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PISTAS - Esta semana Nuno Garoupa, o professor de Direito (actrualmente numa universidade americana) que durante anos recentes dirigiu a Fundação Francisco Manuel dos Santos, deu uma entrevista ao jornal i onde traça um retrato certeiro do país. Com a devida vénia, aqui vão excertos:  “De 1995 a 2015, quase meio milhão de pessoas deixaram de votar. Em 1995 votavam em partidos 5,8 milhões, hoje estão a votar à volta de 5,2. Se continuarmos neste padrão e a este ritmo, dentro de uns dez anos estarão a votar nos partidos cerca de 4,5 milhões de pessoas. E quem são esses 4,5 milhões? São os eleitores que votam sempre nos mesmos partidos: o sistema, os militantes, os simpatizantes e os caciques. Estaremos reduzidos à mobilização desse núcleo e sem qualquer sociedade civil. Dois milhões da direita e dois milhões e meio de esquerda, e aí está.” (...) “Olhando todos os estudos, o votante mediano não está à direita, está à esquerda. E mais do que isso, a renovação geracional, em que a camada dos 20 aos 30 anos está mais à direita que a camada dos 70 aos 80 porque já ninguém se lembra do Estado Novo, tem um problema. É que as pessoas dos 20 aos 30 não votam. O eleitorado está envelhecido e cacicado. Não votam porquê? Porque a direita não encara esse desafio de mobilizar abstencionistas.” Raras vezes vi um retrato tão perfeito do que se passa em termos da degradação do sistema político e partidário.

 

SEMANADA - Seis antigos presidentes de municípios do distrito de Viseu foram acusados pelo Ministério Público de combinarem um esquema que lhes permitiu cobrar senhas de presença e ajudas de custo indevidas, durante cinco anos, no total de cerca de meio milhão de euros; um sargento da GNR de Vila Real recebia mil euros por avisar a realização de rusgas em casas de alterne; as penhoras de automóveis pelo Fisco aumentaram 28% em 2016; quase 30 mil famílias pediram ajuda em 2016 ao Gabinete de Apoio ao Sobreendividado, da DECO; nas cadeias portuguesas, para 14 mil presos, há 30 psicólogos - um para cada 466 detidos; nos vinte tribunais reabertos no início do ano só foi efectuado, até agora, um único julgamento; entre 2014 e 2016 as compras a empresas farmacêuticas registaram uma subida de 200 por cento e os gastos do Estado com medicamentos atingiram no ano passado os 527 milhões de euros; os hospitais públicos realizaram menos 5626 cirurgias entre janeiro e novembro de 2016, face ao período homólogo de 2015; há 30 mil pessoas sem médico de família no litoral alentejano, entre Odemira e Alcácer do Sal; Portugal tem a segunda maior dívida pública da zona euro - 133,4% do PIB; enquanto Portugal colocou recentemente dívida a um juro de 4,2% a Espanha, na mesma altura, conseguiu colocar dívida a 1,5%; o gasto do Estado com parcerias público-privadas rodoviárias aumentou 77% no terceiro trimestre do ano passado; o Tribunal da Relação de Évora considerou que agarrar uma pessoa pelo pescoço não constitui violência doméstica.

 

ARCO DA VELHA - Filipe Silva, o subcomissário que agrediu em maio de 2015 um adepto do Benfica em Guimarães à frente dos dois filhos menores, continua a exercer as mesmas funções e recebeu um louvor do Comando de Braga da PSP porque "prestigia a polícia".

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FOLHEAR - A revista “Monocle” está prestes a comemorar o seu 10º aniversário, com uma edição especial e algumas mudanças, que são já ventiladas no editorial da edição nº100, agora publicada. Nesse editorial o fundador e Director da “Monocle”, Tyler Brulé,  conta que o projecto começou a ser pensado em 2004, para nascer três anos depois. Durante esse período de tempo preparatório, que serviu para definir o modelo, angariar capital e escolher a equipa, o nome de código da nova publicação era “Project Europa”. A equipa dirigente da revista, conta Brulé, está agora na fase de colocar questões: o desenho de capa e o formato devem ser mantidos? Os leitores que seguem a revista entretanto envelheceram 10 anos - deverá isso levar a usar um tipo de letra e um espacejamento entre linhas maiores? Ao fim de uma década há uma geração de potenciais leitores que não lêem edições em papel - deve a “Monocle” entrar no formato digital que sempre evitou?  Deliberadamente a “Monocle” tem apenas um arquivo digital exclusivamente acessível a assinantes e uma operação audiovisual integralmente online centrada na rádio Monocle24 e nos mini-documentários video que acompanham o seu site e a sua newsletter diária  - mas os conteúdos da edição impressa não são disponibilizados on line de forma gratuita nem avulsa. Ao longo desta década a “Monocle” desenvolveu lojas e cafés em algumas cidades, criou produtos próprios em acessórios, roupa, perfumes e até editou duas dezenas de livros. Começou como uma revista graficamente surpreendente, dos 19 colaboradores iniciais passou para mais de 100, com escritórios em nove países, evoluíu para uma marca global e um guia para um fiel grupo de seguidores urbanos e cosmopolitas. E nos próximos dez anos? Dentro de pouco tempo saberemos, mas Tyler Brulé promete que a edição impressa continuará a ser o motor da “Monocle”.

