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ELEIÇÕES - Não é novidade dizer-se que existe um descrédito generalizado no parlamento, nos partidos e nos políticos. Nesta conjuntura, duas associações, a Sedes - Associação para o Desenvolvimento Económico e Social e a APDQ - Associação por uma Democracia de Qualidade,  apresentaram um projecto de reforma eleitoral que preconiza um sistema de representação proporcional personalizada, inspirado no modelo alemão, que conjuga as listas territoriais com os círculos uninominais e um círculo nacional de compensação, para garantir um equilíbrio final das representações partidárias. Não é a primeira vez que a questão da introdução dos círculos uninominais, permitidos pela revisão Constitucional de 1997, é apresentado como uma solução para a crise de confiança dos eleitores em relação aos deputados. O objectivo é fazer uma reforma do sistema eleitoral que reforce o poder de escolha dos eleitores e responsabilize os eleitos - cada eleitor exerce o duplo voto no boletim, assinalando, por um lado, a força política preferida, na lista do círculo territorial intermédio e, por outro, o deputado que escolhe no respectivo círculo uninominal. Esta proposta já foi apresentada ao Presidente da República e pretende ser apreciada no Parlamento. Um dos seus objectivos, segundo Ribeiro e Castro, um dos seus promotores, é  provocar uma transformação profunda na formação das listas, com os partidos a terem que ser mais cuidadosos com os candidatos que apresentam, privilegiando a sua relação com os eleitores e não com os equilíbrios internos de forças do aparelho. Por mim penso que a adopção desta proposta seria um grande passo em frente no nosso sistema - resta saber se os partidos políticos têm coragem para darem este passo ou se preferem manter o imobilismo e o caduco sistema eleitoral actual.

 

SEMANADA - Em 2017 registaram-se mais 24 mil mortes que nascimentos e a população portuguesa está a encolher há nove anos consecutivos; os tempos de espera por consultas da especialidade em algumas unidades do Serviço Nacional de Saúde chega a ultrapassar os quatro anos; de acordo com o gabinete de estatísticas da UE, as maiores dívidas públicas são as da Grécia (177,4% do PIB), Itália (134,1%) e Portugal (130,8% do PIB); a Direcção Geral do Orçamento cativou 100% das verbas do Turismo do Norte, colocando em risco o pagamento de salários e ameaçando fechar os postos do aeroporto e do centro do Porto; a Associação Nacional dos Municípios diz que o plano do ministro Eduardo Cabrita, de limpar matas em dois meses, “não é exequível”; em 2017 Marcelo Rebelo de Sousa teve mais tempo de presença nos espaços informativos das televisões que Cavaco e Sócrates juntos dez anos antes; um estudo revelado esta semana indica que em Portugal existem cerca de 48 mil esquizofrénicos, 16% dos quais sem qualquer acompanhamento médico; um estudo do ACP indica que 80 por cento dos portugueses utilizam o automóvel próprio em deslocações para o trabalho; a DECO recebeu 405 mil queixas em 2017, 8o% delas terminaram a favor do consumidor e o sector das telecomunicações é o principal alvo de reclamações.

 

ARCO DA VELHA - Uma juíza de Beja solicitou ao hospital local uma perícia psiquiátrica a um homem falecido há dois anos e da notificação fazia parte a indicação do cemitério onde está sepultado e a localização da campa.

 

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FOLHEAR - A Monocle de Fevereiro tem o tema do futuro dos mídia na capa. e inclui diversos artigos interessantes sobre o assunto. A Monocle, que preserva ciosamente a sua existência na edição impressa, que não é disponibilizada na net, que não tem site com conteúdos da revista, tem em paralelo uma intensa e diversa actividade digital como uma rádio online, uma área video com numerosos pequenos filmes entre o documentário e a informação, além de diversas newsletters digitais. No editorial Tyler Brulée defende a sua ausência de plataformas como o Instagram porque considera que as marcas de comunicação não devem revelar demasiado sobre elas próprias. O problema com as redes sociais, sublinha, é que o facto de estarem constantemente activas obriga a dizer mais do que aquilo que muitas vezes se pretende. Outros temas desta edição - o portfolio de moda é inteiramente fotografado no Restelo, parte dele na zona comercial junto ao Careca; e existe um artigo sobre a recuperação do antigo cinema Odeon para Hotel e restaurante com incorrecções factuais - a mais humorística das quais é dizer que Salazar frequentava o cinema com “a sua mulher e netos” - enfim, vai para o rol de anedotas daquilo que correspondentes mal informados são capazes de escrever. Muito bom o suplemento patrocinado dedicado à importância do design na Lufthansa.

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VER - Até domingo 28 de Janeiro ainda pode ver uma das últimas representações da versão de “Sonho De Uma Noite de Verão”, a comédia romântica de Shakespeare escrita no final do século XVI, numa versão da produtora teatral Espaço Em Branco com encenação de Luis Moreira. Destaco a adaptação do texto, a partir de uma tradução de Fernando Villas Boas.que mantém o espírito de Shakespeare bem ajustado a esta época sem perder o enquadramento original. O trabalho de todos os actores é muito bom. Como Luis Moreira faz questão de fazer notar no programa do espectáculo, o motor do texto é o ciúme e a tensão que ele cria na relação entre personagens. Mais não digo, esta peça, nesta encenação merece ser vista, e está no Teatro do Bairro, rua Luz Soriano 63. Sexta e sábado às 21h30, Domingo às 17h00.  Reservas espacoembranco.teatro@gmail.com ou 916 911 100. Já agora a companhia Espaço em Branco não é subsidiada e as representações têm estado cheias.

