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SE NÃO REAGIRMOS SEREMOS DERROTADOS

por falcao, em 24.03.16

REAGIR - Hoje em dia não sabemos quando atacam, mas sabemos quem ataca. A guerrilha deslocou-se de territórios distantes para dentro das capitais da Europa. As antigas práticas de guerra, com um cerimonial de disposição de tropas - ou as acções da guerra de guerrilha no meio do mato em regiões remotas - são coisas obsoletas comparadas com o que se passa. Com a amplificação conseguida, em tempo real, do efeito dos ataques no actual sistema mediático, os manifestos e as palavras foram substituídos por bombas. Se perguntarmos a alguém qual a causa dos ataques as respostas são tão diversas que se percebe que a origem do que se passa depende do modo como se vê o mundo. Mas é certo que a desorientação e a fragmentação europeias não ajudam a prevenir e a combater quem decide promover esta guerrilha urbana contemporânea. Deixo aqui as palavras de Miguel Monjardino, no Expresso, no dia dos atentados de Bruxelas, sobre os quatro novos objectivos dos terroristas: “Os aeroportos, as estações de metropolitano, os hotéis e as grandes salas de espetáculos nas capitais europeias são agora os principais alvos daqueles que usam o terrorismo para atingir os seus objetivos políticos.” Tudo isto só nos pode fazer lembrar que quem se divide não se defende. Não partilho as palavras de António Costa, néscias, como li algures, quando recomendou "nada de reacções reactivas": Prefiro pensar como se combate o que acontece, sabendo os riscos e as dificuldades. E termino a dizer que se mudarmos as nossas vidas damos a vitória ao terror. Não é isso que queremos.

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SEMANADA - A Câmara de Valongo fez 49 ajustes directos ao mesmo empresário, no valor de 1,5 milhões de euros, entre 2008 e 2013; 147 mil famílias têm o pagamento dos empréstimos à habitação com prestações em atraso; 27% do olival alentejano é de espanhóis; 80% dos camiões de mercadorias portugueses abastecem em Espanha devido ao aumento dos impostos sobre combustíveis em Portugal; o desemprego está a subir há sete meses consecutivos, contam-se agora mais 43 mil desempregados do que em Julho do ano passado; em 2015 verificaram-se 1456 casos de abusos de crianças e 561 casos de violações de pessoas adultas; em 2006 Sócrates quis criar um privilégio judicial para os políticos, do género daquele que Lula e Dilma estão agora a tentar utilizar no Brasil; A área metropolitana de Lisboa foi responsável por 46% do valor das transacções de imóveis realizadas no ano passado; Rui Moreira aproveitou a sua guerra com a TAP a propósito do abandono de rotas a partir do Porto para lançar um livro que é um manifesto pela regionalização, um tema que promete voltar a dar que falar neste ciclo político; António Costa disse que a banca precisa de "capital estrangeiro, seja ele espanhol, angolano, alemão ou americano; Mira Amaral diz que a espanholização da banca põe em risco empresas portuguesas.

 

ARCO DA VELHA - Em Rio Tinto um homem pediu o carro emprestado à vizinha para assaltar uma loja de electrodomésticos na Póvoa do Varzim e foi apanhado porque um televisor, que estava a furtar,  caíu-lhe em cima do pé, deixando-o ferido e impossibilitado de andar - muito menos fugir.

 

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FOLHEAR - Numa semana em que se falou tanto de Angola a propósito do sistema financeiro português foi lançado um livro que é uma preciosa obra de amor e entendimento entre o português que se fala em Portugal e o que se fala em Angola. É um livro que vale mais do que mil acordos ortográficos, destes anacrónicos que nos impõem por decreto. O livro é um glossário de termos que mostram o idioma português vivo no coração de África e é também um manifesto de amizade, assinado por Manuel S. Fonseca, que é meio português e meio angolano, editor e autor, que aqui dá mostras do seu amor a uma língua que se reinventa nos acontecimentos do dia a dia. O livro chama-se “Pequeno Dicionário Caluanda” e foi editado pela Guerra & Paz. Como autor diz, os angolanos conferem à língua portuguesa uma vitalidade própria - em Luanda, os caluandas cantam o português, impregnando-o de um humor salutar que faz a língua portuguesa rir-se como não se ri em mais nenhum lugar onde é falada”. Esta é uma primeira recolha daquilo a que se chama o falar de Luanda. São palavras novas, algumas, outras já com décadas, que conquistaram direito a reconhecimento, tão amplo é hoje o seu uso, já não só em An­gola, mas também em Portugal, em Moçambique e no Brasil.. Vale a pena ler - para sabermos todos mais e para nos conhecermos melhor uns aos outros.

