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TDT - O Governo, através do Ministério da Cultura, anunciou esta semana que a RTP terá mais dois canais na plataforma da Televisão Digital Terrestre, TDT. Esses canais serão a RTP 3 e a RTP Memória, ambos no fundo do ranking de audiências do cabo. Tenho as maiores dúvidas sobre esta opção. Em primeiro lugar porque, a haver alargamento dos canais distribuídos, ele deveria ser por concurso entre os diversos operadores e não por atribuição directa a um, no caso a RTP. A Anacom, que é suposta ser a entidade reguladora nesta matéria,  fez notar esta anormalidade e parece ter sido ultrapassada em todo este processo. O Ministro apressou-se a dizer que dois outros operadores privados teriam eles próprios direito a um canal suplementar cada - mas a verdade é que a plataforma da TDT não permite mais canais e o alargamento do seu número só é possível a troco de alterações técnicas relevantes e com considerável custo. A  história da TDT em Portugal mostra que ela foi deliberadamente mal construída, para fomentar a actividade dos operadores de cabo - e teve êxito nessa função.  Basta dizer que segundo o relatório mais recente da Anacom sobre esta matéria 86,8% das famílias são subscritoras em distribuidores de cabo - portanto apenas 13,2% vêem televisão através da plataforma TDT. Ao contrário de outros países, como Espanha aqui ao lado, em que a TDT dispõe de um leque competitivo de canais, aqui tem apenas os antigos hertzianos - RTP1 e 2, SIC e TVI e ainda o lamentável Canal Parlamento lá colocado à pressão pelos próprios deputados num exercício de onanismo ridículo. Acontece no entanto que a promessa de abertura futura a privados feita por este pouco informado Ministro nem sequer tem em conta a nova realidade da concorrência no sector e menos ainda as audiências actuais  - que me escuso de referir aqui, mas que remeteriam a RTP para o fundo da lista e colocariam outros novos operadores em seu lugar. Hoje em dia há 3,54 milhões de casas residenciais cabladas, das quais um quarto já possuem fibra óptica. Se o Ministro tivesse  a mais vaga ideia do assunto saberia que o modo de ver televisão está a mudar, que já nem o cabo é solução de futuro, e que a TV recebida por via digital - sobretudo graças ao processo de implantação de uma rede nacional de fibra óptica em que o próprio Estado está envolvido - é aquilo que é cada vez mais utilizado. A tecnologia TDT é em Portugal um caso aberrante e em termos gerais um modo de distribuição de televisão ultrapassado. No caso concreto da RTP cabe também dizer que a operação terá custos, de distribuição de sinal, consideráveis, que vão agravar as contas já débeis da empresa. Mas isso, como se costuma dizer, são outros quinhentos - siga, que alguém pagará.

 

SEMANADA - Esta semana José Sócrates reapareceu para considerar que o inquérito à Caixa Geral de Depósitos pode significar um “ataque de carácter” à sua pessoa e ao Governo que liderou;  entrou assim em rara divergência com  Armando Vara, que considerou positiva a realização do tal inquérito; a deputada do PS Gabriela Canavilhas sugeriu o despedimento de uma jornalista do Público porque não gostou da forma como fez a reportagem da manifestação pelo ensino público; 15% das casas vendidas no ano passado em Lisboa foram compradas por estrangeiros;  este ano têm sido vendidas em Lisboa cerca de 320 casas por dia; o preço das casas no centro histórico de Lisboa disparou 36% em cinco anos;  todos os meses, 20 empresas europeias são compradas por investidores chineses; o indicador da actividade económica abrandou pelo sexto mês consecutivo, entrando em terreno negativo pela primeira vez desde Agosto de 2013; o Estado português atribuiu perto de 233 mil prestações de desemprego em Maio, deixando sem estes apoios cerca de 377 mil desempregados; nos primeiros cinco meses do ano emigraram mais de 175 médicos; entretanto 158 médicos recém licenciados ficaram sem vaga para fazer a especialidade e alguns encaram emigrar; Sampaio da Nóvoa foi o candidato presidencial que mais gastou na campanha eleitoral, 924 mil euros, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa declarou despesas de 179 mil euros; apenas três candidatos tiveram direito à subvenção estatal por terem obtido mais de 5 % dos votos: Marcelo Rebelo de Sousa reclamou do Estado 165.488 euros, Sampaio da Nóvoa 896.928 euros e Marisa Matias 290.215 euros.

 

ARCO DA VELHA - Um militar da unidade de intervenção da GNR acumulava essa função com ser actor de filmes pornográficos nos tempos livres; um inspector da Polícia Judiciária, da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, integrava uma rede que garantia a passagem de veículos nas inspecções automóveis.

 

FOLHEAR - A capa da edição de verão da revista  Vanity Fair é a Rainha Elizabeth II,  de Inglaterra, fotografada por Annie Leibowitz . O portfolio de Leibowitz sobre a Rainha - que agora fotografou pela segunda vez - é extraordinário. Foi feito por ocasião do 90º aniversário da soberana, que está no trono há 64 anos. Tem 20 páginas e mostra momentos oficiais mas também situações pessoais e familiares da rainha. Vários artigos acompanham o portfolio, o mais interessante deles é de Sir Kenneth Scott, um historiador e diplomata, dos quadros do Foreign Office, que trabalhou com a Elizabeth II em Buckingham durante uma década - chama-se “In Her Majesty’s Private Service”. Outro artigo interessante desta edição da Vanity Fair é uma viagem ao atribulado mundo do Twitter, cujo número de utilizadores estagnou e que tem vindo a perder valor em bolsa - inclui uma entrevista com Jack Dorsey, o seu fundador que recentemente voltou a ser CEO da companhia. Ainda no mundo virtual “Zuckerberg Unbound” apresenta uma amostra do livro de Antonio Garcia Martinez sobre Silicon Valley e, no caso, sobre a guerra entre Google e Facebook. A terminar um magnífico trabalho, “War & Truth”, dedicado a quatro grandes fotógrafos de guerra - David Douglas Duncan, Don McCullin, James Nachtwey e Lynsey Addario.



