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A CIDADE - Daqui a pouco tempo Lisboa vai ser invadida pelos participantes na Web Summit e ainda bem que assim é. Mas, como se trata de um evento que envolve alguns dos mais importantes nomes das novas tecnologias, podia ser importante que Lisboa se mostrasse como uma cidade capaz não só de atrair mas também de reter talentos e indústrias criativas: que fosse agradável para viver, trabalhar, criar família, educar os filhos, em vez de ser apenas um bom destino para copos e fins de semana. Claro que o Estado- geringonça também não ajuda a atrair ninguém, com as ameaças de perseguição a quem queira ganhar acima da média nacional - o que abrange praticamente toda a gente envolvida no evento. Recordo que as obras prometidas em escolas públicas da cidade estão muito atrasadas e com pouco investimento, em contraste com os bombardeamentos nas ruas. Karin Wanngard, a Mayor de Estocolmo, escreveu recentemente para a “Monocle” um ensaio intitulado “Pontos-chave para fazer uma cidade de sucesso”. Destaca o apoio à construção na malha urbana de mais casas para residentes, o investimento em infraestruturas e transportes públicos, o investimento em novas tecnologias, o investimento em infantários, escolas e educação, políticas de estímulo à atracção de empresas, fomentar o trabalho em rede entre instituições locais, ajudar a criar equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e apoiar a diversidade cultural. Karin Wanngard sublinha que, quando as cidades funcionam em termos de atracção de talentos, funcionam em termos de atracção de negócios, e está garantido que terão sólidas instituições. É disto que Lisboa precisa.

 

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SEMANADA - Os pagamentos em atraso das entidades públicas atingiram 1.157 milhões até Agosto, mais 60 milhões que em igual período do ano passado;  a dívida em atraso dos hospitais disparou para 713 milhões de euros, o valor mais alto desde Novembro de 2014; segundo o Banco de Portugal  os empréstimos concedidos ao conjunto das empresas continuam a diminuir; Portugal perdeu oito lugares no ranking da competitividade do World Economic Forum e desceu agora para a 46ª posição num total de 138 países analisados; impostos e burocracia voltam a ser os fatores mais apontados para limitar a competitividade da economia; a preocupação com a instabilidade política é a que mais sobe e passa a ocupar o terceiro lugar; Berlim, Paris e Londres são as únicas cidades europeias onde a procura por alojamento na plataforma Airbnb supera a da cidade de Lisboa; o sector do turismo é responsável por 17% das exportações e criou 40 mil postos de trabalho este ano; a Câmara Municipal de Lisboa admitiu que não concluirá o programa de recuperação de escolas no prazo previsto e prometido por Medina; os incómodos provocados pelas obras nas ruas de Lisboa são tantos que, ao apresentar uma nova obra no vale de Alcântara, o vereador José Sá Fernandes fez questão de repetir que esta é uma intervenção que “não vai incomodar ninguém” e não existirão constrangimentos ou problemas com a circulação automóvel.

 

ARCO DA VELHA - Um investigador da Faculdade De Motricidade Humana de Lisboa chamou a atenção para o facto de estar a aumentar o sedentarismo infantil e disse ser “inacreditável que hoje se passeiem mais os cães que as crianças”.

 

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FOLHEAR - A mais recente edição da colecção de clássicos da Guerra & Paz é uma das mais marcantes obras do escritor brasileiro Machado de Assis, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. O livro é narrado pelo próprio Brás Cubas, entretanto falecido vítima de pneumonia - o defunto, depois de morto, propõe-se escrever a sua autobiografia, relatando o seu próprio funeral, a doença que o levou à campa e, claro a sua atribulada vida - desde a infância de menino rico no Rio de Janeiro à paixão adolescente por uma prostituta, que leva a família a enviá-lo para Coimbra onde, ao fim de vários anos, muitas aventuras e vida de boémio, acaba por alcançar o canudo. Regressado ao Brasil é encaminhado pelo pai para a política, onde descobre os prazeres de levar ao adultério a mulher de um rival. Torna-se deputado, é incentivador de imprensa oposicionista e acaba, no fim da vida, por criar um emplastro milagreiro que promete curar todas as maleitas - mas que não o curou a ele. É impossível não achar este livro, inicialmente publicado em folhetim em 1880, com muitos paralelos com os tempos actuais e os políticos igualmente charlatões que os habitam.

 

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VER - A pintora Maria Beatriz vive na Holanda desde 1970, depois de ter estudado em Lisboa, Paris e Londres. Em Lisboa começou por estudar biologia e depois começou a estudar pintura. Nascida em 1940, foi para Londres em 1962 para continuar os estudos, regressou a Lisboa em 1963 para estudar gravura e em 1965 ganhou o 1º prémio de pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes. Com uma bolsa da Gulbenkian foi para Paris em 1966 e, em 1970, foi viver para a Holanda onde continuou a estudar, a ensinar e trabalhou como impressora em obras de artistas como David Hockney. Acredita que o desenho é a base da pintura e gosta de dizer que o que faz é “pôr asas nos desejos, inventar criar”. A importância que dá ao desenho é bem patente nas duas exposições que agora tem em Portugal: uma, “Calendário”, na Galeria Ratton (Rua da Academia das Ciências 2C), até 14 de Janeiro, está focada em desenhos e colagens a lápis de cor e tinta acrílica sobre papel e em painéis de azulejos, um dos materiais que lhe é caro e que é, aliás, a especialização da Ratton; a outra está na Casa da Cerca, em Almada, um espaço belíssimo onde Maria Beatriz expõe seis dezenas de obras de desenho, gravura azulejaria e trabalhos sobre veludo feitos entre 1960-2013,  que agrupou sob o título “Trabalhos de Casa” - fica até 29 de Janeiro. As peças maiores feitas sobre veludo chegam a demorar mês e meio a concluir, confessa Maria Beatriz, enquanto percorre a magnífica sala da Casa da Cerca onde está o núcleo principal da exposição (na foto). São trabalhos marcantes, fortes, observações que a artista faz do que a rodeia, uma espécie de apontamentos sobre o que ela vê e sente nas pessoas à sua volta.