Pedro Cabrita Reis_Galeria João Esteves de Olivei

VER - “Horas Quietas” é o título da exposição de novas obras de Pedro Cabrita Reis, patente desde esta semana na Galeria João Esteves de Oliveira. Outro título possível seria “O Triunfo do Desenho”, já que é a partir do traço que se desenvolvem as 28 peças apresentadas. Praticamente todas usam técnica mista, com recurso a pintura e a colagens em muitos casos, mas com uma presença do desenho mais intensa que na generalidade da obra mais recente do artista. O nu, o desenho do corpo nu de modelos que com ele trabalharam, é o elemento comum, assim como a delimitação geométrica que define o espaço de muitas das obras, mostrando a delimitação entre o desenho e alguma das outras técnicas utilizadas. Muitas vezes o desenho do nu surge de forma quase académica, mas sempre como um ponto de partida ou de  passagem e não como um ponto de chegada nas peças expostas. É claramente uma exposição inesperada e sedutora, que oscila entre o corpo e a natureza, e que revela mais uma vez como Pedro Cabrita Reis mantém a capacidade de surpreender. Há muito tempo que não se viam tantos coleccionadores a marcar peças que desejavam comprar como nesta inauguração. No mesmo dia foi lançado o livro “Horas Quietas”, com a reprodução de todos os desenhos mostrados na exposição, do qual foi feita uma edição especial de 75 exemplares, assinados e chancelados pelo autor e pela galeria. Até 6 de Maio, Rua Ivens 38.

 

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OUVIR - Parece-me ser impossível ficar indiferente à forma como Kenny Barron e o seu trio tocam em “Book Of Intuition”, o disco que agora editaram. Quem gosta da formação clássica do trio de jazz - piano, baixo e bateria - não pode passar ao lado deste CD. Em boa parte isso é devido à forma como Kenny Barron toca piano, com ritmo e melodia, virtuosismo e swing nos sete temas da sua autoria, nas duas versões de temas de Thelonius Monk (sobretudo Shuffle Boil) e no magnífico Nightfall, de Charlie Haden. Se quiserem, o tema de abertura, do próprio Barron, Magic Dance, conta toda a história que está neste álbum - a energia, a criatividade, o desafio. Kenny Barron é dos maiores pianistas contemporâneos de jazz e este registo prova isso mesmo - ao ouvi-lo quase que parece que o piano ganha outra dimensão. E deve dizer-.se que Kiyoshi Kitagawa no baixo e Johnatan Blake na bateria complementam o trabalho de Barron no piano de forma exemplar. CD Impulse, distribuído em Portugal por Universal Music.

 

PROVAR -  Há uma lenda para o folar da Páscoa - parte de uma história de rivalidades, no amor, entre um fidalgo e um pequeno agricultor, que se confrontaram em torno da mesma rapariga. Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana, dividida entre os dois pretendentes. Ambos queriam que ela se decidisse até ao Domingo de Ramos. Chegada essa data, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.  Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.  Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação.  Com o correr dos tempos ficaram três receitas bem diversas, uma a norte, duas a sul. A do norte, o folar transmontano, não leva açúcar e tem carnes fumadas no seu recheio - por esta altura há feiras do Folar por toda a região transmontana e os de Chaves (que em Lisboa podem ser adquiridos nos “Prazeres da Terra” do largo Dona Estefânia) são particularmente apreciados. Eu por  mim gosto dos folares alentejanos, temperados a erva doce e azeite e que ficam com a massa dura e ovos cozidos no meio. Mas há também os folares algarvios, onde a massa leva leite e canela e o interior fica cremoso - são demasiado doces para o meu gosto. Para mim Páscoa sem folar alentejano é pior que Páscoa sem amêndoas.

 

DIXIT - “Tenho saudades do tempo em que Portugal era um país industrializado. Nós desindustrializámo-nos para além do que era razoável. O país bem escusaria de estar a passar por aquilo por que está a passar” - Carvalho Rodrigues, na sua derradeira aula na universidade.

 

GOSTO - José Pedro Croft e Siza Vieira representam Portugal na Bienal de Veneza

 

NÃO GOSTO - Usar o dinheiro dos contribuintes para pagar a modernização do sector dos táxis, sobretudo quando este teve meios e tempo para se modernizar e optou sempre por o não fazer e continuou a proteger comportamentos inaceitáveis dos taxistas.