VER - Se esta semana tivesse que sugerir apenas uma exposição, não hesitava: é de fotografia (na imagem), responde pelo título de “Encantamento” e é da autoria de António Carrapato. Trabalhou como fotojornalista no Público, mas foi sempre desenvolvendo um trabalho mais pessoal, baseado no quotidiano e nos acontecimentos que fotografou como notícia, mas que perduram para além do momento e do contexto de actualidade em que surgiram. Ao todo são uma centena de fotografias, feitas entre 1985 e 2015, numa exposição que tem curadoria de José Soudo. está na Galeria Módulo, Calçada dos Mestres 34 A, de terça a sábado, entre as 15 e as 19h30. Há ainda outra recomendável exposição, na Barbado Gallery, da austríaca Gundi Falk, que cria fotografias sem câmara através de um processo chamado Chemigram, criado em 1956 pelo belga Pierre Cordier, com quem Falk trabalhou. A exposição da Barbado (Rua Ferreira Borges 109) fica até 16 de Agosto. Entretanto no CCB, no espaço Garagem, dedicado à arquitectura, está uma exposição de Souto Moura que mostra maquetas de 25 anos de projectos. Finalmente, se por acaso forem até Madrid não percam, no Museu Thyssen - Bornemisza, a exposição Caravaggio E Os Pintores do Norte.

 

OUVIR - Se gostam mesmo de blues este novo álbum de Eric Clapton é o que vem a calhar. Chama-se “I Still Do”, é produzido por Glyn Johns (o responsável por “Slowhand” de 1977) e tem sido considerado como o melhor trabalho de Clapton nos últimos anos. “I Still Do” tem sobretudo versões cuidadosamente escolhidas - a começar pela faixa de entrada, “Alabama  Woman Blues”, um original de Leroy Carr, nos anos 30 do século passado. Mas há outras pérolas, como “Cypress Groove”, de Skip James ou “Stones In My Passway” , de Robert Johnson, ou ainda o tradicional “I’ll Be Allright”. Para além destes clássicos, há surpresas como “I Dreamed I Saw St. Augustine”, um original de Bob Dylan, editado no álbum John Wesley Harding, para onde foi repescado a partir das lendárias “basement tapes”, ou ainda “Somebody’s Knockin” de JJ Cale, que é definitivamente um dos pontos altos deste CD. Uma surpresa é a presença de George Harrison, identificado como Angelo Misterioso, em “I Will Be There”, gravado há uns anos mas nunca antes editado. “I Still Do” é o 23º álbum de estúdio da carreira de Clapton. Finalmente destaque para um tema original de Eric Clapton, a balada “Spiral”. O álbum termina com mais uma versão, “I’ll Be Seeing You”, popularizada por Billie Holiday.



PROVAR -  O Casa Nostra é um histórico restaurante do Bairro Alto, aberto há 30 anos, a 1 de Abril de 1986, por Maria Paola Porru, com o objectivo de dar a conhecer a verdadeira cozinha de Itália, trabalhando com produtos seleccionados e importados do seu país, o que continua a acontecer. Para além da boa cozinha o Casa Nostra distinguiu-se pela sua decoração, da responsabilidade do arquitecto Manuel Graça Dias, e também por obras de artistas como Pedro Cabrita Reis, ainda hoje nas suas paredes. Aberto na época de ouro do Bairro Alto, o Casa Nostra marcou uma geração, que também frequentava o Papa Açorda e, à noite, o Frágil. Apesar de o Bairro Alto ter piorado, a boa notícia é que o Casa Nostra continua a ser uma referência, como voltei a constatar numa recente visita. Para aperitivo sugiro o vermute da casa, temperado a basílico, ou um spritz veneziano. Nas entradas ficará bem servido com o carpaccio de polvo ou de carne ou ainda com uma magnífica bresaola. Chegados às massas recomenda-se o spaghetti al pomodoro ou alla carbonara, ou ainda a rotolla de ricotta e spinaci - uma tarte de massa fresca com queijo ricotta e espinafre. Nos peixes, duas boas escolhas : os filetes com pistácio ou o linguado com azeitonas pretas e vermute. Nas carnes a minha preferência foi para a saltimboca alla romana - escalopes recheados com presunto e salvia  acompanhados por acelgas. Mas também tinha ficado bem com um magnífico ossobuco à milanesa, experimentado noutras ocasiões. Nas sobremensas recomendo um dos sorvetes da casa ou então o tiramisú. Para beber há água S. Pellegrino, uma lista de vinhos curta mas interessante e, se preferirem um rosé, experimentem o D. Maria, que está em bom momento. A relação de qualidade preço é muito boa. Hoje em dia o Casa Nostra tem também uma pequena esplanada que sabe bem nestas noites quentes e fica na esquina da Rua da Rosa com a Travessa do Poço da Cidade. O telefone é o 213 425 931.

 

DIXIT - “Um inquérito parlamentar não belisca o interesse do accionista. E pode descobrir-se muita coisa” - João Duque, economista, sobre a CGD.