 

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OUVIR - Não é muito vulgar um músico lançar dois discos, de géneros diferentes, e estruturalmente diversos, na mesma data. Mas foi isso que o português Bruno Pernadas fez há poucos dias. Em simultâneo editou “Those Who Throw Objects at Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them” e “Worst Summer Ever”. Para simplificar, o primeiro é apresentado como um disco pop e o segundo como um disco de jazz. Bruno Pernada, que gosta de dar nomes intricados e divertidos aos seus discos, é um músico invulgar, dos mais interessantes que têm surgido nos últimos anos. Tem 34 anos, estudou guitarra clássica em adolescente e, depois, jazz na escola do Hot Clube. Posteriormente estudou técnica de análise e composição musical. Para além dos seus trabalhos a solo ou como músico convidado é também responsável por várias bandas sonoras de filmes, entre os quais “A Toca do Lobo”, de Catarina Mourão. Além do seu trabalho como compositor e músico, Bruno Pernadas dá aulas de guitarra e teoria musical em diversas escolas. Instrumentista polifacetado, é também um compositor que se tem revelado capaz de adequar a criatividade a diversos géneros e estes dois discos, tão diferentes, são prova disso. A minha preferência vai para “Those Who Throw Objects at Crocodiles Will Be Asked to Retrieve Them”, cuja capa aqui se reproduz, mas “Worst Summer Ever” foge a estereotipos do jazz, evita receitas fáceis e abre pistas, a partir de um sexteto tradicional. Os dois álbuns estão disponíveis em CD e no Spotify. A splendid time is guaranteed for all, como dizia o outro.

 

PROVAR -  Se em Portugal se inventaram as sanduíches de cozido, porque não aceitar um éclair de salada Caesar? Pois é exactamente isso que pode ser provado no L’Éclair, na Avenida Duque de Ávila 44, em Lisboa, entre a 5 de Outubro e a Avenida da República. Rematei a leve refeição com um éclair de limão e um café expresso anunciado como biológico - reconheço que foi um café bem tirado, sem o esturricado que por aí é demasiado frequente. A casa é ainda famosa pelos seus croissants e, na extensa oferta de bolos, destacam-se os opéra de pistácio e framboesa. À tarde há cocktails, como mojitos e caipirinhas, mas também chás a la carte. Um éclair salgado anda pelos 6.50 euros e um doce pelos 3.50. O serviço é atento e simpático, a esplanada acolhedora e abrigada. A partir de 1 de Outubro inaugura a colecção de Outono/Inverno - que isto da pastelaria francesa é como a alta costura. Podem ir seguindo as novidades na página de LÉclair no Facebook. Outras variantes possíveis:  o éclair Parisien, com manteiga, queijo emmental e fiambre; o Périgourdin com magret de pato, foie gras, rúcula e balsâmico; o nordique com salmão, mascarpone e lima;  e o tomate-mozza com tomate, mozarella e azeite. Além disso há ainda que contar com o tradicional croque-monsieur, em pão de forma com molho bechamel, fiambre e emmental. Todos os salgados são acompanhados de salada.

 

DIXIT -  “Hoje, quem tem poder não é quem tem informação. É quem a sabe partilhar” - Helena Fazenda, Procuradora-geral adjunta.

 

GOSTO - De Lisboa com movimento e conteúdo - na próxima semana a pré-inauguração do MAAT (Fundação EDP) e o início da trienal de Arquitectura. Isto é que dá qualidade à cidade, não são obras infindáveis.

 

NÃO GOSTO -  Que uma Business School, como a da Universidade Nova,  tenha iniciado obras no seu novo campus sem que o litígio sobre a indemnização aos antigos proprietários do terreno esteja resolvido: uma escola de gestão que não tenha o respeito devido à propriedade privada é um mau exemplo.

 

BACK TO BASICS - Prefiro saber tudo sobre os que me reclamam amizade do que saber alguma coisa sobre os meus amigos mais antigos - Oscar Wilde



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publicado às 14:30

 

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INDIFERENÇA

 

Primeiro levaram os capitalistas,

Mas eu não me importei

Porque não era nada comigo.

 

Em seguida levaram alguns investidores,

Mas a mim não me afectou

Porque eu não faço investimentos.

 

Depois prenderam os senhorios,

Mas eu não me incomodei

Porque nunca fui senhorio.

 

Logo a seguir chegou a vez

De alguns depositantes, mas como

Nunca fui rico, também não liguei.

 

Agora levaram-me a mim

E quando percebi,

Já era tarde.

 

(adaptado de um original de Bertolt Brecht sobre a ascensão de uma ideologia totalitária)

 

SEMANADA - José Sócrates é o convidado especial da Universidade de Verão do PS Lisboa; no entretanto promoveu um jantar com 20 fiéis para recolher ideias para acção futura e estimulou a realização, sábado, de um almoço de apoiantes para começar a contar espingardas; várias figuras próximas de Sócrates apareceram a criticar a forma como o Governo está a gerir a preparação do Orçamento, nomeadamente na área fiscal; PS e PSD querem terminar com os cortes de 10% que estão aplicados às subvenções da Assembleia da República aos partidos nela representados; foram precisos três dias de críticas para Passos Coelho desistir de ser o apresentador de um livro de segredos de alcova da classe política; nos primeiros seis meses do ano o número de casas vendidas aumentou em 22% e os preços de venda são os mais altos desde 2010; a receita do IMI aumenta ininterruptamente desde 1995; Medina diz que vai demorar uma década a sentirem-se os resultados da passagem da Carris e do Metro para a Câmara; por via das dúvidas Medina anunciou que Lisboa vai ter mais 150 kms de ciclovias nos próximos dois anos; a incorporação de biocombustíveis na gasolina e gasóleo em Portugal vai ser em 2017 maior do que em Espanha, o que agravará ainda mais a diferença dos preços dos combustíveis entre os dois países; registaram-se mais de cinco mil insolvências nos primeiros oito meses do ano; até agora a criação de empresas já diminuíu 3,5% em comparação com o mesmo período do ano passado.

 

ARCO DA VELHA - Quanto custará, em tempo e dinheiro, corrigir os erros que Medina e Salgado semearam pela cidade e repôr, como estava antes, o muito que foi mal feito e o que foi estragado?

 

FOLHEAR - Quis o destino que, há vários anos, no próprio dia em que foi anunciada a minha indigitação como Presidente do Instituto Português de Cinema (na época era director do Se7e) tivesse combinado com José Fonseca e Costa um visionamento do filme que ele então tinha finalizado - visionamento esse que seria no próprio Instituto. E, assim, Fonseca e Costa foi o primeiro a desejar-me felicidades e a recomendar-me comprimidos para as dores de cabeça. Ao longo dos anos encontrei-me com ele muitas vezes: gostava de o ouvir, partilhava muitas coisas em termos de política para o audiovisual, pedi-lhe conselhos e devo dizer que lhe devo bastante do que sei e do que fiz nessa área. Foi por isso com redobrado prazer que li “José Fonseca e Costa - Um Africano Sedutor”, uma biografia que traça o seu percurso enquanto realizador e autor. A autoria é de Jorge Leitão Ramos, um incontornável especialista no cinema português e da sua história e que, filme a filme, episódio a episódio, aqui retrata um Fonseca e Costa que deixou marca em Lisboa e em Portugal. Como Jorge Leitão Ramos sublinha, “na geração de realizadores do Cinema Novo, José Fonseca e Costa foi aquele que melhor soube equilibrar a vontade de um cinema de autor com a vontade de ter público”. O Zé morreu quase há um ano e este livro recorda-o. E conta a sua história, evocando como ele próprio era um contador de histórias. Edição Guerra & Paz, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores.

