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DECLARAÇÃO DE VOTO: NOSSA LISBOA!

por falcao, em 29.09.17

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CLUBISMOS - Os partidos têm marcas - melhor , são eles próprios marcas. Os mais antigos, que vieram de antes de 74 ou os que nasceram logo nessa altura, têm décadas de consolidação da respectiva marca. Por isso muitas vezes este efeito de marca passa por cima da análise racional das propostas e programas e do perfil dos candidatos. A coisa ainda se complica mais quando a afinidade a uma marca partidária se confunde com clubismo acrítico. Como se tem visto em anos anteriores, as autárquicas são um dos raros momentos onde esta lógica da fidelidade à marca pode ser abalada. A importância do perfil dos candidatos é importante, a experiência existente na equipa é relevante. E, depois, nas autárquicas há a possibilidade de escolher uma lista para a vereação, outra para a Assembleia Municipal, outra para a freguesia. O efeito clubista pode esbater-se na proximidade. Eu confio que isto possa acontecer em Lisboa - que os votantes habituais do PS olhem para Medina e vejam como ele privilegiou criar uma cidade bonitinha mas incaracterística e disfuncional, como preferiu agradar mais aos visitantes do que aos habitantes e como criou uma acção política baseada em deitar cimento em cima de cimento. Às vezes penso que no seu gabinete Medina olha para os lisboetas, para as queixas que ouve de quem não compreende as suas obras e, tal como na peça do dramaturgo Karl Valentim, interroga-se: “E não se pode exterminá-los?”. Esse é mais ou menos o programa de Medina para os que insistem em querer viver em Lisboa sem serem visitantes ocasionais. Bem sei que qualquer obra gera congestionamentos, mas também sei que aquilo que não é suposto é que os congestionamentos fiquem piores depois da obra terminada. Essa é a pedra de toque do medinismo: criar incómodo para quem vive em Lisboa. A finalizar, deixo uma declaração de interesse: para a Câmara Municipal vou votar em Assunção Cristas, que está mais preocupada com a vida de quem cá vive do que com o prazer de quem está de passagem. E é quem o faz de forma mais estruturada.

 

SEMANADA - Um estudo da Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil indica que 65% das crianças portuguesas não comem a dose diária de fruta e legumes recomendada pela Organização Mundial de Saúde; um estudo da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro revela que os recintos escolares (incluindo vários renovados pela Parque Escolar) não têm espaço, equipamento e zonas verdes suficientes, existindo um défice de 80% em relação ao cenário ideal; segundo a Marktest  46%  dos portugueses segue figuras públicas nas redes sociais e Cristiano Ronaldo é quem tem maior número de seguidores, com Cristina Ferreira e Manuel Luis Goucha nas posições seguintes; os livros de actividades para meninos e meninas da Porto Editora voltaram a ser postos à venda; no espaço de um ano os portugueses gastaram 108 milhões de euros em jogo online; os diversos impostos pagos pelos contribuintes rendem cerca de 109 milhões de euros por dia ao Estado; o IMT, que incide na compra de imóveis, teve um aumento de receita de 24% até Agosto deste ano; os aeroportos portugueses receberam 16 milhões de passageiros entre Junho e Agosto; a investigação ao roubo de 57 pistolas Glock do quartel-general da PSP está parada; o Estado está a demorar, em média, 95 dias a pagar as facturas a fornecedores, um aumento de 25% em relação ao ano passado; um estudo da própria Câmara revela que a maioria das ciclovias criadas nos últimos anos em Lisboa, e que têm sido pouco usadas, já estão a precisar de obras.

 

ARCO DA VELHA - A decisão do ajuste directo, alegando “urgência imperiosa”, que a Câmara Municipal de Lisboa fez das obras de S. Pedro de Alcântara, por cinco milhões de euros à Teixeira Duarte, foi tomada antes de o LNEC ter emitido o parecer que lhe havia sido solicitado e que não aponta qualquer perigo iminente.

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FOLHEAR - Apesar do título este não é um livro sobre religião ou sobre o sentimento de culpa e o castigo. “Piedade Para Os Pecadores” é um romance sobre uma vida agitada no mundo empresarial e dos mercados financeiros, com diversas intrigas amorosas pelo meio. O seu autor é Manuel Lemos Macedo, um português que depois do 25 de Abril e da nacionalização da firma familiar foi para a Irlanda, onde estudou no University College de Dublin e, depois, nos Estados Unidos, na Columbia Business School. Posteriormente trabalhou em Paris e Madrid na banca de investimento e depois, em conjunto com a família Rothschild, criou em Lisboa uma sociedade financeira, da qual foi gerente. Em 1997 deixou os negócios, recolheu-se no campo (é natural de Tomar) e, segundo o próprio, dedicou-se à leitura, ao convívio com amigos e à escrita. Em 2004 publicou “A Vida É Um Sonho” e, agora, este “Piedade Para os Pecadores”. O primeiro livro abordava o impacto que as mudanças estruturais em Portugal na década de 70 tiveram na sociedade  - é uma obra sobre a natureza humana e a decadência. Este “Piedade Para Os Pecadores” conta a história de um filho-família que dirigia uma firma com 3000 funcionários e que, depois do 25 de Abril, decide mudar de vida, indo para Paris com a intenção de se “pôr à prova”. Entra nos mercados financeiros e as aventuras na bolsa misturam-se com as aventuras românticas - poderia ser uma autobiografia, atendendo à vida do autor, mas Manuel Lemos Macedo diz que qualquer semelhança do livro com a realidade é pura coincidência. E mais uma vez é uma história que oscila entre a rebeldia, a descoberta, o diletantismo e algumas lições de moral avulsas, no fundo numa escrita datada. Edição Guerra & Paz.

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VER - Andrea Baginski é uma galerista que tem apostado na divulgação de artistas portugueses contemporâneos, mas também em trazer a Lisboa a obra de artistas sul-americanos - nomeadamente do Brasil, o seu país de origem. Na semana passada abriu a sua galeria ao Chile, com a apresentação de “La Mano Invisible”, de Patrick Hamilton (na foto), um chileno com ascendentes irlandeses.  É uma exposição assumidamente política, a começar pelo nome, que evoca o conceito desenvolvido por Adam Smith sobre a capacidade autorreguladora do mercado livre. As relações entre o trabalho e a economia e o seu cruzamento com a história são os pontos de partida do artista. Visualmente impactante, repleta de metáforas visuais, usando técnicas que remetem para o mundo do trabalho manual e para o dia a dia das sociedades contemporâneas, “La Mano Invisible” é uma das mais interessantes exposições deste ano. Até 4 de Novembro na Galeria Baginski, Rua Capitão Leitão 51. Outras sugestões: na Quadrado Azul “Provas de Contacto 1972-1980”, que mostra como Ernesto de Sousa, nesses anos, utilizou a fotografia como meio de expandir a sua criação artística (Rua Reinaldo Ferreira 20A até 16 de Novembro); destaque também para a nova mostra de trabalhos de pintura de  João Queiroz na Galeria Vera Cortês, até 11 de Novembro (Rua João Saraiva 16, Lisboa); na Fundação Carmona e Costa até 4 de Novembro desenhos de Jorge Pinheiro (Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1- 6º); e finalmente n’A Pequena Galeria uma exposição sobre fotografia de moda, com trabalhos de Carlos Ramos, Ana Trindade e Nuno Beja, comissariada por Luísa Ferreira sob o título “3 na Moda” (até 14 de Outubro, Av 24 de Julho 4C).

