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ESTADO - Há três verbos que definem a acção do Governo nestes primeiros seis meses de vida: revogar, demitir e nomear. Os três andam juntos e justificam-se uns aos outros em nome da alteração das políticas. Raramente um Governo terá feito de forma tão sistemática, em tão pouco tempo, tantas  alterações de dirigentes de organismos públicos, interrompendo mandatos e substituindo anteriores responsáveis, independentemente do seu desempenho, por outros novos nomeados com o exclusivo critério da confiança política. Para usar uma expressão introduzida pelo Primeiro Ministro, parece que as vacas voadoras tomaram o freio nos dentes e se transformaram em drones, que voam sobre o Estado português, ocupando posições estratégicas na economia, na saúde, na segurança social, em todo o lado onde surja um pretexto para encaixar alguém sintonizado. As vacas voadoras deixaram de ser figura de retórica e são quem assumidamente reboca a geringonça. Aquilo a que assistimos é à tomada do aparelho de Estado por um partido, sem olhar a meios nem a competências. Aos poucos o Estado perde credibilidade e a célebre frase de Guterres, “no jobs for the boys” parece mais uma vez uma anedota de péssimo gosto. Há quem diga, elogiando, que António Costa reintroduziu a política na acção do Estado; creio que o que fez foi reintroduzir a politiquice e o aparelhismo, as duas degenerações senis da partidocracia.

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SEMANADA - A greve dos Estivadores no Porto de Lisboa causa prejuízos superiores a 100 mil euros por dia; os sete operadores do Porto de Lisboa estão em situação de pré-falência; a actividade económica do Porto de Lisboa em 2015 foi metade da registada em 2012; o Governo pretende que as empresas cotadas em bolsa que, em 2018, não atinjam uma quota de 20% de mulheres nas administrações, tenham a cotação suspensa; um padre que dirigia uma instituição integrada na Casa do Gaiato foi acusado pelo Ministério Público de maltratar crianças e idosos; o subsídio de desemprego só chega a menos de 22% dos trabalhadores independentes; as exportações portuguesas tiveram o pior arranque do ano desde 2009; o investimento estrangeiro feito através dos vistos gold aumentou 45% até Abril deste ano; a Madeira aumentou os incentivos fiscais para atrair mais vistos gold; Cavaco Silva interrompeu o seu silêncio para dizer que “a política económica é demasiado importante para ser deixada aos políticos; o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou o desejo de que as eleições “autárquicas não venham interromper a governação”; o Estado está a cobrar mais 1,6 milhões de euros por dia em impostos sobre combustiveis e já arrecadou este ano mais de mil milhões de euros graças a eles; as obras da segunda circular, em Lisboa, vão começar em Junho, ainda com as obras do eixo central a decorrer e sem prazo de finalização apurado; as turmas do ensino profissional não entraram no cálculo da lotação das escolas públicas quando o Estado decidiu cortar o financiamento aos privados.


ARCO DA VELHA - Kátia Aveiro vai cantar na final da Liga dos Campeões, em Milão, neste sábado - e depois ainda há quem ande à procura das causas do mau tempo...

 

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FOLHEAR - A edição de Junho da revista Monocle é dedicada ao mar, opção que atinge as várias secções. Talvez por isso a revista publica uma nota sobre Marcelo Rebelo de Sousa e o desenho que acompanha o texto de Joana Stichini Vilela sobre o novo Presidente da República, mostra um Marcelo de fato de banho e polo, com leves mocassins, como se fosse a caminho dos seus bem amados mergulhos no mar. É uma boa maneira de a Monocle assinalar o resultado das presidenciais portuguesas. Outras referências a Portugal surgem nesta edição. Mário Ferreira, da DouroAzul, fala das suas actividades de cruzeiros ao longo do rio e dos seus planos de expansão para o Brasil, com cruzeiros no Amazonas. É mostrado o exemplo da manutenção da construção artesanal de barcos num estaleiro, no Tejo, que usa técnicas tradicionais, fundado pela família Ferreira da Costa, e que hoje é dirigido por Jaime Costa, bem perto de Lisboa, e que continua a fazer lindíssimos barcos. Na área de sugestões a Monocle recomenda o turismo rural da Casa Agostos, em Santa Bárbara de Nexe, no Algarve, uma obra do atelier de arquitectura Pedro Domingos. Finalmente o portfolio de fotografias no fim da edição é dedicado a São Tomé e Principe e infelizmente não foi feito por quem melhor fotografou esse arquipélago nos últimos anos, Inês Gonsalves, que lá vive. Em vez disso a Monocle publica uns postais ilustrados sem grande graça - aqui está uma oportunidade perdida.