Outras sugestões: em Matosinhos, a Galeria-livraria O Manifesto (Rua França Junior 1) apresenta até 31 de Março “Coming Home” de David Guttenfelder, um importante fotógrafo norte-americano que mostra imagens da Coreia do Norte feitas durante os anos em que lá foi correspondente da Associated Press e, depois, do seu país, os Estados Unidos, quando regressou ao fim de 20 anos no estrangeiro. Todas as fotografias foram feitas com smartphone e vale a pena seguir o seu Instagram em dguttenfelder.

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OUVIR - Numa recente leitura online da revista de jazz  “Downbeat” descobri “Directions”, um disco assinado por João Barradas na editora nova-iorquina Inner Circle Music. E quem é João Barradas? Ribatejano, natural de Porto Alto, a fazer agora 26 anos e já com uma carreira longa, que incluíu formação na área da música clássica e do jazz,  João Barradas é um dos mais conceituados e reconhecidos acordeonistas europeus. Em 2016 gravou, para a Inner Circle Music, o seu primeiro álbum enquanto líder - “Directions”, que teve produção de Greg Osby e contou com as participações de Gil Goldstein e Sara Serpa. O grupo é formado por João Barradas (acordeão), André Fernandes (Guitarra), João Paulo Esteves da Silva (Piano), André Rosinha (Contrabaixo) e Bruno Pedroso (Bateria). . O disco começa por uma faixa que é uma espécie de manifesto, pontuada pela voz de Greg Osby. O acordeão está sempre em destaque, desde a balada  “Varazdin’s Landscape” , às sonoridades folk de “Amalgamat” (onde surge a voz de Sara Serpa) ou a evocação de Piazzolla e o seu novo tango em “The Red Badge Of Courage”. Outro acordeonista, Gil Goldstein, faz um arrebatador dueto com Barradas em “Tiling For The Plane” e Greg Osby participa ainda, enquanto saxofonista, em duas faixas, “Unknown Identity” e “Ignorance”, ambas a sublinhar a ligação de Barradas ao jazz e à música improvisada. Nas plataformas de streaming pode não só ouvir este disco como o outro álbum gravado para a Inner Circle Music, “Home - An End For A New Beginning”.

 

PROVAR - Finalmente fui ao andar gourmet do El Corte Ingles, no sétimo piso do edifício em Lisboa, onde só se chega depois de percorrer toda a restante loja. Resolvi deixar de lado as modas insensatas de nomes como Kiko Martins, as propostas geralmente sensatas de José Avilez e concentrei-me em ver o que ali soprava do lado de Espanha. Amante da Galiza fui direito ao Atlántico, uma criação de  Pepe Solla (uma estrela Michelin no Casa Solla, em Pontevedra) dedicada aos petiscos galegos com uma interpretação muito pessoal. O Atlántico está logo à saída das escadas rolantes e tem uma área confortável que contrasta com a amálgama barulhenta dos chefes da moda e sobretudo com o ruído do salão de festas mexicano ali instalado no meio. Salvaguardados da poluição, já bem sentados, constatei que a escolha do Atlántico tinha sido boa. Não se provaram os mexilhões com caril verde que são a marca de Solla, mas outros petiscos deram boa prova de si. No couvert vinha bom pão, azeitonas levemente picantes e uma surpreendente manteiga com algas. A seguir vieram uns bons croquetes de marisco, acabados de fazer, e umas zamburinas (pequenas vieiras, habituais na Galiza), temperadas com um molho de azeite e alho, que estavam suculentas, o tempero q.b para não tirar o sabor de mar que as caracteriza. No fim um atum com paprika agridoce e algas foi um remate perfeito para uma noite de petisco galego. A lista de vinhos inclui nos brancos portugueses um alvarinho, um douro, um dão e um alentejo, todos bem escolhidos, e quatro propostas da Galiza - distribuição que tem uma réplica semelhante nos tintos. Para a próxima experimento as tapas de Aitor Ansorena, um embaixador da cozinha basca, com o seu Imanol, onde me dizem ter que experimentar alcachofras fritas.

 

DIXIT - "Não quer dizer que o pinhal não vá ser pinhal. O pinhal vai ser pinhal e só é pinhal se tiver pinheiro. Mas, para nós termos um bom pinhal e um bom pinheiro que seja, também ele, resistente ao fogo, é preciso que este pinhal não seja só de pinheiro". - António Costa

 

GOSTO - Há quatro portugueses entre os jovens mais brilhantes da União Europeia, segundo a revista Forbes: o bailarino Marcelino Sambé que está no Royal Ballet de Londres, as empreendedoras Filipa Neto e Lara Vidreiro da Chic By Choice na área do comércio electrónico e Francisco Rodrigues dos Santos, líder da Juventude Popular, na categoria Direito e Política.

 

NÃO GOSTO - Um ano depois de ter sido detectado um problema informático que omitiu dados sobre o apagão das offshores, envolvendo informação sobre dez mil milhões de euros, as Finanças não dizem se há investigação aberta ou responsáveis apurados e a justiça não constituíu arguidos.