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OUVIR - Filipe Monteiro deu nas vistas há uns anos nos Atomic Bees, a banda onde também estava Rita Redshoes. Devoto da guitarra, mas também praticante do piano, deixou-se depois apaixonar pelo video e durante uma série de anos trabalhou com nomes como os Da Weasel, David Fonseca, Rita Redshoes, António Zambujo e Márcia, entre outros. Com eles produziu videoclips, dvd’s e documentários. Ao mesmo tempo fazia o gosto à música como convidado em estúdio ou em palco, fez arranjos e produziu “Golden Era” e “Lights & Darks” de Rita Red Shoes. Agora finalmente Filipe Monteiro regressa em nome próprio aos discos - aliás sob a designação Tomara e o título genérico “Favourite Ghost”. É um disco de ambientes, surpreendente pelos arranjos inesperados, pelos contrastes sonoros, pelo equilíbrio entre as partes instrumentais e as vocalizadas, no fundo um exercício de bom gosto. “Coffee And Toast”, a primeira canção, é a narrativa de um dia que é o guião de uma vida. “Favourite Ghost”, a faixa que dá o nome ao álbum, é uma deliciosa canção de amor e romance e em “For No Reason” percebe-se porque é que a guitarra é o instrumento de eleição de Filipe Monteiro e um cartão de visita das suas qualidades como compositor. Finalmente “House”, cantada por Márcia, é uma espécie de regresso às origens, um fim que parece anunciar um novo princípio. Disponível em CD e no Spotify.

 

PROVAR -  Conseguir conciliar conforto, bom serviço, uma vista magnífica, produtos frescos e boa confecção é uma coisa cada vez mais rara em Lisboa. Junto ao rio, na zona da Doca de Belém, tudo isto se junta no restaurante do Clube Naval. Em baixo está a esplanada e em cima fica uma sala confortável e um terraço, fechado, de onde se avista o Tejo e a margem sul, em frente a Belém. Ainda no primeiro piso existe a chamada Sala dos Sócios, que alberga a colecção de troféus do Clube e uma ampla mesa que pode receber até umas vinte pessoas - disponível apenas por reserva, com preço à parte. Por falar em reservas a esplanada de rua não aceita reservas mas o restaurante do primeiro piso sim, e vale a pena fazê-lo, sobretudo ao fim de semana. Duas recentes visitas permitiram provar, nas entradas, um carpaccio de novilho que estava bom e uma salada de polvo muito boa. Dos pratos principais provaram-se uns filetes de peixe galo com arroz de lingueirão, uns filetes de polvo com migas de batata doce, ambos acima das expectativas, e um robalo grelhado, fresquíssimo e de boa confecção, acompanhado de legumes abundantes (podiam estar um bocadinho menos cozidos…). O caril de lavagante com gambas tem boa fama, mas não foi provado. Os preços são honestos, tendo em conta a localização e o bom serviço. Avenida de Brasília, Doca Seca de Belém, Edifício do Clube Naval, Belém, telefone 308 803 749.

 

DIXIT - Tancos é o novo fenómeno do Entroncamento - João Miguel Tavares

 

GOSTO - Dois cientistas portugueses descobriram o mecanismo que ajuda a perceber a razão das alterações no cérebro dos doentes com Parkinson

 

NÃO GOSTO - Este Verão houve 25 incêndios causados por foguetes

 

BACK TO BASICS - “No passado a censura funcionava porque bloqueava o fluxo de informação; no século XXI funciona inundando as pessoas com informação irrelevante” - Yuval Harari

 




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publicado às 13:04

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CAMPANHA - E pronto, começou a campanha eleitoral. O Governo entrou nela a pés juntos com promessas de redução da carga fiscal, os autarcas em exercício com inaugurações e, nalguns casos, como o de Medina, com promessas por cumprir e muitas obras por acabar, além dos engarrafamentos que vão aumentando. Os eleitores começam a estar fartos destas aldrabices. Querem ver? - Desde 1976 realizaram-se em Portugal 11 eleições autárquicas e nestes 41 anos, a taxa de participação eleitoral foi descendo depois dos primeiros entusiasmos, o que diz alguma coisa sobre o relacionamento de eleitos com eleitores.  Na primeira eleição a participação foi de  64.55% dos inscritos, na eleição seguinte, em 1979, esse valor subiu para 73.77% e ainda se manteve acima dos 70% nas eleições de 1982. A partir dessa data a participação foi diminuindo com o valor mais baixo de sempre a registar-se  nas últimas eleições, de Setembro de 2013, onde  participação andou pelos 52,6%, com 6,8% de votos brancos e nulos. Ou seja a maioria dos eleitores não votou em nenhum candidato. Há uma minoria que elege e a maioria da classe política não se incomoda com o assunto porque a abstenção é a garantia de que não há sobressaltos nem alteração do status quo partidário vigente. Os incumbentes preferem que a abstenção continue o seu caminho e lhes garanta o lugar por arrasto. Por isso Medina não se importa que haja menos habitantes e menos eleitores em Lisboa. Até lhe dá jeito.

 

SEMANADA - Segundo o INE, o número de pessoas entre os 20 e 34 anos que habitam em Lisboa passou de 95.830 em 2011 para 67.916 em 2016, uma diminuição de 29%, sendo assim o concelho onde o número de jovens adultos mais diminuiu; o número de licenciados do ensino privado caiu 41% em dez anos; Azeredo Lopes não esclareceu na Assembleia da República se houve ou não assalto aos paióis de Tancos; o Bloco de Esquerda propôs que jovens com mais de 16 anos possam processar os pais que não aceitem a sua vontade de mudarem de sexo; Mário Centeno apressou-se a explicar que afinal o prometido alívio fiscal no IRS , que ele próprio tinha anunciado, não se destina a todos os contribuintes; o primeiro ministro admitiu que Portugal pode apresentar uma candidatura à presidência do Eurogrupo; na primeira semana de entrada em vigor de nova legislação sobre imigração deram entrada 4000 pedidos de autorização de residência de estrangeiros em Portugal; o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras não recebeu informação sobre os suspeitos do processo brasileiro Lava-Jato e alguns deles pediram vistos Gold; as receitas do IMI cresceram 150% depois da avaliação arbitrária e unilateral dos imóveis pelo Estado; em ano de eleições autárquicas as Câmaras Municipais já arrecadaram mais 100 milhões de impostos até Julho do que em igual período de 2016; “proibir os jogos de futebol nos dias em que há eleições é mais uma boa ideia para levar os portugueses à abstenção” -  escreveu Miguel Esteves Cardoso.

