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REFORMAS - Quando aqui há uns meses se realizaram manifestações em França contra o aumento da idade da reforma lembro-me de ter visto um dos manifestantes, com ar jovial, saudável e bem posto, a queixar-se do incómodo de não se poder reformar aos 57 anos e apenas aos 62, dizendo, com ar convicto e contrariado, que esta alteração não lhe dava jeito nenhum. Aqui há dias encontrei uma ex-colega minha de faculdade, exactamente com a mesma idade que eu – 57 anos – que me disse estar muito contente por se ter reformado há um ano – fiquei de cara à banda. Lembro-me que na geração dos meus pais a reforma era uma coisa que acontecia muitas vezes depois dos 65 anos, por opção dos próprios. Não consigo compreender que  uma sociedade dispense aqueles que teoricamente têm mais conhecimentos, maior experiência adquirida e que mais podiam contribuir para formar profissionalmente os mais novos. Nos últimos anos criaram-se perversos mecanismos que levaram a este estado de coisas. Podiam-me dizer que, em contrapartida, a muitos jovens foi dada oportunidade de começarem a trabalhar – mas como todos sabemos isso é mentira. Não é preciso ser perito para perceber que permitir antecipar reformas uma dezena de anos é uma opção que complica o presente e compromete o futuro.


 


IMAGENS – Nesta semana ficou conhecido o resultado de um inquérito da Inspecção Geral da PSP aos incidentes no Chiado. Segundo o referido inquérito a policia portou-se como deve ser, planificou como deve ser e actuou como deve ser. Estamos pois conversados sobre o assunto – a policia resolveu pedir desforra a um outro inquérito, também oficial, que não dizia bem isto. Mas a parte mais curiosa é sobre o que aconteceu com repórteres fotográficos – “ficou evidente a necessidade de melhor sinalizar” os jornalistas. Um aspecto pouco focado sobre este tema não envolve só os jornalistas. As imagens do Chiado mostram que  agentes policiais se incomodaram por estarem a ser fotografados e atiraram-se contra quem o fazia – que eram jornalistas. Mas isto levanta outra questão: pode a policia agredir ou impedir um cidadão, mesmo não jornalista, de fotografar uma ocorrência pública, na circunstância uma carga policial? Não devem os policias ser instruídos sobre o facto de não ser crime fotografar na via pública? Não lhes deve ser explicado que não é um acto terrorista registar imagens de ocorrências destas?


 


PORTAGENS - O que se passou no fim de semana da Páscoa com os turistas estrangeiros e as novas portagens rodoviárias é um manual de ineficácia do Estado e de incapacidade de assumir erros. Recordo que o problema vem de trás, do anterior Governo. Aos poucos vai-se descobrindo que tanto incómodo – e tantos prejuízos causados ao comércio nas regiões mais afectadas pelas barreiras levantadas à entrada de turistas por via rodoviária, não têm afinal efeito prático – parece que nada acontece aos condutores estrangeiros que não pagam portagens. A história seria cómica se não fosse trágica. Com a devida vénia reproduzo um excerto de uma nota do blogue “31 da Armada” que me parece sintetizar de forma clara esta inusitada situação: “Na resposta a um problema podemos complicar, imitar ou inovar. No caso do pagamento de portagens nas ex-scut optámos pela primeira. O governo anterior, em mais de 3 anos, não foi capaz de encontrar uma solução que não passasse pela compra de identificadores (o «Expresso», na altura, contou uma história edificante sobre uma empresa amiga especializada nesses aparelhómetros), ou pelo tradicional «ponha-se na fila». Como é evidente, outros já tiveram este problema. E resolveram bem a questão. Com um simples sms de valor acrescentado. E um outdoor de grande formato com a indicação do número para onde se deve enviar a mensagem com a matrícula do carro. Simples. “


 


PARQUE MAYER – Tenho para mim que as recentes decisões judiciais em torno do caso do Parque Mayer ainda vão fazer correr muita tinta. Uma coisa parece certa – António Costa tinha aprovado um plano para o Parque Mayer, adjudicado obras (por exemplo as de recuperação do Teatro Capitólio) com início marcado para este mês. À medida que os dias passam percebe-se que os gritos de vitória lançados por José Sá Fernandes quando se soube da decisão judicial podem ter sido exagerados. Um cidadão olha para o assunto e, do que lê, percebe que a Câmara começou a assumir responsabilidades sobre um terreno que não sabia se seria seu ou não, vai ter de reembolsar o antigo proprietário por entretanto invalidar uma operação de permuta de terrenos e uma expropriação – que não há-de ser fácil – parece ser a solução de recurso. A moral desta história, como a do túnel do marquês, é que processos em que o vereador Zé se mete acabam por sair caríssimos aos contribuintes e à autarquia lisboeta. O Zé é um centro de custos – e quando se arma em negociante e quer criar um centro de receitas acaba por fazer péssimos negócios com o espaço público da cidade, transformando-a numa feira de horrores – como já aconteceu com algumas zonas da cidade, em especial a Avenida da Liberdade. Quando para o ano houver eleições autárquicas, na hora do voto lembrem-se destes edificantes episódios.