 

BACK TO BASICS - Os conselhos devem ser julgados pelos resultados que provocam e não pelas intenções que os originam - Cícero

 

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A POLÍTICA DE NAMORO À BEIRA RIO

por falcao, em 19.01.18

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FUTURO - Rui Rio fez uma curiosa afirmação esta semana, depois de conhecida a sua vitória no PSD : “è preciso namorar bem para que o namoro dê certo”. A frase resume o programa político de Rio, também salientado por vários dos seus apoiantes: colocar-se em posição eleitoral sedutora para que nas próximas legislativas António Costa o possa desejar e envolver. O resultado das eleições do PSD é a consequência natural das mudanças introduzidas na política portuguesa com a solução de alianças despoletada por António Costa e que conseguiu transformar uma derrota eleitoral numa vitória. Definitivamente vivemos um novo tempo, com um apagamento cada vez maior das ideias, um tempo onde a política se resume ao tacticismo do momento, em que os partidos se dispõem a abdicar da sua identidade para conseguirem sentar-se à mesa do poder. Como o caso do PCP mostrou nas recentes autárquicas esta solução leva ao apagamento das diferenças entre partidos e produz uma quebra na influência dos que não lideram o processo. Tirando isto, e regressando ao PSD, os próximos tempos mostrarão a construção de um partido domesticado - Rio é autoritário e é perigoso confundir a arrogância que ostenta com uma coragem que ainda não se viu. Para todos os efeitos Rio chega ao poder no meio de chapeladas diversas, protagonizadas pelo seu próprio diretor de campanha e não desmentidas. Rui Rio tem a doença infantil dos historiadores, é como um arquivo histórico - olha para o passado sem pensar no presente e a ignorar o futuro.

 

SEMANADA - O Presidente da EMEL foi fotografado numa ciclovia, a pedalar numa das bicicletas alugadas pela empresa, e a proclamar que os seus agentes “raramente” andam a fazer caça à multa; a provedoria de justiça defendeu que a cobrança de multas por empresas municipais põe em causa a protecção dos particulares contra situações abusivas; Fernando Medina avisou que o chumbo da taxa de proteção civil cria a necessidade de aumentos nas taxas e impostos camarários; em Portugal o sector automóvel vale 5.9% do PIB e emprega 72 mil pessoas; mais de 40% do novo crédito ao consumo destinou-se a comprar carro; os preços de combustíveis nas zonas mais próximas de Espanha é cerca de 20% mais barato que nas grandes cidades; em ano e meio houve mais de meio milhão de contraordenações graves e muito graves nas estradas, mas só 3% dos infractores perderam pontos na carta de condução; o PS continuou a insistir na Lei do Financiamento partidário; dados agora divulgados mostram que até ao final de Novembro tinham visitado Portugal em 2017 cerca de 19,5 milhões de turistas; em 2017 o castelo de S. Jorge recebeu quase dois milhões de visitantes, 95% dos quais estrangeiros, o que o torna no monumento mais visitado do país; o mosteiro dos Jerónimos recebeu um milhão e cem mil visitantes; metade da população portuguesa só tem polícia a mais de 5 kms de casa; mais de 60% da bancada do PSD não apoiou Rui Rio nas directas.

 

ARCO DA VELHA - A Associação Mutualista recusou prestar informações à entidade contratada pela Santa casa da Misericórdia para avaliar a Caixa Económica Montepio Geral.

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FOLHEAR - Gosto de almanaques. Desde pequeno que me fascina ler por antecipação o que se vai passar ao longo do ano, procurar receitas apropriadas a cada mês, saber das épocas ideais para tratar de algumas plantas e por aí fora. Aqui há umas décadas publicavam-se em Portugal vários almanaques e anuários, depois a coisa caíu em desuso e fiquei limitado a infalivelmente comprar o “Borda d’Água” quando ele começava a ser posto à venda por essas ruas. Agora a editora Guerra & Paz teve a boa ideia de ressuscitar o género e lançou o “Almanaque Português”.  Em cada mês há um calendário com dias comemorativos e outro com os santos, além de recomendações para a horta, pomar e jardim, provérbios populares, a listagem de feriados municipais e sua razão de ser, elencagem das festas e feiras e ainda um repositório de efemérides. Meses à parte, o Almanaque apresenta artigos sobre história, gastronomia, astronomia, astrologia,  anedotas e conselhos úteis que podem ir desde como tirar certas nódoas até como fazer uma mala. Este Almanaque Português, fonte de sabedoria, ensinamentos e diversão, está à venda por 15,50 euros - o que dá 1.29 euros por mês se o amortizarmos no primeiro ano, apesar de ele durar para muito mais tempo.