 

GOSTO - O Ministério da Cultura quer dar maior autonomia financeira a alguns museus, a começar pelo de Arte Antiga, para que os esforços de angariação de mecenato revertam para eles e não para um bolo geral.

 

NÃO GOSTO - A Câmara Municipal de Lisboa quer provocar sérios constrangimentos ao trânsito na Praça de Espanha com as obras que para lá tem projectadas - quando a isto se somar Sete Rios então o caos vai ser interessante.

 

BACK TO BASICS - “O terrorismo global não é um jogo de computadores que se joga em casa na sala de estar” - Elena Ferrante

 

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publicado às 15:50

OS CEM DIAS .... E O RESTO

por falcao, em 17.06.16

 

GRAVITAS - O maior feito de Marcelo Rebelo de Sousa nestes seus primeiros cem dias como Presidente da República foi conseguir que os cidadãos, pela primeira vez em muitos anos, reganhassem respeito pelo titular de um cargo político independentemente de filiações partidárias. Há quem se incomode com o facto de Marcelo romper o protocolo, falar directamente com as pessoas e fazer coisas imprevistas como passear no meio dos espectadores do Primavera Sound ou ir à praia, descontraído, como gosta e costumava fazer. Ao longo destes 42 anos, desde 1974, criou-se a ideia de que os titulares de cargos políticos eram uma elite intocável que, à excepção dos períodos de campanha eleitoral, evitava - e por vezes desprezava - o contacto popular com os cidadãos. Alguns comentadores consideram que esta falta de “ gravitas” de Marcelo, como Presidente, pode danificar a instituição . Pois a mim parece- me exactamente o contrário. Marcelo está a recuperar a credibilidade não só do seu cargo, como da percepção que as pessoas têm do pessoal político. Esta foi uma semana rica de simbolismos - a forma como agiu face a alguns diplomas, as justificações que deu, e, sobretudo o 10 de Junho. A sua frase sobre as culpas das elites na situação portuguesa, e o reconhecimento de que foi o povo que salvou a Nação, é talvez a coisa mais importante e profunda que disse e que melhor sintetiza o Portugal deste século. E a sua relação com António Costa, de que o episódio do guarda chuva de Paris é um símbolo, permanecerá como um sinal de respeito entre instituições, sem ser nas solenidades dos corredores de Belém. Como um artigo da agência Lusa registou, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, teve mais de 250 iniciativas de agenda - entre visitas, encontros e audiências - nos primeiros 100 dias em funções e só em 18 dias esteve em silêncio. Ainda bem que tem sido assim.

 

SEMANADA - A zona euro cresceu três vezes mais que Portugal no primeiro trimestre deste ano;  a proporção dos alunos do ensino secundário que querem candidatar-se ao ensino superior baixou mais uma vez; o Banco de Portugal prevê uma quebra no volume das exportações, em relação às previsões iniciais; só em Abril as exportações de bens caíram 2,3% em relação ao ano passado; um relatório da D&B indica que são as empresas mais pequenas e as mais novas, como as start-ups, que estão a criar mais emprego em Portugal; vários deputados municipais, da maioria dos partidos, defenderam a demissão do vereador Manuel Salgado e do Director Municipal do Urbanismo devido às irregularidades detectadas na torre das Picoas; Tino de Rans anunciou que vai criar um partido e realizará no verão uma viagem pelo país para ouvir sugestões de nomes para a organização; o passivo dos partidos políticos com assento na Assembleia da República ascende 35 milhões de euros e a maior parte é do PS;  29,2% dos portugueses acreditam que Portugal pode ganhar o Euro, indica uma sondagem do Correio da Manhã; em Abril a dívida pública ultrapassou 130% do PIB; Costa seguiu o exemplo de Passos Coelho e também apelou a que os professores emigrem;  o agente do SIS que foi detido armado em espião diz que costumava levar consigo documentos da NATO para trabalhar fora do serviço e declara ter passado recibo pelo dinheiro que terá recebido dos russos; um relatório agora divulgado indica que a gestão de Santos Ferreira e Armando Vara teve grande responsabilidade no acumular de 2,3 mil milhões de euros de créditos que estão em risco.

 

ARCO DA VELHA - Para transformar a Fontes Pereira de Melo numa avenida mais amiga dos peões e com mais árvores a CML vai abater dez choupos cinquentenários.

 

FOLHEAR - “Scenario” é  uma revista dinamarquesa sobre análises, tendências, ideias e futuros. Na sua mais recente edição a “Scenario” aborda a comunicação no século XXI, fala da utilização de traduções automáticas ou da robotização na escrita e no jornalismo. Mas o artigo “Language And Communication in the 21st Century” estuda sobretudo a forma como a tecnologia moldou sempre a forma como comunicamos o longo caminho desde a invenção da impressão tipográfica há seiscentos anos até à generalização dos icones e emojis como forma de expressão universal de ideias e sentimentos sem recurso a palavras. Outro texto, “Broken Nations & Rising Cities” formula uma tese interessante: hoje em dia, e cada vez mais, as cidades são o território onde as coisas acontecem, onde as transformações são mais rápidas e as mudanças se concretizam. Ora isto levará à redução da importância das instituições nacionais, deixando aos Estados essencialmente o papel da construção da cultura nacional e da regulação da cooperação entre as cidades, ficando os Estados no entanto com menor poder de decisão em relação a decisões políticas. Um dos artigos mais interessantes aborda o papel dos seres humanos numa sociedade onde as máquinas crescem e o trabalho diminui. É inevitável que surja  a pergunta: será que a automação criará novos empregos? E existe uma tendência - o trabalho tem uma forma cada vez mais híbrida e multidisciplinar, coisa que já é patente nas indústrias criativas mas que vai rapidamente alastrar a toda a sociedade. O artigo tem o título “Your children’s jobs have yet to be invented” e elabora sobre  a entrada no mercado de trabalho da primeira geração que nasceu no digital. A “Scenario “ é editada seis vezes por ano pelo Copenhagen Institute for Future Studies, e está à venda por 13 euros na “Under The Cover”, Rua  Sá da Bandeira 88b. Podem explorar a temática da revista em www.scenariomagazine.com.