 

VER - Até 9 de Novembro a Barbado Gallery (Rua Ferreira Borges 109A) apresenta uma marcante exposição do fotógrafo francês Antoine d’Agata (na imagem). As suas 18 fotografias expostas na galeria foram realizadas entre 1998 e 2009 na Alemanha, Holanda, Geórgia, Camboja, Espanha, Lituânia, Tailândia e Cuba. Mostram um perturbador mundo que se vislumbra na noite, todas elas a jogar com imagens extremas do corpo feminino. As fotografias são intensas, fruto de um processo de encenação que contou com utilização da luz e de técnicas de exposição longa para aumentar o dramatismo das situações, cruzando a imagem da dor com a do prazer e deixando dúvidas sobre qual a sensação retratada. Na Galeria Carlos Carvalho (Rua Joly Braga Santos), Noé Sendas mostra um conjunto de fotografias, numa montagem surpreendente, pontuadas por evocações de Man Ray, sob o título “Significant Others”. Outras sugestões: no Porto, até 5 de Novembro, Pedro Cabrita Reis expõe “Pinturas” na Galeria Fernando Santos  (Rua Miguel Bombarda). Na mesma rua, na empena de um prédio, o espaço “Oficina”, da Galeria Fernando Santos, pode ser vista uma instalação de arte pública, também de Pedro Cabrita Reis, construída a partir de elementos de alumínio e de iluminação. Finalmente Pedro Calapez apresenta na Biblioteca da Faculdade de Ciências e Tecnologia do campus da Caparica da Universidade Nova “Em Volta De”, um conjunto de trabalhos inéditos realizados a partir de uma leitura do livro de Xavier de Maistre, “Viagem à Volta do Meu Quarto”.

 

OUVIR - Aqueles que têm confiança no seu talento e são grandes artistas não têm medo de serem populares nem de revisitarem o cancioneiro popular. É assim em todo o mundo. Por cá, convém recordá-lo, foi Amália Rodrigues quem, como intérprete, recuperou primeiro, dignificando-o, o folclore português. Como dizia Vitor Pavão dos Santos, o que ela fazia era “um cantar cantado” ou, como a própria Amália gostava de recordar, “canto como uma pessoa que anda a cantar no campo, ou na rua”. As gravações de Amália Rodrigues de temas populares portugueses, e a sua inclusão nos seus recitais, são hoje muitas vezes ersquecidos. Graças ao notável trabalho que Frederico Santiago tem feito com os arquivos de gravações de Amália Rodrigues na Valentim de Carvalho foi agora publicado o duplo CD “Amália Canta Portugal”, uma edição verdadeiramente incontornável. Atrevo-me mesmo a dizer que é, até agora, o disco do ano no que toca à edição discográfica nacional. No primeiro CD estão gravações de estúdio e ao vivo feitas entre 1965 e 1969, essencialmente sobre um repertório de folclore com temas como “O Trevo”, “ Tia Anica de Loulé”, “Tirana” , “Malhão de Cinfães”, “Quando Eu Era Pequenina” ou  o superior “Senhora de Aires”, entre muitos outros - é uma notável compilação de grandes interpretações de música popular portuguesa, com uma remasterização que deixa perceber a grandeza da voz. No segundo CD estão gravações dos anos 70, incluindo alguns temas de José Afonso, como uma rara gravação de “Grândola Vila Morena”. Duplo CD Edições Valentim de Carvalho.

 

PROVAR - Depois de conquistar o Chiado José Avillez começou a ir por aí acima e abriu novo estabelecimento na Rua Nova da Trindade 18, um pouco abaixo de uma das cervejarias mais icónicas de Lisboa, a “Trindade”. No local onde agora se instalou “O Bairro do Avillez” estava a loja da Academia de Música, ao lado de um dos alfarrabistas onde passei muitas horas, a Livraria Barateira. Os tempos mudam, as taxas e taxinhas são louvadas por um putativo construtor civil recalcado que manda na Câmara de Lisboa, e a cidade abre-se a novas oportunidades.  José Avillez tem aproveitado bem o fulgor dos tempos e, em abono da verdade, na maioria dos casos, com mérito - as excepções são as pizzas e o Mini-Bar do Teatro S. Luiz. O seu novo “Bairro” é assumidamente coisa para turista, com fados a servir de ruído de fundo. Mas, em abono da verdade, a casa tem méritos gastronómicos. Este Bairro está dividido em três áreas - a Mercearia (uma loja), a Taberna (onde se petisca) e o Páteo ( que faz de restaurante formal). Nesta estreia fui à Taberna e eis as impressões: no couvert, destaque para a manteiga dos Açores; as azeitonas explosivas são de facto um ovo de colombo de sabor e surpresa; o queijo de Idanha-A-Nova foi muito honesto; o ceviche de tremoços ficou aquém das expectativas; os croquetes ficaram acima das mesmas; a salada de espargos e cogumelos com “caviar de beringela fumada”, envolto em molho de iogurte, hortelã e coentros, estava superior; o mesmo posso dizer do polvo com alho, molho kimchi e batata doce; a rematar o pastel de nata foi fiel à melhor tradição - pena que gelado de café, que acompanha, fosse demasiado doce. O serviço é atento na recepção, mas às vezes demorado entre pratos e desatento às mesas. Carta de vinhos suficiente, bom rosé a copo, da lavra de José Bento dos Santos com marca do próprio Avillez. Bairro do Avillez, Rua Nova da Trindade 18, tel. 215 830 290.

 

DIXIT -  “Entretanto, a Espanha tem a taxa de crescimento económico mais alta de toda a UE. Resta saber se não será por não ter governo e ser obrigada a cumprir aquilo a que se tinha comprometido há mais de um ano junto da UE?!” - Manuel Villaverde Cabral

 

GOSTO  - Do festival Folio, uma festa de livros e de vida, que decorre até 2 de Outubro em Óbidos, este ano com uma atracção especial, fruto de uma parceria entre o Villa Joya e a Ivity, o “Cooked Book Project”.

 

TAMBÉM GOSTO - Este fim de semana Serralves acolhe a oitava edição da sua Festa do Outono.