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VER - Para a semana abre na Sociedade Nacional de Belas Artes uma exposição de uma centena de cartazes desenhados por Raul de Caldevilla que é considerado o primeiro grande publicitário português. A iniciativa é da Academia Portuguesa de Cinema (APC), em parceria com o Museu da Publicidade. Grande parte da obra apresentada foi criada na Empreza Technica Publicitária – ETP, fundada por Raul de Caldevilla no Porto, em 1912. A ETP é uma das primeiras agências de publicidade do país a produzir cartazes de grande formato e foi pioneira na introdução da publicidade exterior. Em 1917 expandiu-se, mudou de instalações e passou a chamar.-se Propagandas Caldevilla. Em 1921 criou a Caldevilla Filmes, produziu documentários e ficção e chegou a projectar o que mais tarde viria a ser a Tóbis, no Lumiar. Filho de um casal espanhol, Raul de Caldevilla nasceu no Porto em 1877, cidade onde viveu até à sua morte em 1951. Foi jornalista, autor dramático, publicitário e produtor de cinema. Na sua actividade não só promoveu os filmes que produzia, entre os quais o primeiro filme dedicado à temática do fado, em 1923, como criou a campanha para o lançamento do filme “Rosa do Adro”, da sua concorrente Invicta Filmes, que anunciou sob o lema “romance português, filme português, cenas portuguesas, actores portugueses. A exposição “Raul de Caldevilla – Cartazes de Sonho” estará na SNBA entre 23 de Janeiro e 12 de Fevereiro e em simultâneo decorre um pequeno ciclo na Cinemateca Portuguesa, mesmo em frente.

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OUVIR - Paulo Furtado é das personagens mais fascinantes da música portuguesa do século XXI. A sua actividade tem-se desdobrado entre os Wray Gunn, banda injustamente pouco acompanhada em Portugal, e a sua própria carreira a solo enquanto The Legendary Tigerman. Nesta vertente a solo, até 2014, Paulo Furtado tocava em palco sózinho, guitarra, harmónica e bateria - um verdadeiro homem orquestra dos tempos modernos, combinando mecanismos de percussão com alguma  tecnologia. A partir de 2014, depois  do álbum “True,  passou a colaborar com Paulo Segadães na bateria e João Cabrita no saxofone - ambos tocam também no novo disco “Misfit”. A edição inclui um CD com 11 originais e um DVD que mostra um road movie fruto do percurso de construção e gravação do disco nos Estados Unidos, realizado por Pedro Maia e filmado por Rita Lino, com o próprio Paulo Furtado como protagonista. O filme documenta o processo criativo, acompanhando a composição das onze canções nos quartos de motel na California em que Furtado se foi alojando durante a rodagem, sendo posteriormente gravadas no estúdio do Rancho de La Luna, em Joshua Tree. The Legendary Tigerman (como os Wray Gunn aliás) tem uma intensa actividade fora de Portugal e uma agenda cheia de concertos. Vale a pena dizer aqui que a fotografia e o cinema há muito fazem parte dos interesses criativos de Paulo Furtado e este “Misfit” junta os vários mundos onde ele se move - e se quiserem ver as suas fotografias espreitem o Instagram de The Legendary Tigerman. Em “Misfit” falamos de rock com forte influência de blues, um som denso com canções magníficas como o manifesto enunciado em “Fix of rock’n’roll”, a envolvência de “The Saddest Girl On Earth”, “Black Hole” e do hipnótico “Red Sun” ou os irresistíveis “I Finally Belong To Someone” ou “Child Of Lust”.


PROVAR - Uma boa e resistente caçarola é um utensílio imprescindível numa cozinha. Não estou a falar de uma panela. Estou a falar de um recipiente de ferro, grosso e pesado, revestido a bom esmalte, com uma tampa que vede bem e que se pode usar no cimo do fogão ou no forno. É coisa para se cozinhar de forma lenta, aproveitando bem os sucos dos alimentos que estão a ser preparados. A boa caçarola é uma testemunha da vantagem de não se usar alta temperatura - razão tinham os antigos que cozinhavam a sopa de pedra original num pote de ferro forjado colocado por cima das brasas das lareiras das cozinhas de antão. A Le Creuset, fundada no início do século XX em França por dois belgas,  é uma das mais prestigiadas marcas que produz caçarolas de ferro esmaltadas, estas “cocottes”, também conhecidas por “dutch ovens “ noutras paragens. Tive a sorte de receber uma como prenda de Natal e antevejo grandes mudanças  na minha actividade culinária nos próximos meses. Este tipo de caçarola é o ideal para cozinhar carne e legumes ao mesmo tempo, num lento e suculento estufado ou num denso guisado. Se pesquisarem na net há imensas receitas para dutch ovens, muito tentadoras,  e que têm em comum a importância de cozinhar a baixa temperatura durante muito tempo. Um dia destes falo de algumas receitas bem sucedidas na minha Le Creuset. Cheira-me que isto é o princípio de uma bela amizade.

 

DIXIT - “O próximo PGR nascerá estigmatizado por uma espécie de reserva de desconfiança. A escolha ficará para sempre sob suspeita. Para salvar ou condenar Sócrates? Para liquidar ou ressuscitar Salgado e o Grupo Espírito Santo?” - António Barreto.

 

GOSTO - A coreógrafa cabo-verdiana Marlene Monteiro Freitas receberá o Leão de Prata na Bienal de Dança de Veneza.