OUVIR - James Blake é um cantor de emoções - pela forma como compõe, como escolhe os ambientes sonoros, como interpreta vocalmente. E é um asceta, um dedicado seguidor da simplicidade como o seu “Overgrown”, o álbum de 2013, bem demonstra. O seu novo disco, agora publicado, “The Colour Is Anything” reflecte no entanto uma evolução. Nas notas de capa do disco Blake diz que os três mais recentes anos da sua vida, entre o anterior disco e este, foram de aprendizagem e declara que este álbum é o documento dessa aprendizagem. Tem mais vozes, mais sonoridades e sobretudo mais parcerias criativas. Blake, que vive em Londres, confessou que em certo momento sentiu a necessidade de sair da sua cidade e procurar novos espaços. Encontrou-os com o produtor norte-americano Rick Rubin, nos estúdios deste último, o Shangri la, em Malibu. Sete das 17 temas do álbum são fruto dessa colaboração - embora seja evidente ao longo de todos a marca muito pessoal da produção do próprio Blake. Por curiosidade diga-se que James Blake trabalhou na produção do mais recente disco de Beyoncé, “Lemonade” e foi co-autor do respectivo tema de abertura, “Pray You Catch Me”. Bon Iver, Frank Ocean, Justin Vernon e o baixista Connan Mockasin são outros dos nomes que Blake reuniu à sua volta para pontualmente terem intervenção neste “The Colour Is Anything”. Há coisas que não se alteraram - a amplitude das paisagens sonoras, a utilização sabiamente combinada do piano, percussão, voz, sintetizadores e baixo, produzindo uma rara amplitude de paisagens sonoras. Os meus destaques vão para a faixa de abertura “Radio Silence”, “F.O.R.E.V.E.R”,  “I Hope My Life” e sobretudo para”Choose Me”, uma fantástica canção de amor, e para o tema que encerra o disco, um verdeiro hino moldado na voz de Blake, “Meet You In The Maze”. CD Polydor, distribuído em Portugal pela Universal Music.

 

VER - O terceiro piso do Museu Nacional de Arte Contemporânea (Rua Serpa Pinto, Chiado), reabriu com a exposição “Vanguardas e Neovanguardas na arte portuguesa séculos XX e XXI” , que agrupa 80 obras em núcleos como “Retrato, Autofiguração e Arquétipos”, “Dos Futurismos ao regresso à ordem”, “Expressionismos e Surrealismo”, “Neocubismo, Neorealismo e Surrealismos”, “Abstracionismos e Nova Figuração”, “Neovanguardas anos 60 e 70”, e “Pós-modernismos e Novos Media”. Na imagem está a obra “Sombra projectada de René Bértholo”, de Lourdes Castro, de 1964. Lourdes Castro, juntamente com Fernando Lanhas e Joaquim Rodrigo têm presenças destacadas graças à qualidade e número das suas obras disponíveis no acervo do Museu. A reabertura deste terceiro piso completa as obras de renovação que permitiram usar áreas do Convento de S. Francisco, onde funcionava anteriormente o Governo Civil. Situado no centro histórico de Lisboa, o Museu do Chiado foi fundado em 1911, como Museu Nacional de Arte Contemporânea, e o seu acervo integra mais de 5.000 peças de arte, desde 1850 até à atualidade, incluindo pintura, escultura, desenho, fotografia e vídeo. Uma das questões que esta nova exposição coloca é a da ausência, desde há já vários anos, de uma política constante e coerente de compras de obras de artes contemporâneas por parte de entidades públicas, que no fundo foi o que permitiu que a presente colecção existisse.

 

PROVAR - Quando a escolha é um filet mignon de carne de primeira qualidade, grelhado, verdadeiramente mal passado, apenas temperado a sal e pimenta - a opção com melhor relação de qualidade preço é o self-service do Grill Gemini, um clássico lisboeta que continua com uma clientela fiel. O filet mignon vem com acompanhamento à escolha e custa 13€80. Dos menus diários faz sempre parte peixe fresco, exposto  numa vitrina logo à entrada, espetadas de gambas ou de lulas, bacalhau na brasa, entrecote ou costeleta de novilho, entre outras possibilidades. O prato do dia custa 6€, os outros variam até ao valor do filet mignon, que é o mais alto. O restaurante é um sobrevivente do Centro Comercial Gemini e fica na Rua Sousa Lopes, junto a Entrecampos. Estaciona-se com facilidade, fecha aos sábados e está aberto das 08h30 como café e pastelaria até às 18h30. Os produtos são fresquíssimos e o pessoal é muito simpático.

 

GOSTO - Metade dos doentes com hepatite C ficarão curados graças à nova medicação que foi aprovada pelo anterior Ministro, Paulo Macedo.