 

BACK TO BASICS - “O mistério da política não é saber como o Governo funciona, mas sim como o poderemos fazer parar” - P. J. O’ Rourke

 

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publicado às 11:19

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MENTIRAS - A edição da semana passada da revista “The Economist” tinha por título de capa a frase “A Arte da Mentira” e em vários artigos dedicava-se a explicar como a mentira tinha invadido a política a vários níveis. Segundo a revista a política da “pós-verdade” é baseada num conjunto de afirmações que “parecem ser verdadeiras” mas não têm qualquer ligação com factos reais. “The Economist” explica que o expoente desta “post-truth” é Donald Trump e a forma como a sua campanha é conduzida. “Se acreditam que a política devia ser baseada na realidade, esta é uma tendência preocupante” - escreve o editorialista da revista. O uso da mentira na política tornou-se tão habitual que já nem levanta grandes sobressaltos - muito menos entre as auto-proclamadas elites. Na realidade o que distingue a nova utilização da pós-verdade é o facto de a verdade ser secundarizada em absoluto. O que interessa é o que alguém diz ou, pior ainda, insinua, nomeadamente fora dos media tradicionais. Ao longo dos últimos anos, em Bruxelas, Bona e Lisboa assistimos a um carrossel de mentiras e insinuações, destinadas a proteger os burocratas da União Europeia e os seus congéneres portugueses - muitas delas simples boatos postos a correr ao mais alto nível para testar reacções. Rumores, intriga, má língua - tudo convenientemente ampliado, se necessário, pelas novas formas de comunicação digital, ajudam a criar este novo fórum político onde a inverdade é o conteúdo principal. É raro o líder político que não diz mentiras nas campanhas eleitorais, e, nos últimos 20 anos, não há em Portugal nenhum que nas campanhas eleitorais não tenha feito promessas mentirosas que abandona mal chega ao poder. A mentira é o vírus que destrói a confiança nos políticos e que afasta as pessoas da participação política. Os responsáveis por isto estão nos partidos. Em todos.

 

SEMANADA - Depois da entrevista televisiva do juiz Carlos Alexandre, onde este se queixou de estar a ser vigiado, José Sócrates pediu o afastamento daquele magistrado do seu processo; o PCP foi o partido que mais se insurgiu contra a proposta de facilitar candidaturas autárquicas independentes; Marcelo criticou a baixa taxa de uso dos fundos europeus; em resposta o Governo anunciou que está a preparar o lançamento de concursos de financiamento no valor global de 527 milhões de euros, mesmo a tempo das próximas eleições autárquicas; os combustíveis representaram um quinto da receita do Estado com Impostos sobre Produtos em 2014, num total de 4.100 milhões de euros e a distância média entre cada bomba de gasolina é de 2,7 kms; a Autoridade da Concorrência traçou como objectivo que 85% das notícias sobre a sua actividade lhe sejam favoráveis; a juíza conselheira Dulce Neto, vice-presidente do Supremo Tribunal Administrativo afirmou que "a administração fiscal está cega de mais na tentativa de arrecadar receita, deixando empresas e famílias exauridas", criticando o facto de as Finanças arrastarem propositadamente processos tributários com recursos quando, disse, é muito provável que essas acções venham a ser decididas a favor do contribuinte; a Comissão Proteção de Dados continua a considerar o acesso do fisco aos saldos bancários excessivo e desproporcional; o Ministro das Finanças admitiu que os impostos indirectos vão aumentar no próximo Orçamento; a propósito da situação económica do país e da eventualidade de novo resgate, António Costa sugeriu que Passos Coelho fosse caçar Pókemons.

 

ARCO DA VELHA - A Assembleia da República, maioritariamente constituída por advogados e juristas, pretende que a profissão de advogado fique fora da regulamentação de lobbying junto dos parlamentares.

 

FOLHEAR - A revista “Wallpaper” foi criada em 1996, há 20 anos portanto, por Tyler Brulé, que entretanto a vendeu e criou a “Monocle” . No entanto a “Wallpaper” manteve-se como uma referência nos campos do design, da arquitectura, da moda, da arte e , como diz o slogan da revista, “The Stuff that refines you”. Para assinalar este aniversário a “Wallpaper” fez uma edição especial com mais de 500 páginas, abordando temas como as figuras que marcaram, pelas mudanças que provocaram, estas duas décadas, os grandes acontecimentos que ocorreram e também 20 anos de novas tendências no design. A capa é desde logo um desafio aos leitores - foi idealizada para ser cortada e remontada ao gosto de cada um, chamando ao papel uma interactividade que se julgava impossível. Esta “Wallpaper” transporta-nos também ao futuro numa série de artigos e reportagens que mostram novas tendências, nomeadamente na arquitectura, na recuperação de edifícios históricos ou ainda na concepção de novas lojas. Na arquitectura há um destaque para um projecto do arquitecto português Luís Rebelo de Andrade no Douro, o hotel e spa Longroiva, a 5 kms de Vila Nova de Foz Côa. Nesta edição da “Wallpaper” é apresentado um incontornável trabalho gráfico, o desdobrável que mostra com palavras e imagens a linha do tempo da evolução do design nestas duas décadas. Outro artigo fundamental é sobre a video instalação “Mary”, que o artista Bill Viola concebeu para a catedral de St. Paul, em Londres, e que inaugurou no passado dia 8, aniversário da Virgem Maria. A nova instalação vídeo ficou colocada frente a uma outra, também de Bill Viola, “ Martyrs”, colocada na Catedral há dois anos. Os ecrãs de plasma utilizados em “Mary” evocam um tríptico e o Guardian descreveu a obra como “ um Caravaggio hi-tech que redefine a arte sacra”. Mais uma razão para ir a Londres. Obrigado, “Wallpaper”.

 

VER - Como pode a imprensa jogar com a memória e ser a matéria-prima de um artista plástico? - A resposta está na exposição de Nuno Nunes-Ferreira que a Baginski Galeria/Projectos apresenta até 22 de Outubro. A partir de recortes cuidadosamente seleccionados de jornais e revistas, alguns com mais de meio século, Nunes-Ferreira revisita o nosso passado colectivo, desde a época colonial até anos mais recentes, escolhendo títulos, frases, fotografias, capas, publicidade. Há obras com recortes de imagens de futebol, outras só com recortes de necrologia, outras ainda com declarações de Maio de 1974 transcrevendo certificados da Junta de Salvação Nacional atestando que fulano não era da PIDE, até anúncios de cavalheiros à procura de senhoras e vice-versa, ou capas dos jornais dos dias seguintes ao 25 de Abril, tudo devidamente recortado e apresentado como numa colagem. As imagens mais contemporâneas estão alojadas em gavetas de móveis tipográficos antigos, que fazem também parte da exposição. No tempo digital, esta exposição é uma redescoberta da imprensa e uma perspicaz observação de vários momentos da sociedade portuguesa e da marca que esses momentos deixaram em papel. Num dos cantos da galeria, discretamente, está um desenho, reproduzindo uma capa de jornal, sem nenhum conteúdo, e que dá pelo nome de “Não Há Notícias”. Baginski, Rua Capitão Leitão 51, ao Beato.

