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SALOÍSMO -  Fernando Medina tinha 11 anos quando Madonna lançou “Like A Virgin” em 1984. Aos 44, presidente não eleito da Câmara Municipal de Lisboa, Medina, nado e criado no Porto, foi, sabe-se lá porquê, ao Hotel Ritz saudar a presença da cantora em Lisboa e deu pública nota disso. Nestes anos que leva de vida ninguém lhe terá explicado que o ridículo mata e que com a sua idade actual Medina já não se pode confessar virgem em questões de inocência. Definitivamente Maio de 2017 foi o mês em que o absurdo entrou a todo o vapôr na política portuguesa - no Parlamento saudou-se efusivamente a vitória no Festival da Eurovisão, nos Paços do Concelho celebrou-se a presença da quase reformada cantora - se o Mayor de Los Angeles se sentisse tão ocupado com vedetas na sua cidade não teria descanso, mas aqui tudo é pretexto para cinco minutos de fama, sobretudo quando se está em ano eleitoral. A saloíce é uma coisa tramada e há quem a tenha no sangue e mesmo quando parece escondida salta de repente à vista de todos. Maio foi mês de festa: Papa em Fátima, Benfica no tetra, Madonna em Lisboa, onde aliás já tinha estado mais que uma vez sem tanto alarde político - até este aproveitamento é um sinal dos tempos. O país navega ao sabor dos milhões do Turismo, da saída do défice excessivo e do aumento do consumo. A pensar nisto tudo a música que me veio ao espírito não é de nenhum dos homenageados, nem foi ouvida nestes dias, é de José Afonso e muito adequada aos dias que correm :

A formiga no carreiro

Vinha em sentido contrário

Caiu ao Tejo

Ao pé dum septuagenário

Larpou trepou às tábuas

Que flutuavam nas àguas

E de cima duma delas

Virou-se prò formigueiro

Mudem de rumo

Já lá vem outro carreiro

 

SEMANADA - Portugal saíu do Procedimento de défice excessivo e o facto motivou menos burburinho no Parlamento que a vitória na Eurovisão; o maior montante de fundos da UE recebidos em Portugal foi atribuído à empresa Parque Escolar; o Governo recebeu 30 pedidos para exploração de lítio em Portugal; de janeiro a março a Câmara Municipal de Lisboa arrecadou 1,1 milhões de euros por mês graças à taxa turística; estima-se que em Portugal entrem por ano, sem serem declarados, 125 milhões de euros em dinheiro; uma auditoria do Tribunal de Contas fez fortes críticas à aplicação de multas pelo Fisco aos contribuintes; nos últimos quinze anos fecharam quase cinco mil escolas primárias; em 2016 a EMEL faturou 31 milhões de euros em estacionamento e multas; até Março Portugal captou 1,9 mil milhões de euros de investimento através da atribuição de vistos gold a chineses; foi esta semana divulgado que a falha no sistema de abastecimento de combustível ocorrida em 10 de maio no aeroporto de Lisboa afetou 41.681 pessoas, levou ao cancelamento de 97 voos, 202 descolaram com atraso e 12 tiveram de divergir para outros locais; Manuel Salgado confessou na Assembleia Municipal de Lisboa desconhecer a existência de buracos no centro da cidade e agradeceu terem-lhe chamado a atenção sobre eles.

 

ARCO DA VELHA - Soube-se esta semana que o autódromo do Estoril está ilegal há 45 anos e que nunca teve  licenças, nem de construção nem de edificação. Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais declarou que ignorava a situação.

 

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FOLHEAR - Romeu e Julieta, de William Shakespeare, já teve várias versões no cinema - desde as mais clássicas às que adaptam a história aos tempos contemporâneos. Mas as edições em livro são sempre muito respeitosas e geralmente não se desviam do original - ou, pelo menos, até aqui eram. Na sua colecção “Os Livros Estão Loucos”, a editora Guerra & Paz propõe uma versão de Romeu e Julieta “contado tipo aos jovens”. Esta colecção destaca-se pela adaptação livre das obras que publica, pelas ilustrações e o grafismo e, sobretudo, pela subversão do texto. A coisa começa logo nos nomes dos capítulos. Por exemplo: “Aproxima-se dela como uma traça da luz, agarra-lhe a mão, olha-a no mais fundo dos olhos e atira-lhe um dos melhores piropos de sempre”; ou, ainda: “da passarada habitual, que tudo vê e tudo conta, nem um pio. Como se o temor de que algo possa correr mal lhes tivesse prendido as goelas douradas”. O enredo clássico vai sendo adaptado aos tempos actuais pela conversa entre duas amigas, Vera e Beatriz, que descodificam a intricada teia de amores e ódios entre as famílias de Romeu Montéquio e Julieta Capuleto - ou, como nasce um amor proibido numa noite de verão. “Consegues imaginar os Capuleto e os Montéquio numa festa com karaoke e zumba?” - pergunta Vera à amiga. E é assim que a coisa se vai desenrolando. Uma ideia louca e bem conseguida para tornar grandes textos clássicos mais apetecíveis aos mais novos.

