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COMUNICAÇÃO –  O universo dos Media continua agitado em Portugal. A circulação global dos jornais continua a descer, o investimento publicitário no conjunto dos media tradicionais continua a reduzir-se, os próprios canais generalistas estão a captar menos publicidade. Alguns dos grupos de media mais antigos apresentam resultados preocupantes e existe a sensação de que até ao fim do ano ocorrerão alterações consideráveis na organização de todo o sector. Operações como a anunciada privatização de um canal da RTP vão desempenhar um papel importante nesta reorganização. Muito provavelmente vão surgir novos grupos de comunicação, pode haver consolidação de outros, não está afastada a possibilidade de fusões. É certo que vários grupos procuram novos investidores e que há vários investidores, lusófonos, que querem tomar ou reforçar posição em Portugal. Até ao fim do ano alguma coisa vai mudar e a nova realidade que iremos ter pela frente vai ser diferente da que temos hoje. Tudo isto obriga a pensar, a elaborar novas estratégias. E abre também novas oportunidades.


 


INOVAÇÃO – Felizmente algumas entidades começam a falar da importância que a inovação tem no desenvolvimento do país. Um dos melhores exemplos recentes de inovação é o Meo Kanal – a ferramenta desenvolvida pela equipa do Sapo e que permite que os clientes Meo criem os seus próprios canais de televisão, de uma forma simples. Como sempre acontece, por detrás da simplicidade da utilização está uma investigação complexa e um trabalho que demorou um pouco mais de um ano desde que a ideia surgiu até ser apresentada. A solução do Meo Kanal é única no mundo e é uma verdadeira inovação  - as possibilidades de comunicação que apresenta são numerosas. Apresentado no início de Fevereiro, o Meo Kanal já tem cerca de 14.000 canais criados – desde canais pessoais e familiares, até experiências de jornais e rádios locais ou mesmo mini séries de ficção feitas por crianças. Entre os clientes Meo, a audiência total do conjunto dos canais Meo Kanal já criados está frequentemente no top ten dos hábitos dos espectadores. Algumas universidades agarraram logo a ideia e utilizam o Meo Kanal como uma extensão da sua actividade, algumas empresas aproveitam também já a plataforma para comunicação interna ou formação. E muita gente cria o seu canal para brincar à televisão. Na realidade esta ferramenta possibilita que cada um seja director de programas do seu próprio canal –  esta é a adaptação aos tempos actuais dos jornais policopiados ou das rádios caseiras gravadas em fita magnética de há décadas atrás. Bem mais recentemente os blogues permitiram criar espaços individuais – mas a tecnologia do Meo Kanal vai mais além pela capacidade que tem de mostrar as imagens, organizá-las e fazer a sua emissão, de forma privada ou pública. Esta é uma nova forma de comunicação e no tempo das redes sociais é um avanço na utilização da televisão como pólo de ligação entre as pessoas. É um enorme passo e, para a PT, que deu luz verde ao avanço do projecto e que o está a suportar, é mais um argumento para a sua afirmação internacional e para o seu posicionamento. Inovação é isto: imaginar, fazer, concretizar e utilizar.


 


SEMANADA –   Mais de 800 farmácias têm os fornecimentos de medicamentos suspensos por falta de pagamentos; a taxa de desemprego ultrapassou os 15%; o número de licenciados no desemprego aumentou 40% no último ano;  as multas aplicadas entre 2008 e 2011 por violação da Lei do Tabaco totalizaram milhão e meio de euros; nos tribunais há 1,7 milhões de processos pendentes, o dobro dos que existiam há 15 anos; a bolsa de Lisboa afundou quase 6% em Abril; as vendas dos jornais generalistas caíram 4% nos dois primeiros meses do ano; José Sá Fernandes foi condenado pelo Tribunal da Relação de Lisboa pelo crime de gravação ilícita de uma conversa em 2006 com um dos responsáveis da Bragaparques.


 


ARCO DA VELHA – Só na zona de Lisboa a acção de promoção do Pingo Doce no dia 1 de Maio provocou 32 ocorrências com intervenção da PSP nas diversas lojas; no Porto um casal foi violentamente agredido na disputa por um carrinho de compras; em Viseu o gerente da loja Pingo Doce sentiu-se mal devido ao caos na loja e teve de ser hospitalizado.