 

OUVIR - Foi há mais de 50 anos que os Beatles actuaram no célebre Hollywood Bowl, o mítico auditório da capital do cinema norte-americano. Coincidindo com o lançamento de um novo documentário, de Ron Howard, sobre os primeiros anos da carreira dos Beatles, “Eight Days A Week - The Touring Years”, foi lançada uma nova versão, remasterizada e com inéditos, das gravações ao vivo dos concertos dos Beatles no Hollywood Bowl, realizados a 23 de Agosto de 1964 e a 29 e 30 de Agosto de 1965. Na prática a edição é apresentada como uma espécie de banda sonora do filme de Howard, que estreou em Lisboa esta semana. Para além de temas daquela fase da carreira da banda, como “Twist And Shout”, “Ticket To Ride”, “She Loves You” ou “Help”, entre outros, esta nova edição inclui quatro gravações inéditas de temas também célebres como “ I Want To Hold Your Hand” ou “Everybody’s Trying To Be My Baby”. Ao todo são 17 canções, todas remasterizadas pelo filho de George Martin, Giles Martin. As gravações, recorde-se, foram feitas no auge da beatlemania nos Estados Unidos e captam a excitação do público nessa época assim como a energia do grupo. Em 1977 havia sido editado a primeira versão de “The Beatles At The Hollywood Bowl”, com base nas mesmas gravações, mas um alinhamento diferente e menos material. Nesta edição destaque para a boa remasterização que proporciona som mais limpo, e inclui pequenas variações na mistura e níveis de som, e também gritos mais atenuados da assistência. O novo CD ( e vai também ser lançada uma edição em Vinyl) inclui um booklet de 24 páginas com texto de David Fricke, jornalista da revista norte americana Rolling Stone, a reprodução de uma reportagem dos concertos no Los Angeles Times e as notas da edição original em vinyl, por Sir George Martin. CD Apple Music/ Universal já disponível em Portugal.

 

PROVAR - Qualquer novo restaurante que se preze precisa de uns meses para ser afinado. Quando se carrega no nome uma tradição, como acontece no caso do Pap’Açorda, a coisa é ainda mais verdadeira, sobretudo quando se dá a transição de um espaço icónico como o que existia no Bairro Alto, para uma Disneylândia da comida como é o mercado da Ribeira hoje em dia. Esta transição foi uma aposta arriscada mas agora, uns meses depois da abertura, tudo começa a estar no seu lugar, até mesmo alguns dos clientes antigos. Esta semana tive oportunidade de provar uma salada de garoupa com vinagrete, umas tiras de chocos bem cozinhadas acompanhadas de grelos salteados e, sobretudo, um delicioso polvo estufado em vinho tinto, temperado com anis, cravinho, gengibre e canela, acompanhado de uma esmagada de batata doce. O restaurante vai ganhando personalidade própria, não abdicando da sua memória - como se vê nas entradas com os pequenos pastéis de massa tenra ou os peixinhos da horta, e nas sobremesas com a incontornável mousse de chocolate. O serviço funciona bem, atento e simpático, e o comandante das operações, Ricardo Fernandes, está permanentemente vigilante à sala e sempre disponível. Aqui está um restaurante que soube mudar e crescer sem perder alma nem encanto. Av. 24 de Julho, Mercado da Ribeira, das 12 às 24, todos os dias menos segunda-feira. Telefone 213 464 811.

 

DIXIT - “Este é provavelmente o maior fracasso da nossa democracia: depois de entrar na Europa, Portugal não é capaz de responder para onde caminha” - Sérgio Figueiredo

 

GOSTO - Da possibilidade de uma revisão da lei eleitoral que possibilite mais candidaturas independentes, fora dos partidos, nas autárquicas.

 

NÃO GOSTO - Que a candidatura de Assunção Cristas à Câmara Municipal de Lisboa seja anunciada em Oliveira do Bairro sem apresentar uma ideia para a cidade por onde quer ser eleita.

 

BACK TO BASICS - “Um pessimista só tem surpresas agradáveis e um otimista desagradáveis - Nero Wolfe, via Rex Stout.


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publicado às 21:01

LISBOA - O custo do conjunto das obras que invadiram Lisboa ultrapassará os 25 milhões de euros. Trata-se de uma campanha eleitoral caríssima esta que Fernando Medina está a fazer à custa dos impostos dos lisboetas e dirigida contra eles. Cada vez que olho para algumas transformações que vou vendo, no traçado ou na circulação, penso que Fernando Medina deve ser uma daquelas pessoas que gosta de ter tudo arrumadinho, com naperons e gatos de porcelana por cima, num ambiente asséptico que não é para viver nem usar. A cidade que ele está a fazer poderá ser muito bonitinha, mas vai ser muito pouco prática, bastante incómoda e não tem em conta o que é o bem estar dos cidadãos que vivem e trabalham em Lisboa. As faixas de rodagem ficaram mais estreitas, há menos lugares de estacionamento, há mais ruas que passaram a não ter saída e mais sentidos proibidos. Para ajudar à festa os transportes públicos funcionam mal e tudo isto dificulta a mobilidade, ao contrário do que a propaganda afirma. Medina está a fazer uma cidade como quem faz um parque de diversões: pode ser engraçado para visitar e ver, mas é desengraçado para trabalhar e incómodo para habitar. “Viver Melhor Lisboa”, o lema que Medina mandou afixar junto às obras,  é um slogan mentiroso e neste regresso de ferias muitos lisboetas já o começaram a perceber. A insatisfação aumenta de tal forma que agora Medina se viu forçado a usar uma história que ele próprio já conhecia há meses - a das irregularidades nas obras da segunda circular - para as parar e tentar diminuir o caos. Não as parou por decência ou ética. Parou-as para minorar o desgaste que está a sofrer na opinião pública. Aproveitou apenas um pretexto. Um artista. Um artista da hipocrisia política.

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SEMANADA - Jerónimo de Sousa disse na Festa do Avante! que as medidas do Governo estão “aquém do necessário”; o Bloco de Esquerda e o PCP criticaram António Costa por se ter encontrado com Michel Temer, que substituiu Dilma Rousseff na presidência do Brasil; Passos Coelho disse que esta solução governativa “está esgotada”; Assunção Cristas disse que “o ritmo de crescimento da dívida voltou a disparar” e afirmou que o Governo tem prejudicado especialmente a classe média; começam a ser conhecidas as primeiras medidas de aumentos de impostos que farão parte do Orçamento de 2017; o financiamento bancário à actividade das empresas atingiu no primeiro semestre deste ano o valor mais baixo desde 2003; Portugal, Irlanda, Itália e Espanha concentram 57% do crédito mal parado na Europa; o Ministro da Cultura fez uma ameaça  velada ao Director do Museu Nacional de Arte Antiga por este ter revelado que o Museu tem apenas 64 pessoas para 82 salas abertas ao público, o que potencia a possibilidade de problemas nas instalações; o Ministro da Cultura, que tutela os orgãos de comunicação onde o Estado está presente, ainda não se pronunciou sobre as notícias que indicam que um administrador da RTP, Nuno Artur Silva, continuaria a ser proprietário de empresas audiovisuais e que contrata para a RTP guionistas e apresentadores dos seus canais e das suas produtoras; Marcelo Rebelo de Sousa recomendou a António Costa e Pedro Passos Coelho a leitura dos livros de Elena Ferrante porque este tipo de leitura melhora o “enriquecimento cultural”.

