk. Se o saxofone é a imagem de marca do disco, o retoque da diferença é dado pelas guitarras de Bill Frisell e Greg Leisz, sobretudo a do primeiro. Nas versões destaco “Masters Of War”, de Dylan, onde as guitarras estão em primeiro plano, a versão de “Last Night I Had The Stangest Dream”, um original de Ed McCurdy que aqui conta com a participação especial de Willie Nelson e de “You Are So Beautiful”, de Billy Preston, aqui interpretado por Norah Jones. Se escolher um dos originais vou para o tema final, “Barche Lamsel” e se escolher um dos tradicionais vou para “Shenandoah”, onde Frisell mostra todo o seu talento na guitarra. Este é daqueles discos onde se percebe que todos os participantes tiveram mesmo gôzo em tocar. Uma belíssima supresa este “I Long To See You”- Charles Lloyd & The Marvels, edição Blue Note/Universal - claro que com uma mãozinha de Don Was na produção.

 

PROVAR -  Frequentemente gosto de comer sózinho, ao almoço, sentado, na calma, a ler uma revista e ás vezes, hoje em dia, a folhear no iPhone o Flipboard ou outra aplicação do género. Mas o que mais gosto mesmo nesses momentos é ficar a olhar à minha volta . o movimento da sala, os clientes, os empregados. Tenho, deste ponto de vista, saudades das Galerias Ritz, onde se podia ficar sentado ao balcão em algumas posições estratégicas que dominavam a entrada e permitiam ter uma boa visão das coisas. E, para o género, a comida era boa. A única sala que ainda permite isto hoje em dia é o Galeto, um bastião da tradição do snack bar e talvez o restaurante lisboeta que junta maior numero de clientes solitários regulares, sobretudo à noite - e continua a servir até tarde. Hoje vou lá pouco nesse horário, mas volta e meia gosto de lá ir ao almoço. A comida é mediana, mas sem sobressaltos, o balcão é confortável - um bom balcão sentado como há poucos hoje em dia em Lisboa. O bife à Galeto não engana com as suas batatas fritas semi sintéticas, o ovo a acavalo bem estrelado e um esparregado com uns torneados incomparáveis. Continua a ter combinados, que convivem com alheiras e outros petiscos como iscas à portuguesa. Pronto - isto é mesmo vício de ficar a devanear enquanto se petisca e se faz uma viagem ao passado - às vezes parece que de repente entrámos nos anos 70. Galeto - 213 544 544, Avenida da República 14, das 07h30 ás 03h30.

 

DIXIT - “Está toda a gente a querer fazer desaparecer Cavaco Silva, a fazer de conta que já não existe” - Joaquim Aguiar sobre as audiências que o presidente eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, tem realizado com protagonistas governamentais e políticos.

 

GOSTO - Das lojas antigas de Lisboa

 

NÃO GOSTO - Da destruição das lojas antigas de Lisboa

 

BACK TO BASICS - “Estudem o passado se quiserem definir o futuro” - Confúcio

 

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publicado às 14:00

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POESIAS - Estava eu a ouvir Mário Centeno no debate parlamentar desta semana e lembrei-me de um poema de Bertolt Brecht, que começa assim: “Todo os dias os ministros dizem ao povo/Como é difícil governar. Sem os ministros/O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima”. É a segunda vez, em poucos dias, que Brecht me vem à memória. A primeira foi depois desse momento sublime dos conselhos de António Costa, quando recomendou que não se andasse de automóvel, que não se fumasse, estabelecendo regras de bom comportamento. Pensei nessa altura que, por este andar, qualquer dia vai estar a dizer-nos outras coisas que podemos ou não fazer. Ou dizer. E vai daí lembrei-me deste poema, também de Brecht:

“Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso

Eu não era negro

 

Em seguida levaram alguns operários

Mas não me importei com isso

Eu também não era operário

 

Depois prenderam os miseráveis

Mas não me importei com isso

Porque eu não sou miserável

 

Depois agarraram uns desempregados

Mas como tenho o meu emprego

Também não me importei

 

Agora vierem buscar-me

Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém

Ninguém se importa comigo”.