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VER - Em Lisboa, este ano, a ARCO perdeu 23% dos visitantes, quando comparada com a edição do ano passado. As críticas à organização - quanto ao processo de selecção - foram várias e mais audíveis. Aqui há uns anos Berlim tentou estabelecer uma feira de arte com tudo germanicamente organizado, stands para as galerias, um grande espaço, tudo perfeito. O Art Forum Berlim não resultou, o público não pegou, caíu de ano para ano. A cidade percebeu que em vez de subsidiar uma organização, melhor faria em procurar apoiar o trabalho das galerias de arte contemporânea locais. Em 2004 nasceu o Berlin Gallery Weekend: um circuito de galerias que decorre num fim de semana e para o qual são convidados coleccionadores internacionais, privados e institucionais,  além de artistas, críticos e jornalistas. Passada mais de uma década é um sucesso. Mais galerias, maior espaço a novos artistas, mais oportunidades. E mais negócio, ao fim do dia. Cada cidade é um caso, mas vale a pena pensar nisto. Sugestões da semana: na Sociedade Nacional de Belas Artes Maria José Oliveira expõe 40 anos de trabalho naquela que já foi considerada como a melhor exposição neste momento disponível em Lisboa; na Culturgest está “O Fotógrafo Acidental”, que reúne trabalhos de artistas visuais que entre 1968 e 1980 utilizaram a fotografia ocasionalmente como meio de expressão, como Alberto Carneiro, Ângelo de Sousa, Ernesto de Sousa, Fernando Calhau, Helena Almeida, Jorge Molder, José Barrias, Julião Sarmento e Vítor Pomar.; em Setúbal abriu a Festa da Ilustração - António Jorge Gonçalves é o autor contemporâneo em destaque, autor do símbolo da festa, aqui reproduzido, e  Manuel Ribeiro de Pavia o ilustrador consagrado, evocado numa exposição.

 

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OUVIR -   João Morais nasceu para a música no meio da explosão musical dos anos 80 que deu protagonismo aos músicos portugueses. Apaixonou-se pela guitarra, é um autodidacta aventureiro e cresceu na mesma geração de Tó Trips e Luis Varatojo. Pisaram, na época, os mesmos palcos, cruzaram-se em concertos e nos festivais de então. Da guitarra eléctrica João Morais passou para a viola campaniça e assina agora os seus discos com o nome “O Gajo”. “Longe do Chão”, edição Rastilho, disponível em CD e também no Spotify, tem onze temas instrumentais. A sonoridade da campaniça, também conhecida por viola alentejana, é unica.  Tem dez cordas, metálicas,  e era o instrumento musical usado para acompanhar os célebres cantares à desgarrada, ou ”cantes a despique”, nas festas e feiras do Alentejo. É a maior das violas portuguesas e é tocada tradicionalmente de dedilhado, apenas com o polegar. Não por acaso um dos temas em destaque no álbum é “Há Uma Festa Aqui ao Lado”. No entanto este “Longe do Chão” não é um disco preso ao passado - é uma versão urbana de um instrumento rural, na produção, no tratamento do som, na utilização num dos temas da voz e de alguns efeitos instrumentais e sonoros noutros. Mas fundamentalmente é uma demonstração do talento de João Morais e um pretexto para descobrir mais um pedaço das nossas tradições musicais, terminado o ciclo festivaleiro.

 

PROVAR -  As velhas casas de chás e cafés fascinam-me sempre. Já não há muitas, mas as que sobreviveram são as melhores. Bem perto do Saldanha, na Duque de Ávila, praticamente na esquina com a Avenida da República, fica a “Pérola do Chaimite” - cafés puros torrados, robustas e arábicas - moídos na hora com o grau de moagem como quisermos. O atendimento é sempre simpático, os conselhos são dados com experiência e saber. Para além dos vários cafés disponíveis, nas numerosas combinações que se podem fazer, há também chás avulso. Além dos chás e cafés há biscoitos, compotas e geleias, e acessórios para guardar e fazer café, bules de chá, enfim toda a parafernália necessária para fazer um bom café de saco ou um chá de folhas soltas. De entre a numerosa escolha de compotas de pequenos produtores destacam-se os “Sabores da Gardunha”, onde se podem encontrar preciosidades como um doce de gengibre absolutamente surpreendente  bom sozinho, excelente como acompanhamento para barrar sanduíches de fino presunto ou, melhor ainda, queijo bem curado. Entrar dentro de uma casa destas é um prazer, para os olhos e os sentidos, proporcionando aquilo que nenhum café ou chá embalado podem fazer: o ritual dos aromas, o adivinhar dos sabores. Pérola do Chaimite Av Duque de Ávila 38 (dos queijos, pão e presunto pode tratar na charcutaria Dava, mesmo ao lado, apesar do ar mal encarado com que é recebido se não fôr cliente habitual).

 

DIXIT -  “Um dos males da maldade - como morrer para matar o maior número possível de pessoas - é habituar-nos ao mal” - Miguel Esteves Cardoso

 

GOSTO - Da criação, em Guimarães de um centro de investigação dedicado à medicina regenerativa e de precisão

 

NÃO GOSTO - Da situação criada ao site Ciberdúvidas, uma plataforma digital dedicada à língua portuguesa, que está em riscos de encerrar devido à falta de financiamento.