 

NÃO GOSTO - Nas obras que estão por todo o lado em Lisboa não há, em locais de boa visibilidade pelo menos, placas com informação da Câmara sobre da data de início, prazo previsto para conclusão e respectivo orçamento aprovado.

 

DIXIT - “Não se pode esquecer que tive votos que davam para encher os estádios do Dragão, de Alvalade e da Luz” - Tino de Rans

 

BACK TO BASICS - “Nunca vale a pena discutir com uma pessoa grosseira e mal criada. Ela fica sempre em vantagem por ter experiência em ser estúpida “ - Mark Twain

 

 

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publicado às 14:53

TENDÊNCIA - A circunspecta, mas muito atenta, revista britânica The Economist, dedica a capa, o editorial e um artigo de investigação da sua edição de 4 de Junho ao tema da liberdade de expressão, que considera estar a ser crescentemente ameaçada. A capa mostra o rosto de um homem, com os lábios fechados por um cadeado, sob o título “Free Speech Under Attack”. O artigo, uma reportagem de investigação, informa sobre as limitações à  liberdade de expressão e de informação. “Sem que exista diversidade de ideias o mundo torna-se tímido e ignorante “ - sublinha a revista. Tudo isto se passa, num contexto, como “The Economist” faz notar, em que “ aparentemente se vive a idade dourada da liberdade de expressão - podemos ver um jornal do outro lado do mundo num smartphone em poucos segundos, há mais de mil milhões de tweets, posts no Facebook e actualizações de blogues que são publicadas diariamente e qualquer pessoa com acesso à internet pode tornar-se num editor”. No artigo e no editorial “The Economist” faz notar que há hoje em dia três formas principais de limitação da liberdade de expressão - em primeiro lugar a repressão de alguns governos em diversos países; em segundo lugar a perseguição a jornalistas que denunciam casos de corrupção ou investigam crimes, perseguição que muitas vezes acaba em execuções sumárias, como no México ou em algumas regiões controladas por extremistas religiosos; e em terceiro lugar a convicção, que ganha dimensão, diz a revista, que grupos da sociedade e algumas pessoas ou instituições têm o direito de não ser criticados e muito menos ofendidos - ou pelo menos sujeitos ao que consideram ofensas. Esta ultima forma, que vive debaixo da bandeira do politicamente correcto ou da defesa dos direitos das minorias, ou ainda do interesse nacional e de outros conceitos difíceis de explicitar, é talvez a mais difícil de combater e a que tem maior numero de adeptos, que exercem a sua censura, digamos, em nome do que entendem ser o Bem. A liberdade de expressão, escreve o editorialista, é a melhor forma de defesa que a sociedade tem contra a má governação e, sublinha, é a pedra basilar de todas as liberdades. Entretanto, por cá, no espaço de um ano o Diário Económico acabou na edição de papel, o Público e o Diário de Notícias, soube-se nos últimos dias, estão em vias de mudar de direcção editorial. No caso do Público fala-se há muito da redução de dias que terão edição em papel, o DN ainda não tomou esse passo. Este novo ciclo de mudanças que percorre a imprensa reforça a convicção que alguns jornais funcionam em círculo fechado para um pequeno grupo de políticos, directórios partidários e seus afiliados mais directos. Alguns deixam de falar do quotidiano das pessoas e das cidades onde vivem, ganham distância aos leitores na proporção em que se querem aproximar dos eleitos e dos grupos de interesse a que se dirigem. Creio que é este caminho que tem levado à destruição de valor no seio da comunicação. E creio que é neste comportamento que se manifesta em Portugal aquilo que “The Economist” considera como a terceira e preocupante forma contemporânea de limitação da liberdade de expressão. É muito difícil criar e consolidar uma marca de informação; mas é muito fácil destruir o seu valor.

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SEMANADA - O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, elogiou o Congresso do PS;  em 2015 o investimento dos business angels em Portugal caíu 16% devido à falta de capital público; a Mota Engil contratou Paulo Portas para liderar o conselho internacional da empresa, com especial enfoque na América do Sul; a oferta para Lisboa no Airbnb triplicou desde 2014 para 33 mil casas, revela a Bloomberg; o presidente da câmara não eleito defende que a cidade se deve preparar para receber mais turistas;  os turistas que visitam Lisboa rendem à Câmara sete milhões de euros por ano; o Belcanto subiu 13 lugares, para 78º, na lista dos melhores restaurantes do mundo da revista britânica “Restaurant”; o Porto de Lisboa teve quedas de 46% em Abril; de Janeiro e Abril o Porto de Sines Sines voltou a crescer e representa ja 53% da atividade portuária do continente; nas estradas algarvias registam-se 24 acidentes por dia em média; todos os meses há 18 mil condutores proibidos de conduzir; perto de dez mil condutores perderam pontos nas respectivas cartas de condução nos primeiros cinco dias de vigência do novo sistema; no primeiro mês o túnel do Marão foi utilizado por 324 mil veículos; 329 pessoas pediram para mudar de sexo em Portugal nos últimos seis anos; em 20 anos mais de dois mil médicos portugueses fizeram o curso na República Checa; desde o início de 2014 já morreram 14 mil pessoas no mediterrâneo.

 

ARCO DA VELHAO Presidente da Câmara de Celorico de Basto fez ajustes directos com uma empresa que era dos seus pais e depois afirmou desconhecer que a empresa era da família.

