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RTP - Não me apetecia voltar a este tema, mas tem de ser. Não sei se os leitores sabem mas o departamento jurídico da RTP tem um rol de falhanços em tribunal verdadeiramente assinalável. Os inquéritos internos que promove, e que são muitas vezes pretexto para processos disciplinares,  são frequentes espelhos de encomendas, rumores, invejas e guerrilhas internas e, assim, falham na justiça. Talvez consciente disso mesmo o Presidente da RTP apressou-se a dizer que, embora o inquérito instaurado a Nuno Santos o desse como culpado exactamente daquilo que um comunicado inusitadamente violento do Conselho de Administração insinuara dias antes, não iria ser feito nenhum procedimento disciplinar. É a admissão, implícita, das precipitações verificadas neste caso. Desde o início a gestão da RTP ouviu, permitiu e construíu uma narrativa onde se apontavam culpados antes de julgamento. Em nenhum momento ouvi a administração da RTP criticar a PSP, por ter feito, na sua opinião, pedidos de legalidade duvidosa; em nenhum momento a ouvi queixar-se do sucedido ao Ministro da Administração Interna ou à sua tutela; em vez disso utilizou a sua energia e os seus recursos e hierarquias não na defesa da empresa face a abusos do exterior, mas numa ofensiva interna que deu um resultado que, coincidência das coincidências, produziu o conveniente resultado de substituir a Direcção de Informação. De repente percebi: quando se espreita a folha, deixa de se ver a árvore.


VOTO - Nas últimas eleições votei conscientemente no PP, para que fosse um elemento de diferença, para que tivesse mais peso político na coligação, para que se batesse pelos cidadãos, contra o peso do Estado e o assalto aos contribuintes, pela moderação da deriva neo-liberal e pela responsabilidade política. A entrevista do Primeiro Ministro e o Orçamento de Estado mostram que o PP é encarado como pouco mais que um ornamento parlamentar. Um dos problemas mais graves que temos no funcionamento do sistema político das nossas sociedades tem a ver com a deturpação da comunicação e relação entre eleitores e eleitos nos períodos entre actos eleitorais. A regra tem sido que, a partir do dia das eleições, começa um ciclo pouco virtuoso de alteração das promessas efectuadas e de construção de uma nova irrealidade, teoricamente legitimada pelo voto obtido com base nessas promessas. É isto que faz desacreditar na política.


SEMANADA - O esforço fiscal relativo dos portugueses situa-se, em 2012, em média, cerca de 15% acima da média europeia; o esforço fiscal relativo subirá para 20% acima da média europeia no próximo ano e será o quinto mais elevado de entre os 27 países da União Europeia; em Outubro havia 10495 casais em que ambos estavam desempregados, o dobro do registado em Outubro de 2011 e quase sete vezes mais do que em Outubro de 2010; apenas um quinto dos funcionários públicos fez greve no passado dia 14; a dívida pública está a subir 61 milhões de euros por dia ao longo deste ano; em Portugal as empresas demoram em média 275 horas para conseguir processar todos os impostos e a média europeia é de 184 horas; a crise atingiu a Coca Cola que teve uma quebra de vendas de 10% em Portugal; segundo o novo relatório trimestral da Anacom, 78,8 em cada 100 famílias utiliza os serviços de televisão por subscrição e mais de metade tem acesso a mais de 80 canais; Cavaco Silva, enquanto primeiro ministro, deixou cair a agricultura e a pesca e esta semana, como Presidente da República, defendeu que nos devemos virar para a terra e o mar.

ARCO DA VELHA - Empresas de transportes estão a ter um aumento significativo das receitas graças ao aluguer de autocarros para deslocação de manifestantes, por encomenda de sindicatos.