 


 


SEMANADA –  Televisão, rádio e imprensa portuguesa perderam 500 efectivos em quatro anos; 59% dos candidatos à advocacia chumbaram no exame final de estágio da Ordem dos Advogados e a média do exame foi de 7,8 numa escala de zero a vinte; a poucos dias do apagão final 30% das famílias sem televisão paga ainda não está preparada para receber a TDT; as vendas de carros caíram 51,7% no primeiro trimestre de 2012; a


Câmara de Leiria deu 7,2 milhões de resultado positivo em 2011; há


prisões com todas as torres de vigia desactivadas por falta de pessoal;


uma juíza do tribunal de Famalicão foi condenada a 180 dias de suspensão pelo Conselho Superior da Magistratura por ter feito acusações a um outro juiz, consideradas falsas; todos os dias 30 pessoas são declaradas falidas em Portugal; insolvências subiram 46% desde Janeiro.


 


ARCO DA VELHA – Portugal ficou classificado em 73º lugar no ranking do primeiro relatório mundial sobre a felicidade, elaborado a pedido das nações unidas, e atrás de 22 países da união europeia.


 


VER – Vou falar do que já não se pode ver: demorou uma noite apenas a mais recente exposição de Julião Sarmento – uma instalação criada na galeria Appleton Square, em Alvalade, em torno de uma das mais preciosas peças do Museu Nacional de Arte Antiga, uma obra do pintor flamengo van Dick, do início do século XVII. Foi uma deliciosa e inventiva provocação, que mostrou como toda a criação artística pode ser reciclada e como as aparências – e os conceitos – podem iludir.


 


OUVIR – Em Maio de 2011 Elvis Costello criou uma série de concertos com esta particularidade: uma tômbola gigante, colocada no palco, tinha o nome de muitas das suas canções, e um espectador era convidado para a girar, escolhendo assim uma delas. Desta forma os concertos não tinham alinhamento fixo, mas sim aquele que a sorte ditava. Nasceu o “Spectacular Spinning Songbook”, trazido pela mão de Elvis Costello & The Imposters. A digressão com o mesmo nome chega à Europa este ano e o disco, gravado em Maio do ano passado, ao vivo, em Los Angeles, inclui um CD e um DVD, com o mesmo alinhamento, cada um deles com 17 temas, entre os quais uma canção que Costello em tempos fez para as Bangles, “Tear Off Your Own Head”, aqui co-interpretada por Susana Hoffs. Os discos ao vivo são pensados para os fãs dos artistas gravados, mas neste caso, e sobretudo o DVD, é bom entretenimento garantido para quem se delicia com os truques de produção de um concerto. O resto é apenas o enorme talento de Elvis Costello. O disco já está disponível em Portugal.


 


LER – Querer ignorar hoje em dia o que se passa nas redes sociais é o mesmo que, há uns anos atrás, dizer que não se tem tempo para ler jornais. As mudanças no universo digital são tão rápidas que, para as entender, ajudar ter uma espécie de guia que nos vai chamando a atenção para o que é mais relevante. Há uns tempos, via twitter por sinal, descobri o sítiomashable.com e desde então tornei-me seu leitor regular. Além de novidades técnicas inclui bons artigos sobre negócios como a recente aquisição do Instagram pelo Facebook e, ainda, uma série de textos oportunos sobre temas como a influência do digital na política ou o papel das redes sociais no local de trabalho.


 


PROVAR – Os menus executivos chegaram a um dos restaurantes de Lisboa com melhor vista – o Terraço do Hotel Tivoli. Aos dias de semana, ao almoço, uma entrada, o prato do dia, uma bebida e café ficam por 25 euros.


 


BACK TO BASICS – A tolerância é uma excelente virtude, mas o vizinho mais próximo da tolerância é a apatia – James Goldsmith


 

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publicado às 11:24



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