 

NÃO GOSTO - António Costa não respondeu às perguntas colocadas no Parlamento, sobre o jantar da Web Summit no Panteão, dentro do prazo estabelecido para o fazer;

 

BACK TO BASICS - “Quando os políticos se queixam que a televisão dá da política a imagem de ela ser um circo, é preciso ter em conta que o circo já lá estava e que a televisão se limita a mostrar que nem todos os participantes no espectáculo estão convenientemente treinados” - Edward R. Murrow

 

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DUAS PERGUNTAS  - Nas eleições do PSD há duas perguntas que me surgem constantemente e que, para mim, são as decisivas para se fazer uma escolha:  Porque é que a esquerda prefere Rui Rio? Qual dos dois candidatos tem por objectivo derrotar António Costa? Confesso que a figura de Rui Rio não me agrada, e não é de agora. Assemelha-se a uma rolha que vai flutuando ao sabor do movimento das águas, sem nunca se comprometer demasiado. Não gosto da forma como no Porto impôs os seus gostos pessoais por competições automóveis e aviões a outras actividades, fazendo as correspondentes alocações financeiras, e, em simultâneo, subalternizou a política cultural que quase desapareceu do município enquanto Rio foi seu presidente. Nunca gostei do seu enlevo por António Costa e hoje compreende-se  que esse enlevo evoluíu para linha política, concretizada numa estratégia de possibilitar condições para uma aliança entre PS e PSD. O argumento ridículo de que essa seria a forma de afastar o BE e o PCP da esfera do poder colide com a evidência maior que é a de que a única forma de garantir uma derrota da frente de esquerda é o PSD lutar para obter uma vitória clara e não uma posição negocial. Isto no fundo é Rui Rio: um defensor de arranjinhos, alguém que se satisfaz com o segundo lugar e não tem rasgo para lutar pela vitória. É isso que mais impressão me faz. Rio hesita perante o conflito, prefere a conciliação. E, no país, não há eleições que se ganhem com este pensamento. Espero que dentro do PSD não ganhe a linha do compromisso de Rio. Não sou filiado em nenhum partido, tenho votado muitas vezes no PSD, e não me apetece votar num partido cujo projecto político, como é o de Rui Rio, seja aliar-se ao PS. Se fosse militante do PSD votaria em Pedro Santana Lopes.

 

SEMANADA - Mais de 80 médicos do serviço Nacional de Saúde pediram exclusão de responsabilidade, para se defenderem das falhas nos serviços e da falta de meios nos hospitais; o Ministério das Finanças, ao atrasar a autorização de verbas, está a bloquear a implementação dos planos de contingência da gripe que estavam planeados em vários hospitais - afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos; a bastonária da Ordem dos Enfermeiros afirmou que sempre que membros do Governo visitam uma urgência hospitalar os doentes são retirados dos corredores de espera e levados para outros locais menos visíveis, até “para debaixo das escadas”;  “Coisa estranha esta: há tudo mais, mais, mais, mas a verdade é que a Saúde está menos, menos, menos” - disse Assunção Cristas em resposta a António Costa no debate quinzenal na Assembleia da República; em Portugal, um quarto dos jovens não tem emprego; Portugal foi o país onde o desemprego jovem mais cresceu na União Europeia; “Somos um país de treinadores de bancada” - afirmou Constança Urbano de Sousa, ex-Ministra da Administração Interna, dizendo-se vítima de sexismo nas críticas feitas à forma como geriu a resposta aos incêndios de 2017; caíu um pedaço de tecto na Escola Superior de Dança de Lisboa e chove em vários locais do edifício onde são dadas aulas; segundo a CAP, dos 15 milhões de euros anunciados como ajuda do Governo aos agricultores para a situação de seca, apenas foram pagos cerca de 20 mil euros; Portugal é o terceiro país que mais paga a agentes do futebol e num só ano foram pagos quase 50 milhões de euros em comissões; 25% das casas vendidas em Portugal no ano passado foram compradas por estrangeiros.

 

ARCO DA VELHA - O inspector geral do trabalho foi demitido por revelar informações pessoais de uma trabalhadora sob a sua tutela e agora indigna-se por ter sido afastado.

 

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FOLHEAR - Sou fã dos livros de Astérix desde que os comecei a ler há mais de quatro décadas. Mesmo depois da morte de Goscinny, continuei a seguir o caminho que Uderzo foi traçando, com ajudas de novos colaboradores. E cheguei a este novo “Astérix e a Transitálica”, o 37º álbum da colecção. Editado no final do ano passado, só esta semana o fui comprar à Pó dos Livros e fiquei contente quando o livreiro me disse que esta nova aventura estava a ter mais saída que as anteriores -  "Astérix entre os Pictos" (2013) e "O Papiro de César" (2015), também assinados por Jean-Yves Ferri (argumento) e Didier Conrad (desenho). Neste novo livro Astérix e Obélix rumam à Península Itálica, de que até agora apenas conheciam Roma, que visitaram em "Astérix Gladiador" (1964) e "Os Louros de César" (1972). O pretexto é a participação numa corrida de quadrigas, organizada por Júlio César para provar a excelência das vias romanas - uma espécie de rallye onde até participa uma equipa da Lusitânia, por sinal um bocado avariada mas com um inesperado protagonismo final graças à perseverança que nessa época já era a nossa imagem de marca… No livro surge retratada , que me lembre pela primeira vez numa aventura de Astérix, a actividade de jornalistas - no caso a fazer o relato da competição e a entrevistar concorrentes. E o final é completamente inesperado - até nos novos amores que despertam Obélix… o melhor será lerem.