 

SEMANADA - Os automobilistas portugueses vão pagar mais 580 milhões de euros este ano; um Renault Mégane é proporcionalmente mais penalizado na nova fiscalidade automóvel que um Lamborghini e os veículos híbridos e eléctricos ficam a perder no novo OE; os técnicos da Unidade Técnica de Apoio Orçamental do Parlamento alertaram para a “elevada incerteza” das estimativas na proposta de Orçamento; Mário Centeno considerou, numa entrevista, que “quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada”; metade da consolidação orçamental vem do lado da receita, a despesa continua impune; as gorduras do Estado aumentam 8,6%, ou seja 912 milhões de euros, e batem novo recorde; há 20 mil casos de propinas em atraso em quatro universidades, sendo que a de Coimbra lidera a lista; enquanto estava na oposição António Costa passava a vida a acusar o Governo de ser obediente em relação a Angela Merkel, mas a verdade é que, como Primeiro-Ministro, Costa conseguiu arranjar pretexto para ir ouvir Merkel antes de fechar o processo do Orçamento de Estado; apesar de todas as medidas da CML, tomadas ainda no tempo de Costa, o trânsito na Avenida da Liberdade aumentou 30% em apenas um ano, ao contrário das previsões anunciadas; extrapolamos a eficácia das suas previsões lisboetas para a matéria orçamental?; no último ano duplicou o número de pedidos de asilo político em Portugal, sobretudo de cidadãos da Ucrânia, Mali, China e Paquistão; os turistas chineses gastam em média 600 euros em compras quando visitam Portugal; 65% dos médicos trabalham no Serviço Nacional de Saúde; nenhum hospital público do Norte tem médicos especialistas à noite; em quatro anos saíram do país mil médicos; mais de meio milhão de portugueses não sabe ler; antes de sair de Belém, Cavaco vai condecorar Vitor Gaspar - que mal frequentadas andam as condecorações nacionais.

 

ARCO DA VELHA - Um estudo da OCDE aponta que Portugal é o quarto pior país para se trabalhar, apenas ultrapassado pela Turquia, Espanha e Grécia.

 

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FOLHEAR - “A Ilha do Tesouro” - Há muito tempo que não pegava neste livro. Literalmente, há décadas. E, no entanto, foi um dos meus livros do início da juventude - via-o como o supra sumo dos livros de aventuras. Foi a época em que devorava histórias de piratas umas atrás das outras e que nem sonhava que um dia Indiana Jones havia de tomar conta da minha imaginação. Razão tinha Robert Louis Stevenson, o autor de “A Ilha do Tesouro” quando disse que “a ficção é para o homem adulto o que o brinquedo representa para a criança”. Folheio esta nova edição e vou-me recordando de tudo o que vivi, sonhando a ler este livro -desde os mistérios da arca do marinheiro aos enigmas do mapa do tesouro, e até aos feitos do insuperável Capitão Silver. “A Ilha do Tesouro” foi o primeiro romance de Robert Louis Stevenson e foi o livro que mais fama lhe trouxe. Fiquei fascinado ao redescobri-lo na nova edição da Guerra&Paz, com belíssima tradução de Rui Santana Brito. Na nota de contra-capa o editor diz, com razão, que “esta é a mais popular história de piratas de todos os tempos”. Se Stevenson fosse nosso contemporâneo não lhe havia de faltar matéria prima para falar sobre piratas, olhando para o que se tem passado em Portugal.

