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MISTÉRIO I – Daqui a uns anos, quando se fizer a História destes anos da crise, vamos ter dificuldade em perceber para que serve a Comissão Europeia, que fez ela de concreto numa conjuntura difícil como esta e como se pode comparar a sua acção com a da França, Alemanha ou Reino Unido. A Europa vive destes equívocos, de uma Comissão sem capacidade de intervenção, de regulamentações absurdas – a última que soube tem a ver com as condições em que devem estar as galinhas poedeiras – área para cada uma, características do poleiro e do chão, existência de uma superfície do género lima para que as unhas não cresçam: em resumo, muito trabalho para a ASAE. Enfim, ainda se confinassem Merkel e Sarkozy ao galinheiro…


 


MISTÉRIO II - Dia 20, o Benfica-Porto, para a Taça da Liga, na SIC, obteve, segundo a GFK, 2 669 000 espectadores; terça-feira, na RTP1, o Benfica-Chelsea, para a Liga dos Campeões, apenas obteve, ainda segundo a GFK, 1 959 000 espectadores – uma diferença de  710 mil telespectadores. Pinto da Costa influencia muito mais do que aquilo que se pensa.... Mas a coisa não fica por aqui: nas audiências da noite de Domingo - em que existia o duelo entre «A Tua Cara Não Me É Estranha» da TVI e a estreia de «Ídolos» na SIC - existiu uma primeira versão das audiências que dava cerca de 1.086.000 espectadores à «Tua Cara Não Me É Estranha», da TVI, um resultado fraco comparado com as semanas anteriores; sabe-se lá porquê esta primeira medição foi suspensa e anulada; a segunda medição, que saíu ao fim da tarde, deu 1.486.000 espectadores ao programa da TVI. Isto acontece na noite em que as duas principais estações comerciais concentram as suas produções mais caras e competitivas. Nos últimos dias ocorreram vários atrasos e correcções nos resultados de audiências – as medições da GFK começaram a ser utilizadas a 1 de Março e desde então ainda não houve uma semana em que não surgissem problemas graves. Claro que esta situação descredibiliza a medição de audiências – tanto mais que o serviço era suposto estar a funcionar a 1 de Janeiro e três meses depois está no estado que infelizmente se conhece. O pior que podia acontecer era criar a sensação de que os resultados das audiências são afinados com lápis e borracha ao sabor das conveniências.




ESPIONITE – Em Novembro passado o SIS elaborou um relatório onde previa o pior em matéria de agitação social. Soube-se entretanto que em vésperas da greve geral da semana passada o SIS elaborou um outro relatório alarmista que previa para o dia da greve geral um princípio de guerra civil com explosões, cocktails molotov, caos geral. O relatório foi enviado à PSP. Até que ponto é que o delírio destes espiões de brincar do SIS foi responsável pelo comportamento da PSP? Ao espicaçar desta forma, o SIS acaba por ter responsabilidades em tudo o que se passou e na forma como as polícias actuaram. Pela segunda vez o SIS age de forma paranóica, com suposições que não estão baseadas em factos concretos. Alguém devia pôr ordem nestes espiões de trazer por casa antes que a mania da perseguição que os motiva tenha efeitos mais graves. E talvez não fosse mau garantir acompanhamento em matéria de saúde mental a quem, nestes serviços, autoriza relatórios destes e a sua divulgação. Ainda sobre os acontecimentos da semana passada não deixa de ser curioso que uma carga policial que demorou minutos, e que está amplamente documentada em imagens, vá levar quase um mês a ser investigada. Jogar no efeito da perca de memória é uma desresponsabilização a todos os níveis, a começar pelos responsáveis governamentais desta área.




SEMANADA –  Os árbitros de futebol anunciaram que vão fazer greve se continuarem a ser criticados; Portugal está entre os dez países da Europa com maior consumo de álcool por habitante; as finanças queriam deixar de reconhecer os atestados vitalícios de cegos cuja incapacidade havia sido avaliada por junta médica; Portugal foi dos países que mais gastou para apoiar o sistema financeiro - 1,3% do PIB; pausas para fumar reduzem a produtividade em 10%; funcionários da fábrica Molin demoraram 11 anos a receber a indemnização depois da falência da empresa; das quatro equipas que jogaram esta semana na Liga dos Campeões só uma era portuguesa- o Benfica: pois o Benfica foi a única equipa que alinhou sem portugueses  – o Chelsea, o Real Madrid e o Apoel  tinham jogadores portugueses em campo.