 

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VER - No espaço da Fundação Carmona e Costa, na Rua Soeiro Pereira Gomes nº1, ao Rego, está patente até 9 de Julho uma mostra de obras em papel, de Pedro Calapez, feitas entre 2012 e 2016. Arriscaria dizer que são precisamente as obras mais recentes, já deste ano, concentradas numa única sala, que mostram uma alteração do modelo de trabalho de Calapez, abrindo novo horizontes de uma forma quase inesperada e surpreendente. Numa das outras salas está a instalação, aqui na imagem, que funciona como se um caderno de esboços ganhasse subitamente vida em quatro paredes. Outra exposição a ver reúne obras de Rui Sanches, Mitsuo Miura, e também Pedro Calapez, sob a designação comum de Backstories, na Fundação Arpaz Szenes - Vieira da Silva até 25 de Setembro. Aqui o mais marcante é o trabalho de Rui Sanches, na sala inicial, sobretudo os seus jogos de ilusão sobre o quotidiano. Dando um salto para fora do país, a portuguesa Cristina Ataíde volta a expor no Brasil, desta feita em Curitiba, na Galeria Ybakatu, até 30 de Junho, sob o título “Na Palma da Mão”, que agrupa desenhos e esculturas em alumínio ainda inéditas em Portugal; a seguir estará em São Paulo. Finalmente, para quem gostar de festejos numa certa aura de polémica entre críticos, artistas e galeristas, este é o fim de semana da primeira extensão da feira de arte Arco, de Madrid, a Lisboa. Está na Cordoaria até domingo dia 29 e 44 galerias de vários países, predominantemente Espanha e Portugal, mostram obras de cerca de uma centena de artistas, com bilhetes entre 15 e 25 euros.

 

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OUVIR - Há alguma coisa de Bill Withers na forma como Gregory Porter canta. Depois do sucesso obtido com “Liquid Spirit”, que ganhou um Grammy, Porter regressou agora a um registo mais pessoal e intimista, numa produção discreta mas assente em temas sólidos, desde logo “Holding On”, que abre o novo álbum “Take Me To The Alley”. Porter tem uma voz e um estilo de interpretação tão marcantes que às vezes é preciso distanciarmo-nos para que possamos entender como ele evolui de disco para disco, sem perder a força natural que caracteriza a sua voz e que é a sua marca muito pessoal. Neste álbum Gregory Porter apresenta quase exclusivamente composições suas, canções que contam histórias da sua vida, do seu filho, da sua mãe, da família. Há aqui quase um regresso à tradição dos espirituais, o que faz com que este álbum pareça  musicalmente menos variado e mais conservador do que “Liquid Spirit”. Na realidade, neste seu quarto disco, “Take Me To The Alley”,  Gregory Porter optou por traçar o seu próprio caminho, com base nas suas histórias de vida, arriscando musicalmente, com maior influência do gospel e menos utilização das sonoridades da  pop que lhe trouxeram a fama no disco anterior. Mas isso é também fruto de uma opção de produção rigorosa, com arranjos mais discretos, que fazem passar para primeiro plano o conteúdo das histórias pessoais presentes nas canções. CD Blue Note, Universal

 

PROVAR -  A carne de javali não é das mais fáceis de cozinhar. Se mal preparada fica rija, seca e sensaborona. Se bem tratada, ganha fulgor. É o que acontece na Casa Nepalesa, um restaurante surpreendente das Avenidas Novas onde o javali com espargos verdes em molho de caril é uma belíssima descoberta. A mão amiga que lá me fez regressar tem também razão ao elogiar a qualidade da confecção do arroz basmati: a Casa Nepalesa utiliza exclusivamente a célebre marca Tilda, dos Himalaias, e assim consegue de facto um arroz de invulgar qualidade. A decoração evoca a origem dos fundadores do restaurante, o serviço é atencioso e irrepreensível. A garrafeira é de extensão moderada, com preços honestos e selecção cuidada. Há uma multidão de entradas tentadoras, propostas de peixe e vegetarianas, várias possibilidades com gambas de moçambique e com frango, para além dos pratos mais tradicionais de borrego e cabrito, tudo com a intensidade do picante a poder ser ajustada à preferência de cada um, Mas foi de facto a surpresa da combinação do javali com os espargos verdes e o caril que me conquistou. Para rematar provou-se um gelado de manga com pistácio, que se recomenda. Avenida Elias Garcia 172 A, (quase a chegar à Fundação Gulbenkian), telefone 217 979 797. É melhor marcar que a casa não é muito grande.

DIXIT - “A Câmara Municipal de Lisboa manifesta (...) um completo desrespeito por quem vive e trabalha na cidade e revela uma incompetência que não é admissível em quem gere uma capital europeia” - do comunicado do Automóvel Club de Portugal sobre as obras que que estão a piorar a circulação em Lisboa.

GOSTO - O Parque Eduardo VII ganha nova vida este fim de semana com o regresso da Feira do Livro, até 13 de Junho.

NÃO GOSTO - O défice orçamental quase duplicou no mês de Abril.

BACK TO BASICS - Só duas coisas são infinitas - o Universo e a estupidez humana - Albert Eisntein

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publicado às 12:30

ALFACINHAS, REVOLTEM-SE!

por falcao, em 20.05.16

ALFACINHAS! - Como qualquer lisboeta já percebeu começaram os preparativos para as eleições autárquicas do próximo ano. Fernando Medina tem-se desdobrado em entrevistas, relativamente sem novidades, mais ao estilo de auto-propaganda. Ao mesmo tempo transformou a cidade num alvoroço permanente. Lisboa parece ter sido vítima de um bombardeamento, com ruas esventradas e pavimentos destruídos. Nós, alfacinhas, estamos entre a balbúrdia da falta de regulamentação da invasão turística que enche os cofres à Câmara e vai criando problemas no tecido social da cidade, e o caos cirurgicamente criado. É curioso notar como alguns dos apoiantes de Medina protestam contra o facto de, no Brasil, o cargo de Presidente ser ocupado por quem não foi eleito para a função, mas não querem nem pensar que Fernando Medina ocupa a Presidência da Câmara Municipal da capital portuguesa sem ter sido eleito para tal posto. Dou comigo a pensar, todas as manhãs, que está para nascer o dia em que a parelha Salgado/Medina tome uma medida que não seja para dificultar a vida aos contribuintes lisboetas que têm o descaramento e o desplante de quererem usar viatura própria na cidade onde vivem e pagam impostos, entre os quais o de circulação. Continuo a pensar que existe uma obrigação de quem colecta impostos para com quem os paga e não me parece que a boa noção dessa obrigação seja infernizar a vida aos residentes. Na realidade não reivindico nenhum benefício - apenas desejaria não ser prejudicado. Nada mais que isso. Tenho para mim que estas enormes obras, do ponto de vista de projecto, planeamento e prazo vão dar certamente pano para muitas mangas - confio que o jornalismo de investigação averigue bem como as coisas têm sido combinadas, ajustadas e contratadas, porque já se viu que não são os partidos na Assembleia Municipal que o irão fazer.

