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AUDIÊNCIAS – Quando estiverem a ler este jornal já serão conhecidos os novos dados de audiência dos canais televisivos, os primeiros saídos do novo sistema de audimetria, que tanta polémica causou e cujo desfecho final é parecido com uma história de espionagem e contra-espionangem onde não se sabe bem quem de facto venceu. Os resultados, com muita probabilidade, irão mostrar uma realidade de audiência diferente da que conhecemos até aqui. Tudo indica que, nos canais de sinal aberto, SIC e TVI reforçarão os seus resultados, assim como os canais de cabo, e a RTP dará um tombo. A nível comercial isto terá consequências – maiores ratings, maiores custos para os anunciantes, a menos que as televisões privadas baixem ainda mais os preços, aumentando os descontos; mas a nível político estes resultados terão também consequências. A RTP surgirá como o elo mais fraco da cadeia, perdendo peso no mercado – o que volta a colocar na ordem do dia a definição dos critérios da sua privatização e da necessidade de haver transparência nestes processos. E, claro, a eventualidade de maiores descontos colocará ainda mais em risco outros sectores dos media, nomeadamente a imprensa. Os próximos tempos serão agitados no sector dos media e da publicidade. O investimento publicitário caíu mais de 10 por cento no ano passado e na conjuntura actual é quase inevitável que a queda continue. Os anunciantes precisam de garantir capacidade de comunicação com os consumidores que querem atingir com a sua publicidade. Mas para que essa comunicação seja possível e tenha dimensão é necessário que os meios de comunicação tenham qualidade, mantenham e reforcem audiências e assegurem os contactos pretendidos. Tudo isto é impossível se as receitas – de publicidade e vendas – estiverem abaixo do preço de custo dos conteúdos. Parece evidente, mas há por aí quem prefira esquecer-se deste assunto.


 


LISBOA – Há mais de quatro anos que António Costa está na Câmara Municipal de Lisboa e há mais de quatro anos que o túnel do Marquês de Pombal está por concluir. Este atraso é um retrato perfeito do imobilismo em que vive a cidade. Um relatório recente da Brooking Institution (uma organização não governamental norte-americana) coloca Lisboa num pouco honroso segundo lugar das cidades com pior dinâmica económica e laboral, entre 200 metrópoles mundiais; o primeiro lugar foi para … Atenas e em terceiro lugar ficou Dublin. No caso de Lisboa o estudo sublinha o contributo desproporcional da área metropolitana da capital para o PIB português, o que torna a cidade muito dependente das condições macroeconómicas do país Pelo quarto ano seguido, salienta o referido estudo, o produto da cidade caiu cerca de 2,8% e o emprego desceu 2,1% (números de 2011). Para o ano há eleições autárquicas. É bom que estes números e estes indicadores vão sendo estudados. Costa tem piorado a qualidade de vida na cidade, tem piorado a qualidade de vida dos habitantes de Lisboa que cá pagam os seus impostos.


 


SEMANADA – Transporte escolar de 300 mil alunos em risco por falta de pagamento das autarquias às empresas de transporte; a proposta de novo código regulamentar do município do Porto, de Rui Rio, tem 200 páginas; um padre de Viana do Castelo andou a recolher empréstimos e doações junto de paroquianos, acenando com um «Diploma de Benemérito» a quem entregasse valores superiores a 50.000 euros; Portugal deverá chagar ao fim do ano com uma taxa de desemprego de 14,5% e cerca de 800.000 pessoas sem trabalho; a utilização de  internet por pessoas acima dos 65 anos duplicou desde 2008;


 


ARCO DA VELHA – A dívida total dos municípios portugueses é de cerca de dez mil milhões de euros, cerca de cinco por cento do PIB.


 


PALAVREADO - «Ó Senhor Reitor não mostre mais nada do que aí tem! Já chega…» - José Sócrates para Luis Arouca, ex-reitor da Universidade Independente, num telefonema reproduzido pelo “Correio da Manhã”, onde ambos combinavam como proceder sobre as investigações jornalísticas em torno da licenciatura do ex-Primeiro Ministro.


 


PERGUNTANDO – Quando é que Cavaco Silva marca nova data para visitar a António Arroio?