 

ARCO DA VELHA - Dos 21 relatórios encomendados pelo Governo sobre o incêndio de Pedrogão nenhum atribui culpas a quem quer que seja sobre o ocorrido nas mais diversas áreas, das comunicações ao comando das operações, passando pela actuação das forças de segurança ou dos organismos de coordenação e prevenção.

 

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FOLHEAR - A revista Wallpaper foi fundada em 1996 por Tyler Brulé, que a dirigiu até 2002 e desde o início a publicação convida nomes conhecidos das artes, da arquitectura, do design ou da moda para editar o número de Outubro. Este ano, para assinalar o 21º aniversário da Wallpaper, revisitam-se os 21 convidados, entre os quais Karl Lagerfeld, Philippe Starck, David Lynch, Louise Bourgeois, Robert Wilson, os Kraftwerk, Lang Lang, Frank Gehry, Jean Nouvel, Jeff Koons Hedi Slimane e Dieter Rams, entre outros. E a todos os possíveis foi pedida uma ideia nova para esta edição. A capa , aqui reproduzida, foi concebida pelo atelier Zaha Hadid a partir de um modelo gráfico gerado em computador. É um prazer ver que neste tempo de crise da imprensa e das dificuldades em obter publicidade para muitas revistas, as 44 páginas iniciais desta edição da Wallpaper são publicidade de algumas das maiores marcas mundiais de moda e design - e ao longo das 420 páginas muitas são de publicidade. Destaco nesta edição na área da arquitectura (a transformação de um silo de armazenagem em museu na Cidade do Cabo para acolher arte africana contemporânea), das artes plásticas (Miguel Barceló e o japonês Takashi Murakami) ou do design (o nonagésimo aniversário da prestigiada marca italiana de mobiliário Cassina). À margem, um dos artigos mais curiosos é sobre o design das embalagens de medicamentos e produtos farmacêuticos, desde as primeiras embalagens de Aspirina aos logotipos de alguns laboratórios ao longo dos tempos. Outro artigo curioso mostra uma vinha e uma adega no Japão, uma experiência pioneira naquele país. Para rematar há um destaque português, dedicado aos sabonetes Claus, do Porto.

 

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VER - André Gomes usa a fotografia como instrumento de construção de ficções que traduz em imagens. Durante anos trabalhou a partir de polaroids e nos tempos mais recentes passou a utilizar imagens fotográficas digitais que usa depois como base para manipulação, muitas vezes criando colagens electrónicas. Esta semana apresentou os seus dois mais recentes trabalhos, o pequeno ensaio “Numa Noite Igual” e, sobretudo,  “Casa da Estrada” - um projecto que conta uma história imaginada, ocorrida entre os kms 35 e 36 da Estrada Nacional 332, no distrito da Guarda. A “Casa da Estrada”  evoca uma narrativa mística, inspirada por citações dos evangelhos , cruzada com imagens aparentemente banais mas com um grau de construção assinalável, criando uma sucessão de ambientes e situações onde o real e o artificial se misturam. Não deixa de ser curioso pensar que André Gomes, com uma carreira no teatro a interpretar personagens imaginadas, transpõe para um suporte aparentemente tão reprodutor da realidade, como é a fotografia, a ideia da fantasia através da encenação da imagem.  Até 21 de Outubro na Galeria Diferença, Rua São Filipe Nery 42. Outras sugestões: em primeiro lugar, no Porto, na Galeria Quadrado Azul, Paulo Nozolino expõe até 16 de Novembro “Loaded Shine”  que reúne 20 fotografias feitas entre 2008 a 2013 em locais tão diferentes como Nova Iorque, Paris, Berlim e Lisboa, mas também lugares no interior de França e de Portugal; depois, em Lisboa, na Plataforma Revólver, “Lights, Camera, Action”, do francês Renaud Monfury, mostra uma série de fotografias que retratam o mundo do cinema; e finalmente, no Centro Cultural de Cascais, “Em Plena Luz”, uma centena de fotografias do norte-americano Herb Ritts, essencialmente sobre estrelas do cinema, da música e da moda, em exposição até 21 de Janeiro.

 

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OUVIR - Nos últimos tempos tem-se assistido a um renascer das edições de discos em vinil, muitas vezes a partir de originais remasterizados, com prensagens de alta qualidade que utilizam vinil virgem de grande densidade. Para dar resposta a este público crescente - basta ver o aumento do tamanho das prateleiras de vinil nas lojas de discos como a FNAC e El Corte Ingles - a Warner lançou seis títulos que são clássicos da música portuguesa dos últimos 30 anos. Cinco deles são editados pela primeira vez em vinil - três são de Madredeus e três de Mariza.” O Espírito da Paz”, primeiro disco de Madredeus, foi originalmente publicado em 1994 e, na altura, teve uma tiragem em vinil limitada a 500 cópias e ressurge agora remasterizado. Dois outros títulos de Madredeus agora lançados surgem pela primeira vez em vinil: o álbum de remisturas “Electrónico”,  de 2002, onde a música do grupo foi revista por produtores como Craig Armstrong, Manitoba ou Telepopmusik e a recolha de êxitos “Antologia”, lançada em 2000. Quanto a Mariza, três dos seus álbuns vêem agora primeira edição em vinil: “Fado Em Mim” , de 2001, que foi a estreia da cantora ( e que inclui “Ó Gente da Minha Terra”), “Mundo”,  de 2015, que é o seu mais recente trabalho de estúdio, e o “Best Of” de 2014, que junta três inéditos a 17 êxitos da carreira de Mariza. Acreditem que quando ouvirem qualquer destes LP’s numa boa aparelhagem vão descobrir nestes discos de vinil  uma sonoridade diferente.