 

BACK TO BASICS - A única forma de derrotarmos o terrorismo é não nos mostrarmos aterrorizados - Salman Rushdie

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publicado às 14:00

COMO IRÁ FICAR O NOSSO AUTO-RETRATO?

por falcao, em 18.03.16

AUTO-RETRATO - Estamos aqui entretidos com o nosso orçamento - o primeiro orçamento em que o PCP votou favoravelmente em dezenas de anos - e o resto da Europa não se rala muito com os nossos sobressaltos internos. Não se vê grande eco dos acontecimentos lusitanos por essa União fora. Em contrapartida ouve-se o ranger de dentes que o Banco Central Europeu provoca, sente-se o arrepio que o resultado das eleições na Alemanha desencadeou, palpita-se a inquietação sobre as conversações com a Turquia, percebe-se a insegurança que a situação em Espanha produz nos analistas. Portugal é  a última preocupação da Europa, é um dano colateral na melhor das hipóteses. Se a coisa correr mal e Costa não tiver o tal plano B, a Comissão Europeia não vai ser branda no julgamento e, mais uma vez, perceberemos a asneira tarde demais. Gostaria que não fosse assim, mas a Europa é o que é, e nós temos a dimensão que temos. Ou seja, estamos entre a espada e a parede, local onde recorrentemente voltamos. Vou gostar de seguir a execução orçamental, vou gostar de ver se as previsões de receitas com o aumento dos impostos nos combustíveis se cumprem, se a descida do IVA na restauração tem algum efeito prático, se a despesa pública não explode com subsidios a taxis e benefícios fiscais a animais. A vida não está fácil e da maneira que as coisas estão não vejo maneiras de melhorar. A nossa selfie arrisca-se a ficar desfocada.

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SEMANADA - Marcelo pegou no seu próprio carro e foi visitar Mário Soares a casa no Domingo; 28% dos portugueses entre os 16 e 74 anos nunca usaram a internet - a média europeia é de 16%; Portugal teve a mais baixa taxa de fertilidade da União Europeia em 2014; as despesas de veterinário com animais domésticos até ao limite de 250 euros anuais vão poder ser deduzidas no IRS; no ano passado as infecções hospitalares mataram sete vezes mais que os acidentes rodoviários - 12 pessoas por dia; o Ministério da Educação reconheceu não saber quantos professores estão de baixa; um relatório internacional revelou que os adolescentes portugueses são os que menos gostam da escola nos 42 países analisados; em 2015 foram feitas mais de 300 mil queixas nos livros de reclamações, sobretudo nos sectores do comércio e restauração; a DECO recebeu quase 700 mil queixas em 2015, um aumento de 24% face a 2014, com o sector da energia e das telecomunicações a motivarem o maior numero de reclamações; os despedimentos colectivos aumentaram 32,5% desde Janeiro; Angola e Brasil foram responsáveis por uma quebra de mil milhões nas exportações portuguesas em 2015; ainda há 156 milhões de euros em notas de escudos por trocar; por causa da diferença no preço dos combustíveis, devido à carga fiscal, os portugueses abastecem cerca de um milhão de euros por dia em Espanha; o governo vai criar novas taxas que aumentarão o peso das receitas obtidas pela chamada fiscalidade verde; o Governo propõe-se atribuir financiamentos de 17 milhões de euros com o intuito de promover a modernização dos taxis; um quarto dos carros da PSP estão parados, avariados ou para abate.

 

ARCO DA VELHA - A Câmara Municipal de Lisboa, que metodicamente toma medidas para dificultar o trânsito automóvel e a vida dos automobilistas, encara proceder à demolição quase total da Vila Martel, na encosta da Glória, onde trabalharam alguns dos maiores nomes da pintura portuguesa, para construir um estacionamento robotizado de catorze andares - chama-se a isto o Paradoxo de Medina. Que triste sina a de Lisboa…

 

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FOLHEAR - Os meus leitores saberão que eu me interesso por experimentar restaurantes, petiscarias, locais variados desde que não sejam pretensiosos, onde se pratique boa cozinha.  Além disso também já terão notado que eu sou um crente na possibilidade da sobrevivência do papel impresso - nomeadamente das revistas. Já aqui falei algumas vezes sobre a quantidade (e qualidade) de novas revistas que vão surgindo, muitas dirigidas a nichos, outras mais abrangentes. A partir de agora há um local em Lisboa, na Rua Marquês Sá da Bandeira 88, perto da Gulbenkian, onde se pode encontrar esta nova geração de revistas e apreciar a diversidade e criatividade que o sector tem. Este quiosque contemporâneo chama-se Under The Cover (vejam a página no Facebook com o mesmo nome). Uma das revistas que por estes dias lá vi e trouxe para casa chama-se “The Gourmand - A food and culture journal”. Na primeira página está uma citação de Leonard Cohen: “we humans are always looking for things to do between meals”. The Gourmand tem uma periodicidade semestral, é editada no Reino Unido e lá tem um preço de 12 libras. Foi considerada a revista do ano em 2015. Cada edição mistura objectos com comida, receitas com reportagens, entrevistas com ensaios. A fotografia é exemplar, a ilustração é cuidada. Neste número 7, editado em finais de Janeiro, destaco um ensaio de um linguista sobre a forma como os menus, as criticas de restaurantes ou a apreciação de vinhos é escrita - um texto deslumbrante intitulado “Sex, Druga And Sushi Rolls”. Embora não goste de franceses, gostei da introdução aos princípios básicos da cozinha francesa a propósito dos conselhos culinários de Alexandre Dumas; gostei ainda mais da história sobre as habilidades gastronómicas do vampiresco actor Vincent Price e guardei  as receitas que vêm no final da revista - e que em algum ponto são mencionadas num dos seus artigos. Sugiro que vá à Under The Cover ver a revista ou que visite o site  thegourmand.co.uk

