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FACTURAS – Eu acho óptimo que se combata a evasão fiscal. Acho ainda melhor que se combata a grande evasão fiscal. Mas fico um bocadinho preocupado se tiver que pedir uma factura quando compro o jornal da manhã, ou se tiver que explicar à simpática senhora que me vende umas belas laranjas da sua pequena propriedade que ela me deve passar uma factura. O que leio nos jornais é que quem não passar factura fica sujeito a uma coima que vai quase a quatro mil euros. Num pais com o desemprego que existe e com a  economia no estado que todos conhecemos, esta medida dificulta o arranque de iniciativas de auto-emprego – seja vender o que a terra dá, seja fazer bolos ou lavar escadas. Bem sei que todos devemos pagar impostos – mas temo que o histórico do passado mostre que os mais fracos serão os que mais serão perseguidos por pequenas infracções, enquanto os especialistas em fugir ao fisco continuarão na mesma. Todos temos uma responsabilidade social – mas em Portugal essa responsabilidade, em matéria fiscal, atinge mais os fracos e muito menos os fortes. Eu sei que, quando viajo, na Europa ou nos Estados Unidos, compro muitas coisas na rua e não vejo os vendedores de pretzels com máquinas registadoras a emitir facturas. Aí vale o dinheiro e não o pagamento electrónico. De certeza que existe uma maneira justa de encontrar uma forma de taxar estas actividades sem as sufocar e penalizar- basta estudar o que se passa nesses países. Estas actividades de rua criam emprego, prestam serviço,  animam as cidades, são úteis. Nos jornais leio que, em função das exigências da facturas, foi feita uma Lei que promove deduções no IRS das famílias. Só que para atingir o teto máximo de deduções de 250 euros no IRS, é necessário reunir facturas de hotelaria, oficina ou cabeleireiro, no montante de 2280 euros por mês, o que se traduz em  perto de 27 mil euros por ano. De certeza que quem fez isto não vive no mundo real. E quer enganar alguém – Vítor Gaspar está enganado ou quer atirar-nos areia para os olhos?


 


ERC – Essa coisa – nem entidade consigo dizer -  que é suposta regular os media deliberou que os resumos vídeo dos jogos da Liga de Futebol só devem ser dados a canais abertos.  A pedido, excluiu o site da “Bola” e o futuro canal que este jornal tem quase pronto a lançar no cabo. Eu achava que uma entidade reguladora devia proporcionar oportunidades para o futuro, acompanhar o presente, e estar atenta aos novos desenvolvimentos tecnológicos. A ERC, não toda, reconheça-se, acha que interessa manter o status quo. Vive no século passado. Ignora a Web TV, os canais de Cabo, o mundo actual. Esquece que 70% da população portuguesa tem acesso ao MEO ou ZON, ou outros operadores. Esta ERC, a mesma que foi conivente com o despautério da Televisão Digital Terrestre, tem por missão impedir o futuro. Em matéria de televisão e de comunicação, a ERC é coisa que cheira a bolor. Em nome da saúde pública denuncie-se o bolor à ASAE, a ver se duas abjecções sucumbem.


 


SEMANADA –  A região Norte perdeu 1256 escolas; em Lisboa já há mais de mil casas sem água por falta de pagamento; mais de cinco mil pais deixaram de pagar pensão de alimentos;  57% das famílias não tem rendimento para pagar IRS; metade das empresas factura baixo de 150 mil euros por ano; em média 11 casas por dia são entregues à banca por famílias que não têm capacidade para assumir os seus compromissos;  em dez anos o numero de agregados familiares que vivem exclusivamente de pensões passou de 329 mil para 850 mil; no mesmo dia em que o Ministério Público pediu a absolvição de dois promotores do Freeport no célebre caso das luvas, decidiu abrir uma investigação à compra da EDP e REN por chineses; a Bolsa de Lisboa perdeu 57 mil milhões em cinco anos


 


ARCO DA VELHA – " A ASAE visitou recentemente um dos melhores restaurantes do país e levantou um auto ao estabelecimento e ao gerente porque o prato "posta
mirandesa" devia ser chamado " posta à mirandesa", dado a carne não ter
certificado de origem!" citado por José Carlos Pinto Coelho, do Onyria Resorts, no estudo “Países Como Nós 2”.

