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SILÊNCIO – Uma das coisas mais fascinantes na nossa atividade politica tem a ver com a gestão do silêncio de algumas figuras do Estado que têm por função mediar conflitos, encontrar pontos comuns, descobrir soluções, aconselhar uns e dar uma palavra de estímulo a quase todos nestes difíceis momentos. Estou a falar do Presidente da República – e deste singular fenómeno que é o facto de vários órgãos de comunicação, quando de repente ele fala, optarem por dizer “Cavaco rompeu o silêncio”, antes de explicarem o que ele disse. É a prova de que este Presidente da República criou uma nova forma de posicionamento - que é o seu silêncio – que se torna a notícia principal quando é rompido. É a subversão da ordem lógica das coisas mas é , também, o sinal mais preocupante, do declínio de um regime construído de tabus e conspirações. Quando um dia se fizer a crónica destes dias muito haverá para contar sobre a utilização dos silêncios como arma politica.

 

CAMPANHA – Na noite das eleições presidenciais norte-americanas o site do New York Times afirmava que estava para começar o mais fantástico programa de televisão dos últimos anos. Acertou – e o que aconteceu foi o culminar de uma campanha que se caracterizou por ser a mais cara de sempre.  O Center For Responsive Politics calcula que cerca de seis mil milhões de dólares tenham sido gastos em publicidade, nos vários media, nesta campanha presidencial em 2012. É certo que este valor é manos do que a industria automóvel norte-americana gasta em publicidade de televisão num único ano. Mas mesmo assim foi um valor enorme. Os canais de Cabo da Time Warner tiveram que deixar de fazer auto-promoções dos seus programas alguns dias antes das eleições para poderem acomodar no seu espaço de emissão os spots publicitários que as campanhas políticas queriam colocar no ar – houve nalguns casos mais procura que oferta. Mas voltando às televisões, a NBC foi a primeira a prever – e anunciar – a vitória de Obama. A Fox seguiu-se-lhe, criando alguma tensão interna entre os convidados republicanos que estavam no estúdio da estação. A CNN foi a mais cautelosa, mas a que criou a imagem mais fantástica – uma iluminação especial no Empire State Building, que reflectia o avanço dos resultados eleitorais através de colunas de luz azul (democratas) e vermelha (republicanos). Mas a estrela da noite não estava nas televisões, e sim no New York Times, escrevendo o seu blog “Five Thirty Eight”. Nate Silver, um economista que desenvolveu um algoritmo que lhe permitiu fazer previsões certeiras desde os primeiros momentos do dia da eleição, chegou ao fim da maratona eleitoral com mais de 360.000  seguidores no seu twitter e tornou-se no oráculo da politica norte-americana.

 

 

SEMANADA – Tribunais têm 1,7 milhões de processos parados; comércio, construção e imobiliário lideram os sectores empresariais nos pedidos de insolvência; este ano 5322 empresas já foram declaradas insolventes, mais 45,33% que em 2011; o número de desempregados que anulou a inscrição nos centros de emprego para emigrar entre Janeiro e Setembro disparou 45,4% face a igual período do ano passado; dívida publica cresceu 20 vezes desde1974 e assim cada português deve em média 20 mil euros; o Plano de Emergência Alimentar já está a fornecer 34 mil refeições por dia; a lista negra de devedores envolve mais de 31 mil pessoas e empresas e os valores em dívida ao Estado atingem 434 milhões; as vendas de automóveis caíram 41% até outubro; o dinheiro gasto na campanha presidencial norte americana resolvia o deficit português; já foram feitas apreensões de cocaína este ano no valor de 95 milhões de euros.

 

 

ARCO DA VELHA –Os cemitérios também pagam taxa audiovisual na fatura de eletricidade, assim como os semáforos e os postes de iluminação pública.

 

OUVIR- Kurt Elling é considerado um dos melhores vocalistas de jazz contemporâneos e sábado dia 10 actuará no Grande Auditório do CCB. Natural de Chicago, o seu primeiro disco data de 1995. Na sua carreira já ganhou um Grammy e os leitores e cíticos da revista norte-americana Down Beat consideraram-no como o melhor vocalista de jazz de 2012. No CCB irá basear a sua actuação no seu novo álbum,  “1619 Broadway – The Brill Building Project”. O disco é uma homenagem àquele que é considerado como o berço de muitas das melhores canções. O Brill Building é um edifício de escritórios onde estão empresas ligadas à actividade musical e alguns estúdios de som e de ensaio. Em tempos foi descrito como “o mais importante gerador de canções populares no mundo ocidental” e fica exactamente no número 1619 da Broadway. Neste disco estão grandes clássicos como “On Broadway”, “Come Fly With Me”, “I’m Satisfied” , “American Tune” ou “So Far Away”, e outras de nomes que vão de Paul Simon a Carole King, passando por Sam Cooke ou Burt Bacharach. Em comum todas têm alguma ligação ao Brill Building e Elling interpreta-as com a sua forma muito própria, brincando com o ritmo e o fraseado das canções. Se não for ao CCB, compre o disco e não se irá arrepender.