 

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VER - O pintor japonês Jun Shirasu passou três meses, numa residência artística da Oficina Ratton, na Arrábida, a pintar um painel de azulejo a que deu o título “A Viagem da Camélia”  que mostra, numa narrativa visual, como essa planta veio do Japão para Portugal e, também, a história cruzada dos dois países nos séculos XVI e XVII. Trata-se de um impressionante mural azulejar de 0,98 x 19,60 metros; a exposição apresenta ainda um conjunto de azulejos avulso intitulado “Diário Gráfico” e 4 painéis onde o imaginário e as memórias de viagem estão presentes. Uma outra série, de ” falsos azulejos”, leva-nos às origens dos primeiros trabalhos do artista enquanto gravador. No painel Jun Shirasu utilizou o azul cobalto sobre esmalte branco (na imagem) numa técnica inspirada na sua experiência enquanto gravador. A presente exposição, que ficará patente até 28 de Abril, inicia a comemoração do 30º aniversário da Galeria Ratton (Rua da Academia das Ciências 2C). Outras sugestões: na Barbado Gallery (Rua Ferreira Borges 109A) está patente até 4 de Março a exposição “The Americans”, do fotógrafo norte-americano Christopher Morris, que mostra imagens do livro com o mesmo nome editado originalmente em 2012, com o propósito de fazer um retrato antropológico da América, num trabalho que decorreu ao longo de oito anos; finalmente, na Galeria Belo Galsterer (Rua Castilho 71-1º), até 25 de Março, a colectiva “Paperworks IV - Portadores de Ideias”, que mostra edições de múltiplos de, entre outros,  Pedro Calapez, Pedro Proença,  Jorge Molder, Alexandre Conefrey, Mário Macilau e até do criador da ideia de múltiplo, Joseph Beuys.

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OUVIR - Hope Sandoval tornou-se conhecida como a voz dos Mazzy Star, uma banda que fez história nos anos 90. “Until The Hunter” é o terceiro álbum que ela faz com os Warm Inventions, o duo que criou com o baterista dos Bloody Valentine, Colm O’Ciosoig, no início deste século. Ao longo dos anos colaborou também, entre outros,  com os Massive Attack e com Jesus & Mary Chain e, inesperadamente, em 2013 apresentou novo trabalho no projecto Mazzy Star. Mas em finais do ano passado regressou à forma Warm Inventions com este novo disco onde a sua voz é mais uma vez a marca dominante. “Until The Hunter”, que já é considerado como o seu melhor trabalho nos Warm Inventions, tem muitas influências - desde logo da canção dos Mazzy Star que a tornou conhecida, “Fade Into You”, e que aqui é evocada em temas como “Peasant” e “Isn’t It True”. Há claras influências folk em “A Wonderful Seed” e “The Hiking Song” e o seu lado psicadélico sobressai na forma como voz e percussão combinam ao longo dos nove minutos da faixa de abertura, “Into The Trees”. Destaque ainda para o dueto com Kurt Vile em “Let Me Get There”, e para os temas “Day Disguise” e “Treasure” e, sobretudo, para um surpreendente tema final, um blues poderoso, “Liquid Lady” que simbolicamente contrasta de forma evidente com a faixa de abertura, parecendo uma espécie de promessa de algo que pode ser retomado no futuro. Hope Sandoval usa a voz, toca vibrafone e teclas e Colm O’Ciosoig toca bateria, percussões e guitarra. Disponível no Spotify.

 

PROVAR -  No dia a dia há muitos casos em que se aplica a máxima “não se deve voltar onde se foi feliz”. Creio, no entanto, que este princípio não se deve aplicar a restaurantes. É salutar de vez em quando ver como estão as coisas, analisar, avaliar se há variações na qualidade dos ingredientes, da cozinha ou do serviço. Um bom restaurante quer-se um garante da regularidade. Não é de esperar que, à mesma mesa, um dia os pastéis de bacalhau sejam bons e na semana seguinte sejam maus. Se isto é importante em relação a pratos que se podem repetir ao longo de todo o ano, é ainda mais importante quando falamos de pratos que só se servem em determinadas estações de ano - porque a matéria prima é sazonal. Pratos de caça, uma das delícias do Inverno, entram nesta categoria. O “Apuradinho”, em Campolide, é um dos bons sítios onde se pode comer uma perdiz de caça, num tradicional estufado, acompanhada de batatas novas, cebola e fatias de pão frito. Ano após ano não tenho más surpresas nas perdizes que vou comendo no Apuradinho. Para rematar, e apesar da boa lista de doces conventuais da casa, a minha opção, nestes dias, vai para uma pera bêbada em vinho tinto - primorosamente confeccionada. No inverno, de 15 em 15 dias, há cozido às quintas. E a lampreia está quase a chegar… Apuradinho, Rua de Campolide 209, telefone 213 880 501.

 

DIXIT - “Faz parte da função presidencial chegar a todos” - Marcelo Rebelo de Sousa.

 

GOSTO - Em Leiria foi criada a primeira biblioteca para invisuais com obras em braille.

 

NÃO GOSTO - Do veto do Conselho de Opinião da RTP à indicação de João Paulo Guerra como Provedor do Ouvinte da rádio pública.