 

ARCO DA VELHA - O Presidente do Sporting chamou representantes das claques do clube para a comissão que vai fazer o inquérito à gestão de ex-presidentes leoninos.

 

 

 

 

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FOLHEAR - Hoje mesmo, dia 9, sexta-feira, Daniel Innerarity, professor de Filosofia Política e Social da Universidade do País Basco, participa num debate sobre o tema “A Política Em Tempos de Indignação”, que decorre às 19h00 na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, com Paulo Portas e Marisa Matias, com moderação de Maria Flor Pedroso. Considerado como um dos grandes pensadores mundiais contemporâneos, este basco acaba de ver editado em Portugal o seu livro, de 2015, que dá o título ao debate: “A Política Em Tempos de Indignação”. Ali aborda a transformação da actividade política nos anos mais recentes, nomeadamente o surgimento de movimentos sociais difusos, de novos partidos e as dificuldades das instituições tradicionais do velho sistema. No fundo o autor questiona o que é hoje em dia a política, e interroga-se sobre a necessidade de mudanças que possam levar a que a indignação que se exprime, muitas vezes de forma caótica, possa vir a ter um papel construtivo na sociedade. Teremos chegado a uma época que assinala o fim dos partidos? A classe política é mesmo desprezada? Quais serão os novos actores políticos? A quem pertence o direito de tomar decisões? A democracia, tal como a temos conhecido, é uma desilusão completa? Qual será a acção política que pode nascer depois da indignação? Pode haver democracia sem política tal como a temos conhecido? - estas são algumas das questões sobre as quais o autor especula. Edição D.Quixote/Leya.

 

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OUVIR - Já não ouvia um bom disco pop há muito tempo e este “Foreverland”, dos Divine Comedy, encaixa-se na perfeição nessa categoria. O irlandês Neil Hannon, que é o único membro permamente do grupo, criou os Divine Commedy há 26 anos e desde Maio de 2010, quando foi publicado “Bang Goes the Knighthood”, não era editado nenhum disco de originais. “Foreverland” corria pois o risco de ser uma enorme frustração ou apenas um ressurgimento. Nem uma coisa nem outra: é um trabalho de excepção, um dos melhores de Hannon, com um sentido épico e de narrativa, por vezes quase conceptual, surpreendente nos dias de hoje, muito mais vocacionados para o relato de trivialidades. Há aqui um lado de passeio pela História, que se cruza com uma mordaz observação dos tempos actuais. Para alguns pode parecer previsível atendendo à obra de Hannon, mas para outros, entre os quais me incluo, é mais uma vez um sinal de como mesmo em tempos cinzentos se podem criar discos brilhantes. Completamente desfasado das modas actuais e com uma sonoridade e arranjos que às vezes quase parecem estranhos, de tanto que se afastam da norma vigente, “Foreverland” é um trabalho sobre o amor e a fantasia, do qual destaco “Funny Peculiar” (um dueto coDC Records, no Spotify.m Cathy Davey), “Napoleon Complex” e sobretudo “How Can You Leave Me On My Own”. DC Records, no Spotify

 

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VER -  Muito se tem falado nos últimos tempos do Quetzal Arts Centre, instalado num complexo que inclui uma vinha extensa, uma adega, um restaurante e um centro de artes - procurando uma ligação entre o enoturismo e o turismo cultural. Os proprietários, um casal holandês,  propõe-se ir expondo a sua colecção de arte contemporânea, considerada em 2010 pela Art News entre as 200 maiores colecções mundiais, e também promover no local residências de artistas convidados. Cees e Inge de Bruin, o casal em questão, tem uma antiga paixão por Portugal, que vem de há quatro décadas. Ele dedica-se a gerir investimentos (com a sua  holding Indofin) e ela tem desempenhado funções de direcção, curadoria e consultoria em algumas grandes instituições culturais internacionais. Foram três os artistas da colecção escolhidos para a abertura: Robert Heinecken (1931-2006), Pat O’Neill (n. 1939), e Trisha Baga (n. 1985), todos com trabalhos de manipulação de fotografias, cinema ou vídeo. A responsável pelo Centro de Arte, Joana Mexia de Almeida, fundamentou a escolha da seguinte forma: “Optámos por começar com obras audiovisuais, que talvez sejam mais adequadas para um grande público que não é conhecedor profundo de arte contemporânea”. Atendendo ao que está apresentado mal se compreende o alcance da sua afirmação. À eventual excepção dos trabalhos de Robert Heinecken (na imagem), infelizmente apresentados numa montagem duvidosa, o resto não será facilmente enquadrável no conceito de grande público. O próprio espaço expositivo apresenta problemas para esta opção  - o maior dos quais é a belíssima luz natural que convive com dificuldade com projecções video. A abertura de um espaço tão focado em formas de expressão artística contemporâneas é sempre uma boa ideia, tanto mais que na região , excepção feita à colecção Cachola, o pendor tem sido sempré conservador. Fico com curiosidade de ver como o trabalho dos detentores da colecção, em relação a este espaço, vai evoluir. Em Fevereiro do próximo ano será apresentada a segunda exposição.

 

PROVAR - Em abono da verdade se diga que o conjunto de edifícios da Quinta do Quetzal é um bom exemplo de arquitectura integrada na paisagem. Os 50 hectares de vinha começaram a ser criados em 2002, a adega foi a primeira coisa a ser construída, em 2006, e convive na perfeição com o edifício onde está o restaurante, a loja de produtos da propriedade e da região, e ainda o Centro de Arte. É pena que ao lado da varanda do restaurante esteja um charco lamacento que polui o panorama que se desfruta do terraço, com ampla vista sobre o vinhedo. A sala do restaurante é luminosa e o mobiliário é um bom exemplo de adequação ao espaço e à função. Os petiscos por enquanto são o prato forte do local - que mais tarde há-de servir refeições mais formais, sob orientação do chef é Pedro Mendes. O restaurante funciona de quarta a domingo, e na visita realizada os tais petiscos foram bem apreciados: croquetes de farinheira com maionese de cebolinho, empadinhas de coelho estufado, peixinhos da hora com mostarda de pimentos, umas inusitadas pataniscas de abóbora e uns ovos mexidos com farinheira que estavam excepcionais. A destoar o pão, que podia ser mais autêntico, e uma tábua de queijos algo anémica em relação à tradição local. Nos vinhos - o Guadalupe branco, corrente, foi um aperitivo fresco, o Guadalupe Winemaker’s Selection revelou-se um tinto robusto e competente para a intensidade da comida e, no fim, uma prova de Quetzal tinto reserva de 2012 surpreendeu pela positiva - um vinho feito de Syrah, Alicante Bouschet e Trincadeira -  apesar da concessão  a castas nada alentejanas. Preços dos petiscos e dos vinhos mais correntes perfeitamente honestos. Resta elogiar o serviço, atento e competente. A Quinta do Quetzal, onde tudo isto se passa, fica a poucos quilómetros da Vidigueira, em Vila de Frades e o telefone é 284441618.