 

PROVAR -   Como alguns leitores já terão notado um dos passatempos que me ajuda a descontrair é cozinhar e ir descobrindo possibilidades na combinação de sabores. Ora para cozinhar não são precisas muitas coisas além de boa matéria prima, mas há meia dúzia de utensílios que ajudam muito o trabalho de amadores como eu, que gostam de estar sozinhos na cozinha. Confesso que sou fascinado por gadgets de cozinha - desde tábuas de cortar a mandolinas, passando por pinças até peças sérias como as panelas de ferro da Creuset para lume e forno, as frigideiras De Buyer, ou as assadeiras redondas de ferro fundido, fantásticas para levar ao forno o que se começou a preparar na chama do fogão, ou mesmo simples panelas de bambu para cozer a vapor. Não é fácil encontrar tudo isto num só lugar mas, há pouco tempo, descobri na Avenida 5 de Outubro, junto ao cinema Nimas, a filial lisboeta da casa César Castro, originalmente do Porto, e que se dedica a ter todos os utensílios possíveis e imaginários para utilizar na cozinha, com pessoal competente para esclarecer dúvidas. Não poucas vezes, depois de ler uma receita no site www.epicurious.com ,  é lá que me dirijo para procurar alguma coisa que me faz falta para garantir que o preparo sai bem feito. Claro que esta mania coleccionista gera problemas de falta de espaço na cozinha doméstica, mas com jeitinho e paciência tudo se consegue. E com o material adequado o resultado final do cozinhado é bem melhor. www.cesar-castro.pt .

 

DIXIT - “Entrar aqui um grupo de políticos ou de turistas é a mesma coisa: nunca nenhum me comprou um peixe” - Cristina Jesus, peixeira em Matosinhos, sobre as incursões de caravanas partidárias no Mercado durante as campanhas eleitorais.

 

GOSTO -  Da presença de artistas portugueses fora de portas: José Barrias expõe “collezionista de echi” na Nuova Galleria Morone em Milão, Cristina Ataíde está em Madrid na Estampa 2017, na Galeria Magda Bellotti, e Pedro Calapez está em Palma de Maiorca com “”El Límite Ubiquo”na Galeria Maior.

 

NÃO GOSTO - Segundo a Anacom, desde Abril de 2011 que os preços das telecomunicações crescem mais em Portugal do que na União Europeia.

 

BACK TO BASICS - “Aqueles que vos fazem acreditar em coisas absurdas são os mesmos que depois cometem atrocidades” - Voltaire

 

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publicado às 13:45

 

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 MALABARISMOS - Depois de um período inicial de bom senso, que há uns tempos anda desaparecido, os concursos públicos têm vindo a transformar-se num mundo de opacidade com vários escalões. Alguns escritórios de advogados especializaram-se em criar cadernos de encargos que são uma espécie de encomenda feita à medida para determinado interessado, obviamente a mando da entidade que organiza a consulta, sobrepondo habilidades jurídicas a questões técnicas básicas. Noutros casos as entidades que lançam os concursos resolvem sobrepor-se à apreciação técnica dos júris que nomearam e fomentam justificativos jurídicos, devidamente fundamentados em extensos pareceres que são elaborados de forma a encaminhar a decisão numa determinada direcção, mesmo que não seja aquela que melhor dá resposta técnica aos objectivos do concurso. Tornou-se rotina não haver coerência na apreciação das propostas, na interpretação das regras, não há sequer respeito pelo trabalho desenvolvido. O que nuns casos se aceita em relação a um concorrente, não se aceita noutros casos; o que se tornou regra numa série de concursos passa a ser penalizado noutros. Por isso conheço cada vez mais gente que hesita apresentar propostas a concursos públicos. É mais um sinal da degradação do Estado.

 

SEMANADA - A Comissão Nacional de Eleições já recebeu 450 queixas por causa das autárquicas, 160 delas sobre a “neutralidade e imparcialidade das entidades públicas”; apesar de Domingo ser o dia tradicional dos grandes jogos de futebol, a Comissão Nacional de Eleições desconhecia o facto e mostrou-se surpreendida pela realização de um Sporting-Porto no dia das autárquicas; segundo a Marktest, em Agosto, 52% do tráfego na internet em Portugal foi gerado por PCs (desktop ou portáteis) e 48% por equipamentos móveis, o que representa um aumento de dez pontos percentuais na utilização de smartphones e uma diminuição igual na de PC’s, em relação ao mesmo período do ano anterior; das dez câmaras mais endividadas, oito – Fornos de Algodres, Nordeste, Cartaxo, Vila Franca do Campo, Portimão, Nazaré, Alfândega da Fé e Paços de Ferreira – estão sob a alçada do PS e duas – Fundão e Vila Real de Santo António – do PSD; o número de jovens entre os 15 e os 29 anos que não trabalham nem estudam passou de 11 para 20,8% entre 2000 e 2016; mais de metade da população activa portuguesa não tem sequer o ensino secundário; 14 mil enfermeiros saíram de Portugal desde 2010; um julgamento sobre corrupção no futebol, envolvendo manipulação de jogos sobre os quais eram feitas apostas, está em risco de nulidade por falta de traduções; nos últimos seis meses os portugueses gastaram 1,5 mil milhões de euros em apostas e jogos diversos.

 

ARCO DA VELHA - Numa época de crescente especulação imobiliária em Lisboa Fernando Medina conseguiu inverter a tendência - vendeu o apartamento que tinha há dez anos com um ganho de 36%  e comprou outro por menos 23% do que a vendedora tinha pago por ele, também há dez anos. É o que se chama ter acesso a boas oportunidades.

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FOLHEAR - O British Journal of Photography foi fundado em 1854 e inovação e invenção são duas palavras que podem caracterizar a revista. Uma das melhores demonstrações desse espírito é a iniciativa “Portrait of Britain”, que este ano promoveu pela segunda vez. A ideia é simples: a revista pede aos seus leitores para enviarem imagens que mostrem a multiplicidade e diversidade da sociedade britânica este ano enviaram oito mil imagens.  A partir destes envios são seleccionadas cem fotografias que depois são exibidas, durante o mês de Setembro, numa rede de anúncios de exterior digitais, mupis da JC Decaux, em estações de transportes públicos, centros comerciais e nas ruas em todo o Reino Unido. Na sua edição de Setembro a revista mostra uma selecção dos melhores trabalhos e , acima de tudo, procura mostrar cidadãos vulgares no seu dia-a-dia, fotografados por outros cidadãos. Ainda na edição de Setembro pode ser visto um trabalho sobre alguns editores de fotografia cujo trabalho é escolher quem vai fazer as imagens de que necessitam e que critérios presidem às suas escolhas. Há também dois portfolios muito interessantes - Mathieu Pernot mostra o resultado do trabalho feito ao longo de duas décadas com uma família romena que emigrou para o sul de França e Rob Honstra fala de “Man Next Door”, um trabalho sobre o seu vizinho, que ele documentou fotograficamente ao longo de uma década. Finalmente outro destaque da edição é uma entrevista a Quentin Bajac, o novo responsável pela fotografia no MOMA de Nova Iorque. A revista já está à venda em lisboa e a edição digital pode ser adquirida em  http://www.bjp-online.com .