 

BACK TO BASICS - «O mundo estaria salvo se os homens de bem tivessem a ousadia dos canalhas»  - Nelson Rodrigues

 

 

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Olhando as coisas bem de frente é bom que se diga e fique claro que a única razão para a posição tomada pelo Conselho de Opinião da RTP, rejeitando a indicação de João Paulo Guerra para provedor do ouvinte da rádio de serviço público,é de natureza ideológica. O indigitado foi recusado porque a maioria dos conselheiros olha mais para o currículo de pensamento dos candidatos, e para as posições que possa ter tomado ao longo da vida, do que para as competências profissionais e adequação às funções para as quais é proposto. E isto acontece assim porque o Conselho de Opinião é uma manta de retalhos, resultado de uma mixórdia politico-partidária com inspiração em negociatas e jogos parlamentares a que soma uma larga componente corporativa dos mais variados e contraditórios interesses - com o ponto comum de só uma minoria ter a ver com a actividade em si da concessionária do serviço público de comunicação audiovisual. Em ambos os casos o traço dominante é a falta de conhecimento da maioria dos membros do Conselho em relação à realidade da Comunicação, e, pior ainda, a impunidade com que dizem disparates sobre a matéria. Gostam de ser treinadores de bancada, e como frequentemente acontece a quem se dedica a essa actividade, nem sequer sabem o que é uma bola. Sei do que falo porque, durante alguns poucos meses, fui membro desse Conselho, no início deste século, e ouvi discussões de estarrecer e posições que apenas mostravam a ignorância de quem as tomava em relação às matérias em debate. Este modelo de Conselhos, que se pretendem democráticos, tem um efeito exactamente contrário ao pretendido como agora se verifica - a avaliação da competência foi sacrificada às guerrinhas partidárias e ideológicas. Enquanto o Serviço Público estiver dependente, a todos os níveis, destes conselhos pretensamente independentes, arrica-se a ser manobrado por incompetetes e inúteis que não percebem sequer o que fazem. Mais valia, já que se discute uma eventual revisão do funcionamento da ERC (Entidade Reguladora da Comunicação), que os Conselhos de Opinião e "Geral Independente" da RTP fossem extintos e as decisões passassem apenas pela ERC. Era tudo mais claro, profissional e transparente.

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publicado às 13:00

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INFLUENCIAR  - Como se influencia um político? Como se força um político? Como se manobra a opinião pública? Até onde se pode ir? A resposta a estas questões pode ser vista em “Miss Sloane”, um “thriller” político, passado em Washington, estreado em Portugal na semana passada, realizado por John Madden e que tem Jessica Chastain, fabulosa, no papel principal - o de Elisabeth Sloane, uma lobista habituada a casos difíceis. Usando as palavras de Miss Sloane, fazer lóbi é prever o que pode acontecer, antecipar o movimento dos adversários e tomar medidas para os contrariar, é conseguir ficar à frente de quem se quer derrotar, é conseguir surpreender os inimigos sem nunca se deixar surpreender por eles. Isto é a bíblia de Elisabeth Sloane e é seguindo-a que ela vence, custe o que custar. Contra as mentiras dos políticos ela usa o que pode para provocar o seu descrédito. Se há políticos trapaceiros e que entram em esquemas, não será justo usar todos os recursos contra eles, mesmo os que podem ser ilegais? Como se combate a falta de ética na política? Seguindo a ética ou contornando-a? Estas são as grandes questões que este filme deixa e são estas questões as que, um pouco por todo o lado, se colocam hoje aos eleitores, que cada vez mais perdem a confiança em políticos que deixam os princípios de lado em nome de tácticas. O filme é poderoso e dá um retrato vil da política. Não é ficção, é a realidade e foram os próprios políticos que o criaram. Há quem diga que este filme é o melhor retrato já feito do que se passa em Washington. E,  arrisco  dizer, também em outras cidades, de outros continentes e de outros países.

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SEMANADA - “Vaticanum”, de José Rodrigues dos Santos, foi o livro mais vendido em Portugal em 2016, com perto de de 90 mil exemplares; outro livro do mesmo autor, “O Pavilhão Púrpura”,  está entre os dez mais vendidos; José Rodrigues dos Santos já ultrapassou os 2,2 milhões de livros vendidos em Portugal no total da sua obra e no estrangeiro vendeu cerca de um milhão; “Sentir”, a biografia de Cristina Ferreira, vendeu cerca de 85 mil exemplares; o primeiro volume da “Bíblia”, na tradução de Frederico Lourenço, vendeu cerca de 20 mil exemplares ; medidas do simplex derraparam e mais de 70% estão por concluir; 98% dos alunos formados da Escola Náutica vão trabalhar para o estrangeiro já que a marinha mercante portuguesa foi praticamente extinta; Portugal vai ter mais 40 novos hotéis este ano, metade dos quais em Lisboa; as temperaturas extremas, de frio ou calor, matam em Portugal, em média por ano, 1500 pessoas; o MAAT teve 150 mil visitantes desde que abriu em outubro passado; foram feitos cortes de 34,5 milhões de euros nos principais hospitais do serviço Nacional de Saúde; ao mesmo tempo foi anunciado que o Ministério da Saúde planeia investir este ano 204 milhões em novas infraestruturas e equipamentos no sul do país; nas últimas semanas o Governo prometeu abrir linhas de crédito para sectores específicos cujo valor total é de centenas de milhões de euros - mais um aumento de dívida; o Bareme Internet da Marktest estima em 3,7 milhões o número de portugueses que usam a Internet para ouvir música.

 

ARCO DA VELHA - No meio da confusão existente o acordo de concertação social não foi firmado numa cerimónia, como é usual, mas através da recolha apressada de assinaturas porta a porta junto de cada um dos subscritores, por um motorista do Governo, enquanto no Parlamento o Primeiro Ministro já o dava por assinado antes mesmo do périplo dos autógrafos terminar.