 

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VER - Esta recomendação é para quem está no Porto. Na Galeria Árvore ( Rua Azevedo de Albuquerque 1), está uma exposição que agrupa obras de Cristina Ataíde (na imagem), Graça Pereira Coutinho e Ana Vidigal sob o título “O Sublime Flamejar das Pestanas”, com curadoria de Albuquerque Mendes. Cada uma das artistas tem um espaço próprio na exposição e há uma zona comum onde as obras de todas se cruzam, estabelecendo o diálogo de partida. A ideia é evocar uma casa onde cada divisão é habitada por uma pessoa e existe uma zona comum que é de todas. São 30 obras, entre cerâmicas, pinturas e instalações, em exposição na Árvore até ao fim do mês.

 

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OUVIR - No princípio é a linha do baixo; depois, é  a voz. A voz, aqui faz a diferença. A simplicidade dos arranjos ajuda. A clareza das palavras é bem vinda. O som simples e despretensioso é uma benção. De repente dei comigo a trautear estas canções dos Minta & The Brook Trout. A pôr o disco a tocar vezes seguidas - para ouvir a voz surpreendente de Francisca Cortesão, a guitarra discreta e eficaz de Bruno Pernadas, o baixo de Mariana Ricardo, as teclas de Margarida Campelo, a percussão de Nuno Pessoa. Há muito tempo que uma banda portuguesa não me surpreendia tanto como aconteceu com “Slow”,. este disco dos Minta & The Brook Trout, um grupo que ao todo já tem meia dúzia de registos no activo. Devo dizer que as canções, as onze histórias que estão neste disco, são da autoria de Francisca Cortesão. Parecem autobiográficas, estão muito bem escritas - um sentido rigoroso na utilização das palavras, cantado em inglês. É o meu disco português do mês. CD NorteSul/ Valentim de Carvalho.

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PROVAR -  Raramente utilizo açúcar - nem no café. Também não uso adoçantes. Em geral não bebo refrigerantes adocicados. Mas o chocolate… o chocolate é um incontornável vício. Gosto dele duro e amargo. Uma variante possível são farripas de casca de laranja cobertas com chocolate escuro. Em relação aos ovos da Páscoa, durante muito tempo dediquei-os às crianças. Mas quando descobri que a chocolataria Equador tinha ovos de chocolate preto fiquei naquela fase do regresso à infância. Só me apetecia que me escondessem ovos desse chocolate nos cantos da casa para eu os ir descobrindo. Esta versão adulta dos ovos de chocolate veio trazer uma Páscoa diferente. Nunca é tarde para actualizarmos as nossas memórias e para descobrirmos novos prazeres,  neste caso na Chocolataria Equador - no Porto na Rua Sá da Bandeira 637, e em Lisboa na Rua da Misericórdia 72. O difícil é escolher.

 

DIXIT - “No Brasil é assim: quando um pobre rouba, vai para a cadeia, mas quando um rico rouba, ele vira ministro" - Lula da Silva, 1988

 

GOSTO - Há uma editora portuguesa de Jazz, a Clean Feed, que se tornou uma referência no jazz internacional e que editou 400 discos nos 15 anos que já leva de vida e que agora celebra.

 

NÃO GOSTO - Do caos das obras em Lisboa, dos projectos feitos à pressa e que são interrompidos para serem corrigidos e nunca mais sãoretomados, do desprezo que a autarquia manifesta pelos lisboetas que são quem sustenta o incompetente desgoverno da cidade.

 

BACK TO BASICS - “Gosto do cinema que me faz mexer na cadeira” - Nicolau Breyner

 

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publicado às 14:00

SÍMBOLOS - Escrevo quarta-feira à noite e reparo agora que esta coluna será publicada dia 11 de Março, 41 anos depois dos acontecimentos que marcaram definitivamente Portugal - a série de nacionalizações, o extremar de posições, um clima tenso na elaboração da Constituição. É impossível não recordar esse espírito do tempo nesta semana em que o novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, iniciou funções - até porque a esquerda parlamentar, como se viu na cerimónia, preferiu manter o clima de divisão de há 41 anos,  No encontro ecuménico no dia da sua posse o Presidente da República apelou  “à aceitação do outro, ao diálogo, ao entendimento, à compreensão recíproca, sem negar as diferenças de princípios ou de vivências.”. Este encontro entre várias religiões foi mais um momento simbólico dos vários que tem criado: na véspera de ser empossado dormiu na casa dos pais e foi a pé até à Assembleia da República, numa clara evocação da sua infância e do seu percurso, mas sobretudo uma homenagem aos seus próprios pais. Na véspera despediu-se da vida de simples cidadão almoçando sozinho numa esplanada, de boné na cabeça. Os seus convites ao Rei de Espanha, ao Presidente da Comissão Europeia e ao Presidente de Moçambique, são outros símbolos - assim como o é a escolha anunciada de Paris para palco das comemorações do Dia de Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa, antes de ser Presidente, é um homem da comunicação - foi jornalista, director de jornais,  editor, colunista, comentador. Sabe a importância da comunicação, sabe a importância dos símbolos na construção de uma imagem - como a escolha de citações de Mouzinho de Albuquerque, Miguel Torga e Lobo Antunes no seu discurso de posse bem revela. Ou, ainda, como a cirúrgica citação de Adam Smith sobre a mão invisível, evocando a obra “A Riqueza das Nações”. É um tempo novo que se parece abrir. Bem precisamos dele.