 

Andrei Rublev (1966)

VER - Hoje não falo de exposições. Venho apenas recomendar um ciclo de cinema, dedicado à obra do cineasta Andrei Tarkovsky, amaldiçoado por Brejnev e pelo regime soviético, e o maior realizador russo depois de Sergei M. Eisenstein. Este ciclo começa exactamente pelo filme “Andrei Rublev”, que foi a causa da irritação de Brejnev, que manteve o filme proibido de ser exibido na então União Soviética até 1971, acusando-o de mostrar uma visão deturpada da História. O ciclo começou ontem, quinta-feira, no Nimas, em Lisboa, e tem também programação no Porto a partir de dia 12, no cinema Campo Alegre. Além de “Andrei Rublev” (cartaz original na imagem) o ciclo, que se estende até ao início de Março, inclui a longa metragem de estreia “O Pequeno Ivan” (que ganhou um Leão de Ouro em Veneza), “Solaris” (de 1972), “Stalker” (de 1979), “O Espelho” (de 1975), “Nostalgia” (de 1983) e o derradeiro “O Sacrifício” (de 1986). A programação pode ser encontrada no site da Medeia Filmes(http://medeiafilmes.com/eventos/ver/evento/ciclo-cinema-russo-andrei-tarkovsky-espaco-nimas/) e inclui também a curta-metragem “O Rolo Compressor E O Violino”, que foi o trabalho de fim de curso do cineasta e que é exibido nos mesmos dias que “O pequeno Ivan”.

 

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OUVIR - O pianista norueguès Tord Gustavsen é responsável por um dos melhores discos dos últimos anos, “The Well”, de 2012. Interpretado com o seu quarteto, “The Well” teve uma sequência lógica em “Extended Circle”, editado dois anos depois. Entretanto Gustavsen sentiu necessidade de sair do caminho que tão bem tinha trilhado nesses dois discos e regressou à ideia de um álbum onde músicas e palavras se completassem, como já tinha feito no início da sua carreira. Com uma extraordinária cantora, meio alemã, meio afegã,  Simin Tander, fez um CD de canções simples, maioritariamente com temas tradicionais e de raízes religiosas. Aqui estão textos da tradição popular norueguesa, versões inglesas de escritos do século XIII do poeta e místico persa Rumi, mas também o célebre”I Refuse” de Kenneth Rexroth, um poeta da Beat generation. Além de Tord Gustavsen no piano, teclados e baixo sintetizado, e da voz de Simin Tander, o baterista Jaris Vespestad completa a formação que fez este ”What Was Said”, o CD gravado em meados de 2015 e editado em Janeiro deste ano pela ECM. Na Amazon.

 

PROVAR -  Como os meus leitores hão-de já ter reparado ando um pouco enfastiado com os chefs portugueses. Diria mesmo que vai sendo altura de substituir a adoração aos chefs pelo elogio aos restaurateurs - os criadores de restaurantes, os que pensam no seu conceito, na sua arquitetura, no tipo de serviço que querem prestar, na clientela que querem conquistar, em quem se vai ocupar da cozinha e na comida que pretendem servir, bem entendido - ou seja, pensam nos clientes antes de pensarem na sua própria glória. Um restaurador - para usar o termo português (que se presta a alguma confusão) é aquilo a que no linguajar contemporâneo se poderia chamar um curador de comensais. Às vezes são eles próprios chefs, mas não se põem em bicos de pés. Já houve tempo em que havia alguns restauradores dignos de nota, agora a coisa é mais escassa na nova cultura ditada pela moda dos balcões dos mercados virados tascas modernaças - que sinceramente é um conceito que me irrita. Mas voltemos aos restauradores. Há em Lisboa um que merece destaque - é nepalês, veio para Portugal no final dos anos 90 e conseguiu criar ambientes especiais. Chama-se Tanka Sapkota, dedica-se à comida italiana que estudou com afinco e não hesita em fazer  experiências. É conhecido pela qualidade das suas pizzas napolitanas, mas não hesita em misturar massas tradicionais com, por exemplo, perceves ao lado de camarões da costa. E faz isso com tanto à vontade como é dos raros a servir trufa branca na estação e a incluir generosas lâminas de trufa negra nas suas pizzas. Depos de várias casas alheias, a começar pela antiga Trattoria, o Come Prima foi a sua primeira grande experiência e agora tem também o Forno d’Oro, onde dantes era o Mezzaluna. Mas é o Come Prima que merece mais atenção pelos pormenores da decoração, pelo espaço, pelo ambiente e pela qualidade da confecção. O próprio Tanka Sapkota está nas salas dos seus restaurantes, fala com os clientes, permanece atento, como um bom restaurador deve fazer. O Come Prima fica na Rua do Olival 256,  e tem o telefone 213 902 457.

