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EXEMPLAR – Marcelo Rebelo de Sousa tem tido uma semana em cheio. Na sua habitual presença de domingo na TVI fez uma nota sobre o significado da alteração de estatutos do PS e subitamente saltou para o centro do debate político e ficou debaixo da mira da direcção do PS. A resposta que Marcelo deu às críticas e ao ataque que o próprio António José Seguro lhe dirigiu é, em si mesma, um exemplo de comunicação bem gerida. Em vez de contra-atacar ou justificar-se, Marcelo prometeu comentar a reacção do PS mais uma vez no seu espaço na TVI no próximo Domingo. Foi uma jogada digna dos melhores momentos do seu Sporting de Braga: ao mesmo tempo conseguiu pôr o adversário fora de jogo e criar expectativa para o desenlace final do desafio. E não deixa de ser engraçado que apesar da muitas críticas internas, foi a análise que Marcelo fez à revisão estatutária de Seguro que provocou mais ruído. Mas outro ponto alto da semana de Marcelo foi a entrevista que deu aqui ao «Negócios» na passada terça-feira, certeira, estabelecendo uma clara agenda de posicionamento político, desde os grupos económicos às relações com as ex-colónias, passando pela análise do Governo anterior e do comportamento da Europa na crise - e não esquecendo um elogio a Paulo Portas.



TELESPECTADORES - Quem me dera a mim deixar de falar de audiências – era sinal que a coisa estava pacificada. Mas os problemas continuam e algumas entidades tentam passar informação que no mínimo não é completa. Comecemos por uma afirmação que se tornou corrente, a de que o sistema actual, da GFK, mesmo com problemas, é melhor que o anterior, da Marktest. Não tenho estados de alma em relação a nenhuma das empresas, mas gosto de ser imparcial. Foi exactamente por se constatar que o sistema anterior tinha muitos anos e a sua manutenção em funcionamento tinha-se prolongado para além do prazo inicialmente previsto que se abriu um concurso. Todo o sector sabia que estava tecnologicamente desactualizado face ao evoluir da realidade de distribuição de canais e consumo de televisão: Por isso mesmo os vários players do sector decidiram finalmente  em 2010 iniciar o processo de escolha de um novo sistema. O processo foi demorado mas, para abreviar, no primeiro trimestre de 2011 foi tomada a decisão, que causou alguma polémica no sector – porque em termos técnicos a Marktest ficou melhor classificada que a GFK, a qual ganhou no preço. Quando se diz que o novo sistema, mesmo com falhas, é melhor que o anterior, compara-se o que não pode ser comparado. Mas esta é uma parte da questão; a outra é que o contrato assinado em Abril passado apontava para o início do período de testes em Setembro de 2011, para o início da entrega regular de informação no início de Dezembro e para o arranque do novo sistema da GFK no início de Janeiro deste ano. Ora, no início de Janeiro, nem o painel estava completo (continua a não corresponder ao que se pretende), nem a fase de testes tinha condições para arrancar. Talvez com estes dados, que reflectem atrasos, dificuldades em cumprir as metas combinadas se comece a perceber o porquê de continuarem a existir tantos problemas. Fica, no entanto, a dúvida se, com o concorrente que obteve melhor classificação técnica e que tinha mais experiência nacional e internacional nesta área, estaríamos ainda perante problemas destes. Mas quem tomou há um ano a decisão da escolha é que poderá explicar porque é que preferiu apostar no desconhecido e brincar à roleta russa com as estações de televisão, os investimentos dos anunciantes e o trabalho das agências de meios. “If you pay peanuts, you get monkeys”, como dizia James Goldsmith.


 


REDUNDÂNCIA DA SEMANA - «Seja qual for a solução encontrada para a medição de audiências televisivas, o Presidente do Conselho Regulador da ERC considera indispensável que a empresa ou empresas selecionadas sejam sujeitas a uma supervisão técnica» - declaração emitida por Carlos Magno na segunda feira.


 


OUVIDO NUMA REUNIÃO – «Vá lá, caiam na realidade e deixem de brincar ao Sócrates.»