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SEMANADA - Segundo o Tribunal Constitucional os dois partidos com maiores anomalias nas suas contas relativas a 2011, agora analisadas, são o PS e o PCP; o Conselho de Finanças Públicas alertou para o facto de existirem 2,1 mil milhões de euros no Plano de Estabilidade 2016-2020, apresentado pelo Governo, que não se sabe de onde vêm nem o que são; Bruxelas exigiu medidas adicionais no valor de 730 milhões de euros para reduzir o défice; Mariana Mortágua recusou mais medidas de austeridade; António Costa, no regresso de Bruxelas, disse não encarar a necessidade de medidas adicionais; a balança de viagens e turismo disparou nos primeiros três meses do ano, mas não foi suficiente para evitar uma degradação da balança de bens e serviços face a 2015;  de um excedente de quase 300 milhões de euros, Portugal passou a ter um défice superior a 100 milhões; em 2015 cerca de 132 mil famílias portuguesas disseram à Banca que não conseguiam pagar as prestações da casa; o Ministério da Economia decidiu descer em 12 cêntimos o preço do  gasóleo para camiões quando percebeu que essa era a única forma de animar o patriotismo que reivindicou para evitar que os camionistas abastecessem em Espanha; nos últimos dois anos emigraram 869 médicos; numa Comissão da Assembleia da República houve deputados que consideraram adequado exigir a um Director de Informação que revelasse as fontes de uma notícia;  a bancada parlamentar do PCP uniu-se às do PSD e CDS no hemiciclo e chumbou o projeto de lei do Bloco de Esquerda contra o uso do herbicida glifosato; o PCP fechou a porta a “geringonças locais” nas próximas autárquicas, desejadas pelo PS e Bloco de Esquerda.

 

ARCO DA VELHA - O vice presidente do parlamento europeu, o italiano Antonio Tajani, foi alvo de uma tentativa de agressão do deputado venezuelano Dario Vivas na Assembleia da República, em Lisboa, por ter dito que “na Venezuela falta democracia”, no decorrer de uma reunião internacional acolhida pelo parlamento português.

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FOLHEAR - A revista “Egoísta” leva 16 anos de vida e mais de 70 prémios no activo. É uma publicação única, na inovação gráfica, na abordagem dos temas, na conjugação de colaborações. É um trabalho apenas possível graças à persistência de Mário Assis Ferreira e da Estoril Sol, e também da equipa editorial que Patrícia Reis reuniu ao longo de todos estes anos. Este número 57 da “Egoísta”, o mais recente, tem por tema a traição, e por consequência a lealdade. Gosto da pequena história “Uma Questão de Honra” , de Mia Couto, dos “4 contos pueris” de Patrícia Reis e das sempre fascinantes ilustrações de Rodrigo Saiais, das fotografias  de James Molison e das de Laura Stevens, e sobretudo do extraordinário ensaio  de Yvette Centeno sobre traição e atracção na obra de Wagner e dos postais ilustrados de Pedro Proença. Cabe ainda aqui dizer que foi na “Egoísta” que Pedro Cláudio, que nos deixou recentemente, publicou alguns dos seus melhores trabalhos fotográficos - porque a “Egoísta” tem sempre sabido ver o que muitos outros não querem conhecer.

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VER - Muitas exposições para esta semana. Começo pela apresentação dos trabalhos dos finalistas do Prémio Novo Banco Photo  - Pauliana Valente Pimentel, Mónica de Miranda e Felix Mula, talvez a mais equilibrada e interessante selecção dos últimos anos. Está no Museu Berardo até 2 de Outubro. Sugiro também uma visita à Underdogs ( Rua Fernando Palha 26), onde está a exposição “A Pedra e o Charco” de André da Loba. No dia 20 de Maio abre mais uma edição da Mostra, como sempre organizada por Patrícia Pires de Lima e que reúne obras de 98 artistas, de 20 a 29 de Maio, no Edifício Vasco da Gama, em Alcântara - detalhes em http://www.mostra-online.com Mas o destaque da semana vai para a exposição de um dos mais importantes nomes da arte contemporânea brasileira, Arthur Luiz Piza, “contenção, dispersão”, que ficará na Galeria Baginski até 10 de Setembro (na imagem) . Piza, que vive e trabalha em Paris, está representado nas colecções de museus como o MOMA, Guggenhein, Victoria & Albert, Art Institute of Chicago e Museu de Arte Moderna de São Paulo, para só citar alguns. A Baginski fica na Rua Capitão Leitão 51, no Beato. Já agora duas sugestões se alguém passar por Londres no fim de semana - a London Photo, que vai ganhando importância de ano para ano e que este ano destaca o trabalho de e DonMcCullin; e na Saatchi Gallery, mesmo junto a Sloane Square, “Exhibitionism” a primeira exposição sobre a obra dos Rolling Stones, com mais de 500 peças que evocam a carreira da banda, e que ficará até 4 de Setembro.