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SEMANADA - O cavaquismo despediu-se do país em Cascais; Marcelo Rebelo de Sousa escolheu Paris para o próximo Dia de Portugal; António Costa diz que “a Comissão vê riscos onde nós não vemos”;  Bruxelas anunciou querer mais austeridade em Portugal; o Estado já gastou cinco milhões de euros em consultores para tratar do caso dos swaps; um estudo do Reuters Institute sinaliza que em Portugal as mulheres consomem menos notícias que os homens e revela que a televisão e o computador são actualmente os dispositivos mais usados para o consumo de notícias; os operadores de telecomunicações foram alvo de 429 processos de contraordenação pela Anacom em 2015, um aumento de 24% em relação ao ano anterior; o Governo fez mil nomeações nos primeiros cem dias da sua existência; o preço das casas desvalorizou 26% desde 2000; a Câmara Municipal de Lisboa decidiu aplicar uma taxa às lojas que coloquem vasos de plantas á porta; oito mil estrangeiros já solicitaram pedidos de residência em Portugal para usufruírem de vantagens fiscais; a Polícia Judiciária fez buscas na Câmara de Gaia relacionadas com aspectos da gestão de Luís Filipe Menezes naquela autarquia, onde deixou uma divida de 300 milhões de euros; entre 2012 e 2014 as empresas adquiridas pelo grupo britânico que contratou Maria Luís Albuquerque tiveram benefícios fiscais de 381,7 mil euros; Lisboa vai ter mais 40 novos hotéis até 2017.

 

ARCO DA VELHA - Lula da Silva veio a Portugal para o lançamento do livro de José Sócrates com a viagem paga por uma empresa que tinha ganho o concurso para a construção de um troço do TGV e que era sócia do grupo Lena na empreitada. O responsável da Odebrecht, a empresa brasileira em causa, foi entretanto condenado a 19 anos de prisão no âmbito das investigações de corrupção durante o Governo de Lula e Dilma, conhecidas como Lava Jato.

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FOLHEAR - Como é tradição um dos primeiros actos do novo Presidente da República foi depositar coroas de flores nos túmulos de Luís Vaz de Camões e Vasco da Gama, no Mosteiro dos Jerónimos. Neste caso a homenagem a Luís Vaz de Camões assume um significado especial, porque Marcelo Rebelo de Sousa não utiliza o Acordo Ortográfico nos seus escritos pessoais e vários dos elementos da sua equipa tomaram posições contra esse mesmo Acordo. Tudo isto me leva à obra de Camões - “Os Lusíadas”, o poema épico que enaltece a capacidade, a coragem e a criatividade dos portugueses. A obra começa com a primeira viagem de Vasco da Gama à Índia, sempre com a História de Portugal como pano de fundo ao longo dos dez cantos do poema, que terá sido concluído em 1556 e editado em 1572. Tirando as edições escolares não é muito fácil encontrar edições acessíveis de “Os Lusíadas”. Não deixa de ser uma feliz coincidência que a editora Guerra & Paz, na sua colecção de textos clássicos, tenha decidido editar agora “Os Lusíadas”, que estarão disponíveis por 13 euros, voltando a oferecer a possibilidade de redescobrir um dos textos mais importantes da Cultura portuguesa. Esta edição tem nova fixação de texto feita por  Helder Guégués e felizmente não segue o Acordo ortográfico.

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VER - Este é o fim de semana da Moda Lisboa - Lisbon Fashion Week. De sexta a Domingo cerca de duas dezenas de estilistas portugueses vão apresentar o seu trabalho no Pátio da Galé, junto ao Terreiro do Paço. Mas além disso, nos Paços do Concelho estarão patentes duas exposições: uma, de fotografia, de João Telmo, nos Paços do Concelho, sob o título “Gineceu Androceu”, que retrata 20 personalidades e 11 designers de moda portugueses; a outra de uns objectos especiais e muito quotidianos - se nunca viu sapatos em exposição sem ser em fotografias do closet de Imelda Marcos experimente, no mesmo local, Paços do Concelho, ver as propostas dos designers portugueses para vestir os pés nacionais no Outono/Inverno deste ano. Ainda na Praça do Município, no espaço  Wonder Room, veja uma pop-up store dedicada a cerca de 30 marcas nacionais emergentes, todas Made in Portugal, mostrando o trabalho de designers em áreas que vão da roupa aos óculos de sol, passando por fatos de banho, equipamentos de surf e acessórios variados. Todo o programa e horários em modalisboa.pt .