 

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FOLHEAR - Gosto destes livros que contam a história de coisas que se tornaram parte do nosso quotidiano e que, como no caso, mudaram na prática a geografia, os hábitos e a margem sul. É um género pouco praticado entre nós e que dá ainda maior relevo a “A Ponte Inevitável”, de  Luis Ferreira Rodrigues. O livro, agora editado, conta a história da Ponte 25 de Abril que a 6 de Agosto comemora 50 anos. Mas o livro mostra como essa história começa bem atrás, há 140 anos, quando o engenheiro Miguel Pais propôs, em 1876, uma ponte de ferro entre Lisboa e Montijo. O livro conta o que aconteceu nos  90 anos que decorreram desde que se avançou com a ideia de uma ponte entre Lisboa e a Margem Sul, até ao momento em que a ideia se transforma em realidade. Mostra ainda como a ponte é muito mais do que uma iniciativa de um projecto político subordinado aos ditames do Estado Novo. A ponte mudou a face de Lisboa, mudou o urbanismo da margem sul e um dia destes, como Luis Paixão Martins já anunciou no seu Facebook, vai ter um centro de interpretação em Alcântara e um sistema de visitas guiadas à ponte. O autor do livro, Luís F. Rodrigues. nasceu em 1976, no Barreiro. É Licenciado em Arquitectura do Planeamento Urbano e Territorial e mestre em Ordenamento do Território e Planeamento Ambiental, e  desenvolve a sua actividade profissional como urbanista em Lisboa. E já agora, dedica-se também ao estudo de história, arte e ciência das religiões, sendo autor de dois livros sobre o tema. A história da Ponte é uma edição da Guerra & Paz, com 288 páginas.

 

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OUVIR - Uma das coisas que me surpreende, com satisfação devo dizer, é constatar que nomes grandes da música popular, que se celebrizaram nos anos 60, continuam a produzir com uma pujança criativa assinalável, supreendendo muitas vezes pela maneira como conseguem sair “fora da caixa”. Paul Simon, que tem agora a provecta idade de 74 anos, lançou por estes dias um dos mais conseguidos discos da sua carreira a solo - arrisco-me a dizer que o mais inesperado e bem sucedido desde “Graceland”, de 1986. O novo trabalho chama-se “Stranger To Stranger”. Cabe aqui dizer que Paul Simon editou o seu primeiro disco, com Art Garfunkel, no distante ano de 1964, portanto há 52 anos. Em “Stranger To Stranger” Paul Simon continua a dedicar atenção a músicas do mundo, desde sonoridades africanas, até ao flamenco, ou, mais contemporâneo, samples do DJ italiano Clap! Clap!. Isto, além de uma série de instrumentos artesanais como um chromelodeon ou um harmonic  canon, desenvolvidos pelo compositor Harry Partch. Como tantas vezes na sua carreira, algumas destas canções são tristes - reflectem desilusão, perda, exclusão, mas têm também sentido de humor e de ironia, como logo na faixa inicial, “The Werewolf”. Devo dizer que é dificil eleger uma das 11 canções - mas não resisto a deixar aqui o meu destaque para “Insomniac’s Lullaby”, uma balada que entra directa para a lista dos grandes clássicos de Paul Simon. CD Concord/Universal, já disponível em Portugal.

 

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VER - Esta semana o MUDE sai para fora de portas enquanto decorrem as obras na sua casa, na Rua Augusta, e vai para a Sala do Risco, na Praça do Comércio, com a exposição "Abaixo as fronteiras! Vivam o design e as artes". Um pouco mais acima, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, José Maçãs de Carvalho mostra “Arquivo e Melancolia”, mais uma das incursões que tem feito ao seu arquivo pessoal de imagens, iniciado em 1988.  Ainda no Chiado, na Livraria Sá da Costa, renascida como alfarrabista e local de exposições, Teresa Milheiro mostra novas peças de joalharia numa colecção, exposta em vitrinas, a que chamou “Insectarium” (na imagem). Passando para o que acontece lá fora, Cristina Ataíde continua a mostrar a  sua obra do Brasil, desta vez em São Paulo, com uma exposição na galeria Virgílio- Mostra esculturas e desenhos sob o título “Até ao Abraço” e foi já elogiada pelo jornal “Estado de S. Paulo”. Em Miami, na Galeria Merzbau, abriu a exposição “Portugal Tropical”, com obras de Pedro Calapez, Mónica de Miranda e Maria Ana Vasco costa, comissariada por Alda Gasterer e Verónica de Mello.

 

PROVAR - Santo António está à porta e a sardinha está atrasada. Está magra, falta-lhe corpo e sabor. O mesmo acontece com alguma fruta - este ano o tempo atrasou-se a e natureza queixou-se como pode - não oferecendo o que tem de melhor na estação certa. A bem dizer, este ano nem se deviam comer sardinhas nesta altura, para permitir que daqui a um mês elas tenham vivido até ao seu estado ideal. Mas a tradição é o que é e os arraiais hão de ter muitas bancas de sardinha, um bocado esqueléticas demais para serem saborosas. Em Lisboa há os arraiais tradicionais e os arraiais mais modernos, como o que este ano está montado num novo local, em Campolide, por iniciaitiva do dinâmico presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto. Uma boa opção para as festas, evitando comer as sardinhas fora da sua altura ideal, é procurar os caracóis, um petisco estival que nestes dias mais quentes se torna especialmente saboroso ao fim da tarde, acompanhado de uma cerveja bem tirada. O caracol, bem cozido e bem temperado, é dos melhores petiscos desta época do ano. Permanencendo em Campolide, mesmo em frente ao parque para onde o arraial local se mudou por estes dias, está, ao fim da Rua de Campolide, no numero 370, a Casa dos Caracóis, a mais recente inciativa de um grupo que tem já nove lojas  - e que é o maior importador nacional de caracóis, a partir de Marrocos. A Casa dos Caracóis em Campolide é exclusivamente um take away, que fornece o petisco em caixas que vão dos 6 aos 38 euros e caracoletas assadas a 11 euros a dose. Telefone 217 271 744.