 

DIXIT - “Estou convencido de que queriam evitar que eu apresentasse a minha candidatura à Presidência” - José Sócrates, explicando a sua detenção em entrevista a um jornal holandês.

 

GOSTO - As exportações portuguesas cresceram 33% nos últimos cinco anos.

 

NÃO GOSTO - Um terço dos parlamentares portugueses concilia a sua actividade enquanto deputados com actividades na advocacia ou na consultoria, o que potencia conflitos de interesse - denuncia um relatório do Conselho da Europa.


BACK TO BASICS - É muito perigoso querer ter razão quando o Governo está errado - Voltaire

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ENCALHADOS - O PS tem uma tradição matemática  simples: primeiro gasta-se, depois logo se vê. Foi assim com o agora louvaminhado Guterres, foi assim até ao extremo com Sócrates e está a ser assim com Costa, independentemente da reconhecida capacidade de vendedor de tapetes voadores que tem demonstrado. Como temos visto em anos recentes a receita do PS é criar condições para o Estado aumentar a dívida - e os contribuintes é que a pagam sempre. Como se tem visto nos últimos dias, o PS gosta da Europa que lhe dá dinheiro, mas não gosta mesmo nada da que lhe estabelece regras quanto aos gastos e ainda menos da que cobra dívidas. O PS, em geral, acha as dívidas uma falsa questão; já o Bloco prefere esquecê-las e o PC ignorá-las. A coligação tem um ponto comum nisto: venha o dinheiro, não me falem em obrigações. Este é o lema do cimento ideológico que sustenta Costa. Na realidade estes meses de governação vêm mais uma vez provar que a utopia esbarra na realidade - mais uma vez as promessas ficam no saco dos votos perdidos e os impostos voltam a cair maioritariamente na classe média. Permito-me recordar que os anos de austeridade do anterior Governo se traduziram numa queda do défice público de 11,2 por cento do PIB registado em 2010, para 3 por cento do PIB em 2015 . Já agora para os que dizem que a dívida do Estado foi feita nos anos da troika e não antes, recordo que no período de austeridade a subida foi de apenas 11 por cento do PIB, enquanto entre 2005 e 2011, no consulado do PS com Sócrates, foi de 58 por cento do PIB. E assim, de gasto em gasto, lá vamos continuando encalhados. Coisas…

 

SEMANADA - Depois de ter dito que não mexia no Orçamento por imposição de Bruxelas, o Governo começou a fazer ajustamentos; atirou-se aos consumos ligados aos hábitos individuais - nos impostos sobre combustíveis e sobre automóveis, que já são dos maiores em toda a Europa; a ideia de que o Governo não iria aumentar impostos está a revelar-se uma partida de Carnaval; Bruxelas queria um corte adicional de 500 milhões no Orçamento; O Ministro do Planeamento e Infra-estruturas anunciou que o Governo quer investir 450 milhões em novas obras públicas; no meio da discussão orçamental Costa vai oportunamente a Berlim falar com Angela Merkel e a sua agenda diz que o tema da conversa será a crise dos refugiados; Passos Coelho vai recandidatar-se à liderança do Partido Social Democrata e a sua grande definição ideológica e estratégica é, depois de anos a defender o neo-liberalismo, afirmar-se com o slogan “Social Democracia Sempre; o desemprego em Portugal é o quarto maior da zona Euro; o regresso das 35 horas semanais vai provocar um aumento de custos nas áreas onde se trabalha por turnos; em 2015 a GNR registou 2300 crimes graves feitos através da internet; Cavaco Silva condecorou com a Grã Cruz da Ordem da Liberdade António Guterres, o Primeiro Ministro que se pôs ao fresco quando a situação se começou a complicar em Portugal; na mesma ocasião Cavaco Silva recomendou Guterres para secretário-geral da ONU e Guterres mostrou-se desiludido com a Europa; depois de anos a queixarem-se que o IVA era o pai de todos os males na restauração, a Associação do sector apresentou um estudo por si patrocinado onde afirma que a descida do IVA não resolve os problemas da restauração.