 

 

VER – O panóptico do Hospital Miguel Bombarda é uma construção arquitectónica invulgar que tinha por finalidade providenciar a detenção para doentes mentais considerados perigosos. Não é um sítio agradável e imagina-se o que seria viver dentro das suas pequenas celas, dispostas de forma circular, sobre um amplo relvado central. As celas, hoje vazias, são a memória que resta da construção criada pelo arquitecto José Maria Nepomuceno e que se manteve em funcionamento até 2000. Em 2001 foi classificado como imóvel de interesse público e transformado em museu hospitalar. Luís Campos, um médico que tem desenvolvido assinalável trabalho na fotografia, teve a ideia de convidar uma série de outros fotógrafos para uma exposição integrada nas actividades do 4º Congresso Internacional dos Hospitais. Dos 24 convidados destaco os trabalhos de Augusto Brázio, Valter Vinagre, Inês d’Orey, Catarina Botelho, Augusto Alves da Silva, João Paulo Serafim, Luís Ferreira, Pedro Letria, José Maçãs de Carvalho e do próprio Luís Campos. É um local que vale a pena descobrir e uma exposição que vale a pena conhecer. Pode ser visitada de terça a Sábado, das 12 às 18, até final de Janeiro.

 

FOLHEAR – José Manuel Fernandes, jornalista, ex-director do “Público”, meteu ombros a uma tarefa não muito popular, mas corajosa, que é reflectir sobre a sua actividade politica na juventude, entre os 15 e os 23 anos, que coincidiu com os anos antes e imediatamente seguintes ao 25 de Abril de 1974. Com o sugestivo título “Era Uma Vez... A Revolução”, José Manuel Fernandes conta episódios que viveu de perto, relata sem floreados os primeiros tempos da UDP e como se formou como jornalista na “Voz do Povo”, onde aliás nos conhecemos e trabalhámos juntos, onde vivemos ilusões e onde descobrimos desilusões. E é sobre a forma como, dentro de uma organização radical, se vai ganhando consciência do que não está bem e daquilo que surge em contradição com os idealismos, que o livro se desenvolve – e é esta viagem à percepção da “fatal ilusão”, como o autor lhe chama, referindo-se à  “ ratoeira ideológica do merxismo e dessa sua declinação extrema, o maoísmo”, que torna o livro simultaneamente incómodo para alguns e exemplar para outros. Escrito como um relato de memórias, “Era Uma Vez... A Revolução”, nunca é acrítico nem distanciado, é muitas vezes empolgante e é certamente muito pouco saudosista. O que é aliás a sua principal qualidade.

 

 

PROVAR – Nesta época do ano há uma fruta que me tira do sério – os dióspiros. O nome tem origem grega e quer dizer a fruta dos deuses. É um nome bem posto. Confesso que foi para mim uma descoberta tardia, mas hoje em dia suspiro que chegue o Outono e que, com ele, venham os dióspiros, bem maduros. Abro-os com uma colher, a polpa quase líquida, que gosto de polvilhar com canela, com umas nozes ao lado. Se puder acompanhar com um moscatel roxo da casa agrícola Horácio Simões, da Quinta do Anjo, Palmela, ainda melhor. É uma combinação perfeita, uma sobremesa absolutamente excepcional.

 

 

GOSTO –  60% dos portugueses já acede à internet e um em cada cinco utilizadores acede a partir do telemóvel

 

NÃO GOSTO – O sporting tem as piores classificações, pontuação e quantidade de golos marcados de sempre depois de oito jogos na Liga.

 

BACK TO BASICS – Não é de admirar que entre os cidadãos cresça uma descrença na política, quando em todas as eleições ouvem os políticos fazer promessas que não cumprem nem nunca tencionaram cumprir. Fantasias de campanha eleitoral servem para ganhar eleições mas não melhoram a vida de ninguém – Bill Clinton


(Publicado dia 9 de Novembro no Jornal de Negócios)

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publicado às 17:53



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