 


VER –  Esta semana dedico atenção à fotografia. Começo pela mostra de 57 imagens do World Press Photo, que está no Museu da Electricidade, em Lisboa. Sugiro, a quem está no Porto, a exposição «Cultura Magra», de Paulo Alegria, que o Centro Português de Fotografia e a Estação Imagem de Mora apresentam no edifício da Cadeia da Relação. A terminar o Arquivo Municipal de Fotografia, de Lisboa, na Rua da Palma 246, tem uma curiosa exposição de Mariana Gomes Gonçalves sobre o universo familiar e, sobretudo, outra, notável, de Isabel Nery e Marcos Borga intitulada «Vida Interrompida» e que, na palavra dos autores, é um trabalho sobre a vivência da hospitalização e uma  reportagem sobre a vulnerabilidade humana, inicialmente pensada como uma reportagem para a revista «Visão».


 


OUVIR – Ahmad Jamal é um dos pianistas de referência do jazz e aos 81 anos continua a ter a capacidade de surpreender. O seu novo álbum, «Blue Moon», foi gravado no final do ano passado em Nova Iorque e além de vários temas do próprio Jamal inclui alguns clássicos, desde logo o «Blue Moon» que dá nome ao álbum, mas também «Gipsy» ou «Invitation» ou ainda «Laura», todos com arranjos surpreendentes – desde a marcação da percussão e bateria até à própria forma inesperada como Ahmad Jamal improvisa. Um disco apaixonante. (CD Jazz Village, na Amazon)


 


FOLHEAR – A capa da edição de Maio da «Monocle» é dedicada ao crescente negócio que existe no Japão em torno dos cães– desde a criação e venda dos bichos, até aos profissionais que os passeiam, os cabeleireiros que os tratam, os fotógrafos que os mostram, os cozinheiros que lhes fazem ementas ou os designers que lhes criam acessórios. É um mundo cão – mas existe, está próspero e insensível a crises. Outros pontos de interesse são um excelente guia de viagem à Tailândia, um artigo sobre o papel do Goethe Institut e uma reportagem sobre a revista «Paris Match». E, claro, esta é a edição em que está o especial sobre design, um directório de 32 páginas com o que de melhor há a assinalar nesta área. Bem sei que é publicidade mas as duas páginas que a Espanha publica regularmente na «Monocle» sob o título «I Need Spain», e que mostram exemplos de talento e criatividade, são um exemplo de boa comunicação na construção da imagem de marca de um país. Para completar a cidade de Madrid publica também nesta edição uma página de publicidade sobre algumas das próximas exposições que podem ser vistas na cidade – a Arte de Piranesi, uma mostra das obras dos últimos anos de vida de Raphael, outra de Edward Hopper e a Photo Espanã, que começa no fim de Maio. Nem faço comparações. Para salvar a honra da pátria está uma nota sobre Luis Mendonça, um ilustrador de obras infantis que a partir do Porto tem ganho já fama internacional – podem ver o seu trabalho em gemeoluis.com.


 


PROVAR –  Sou assumidamente fã de sanduíches e ao contrário do que se pode pensar não é muito fácil encontrar bons exemplares desta raça em Lisboa. Melhor dizendo, não era – porque desde há uns meses abriu uma padaria Eric Kayser no Amoreiras Plaza e a coisa mudou de figura. Aconselhado por voz amiga, lá fui um dia destes e gostei do que vi e do que provei. A oferta é variável, mas uma coisa é constante – a qualidade do pão . Em matéria de sanduíches, a escolha é ampla, com várias possibilidades, desde o saucisson francês até queijos igualmente franceses, tudo bem servido e acompanhados por folhas de alface fresca, rodelas de tomate ou outros legumes. O pão é estaladiço e saboroso, o recheio não é transparente nem insuficiente. O resultado final é acima da média. O croissant da casa já ganhou fama, o pão com chouriço merece elogio e aos sábados e domingos há brunch que por nove euros traz o suficiente para aconchegar os estômagos.


 


GOSTO – O restaurante Vila Joya, dirigido pelo chef Dieter Koschina entrou para a lista dos 50 melhores restaurantes do mundo.


 


NÃO GOSTO – A autarquia de Lisboa demora 96 dias a pagar a fornecedores, mas a do Porto só demora 16 dias.


 


BACK TO BASICS – Quando não se sabe onde se quer ir, qualquer estrada serve – Lewis Carroll


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 4 de Maio)

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publicado às 12:57



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