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VER - Esta semana todo o destaque vai para o Porto. Em primeiro lugar, Serralves, onde está até 7 de Janeiro a exposição Jorge Pinheiro: D'après Fibonacci e as coisas lá fora” (na imagem). Apresentada como um projecto de Pedro Cabrita Reis com o próprio Jorge Pinheiro, a exposição reúne desenhos, pinturas e esculturas do autor e a sua instalação foi concebida pelo arquitecto Eduardo Souto Moura. O diálogo estreito entre Jorge Pinheiro e Cabrita Reis conduziu à seleção de 80 obras datadas de períodos específicos do percurso de Pinheiro, desde os anos 1960 até ao presente. A exposição inclui ainda uma nova escultura produzida especialmente para ser mostrada em Serralves. O catálogo que acompanha a exposição reproduz, além das obras expostas em Serralves, os cerca de 90 desenhos que integram uma exposição na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa, a partir de 23 de Setembro. contextualizadas por uma entrevista de Jorge Pinheiro conduzida por Cabrita Reis e um ensaio do poeta e crítico de arte João Miguel Fernandes Jorge. Ainda no Porto o Centro Português de Fotografia (na antiga Cadeia da Relação), lança um desafio: Quem é que já viu uma prisão do lado de dentro? Assim surgiu “the portuguese prison photo project” que procura  transmitir uma visão das prisões contemporâneas e históricas de Portugal.  A exposição é feita a partir de imagens contemporâneas captadas por dois fotógrafos, o português Luis Barbosa e o suíço Peter M. Schulthess, em 2016 e 2017, complementada por imagens históricas pertencentes aos arquivos nacionais. Até 3 de Dezembro. Podem ver várias das imagens expostas em www.prisonphotoproject.pt . Outras sugestões: na Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38), a exposição Ouvidos No Deserto, trabalhos em papel de Marco Pires; na Fundação Gulbenkian videos, fotografias e serigrafias de Marie José Burki .

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OUVIR - Tori Amos leva quinze discos de originais no activo, desde que começou a sua carreira discográfica em 1988. Depois de em 2014 ter lançado o belíssimo “Unrepentant Geraldines”, Amos regressa agora com “Native Invider”, basicamente construído como reflexo da América que está a desenhar-se depois da vitória de Donald Trump nas presidenciais. Mas para além de uma visão sobre os Estados Unidos, “Native Invider” aborda também, como é tão presente na obra de Tori Amos, a sua relação com a vida e a dor. Amos conta que a ideia deste disco lhe começou a surgir numa viagem às Smoky Mountains, na Carolina do Norte, de onde a sua família é originária,e que a parte mais pessoal tem a ver com a sua própria mãe, que hoje tem dificuldade em comunicar com o mundo exterior. Incomodada com o estado da nação, entristecida pela decadência física da sua mãe, Tori Amos não poupa palavras neste disco e exprime com intensidade as suas emoções. “Native Invider” tem 15 faixas  e algumas das mais marcantes seguem a linha das intensas baladas de voz e piano que são a imagem de marca de Tori Amos - “Reindeer King” (talvez a mais arrebatadora), “Bang” e “Mary’s Eyes”. “Broken Arrow” e “Up The Creek” mostram uma incursão inesperada nas influências da música country e “Wildwood” e “Wings” somam considerações políticas com emoções pessoais, assim como “Breakway” ou “Chocolate Song”. O disco está disponível no Spotify.

 

PROVAR - Há uns tempos que andava com curiosidade de experimentar a Enoteca de Belém, local que me era recomendado por diversos amigos. O local é pequeno, tem poucas mesas, fica numa pequena travessa perto dos Pastéis de Belém, na mesma rua da Galeria da Ermida da Nossa Senhora da Conceição. Aliás a Galeria e a Enoteca são parte do projecto Travessa da Ermida que quer combinar arte com gastronomia e provas de vinhos. Quando se entra na Enoteca a primeira coisa que salta à vista é a variedade de bons vinhos expostos, em prateleiras que vão até ao cimo das paredes - os clientes são convidados a usar uns binóculos de ópera que a casa cede para lerem os rótulos das garrafas mais distantes. A casa tem cerca de uma centena de vinhos e muitos deles podem ser servidos a copo, proporcionando experiências diferentes ao longo da refeição. A cozinha é de inspiração portuguesa com confecção contemporânea - dispensavam-se as espumas da moda. Nesta incursão provou-se com agrado um atum fresquíssimo, no ponto, sobre uma cama de brócolos, anchovas e camarão e um lombo de garoupa muito bem confeccionado com arroz de ameijoas em molho bulhão pato. O chefe ofereceu um amouse bouche interessante - uma mini salada de polvo servida em cone e o couvert inclui uma belíssima manteiga de ovelha. O vinho escolhido foi um branco Casal Santa Maria, de Colares, que estava impecável - embora de início o serviço de vinho fosse desatento. Outras sugestões possíveis são polvo com batata doce, chouriço e molho de ervas ou, na carne, um magret de pato com risotto de cogumelos. O espaço reduzido e a invasão turística aconselham a que se faça reserva. Enoteca de Belém, Travessa do Marta Pinto, 6, Lisboa , todos os dias das 13 às 23,telefone 213 631 511.

  

DIXIT - “Não sei se alguém entrou em Tancos, no limite pode não ter havido furto” - José Alberto Azeredo Lopes, teoricamente Ministro da Defesa.

 

GOSTO - A encenação de “A Viúva Alegre”, que decorre em paris na Ópera da bastilha, tem cenografia de António Lagarto.

 

NÃO GOSTO - O planeta perde 15 mil milhões de árvores por ano.

 

BACK TO BASICS - “A qualidade é mais importante que a quantidade” - Steve Jobs

 

 

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COERÊNCIAS - Numa recente aula na Universidade de Verão do Partido Social Democrata, Cavaco Silva, falando das autárquicas, apelou ao voto genérico no PSD. Entendo que foi um mau serviço que prestou numa aula destinada a jovens aspirantes a políticos. A última coisa que queremos são mais zelosos funcionários que olham para a política como uma actividade clubística. A política exige lealdade de parte a parte - das pessoas com o que pensam, dos partidos com o que está no seu ideário, no seu programa e na sua acção. Nas autárquicas, sobretudo nas autárquicas, o voto deve ser nos candidatos, no seu perfil e no que propõem localmente - e quando possível na análise daquilo que fizeram se antes já tiveram cargos autárquicos. Em todos os partidos há casos em que outro candidato é a melhor escolha em determinada freguesia ou concelho. Se há eleição em que a fidelidade de voto cega não deve existir é nas autárquicas. Eu sei que não voto em Medina, não pelo partido por onde se apresenta, mas pelo mal que tem feito à cidade, pelo seu autoritarismo e auto-suficiência. E não me repugna votar numa lista que seja diferente do meu voto habitual se nela existirem pessoas cuja actividade anterior me agrade e propostas que me pareçam adequadas. Essa é a única maneira de cumprir a cidadania. Às vezes os partidos esquecem-se dos seus deveres para com os eleitores e, mesmo assim, querem um cheque em branco. A política não pode ser isso, seja qual fôr o nosso lugar no espectro partidário.