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FOLHEAR - “Luanda, de acordo com o que Mary Kingsley escreveu em 1899, não era apenas a cidade mais bela da África Ocidental, era a única cidade da África Ocidental” - assim começa o delicioso capítulo “A Cultura Urbana na Cidade de Luanda” do livro “Breve História da Angola Moderna”, de David Birmingham, um historiador britânico, da Universidade de Kent. Birmingham escreveu vários livros sobre a história de Portugal e da presença dos portugueses em África, nomeadamente em Angola, e esta obra incide sobre o período entre 1820 e o início do século XXI. O autor detalha a evolução social, económica e política de Angola, incluindo episódios históricos como a tentativa de ali criar uma nação judaica em finais do século XIX e princípio do século XX - houve até uma proposta nesse sentido apresentada no Parlamento português em 1912. A Guerra Colonial, a Guerra Civil e a posterior evolução do regime até ao final da primeira década deste século, são épocas abordadas, com numerosos episódios e relatos de acontecimentos pouco conhecidos. É uma visão curiosa, distante da visão portuguesa, e que por isso mesmo é um complemento de informação que vale a pena conhecer. Edição Guerra & Paz.

 

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VER - Confesso-me um fã da obra de Cecília Costa - aprecio o seu traço, a ironia misturada com enigma, provocação e mistério que retrata nos seus desenhos. Tem, além de um estilo, uma atitude - e isso é muito patente em “Longing”, a sua nova exposição que inaugurou esta semana na galeria Baginski (Rua Capitão Leitão 51, no Beato, até 25 de Fevereiro). Nesta exposição, surpreendente, Cecília Costa provoca ligações entre as instalações que concebeu e os seus desenhos, intervindo sobre objectos do quotidiano, reformulando-os e redefinindo-lhes as funções - mesmo que sejam tão efémeros como um cubo de gelo que se vai dissolvendo. Voz certeira disse-me na inauguração que Cecília Costa “põe cuidado em coisas simples”. É isso que faz a diferença da sua obra. Outras sugestões - No Museu do Chiado pode agora ver a recente exposição do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, que retoma a pintura de Amadeo de Souza-Cardoso, à época surpreendente e polémica, mostrada pela primeira vez em Fevereiro de 1917. Na Escola Superior de Comunicação Social está uma curiosa exposição intitulada “A Propaganda eleitoral nas eleições presidenciais dos EUA - 2016” que reúne espólio da colecção de José Pacheco Pereira e que, além de material das eleições que deram a vitória a Trump, mostra peças de propaganda política desde os anos 30.

 

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OUVIR - O piano, nos vários géneros musicais, é um dos instrumentos de que mais gosto e gravações de piano ocupam lugar de destaque na minha colecção de discos. No jazz contemporâneo há um pianista que há anos me seduz, Brad Mehldau - seja nas suas formações tradicionais de trio, seja nas suas incursões a solo ou, mais recentemente, em duetos. “Nearness”, editado no final de 2016, regista uma selecção de gravações efectuadas durante uma digressão europeia de um duo constituído pelo saxofonista Joshua Redman e Brad Mehldau, ambos amigos e colaboradores de longa data. Aliás Mehldau começou a sua carreira como pianista do quarteto de Redman, no início dos anos 90 e depois ambos trabalharam juntos em diversas ocasiões -  na realidade um e outro estão entre os músicos de jazz mais marcantes da sua geração. Neste disco pegam em temas clássicos como”Ornithology” de Charlie Parker, “In Walker Bud” de Thelonius Monk ou “The Nearness Of You”, de Hoagy Carmichael e Ned Washington e usam-nos para dar uma lição de improvisaçao e de cumplicidade. Temas originais como “Old West” (de Mehldau) ou  "Mehlsancholy Mode", de Redman, mostram também a sua criatividade como compositores. “Nearness”, de Joshua Redman e Brad Mehldau, edição Nonesuch, no Spotify.

 

PROVAR -   O chef argentino Chakall ganhou notoriedade em Portugal, primeiro com a sua cozinha que na altura parecia exótica, e, depois,  com os seus programas de televisão e com mais de uma dezena de livros. Construíu uma personagem onde a exuberância, o colorido das roupas e um constante turbante fazem a sua imagem de marca - certamente fruto da  experiência ganha como jornalista no início da sua carreira profissional. Felizmente, para além da construção da marca, Chakall tem colocado nos vários restaurantes por onde passou um traço de boa cozinha, bom serviço e um honesto compromisso entre qualidade e preço. Há cerca de um ano mudou-se para Marvila, para um dos antigos armazéns da firma de vinhos Abel Pereira da Fonseca, na Praça David Leandro da Silva, num espaço enorme onde pode acolher grandes grupos e eventos, mas onde também pode servir com atenção mesas de duas ou quatro pessoas- o El Bulo Social Club. Há um menu especial de almoço e ao jantar uma carta onde as influências do seu país de origem são notórias. A decoração é exuberante, tão colorida e marcante como o visual do próprio Chef. Há evidentemente evocações bem argentinas como papas rellenas, empanadas argentinas ou um original parafuso - o nome dado a um prego de ojo de bife de 200 gramas servido em bolo do caco e acompanhado por batata frita

A opção numa recente visita foi por um duo de ceviche (de peixe branco e atum) e depois por cannelloni de osso buco. Ambos estavam muito bons mas o ceviche merece destaque pela qualidade do tempero e preparação. A refeição terminou com um crumble de maçãs verdes. A lista de vinhos é comedida na variedade, mas a preços razoáveis. Volta e meia tocam-se e dançam-se tangos. Encerra ao Domingo  e segunda-feira (telefone 218619027)218619027

 

DIXIT -   “Tenho dificuldade em aceitar que o meu partido vote ao lado de quem nunca valorizou a concertação social” - carta aberta de Silva Peneda a Passos Coelho a propósito da nova posição do PSD sobre a TSU.