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OUVIR - Hélène Grimaud é uma pianista francesa que tem uma preocupação assumida por causas ambientais. Nitin Sawhney é um músico, compositor e produtor de origem indiana, residente em Londres, que se caracteriza por combinar influências musicais asiáticas com elementos do jazz e da electronica. O projecto que junta Grimaud e Sawhney tem por título “Water” e combina obras de compositores clássicos que se dedicaram a este tema, com pequenos temas expressamente desenvolvidos por Sawhney para serem intercaladas entre essas peças clássicas interpretadas por Grimaud,  Aqui estão obras de oito compositores diferentes - Maurice Ravel, Franz Liszt, Claude Debussy, mas também outros mais inesperados como  Luciano Berio, Toru Takemitsu, Gabriel Fauré, Isaac Albéniz e Leos  Janácek, todos eles de alguma forma ligados ao tema da água. As interpretações de Hélène Grimaud foram gravadas ao vivo em Nova York,  e as sete transições de Sawhney, que introduzem separadores ambientais criados de forma electronica, gravados posteriormente em Londres e depois intercalados entre as interpretações da pianista, contribuem para sublinhar o lado conceptual de toda a obra. A água, diz Grimaud referindo-se ao título do disco, é uma fonte de vida e de inspiração e este projecto pretende mostrar as várias formas que a água pode ter nas nossas emoções. CD Deutsche Grammophon.

 

PROVAR - Era uma vez um grupo de amigos, apreciadores de sushi, que tinham descoberto os segredos da cozinha japonesa pela mão de Mestre Takashi Yoshitake, nas várias versões que o seu Aya teve ao longo da sua vida, terminada demasiado cedo. Há cerca de um ano esses amigos tiveram a ideia de fundar um clube de sushi, semi-privado e abriram o restaurante Go Juu nas Avenidas Novas, na Rua Marquês Sá da Bandeira 46 A, frente aos jardins da Gulbenkian. Ao jantar o Go Juu está aberto de quarta a sábado, mas nas noites de quinta, sexta e sábado é prioritariamente reservado aos sócios e seus convidados - mas se sobrarem lugares, dos cerca de quarenta e cinco que existem - eles ficam disponíveis ao público. Às quartas qualquer pessoa pode reservar e ao almoço, de terça a domingo, o local está igualmente aberto ao público. Existe um menu de almoço com várias sugestões e ao jantar a lista oferece propostas da melhor cozinha tradicional japonesa. Os menus de almoço incluem uma salada, uma sopa miso, pickles japoneses e depois diversas possibilidades de escolha de variedades de sushi e sashimi. Num restaurante japonês, o arroz é um critério de selecção para se saber se estamos a falar de coisas sérias ou de brincadeiras. O do Go Juu é seríissimo. Os peixes são muito frescos e é um prazer almoçar ao balcão a ver o trabalho dos dois sushiman, a preparar cada prato. Este não é um sítio para se ir comer a correr. É um local para parar, sentir e desfrutar o prazer. O serviço é muito bom, a carta de vinhos é criteriosa mas de preços razoáveis e existe vinho a copo, bem escolhido. Nas sobremesas destaque para os gelados de chá verde, de gengibre e de sésamo e ainda para os tradicionais castella e bolo de castanha e chá. Vê-se que a casa é frequentada por clientes habituais e por apreciadores da tradição culinária japonesa. O preço médio ronda os 30 euros por pessoa. Go Juu, Rua Marquês Sá da Bandeira 46, Telefone 218 280 704.


DIXIT - “Não quero atribuir-lhe outra qualificação a não ser ausência total de bom senso ao aceitar um cargo desta natureza” - Manuela Ferreira Leite sobre a contratação de Maria Luis Albuquerque pela Arrow.

 

GOSTO - Enquanto cidadão Marcelo Rebelo de Sousa não escreve segundo o Acordo Ortográfico

 

NÃO GOSTO - Da atitude dos partidos que se dizem republicanos e não aplaudiram o novo Presidente da República eleito em sufrágio universal.

 

BACK TO BASICS - Nos Estados Unidos qualquer pessoa pode vir a ser Presidente - é um dos riscos com que temos de viver - Adlai Stevenson Jr.