ARCO DA VELHA – Eu julgava que a concorrência era positiva para fazer descer preços mas esta semana soube que, a partir de Julho, a factura da electricidade vai aumentar de três em três meses para que os consumidores do mercado regulado não paguem menos que os do mercado liberalizado. É o que se chama concorrência e liberalização à portuguesa.




AGENDA – No BES Photo (Museu Berardo-CCB), e ao contrário daquilo que o nome podia indicar, a única exposição de fotografia presente é a de Mauro Pinto, com a belíssima série «Dá Licença»; Na Casa da Fotografia (Av Almirante Reis 74-1ºB entre as 17 e as 20h00) José Reis volta a expor em Portugal após longa ausência e mostra «Jardins Japoneses», um trabalho feito ao longo dos últimos sete anos nos Estados Unidos e no Japão. Para acompanhar o trabalho de escultura e desenho de Bruno Cidra vale a pena ir à Galeria Baginski (Rua Capitão Leitão 51-53, ao Beato). Finalmente para ver como a moda pode ser vista o MUDE (Rua Augusta 24), apresenta peças de (entre outros) Ana Salazar, Dinbo alves, Filipe Faísca, Maria Gambina, Ana Bela Baldaque, Os Burgueses e Storytailors na exposição «Diz-me do que gostas, dir-te-ei quem és».




OUVIR – Ao quarto álbum de originais, os Wray Gunn estão ainda melhores – e a coisa não era fácil. Continuando a trilhar o caminho dos blues e do gospel, baseados no talento de Paulo Furtado (sim, o Legendary Tiger Man, aqui numa outra encarnação), e nas vozes de Raquel Ralha e Selma Uamusse, os Wray Gunn mostram ser a banda portuguesa que melhor compreende e trabalha o universo do rock’n’roll. Destaco os temas «Don’t You Wanna Dance», «Kerosene Honey», «My Secret Love» e «That Cigarette Keeps Burning». Depois de «Soul Jam», «Ecclesiastes 1.11» e «Shangri-La», a banda edita agora «L’Art Brut», mais um exemplo de que os bons discos não são fruto da sorte – mas sim de talento, trabalho e persistência. CD Valentim de Carvalho.




FOLHEAR  –  A «Vanity Fair» deste mês tem Julia Roberts na capa, e ela fala sobre a nova direcção da sua carreira, entrevistada pelo realizador Mike Nichols e fotografada por Mario Sorrenti. Destaque para um artigo sobre a perca de poder do império de comunicação do «Washington Post», o jornal que publicou o caso Watergate e que agora é vítima da erosão digital. Outro bom artigo revisita a mítica série «The Sopranos», e fala com alguns dos seus principais protagonistas, fotografados por Annie Leibowitz. Outros temas: a influência da série «West Wing» na política americana, o novo filme de vampiros de Tim Burton com Johnny Depp, «Dark Shadows», a grande exposição de homenagem a Helmut Newton e a guerra de poderes por detrás das eleições russas. E, embora seja publicidade pura e dura, destaque para o especial de seis páginas sobre a colecção limitada da Banana Republic que replica a roupa da série Mad Men.




PROVAR –  Este provar de hoje tem apelo de petisco e som de fado. Vou sugerir que visitem o «Povo», um bar-restaurante que serve bons petiscos como moelas estufadas, ovos mexidos com farinheira, pica-pau, salada de polvo ou peixinhos da horta, tudo acompanhado de razoável vinho a copo (ou de garrafa, em querendo), cerveja ou outras coisas mais fortes. A curiosidade adicional é que todos os meses há uma residência de um fadista convidado, alguém ainda pouco conhecido, que volta e meia vai trazendo convidados inesperados. Cada um dos novos fadistas que por ali passar ainda terá direito a gravar um disco, editado com o selo da casa. O ambiente é muito bom, a conversa gira entre as mesas ou ao balcão. O «Povo» faz parte do novo Cais do Sodré, esta semana louvaminhado na BBC e na revista do International Herald Tribune. Rua Nova do Carvalho 32-36, telefone             213 473 403      , podem ver 


os acontecimentos do dia em www.facebook.com/povolisboa .




BACK TO BASICS – «Costumava ser a Branca de Neve, mas depois desvairei» – Mae West

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publicado às 11:54



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