 

GOSTO - Do novo museu da Casa da Moeda - é virtual, está online e pode ser visto em www.museucasadamoeda.pt

 

NÃO GOSTO - Em Portugal ainda há quatro mil crianças que não são vacinadas todos os anos por resistência das famílias.

 

BACK TO BASICS - “O homem é por natureza um animal político e a natureza não faz nada sem sentido” - Aristóteles



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(IN)JUSTIÇAS - e sugestões avulsas

por falcao, em 13.01.17

 

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(IN)JUSTIÇAS - O número de licenciados em Direito que ocupa lugares no sistema político português é bastante grande e, mesmo não existindo um estudo actualizado sobre o tema, arrisco-me a dizer que juristas e advogados são o grupo sócio-profissional mais representado na Assembleia da República e nos mais altos cargos do Estado, como Primeiro-Ministro e Presidente da República. Por isso mesmo não deixa de ser paradoxal que a justiça seja um tema tão mal tratado em Portugal pelo próprio Estado. Marcelo Rebelo de Sousa, ainda bem recentemente, chamou a atenção para os problemas que existem, mas que ultrapassam a questão da morosidade dos tribunais. O maior problema, penso, tem a ver como o Estado se posiciona face aos cidadãos quando está em disputa com eles nas várias instâncias judiciais. Não é só a questão das altas custas de justiça, para o qual o novo bastonário da Ordem dos Advogados alertou, é sobretudo a atitude com que o Estado actua - partindo sempre do princípio de que o cidadão é culpado. Muito se tem escrito sobre o uso sistemático e talvez abusivo dos recursos, apresentados por organismos do Estado para prolongar processos, encontrando todos os pretextos para suspender prazos e recorrendo de decisões só por recorrer, com o único intuito de adiar decisões finais. A este nível o comportamento da autoridade tributária, que é um dos expoentes destes expedientes, e que tem sido amplamente criticado, é dos piores exemplos da falta de honestidade do Estado e da forma como o princípio da presunção da inocência não é respeitado. O Estado, que devia ser uma referência e um exemplo, é em matéria de justiça um dos seus piores protagonistas. E mudar esta situação seria uma das maiores reformas que o Estado podia concretizar.

 

SEMANADA - Este ano há  4920 candidatos a bolsas de estudo no ensino superior, sendo que serão atribuídas apenas 1320;  existem atrasos na análise destes pedidos devido a erros na plataforma informática da Direcção Geral do Ensino Superior; a dívida dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde cresce ao ritmo de 27 milhões de euros por mês; a dívida total atinge 1750 milhões e regressou aos picos de há três anos; o investimento público registado em 2016 é o mais baixo das últimas três décadas; a Agência de Gestão da Tesouraria e Dívida Pública diz que o Estado português precisa de 12,4 mil milhões de euros de financiamento líquido em 2017; esta semana Portugal colocou no mercado uma dívida de três mil milhões de euros a uma taxa de 4,227%, que compara com a taxa de 2.875% conseguida em operação idêntica há um ano; o Bloco de Esquerda anunciou ter anulado a adesão de um grupo infiltrado de seis elementos que pretenderia controlar e desvirtuar a organização;o Bareme Internet da Marktest  estima em 1,9 milhões o número de portugueses que usam a Internet para marcar viagens ou alojamento; as compras dos portugueses aumentaram 10% desde o início de Dezembro até agora; nos saldos cada português gastou em média 120 euros numa semana; as exportações de empresas de Paredes de Coura aumentaram sete vezes o seu valor no espaço de 3 anos; a maioria dos municípios portugueses aumentou as exportações entre 2013 e 2015; a nível nacional, o volume de bens vendidos ao exterior cresceu 5,3%; segundo uma portaria publicada esta semana em Diário da República, a PSP e a GNR vão passar a cobrar, a partir desta quinta-feira, 75 euros por dia pela cedência de um cão e 100 euros pela de um cavalo, quando solicitados por entidade privada ou pública fora do âmbito de missões policiais.

 

ARCO DA VELHA - Um padre de 84 anos entrou em contramão na circular urbana de Braga, provocou acidente, fugiu, diz que não se lembra de nada e afirma ter saído do local para ir dar missa.

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FOLHEAR - Nascido no Missouri, Thomas Stearns Eliot foi para Inglaterra com 25 anos, aos 39 abandonou a cidadania norte-americana e tornou-se cidadão do Reino Unido. Em 1948 ganhou o Prémio Nobel da literatura pela sua contribuição para a poesia. Em 1915, um ano depois de chegar a Inglaterra publicou “The Love Song Of J. Alfred Prufrock”, que o tornou conhecido e estabeleceu a sua reputação como autor de uma obra prima do movimento modernista. Outras obras importantes seguiram-se - como “Wasteland” (1922), “Ash Wednesday” (1930) e “Four Quartets”(1943). São precisamente estas quatro obras que a editora Relógio d´Água reuniu no final de 2016 em “Poemas Escolhidos”, uma belíssima edição, bilingue, que permite seguir em simultâneo o original inglês e boas traduções de João Almeida Flor, Gualter Cunha e Rui Knopfli. Protegido por Ezra Pound no início da sua carreira, Eliot fez parte do Bloomsbury Group. Foi ensaísta, editor de publicações como a Egoist e a Criterion. T.S. Eliot foi ainda professor, funcionário bancário, responsável editoral da Faber e, acima de tudo, um dos poetas maiores da primeira metade do século passado.

