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MEMÓRIA - Esta semana soube-se da decisão final sobre as escutas efectuadas a José Sócrates e que acabaram por ir parar ao processo “Face Oculta”. Não vou discutir a decisão dos tribunais (embora cada vez mais desconfie dos tribunais portugueses a todos os níveis), mas uma coisa parece certa: vão ser eliminados dados que no futuro nos ajudariam melhor a compreender a História de Portugal no início do século XXI. Até podia entender que as escutas ficassem congeladas 20 anos ou mais, mas apagá-las revela que se quer esconder o passado. Não é uma questão de legitimidade em eliminar dados eventualmente obtidos de forma discutível, é uma questão de varrer os factos e impedir que se saiba o que aconteceu. Noronha da Costa, nesta matéria, assemelha-se historicamente àqueles que aceitaram que fotografias fossem alteradas, que relatos fossem adulterados. No futuro não saberemos de facto que se passou. E os juízes – todos os juízes mesmo os mais altos magistrados – que permitiram a sua eliminação serão cúmplices de esconder o passado perante as gerações futuras. Espero que haja cópias piratas e que elas se mantenham – será sinal de vitalidade.


 


VOAR – Sou daquelas pessoas que acha que voar é mais seguro, em termos estatísticos, que andar de carro ou de comboio. Mas continuo a ficar revoltado com a frequência com que ocorrem acidentes com aviões ultraleves. Na semana passada mais um caso, dois mortos - foi o terceiro acidente este ano, 5 mortos no total desde Janeiro. Duas dezenas desde 2006. Numa recente reportagem, o jornal “i”  afirmava: “A Federal Aviation Administration (FAA – autoridade norte-americana para a aviação) dizia, num comunicado relativo aos motores Rotax – que são os mais usados na aviação ultraleve –, que “durante uma revisão do processo de produção foi detectada uma irregularidade na construção de uma cambota”, que, caso não fosse corrigida, poderia levar à “paragem do motor durante o voo”. Já este ano, a Civil Aviation Authority (CAA – equivalente britânica da FAA) repetiu o aviso. Num documento de 18 de Janeiro diz-se que o problema se restringe a “um número limitado de motores”, mas a lista que acompanha o alerta da CAA enumera mais de uma dezena de modelos da marca em que a anomalia foi detectada.” E mais à frente, sobre esta motorização utilizada nos aviões ultraleves Tecnam: O manual de motor de modelos da marca, a que o i teve acesso, tem uma particularidade nada habitual que refere “Perigo: este motor, pelo seu desenho, está sujeito a paragens súbitas. A paragem do motor pode resultar em despenhamentos. Esses despenhamentos podem resultar em ferimentos graves ou morte”. Mais abaixo diz-se que “o utilizador assume todos os riscos e reconhece, pelo seu uso, o facto de o motor estar sujeito a paragens súbitas”. André Garcia, director de produção da Tecnam Portugal – empresa que comercializa os aviões ultraleves equipados com motores Rotax –, interpreta a nota como uma forma de a empresa “escapar a processos legais” por possíveis acidentes. Contudo, a nota de aviso não tem impedido o INAC de certificar estes aviões como estando aptos para a prática de voo.”. Isto não vos causa alguma inquietação sobre os nossos reguladores?


 


SEMANADA – Depois de milhões gastos e de actividade quase nula, o Governo criou um Grupo de Trabalho para estudar a rentabilização do Aeroporto de Beja, que é constituído por sete pessoas; o PS é o recordista de faltas por deputado na AR; 38% dos beneficiários do rendimento de inserção são menores e os beneficiários deste apoio triplicaram no primeiro trimestre; os processos fiscais rendem menos que a troika pensava e o presidente do Supremo Tribunal Administrativo disse estar “a convencer a troika do nosso interesse em mudar a situação”; frequentar a faculdade custa em média um salário mínimo por mês; tirar o curso superior absorve um quinto dos rendimentos das famílias portuguesas;  António Borges, o ex-vice presidente da Goldman Sachs, actualmente na categoria de  “quadro superior”  ao serviço do Governo e da Jerónimo Martins (como um deputado do PSD se lhe referiu no Parlamento), defendeu a redução dos salários em Portugal  e conseguiu ser contrariado por toda a gente, do PR ao PM, passando por porta-vozes de todos os partidos, incluindo o seu; no aniversário do primeiro ano em funções do Governo, o PSD desceu as intenções de voto, o PS ficou igual, assim como o PP e as subidas são do PCP e Bloco de Esquerda; na semana em que registou o pior resultado de sempre de um Presidente da República numa sondagem, Cavaco recebeu uma camisola da selecção com o  número 10, das mãos de Cristiano Ronaldo.