 

SEMANADA - Até 31 de Agosto arderam 214.000 hectares em 12.000 incêndios e 90% da área ardida deveu-se a 123 desses fogos; uma psicóloga da Polícia Judiciária, Cristina Soeiro, afirma que 58% dos incendiários agiram sob influência do álcool; 97% dos inquéritos a crimes de incêndio são arquivados e apenas 48 suspeitos foram condenados a prisão em cinco anos; um candidato à Câmara de Coimbra reivindicou a construção de um aeroporto internacional na cidade; roupa doada pela marca Salsa a uma instituição de solidariedade social para ser enviada para a Guiné foi encontrada à venda numa feira em Mafra: há onze acidentes por dia com carros sem seguro; o número de carros elétricos vendidos no primeiro semestre mais que duplicou face a igual período do ano passado; no primeiro semestre do ano 4 milhões e 713 mil portugueses acederam a sites de informação a partir de computadores pessoais; 91 por cento das famílias portuguesas subscrevem televisão por cabo e 76% têm acesso a mais de 100 canais; segundo um estudo da Marktest há 4 milhões e 871 mil indivíduos que se dizem sócio e/ou simpatizante de clube(s) desportivo(s), valor  que representa 56.9% dos residentes no Continente com 15 e mais anos;  José Sócrates tornou-se no mais recente youtuber português, mas a sua  novela “O Embuste da PT” teve apenas cerca de dez mil visualizações na primeira semana, muito longe dos valores dos mais vistos em Portugal.

 

ARCO DA VELHA - Todos os líderes partidários, à excepção de Jerónimo de Sousa que estava na festa do Avante, foram à feira das vacas em Vila do Conde

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FOLHEAR - Ele há livros que são sempre oportunos e cada vez mais adequados aos tempos - Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, é um deles. A autora morreu há 200 anos mas esta sua obra, editada em 1813, continua a alimentar polémicas, muito devido ao seu primeiro parágrafo: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, na posse de uma boa fortuna, precisa de uma esposa”. Orgulho e Preconceito é, nas palavras do autor de “O Cânone Ocidental”, Harold Bloom, um livro “ que rivaliza com qualquer romance jamais escrito”. No fundo esta é uma comédia sobre os perigos de fazer julgamentos precipitados e os benefícios de aprender a distinguir entre o superficial e o essencial. A história é simples, e é a da família Bennet: “cinco filhas por casar e uma mãe que só pensa em encontrar-lhes maridos”. Assim nasce o romance de Mr. Darcy e Elizabeth Bennet na Inglaterra do início do século XIX. Como referem as notas finais do livro, Orgulho e Preconceito “oferece uma ilustração poderosa dos efeitos prejudiciais para as pessoas e para a sociedade que o preconceito pode causar”. Editado na colecção de Clássicos da Guerra & Paz, o livro tem uma exemplar tradução de Diogo Ourique, a partir da fixação de texto da edição da Penguin Classics de 2014.

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VER - Com a entrada em Setembro as coisas começam a animar-se e também as galerias de arte começam a dar sinais de vida. Na Galeria Alecrim 50 (Rua do Alecrim 48-50), a artista brasileira Bettina Vaz Guimarães expõe “De Que Cor é o Universo” (na imagem) mostrando um conjunto de trabalhos que realizou em Lisboa ao longo dos últimos meses. Bettina interpretou formas e cores da arquitetura presente nas ruas de Lisboa numa visão muito pessoal. No Funchal Teresa Gonçalves Lobo abriu ao público o seu atelier para mostrar as ilustrações  que fez para o livro “unstill, inquieto” ( do poeta Roberto Vas Dias) e outros desenhos recentes - o atelier fica  na Rua da Carreira 39, 2ºB, junto ao Museu Vicentes. Em Lisboa, na Cristina Guerra Contemporary Art (rua de Santo António à Estrela 33) está patente “I speak to people on the telephone”, de Ryan Gander e Jonathan Monk. Na Giefarte (Rua da Arrábida   54 ), Francisco Ariztía apresenta “auto-retratos”. Outras sugestões: a partir desta semana, na Galeria do Torreão nascente da Cordoaria Nacional, e integrada na programação de Lisboa Capital Ibero-Americana da Cultura, estará patente “Turbulências”, uma mostra de arte contemporânea de obras inéditas de 18 artistas da colecção “la Caixa”, que transmitem a sua visão deste mundo em convulsão permanente. Também a partir desta semana, no Palácio Nacional da Ajuda, em colaboração com a Fundação de Serralves, estará a exposição  “Joan Miró: Materialidade e Metamorfose”, que traz a Lisboa até 8 de janeiro o conjunto de 85 obras do artista catalão que integravam a colecção do BPN e que o Governo decidiu manter em Portugal, numa decisão que causou polémica, já que muitas das obras são consideradas de duvidosa relevância.

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OUVIR - O pianista Vijay Iyer, acompanhado pelo saxofonista Steve Lehman e pelo baterista Tyshawn Sorey têm feito, a solo e em grupo, alguma da música de jazz mais inovadora da costa leste dos Estados Unidos. Agora voltaram a encontrar-se em “Far From Over”, num sexteto onde participam também nos sopros Mark Shim e Graham Haynes e ainda o baixista Stephan Crump. Editado pela ECM o álbum foi considerado pela Rolling Stone como “uma amostra do jazz do futuro”. Como é hábito, as composições de Iyer, que ensina música em Harvard, são complexas e com um sentido de ritmo acentuado. A faixa inicial, “Poles” é um exemplo perfeito na organização dos músicos ao longo do desenvolvimento do tema, em crescendo. Em “Down To The Wire” os instrumentos de sopro são dominantes e evocam o bepop, enquanto em “Good On The Ground” a bateria de Sorey comanda claramente o sexteto. O líder, Iyer, tem também o seu quinhão de solos de piano, como em “Nope”, mas principalmente ocupa-se a proporcionar a entrada em acção dos outros músicos, nomeadamente os saxofones de Lehman e Shim ou o flugerhorn de Haynes, como acontece em “End 0f the Tunnel”. Em “for Amiri Baraka”, dedicado ao poeta do mesmo nome, os metais ficam de fora e o piano de Iyer, com a bateria e o baixo de Sorey e Crump constroem uma balada envolvente e poderosa, como também acontece em “Wake”. CD ECM, na Amazon.