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OUVIR - Há cinquenta anos dois discos mudavam a história da música popular - “Pet Sounds”, dos Beach Boys, uma obra essencialmente criada pelo genial Brian Wilson e “Blonde On Blonde”, o álbum que revolucionou a carreira de Bob Dylan. Ambos continuam ainda hoje entre os expoentes dos respectivos autores. Musicalmente são muito diferentes, mas ambos significaram, há exactamente meio século, pontos de ruptura que marcaram musicalmente uma geração. Lembrei-me que, ao evocar estes discos, é oportuno falar de um outro nome que anos mais tarde reinventou a produção da música popular - Brian Eno, O seu novo álbum, “The Ship”, é claramente um dos seus melhores trabalhos de sempre a solo. Quer nos momentos mais ambientais, quer nos segmentos cantados (ou entoados, atrevo-me a dizer quase numa reinvenção da pop), estão entre aquilo que de melhor se pode ouvir hoje em dia, longe do mainstream de rhythm’n’blues e seus derivados que vão soando monotonamente assépticos. Ouvir este “The Ship” é um desafio fascinante que Brian Eno propõe, ao misturar tempos e mundos diferentes. Como os três álbuns aqui referidos estão disponíveis na Apple Music, recomendo-vos a sua audição, em momentos diferentes. Garanto-vos que não se arrependerão. Daqui a uns anos se verá o lugar que “The Ship” ocupa na História da música.

 

PROVAR - Andava há uns tempos a ouvir falar de um restaurante dedicado ao mar, que se tinha instalado há uns meses na Duque de Ávila, no local onde em tempos existiu uma coisa italiana sem grande graça. Pois tenho a dizer que o seu substituto, Rabo d’Pêxe (uma homenagem aos Açores de onde vem grande parte da matéria prima) é local digno de uma visita. Além da sala, há uma esplanada num pátio interior, bem simpática nestes dias. A ementa é composta por peixe fresco ou por petiscos variados - desde um prego de atum até um inesperado novilho com lingueirão à Bulhão Pato. Filipe Rodrigues, o ex-chefe do Sea Me, é quem orienta, bem, as operações. A ementa dos petiscos de peixe, carne e marisco é para mim a mais atraente - embora também haja uma carta de sushi de fusão que tem algum êxito. Mas não é o sushi que ali me levará, mas sim ideias simples como cavala fumada sobre carpaccio de courgette temperado com azeite ou uns troços de pota negros (onde o tradicional polme dourado de farinha e ovo é colorido com tinta de choco), acompanhados de milho frito e molho de soja temperado a limão. Ou ainda as vieiras e as gambas em tempura com amêndoa laminada. Os meus petiscos foram acompanhados, por sugestão da casa, por um surpreendente branco de Colares, o Casal de Santa Maria Sauvignon branco. O serviço é absolutamente exemplar. Rabo d’Pêxe, Avenida Duque de Ávila 42 B, entre 5 de Outubro e a Avenida da Republica. Telefone  213 141 605.

 

DIXIT - “Já escusa de jogar às escondidas e pode dizer-nos, aqui em frente aos senhores deputados Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, qual é esta verdade de austeridade à la esquerda” - Assunção Cristas, dirigindo-se a António Costa num debate parlamentar.

 

GOSTO - A Orquestra de Jazz de Matosinhos vai actuar num dos mais prestigiados clubes de jazz mundiais, o Blue Note, em Nova York.

 

NÃO GOSTO - A inspecção do Ministério da Educação não pode fiscalizar colégios militares

 

BACK TO BASICS - “É difícil governar com pessoas que acham que sabem tudo”- Lao Tzu

 

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publicado às 15:28

MARIONETA - Tiago Brandão Rodrigues entrou no Ministério da Educação com a delicadeza de um elefante abanando-se numa loja de porcelana. E levava um programa claro: tirar preocupações pedagógicas da acção do ministério e voltar a posicioná-lo na esfera sindical dos professores.  É isso que tem feito, como se tem visto nos meses que leva do cargo. Na realidade tudo se passa como se o Ministro da Educação se chamasse Mário Nogueira, o líder da Fenprof, que, neste Governo, ganhou de novo protagonismo e prosápia. O Ministério que Mário Nogueira voltou a comandar recuou nos sistemas de avaliação de professores e, com o ano lectivo já iniciado, tomou decisões mal explicadas sobre o fim dos exames do 4º e 6º ano. Em tão pouco tempo fez tanta coisa polémica, e muita incompreensível, que o seu secretário de Estado, João Wengorovius,  se demitiu em “profundo desacordo” com o ministro, não só em relação à política do ministério como “ao modo de estar no exercício de cargos públicos”.  A audição de Tiago Brandão Rodrigues esta semana, no Parlamento, foi um exercício de ilusionismo e de desonestidade intelectual e mostrou como ele não passa de uma marioneta nas mãos dos dirigentes da Fenprof. A recente questão das subvenções ao ensino privado - mal explicadas, mal planeadas, mal anunciadas e de duvidosa eficácia, mais não é que uma birra ideológica e um pretexto para alargar a influência sindical, através do aumento do peso do Estado do sector. A base parlamentar do Governo bem pode enrouquecer a dizer que o problema é o dinheiro, mas é por demais evidente que a decisão de cortar fundos ao ensino privado não tem a ver com finanças públicas mas sim com ideologia pura e dura. Para cúmulo do disfarce mal se compreende que um Governo que anunciou querer subsidiar os taxistas em 17 milhões de euros venha agora dizer que é contra subsídios a privados, ainda por cima em matéria de ensino.