 


VER  – Por iniciativa do fotojornalista Luis Vasconcelos nasceu em Mora, com um empenhado apoio da Câmara Municipal local, a Estação Imagem, uma entidade dedicada à fotografia, que promove exposições, edições, bolsas de criação, tudo sob um lema, que é uma frase de Diane Arbus: «Creio que as pessoas nunca veriam certas coisas se eu as não tivesse fotografado.». Durante um ano o fotojornalista João Pina, um dos melhores da actual geração, andou pelo alentejo a recolher imagens que juntou na exposição «O PREC já não mora aqui». Estre trabalho, possível graças à  Bolsa 2010 da Estação Imagem/Mora, foi premiado pela SPA como o melhor trabalho de fotografia e pode ser visto até 11 de Março na Igreja de S. Vicente, em Évora. Mas pode também ser visto – e vale mesmo a pena conhecê-lo – em www.estacao-imagem.com/prec.html. E se forem ao site, naveguem um pouco por lá para descobrirem o que mais se pode ver nesta bela iniciativa.


 


OUVIR – Lulu Gaisnbourg, 25 anos, dedicou o seu primeiro disco a homenagear o seu pai, Serge Gainsbourg. Lulu, que vive em Nova York, pegou em temas como «L´Eau à La Bouche», «Bonnie And Clyde», «Requien Pour Un Con», «Balade de Melody Nelson», «La javanaise» ou «La Noyée», entre outras, e rodeou-se de um grupo de convidados que vão de Rufus Wainright a Scarlett Johansson, passando por Marianne Faithfulll, Vanessa Paradis, Johnny Depp, Shane McGowan, Richard Bona ou Iggy Pop, entre vários outros. As canções são algumas das melhores feitas pelo pai Gainsbourg, os arranjos são jazzy ( e Lulu revela-se um pianista acima da média). Entre os convidados Rufus Wainright e Marianne Faithfull destacam-se claramente. O dueto de Vanessa paradis com Johnny Deppo também tem piada, assim como o que Lulu faz com Scarlett Johansson. «From Gainsbourg To Lulu», CD Fontana /Universal


 


LER – Por pouco que um cão não foi considerado o melhor actor de cinema na edição dos Oscar deste ano; em alternativa estava também um cavalo. Esta dualidade animal mostra o vazio para o qual caminha o cinema e os seus prémios mais prestigiados. Não certamente por acaso, na época do digital e dos efeitos sonoros, o filme mais premiado é filmado a preto e branco e não tem diálogos, evocando os filmes mudos. Tenho um medo terrível, em tudo, das teorias do regresso às origens como potenciais salvadoras da falta de imaginação – ou de inovação, como lhe quiserem chamar. Para escapar a este triste cenário cinematográfico sugiro que devorem a edição de Março da revista «Vanity Fair», a célebre edição «Hollywood» , que já vai no seu 18º aniversário. Vale a pena recordar as capas das edições anteriores que aqui são mostradas, vale a pena saber qual é o filme mais importante dos últimos 30 anos na opinião da revista ( e é uma surpresa), vale a pena ver as novas estrelas em ascensão (entre as quais a fantástica Rooney Mara, do filme «The Girlk With The Dragon Tattoo»), mas também a entrevista actual com Sophia Loren, outra com Cindy Sherman a propósito da sua retrospectiva no MOMA, e uma bem ilustrada digressão pela carreira e vida de Brigitte Bardot. Uma edição absolutamente imperdível.


 


PROVAR – Na zona da nova movida do Cais do Sodré, na Rua Nova do Carvalho 41, a rua do alcatrão pintado, uma antiga casa de material de pesca foi transformada num bar que só serve conservas. Chama-se «Sol e Pesca» e dispõe de uma bela escolha de alguns dos melhores produtos da indústria conserveira portuguesa – basta escolher, pedir o pão da casa e decidir o que quer beber e tem um petisco simples mas delicioso. Eu, que sou um fã das boas conservas portuguesas, fico contente com esta nova tendência. Se quiser pode replicar a coisa em casa – basta ir à Conserveira de Lisboa, no nº34 da Rua dos Bacalhoeiros, ou à Mercearia Criativa e passear os olhos pelas prateleiras. As marcas Minerva, Santa Catarina, Tricana e Prata do Mar, são garantidas para quem se quiser iniciar nos petiscos conserveiros. Para além de acompanharem bem um bom pão, muitas são excelentes em saladas.


 


BACK TO BASICS – «Um bom jornal, na minha opinião, é aquele que consegue dar a imagem de uma nação a comunicar consigo mesma» - Arthur Miller.


 


(publicado no Jornal de Negócios de 2 de Março)

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publicado às 11:16



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