 

BACK TO BASICS -  “A 3ª Guerra Mundial será uma guerra de guerrilha da Informação sem divisões entre militares e participação dos civis”  - Marshal McLuhan, nos anos 60 do século XX.

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publicado às 14:00

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DIVERGÊNCIAS - Esta semana dei comigo a pensar que vivemos a duas velocidades: o país tem uma política, Lisboa tem outra. No país a geringonça esforça-se por promover a inclusão e regista melhores resultados que os esperados; em Lisboa o PS promove a exclusão, incentiva a gentrificação da cidade, afasta os habitantes para a periferia. António Costa e Fernando Medina parecem o polícia bom e o polícia mau das velhas histórias. Lisboa vive debaixo de uma chuva de milhões de receitas trazidas pelo turismo e pela aplicação de novas taxas e comporta-se como um novo rico esbanjador. A desproporção entre os investimentos sociais e os gastos em decoração e festarolas é enorme. A EGEAC, a empresa municipal que gere a área da Cultura, é um particular exemplo de delírio, aplicando a régua e esquadro o princípio medinista de que tudo deve acontecer ao mesmo tempo, não olhando a custos nem a propósitos.  No meio de tudo isto espanto-me, é claro, com o silêncio cúmplice dos Cidadãos por Lisboa, a muleta eleitoral que Costa usou nas anteriores autárquicas e que de insubmissos passaram a cordeirinhos sossegados nos corredores do poder. O que vale a Medina é o despautério em que a oposição se encontra, e os comportamentos de outros candidatos, oscilando entre as gaffes e a ausência. Medina, o senhor milhões, tem no entanto uma incógnita: nunca antes foi ele próprio directamente a votos. E continua sem formalizar a sua candidatura, obviamente para ir fazendo campanha, gastando os milhões que não são seus e fingindo que está apenas a cumprir funções.

 

SEMANADA - A inspecção geral das Finanças demorou um ano a fazer sínteses de uma página de dez auditorias prontas em 2015; segundo dados do Eurostat, ajustado ao poder de compra, Portugal lidera a lista dos países da União Europeia com preços mais caros tanto na eletricidade como no gás; os indicadores de crescimento económico são positivos e prevê-se um crescimento de 2% no PIB; dados do Banco de Portugal indicam que os portugueses estão a faltar mais ao pagamento do crédito ao consumo, sobretudo nos cartões de crédito, e que duplicaram as irregularidades nos bancos; Marcelo Rebelo de Sousa alertou contra o deslumbramento dos números  e sublinhou que após a viragem económica é altura de atacar os problemas estruturais; em Portugal registam-se doze mil novos casos de cancro da pele por ano; segundo o Ministério Público os instrutores dos comandos sabiam que estavam a pôr vidas em risco na prova de instrução que causou duas mortes em Setembro de 2015; a revisão da Lei Eleitoral prevê o fim do número de eleitor e a sua substituição pelo cartão de cidadão com recenseamento automático; a detida mais velha do país, tem 89 anos, é brasileira e está em prisão preventiva por suspeita de ter vendido por 300 mil euros um prédio em Lisboa que não era seu; nos primeiro três dias após a vitória na Eurovisão Salvador Sobral foi citado em 1.641 notícias em todo o mundo e foi na Alemanha que teve direito a mais referências nas notícias; na semana passada a RTP1 ficou em segundo lugar das audiências, o que já não acontecia há muito tempo.

 

ARCO DA VELHA - A Guarda Nacional Republicana apreendeu 708 mil euros em dinheiro, 36 quilos de droga e dezenas de armas nos quatro dias em que as fronteiras foram controladas pelas autoridades, no âmbito da visita do papa Francisco a Portugal.

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FOLHEAR - A revista “Holiday” foi das primeiras grandes publicações dedicadas a viagens e na sua época áurea, os anos 50 e 60 do século passado, contou com grandes nomes entre os seus colaboradores, como Truman Capote, Jack Kerouac e Graham Greene. Em final de 1977 a “Holiday” fechou e 37 anos depois regressou num formato bi-anual, com um enfoque grande em moda usando apenas as viagens e os locais como pretexto. Franck Durand, um Director de Arte francês, é o impulsionador desta nova série, que é publicada duas vezes por ano em Paris, em língua inglesa. A edição da Primavera-Verão 2017, tem por tema a California- a terra onde está Silicon Valley, Hollywood e, claro, Los Angeles. Esta é a verdadeira “promised land” do imaginário americano, o espaço onde tudo é possível, dessde a corrida ao ouro de meados do século XIX ao despontar da contra-cultura em meados dos anos 60 e o explodir da tecnolgia no final do século passado e no início deste. É a região onde criatividade e liberdade andam de mãos dadas e dão bom dinheiro a ganhar - um combinação improvável mas, neste caso, verdadeira. O que esta edição da “Holiday” propõe é uma viagem pelo wild west, que foi primeiro um território espanhol, depois parte do México e finalmente um estado da União - Zorro, no fundo, era apenas um independentista. As fotografias de Bruce Weber mostram este Oeste sob o pretexto da moda local, o portfolio sobre a Getty Villa exibe o esplendor dos anos 50, a história de David Hockney em Los Angeles e Hollywood nos anos 60 conta a aventura de um tempo. E há ainda as fotografias de rua de Bruce Davidson, a história de como F. Scott Fitzgerald entrou no mundo do cinema e, por fim, um roteiro da viagem por estrada de São Francisco a Los Angeles. São 280 esplêndidas páginas.