 

DIXIT - “A cultura é uma espécie de gambozinos dos governos: acende em noites quentes” - Fernando Sobral.

 

GOSTO - Da iniciativa de Marcelo Rebelo de Sousa e da APEL de fazer uma Festa do Livro nos jardins do Palácio de Belém.

 

NÃO GOSTO - De um Ministério da Cultura que não gosta de ouvir criticas e que nada faz para descer o IVA das entradas dos museus e de alguns bens culturais que está em 23%.

 

BACK TO BASICS - Quando se colocam quinze membros de um mesmo partido numa sala ouvem-se 20 opiniões diferentes - Patrick Leahy, Senador norte-americano.



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A VÃ ILUSÃO DE MANDAR

por falcao, em 02.09.16

ILUSÃO - Parece que para o ano vão ser repostos os cortes nas pensões. Parece que vai haver maior investimento público na educação e na saúde. Parece que o Estado vai aumentar a despesa, embora seja aparentemente por boas razões. Mas se aumentar a despesa e não aumentar a receita, o défice sobre. É uma conta simples. Ora aumentar a receita só pode querer dizer mais taxas, mais impostos. Sabe-se já que o Governo pretende implementar medidas que acabam com o sigilo bancário, com o justificativo da vigilância fiscal. Todos os dias surge notícia de mais uma ideia para sacar dinheiro aos contribuintes. Ao mesmo tempo constata-se que o fisco está cada vez mais relutante em devolver dinheiro cobrado a mais. Quarta feira terminou o prazo para o reembolso do IRS aos contribuintes, caso não existissem divergências, que têm efeito suspensivo. Seria interessante saber quantas dessas divergências existem e quantas existiam na mesma ocasião do ano passado. Sei de quem nas últimas semanas recebeu sucessivas notificações a anunciar divergências, que foram explicadas pelos próprios e aceites pera Autoridade Tributária que enviava uma simpática mensagem referindo que a declaracção rectificada “foi considerada certa após validação central”. Era alegria de pouca dura porque logo a seguir surgia nova notificação, de nova divergência, que até os funcionários do fisco, quando interpelados, não conseguiam explicar com clareza a que se referia. Ou seja, tudo indica que a Autoridade Tributária enveredou pelo caminho de comunicar divergências sucessivas que foram prolongando o prazo e retendo devoluções. Quantos contribuintes estarão neste momento nesta situação? Aqui está uma forma de o Estado ter dinheiro nos cofres, dinheiro que não é seu e que serve para ir tapando as novas despesas. É sabido que mais algum imposto há-de estar ao virar da esquina para colmatar as novas despesas. E, se não estiver, o défice aumenta. E, se o défice aumenta, Costa bem pode citar vacas voadoras que a situação ficará complicada. Demasiado complicada para nós todos, excepto para os que persistem na ilusão.

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SEMANADA - O Governo anunciou querer triplicar a produção de pescado em aquacultura; o Governo vai reforçar uma proposta para alargar a plataforma continental para lá das 200 milhas náuticas; o Governo instou os senhorios a diminuírem os seus rendimentos, fazendo rendas sociais; até Setembro todos os ex-ocupantes de cargos políticos vão ver repostas, com retroactivos, as subvenções vitalícias; a Polícia Marítima apreendeu e destruiu 210 bolas de Berlim a um vendedor na Costa da Caparica, numa acção, segundo o comunicado oficial, que envolveu uma viatura todo o terreno da respectiva força policial assim como dois agentes; Catarina Martins anunciou que o Bloco de Esquerda recusa “passos atrás” nem cedências a chantagens no Orçamento de 2017; um estudo divulgado esta semana indica que em 2050 Portugal deverá ter menos 1,2 milhões de habitantes; além dos partidos e das confissões religiosas há mais cerca de duas dezenas de entidades que não pagam IMI; o Bloco de Esquerda quer alterar a regra do IMI sobre os partidos políticos e o PCP é contra; o Estado injectou 417 milhões de euros na CP desde o início do ano; segundo o oráculo Marques Mendes uma eventual candidata do PSD à Câmara de Lisboa pode ser Maria Luis Albuquerque; há mais de 28 mil professores sem colocação nas escolas; os pagamentos em atraso aumentaram na área da saúde: com 324 polícias que estão em licença sem vencimento, o Estado vai contratar 300 novos agentes; todos os dias são presos 56 condutores com álcool em excesso.

 

ARCO DA VELHA - Uma deputada norueguesa foi apanhada a caçar Pokémons no Parlamento do seu país enquanto decorria um debate sobre defesa nacional.

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FOLHEAR - Numa conversa de final de tarde com um grupo de amigos falava-se da atração que é exercida por séries policiais e histórias sobre crimes e justiça. Para o caso falava-se de “The Night Of…”, uma soberba série que terminou esta semana. Havia quem dissesse que o retrato dos efeitos do sistema judicial e prisional nos inocentes davam que pensar. De uma forma geral os presentes diziam que os livros e séries policiais eram bons exercícios de dedução, de estímulo ao raciocínio e até de enquadramento da evolução das sociedades. Estou plenamente de acordo e por isso mesmo é que me fascino com literatura policial. Este verão tive o prazer de ler “Fechada Para o Inverno”, de Jorn Lier Horst, um escritor norueguês. O livro relata uma investigação do detective William Wisting, que é personagem recorrente nos romances do autor. Trata-se de uma investigação que decorre em paralelo sobre um caso de tráfico de droga, de roubos a casas de férias (normalmente fechadas no inverno) e de assassínios. A história - ou melhor, as histórias que se cruzam - estão soberbamente construídas. E estão ligadas a uma descrição do aumento da criminalidade na Noruega após o alargamento da Europa a leste, com a livre circulação de cidadãos das ex repúblicas soviéticas que recorrentemente surgem implicados em redes criminosas. Mais que um policial, o livro é um relato das inseguranças dos tempos que correm e uma reflexão sobre a forma como a Europa aumentou sem ter crescido. A edição portuguesa é da D. Quixote e tem boa tradução de João Reis.