 

ARCO DA VELHA - Um tribunal de Coimbra condenou um homem de 71 anos a dois anos e três meses de pena suspensa por abusar sexualmente  de um neto, que tinha quatro anos à altura do crime, e uma juíza de Lisboa mandou deter um cidadão por ter inadvertidamente faltado a um depoimento sobre um assalto à sua própria casa. Que avaliação podem estes dois juízes ter?

 

As Direitas na Democracia Portuguesa

 

FOLHEAR - Os dias que correm são particularmente adequados para se ler um livro recente intitulado “As Direitas Na Democracia Portuguesa”. A edição foi coordenada por Riccardo Marchi, um investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e inclui onze estudos que abordam a evolução da direita nos últimos 40 anos. Gostaria de destacar o trabalho de António Araújo sobre os intinerários socioculturais da direita portuguesa, o trabalho de Ana Sofia Ferreira sobre a evolução das ideologias políticas do PSD e do CDS-PP, o excelente”As Direitas, o Estado e as Igrejas” de Luis Salgado de Matos, o trabalho do próprio Marchi” “À Direita da Direita: O Desafio da Extrema Direita à Democracia Portuguesa”, a contribuição de Manuel Monteiro, um ex-líder do CDS-PP sobre a organização que dirigiu e, sobretudo  o trabalho de Andrè Freire e Sofia Serra Silva sobre “A Opinião Pública de Direita, antes e depois da crise de 2008”. Recomendo que o próximo candidato a líder da oposição a Costa leia bem este capitulo. A edição é da Texto, grupo Leya.

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VER - Sugiro um programa para o fim de semana: uma visita à Ilustrarte, a VII Bienal Internacional de Ilustração para a Infância que até 17 de Abril vai estar no Museu da Electricidade. Esta edição da Ilustrarte atribuíu o primeiro prémio à espanhola Violeta Lópiz, que ilustrou o livro “Amigos do Peito” do brasileiro Cláudio Thebas (na imagem). No Museu da Electricidade estão mais de 150 ilustrações, feitas por meia centena de artistas, seleccionados de entre 1700 inscritos, de mais de sete dezenas de países. Portugal está representado por trabalhos de Teresa Lima, Catarina Sobral, Joana Estrela e Daniel Moreira. Edições anteriores da Ilustrarte registaram entre 25 a 30 mil visitantes. O artista convidado desta exposição é o francês Serge Bloch, um dos mais destacados ilustradores contemporâneos. Finalmente esta edição inclui uma exposição dedicada à obra de Alice Vieira, , uma das mais importantes escritoras portuguesas para a infância e juventude. O preço da entrada é 2 euros e reverte para a campanha Unicef- Crianças Sírias.

 