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VER - Esta é a semana da ARCO, a feira de arte que Madrid exportou para Lisboa, e que vai na sua segunda edição, entre polémicas na selecção dos galeristas e um grande impacto público. Ao mesmo tempo da Feira decorrem uma série de actividades em paralelo, como a inauguração de novos espaços (a Galeria Francisco Fino no Beato ou a madrilena MaisTerraValbuena, em Alvalade - os dois dinâmicos pólos de arte da cidade). A ARCO decorre na Cordoaria, tem 58 galerias, 23 delas portuguesas. No ano passado a ARCO Lisboa foi visitada por 13 mil pessoas, este ano espera-se que o record seja batido até domingo às 18h00, quando encerrará a edição deste ano. Logo à entrada José Pedro Croft, o artista escolhido para representar Portugal este ano na Bienal de Veneza, apresenta três peças inéditas no stand da Galeria Vera Cortês e Paulo Nozolino, representado pela Quadrado Azul, será o único português na Photo España. Do numeroso programa de actividades paralelas à ARCO destacam-se as novas exposições no MAAT, uma nova exposição nas Carpintarias de São Lázaro onde a galeria Belo-Galsterer apresenta “Shadows” de Alfredo Jaar e, na sexta feira, a inauguração de “Uma Pintura e Uma Floresta”, de Pedro Cabrita Reis, no Pavilhão 31 do Hospital Júlio de Matos e que lá ficará até 30 de Junho, pela mão da Galeria João Esteves de Oliveira.

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OUVIR -  Meio mundo descobriu Salvador Sobral no sábado passado graças à vitória no Festival da Eurovisão. Conhecido sobretudo por ter participado em alguns programas de televisão antes do Festival, uma faceta menos conhecida da sua actividade musical é o disco que lançou no final do ano passado, “Excuse Me”. Trata-se de um surpreendente CD com 12 temas, sete dos quais originais do próprio Salvador Sobral e do venezuelano Leo Aldret. O álbum inclui versões de temas clássicos como “Nem Eu” (de Dorival Caymmi), de “Autumn In New York” (de Vernon Duke), “After You’re Gone” (de Henry Creamer e Turner Layton), “Ay Amor” (do cubano Bola de Nieve, aliás Ignacio Villa Fernandez) e, finalmente um tema da irmã, Luisa Sobral “I Might Just Stay Away”.  Foi em Barcelona, quando estudou na escola Taller de Músics, que colaborou com a banda Noko Woi, formada por venezuelanos radicados em Barcelona e foi assim que conheceu Leonardo Aldrey, o venezuelano que co-produziu “Excuse Me”, com o pianista Julio Resende e o próprio Salvador Sobral. Sobre a forma como o cantor se revelou neste disco Miguel Esteves Cardoso escreveu: "A voz dele é límpida e aérea. Tem uma musicalidade irrequieta que se atreve a cantar por cima do canto. Canta como se toda a música dependesse dele. Cada canção é um tudo ou nada.". Aqui está uma boa altura para descobrir “Excuse Me” - CD edição Valentim de Carvalho.

 

PROVAR - Manter a qualidade daquilo que uma casa oferece aos seus clientes é mais que meio caminho andado para defender a reputação e fidelizar a clientela. Nos restaurantes a reputação é muitas vezes um bem que se degrada mas não é o caso nos grandes clássicos, como a Versailles, Ao longo dos anos esta pastelaria, casa de chá e restaurante conquistou clientes. A casa vai-se enchendo em levas sucessivas, desde as sete e meia da manhã até à meia-noite. Há bolos que são uma ameaça ao bom senso - como os caracóis, talvez os melhores de Lisboa. Junto ao Metro do Saldanha, a Versailles é ponto de encontro e é cenário de muitas reuniões e conspirações. A hora do almoço é particularmente concorrida - esplanada cheia, mesas cheias na entrada e na mezzanine, o longo balcão repleto. O balcão tem uma hierarquia - bolos e doces ao pé da porta, salgados lá para o fundo. Ao almoço mais de uma dezena de empregados afadigam-se só ao balcão e os clássicos da casa estão sempre a sair: os pastéis de bacalhau com feijão frade, os rissóis de camarão com salada russa e os famosos croquetes da casa com salada mista - também podem vir com batata frita e esparregado. Na realidade os salgados da Versailles proporcionam um infindável número de composições com as diversas saladas e acompanhamentos à escolha. Todos são fresquíssimos e bons - claro que os croquetes são especiais. Além disso a Versailles oferece outra coisa, além da comida: o espectáculo, que começa na decoração clássica, que tem sido bem preservada, e que passa sobretudo pelas pessoas e pela azáfama de quem lá trabalha. A Versailles não é apenas uma pastelaria ou um restaurante, é um mundo. Avenida da República 15A, telefone 213 546 340.