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 SEMANADA - O Governo vai distribuir mil milhões de financiamentos pelas Câmaras Municipais de todo o país antes das autárquicas do próximo ano; as necessidades de financiamento da Grécia a médio prazo são menores que as portuguesas; as exportações de mercadorias recuaram 2% no primeiro trimestre deste ano face a 2015, devido sobretudo à quebra de vendas para Angola e China; mais de um terço dos trabalhadores contratados em 2016 recebem o salário mínimo; no final de Março havia 640.200 pessoas desempregadas e o primeiro trimestre do ano fechou com o desemprego a subir para 12,4%; ao fazer o balanço dos primeiros seis meses do Governo, o Bloco de Esquerda anunciou que deseja mais conquistas no próximo semestre; nos primeiros três meses do ano os pagamentos feitos com cartões aumentaram 8% ; ao todo são pagos com cartões 80 milhões de euros por dia, um aumento de 6% relativamente a 2015; Portugal é o quinto país com o mais elevado indíce de envelhecimento da Europa; em Portugal a pneumonia mata sete vezes mais que os acidentes de viação; um quinto dos remédios não sujeitos a receita médica já é vendido fora de farmácias; Lisboa vai ter um coordenador para gerir a vida nocturna; não está anunciado nenhum coordenador para gerir o caos das obras com ruas transformadas em parque de estacionamento de maquinaria pesada a partir das seis da tarde dos dias úteis e aos fins de semana;  o Ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, não se opôs à reintrodução da caça na Serra da Malcata, onde estava interdita há cerca de duas décadas, voltando a desequilibrar o sistema ecológico e a fauna que ali foram recuperados, com custos elevados, nos últimos anos; efeitos das mudanças no mundo e da má imagem dos taxistas: Noddy, o boneco infantil, mudou de profissão  -  agora já não é taxista, é detective.

 

ARCO DA VELHA - Numa época em que quase toda a gente tem uma máquina fotográfica no telemóvel que leva no bolso causa espanto não ter ainda aparecido uma única foto do tal aperto de mão entre Sócrates e Costa na inauguração do túnel do Marão.

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FOLHEAR - Nem todas as editoras, nem todos os editores se atreveriam a esta empreitada - fazer de seguida edições especiais, graficamente muito cuidadas, de três livros que marcaram a História recente da humanidade: o “Manifesto Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels (1872), “Mein Kampf” de Adolf Hitler (1925) e “O Pequeno Livro Vermelho” de Mao Tse Tung (1964). Produzidos em épocas diferentes, em situações muito diversas, cada um dos três livros desencadeou movimentos que marcaram o curso da História. A Guerra & Paz, porventura a mais criativa e interveniente das editoras portuguesas actuais, colocou estes livros nos escaparates ao longo dos últimos meses. Cada um deles é precedido de um  texto de enquadramento, da autoria de Manuel S. Fonseca, que fundou e dirige a Guerra & Paz. Estes textos ajudam a pôr as obras em perspectiva e a enquadrá-las no tempo. Estão cheios de referências históricas e de citações de outros autores que se debruçaram sobre estas obras e as suas consequências e são acompanhadas por ilustrações que ajudam a visualizar as épocas em que foram feitos. O texto introdutório do “ Manifesto Comunista” chama-se “Visão Heróico-Trágica da Revolução”, o de “Mein Kampf” leva o título de “Ascensão, poder e crime do Nazismo” e o que acompanha ’”O Pequeno Livro Vermelho” chama-se “Violência, Fome e Reeducação na China de Mao”.

 

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OUVIR - Não deixa de ser curioso que os Radiohead, que ao longo dos anos se têm dedicado à utilização de novas possibilidades trazidas pela tecnologias na composição, interpretação e divulgação da música, tenham decidido, dias antes do lançamento do seu novo álbum, proceder a um apagão momentâneo de todo o seu rasto mais visível na internet. É como se tivessem querido passar uma esponja no passado para depois aparecerem com este “A Moon Shaped Pool”, que está a ser considerado como um dos seus melhores trabalhos de sempre. Mais ainda, “A Moon Shaped Pool”, não desprezando a tecnologia na criatividade nem na divulgação (por enquanto e por mais uns dias continua apenas disponível online), é um trabalho que na sua composição, arranjos e interpretação parte de uma sólida base acústica, vocal e instrumental, com orquestrações complexas. O Guardian fazia notar, penso que com razão, que neste tempo em que a maioria da nova música realmente interessante vem dos territórios do Rhythm ‘n’ Blues e do hip hop - e não do rock - os Radiohead são a excepção que se destaca, mostrando que mantêm a capacidade de surpreenderem e que têm coisas para dizer que merecem ser escutadas e analisadas - desde logo na faixa de abertura “Burn The Witch”. De uma forma geral a voz de Thom Yorke e as orquestrações que Jonny Greenwood concebeu combinam de uma forma rara em termos da música popular. Temas como “Decks Dark” e “Present Tense” mostram exemplarmente isto mesmo. E na inesperada "Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief” a voz de Yorke e o lado tecnológico que pratica enquanto DJ, combinam-se com o imaginário das bandas sonoras que tornaram Greenwood famoso. Mas para mim o grande tema do álbum é “Glass Eyes”, uma canção viciante onde a voz de Yorke se mistura com uma secção de cordas envolvente, num exercício de sensibilidade e simplicidade muito raros. (o álbum foi ouvido em Apple Music)

