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A INJUSTIÇA EM QUE VIVEMOS

por falcao, em 24.07.12

Passam os anos e existe um sector onde nada se altera – a Justiça. É raro o mês em que não acontece mais um daqueles casos que nos põe de cabelos em pé. A decisão sobre o caso Freeport é o mais recente exemplo da ineficácia de um sistema em que os vários intervenientes públicos – Procuradoria, investigadores policiais e tribunais - não se entendem e arranjam sempre maneira de descobrir buracos uns dos outros em vez de conseguirem focar-se nos factos e nos casos em julgamento.


 


A um outro nível, em poucas semanas, os tribunais produziram situações assim: um pedófilo assumido foi condenado a 5 anos de pena suspensa depois de pagar uma indemnização à família de uma das vítimas - diz-se “arrependido” e o tribunal justifica a decisão dizendo que ele é uma pessoa “inteligente e estruturada”; um empresário da noite, julgado e condenado a 22 anos de prisão por homicídio em atentado à bomba, foi deixado em liberdade por decisão de um tribunal que anula a decisão anterior por motivos processuais; um psiquiatra foi ilibado por um Tribunal depois de ter violado uma paciente grávida em 2011. Por mais boa vontade que se tenha não se consegue acreditar na justiça, na procuradoria, nos investigadores e nos tribunais.


 


O sistema não funciona e não é só por ser demorado e penoso – não funciona porque se desgasta em guerras internas em vez de procurar esclarecer a verdade, descobrir os culpados e atribuir-lhes o castigo que merecerem. Em Portugal os tribunais deixaram de ser órgãos respeitados para serem a origem de maus exemplos, de anedotas de humor negro, de ineficácias diversas, de tempo perdido. Alguma coisa vai mal num sistema em que deixa de haver justiça e em vez disso há uma farsa onde nunca há culpados.


 


(Publicado no diário Metro de 24 de Julho)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:16


1 comentário

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De Anónimo a 25.07.2012 às 12:45

Muito bom Manel. Parabéns

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