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VER - Gosto muito de ver edições de livros de fotografia. Na maior parte dos casos é como visitar uma exposição, tendo tempo para contemplar cada imagem. Este ano fui brindado com uma oferta que adorei - o álbum “Abandoned - America’s Vanishing Landscape”, de Eric Holubow, um fotógrafo de Chicago que tem documentado o abandono e decadência de edifícios que foram, por uma razão ou por outra, arquitetonica ou industrialmente marcantes. De início ele concentrou-se primordialmente naquilo que é conhecido como a Rust Belt, a antiga e em tempos vibrante zona industrial, predominantemente ligada à metalurgia, em volta dos Grandes Lagos. Aquilo que Holubow fotografa são edifícios semi-destruídos, fábricas abandonadas cheias de maquinaria, escolas à espera de demolição com o chão atapetado de livros, igrejas vazias e em ruínas, teatros esventrados, instalações desportivas arruinadas. O livro documenta os efeitos das crises, a degradação de partes importantes da História da América. as consequências de políticas urbanísticas mal pensadas. Trata-se de uma viagem a um mundo caótico, onde a destruição se sobrepõe ao progresso e onde a erosão da memória se torna quotidiano. Folhear este livro é descobrir o outro lado de um país. Por cá havia muito para fazer nesta matéria - e vale a pena dizer que João Paulo Feliciano tem andado a fazê-lo na zona oriental de Lisboa e tem exposto no Facebook. “Abandoned - America’s Vaninshing Landscape” é um grande livro, editado pela Schiffer, disponível na Amazon. Se quiserem ver umas imagens vão a esta notícia que o Wahington Post publicou quando saíu, em Novembro do ano passado: https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2015/11/09/haunting-photos-show-forgotten-and-forbidden-buildings-in-america/  .

 

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OUVIR - William Bell é uma das vozes mais clássicas da soul music e do histórico catálogo da editora discográfica Stax. Tornou-se conhecido em 1961 com o tema “You Don’t Miss Your Water” e foi, com Booker T Jones, co-autor de “Born Under a Bad Sign”, um êxito primeiro pela voz de Albert King e que os Cream (de Eric Clapton) e Jimi Hendrix, entre outros, também gravaram. A sua música tem claras raízes nos blues, mas os arranjos e a forma de cantar tornaram-se uma referência na soul music dos anos 60. Bell, agora com 77 anos, tem-se mantido activo e acabou de lançar novo disco, “This Is Where I Live”. O produtor (e co-autor de nove das doze canções) é John Leventhal, que soube reconhecer e trabalhar o potencial e o estilo que a voz de Bell ainda mantém. Os arranjos, onde a guitarra eléctrica tem lugar de destaque, são também pontuados por presenças de metais e teclados, mas de forma contida e elegante. Gosto especialmente de “Poison In The Well”, da faixa título “This Is Were I Live”, assumidamente autobiográfica e que revela que Sam Cooke foi uma das suas principais influências e, finalmente, da versão despojada, mais lenta, de “Born Under A Bad Sign”, que deixa ouvir tão bem a ideia central da canção: “If it wasn’t for real bad luck, I would have no luck at all”. As coisas simples são sempre as melhores. “This Is Where I Live”, Stax, disponível no Spotify

 

PROVAR -  Volta e meia surgem boas surpresas. No Porto, na Rua do Passeio Alegre, com a Foz bem perto, frente ao mar, está a Casa de Pasto da Palmeira. Tem uma pequena esplanada e uma sala interior mais ampla. Mas a vista da esplanada é uma tentação. Estava avisado que o local era bom para petiscar, que não esperasse por um restaurante com pratos à séria. O aviso foi bem entendido e fiquei contente por ter seguido a sugestão. O serviço é muito simpático, as empregadas têm t-shirts da casa com slogans sugestivos e a carta está cheia de boas sugestões. Por exemplo, nunca tinha provado pipocas com paprika, acompanhadas de maionese com  lima e gostei;  também nunca tinha provado éclairs de sapateira e gostei; uma falsa bruschetta feita à base de beringela e figos soube particularmente bem ao outro lado da mesa e um pedaço de atum fresco fatiado e braseado (no ponto) com especiarias, com um acompanhamento de couscous, também foi bem recebido; uma meloa com gelado de citronela rematou o repasto. Ficou-me na memória a possibilidade de uma melancia grelhada e registei os queques de alheira que me sorriam da mesa ao lado, A lista de vinhos é adequada, o serviço a copo é correcto, a relação preço-qualidade é honesta. Para a próxima vez que fôr ao Porto voltarei a ver se as coisas estão na mesma. Casa de Pasto da Palmeira, Rua do Passeio Alegre 450, telefone 226 168 244. Está no Facebook.

 

DIXIT - “A serenidade com que tudo foi feito mostra que no dia da reunião com o PS já havia a decisão tomada pela direcção do PCP” - Ruben Carvalho, do Comité Central do PCP, sobre o processo que levou ao acordo de Governo.

 

GOSTO - O livro “Regresso Ao Futuro- a Nova Emigração e a Sociedade Portuguesa”, de um grupo de investigadores universitários, mostra a falsidade de algumas ideias feitas como por exemplo que a nova vaga migratória é composta apenas por pessoas qualificadas ou que desde o início da crise Portugal perdeu meio milhão de pessoas.

 

NÃO GOSTO - Da forma como a CP tem desleixado a linha do Douro, não aproveitando o potencial da região, deixando degradar e depois vendendo como sucata o equipamento que tinha especialmente vocacionado para uma utilização turística.

 

BACK TO BASICS - “Diz-se que o poder corrompe, mas de facto é mais certeiro dizer-se que o poder atrai os que são corruptíveis; aqueles que o não são, geralmente sentem-se atraídos por outras coisas que não o poder” - David Brin.

 

 

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OS DONOS DA BOLA

por falcao, em 02.09.16

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Na semana passada a RTP 1 teve o programa mais visto com a transmissão do jogo Roma - F C Porto. Apesar disso registou uma média semanal de apenas 10,9 de share, a sua pior deste ano. Por acaso soube-se por estes dias que a RTP tinha concorrido contra a TVI pelos direitos de transmissão da Taça da Liga e viu-se que a estação pública  licitou mais alto que a estação privada. Aqui há dois anos e pouco o então recém criado Conselho Geral Independente fez de uma compra de direitos de transmissão de futebol o seu cavalo de batalha contra a anterior administração e tornou-se claro que o seu objectivo , sugerido  e apoiado pelo então ministro Maduro, era apenas provocar a saída de Alberto da Ponte e da sua equipa. Desde então o tal Conselho Geral Independente existe mas não produziu obra, ou pelo menos ela não é publica, ao contrário do que antes sucedera. Agora, face a nova compra de direitos, em concorrência com um operador privado, não se ouve uma palavra do CGI. O que antes era desvio passou agora a ser serviço público? Tudo leva a crer que sim. É assim se descobre mais uma careca e se percebem melhor os critérios de investimento da RTP nos seus programas e o seu papel na dinamização da produção portuguesa. Para entrar a bola, mais cara do que a estação privada pagaria, alguma coisa deixa de se poder fazer. Serviço Público é isto?

(Publicado no CM de 2 de Setembro)

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publicado às 09:24


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