 

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VER - Se querem descobrir o que por cá se passa na arte contemporânea comecem a pensar em frequentar regularmente algumas galerias. Nessa matéria, o destaque da semana vai para a dupla exposição da galeria Belo-Galsterer, inaugurada esta semana (Rua Castilho 71 r/c). Pedro Sousa Vieira apresenta  “Sleeping Beauty”, a sua segunda exposição individual nesta galeria, agora  com obras feitas expressamente a pensar no espaço, a partir de técnicas de colagem digital e conjugação de suportes multimedia. Pedro Sousa Vieira, que vive e trabalha no Porto e tem uma carreira de quase trinta anos, recebeu em 2015 o prémio Amadeo de  Souza-Cardoso. A segunda exposição é “Solo Project”, do fotógrafo moçambicano Mário Macilau, que apresenta uma única obra (na imagem), destacada da série “Out of Town” , um trabalho que documenta a vida do dia-a-dia das comunidades rurais do Burundu (Quénia) e de Moçambique. Mário Macilau, que vive e trabalha a partir de Moçambique, esteve presente na 56ª Bienal de Veneza, no Pavilhão do Vaticano. Estas duas exposições estarão na Galeria Belo-Galsterer até 30 de Julho. Outros destaques para esta semana: a exposição “Intimidade”, de Luísa Ferreira, na Pequena Galeria (Avenida 24 de Julho 4C), um belo ensaio fotográfico publicado no número 3 da Granta Portugal; e, a  terminar, noutro registo, a exposição de cerâmicas de Julio Pomar, sob o título “Decorativo, Apenas”, na Casa Museu Julio Pomar, Rua do Vale nº7 ao Bairro Alto.

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PROVAR -  Um dos pratos que gosto de fazer é combinar uma massa, de preferência farfalle, com salmão fumado . Depois da massa cozida e escorrida, junto-lhe o salmão cortado às farripas largas, após ter sido bem temperado e marinado em endro, sumo de limão e um pouco de vinho branco; vou misturando na massa e adiciono uma lata de filetes de anchova de boa qualidade convenientemente escorridos e cortados e uma colher de sopa de alcaparras; eu gosto de acrescentar queijo philadelphia aos pedaços pequenos, por forma a dissolverem-se na mistura - com a eventual ajuda de um pouco da água de cozedura da massa (que convém sempre reservar) para que tudo fique bem ligado. No fim tempera-se com pimenta e, na minha opinião, acompanha-se com um bom vinho rosé. Este ano estou a gostar muito do Lybra Rosé, da Quinta do Monte d’Oiro, feito a partir de uvas 100% da casta Syrah, oriundas de  uma parcela da vinha que só produz uvas para rosé, colhidas à mão e com estágio de cinco meses em cubas inox. É fresco e liga muito bem com estes pratos mais estivais. À venda por cerca de 7 euros.

 

DIXIT - “O que foi Sócrates fazer ao Marão? Mostrar que, se quiser, e se a justiça não o importunar muito, pode alterar o xadrez da política nacional” - Helena de Matos no Observador.

 

GOSTO - Por iniciativa do Centro Nacional de Cultura o Chiado volta a estar em festa entre 14 e 21 de Maio com dezenas de actividades - ver programação em www.cnc.pt

 

NÃO GOSTO - O PAN  quer que se comece a discutir em tribunal  quem é que fica com o cão e o gato em caso de divórcio.

 

BACK TO BASICS - Se é certo que o saber pode causar problemas, ainda é mais certo que não é com a ignorância que os podemos resolver - Isaac Asimov

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publicado às 16:02

CARRINHOS - Políticos, de várias origens partidárias, têm o hábito de fazer sempre promessas aos taxistas e suas associações - alguns políticos têm receio que os taxistas façam campanha contra eles nas conversas com os seus passageiros. Acontece que muitos passageiros não querem conversa e se aborrecem com os taxistas por todas as razões que se conhecem; acontece ainda que desde que existe alternativa as pessoas têm também naturalmente menos paciência para muitas atitudes. Alguns políticos gostam de pensar que os taxistas lhes podem dar uma boa boleia, mas poderiam também pensar que, ao fazerem a vontade aos taxistas, estão a desagradar a cada vez mais gente. Na semana passada Medina & Moreira fizeram tristes figuras nas manifestações promovidas pelos taxistas, as quais aliás tiveram mobilização inferior à esperada. O que é mais engraçado é constatar, como se vem tornando perceptível, que existem empresários que são proprietários de firmas de táxis e que são também proprietários de firmas que operam com a Uber - esta é uma novidade curiosa e muito real. Parece que alguns empresários do ramo do transporte já perceberam que o melhor é estarem, literalmente, nos dois carrinhos e verem como funciona a velha lei da oferta e da procura. Alguns políticos, infelizmente, ainda estão noutro mundo. E prestes a cair do carrinho em que têm andado.