 

DIXIT - "É uma obra arriscada, por baixo de edifícios antigos e muito frágeis, isto vai provocar problemas complicadíssimos” - Pompeu Santos, engenheiro civil especialista em infraestruturas, sobre a decisão de construir as estações de metropolitano da Estrela e Santos.

 

GOSTO - Da instalação que Ana Pérez-Quiroga expõe no MAAT, uma casa de uma única divisão, em que todo o mobiliário e objectos foram desenhados pela artista. A casa, no interior do edifício da Central Tejo, pode ser alugada (duas noites, 50 euros).

 

NÃO GOSTO - Portugal está entre os cinco países com mais adolescentes obesos.

 

BACK TO BASICS - “Cada um de nós devia, todos os dias, ouvir uma pequena canção, ler um bom poema, ver uma obra de arte e, se possível, dizer algumas palavras com sentido” - Goethe



 



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INTRANSITÁVEL - Não sei se já repararam mas depois das obras recentes os grandes cruzamentos da Avenida da República, em Lisboa, já só funcionam com a presença da polícia municipal. O caos instalado é tal que os semáforos deixaram de ser suficientes, por todo o lado voltaram os polícias sinaleiros. As obras realizadas dificultam o escoar do trânsito, o que leva a entupimentos constantes. Anomalias e erros nas temporizações dos semáforos e obras mal planeadas, feitas a regra e esquadro nos gabinetes sem ninguém se ter dignado ir aos locais, tornaram a vida em Lisboa  um inferno para os residentes - que, bem sei, são a última das prioridades para quem manda na Câmara Municipal de Lisboa. A Polícia Municipal. que teve um aumento de orçamento na casa dos 600 por cento entre o ano passado e 2017, serve agora basicamente para regular os problemas de trânsito entretanto criados e para ajudar a EMEL e aplicar multas por falta de pagamento no parquímetro. Mas essa mesma polícia municipal foge como o diabo da cruz  de evitar os estacionamentos em segunda fila, a tal prioridade que havia de ser resolvida no tempo de escassas semanas, promessa de António Costa ao ser eleito autarca lisboeta há meia dúzia de anos. Um bom exemplo dos males que se passam foi esta semana relatado num jornal a propósito  das obras no bairro do Arco do Cego, que têm tido modificações constantes e que levam a que existam sinais de trânsito contraditórios e que a circulação local seja labiríntica - “É consequência das obras no Eixo Central - estão a resolver os problemas que criaram e a criar alternativas de fuga” - diz Fernando Nunes da Silva, ex-vereador da Mobilidade de António Costa. Como se percebe, está o baile armado.

 

SEMANADA - Na actual época desportiva a GNR registou 270 incidentes com árbitros; o crédito à habitação disparou 48% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado; no primeiro trimestre deste ano o crédito às empresas atingiu o valor mais baixo desde 2003; 84% das insolvências são de microempresas com vendas inferiores a 250 mil euros; nos tribunais portugueses, em 2016, foram pedidos serviços de intérpretes e tradutores para mais de 16 mil processos, gerando um custo de 2,4 milhões de euros; o Parlamento aprovou a realização de um levantamento que permita perceber quantas pessoas vivem em barracas, informação que o Estado diz desconhecer; o túnel do Marão já rendeu 7,5 milhões de euros em portagens; os portugueses compram 19 milhões de euros por dia de combustíveis para veículos automóveis; o Tribunal de Contas fez uma auditoria à contratação pública por ajuste direto feita pela Águas de Portugal e concluiu que "85% dos processos examinados apresentam irregularidades e insuficiências"; os EUA tornaram-se em 2016 o terceiro destino do vinho de mesa português, tomando o lugar ocupado por Angola, depois de crescimento de 8% nas exportações para este mercado.

 

ARCO DA VELHA - Ninguém pode acusar Fernando Medina de estar em campanha eleitoral - previdente, ainda não se revelou candidato a Lisboa. Entretanto vai fazendo promessas sobre o Metro, a Carris e o que vier à mão. Um presidente não eleito e um candidato clandestino. É o que temos.

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FOLHEAR - “Este livro ensina o meu caro leitor a escrever melhores notas de resgate. Também ensina a escrever melhores cartas de amor, histórias, artigos de revista, cartas ao editor, propostas de negócio, sermões, poemas, romances, pedidos de liberdade condicional, boletins da paróquia, canções, memorandos, ensaios, trabalhos escolares, teses, grafitis, ameaças de morte, anúncios  e listas de compras” - é assim que Gary Provost começa “Cem Maneiras de Melhorar A Escrita”. Provost (1944-1995) foi um escritor e jornalista freelancer norte-americano e depois de ter escrito dez romances lançou o seu primeiro livro sobre escrita, em 1980, intitulado “Make Every Word Count”. A partir daí continuou a sua carreira de escritor e jornalista freelancer e começou a dar conferências e a organizar cursos partilhando o seu saber e técnica. “Cem Maneiras de Melhorar A Escrita” foi lançado em 1985 e reflecte a experiência adquirida, sendo agora publicado em Portugal pela primeira vez, na editora Guerra & Paz. Ao longo da obra Provost fala como sobre formas de melhorar a escrita, como ultrapassar o bloqueio criativo, como escrever um início forte, como melhorar o estilo e dar força às palavras, evitando erros gramaticais e levando o leitor a gostar do que está a ler, além de conselhos úteis sobre a revisão dos textos e sobre como poupar tempo e energia. Um utilíssimo manual para quem gosta de escrever.