 

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publicado às 14:00

CULTURA - Há uma enorme diferença entre gerir instituições culturais e programar a sua actividade para os públicos que cada uma atinge ou pretende atingir. A confusão vem de há muito e atravessa a manada que nem um raio em noite de trovoada seca. Por cá o azar começa muitas vezes logo nos Ministros. João Soares é um bom exemplo do problema: em vez de delinear uma estratégia para o seu largo sector - as instituições culturais e a comunicação (que inclui o audiovisual), deu apenas sinais de querer programar a discutível e débil colecção de Mirós para Serralves, ao mesmo tempo que vai distribuindo promessas de atenção a isto e aquilo, sem mostrar os meios que poderá usar para garantir que tanta atenção seja produtiva. O seu consulado fica para já marcado mais por afastamentos - que noutros tempos alguns apelidariam de saneamentos - do que por propostas concretas. João Soares entrou no sector como um elefante se passeia numa loja de porcelanas. As suas demissões e nomeações reflectem mais uma preocupação de distribuir aliados e multiplicar iniciativas do que de criar uma linha coerente e integrada que junte peças - coisa que também fez em Lisboa quando foi vereador da Cultura. A esse nível João Soares padece do mesmo pecado que António Lamas: ambos gostam de controlar e de ter a última palavra. Estou à vontade no assunto: não alinho no muro de lamentações em torno de Lamas. Um dia, quando alguém contar a história verdadeira das coisas, se saberá quem apadrinhou a ideia de mudar o plano original do CCB, introduzindo a valência de ópera no Grande Auditório, que radicalmente desequilibrou o projecto arquitectónico original, deu uma machadada irrecuperável na acústica da sala, e foi responsável por uma grande parte do enorme desvio orçamental da obra. Se forem ver quem mandava no plano e acompanhava a construção perceberão melhor o efeito destruidor da tendência de ser programador de gostos pessoais  - e no caso pretendendo fazer tábua rasa do S. Carlos. Que fazia António Lamas à data? - Superintendia o organismo que tutelava a construção do CCB. Dele apenas sei, pelo que me diz quem com ele trabalhou, que é um autocrata, incapaz de delegar, que concentra tudo em si mesmo. Quis, agora, no CCB onde em má hora voltou, reproduzir uma coisa que fez bem em Sintra, num contexto de recuperação de monumentos e ruínas, preconizando uma gestão integrada de instituições com programações autónomas na zona de Ajuda-Belém, abrindo o caminho a descaracterizar cada uma delas. Nunca concordei com esta ideia e deixei-o aliás escrito. A posição de um Ministro é dar orientações - se as souber dar, claro. Não é demitir porque não se simpatiza - como aconteceu agora no CCB, mas também no S. Carlos.  A ver vamos onde isto vai parar. Como se sabe, e agora se tem visto, dirigir é bem mais difícil do que mandar. Na Cultura está a criar-se um Gulag. Em nome do antifascismo, claro, que de outra forma não podia ser. Uma palhaçada.

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SEMANADA -  O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse em Marrocos que o PS quer conquistar novo mandato governamental em 2019; Passos Coelho garantiu em Lisboa que o PSD está preparado para governar e admite voltar ao governo mesmo sem eleições antecipadas; as avaliações de Bruxelas a Portugal vão continuar  pelo menos até 2035, segundo dados do Eurogrupo; o Conselho das Finanças Públicas considera que existem “riscos importantes” no Orçamento de Estado e avalia como demasiado optimista a receita fiscal prevista; a dívida pública aumentou 3,34 milhões de euros em Janeiro, tendo atingido o total de 234 mil milhões de euros; nos últimos anos encerraram mais de 10% das escolas portuguesas; a McDonald’s anunciou que as refeições para crianças vão deixar de ter a indicação de que se destinam a rapazes ou raparigas, em funções dos brinquedos que têm como brinde, para evitarem estimular a descriminação entre sexos; uma mulher de Chaves tentou matar o marido por este não a querer deixar ir jogar ao casino; o regresso às 35 horas semanais a partir de Junho deste ano vai custar ao Serviço Nacional de Saúde entre 28 a 40 milhões de euros; as vendas de automóveis em Portugal atingiram as 20.640 unidades em Fevereiro, o que corresponde a mais 23,4% que as unidades vendidas no mesmo mês de 2015; 68% dos utilizadores de telemóveis já possuem smartphones e a penetração destes equipamentos aumentou 89% relativamente ao observado em Abril de 2013.

 

ARCO DA VELHA - O Pessoas-Animais-Natureza (PAN) pretende que seja possível deduzir as despesas veterinárias “em sede de IRS”, como despesa de saúde, beneficiando animais e pessoas que têm “animais de companhia” e manifestou-se contrário à utilização de coleiras em cães.