 


ARCO DA VELHA –  Em 15 anos foram gastos 75 milhões de euros no Metro do Mondego mas o projecto ainda não saíu do papel e deixaram de existir ligações ferroviárias entre Coimbra e a Lousã desde 2010.


 


PALAVREADO – “O Parlamento é um escritório de representação de empresas” – Paulo Pinto, Professor, Vice Presidente da associação Transparência e Integridade


 


VER – Esta semana gostei muito de ver os azulejos de Xavier Sousa Tavares, na Galeria Ratton (Rua da Academia das Ciências 2C, à Rua do Século); as pequenas e reveladoras esculturas e os desenhos de Rui Sanches na TPobjectosdearte (Rua S. João da Praça 120, perto da Sé) ; e as noites de Inez Teixeira e as experiências de Inês A, ambas na Plataforma Revólver , na Rua da Boavista 84 – cuidado com a PSP que nas noites de inaugurações anda à caça de multar quem não estaciona certinho no local. Confesso que, de tudo, foram as noites de Inez Teixeira que mais marca me deixaram – depois daqueles quadros nem me apeteceu ir refilar com os zelosos agentes da autoridade que só estão onde se estaciona, e nunca onde há roubos. Coisas.


 


OUVIR –  Hoje não há muitos discos novos que me surpreendam, mas reconheço que «Absence», o terceiro álbum de Melody Gardot, é uma agradável prova do seu talento e criatividade. Ela conta que este disco foi influenciado por estadias mais ou menos prolongadas em Marrocos, na Argentina, no Brasil e em Lisboa (esteve cá quase seis meses em 2011).  Gardot canta no seu inglês nativo, mas também em espanhol e em português- podia ser um pesadelo, mas na realidade é um grande disco – e em boa parte porque ela percebe o que é o tango, ou a bossa nova ou o fado e não se coloca no papel de imitadora turística. Ela saíu-se bem, em grande parte pela produção, excelente, do brasileiro Heitor Pereira. As duas canções «portuguesas» do disco são «Lisboa» e «Amália» - sendo que esta Amália é inspirada por um pássaro e não pela Fadista. Às vezes é difícil explicar porque se gosta – mas este é um grande disco, que pode ser ouvido em casa com o espírito de se estar num bar, a ouvi-la cantar, com improviso e emoção.


 


 


FOLHEAR –  A melhor publicação editada actualmente por uma instituição cultural em Portugal é o mais que fanzine e quase magazine “Próximo Futuro”, espécie de órgão central das programações que António Pinto Ribeiro elabora para  a Fundação Gulbenkian. A presente edição, que leva o nº 10, é dedicada ao mundo árabe e às transformações sociais, politicas e criativas que lá decorrem. A fotografia ocupa felizmente um lugar importante nesta publicação – como os quadros fotográficos de Majida Khattari, que reproduz. Alem disso a edição inclui informações sobre toda a programação, nas diversas áreas que abrange. Se todos os programas fossem assim, não deitava nada fora e não me cabia tanto papel em casa.


 


PROVAR  – Nestes dias em que os jogos do Europeu estão à porta recomendo o bar do Espaço 10, o local desenvolvido por Rui Costa, em pleno Saldanha. Na andar de baixo há um bar onde se petisca (caracóis, pica-pau, presunto...), e ao fim de semana há música ao vivo. Mas nestes dias o que interessa é que os ecrãs são grandes e bons e se pode passar lá um bom fim de tarde a ver os jogos do Europeu. Com um bocado de sorte o próprio Rui Costa ainda lá aparece. Quando a fome apertar basta subir ao primeiro andar, ao restaurante, onde se come bem e com uma vistaça sobre a Avenida da República. Fica no edifício do Atrium Saldanha, entrada pela Avenida Casal Ribeiro 63 A, telefone – 213 528 242.


 


 


GOSTO –  Da Volvo Ocean Race e da forma como ela projectou internacionalmente uma imagem positiva de Lisboa e de Portugal.


 


NÃO GOSTO –  Da falta de activação das marcas de grandes empresas portuguesas, nomeadamente as  ligadas ao ambiente e energia, na Volvo Ocean Race.


 


BACK TO BASICS – Tanto quanto me consigo recordar nunca houve um economista que se tivesse de preocupar sobre como iria conseguir a próxima refeição – Peter Drucker


 


 

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publicado às 15:51



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