 

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OUVIR - “Upward Spiral” tem um ano mas só agora o descobri no Spotify, e desde que o encontrei faz parte da minha playlist com repetição constante ao longo do dia. Branford Marsalis é um dos melhores saxofonistas da sua geração, senhor de uma irrepreensível técnica e com uma grande experiência a trabalhar com vocalistas - até de diversas origens musicais, como fez com Sting nos anos 90. Por sua vez Kurt Elling é um dos mais brilhantes cantores de jazz contemporâneos, um dos mais inventivos e expressivos, longe do ambiente delico-doce e xaroposo que infelizmente povoa a maior parte do jazz vocal que aparece hoje em dia. Elling é de outra escola e se Branford mostra que sabe tocar para um vocalista, Elling mostra que sabe cantar para um grande músico de jazz. É por isso que este encontro entre estes dois talentos é tão formidável - desde as versões de clássicos como  “There’s a Boat Dat’s Leavin´Soon For New York” (uma das canções de Porgy & Bess), ou “Blue Gardenia” (um tema popularizado por Nat King Cole)  até “Doxy” (de Sonny Rollins) ou “Practical Arrangement”, (de Sting), temas onde é  justo destacar também o papel do pianista Joey Calderazzo, a pontuar  eficazmente a vocalização. Mas o momento que melhor mostra como Marsalis e Elling se entenderam, e porventura a mais arrebatadora faixa do disco, é  “I’m A Fool To Want You” (de Frank Siantra e Jack Wolf).  E surpreendente, também, é a versão de “Só Tinha Que Ser Com Você”, o tema de António Carlos Jobim popularizado por Elis Regina e aqui bem evocado. CD “Upward Spiral”, Branford Marsalis Quartet e Kurt Elling, no Spotify.

 

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VER - Em Coimbra, o Centro de Artes Visuais (CAV), revela pela primeira vez o núcleo fotográfico da Colecção Norlinda e José Lima. Sob o título “Un Certain Regard”, esta mostra tem curadoria de Albano da Silva Pereira e apresenta obras de 32 artistas, entre os quais Andy Warhol, Cindy Sherman (na imagem está um dos seus auto-retratos, mostrado na exposição), Edgar Martins, João Tabarra , Joseph Beuys, Nan Goldin, Nobuyoshi Araki, Noé Sendas Paulo Nozolino, Rita Barros, Rui Toscano, Sophie Calle, Thomas Struth e Vik Muniz. José Lima é um industrial de calçado de São João da Madeira que desde meados da década de 80 do século passado tem vindo a constituir  uma colecção de mais de 1000 obras de artistas de referência da arte contemporânea, de diversas nacionalidades e em diversos suportes. É hoje em dia um dos maiores coleccionadores portugueses e há uns anos colocou em depósito as obras da Colecção Norlinda e José Lima na Oliva Creative Factory, um espaço do Município de São João da Madeira onde está permanentemente exposta.

Outras sugestões: Na Pequena Galeria António Pedro Ferreira mostra as suas imagens sobre Fátima realizadas entre 1979 e 2016; no Museu da Etnologia, até 21 de Maio, estão expostas as  imagens do World Press Photo que este ano passou para este belo edifício pouco conhecido na Avenida Ilha da Madeira, no Restelo.

 

PROVAR -   Não sou muito doceiro e em matéria de guloseimas prefiro os biscoitos e bolos secos. Num recente fim de semana beirão, em casa de bons amigos, tive ocasião de experimentar os borrachões, frescos, acabados de fazer, oriundos de uma pastelaria de Alcains. Trata-se um um tradicional e popular bolo seco, de receita muito antiga, que substitui os ovos por azeite, vinho e aguardente e que por isso levou o nome de Borrachão. Já que falo de Alcains não quero deixar em claro a queijaria da Casa Agrícola Cabeço Carvão, que fica na estrada nacional 18, à saída da vila. Provei, com satisfação, o queijo de ovelha amanteigado, o queijo de cura prolongada, bem duro, a que dão o nome de “corno” e o queijo de ovelha à cabreira que para mim é o melhor de todos. Quem visitar a quinta onde está a queijaria pode ver ainda ver utensílios agrícolas antigos e fotografias com história. Entre os borrachões e o queijo terminou-se uma das boas refeições de um belo fim de semana beirão.

 

DIXIT -  “O partido socialista está morto, está atrás de nós” - Manuel Valls, ex-primeiro ministro do governo francês, nomeado pelos socialistas, ao aceitar ser candidato às legislativas nas listas do movimento de Macron.

 

GOSTO - Parabéns aos programadores portugueses - a Mercedes Benz criou um centro digital em Portugal, o One Web, para desenvolver soluções tecnológicas avançadas.