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SEMANADA - A Comissão Europeia não acredita no défice estrutural prometido por dois terços dos países; uma sondagem da Marktest revelou que apenas um em cada sete portugueses sabe quantos países tem a União Europeia;  a Comissão Europeia calcula que o saldo orçamental de Portugal vai ficar 900 milhões de euros abaixo do previsto pelo Governo; Portugal perdeu 15 mil milhões de euros em investimento em seis anos de crise e só vai recuperar um quinto até 2017; a greve dos estivadores está a provocar prejuízos de 300 mil euros por dia:  a CGTP anunciou uma série de greves e manifestações de 16 a 20 de Maio;  o concurso extraordinário para a colocação de professores teve 47 mil candidaturas para 100 vagas; um estudo da  Marktest indica que cerca de 4,4 milhões de portugueses consomem em casa café em cápsulas ou pastilhas; as obras entre o Marquês do Pombal e Entrecampos já começaram, estão previstas durar nove meses se não existirem atrasos - atrasos que já são grandes em outras obras que decorrem em vários pontos da cidade, como em Campolide, onde o prazo já mais que duplicou; Silva Pereira, braço direito de Sócrates no Governo e no PS, é o redactor da moção que António Costa apresentará na sua recandidatura a secretário Geral do PS; Sónia Sanfona, uma segurista, desistiu de liderar as mulheres do PS, queixando-se de ser alvo de pressões internas; em quatro meses já há 273 novos dirigentes no Estado nomeados sem concurso;  o consumo da pílula do dia seguinte aumentou 30% em três anos.

 

ARCO DA VELHA - Uma carteirista do Porto, com 85 anos, foi detida em flagrante a furtar outra idosa; há um ano já tinha sido detida quando roubava uma carteira a uma senhora de 92 anos. Apesar da idade, dizem os relatos, continua com jeito de mãos.

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FOLHEAR - No ano em que foi publicado “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, provocou polémica e criou embaraços ao seu autor - que chegou a ser interrogado em tribunal sobre a obra. Inicialmente foi publicado como uma folhetim na revista Lippincott’s Monthly Magazine, a partir de Julho de 1980. Nessa primeira publicação, sem que Wilde soubesse, foram cortadas várias partes do original. Apesar dos cortes “O Retrato de Dorian Gray” ofendeu a sensibilidade dos guardiões do templo e dos bons costumes. Wilde defendeu-se publicamente e alimentou polémicas na imprensa com os seus detractores. Em 1891 garantiu uma edição integral, que incluía um prefácio que se tornou famoso como texto de crítica social e cultural - e desse prefácio são as frases  “O artista é um criador de coisas belas” e “Revelar a arte e ocultar o artista é o objectivo de toda a arte”, que funciona como subtítulo à edição que a “Guerra & Paz” agora lançou, na sua colecção de clássicos. “O Retrato de Dorian Gray” é o romance que retrata a relação de um pintor, Basil Hallward, com o seu retratado, Dorian Gray, um jovem que o artista considera perturbantemente belo. O pintor apresenta-o a Lord Henry Wotton, um hedonista que transporta o jovem Dorian ao seu mundo - o que lhe permite viver experiências e relacionamentos que nunca tinha pensado conhecer. Dorian Gray, preocupado com a possibilidade de perder a sua beleza com o passar do tempo, faz um pacto radical - será o quadro pintado por Hallward a envelhecer, em vez do seu corpo. O resto - o romance filosófico da sua vida e experiências - é o que poderá ler nesta excelente tradução de Rui Santana Brito. Esta edição da “Guerra & Paz” inclui ainda a transcrição do interrogatório a que Oscar Wilde foi sujeito em tribunal e que é só por si um manifesto.

 

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VER - Recentemente a EGEAC, uma empresa da CML que tem vindo a engordar atribuições, funções e pessoal, concentrou em si mais alguns equipamentos. Alexandre Pomar, crítico de artes plásticas e (bom)  opinador regular na área das políticas culturais, tem-se debruçado, no seu Facebook, sobre os problemas que esta concentração de poderes na EGEAC representa e, sobretudo nas galerias de arte na órbita da EGEAC, as quais estão sob direcção de João Mourão, que tem também interesses numa galeria privada, a Kunsthalle Lissabon, a que continua ligado. Aqui ficam as palavras de Alexandre Pomar, constatando o crescimento de uma rede de galerias de arte da CML/EGEAC que concorrem de forma desigual (desleal) com as galerias comerciais e associativas, conjugando-se com algumas delas e ignorando outras, condicionando desse modo o mercado da arte (nos seus sectores museológico, instituciomal-fundacional e particular - todos eles actuam no mesmo mercado global). As galerias municipais (se devem existir) não devem focar a sua acção na chamada arte contemporânea, mas sim diversificar as suas áreas de actuação, mostrando artistas desconhecidos e consagrados, actuais e antigos, profissionais e amadores, insider e outsider, etc, e em especial cobrindo outras áreas não frequentadas pelo comércio galerístico - devem ter diferentes responsáveis e não um controleiro único (...) O crescimento da rede de galerias institucionais (museus, fundações e CML, com o seu mercado institucional) é um factor de fragilização do mercado galerístico, excepto nos casos pontuais em que se criam vínculos directos entre instituições e algumas galerias, que assim se tornam mais poderosas. Só num pequeno país periférico (e pindérico) onde a corrupção e o medo grassam associados, é possível esta lógica de centralização de poderes, escolhas e influências, num sistema em que a arte parece estimulada pelas entidades públicas mas que de facto se torna um sistema corporativo, centralista e arbitrário - e no final inútil, desacompanhado pelos públicos, descartável.” A sugestão da semana, para terminar, é a participação de Rui Chafes no ciclo “Não te faltará a distância” , comissariado por Paulo Pires do Vale, na Igreja de São Cristovão, com um conjunto de peças denominado “Ascenção”, de onde é retirada a imagem aqui reproduzida. Até 1 de Junho.