VER – Não é muito vulgar um artista português dedicar tanta atenção a construir um bom site, e, menos ainda, a um bom site de vendas online de obras suas em diversos formatos. Pedro Calapez, que é um explorador incansável, procura sempre surpreender com o que faz e o trabalho que se pode ver em  http://calapez.com/ e em http://buyacalapez.com/ é de facto ímpar na paisagem portuguesa. É uma permanente mostra da evolução da sua criatividade, um actualizar de tendências e um guia para uma melhor compreensão da sua obra. Quase tão bom como visitar o seu atelier ou uma das suas exposições.


 


OUVIR – Como tudo na vida tem o seu tempo, os Keane nasceram em 1995 mas só em 2000 gravaram o seu primeiro singlee um álbum inteiro nasceu em 2004. Foram refinando o estilo – e acentuando a sonoridade do piano, assim como a qualidade das canções ao longo dos anos. Já em 2012 editaram “Strangeland”, que é aquilo que se pode classificar como um perfeito álbum pop. O êxito das suas actuações ao vivo – já estiverem recentemente em Portugal e ainda cá voltarão este Verão – ajuda a consolidar a imagem da banda. Canções que ficam na memória são o passaporte para boa recepção nos festivais:  canta tudo em coro e afinadinho. “Strangeland” ajudou muito a isso este ano.


 


FOLHEAR – Prosseguindo na senda da recomendação dos livros para férias, hoje aventuro-me pelos petiscos. Anthony Bourdain é um nova-iorquino, filho de pai francês, e que se tornou nos últimos anos numa das referências da cozinha mundial – principalmente graças à televisão. Bourdain esteve recentemente em Portugal e fez em Lisboa um episódio da sua série “No Reservations”, que, como habitualmente, primou pelas escolhas inesperadas – podem vê-la no YouTube. O seu primeiro grande êxito editorial foi “Cozinha Confidencial- aventuras no submundo da restauração”, um original de 2000, que foi reeditado entre nós graças à notoriedade que entretanto a televisão trouxe. Bourdain é um tipo divertido, que escreve de forma cativante e que conta histórias de forma deliciosa – como por exemplo a sua descoberta das ostras. Na realidade o livro descreve a forma como ele foi descobrindo o prazer da comida, como foi descobrindo sabores. Mas conta também como é a relação de poder dentro de um restaurante – da cozinha ao bar, passando pela sala. Está bem escrito, bem traduzido e, já agora,  proporciona boas ideias para quem nas férias se quiser aventurar a fazer de cozinheiro.


 


PROVAR – Um destes dias fui jantar a um aprazível local no Cais de Sodré, o IBO, uma homenagem aos sabores de Moçambique, e fiquei com a refeição azeda quando vi que lá estava Vítor Gaspar a jantar, numa mesa de burocratas, nacionais e comunitários. Só mesmo a excelência do caril do IBO e a simpatia do serviço, além dos convivas da mesa, me permitiram sair incólume da noite. Já que os Ministros das Finanças nos aborrecem tanto, deviam ser aconselhados a não estragar a noite aos contribuintes aparecendo em locais públicos ainda por cima provavelmente jantando à custa desses mesmos contribuintes. Adiante, que o IBO merece melhor recomendação que a criatura das Finanças. Quando quiserem provar o melhor caril de Lisboa – de gambas ou caranguejo –é lá que se devem dirigir. Telefone             213 423 611      .


 


GOSTO –   De terem escolhido caricaturas do desenhador António  para a nova estação do Metro do Aeroporto


 


NÃO GOSTO – Que, em qualquer caso ou situação, um Bispo use a sua posição na hierarquia da Igreja para expressar opiniões politicas


 


BACK TO BASICS –  Nada há de mais ruidoso – e que mais vivamente se saracoteie com um brilho de lantejoulas – do que a politica – Eça de Queiroz.


 


(Publicado no Jornal de Negócios de 20 de Julho)


 

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publicado às 13:23



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