 


SEMANADA –  O deputado Ribeiro e Castro anunciou que vai lançar um projecto de lei para restaurar o feriado de 1 de Dezembro; a oposição interna a Seguro anunciou querer impugnar os novos estatutos do PS; desemprego jovem triplicou num ano; a taxa de desemprego em Portugal atingiu os 15%; as salas de cinema perderam 678 mil espectadores em relação aos três primeiros meses do ano passado; a página oficial do Governo na internet esteve sem funcionar vários dias e registaram-se problemas com emails do executivo; o presidente húngaro demitiu-se depois de se saber que parte da sua tese de doutoramento foi plagiada.


 


ARCO DA VELHA – Existem 1.026 postos de carregamento de veículos eléctricos em todo o país mas em circulação apenas existem 231 desses veículos. O resultado é que muitos desses postos já foram vandalizados e estão inoperacionais. Quanto terá custado tudo isto?


 


VER – Uma das melhores iniciativas dos últimos tempos, no campo do marketing cultural, é a exposição em pleno Centro Comercial Colombo, feita em parceria com o Museu Nacional de Arte Antiga. Até 1 de Julho, estará montada na Praça Central do centro exposição temporária “Construir Portugal, Arte da Idade Média” – trata-se de uma narrativa do processo de formação do Reino, com cerca de três dezenas de peças do acervo do Museu - pinturas, esculturas, mobiliário e peças de artes decorativas em metal e cerâmica. Esta é  a primeira exposição, que foi criada especialmente para o projeto “A Arte Chegou ao Colombo” e estará patente até 30 de Junho. De Julho a Outubro, terá lugar, também naquele espaço, uma segunda exposição, intitulada “Desenhando o Mundo - Arte da época dos Descobrimentos”. A entrada é livre e a exposição pode ser vista todos os dias entre as 10h00 e as 23h00.


 


OUVIR – Volta e meia surge um daqueles discos que se ouve de seguida vezes sem conta. Ando com ele no carro, ouço-o em casa: nos últimos anos este deve ser o CD que mais vezes ouvi na primeira semana que o tive. Michael Kiwanuke – não é fácil fixar este nome – é filho de pais ugandeses mas nasceu e cresceu em Londres. Fanático por música soul, é a partir deste território que se movimenta. Ouve-se este seu primeiro disco e sente-se que ele tem um dom natural para construir canções que combinam, de forma quase perfeita a pop e a soul music, com fortes influências do jazz. Aos 24 anos Kiwanuke fez um dos grandes álbuns de estreia dos últimos tempos e é difícil resistir a canções como «Tell Me A Tale» ou «I’m Getting Ready», «Home Again» ou «Any Day Will Do Fine». E esqueci-me de dizer outra coisa que contribui para o vício em que este disco se torna: a sua forma de cantar, de interpretar uma canção. O CD de Michael Kiwanuka chama-se «Home Again» e já está no mercado português.


 


FOLHEAR – Há uma aplicação para iPad (e iPhone) que faz as minhas delícias de consumidor compulsivo de revistas e imprensa em geral. Chama-se “pulse” e é um agregador que permite escolher temas, mas também revistas e seus sites, como a Adweek, a New Yorker, a Salon, a Fast Company, a Harvard Business Review, a Time ou a Atlantic, para além do Huffington Post ou  Daily Beast. Uns dez minutos por dia na “pulse” permitem mesmo tirar o pulso á melhor informação que por aí se publica.


 


PROVAR –  Volta e meia gosto de voltar a ver como estão os restautantes onde gostei de ir. Na semana passada regressei, com gosto, ao restaurante Jockey, no Hipódromo do Campo Grande. Continua a ser um belíssimo local, confortável, óptimo para conversar e com a parte muito agradável de se comer muitíssimo bem. A escolha caíu em filetes de polvo, que estavam absolutamente perfeitos – é um prato difícil, que pode resvalar para uma má experiência, mas correu bem. Constatei que as iscas, finíssimas e bem temperadas, continuam sérias concorrentes a serem consideradas as melhores da cidade. O chefe Felisberto Areias continua a tratar bem os seus clientes e os preços continuam sensatos. Quando o tempo está bom a esplanada é muito simpática e o estacionamento é sempre fácil. Telefone 217 957 521.


 


BACK TO BASICS – A televisão fez muito pela psiquiatria ao contribuir para a sua divulgação, mas também porque a própria televisão pode desencadear a necessidade de ajuda psiquiátrica – Alfred Hitchcock


 


(Publicado no Jornal de Negócios de dia 5 de Abril)

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publicado às 11:47



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