 

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OUVIR - Em quase três décadas Andrew Bird fez apenas três álbuns de originais - o mais recente foi publicado há semanas e chama-se “Are You Serious”. Mas neste tempo participou em quase duas dezenas de discos e estabeleceu uma sólida reputação de compositor e intérprete de temas alheios. Bird é um multi-instrumentista que gosta de alternar entre a guitarra e o violino e entre a voz e o assobio - e o seu assobio, acreditem, é coisa digna de se ouvir. Em “Are You Serious” há  participações vocais de Fiona Apple e de Moses Sumney - este último tem em comum com Bird o apreço que Sufjan Stevens nutre por ambos. Em todo o disco há muito mérito também na guitarra de Blake Mills. Bird é um dos melhores exemplos da nova pop norte-americana, neste caso que nasce na intersecção entre a country e o rock. Andrew Bird nasceu em Chicago, tem colaborado em bandas sonoras como em “Orange Is The New Black” - com o tema “Pulaski”, de que existe uma versão neste novo álbum. Bom disco, grandes canções, produção sóbria. (CD Universal).

 

PROVAR -  Considero o pastel de massa tenra uma das melhores iguarias da cozinha tradicional portuguesa e, embora pareça coisa simples, é necessário que a massa seja perfeita, que o recheio seja cuidado e que a fritura seja primorosa: conjugar tudo isto não é nada fácil. Ao longo dos tempos vários pastéis de massa tenra ficaram famosos em Lisboa - em primeiro lugar os incontornáveis do Frutalmeidas; depois, mais tarde, os do Papa Açorda antigo (e dizem-me que sobrevivem bem no novo espaço do restaurante). Pelo meio, no Centro Comercial Roma, avenida do mesmo nome, apareceu um local que os comercializa mas nunca entrou verdadeiramente na primeira liga da massa tenra. E, os últimos são os primeiros, nunca me tinha dado para fazer esta escolha no Salsa & Coentros mas uma recente visita deixou-me conquistado. Trata-se do melhor pastel de massa tenra que provei nos últimos anos - tudo no ponto certo, massa estaladiça, fritura impecável, recheio saboroso e generoso. O acompanhamento aqui é um arroz de grelos, mas pode pedir legumes se pretender, ou mesmo salada. Nesta recente incursão nesse grande clássico da cozinha portuguesa que continua a ser o Salsa & Coentros os pastéis foram acompanhados por um tinto, Confidencial Santos Lima Reserva, que deu muito boa conta do recado. A casa, recordo, é famosa pelas suas empadas, desde as pequenas de galinha que são servidas de entrada, até às de perdiz ou de cozido de porco preto. Salsa & Coentros - Rua Coronel Marques Leitão 12, Alvalade. Telef 218 410 990.

 

DIXIT - “A austeridade fez de Portugal um país com pouca gente e infeliz” - Manuela Ferreira Leite

 

GOSTO - Do manifesto “Reconfiguração da Banca em Portugal” que apela a que se tenha em conta a dimensão estratégica e não somente os aspectos financeiros de curto prazo.

 

NÃO GOSTO - Do condicionamento de informação desejado por deputados do PS por causa de uma peça de um Telejornal da RTP onde José Rodrigues dos Santos falou sobre a evolução da dívida pública.

 

BACK TO BASICS - “Os maiores avanços da civilização, seja na arquitectura ou nas artes plásticas, na ciência ou na literatura, na indústria ou na agricultura, nunca vieram de um governo centralizado” - Milton Friedman.

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O DOMÍNIO DO CABO

por falcao, em 06.05.16

Ao fim de dois meses de medições de audiências diferidas – que indicam quem viu os programas em sistemas de gravação digital das boxes dos operadores – é possível ver que é no conjunto dos canais de cabo que elas têm maior repercussão. Assim, e se tomarmos o exemplo da semana passada, a diferença entre o share de  audiências em tempo real e diferidas no conjunto de canais de cabo é de 3,6, na TVI é de 2,1, na SIC é de 1,6,  na RTP1 é de 1,1 e na RTP2 é de 0,1. É esta diferença significativa no universo do pay TV que faz com que nas últimas semanas o conjunto de canais de cabo esteja acima dos 40% de share – de facto na semana passada registou 41,1% , sendo que os canais que obtiveram melhor resultado foram, por esta ordem, a CMTV (que consolidou a sua posição como quarto canal mais visto), a SIC Notícias, a TVI24 e depois o Hollywood. A RTP3 continua a registar números muito fracos – não aparece no TOP 20 dos mais vistos e apenas na região de Lisboa tem alguma visibilidade – e mesmo assim apenas com 1% de share de audiência. Em termos de melhores programas de cada canal a TVI continua com “A Única Mulher”, a SIC estreou o top o programa “E Se Fosse Consigo”, o programa de Conceição Lino que apela à capacidade de intervenção das pessoas na defesa do outros,  e a RTP teve como programa mais visto a transmissão de um jogo da Liga dos Campeões, entre o Manchester e o Real Madrid.

 (Publicado na revista Sexta TV&Lazer do CM de 6 de Maio)

 

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publicado às 12:00


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