 

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FOLHEAR - Eu aposto que 99% dos autores de insultos variados a Henrique Raposo no Facebook não leram o livro que motivou a polémica que se criou em torno das suas declarações num programa da SIC Radical. O livro chama-se “Alentejo prometido”  e acontece que é um livro bem escrito e que aborda com originalidade um retrato do Alentejo, a região de onde a família do autor é originária, em temas como a vida, o papel da mulher, o suicídio, o desenraizamento depois da fuga para a grande cidade ou os seus arredores. Ora o retrato que Henrique Raposo faz é realista, elogiando a resistência das mulheres, recordando a vida na região na última metade do século passado, explicando o desespero de quem põe fim à vida ou as saudades da terra que se deixou. Não sou particularmente fã das colunas de opinião de Henrique Raposo - e neste momento ele está a ser vítima do estilo que usa na sua coluna e não do que escreveu neste livro, que é um bom livro. Mas o tema não é este - o que me irrita é a banalização de uma suposta superioridade moral da esquerda que justifica que se faça censura e se apelem a autos de fé contra esta obra e contra o seu autor. Em suma, pretendem vigiar a opinião mas nem sabem ler aquilo que criticam. Se lessem arrepender-se-iam de ter diabolizado “Alentejo prometido”. Eu não preciso que decidam por mim o que devo ler - quando não engraço com a coisa sigo em frente. Para dizer que não se gosta é preciso saber ler - uma coisa que exige paciência, atenção e algum desejo de aprender. E neste livro aprende-se.

 

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VER - Hoje estou em dia de contrariar os bem pensantes. Depois de ver o segundo episódio aqui declaro gostar de “Vinyl”, a série de Scorsese & Jagger, produzida pela HBO, que a TV Series está a exibir. Aceito que a coisa possa parecer fantasiosa, mas acreditem que, na época retratada, anos 70, a indústria discográfica era mesmo assim. Se achei o primeiro episódio, duplo, longo demais, achei o segundo com bom ritmo e certeiro. Vejo a série e adivinho alguns dos nomes reais que inspiraram os autores a criar aquelas personagens. “Empire”, outra série sobre o mesmo tema, é apenas uma variante mais pobre, embora mais contemporânea, sobre a mesma história.

 

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OUVIR - Francisco Silva é o criador de uma aventura musical chamada Old Jerusalem, que publica discos a ritmo incerto. O anterior trabalho datava de 2011 e agora, de repente, sai este “A Rose Is A Rose Is A Rose”, título inspirado em Gertrude Stein. Atrevo-me a dizer que este sexto álbum de originais é o seu melhor trabalho. Poder-se-iam detectar numerosas influências musicais neste CD - mas cada artista cria as suas obras a partir daquilo que mais o tocou. Fiquei rendido com o tema de abertura, “A Charm”, mas depois fui descobrindo, ao longo das dez canções, a espantosa energia e eficácia de uns arranjos que, se tivessem errado, seriam apenas espampanantes em vez de impressionantes. A responsabilidade de uma riqueza sonora que convive com a simplicidade deve ser assacada ao pianista Filipe Melo. Mas é ao “clandestino” Francisco Silva que se deve mais este episódio das aventuras sonoras dos Old Jerusalem, algo do melhor que se tem feito neste pequeno rectângulo.

 

PROVAR -  Uma série de amigos andava a falar-me, desde há uns tempos, de um restaurante que fica perto da Estrada da Luz, na rua da Loja do Cidadão, chamado Bom de Veras. Nos últimas semanas fui lá duas vezes e em ambas dei por bem empregue o tempo e fiquei contente com o resultado da prova. Da primeira vez comi um dos pratos do dia - e vale sempre a pena perguntar ao proprietário, Luis Filipe, o que tem para propôr que não esteja na carta. Normalmente estas propostas são comida de conforto, caseira, bem portuguesa e muito bem confeccionada. Na lista há especialidades como uma empada de carne, uma coxa de pato confitada ou um bacalhau fresco sobre cama de brás - em que o fiel amigo vem invulgarmente bem afinado na confecção. O couvert conta com umas azeitonas muito bem temperadas. Quanto aos vinhos não se fiquem pela lista e peçam sugestões: eu segui a recomendação de uma Quinta das Camélias Reserva, magnífico tinto que faz jus à evolução que a região tem tido. Os preços dos vinhos não são especulativos e a conta é honesta. A sala tem duas zonas - para fumadores e não fumadores e ao Domingo há um buffet de cozido que tenho ouvido louvar com frequência - e nesse dia é mesmo preciso marcar. Bom de Veras - Rua Abranches Ferrão nº 17, telefone 217 266 203.

 

DIXIT - “É preciso dizer que o jornalismo do cidadão é uma treta” - Carlos Magno, Presidente da ERC

 

GOSTO - De ter um Presidente que diga que a comunicação social é essencial para a democracia, como Marcelo Rebelo de Sousa fez esta semana - bem melhor que um Presidente que se gabava de não ler jornais, como Cavaco Silva.

 

NÃO GOSTO - Dois terços dos médicos e enfermeiros apresentam sinais de esgotamento.

 

BACK TO BASICS - Os jornais não se podem preocupar em ter amigos - Joseph Pulitzer.

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