OUVIR - Há cerca de 30 anos que Ennio Morricone não compunha temas para uma banda sonora de um western. Actualmente com 87 anos, Morricone pode gabar-se de ter sido, desde os tempos em que compunha para os western-spaghetti de Sergio Leone, uma das influências maiores de vários grupos de rock. O facto é cabalmente demonstrado aqui pelo clássico dos White Stripes, um original de 2000,  “Apple Blossom”, que encaixa que nem uma luva no meio dos temas orquestrais de Morricone para Hateful Eight . Só mesmo Quentin Tarantino, na sua versão de DJ sem barreiras,  se podia lembrar de juntar a banda de Jack White ao génio de Morricone. Vale a pena sublinhar que por aqui também passa Roy Orbinson no magnífico ”There Wont’t Be Many Coming Home”, vários momentos de diálogo do filme, e uma canção popular australiana, muito bem interpretada, como Jennifer Jason Leigh a canta na película. Produtor assumido desta banda sonora, Tarantino, que nunca tinha feito uma banda sonora integral para nenhum dos seus filmes, aproveitou a deixa que em tempos Morricone lhe deixou, ao dizer que já não encarava trabalhar com ele. Pois aqui está - e mesmo sabendo que alguns dos temas são reaproveitamentos nunca antes usados de composições feitas para um filme de John Carpenter (“The Thing”), o génio de Morricone domina. Aqui está. Estreado esta semana em Portugal sob o título escasso “Os Oito Odiados” , vale a pena ter o disco para saborear as memórias do filme quando se chega a casa. CD Decca/Universal.

 

PROVAR -  Há restaurantes que investem mais em comunicação e em relações públicas que na simpatia do atendimento. Gostam de criar a ideia que estão na moda, ter filas, recusam reservas e têm empregados a dizer com ar arrogante “no mínimo vai ter uma espera de 45 minutos”. Cada vez gosto menos de restaurantes da moda, de chefs que se copiam uns aos outros sem ter em conta um tema básico, que é bem servir o cliente. Às vezes leio que num restaurante o espectáculo é tão importante como a comida. Nada é tão importante como o bom atendimento, o conforto e a qualidade do que se apresenta à mesa. Por isso estas linhas de hoje são dedicadas a restaurantes que não estão em locais da moda, que têm comida bem confeccionada a partir de boa matéria prima, que são hospitaleiros e praticam preços honestos. É quanto basta. Sexta feira passada em boa hora constatei que um dos locais da moda, no Principe Real, de origem italiana, enxotava quem não quisesse ficar numa longa fila e dirigi-mo-nos ao velho Comida de Santo onde fomos bem recebidos, estivemos muito confortáveis e comemos uma belíssima feijoada à brasileira, baseada na tradição e sem modernices, acompanhado de um vinho da casa, do Dão, muito equilibrado. No domingo, a seguir, aproveitando o bom tempo, quis ir perto do mar e recordei-me que em tempos era fiel cliente do Carula, em Paço de Arcos. A casa continua a receber bem - o dia era de sedutor cozido, mas ficámo-nos no robalo, que estava óptimo, acompanhado por umas couves saborosas. Foi antecedido por uma pasta de sapateira e gambas igualmente muito boa. Resumo: a Comida de Santo e o Carula são dois locais onde tenho ido menos do que devia - porque são restaurantes que sabem que a amabilidade da tradição é bem melhor que a arrogância do sucesso. Comida de Santo , Calçada Engenheiro Miguel Pais 39 (à Rua da Escola Politécnica, em Lisboa), telefone 213 963 339; Carula, Rua Costa Pinto 41, Paço de Arcos (é a mesma rua do Hotel Paço dos Arcos-Vila Galé, à Marginal) telefone 214 432 206.

 

DIXIT - A nossa doméstica esquerda pós-moderna confunde a bruta e fera realidade, onde se joga o destino pessoal e coletivo de 10 milhões de portugueses, com um teste à sua boa consciência. Nem a tragédia do esmagamento da Grécia do Syriza lhe parece ter ensinado a perceber a desagradável diferença entre virtude e razão de Estado” - Viriato Soromenho Marques

 

GOSTO - O diário britânico The Guardian considerou o Hot Clube um dos dez grandes locais para ouvir jazz na Europa.

 

NÃO GOSTO - Numa sondagem realizada pela Win Gallup International Portugal está entre os 13 países menos felizes, com 5% a considerar-se muito feliz, 45% feliz, 39% nem feliz nem infeliz, 9% infeliz e 1% muito infeliz.

 

BACK TO BASICS - A finança é a arte de passar dinheiro de mão para mão até que finalmente desapareça - Robert W. Sarnoff

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