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VER - A primeira grande exposição do ano abriu ontem na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção 80, a Xabregas). Trata-se de um conjunto de novos trabalhos de Rui Chafes ( na imagem), que mostra até 18 de Março um núcleo de 25 esculturas, 14 das quais realizadas em ferro, de grandes dimensões, e intituladas “Incêndio”, e as restantes 11 pequenas peças, concebidas em bronze sob o título “É assim que começa...”. Numa recente entrevista Rui Chafes descreveu este seu trabalho como a representação “da existência de uma catedral ardida, incendiada, uma catedral com uma floresta dentro” e, já que na obra de Rui Chafes o fogo é uma ferramenta constante,  explicita tratar-se de  “uma catedral queimada, que já não existe”. Na mesma entrevista, ao DN, ele pormenoriza: “Os únicos textos que eu publico são os que eu não queimei. E as esculturas que aparecem são uma acumulação de material que resistiu à solda, à queimadura, ao fogo”. Mudando de rumo, outra exposição a não perder, no Porto, é “Devir”, de Carlos Correia, na Galeria Pedro Oliveira (Calçada de Monchique 3), até 25 de Fevereiro, um exercício sobre a capacidade de transformação dos espaços e a sua relação com a pintura e com o trabalho do artista. Finalmente, também no Porto, num género completamente diferente, na Galeria Cruzes Canhoto (Rua Miguel Bombarda 452) está ainda até final do corrente mês a exposição “Lagarto, Lagarto, Lagarto!”, dedicada a peças de cerâmica de Rosa Ramalho, sua filha Júlia e neto António , “três artistas essenciais não só na história do figurado de barro na região de Barcelos, mas também no âmbito de toda a arte popular portuguesa” - como refere o site da Galeria http://cruzescanhoto.com/exposicoes/5-lagarto/ . onde também podem ser vistas estas obras.

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OUVIR - Quando em Maio de 1975, em Paris, Brian Eno e Robert Fripp, se juntaram para tocar num concerto a audiência, que estava à espera do ressurgir dos King Crimson ou de ouvir sonoridades dos Roxy Music,  iniciou um tumulto, com assobios, pateada e saídas de sala, em  consequência daquilo que, na altura, foi encarado como uma provocação e que era o nascer do seu trabalho em torno do que viria a ser conhecido como a sua simulação de  música ambiente - que em 1978 deu origem a “Music For Airports”. Quatro décadas depois, e após várias experiências, Brian Eno prossegue no caminho que escolheu com o novo “Reflection”, lançado no primeiro dia deste novo ano, em versão on line, com a possibilidade de conteúdos suplementares (na Apple Tv e iOS), no Spotify e também com edição em CD. “Reflection” não é bem a sequência lógica de “The Ship”, o seu trabalho de 2016 - é mais certo considerá-lo um retomar do que estava a fazer em “Lux”, de 2012. Na realidade “Reflection” consta de uma única peça de 54 minutos, uma espécie de manifesto sobre a forma como ele entende actualmente a criatividade e a música que faz. Na altura do lançamento deste “Reflection” , Brian Eno escreveu: “Esta música vai parecer diferente de cada vez que é ouvida - como ficar sentado na margem de um rio: é sempre o mesmo rio mas o seu caudal está constantemente a mudar”. Na verdade em cada audição descobrem-se - melhor dizendo ouvem-se - novas sonoridades que pareciam escondidas. Arrisco dizer que é como um quadro, uma pintura cujo detalhe vai ficando mais perceptível com o tempo.

 

PROVAR -  O pão é o mais básico dos alimentos, sob várias formas é uma presença universal. Ao longo dos séculos o seu fabrico foi-se modificando e hoje em dia uma enorme quantidade do pão posto à venda obedece a métodos industriais, que muitas vezes lhe retiram o sabor - e até as melhores qualidades - que era possível obter nas padarias artesanais. Foi exactamente por isso que há uns anos nasceu em Albarraque a Miolo, que se apresenta como uma padaria biológica artesanal e que se gaba de ter um processo de fabrico de cerca de 20 horas deste que se inicia a mistura da farinha, da água e do sal, até que se recolhem do forno tradicional os pães já cozidos. A Miolo produz vários tipos de pães, como o de espelta e centeio integrais, nozes e tâmaras, azeitonas, batata doce e milho, alfarroba, aveia integral e um low carb, com trigo sarraceno, entre outros. Não é só o sabor (a minha preferência vai para o de espelta integral), é também a textura e o cheiro. Com o formato de pequenos pães de forma, os produtos da Miolo conservam-se bem, mantendo a sua frescura e qualidade ao longo de vários dias. Os pães da Miolo estão disponíveis em lojas de produtos biológicos, nomeadamente nas Celeiro, Brio e nas novas Go Natural.

 

DIXIT - “Os Estados não se avaliam pelo dinheiro que têm, mas sim pela sua história e pela sua gente. Nesse sentido, Portugal não pode ser considerado um país pobre, bem pelo contrário.” - Mário Soares

 

GOSTO - Portugal é o país em destaque na Edição deste ano do Eurosonic, na Holanda, e conta com a presença de 21 artistas de diversos géneros musicais.

 

NÃO GOSTO - O serviço gratuito Ciberdúvidas, destinado a esclarecer perguntas sobre o bom uso da língua portuguesa, está em risco de fechar devido a dificuldades financeiras.