 

PROVAR - Desde há muitos anos que a zona do Martim Moniz é uma espécie de sociedade das nações em termos gastronómicos e até de estabelecimentos onde se podem adquirir temperos e produtos alimentares de várias regiões do globo. Quer no Centro Comercial Mouraria, quer na praça ou nas ruas ali à volta há muito por descobrir e que escolher. Comecemos pelos supermercados e lojas. O Hua Ta Li, perto da Rua da Palma, tem uma larga oferta de produtos, de massas de arroz a guiozas, passando por algas e chás e tem uma zona de take away; no Amanhecer, do lado direito de quem desce para o hotel Mundial, os produtos chineses estão bem rotulados em português e muito bem arrumados; a Mercearia Indiana. no segundo piso do Centro Comercial Mouraria, é o paraíso das especiarias e, claro, tem várias variedades de caril. Passando para os restaurantes, no início da Rua do Benformoso há o Pho Pu, especialista em cozinha vietnamita; por falar em rua do Benformoso, essa é a zona onde pode encontrar restaurantes chineses improvisados em casas particulares, com menus esfuziantes - é uma questão de atenção e de ir procurando; dando um salto ao Brasil, na praça do Martim Moniz há um especialista num dos produtos da moda - a Toca do Açai, servido em smoothies ou em taças; também na praça recomenda-se o Shangai Cuisine onde a sopa wantan é muito elogiada; para um outro género, no Topo, que fica no sexto piso do Centro Comercial Martim Moniz e que tem uma vista magnífica, destaca-se o peixe branco cozinhado em caril ou o Tom Yun, um caldo picante com camarões, lulas, ameijoa e massa de arroz. A lista tem muitas opções. Mas o melhor mesmo é passear no fim da Rua da Palma, no meio da praça e nas ruas à volta, na zona da Mouraria. É descobrir um mundo novo em Lisboa.

 

DIXIT - “As claques nas redes sociais são o agitprop do século XXI” - Nuno Garoupa

 

GOSTO - Da decisão do TC que considerou inconstitucional a criação de uma taxa de protecção civil pelo Município de Gaia, o que pode levar a outras decisões, nomeadamente à eliminação de idêntica taxa que Medina impôs aos lisboetas.

 

NÃO GOSTO - Das opacidade e das dúvidas que rodeiam o destino dos donativos para as vítimas do incêndio de Pedrogão Grande.

 

BACK TO BASICS - "Por melhor que a estratégia pareça ser é sensato olhar, de vez em quando, para os resultados que está a produzir" -  Winston Churchill

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FANATISMOS - Mais de 40 anos de regime democrático não chegaram ainda para que  a política não seja entendida como uma espécie de  campeonato de futebol em que os partidos são os clubes. Existe em relação aos partidos um fanatismo que não tem a ver com razões ideológicas, tem a ver com a noção de ter que se defender sempre a agremiação, mesmo que os erros sejam tremendos, que o ideário e a prática de hoje não tenham nada a ver com o que os seus fundadores enunciaram. Na realidade a política não é um jogo de futebol. Claro que pode ser uma paixão, mas convém que seja racional - se for tão irracional como um auto-golo não vale a pena sequer dar-lhe atenção. Quando olho para o que se passa à volta tenho a sensação que vivemos, na política portuguesa, num ponto difuso entre duas séries de televisão - os jogos, traições e manobras de “House Of Cards” e as alianças inesperadas de “Borgen”. Em honra da produção audiovisual portuguesa às vezes “Madre Paula” também dá um ar da sua graça - quando o poder seduz e paga o que for preciso para fazer o que quer e ter o seu momento de prazer. O problema é que no meio de tudo isto há pessoas que são arrastadas por manobras que não têm a ver com os seus interesses, mas com jogos de poder. Penso que é o que se passa na Autoeuropa. Depois da saída de António Chora, que era do BE, o PCP apressou-se a ocupar o terreno. Em plena negociação, na geringonça, do orçamento de estado, o PCP usou os seus sindicatos para mostrar que ainda tem poder, com o claro objectivo de evidenciar que podia impôr condições com mais eficácia que o Bloco. A incógnita disto tudo é perceber como vai Costa terminar este episódio de “Borgen”. Vai para o Convento de Odivelas fugir à realidade ou procurará uma manobra de diversão para entalar os que lhe estão próximos, como faz Frank Underwood?

 

SEMANADA - O relatório de acesso à saúde de 2016 revela que no final do ano passado havia 211 mil pessoas à espera de cirurgia e que o tempo de espera médio foi de 3,3 meses, o maior desde 2011;  O Estado e várias entidades públicas têm cerca de 4.000 imóveis por registar;  desde janeiro houve 12 340 incêndios em todo o país, mais 3600 que em 2016 e ao todo já arderam mais 72 mil hectares que no ano passado; quase 40 por cento dos incêndios que deflagraram entre 22 e 28 de Agosto começaram à noite; falta de qualidade da comida, distribuição fora de horas e escassez de alimentos são as principais acusações dirigidas pelos bombeiros à forma como têm sido tratados pela Autoridade Nacional de Protecção Civil, que é a responsável por assegurar a alimentação no teatro de operações; a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) tinha registados 2920 orgãos de comunicação no final de 2016, menos 144 que no final de 2015; há 652 jornais e revistas, 289 empresas jornalísticas; actualmente existem registados 43 serviços de rádio exclusivamente por streaming e seis de televisão online;  de acordo com os resultados do primeiro semestre de 2017 do Bareme Rádio da Marktest, um em cada seis portugueses ouviu rádio pela Internet nos primeiros seis meses do ano.

 

ARCO DA VELHA - Uma operadora de telecomunicações aplicou uma penalização de 139 euros pelo cancelamento do contrato de uma vítima mortal do incêndio de Pedrógão Grande.