 

GOSTO - Do regresso, pela mão da Porto Editora, da colecção de livros policiais Vampiro.

 

NÃO GOSTO - Da utilização de crianças na guerra política - seja em manifestações, seja em visitas oficiais de governantes em defesa das suas políticas.

 

DIXIT - “Aqui e ali abundam promessas de greves porque, está visto, com este governo quem não berra, não mama” - Manuel Carvalho, no Público

 

BACK TO BASICS - “Uma viagem de mil quilómetros começa sempre com um único passo” - Lao Tzu

 

 

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publicado às 13:50

COMPETÊNCIAS - Há coisas em que a realidade ultrapassa a ficção. Quando a esquerda muda quadros com responsabilidade no aparelho de Estado, o facto é encarado como uma substituição feita em nome da necessidade de dar uma nova orientação política; quando é a direita que faz idêntico movimento a palavra mais doce que se ouve é “saneamento” . Ou seja, a esquerda nunca saneia, limita-se a remodelar; a direita nunca remodela, pura e simplesmente saneia. Este Governo tem usado e abusado desta prática de forma transversal a todo o aparelho de Estado - desde  a educação à economia, passando pela esfera das políticas sociais, cultura, economia, ou saúde, Quem não é dos meus é contra mim, não interessa se está a fazer bem ou mal. A confiança política é mais valorizada por Costa e a sua tropa do que a competência. O emblema da lapela ou o cartão de associado partidário na carteira são os dados que interessa a quem promove os movimentos . O sempre diligente Vieira da Silva, Ministro do Trabalho, limita-se a dizer que “a mudança de orientação política pode levar a mudanças de altos cargos dirigentes”. Falava com esta bonomia  sobre as mudanças que promoveu no IEFP e na Segurança Social quando um jornalista lhe perguntou se essas mudanças tinham sido saneamentos políticos. Claramente que não, respondeu o Ministro, sem se desmanchar. Aqui está um autêntico momento zen da política contemporânea. Até o muito diplomata Ministro da Cultura, imagino que por instrução do seu iluminado Secretário de Estado, resolveu afastar, sem explicações nem justificações, o Director Geral das Artes. Assim funciona a geringonça.

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SEMANADA - O número de reclusos nas prisões portuguesas aumentou 22,5%, entre 2010 e 2015, passando dos 11.613 para os 14.222; na sequência da detenção de um ex-espião português, o departamento de segurança da NATO tem desconfianças sobre a segurança dos documentos e informações que confia ao SIS; a função pública reduziu o horário para 35 horas semanais; no âmbito desta redução, de 40 para 35 horas,  os serviços públicos poderão reduzir o horário de atendimento ao público; a dívida pública portuguesa atingiu os 235,8 mil milhões de euros em abril, o valor mais elevados desde fevereiro de 2015,  que é 2,8 mil milhões de euros superior ao registado em março; a OCDE cortou a previsão de crescimento em 2016 para 1,2% - em novembro era 1,6% e o défice ficará acima do previsto pelo governo; Portugal foi ultrapassado pela Espanha no ranking da competitividade e perdeu três posições graças aos indicadores de desempenho da economia; o Presidente da República foi ao Parlamento, ao Fórum das Políticas Públicas, para apelar aos consensos no centrão político; o investimento terá que crescer 7,3% nos próximos trimestres para atingir a meta dos 4,9% anuais; quase 70% dos portugueses têm excesso de peso, mais de metade tem colestorol e 36% sofre de hipertensão; o preço da sardinha atingiu no fim de maio o valor mais elevado dos últimos 20 anos; os presidentes das Câmaras do Porto, Gaia, Matosinhos e Gondomar afirmaram-se contrários aos contratos para os planos estratégicos de desenvolvimento urbano apresentados pelo Governo; a Câmara Municipal de Lisboa já contratualizou 30,7 milhões de euros em obras este ano e 30 mil euros numa campanha de outdoors sobre essas mesmas obras, ao mesmo tempo que fez cortes na área da assistência social.

 

ARCO DA VELHA - O Chefe do serviço de tesouraria da Câmara Municipal de Montemor O Novo desviou durante cinco anos cerca de 300 mil euros que gastava com várias amantes - segundo reza a acusação.

 

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FOLHEAR - Tenho a sensação que hoje em dia a maioria das pessoas que estarão a ler este jornal olham para António Barreto e vêem nele o cronista acutilante, o apaixonado pelo despertar das flores dos jacarandás de Lisboa, um fotógrafo de mérito, um divulgador do seu Douro, um sociólogo dedicado à compilação dos dados que ajudam a conhecer uma sociedade, um autor de documentários de referência no panorama audiovisual mais recente. Poucos se recordarão já do político, do Ministro da Agricultura que em 1977, aos 34 anos ousou enfrentar as ocupações de terras, feitas em nome de uma reforma agrária que pouco tinha de reformista; foi alvo de slogans, de pinturas nas paredes e de manifestações. Retirou-se da vida política em 1991, com 49 anos, portanto há um quarto de século. Mas nunca deixou de pensar Portugal e de analisar o que se passava no seu país - de uma forma independente, com um raciocínio tranquilo, com um discurso claro e compreensível. Nos últimos 25 anos António Barreto foi um tradutor da realidade que nos rodeia, ajudando-nos a percebê-la como poucos. No recente livro “António Barreto - Política e Pensamento”, a historiadora Maria de Fátima Bonifácio percorre o percurso público de António Barreto, enquadrando-o no tempo e nos acontecimentos de cada época - o que ajuda a percebê-lo e ajuda também a reviver momentos de Portugal. Mais de metade do livro retrata a sua rápida e marcante carreira política e governamental; o resto mostra o cidadão interessado, o estudioso da sociedade, o homem curioso por fazer descobrir Portugal pelos portugueses. É um relato fascinante não só da vida de António Barreto, mas também destes anos de Portugal e de vários dos seus protagonistas. Edição Leya/D.Quixote.