BACK TO BASICS - “A cura para o aborrecimento é a curiosidade; para a curiosidade é que não há cura” - Dorothy Parker

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PARTIDOS OU PESSOAS?

por falcao, em 06.01.17

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CIDADES - A edição de fim de ano da revista Time publicou um muito interessante artigo de Michael Bloomberg, ex-Mayor de Nova Iorque (onde deixou uma obra notável), sobre a importância das cidades. Ressalvando que existem diferenças óbvias entre os Estados Unidos e este nosso burgo, aqui deixo algumas ideias, tiradas do artigo, que me parecem boas pistas. Para Bloomberg a guerra entre partidos no poder central mata e polui as boas ideias e um debate honesto, que possa criar confiança entre representantes de várias organizações políticas - coisa se consegue alcançar com frequência a nível local. Segundo Bloomberg, em muitas cidades, autarcas empenhados em resolver problemas estão a ensaiar novas políticas, muitas vezes em parceria com empresas e com os cidadãos, em áreas como a educação, transportes e saúde, adiantando-se ao Estado central. “Quando as boas ideias funcionam numa cidade, elas espalham-se a nível regional” - sublinha.  A nível do governo das cidades há mais preocupação com questões ambientais ou com questões como a atracção de novos negócios, a dinamização da economia ou a construção de infraestruturas modernas. Sobretudo as cidades que progridem estão empenhadas na criação de comunidades que consigam captar habitantes, negócios e que sejam bons sítios para viver e trabalhar. “Para saber para onde vai o país não se guiem pela política nacional, envolvam-se a nível local, que é onde a acção verdadeiramente está” - diz Bloomberg. Lembrei-me disto e percebi como são tão grandes as diferenças entre os países: aqui, nas próximas autárquicas, o campeonato é para ver qual será o partido com maior número de Câmaras. A qualidade de vida das pessoas nem faz parte das preocupações, com raras excepções, entre as quais destaco Rui Moreira, no Porto, não por acaso um independente.

 

SEMANADA - António Domingues enviou um SMS a Mário Centeno lamentando o comportamento do Ministério das Finanças sobre o caso da CGD; Francisco Louçã pediu a nacionalização do Novo Banco; numa entrevista o Ministro das Finanças não excluíu a possibilidade de nacionalizar o Novo Banco; o PCP inicia campanha pela saída do Euro em Março; em 2016 as falências atingiram 30 pessoas por dia; na mensagem de Ano Novo o Presidente da República pediu ao primeiro Ministro mais estratégia e menos táctica; esta intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa foi a terceira mensagem presidencial menos vista desde 2006, com apenas 637,9 mil espectadores; em 2016 morreram 68 pessoas em acidentes envolvendo tractores; em 2016 mais de 500 militares da GNR percorreram 43.300 kms para entregar 285 orgãos utilizados em transplantes nos hospitais portugueses; Portugal é o quarto país com mais elevada taxa de doação de orgãos para transplante; em Portugal no ano passado nasceram mais sete bebés por dia que no ano anterior; doze universidades privadas encerraram nos últimos três anos; os resultados do estudo Bareme Internet indicam que quase dois milhões de portugueses preferem pesquisar online produtos que acabaram por comprar numa loja física; na votação promovida pela Porto Editora para  palavra do ano a vencedora foi “geringonça”.

 

ARCO DA VELHA - Maria Leal foi a figura mais pesquisada no Google em Portugal e o seu teledisco “Dialetos de Ternura” foi um dos mais vistos do ano no YouTube. Tino de Rans foi o segundo político mais pesquisado, logo atrás de Marcelo Rebelo de Sousa.

 

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FOLHEAR - De há uns tempos a esta parte a National Geographic faz umas edições especiais, temáticas, que permitem obter uma série de informação, bem organizada, sobre temas às vezes inesperados. É o caso de uma das mais recentes, que tem por título “Matemáticos, Espiões e Piratas Informáticos” - um cocktail verdadeiramente explosivo. Com o rigor que é marca da National Geographic, ao longo de 144 páginas, desvendam-se histórias e segredos deste mundo fascinante. Destaque para os capítulos “A criptografia desde a Antiguidade até ao século XX”, “Máquinas de codificação” e “Um Futuro Quântico”. Vale a pena destacar o cuidado na edição de imagens - que recupera as tábuas de terracota da Baixa Mesopotâmia, tidas como o primeiro vestígio de expressão escrita e do uso de criptografia, ou ainda uma máquina de cifrar mensagens da altura da segunda grande guerra. E depois há curiosidades: o código de barras, tão vulgarizado, não é mais que um sistema de encriptação composto  de 13 dígitos e 30 barras negras. Esta edição especial da revista conta histórias tão divertidas como o código para senhoras do Kama Sutra ou a cifra de César, usada pelo grande Imperador romano. E, claro, mostra e explica a surpreendente máquina Enigma, criada em 1923 por um alemão e que foi utilizada durante a segunda grande guerra para todas as comunicações militares. Fascinante.