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FOLHEAR - A Photo España é o maior evento fotográfico da península ibérica e promove a realização de numerosas exposições em diversas cidades num período alargado - três meses, de início Junho a final de Agosto. A Photo España é produzida por uma associação, La Fabrica, dirigida por Alberto Anaut, um jornalista que entre meados dos anos 70 e meados dos anos 90 passou por alguns dos maiores jornais e revistas espanhóis. Em 1994 fundou a associação La Fabrica que, em 1995, começou a editar a revista Matador e em 1998 criou a Photo España. Passemos à revista: é editada uma vez por ano, tem 3000 exemplares destinados aos sócios do clube Matador e outros 4000 que são distribuídos em pontos de venda seleccionados. A Matador custa 70 euros, pode ser encomendada online e é um objecto impresso absolutamente precioso - uma qualidade gráfica impressionante, grande formato (40x30, 184 páginas). Uma escolha criteriosa de colaboradores, um tema por edição. O deste ano, cuja capa se reproduz, é “O Futuro”. A revista conta ter uma vida útil de 28 edições e terminará em 2022 se tudo correr como previsto. Entre os colaboradores estão médicos, arquitectos, futuristas, ambientalistas, cientistas, fotógrafos (como Juan Fontcuberta ou Edgar Martins), gestores culturais, músicos, artistas (como Ai Weiwei) ou biólogos (como Ana Patricia Gomes). Falta dizer que o Club Matador inclui um restaurante e tem um blog (http://clubmatador.com/en/blog/). Espreitem se puderem.

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VER - Setembro está aí e já se anuncia o reinício da actividade de diversas galerias. Até lá, aqui ficam algumas sugestões. Começo pelo Centro de Arte Manuel de Brito, em Algès, onde  até 17 de Setembro podem ser vistas três exposições: “O Legado de Mário Henrique Leiria”, “Os artistas surrealistas na colecção de Manuel de Brito” com obras de, entre outros, António Dacosta, Cruzeiro Seixas, António Quadros, Cesariny e Vespeira (na imagem); e

“O Afecto”, que agrupa obras oferecidas a Manuel de Brito por nomes como  Sonia Delaunay, Arpad Szenes, Vieira da Silva ou Júlio Pomar. Para as três montras do British Bar, ao Cais de Sodré, Pedro Cabrita Reis escolheu para este novo ciclo obras de Miguel Palma, Rosa Ramalho e Pedro Gomes, que ali ficarão até final de Setembro. Na Galeria Zé dos Bois (Rua da Barroca 59, Bairro Alto), está até 23 de Setembro a exposição Cartazes Cubanos do período entre 1960-1980,. Na Galeria Pedro Cera (Rua do Patrocínio 67E) está a colectiva “Where and when”,  com trabalhos de  Ana Jotta, Daniel Gustav Cramer, Gil Heitor Cortesão, Luis Paulo Costa e Paulo Brighenti. E finalmente no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado (Rua Serpa Pinto 4), sugiro duas exposições feitas a partir do acervo da instituição: “Vanguardas e neovanguardas na arte portuguesa dos séculos XX e XXI” e “A Sedução da Modernidade”, que aborda a influência da literatura na criação artística portuguesa em meados do Século XIX.

 

 

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OUVIR - Randy Newman, 73 anos, é um compositor, produtor e intérprete norte-americano que se tornou conhecido pela sua voz e pela forma de cantar, pela ironia das suas canções e pelas numerosas bandas sonoras de filmes que compôs ao longo da vida. O seu disco de maior sucesso “Trouble In Paradise”, data de 1983 e tem uma das suas canções mais populares - “I Love L.A.”.  Nos filmes pôs a sua assinatura nas bandas sonoras de “Ragtime” e em sete produções da Disney/Pixar, entre elas a série de “Toy Story” e ainda no filme de animação “O Sapo E A Princesa”, também da Disney. Paralelamente nunca deixou de fazer canções acutilantes sobre temas actuais, com forte cariz social e político. Em 2016 divulgou uma canção sobre Donald Trump intitulada “What a Dick” que fazia comparações entre o tamanho do orgão sexual de Trump e o do próprio cantor (“My dick’s bigger than your dick”….) e anunciou que ela estaria no seu próximo disco - “Dark Matter”, agora publicado. Acabou por não a incluir e em vez da canção sobre Trump há no entanto uma outra, que data igualmente de 2016, “Putin”, que ao som de música tradicional russa, ironiza sobre o presidente Putin . “Dark Matter” é um disco povoado de reflexões - muitas delas enunciadas na faixa de abertura, “The Great Debate”, onde ao longo de oito minutos, numa mini opereta, se degladiam opiniões entre personagens que vão do fundamentalismo religioso aos que não acreditam nas transformações climáticas. Nos nove temas do disco destaca-se a capacidade de arranjos orquestrais de Newman, mas também a sua maneira de fazer canções marcantes, como, além das já citadas , em “Sonny Boy” , “Wondering Boy” e “She Chose Me”. E não posso deixar de destacar os arranjos de “Lost Without You” e sobretudo a epopeia musical que é “On The Beach”. CD Nonesuch/ Warner.

 

PROVAR -  Habituados que estamos aos supermercados por vezes esquecemo-nos do encanto dos antigos mercados tradicionais. Num destes fins de semana fui a Setúbal, ao belo edifício do Mercado do Livramento, na Avenida Luisa Todi. Logo à entrada uma placa avisa-nos que o jornal norte-americano USA Today considerou este local como um dos melhores mercados do mundo. Nesta praça o peixe é rei - ou não fosse Setúbal terra de pescadores. Os balcões de pedra cheios da colheita do mar são uma tentação: chocos, lulas, pregados, garoupas, cantaril e, claro, atum acabado de pescar, de fazer inveja aos japoneses que por ele pagam fortunas. Pedir para cortar bifes de lombo de atum, grossos, e depois braseá-los em casa é uma experiência que não tem comparação possível com o que se consegue em supermercados - fresco ou congelado. Mas os encantos não se esgotam no peixe nem no marisco. As bancadas de legumes e frescos têm molhos de rabanetes com rama, as alfaces são viçosas e fresquíssimas, com uma textura e paladar que também não se compara com o que se vende em sacos de plástico. Em pequenas bancas descobrem-se temperos, sementes comestíveis, um mundo de sabores. E, claro, há bancadas de pães e de doces, que adequadamente convivem com as de queijos e fumados. E o preço? comparando peça a peça o que se comprou, gasta-se menos no mercado que num supermercado mesmo em dia de promoções e a frescura e o sabor são outra conversa.

 

DIXIT -  “Orgulho-me de ter sido membro de uma CT que começou numa fábrica com 144 pessoas. Saí de lá com 4 mil, contrariamente a muitos sindicatos que entraram com 11 mil trabalhadores e saíram com ninguém, como na Lisnave, CUF ou Quimigal. Tenho muito orgulho no meu trabalho” - António Chora, ex coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa entre 1996 e 2016.

 

GOSTO - Vai haver uma série de selos de correio em Portugal baseados na saga “Star Wars” .

 

NÃO GOSTO - Que o Governo se ponha a recomendar o que uma editora de livros deve ou não publicar.

 

BACK TO BASICS - “ Não é boa ideia alguém ter ciência superior e moral inferior” - Arthur C. Clarke

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