 

NÃO GOSTO - Metade dos alunos carenciados tem negativa a matemática e o inglês é a segunda disciplina com mais reprovações

 

BACK TO BASICS -  "Um país sem memória, ou que não cultiva a recordação das coisas, está irremediavelmente condenado" - Armando Baptista-Bastos

 




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REALIDADES - Já sabemos que nas próximas autárquicas vamos ter mais candidaturas independentes. Já percebemos que alguns ex-autarcas saíram dos partidos pelos quais foram eleitos e decidiram correr à margem dos aparelhos partidários que lhes deram a primeira encarnação. Em cada cidade, em cada vila, em cada freguesia há uma situação diferente. Apesar desta evidência, no fim, vai haver a tentação de ver quantos votos teve cada partido, perdendo-se assim o foco no local e ensaiando extrapolações para a política nacional. E, no entanto, estas eleições são aquelas em que os candidatos estão mais perto dos eleitores e onde a aferição das promessas eleitorais feitas, a nível local, é teoricamente mais fácil de realizar. Mas é preocupante o generalizado vazio de ideias e de debate, substituído por slogans e programas que mais parecem feitos para o país em nome de princípios genéricos do que para uma situação concreta. O que se tem passado nas autárquicas tem ainda muito a ver com o comportamento clubístico na política e não com escolhas de ideias concretas. Na realidade este é um dos nossos grandes males - pensamos pouco, improvisamos muito, vivemos em ciclos de promessas que se repetem, as mais das vezes sem serem cumpridas. O sistema partidário vigente continua a favorecer que apenas se discutam situações, propostas e soluções de quatro em quatro anos, de acordo com o calendário eleitoral. Na sociedade civil não há o hábito de analisar a realidade, de confrontar políticas, de fazer estudos e elaborar propostas, de avaliar resultados, de forma permanente e continuada. A política local tornou-se o campo dos cenários efémeros, dos alindamentos de fachada e da desmedida cobrança de taxas. Lisboa é um bom exemplo disso mesmo.

 

SEMANADA - A polícia registou 38 ataques de carteiristas por dia; o número de presos com 60 ou mais anos duplicou nos últimos sete anos;  a idade média dos agentes da Polícia Judiciária aumentou para os 48 anos; o Serviço Nacional de Saúde fechou o primeiro trimestre do ano com saldo negativo de cem milhões de euros; um estudo comparativo dos orçamentos dos países do euro indica que os contribuintes portugueses são os mais penalizados pelo custo da dívida; segundo o Banco de Portugal a dívida pública aumentou em março para 243,5 mil milhões de euros, mais 23 milhões face a fevereiro; o Banco Central Europeu voltou a travar as compras de dívida portuguesa em Abril; as vendas dos produtos de marca branca subiram pela primeira vez desde 2012; os portugueses gastam mais de 100 milhões de euros por ano em material de running - roupas, sapatos, gadgets, etc; por cada seis ataques de cães perigosos só foi passada uma multa; a partir de agora, numa separação litigiosa em que o casal tenha animais de estimação, caberá ao juiz decidir com quem fica o bicho; na actual legislatura os deputados já receberam 198 mil euros para reunir com cidadãos nos seus círculos eleitorais mas não são pedidas provas desses encontros por parte dos serviços da Assembleia da República;  duas em cada cinco empresas de construção são ilegais.

 

ARCO DA VELHA - Numa factura de 93 euros da EPAL, 41.30 destinam-se a água efectivamente consumida e 48.61 a diversas taxas da Câmara Municipal de Lisboa - o restante vai para o IVA e outras alcavalas.

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VER - Nos últimos dias vi duas criações, bem diversas entre si, mas que tiveram o condão de me chamar a atenção para a importância de sair da rotina, pular para fora da caixa, puxar pela imaginação, estimular a imaginação de outros. A primeira foi o filme “Fátima”, onde João Canijo demonstra que é o melhor realizador português contemporâneo: o mais criativo, o que melhor mostra uma compreensão técnica do cinema em todos os seus aspectos, o que melhor dirige actores, o mais experimental, o mais inovador, o mais sólido e consistente e que ao mesmo tempo mais arrisca na forma como aborda os temas, prepara os filmes e mostra ser o que mais está aberto à mudança e experimentação. “Fátima” é isto tudo - não se trata de uma evocação de uma peregrinação, esse é apenas o pretexto para a construção de uma teia dramática onde personagens ganham vida própria, entram em conflito umas com as outras e por fim se reencontram. A forma como a procissão das velas é filmada (e como surge no filme) é um exemplo de como mostrar a força da multidão usando a maior sensibilidade.

O outro momento a que me refiro, e que aqui aparece ilustrado, é uma ideia magnífica de Pedro Cabrita Reis para trazer as artes plásticas para a rua - mais propriamente para as montras de um estabelecimento comercial, neste caso um bar histórico do Cais do Sodré. @britishbar#1 é o título da iniciativa que assinala o início de uma série de exposições que até ao fim do ano passarão por aquelas montras. Nesta primeira mostra estão obras de Eduardo Souto Moura, de Rui Sanches e de Ângela Ferreira, todas feitas expressamente para o local onde estão instaladas - cada uma das três montras da fachada do British Bar. Não há melhor pretexto para ir tomar um aperitivo - uma cerveja Guinness ou um Gin por exemplo -  duas especialidades desta casa que merece ser mais conhecida e vivida. E nada melhor que a arte para trazer vida a um local.