 

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VER - Depois de um fim de semana animado pela ARCO em Lisboa, retoma-se a actividade normal. Dois destaques: na Galeria João Esteves de Oliveira, ao Chiado (Rua Ivens 38), estão desenhos de António Olaio, artista plástico e músico, personagem polifacetada e de referência na Coimbra onde vive e trabalha. A exposição chama-se Young People Thinking About Each Other (cabeças em trânsito)”e mostra uma série de desenhos em grafite sobre papel (um deles na imagem). Fica até 1 de Julho. Outra exposição a ver decorre na nova localização da p4 Gallery, um espaço dedicado à fotografia que se mudou para a porta ao lado de “A Pequena Galeria” - no número 4B, armazém 12, da Avenida 24 de Julho. Desde esta semana lá está uma curiosa exposição de imagens no formato 6x6 - “Vintage Prints, de  Gérard Castello Lopes e Victor Palla”, que fazem parte dos álbuns pessoais dos autores, tiradas com as suas Rolleiflex. Aqui ao lado, em Madrid, até 26 de Agosto decorre o PhotoEspaña, com numerosas exposições, workshops e conferências - incontornável para quem gosta de fotografia. Finalmente, se por acaso planeiam ir a Londres em Julho não percam a exposição “82 Portraiits and 1 still life”, trabalhos de David Hockney na Royal Academy Of Arts,de 2 de Julho a 2 de Outubro,  em antecipação da sua retrospectiva que será um dos pontos altos da programação da Tate no próximo ano.

 

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OUVIR - Quem escutar os mais recentes trabalhos de Emily Jane White, agora com 33 anos, não a imaginará em bandas punk e de heavy metal nos seus tempos de estudante. Nascida e criada na Califórnia, passou uma temporada em Paris e no regresso a São Francisco deu uma viragem marcante na sua carreira. Foi buscar às raízes folk a forma como passou a apresentar-se.  Este ano lançou “They Moved in Shadow All Together”, o seu quinto álbum, cujo nome é tirado de uma frase de um romance de Cormac McCarthy. Há um contraste sensível entre a sua voz delicada e a produção discreta e alguma dureza nas palavras que canta, sobre diversas formas de violência. Há uma espécie de encantamento na maneira como usa a voz, que às vezes, como alguns fazem notar, recorda a entoação de dinamarquesa Agnes Obel. Há uma perfeição impressionante nas vocalizações e nos arranjos de guitarra e piano que atravessam este disco. Onze temas originais, melodias envolventes, palavras marcantes. Uma das mais belas surpresas deste ano. Na Apple Music, em streaming.

 

PROVAR - Aqui há uns anos atrás a forma mais certa para conseguir um bom leitão da bairrada em Lisboa era procurar uns recantos escondidos, sobretudo na zona oriental da cidade, que recebiam o animal ainda quente, e que replicavam em Lisboa o ambiente dos restaurantes da estrada que atravessa a Mealhada. Mais tarde surgiram umas modernices aleitoadas em centros comerciais, sem grande graça e, depois, apareceram alguns sítios onde o bicho mostra atestado de proveniência e de boa preparação. É o caso da Boutique dos Leitões, nome pomposo para um pequeno restaurante de Campo de Ourique, que recebe a iguaria diariamente, que a serve no local aos almoços e aceita encomendas para levar para casa ao fim da tarde. Quem lá fôr experimentar o bicho à hora de almoço ficará bem animado, ainda por cima porque o vinho frisante que acompanha é bem vindo nestes dias de calor. Se em vez do frisante quiser uma coisa mais encorpada pode sempre aproveitar a cerveja artesanal Maldita, da região de Aveiro, que recentemente foi considerada uma das melhores da Europa e que está disponível na casa.  Além do leitão tradicional e do seu adequado molho, há croquetes, rissóis e sandes do dito. E nesta altura do ano, a partir do meio da tarde, também há caracóis para a pequena esplanada de que a casa dispõe. O leitão é sempre fresco e tem muita procura, mais vale reservar dose se o quiser provar lá ou levar para casa -   Boutique dos Leitões, Francisco Metrass 34 A, telefone 966 706 853. Tem página no Facebook.

 

DIXIT -”Há medo no PS. Há pessoas que não falam por medo de retaliações” - António Galamba, membro da Comissão Política do PS, onde deixou de ir porque uma vez o mandaram calar.

 

GOSTO - A BBC World destacou o trabalho da artista plástica angolana Daniela Ribeiro, em exposição em Londres na Gallery Of African Art.

 

NÃO GOSTO - Os gastos com as parcerias público-privadas ficaram 16%% acima do previsto.

 

BACK TO BASICS - “A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na rectaguarda para ver” - Bertrand Russell

 

 

 

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