 

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VER -  Não é fácil falar de um conceito quando abordamos imagem e sobretudo a imagem fotográfica. Não estamos apenas a falar de uma maneira de ver, o que está em causa é o que se vê para, depois, se mostrar. E, em última análise, avaliar se faz sentido mostrar o que se vê.  Cláudio Garrudo optou por mostrar o que viu em momentos do céu deixando a cada um dos visitantes da sua mais recente exposição a responsabilidade (ou a possibilidade) de se encontrar nas fotografias. Chama-se “Luz Cega” e está exposta na Ermida Nossa Sra. da Conceição até 21 de Fevereiro (Travessa do Marta Pinto 21, ao Restelo, por trás dos Pastéis de Belém). José Manuel dos Santos, no texto do catálogo da exposição, afirma que estas fotografias “são as imagens de um telescópio interior que só se tornam nossas quando as imaginamos dos outros”. Cláudio Garrudo usou na impressão destas fotografias uma técnica antiga, a cianotopia - um processo de impressão fotográfica em tons azuis, que produz uma imagem em ciano, uma blueprint.  Além de fotógrafo, Cláudio Garrudo colabora activamente em diversas áreas da produção cultural, tem trabalhado com a Galeria das Salgadeiras e é coordenador da nova colecção PH, da Imprensa Nacional, recentemente inaugurada com uma edição sobre a obra de Jorge Molder. Outras sugestões: nas três montras verticais do British Bar Pedro Cabrita Reis escolheu para esta nona mostra das suas apresentações neste local obras de Noé Sendas, Vasco Futscher e Rui Calçada Bastos - que poderão ver até ao final deste mês. E as 85 muito desiguais obras de Miró continuam no Palácio da Ajuda até 13 de Fevereiro.

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OUVIR - “Chasing Trane” é um documentário sobre a vida e obra de John Coltrane, escrito e realizado por John Scheinfeld, exibido na estação de televisão pública norte-americana PBS no ano passado. A produção contou com o apoio da família do músico assim como teve acesso ao arquivo das várias editoras discográficas para que ele gravou. Trane, assim era conhecido o saxofonista e compositor  pelos seus amigos, morreu em 1967 com 40 anos, no auge de uma carreira marcada pela diferença. O documentário mostra o impacto que a música de Coltrane teve na sua época e nos seus contemporâneos e mostra ainda as experiências, paixões e forças que marcaram a sua vida e a sua sonoridade - que muitos apelidaram de revolucionária. A banda sonora do documentário foi agora editada e inclui 11 temas interpretados pelo próprio John Coltrane. Os onze temas são “Love Supreme”, “Russian Lullaby”, “Trane’s Slo Blues”, “Giant Steps”, “My Favorite Things”, “My One And Only Love”  (com Johnny Hartman, o único vocalista com quem o saxofonista aceitou gravar), “Alabama”, “After The Rain”,  “Moment’s Notice” e versões ao vivo de “I Want To Talk About You” e de  “Chasin’ The Trane”. Este CD-banda sonora é uma espécie de introdução acelerada ao génio de Coltrane, patente nos diversos géneros que percorre. No fundo está aqui uma selecção das suas melhores gravações, com bons exemplos da inovação que trouxe ao jazz.

 

PROVAR - Comida de inverno é comida de tacho e comida de tacho é boa em restaurantes populares. Armado destes princípios básicos mão amiga encaminhou-me para o “Caçoila”, em Paço de Arcos. A ideologia da casa é simples: bons petiscos, cozinha regional portuguesa, doçaria tradicional. Não há refeição naquela casa que não deva ser antecedida de uma prova de petiscos - de tal maneira são famosos estes acepipes que os proprietários vão abrir, mesmo ao lado, uma petiscaria que estará aberta todo o dia. Na recente experiência o repasto começou com bom pão e bolinhas de queijo de cabra temperado para barrar o hidrato de carbono; depois vieram peixinhos da horta com uma fritura exemplar, alternados com pimentos padron,  suculentos. Até aqui estamos portanto num repasto vegetariano - em parte seguido na opção seguinte - uns ovos mexidos no ponto certo misturados com espargos verdes. A parte mais carnívora veio com o complemento destes ovos - um pica pau de vitela, de tempero saboroso e tenro, como tenho apanhado poucos ultimamente. Por sugestão de quem me transportou ao local rematou-se o repasto com migas de pato. Só que neste prato a carne desfiada do marreco vem misturada com couves picadas e salteadas, muito bem temperadas - que são as tais migas (na realidade migas de couve tradicionais em algumas regiões). Quem tiver estômago pode ainda apostar no ex libris doceiro da casa, umas farófias armadas de forma sugestiva. A casa é ampla, enche cedo, permite grupos grandes nas mesas corridas e tem um serviço simpático. A morada é Rua Oeiras do Piaui 12, Oeiras, e o telefone é  214460831.

 

DIXIT - “Vinhas para estas diretas para derrotar Pedro Passos Coelho na liderança, eu vim para derrotar António Costa” - Pedro Santana Lopes no debate desta semana na TVI.

 

GOSTO - Catherine Deneuve e cem escritoras, artistas e académicas francesas escreveram uma carta aberta em que rejeitam um feminismo “que exprime ódio pelos homens”.

 

NÃO GOSTO - Do fecho da livraria Aillaud & Lello na rua do Carmo, apesar de estar integrada no programa “Lojas Com História”.