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FOLHEAR - Antes de as revistas terem voltado à moda e de serem objectos de colecção já a portuguesa “Egoísta” se deixava folhear com gosto. A “Egoísta” tem 17 anos de idade e 77 prémios no currículo. Sai trimestralmente, bem impressa em excelente papel, é propriedade da empresa Estoril-Sol e o seu director e entusiasta é Mário Assis Ferreira que desde a primeira hora confiou a edição a Patrícia Reis. O projecto gráfico inicial foi de Henrique Cayatte e agora é desenhada por Joana Miguéis, do atelier 004. Cada número é dedicado a um tema e ao longo da meia centena de edições publicadas imagina-se que já por ali se falou de tudo. Faltava a política e é esse o tema da “Egoísta” agora nas bancas. No editorial deste número Mário Assis Ferreira escreve: “No nebuloso universo do partidarismo político, Esquerda e Direita já perderam sentido: as ideologias subvertem-se às manipulações tácticas dos partidos e é na comunhão de ódios que se cimentam alianças espúrias”. Ou, como também Mário Assis Ferreira gosta de dizer, citando Clarice Lispector: “Liberdade é pouco: o que desejo ainda não tem nome!”. Esta  “Egoísta” da política inclui, entre outros, textos de Michelle Obama, Paulo Portas e Daniel Oliveira, uma entrevista com António Costa, portfolios fotográficos sobre Cuba, imigrantes,  Marcelo Rebelo de Sousa e “Ghosts” da África do Sul (o melhor de todos), a reprodução de posters incontornáveis da história da propaganda política e um poema de Manuel António Pina para contrabalançar.

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OUVIR -  Damon Albarn tornou-se famoso do lado de Graham Coxon - ambos fizeram carreira e fortuna nos Blur ao longo da maior parte da década de 90. Depois disso Albarn inventou, perto da viragem do século passado, uma banda virtual, os Gorillaz, cujo primeiro disco saíu em 2001. Visualmente eram personagens de banda desenhada criada por Jamie Hewlett, o criador de “Tank Girl”. Os Gorillaz davam entrevistas virtuais, criaram um biografia ficcionada, o seu álbum de estreia parecia a banda sonora de uma festa de adolescentes e vendeu sete milhões de exemplares. Nos seus quatro primeiros CD’s, entre 2001 e 2010, venderam ao todo 15 milhões de CD’s, até chegarem a este novo “Humanz”, que parece uma espécie de banda sonora para uma noite de reflexão descontraída em torno da presente situação mundial - por aqui passam temas políticos, sociais, ambientais, de comunicação, canções onde se aborda desde a situação da internet até distúrbios mentais. Em “Humanz” Damon Albarn arregimentou um conjunto de convidados como Danny Brown, Pusha T, Jehnny Beth, Danny Brown, Benjamin Clementine, D.R.A.M., Del La Soul, Peven Everett, Anthony Hamilton, Grace Jones, Zebra Katz, Kelela, Popcaan, Jamie Principle, Mavis Staples, Carly Simon, Vince Staples ou Kali Uchis, entre outros. São 20 faixas que mais parecem uma playlist de uma emissão de rádio em streaming do que um álbum - no fundo a prova de como, há quase 20 anos, Albarn percebeu que, com a internet, o consumo da música ía mudar.  Disco Warner Brothers, disponível no Spotify.

 

PROVAR - Estas linhas vão para a série “petiscos que eu faço para mim mesmo”. Já aqui falei da dificuldade atávica da maioria dos cafés portugueses em fazerem sanduíches competentes que superem o trauma da carcaça de borracha com transparências de fiambre e queijo plastificado. Alimento a esperança de que um dia hei-de conseguir que me façam uma sanduíche de queijo da ilha, em bolo lêvedo tostado, lascas finas sobrepostas, temperadas com uma compota contrastante, de preferência dos Açores. Quando me dedico ao assunto em casa uso queijo da Ilha de S. Miguel, de cura prolongada, casca preta. É levemente mais intenso que o de S.Jorge, embora ambos sejam queijos magníficos, entre os melhores de Portugal. Corto-o em lascas e no pão faço-o conviver com uma compota açoreana,  de preferência a de figo embora a de capucho também seja interessante. Pode encontrar tudo isto em www.merceariadosacores.pt. E já que lá está experimente uma das conservas de atum temperadas da marca Catarina - sugiro que um dia destes prove os filetes de atum com funcho ou com tomilho. Vai ver que não se arrepende. E quem quiser atum para sanduíche pode experimentar os Flocos de Atum Temperados, “ideal para sandes”, da fábrica Corretora, de Ponta Delgada. Com agrião pelo meio fica do melhor.

 

DIXIT -  “Quem arrisca falir são os contribuintes, não a Banca”, Nuno Melo, eurodeputado do CDS à revista Domingo, do  Correio da Manhã.

 

GOSTO - Isabel Mota passou a presidir aos destinos da Gulbenkian, sublinhando que a arte, a educação e a ciência são os alicerces da tolerância que criam uma sociedade mais solidária.

 

NÃO GOSTO - Os pré avisos de greve cresceram cerca de 20% nos primeiros quatro meses do ano face a igual período do ano passado.

 

BACK TO BASICS - “A Arte é uma garantia de sanidade” - Louise Bourgeois

 

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