 

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VER - George Eastman fundou a Kodak em 1888. A primeira fotografia havia sido feita em 1826 em França por Niépce e depois Daguerre evoluíu o processo até apresentar o daguerreótipo em 1839. Em 1888, nos Estados Unidos, em Rochester, George Eastman apresentava a Kodak, uma câmara fotográfica que incluía uma película que podia registar até 100 imagens e que, depois, era enviada para os laboratórios da firma para serem reveladas e impressas e devolvida carregada com novo rolo. Foi aí que a fotografia deixou de ser uma coisa quase de alquimista e passou a ser algo ao alcance de qualquer pessoa. Durante um século o nome Kodak foi sinónimo de fotografia, mas acabou por perder significado na era digital. Fabricou película, câmaras fotográficas e máquinas de filmar. As imagens mais icónicas do século XX foram, na maioria, registadas em  película fabricada pela Kodak e ao longo da sua vida George Eastman coleccionou centenas de milhar de fotografias, incluindo o arquivo de nomes como Daguerre, Lewis Hine, Edward Steichen ou Muybridge, entre muitos outros. Além de imagens o Eastman Museum, em Rochester, incorpora milhares de publicações e aparelhos. Há poucos dias a Kodak anunciou que uma enorme parte deste espólio estava disponível on line, prometendo que progressivamente serão adicionados novas peças a este museu digital, que pode ser visitado  em www.eastman.org/collections-online. Para já pode ver fotografias, máquinas e tecnologia e o legado pessoal de George Eastman e brevemente será possível também aceder a filmes da colecção.

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OUVIR - “A Íntima Fracção” foi originalmente um programa de rádio, criado em 1984 por Francisco Amaral na Antena 1. Depois esteve na TSF. com emissões diárias e semanais até 2003. A partir daí a sua vida tem sido essencialmente digital - em 2008 foi pioneiro dos podcast portugueses, através do site do semanário Expresso. Teve várias vidas, muitos prémios e continua a ser um dos podcasts mais procurados - é fácil encontrar por pesquisa no Google. Pensado como um programa de autor, é um marco na história da rádio, graças a uma selecção musical cuidada, coerente e dinâmica. Agora, sempre pelas mãos do seu autor,  Francisco Amaral, está no Spotify uma playlist da Íntima Fracção, com 44 canções e três horas de música de uma escolha absolutamente irrepreensível. Ali estão nomes como Brian Eno, Harold Budd, Holger Czukay, David Sylvian, Laurie Anderson, Cocteau Twins, Ryuichi Sakamoto, Durutti Column, Nick Cave. Mazzy Star, Eels, The Passions, mas também Nancy Sinatra, Charles Trenet, Elvis Presley ou Stacey Kent, entre outros. Além do Spotify, pode encontrar mais listas em http://intima.blogspot.pt/, onde Francisco Amaral vai continuando o seu trabalho de paixão pela música e onde a Íntima Fracção continua a viver 32 anos depois desta aventura ter começado.

 

PROVAR -  Estas linhas só serão úteis a quem gostar de comida indiana. Comecemos pela geografia: A costa do Malabar fica no litoral do sudoeste da Índia e é considerada a região mais húmida do sul do país. Aqui em Portugal, em Lisboa, Costa do Malabar é o nome de um restaurante junto à Alameda Afonso Henriques, do lado da Fonte Luminosa. Aquela zona, nomeadamente as transversais que vão dar à praça onde fica o Mercado de Arroios, as ruas Carlos Mardel e Rosa Damasceno, é hoje em dia uma espécie de sociedade das nações em termos gastronómicos. Ali se encontram exemplos da cozinha do Nepal, da Mongólia, de diversas regiões da China e da Índia e ainda bares de algumas geografias de leste. O Costa do Malabar fica na Rua Rosa Damasceno e é um bom exemplo do novo mundo que se pode descobrir em Lisboa. Numa recente incursão vieram para a mesa biriyani de borrego, biriyani de vegetais, madrasi de galinha e caril de camarão. O biriyani é o prato mais representativo da gastronomia da costa do Malabar, rico em especiarias e frutos secos, sem ser muito picante - e quer o de borrego quer o de vegetais revelaram-se boas surpresas e foram a melhor escolha da mesa. O serviço é simpático, a sala é agradável e bem colorida a evocar as cores da Índia. As doses são grandes, dois biriyani chegam bem para quatro pessoas - juntem-lhes bahjis de cebola (muito bons) e chamuças (de carne ou vegetais) e de certeza que ficam bem servidos. Na mesa ao lado era elogiado um caril de lentilhas e espinafre vermelho. Vinhos portugueses regulares a bom preço, classificação 3,9 em 5 no Zomato. Rua Rosa Damasceno 6A, telefone 210 932 433 ou 914 358 835.

 

DIXIT -  “O sistema de justiça continua lento e, por isso, pouco justo, a começar na garantia da transparência da política “ - Marcelo Rebelo de Sousa.

 

GOSTO - Da nova série “Sim,Chef”, uma bem conseguida adaptação de “The Kitchen” com humor e um notável trabalho de actores, com destaque para Miguel Guilherme. Às quartas na RTP1.

 

NÃO GOSTO - Da nova série “Ministério do Tempo”, fraca direcção de actores, diálogos forçados que acompanham mal uma viagem à História de Portugal. Às segundas na RTP1.

 

BACK TO BASICS - Não removas a mosca da testa do teu amigo com um machado - Provérbio chinês.

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publicado às 13:15

MEDINA: INVESTIR OU DESBARATAR?

por falcao, em 05.01.17

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De tudo o que se passa na cidade o que mais me aborrece é perceber que o dinheiro arrecadado por Lisboa, graças ao turismo, está a ser tão mal empregue e que os principais beneficiados são os visitantes, e não os habitantes, em áreas como ensino, apoio social, recuperação urbana não especulativa, captação de novos residentes, transportes e até saúde. Por isso é que acho que Medina é um engano político - faz cenários e vende ilusões, desbarata receitas em ornamentos em vez de fazer investimentos reprodutivos que melhorem a qualidade de vida dos lisboetas e possam atrair de novo pessoas, sobretudo jovens, para a cidade.

 

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