 

BACK TO BASICS - É mais fácil obter perdão que conseguir autorização de fazer algo de invulgar - Stuart’s Law of Retroaction



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ABUSOS - De toda a  história da elaboração secreta das alterações à Lei de Financiamento partidário há um coisa que convém reter: os partidos envolvidos no caso vieram afirmar preto no branco que só agiram como se sabe porque a máquina fiscal abusa, porque a autoridade tributária actua de forma discricionária e arbitrária. Terá sido o desejo de corrigir tais abusos e actuações que levou à criação de uma extraordinária maioria que juntou PS, PSD, PCP, Verdes e Bloco de Esquerda, ineditamente de acordo numa reforma do sistema fiscal. O único problema é que se juntaram em proveito próprio e não, como se poderia desejar e imaginar, para, no Parlamento onde tudo decorreu, se juntarem para corrigir o funcionamento da Autoridade Tributária, acabar com os abusos e actuações arbitrárias para com os cidadãos contribuintes no seu todo. Nós os contribuintes, que nos queixamos do mesmo há anos e anos, apreciaríamos que os partidos e os deputados eleitos conseguissem obter idêntico consenso a nosso favor. Ainda por cima na votação estiveram todos os partidos que apoiam o Governo, mais o PSD que esteve em anteriores executivos. Devemos pois depreender que existe um consenso maioritário para proceder a uma reforma profunda do sistema que persegue contribuintes, a quem são retirados direitos, e que são vítimas de abusos - e os cidadãos e contribuintes individuais são muito mais indefesos que os partidos políticos. Espero que os senhores deputados, depois de se preocuparem com o próprio umbigo, resolvam olhar para o pais e acabar com as prepotências do Fisco. Está provado que o podem fazer, se quiserem, desde que promovam um debate aberto em vez de uma conspiração silenciosa. Este é o meu singelo desejo para 2018.

 

SEMANADA - O número de dirigentes no Estado aumentou 6,12% nos últimos dois anos, para um total de 11 559; em Junho de 2017 em cada 100 trabalhadores activos 12,8 eram funcionários públicos; em 2015 as administrações públicas gastaram 86,825 mil milhões de euros, ou seja o equivalente a 48,4% da economia portuguesa nesse ano; em junho de 2017 as remunerações das administrações públicas em Portugal representavam 11,1% do PIB, 1,1 pontos percentuais acima da média dos países da União Europeia; em 2016 o Ministério das Finanças concedeu benefícios fiscais a 35.500 entidades, de empresas a clubes de futebol, passando por  autarquias e fundações, no valor de 2,4 mil milhões de euros, um aumento de 32% face ao ano anterior;  segundo o estudo TGI da Marktest 3,3 milhões de portugueses têm cartão de pontos fornecido pelos postos de abastecimento e  este número corresponde a 51% dos indivíduos que compraram combustíveis nos últimos 12 meses; em 2017 venderam-se mais 19 mil veículos que no ano anterior, um crescimento de 7,7%; o sistema Multibanco bateu todos os recordes de levantamentos e compras no Natal de 2017- só a 23 de Dezembro registaram-se mais de um milhão de operações avaliadas em 37 milhões de euros; directores de estabelecimentos de ensino de diversas zonas do país afirmam que há escolas que não conseguem ter verba para manter aquecidas as salas de aula; Marcelo Rebelo de Sousa, na mensagem presidencial de Ano Novo, a que teve maior audiência televisiva de sempre, exigiu o mesmo empenho do Governo nas missões essenciais do Estado que nas finanças e na economia.

 

ARCO DA VELHA - A PSP do Entroncamento apreendeu 564 cuecas CR7 falsificadas e a auditoria da ERC ao cumprimento do contrato de serviço público pela RTP em 2016 só foi conhecida nos últimos dias de 2017.

 

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FOLHEAR - Stendhal, um pseudónimo de Marie-Henri Beyle, nasceu no final do século XVIII, em 1830 publicou a sua obra prima, “Le Rouge Et le Noir”, “O Vermelho e o Negro” - sem que haja grande explicação para a escolha do título, além do facto de o autor gostar de fazer jogos de palavras com cores. Uma das teorias é que o vermelho pode querer evocar o exército e o negro o clero. Na sua edição original o romance tinha por subtítulo “Crónica do Século XIX”  e na realidade a obra é uma crónica da sociedade francesa na qual Stendhal retratou as ambições da sua época e as contradições de uma emergente sociedade de classes. “O Vermelho e o Negro”, ao introduzir numa narrativa muito directa a análise psicológica das personagens, lançou as bases para o desenvolvimento do romance moderno, influenciando muitos dos grandes autores, como Ernest Hemingway, que o considerava como um dos seus livros de eleição. “O Vermelho e o Negro” é a história de Julien Sorel, o ambicioso filho de um carpinteiro, de uma aldeia fictícia chamada Verrières, que tinha uma enorme admiração por Napoleão e pelos seus feitos militares. Sorel cedo se revela um alpinista social, trepando nas suas relações amorosas. Por recomendação do padre da aldeia torna-se perceptor dos filhos do “maire” e envolve-se com a sua mulher, o que dita o seu afastamento para Paris.  Aí cedo conquista a filha do nobre de quem é secretário, acabando por a engravidar. Mais não vou contar, mas o fim da história ainda está longe e mete política e ciúme pelo meio. Podem agora ter oportunidade de ler esta obra incontornável na colecção de clássicos da Guerra & Paz, numa magnífica tradução de Rui Santana Brito, finalizada por Helder Guégués.

 

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VER -  Este ano aconselho-vos a dedicarem tempo a programarem uma visita a Londres, por forma  a conseguirem seguir algumas das magníficas exposições que ali vão decorrer. A mais aguardada de todas talvez seja a dedicada a Picasso, que irá ser apresentada na Tate Modern: “Picasso 1932 - Love, Fame & Tragedy” que abre em 8 de Março e encerra a 9 de Setembro. Trata-se da primeira exposição que a Tate dedica exclusivamente a Picasso e nela estarão cerca de uma centena de obras - pinturas, desenhos e esculturas, acompanhadas por fotografias que documentam a vida pessoal do artista num ano particularmente marcante da sua vida, quando conheceu a sua musa e amante Marie-Thérèse Walter - e vão estar expostos três retratos de Walter, apresentados juntos pela primeira vez desde que foram feitos em 1932. No Victoria & Albert, de 16 de Junho a 4 de Novembro, é apresentada a exposição “Frida Khalo: Making Her Self Up”. Na Tate Britain, de 28 de Fevereiro a 27 de Agosto, estará patente a exposição “All Too Human: Bacon, Freud and a Century of Painting Life”. Passando para outra cidade e aqui ao lado, no Reina Sofia, em Madrid, estará uma exposição dedicada a Fernando Pessoa R“Todo Arte Es Una Forma de Literartura”, de 7 de Fevereiro a 7 de Maio. E no Museo Nacional Thyssen - Bornemisza teremos “Victor Vasarely - The Birth Of Pop Art” entre 5 de Junho e 9 de Setembro e uma exposição dedicada a Monet e Boudin de 26 de Junho a 30 de Setembro.

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OUVIR - “Hitchiker” é um tesouro escondido no baú das memórias que Neil Young tem vindo a revelar. A 11 de Agosto de 1976, numa só noite, Neil Young, sózinho em estúdio apenas com a sua guitarra, gravou dez canções , algumas das quais permaneceram inéditas até agora. A sessão de estúdio nunca havia sido editada, foi lançada no final de 2017 com produção, discreta e suficiente, de David Briggs. É uma prova do enorme talento de compositor e do retratista de uma América que observa há décadas. 1976 foi o ano do bicentenários dos Estados Unidos, em que Jimmy Carter derrotou Gerald Ford e se tornou presidente, foi o ano em que nasceu Reese Witherspoon, em que morreu Phil Ochs, em que os Eagles gravaram “Hotel California” e em que estreou o filme “Rocky”. Em vez de embarcar nas comemorações do bicentenário, Neil Young, então com 30 anos, decidiu contar episódios da História mostrando-os sem os branquear - são o tema de várias canções como “Pocahontas”, “Powderfinger”, “Ride My Llama” ou “Captain Kennedy”. Algumas das canções aqui incluídas na versão original foram depois gravadas com versões alteradas, sobretudo na letra, como “Campaigner”. E há também momentos intensamente íntimos, como a balada “Give Me Strength”, que é uma janela aberta sobre a sua própria vida na época ,ou o retrato que faz do que vê à sua volta na faixa título “Hitchiker”. Mais que um baú de tesouros este é um disco que mostra a essência do processo criativo de um dos maiores músicos do nosso tempo. CD Reprise, distribuição Warner.  


PROVAR - O restaurante Vela Latina nasceu em 1988 e durante várias décadas destacou-se pela sua cozinha, pelo serviço, pela garrafeira e, claro, pela localização junto à Torre de Belém. Em meados do ano passado sofreu obras profundas que alteraram todo o espaço, criaram um novo bar, um restaurante de inspiração entre a cozinha peruana e japonesa (o Nikkei) e, remoçaram a sala do clássico Vela Latina. A decoração foi muito melhorada, está muito mais luminoso, com a vista para a doca e o rio a ser mais aproveitada, com a criação de novos espaços num varandim e em esplanadas quando o tempo permite. A cozinha continua marcada pela gastronomia portuguesa e pela qualidade dos produtos. Aqui estão clássicos da Vela Latina como os rolinhos de linguados com gambas, os filetes de pescada com risotto de alcachofras e os fígados de aves sobre tarte de maçã, além do arroz de coentros com lagosta e do lavagante fresco com salada de espargos verdes. O cuidado na confecção permanece intocado, a garrafeira continua a ter boas opções para uma gama variada e razoável de preços. Alguns dos antigos empregados de sala continuam no seu posto, com um atendimentoexemplar. O bacalhau à braz passou a estar disponível todos os dias, volta e meia há vieiras braseadas e risotto de berbigão e salsa., Nas sobremesas as farófias continuam a  ser referências, assim como continua disponível a finíssima tarte de maçã com gelado de baunilha. A Vela Latina fica na Doca do Bom Sucesso, dispõe de ajuda ao estacionamento e o telefone é 21 3017118.

 

DIXIT - “No limite, até poderia, porventura, aventar-se a hipótese de inconstitucionalidade formal” - Jorge Miranda sobre o processo que levou à aprovação das alterações ao financiamento dos partidos na Assembleia da República.

 

GOSTO - O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, elogiou a “mensagem construtiva” que acompanha o veto do chefe de Estado à lei do financiamento dos partidos por não ceder ao discurso populista antiparlamentar e antipartidos

 

NÃO GOSTO - O PCP disse que a Lei do Financiamento dos Partidos, que reduz o IVA e aumenta os donativos políticos, está a ser alvo de uma “insidiosa campanha antidemocrática” de contornos populistas à qual o Presidente da República teria cedido.

 

BACK TO BASICS - “É absurdo dividir as pessoas em boas ou más; as pessoas ou são encantadoras ou são aborrecidas” - Oscar Wilde.

 

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