VER - A Arte Lisboa, que costumava decorrer na FIL por esta altura do ano, foi cancelada. Em vez disso a Associação de Galerias de Arte propõe as Noites de Arte Contemporânea - galerias abertas até às dez da noite hoje sexta e amanhã, sábado. Destaque para os desenhos de Souto Moura na Galeria João Esteves de Oliveira (Rua Ivens 38), as fotografias de David Infante na Módulo (Calçada dos Mestres 34), José Luis Neto na Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18). Espantoso é que na conjuntura actual abra mais uma galeria, como aconteceu esta semana, com a Galeria Belo-Galsterer que inaugurou com exposições de Miguel Branco & Mel O'Callaghana (Rua Castilho 71).

FOLHEAR - Como é costume, a edição da “Monocle” que sai por esta altura refere-se aos meses de Dezembro e Janeiro. O tema central da edição de 270 páginas é o levantamento de novos talentos em várias áreas de actividade, desde designers a politicos, passando por especialistas em urbanismo, agricultura, transportes - são 20 pessoas que podem fazer a diferença. O mote é fornecer ideias frescas para aplicar ao longo de 2013 - nomeadamente reforçar a colaboração entre talentos, esquecer o passado, sair de casa e descobrir coisas novas, manter o raciocínio simples.  Esta edição inclui uma lista de países que influenciam os outros, com o Reino Unido à cabeça, seguido dos Estados Unidos, Alemanha, França, Suécia, Japão, Dinamarca, Suiça, Austrália e Canadá, para só citar os dez primeiros. Espanha está na 16ª posição e o Brasil na 17ª, enquanto Portugal aparece na 23ª, logo atrás da China e antes da Irlanda. Há um artigo muito interessante sobre o renascimento de Madrid, a partir das iniciativas de jovens empreendedores que retomam tradições e profissões antigas, várias mesas redondas ( relações internacionais, o futuro da imprensa, design, tendências da culinária...), um roteiro do turismo australiano e um Guia de viagem da Turquia, a par com sugestões de Helsínquia e de Viena, completam a edição. Já agora - para as peças de colecção da Monocle entrou um pequeno móvel de madeira, arquivador de revistas, fabricado em Portugal e desenhado por Hugo Passos.

OUVIR - Para assinalar os 50 anos de existência, os Rolling Stones patrocinaram a edição de uma colectânea, de três discos, simbolicamente com 50 faixas, e que agrupa a maioria das grandes canções do grupo, incluindo raridades relativas como o primeiro single, “Come On”. Os dois primeiros discos mostram o trabalho dos 16 primeiros anos dos Rolling Stones e as 17 faixas do terceiro são o que existe dos restantes 34 anos de vida - incluindo os dois últimos temas, feitos expressamente para este disco, “Doom And Gloom” e “One More Shot”. De um modo geral podemos dizer que o primeiro disco cobre a primeira fase de êxitos da banda,  com temas que vão de “Satisfaction” a “Ruby Tuesday” ou “Let’s Spend The Night Together”. No segundo disco está a fase que eu considero mais criativa da banda, do final dos anos 60 até ao início dos anos 70, a fase em que arrisco dizer que se tornaram no melhor grupo rock do mundo, senhores de pérolas como “Street Fighting Man”, “She’s A Rainbow”, “Sympathy For The Devil” ou “Wild Horses”. O terceiro disco mostra a época de “Beast Of Burden”, “Undercover Of The Night”, “Harlem Shuffle” ou “Anybody Seen My Baby”.É fastidioso elencar todos os temas, e alguns acharão que existem omissões - mas na realidade esta é uma colectânea que retrata bem a evolução musical dos Rolling Stones através da sua carreira, incluindo praticamente todos os seus pontos altos. E é uma bela demonstração das melhores razões que os fazem ficar na História. (triplo CD Universal).

PROVAR - O restaurante Salsa & Coentros é uma escolha regular destas notas, já desde 2005, quando abriu portas. Esta semana volta à ribalta graças à sua recente empada de cozido - que consegue reproduzir os aromas e paladares do cozido à portuguesa dentro de uma empada de tamanho comedido, leve e muito saborosa. Fiquei freguês. É servida sozinha e na realidade não precisa de acompanhamento, o seu recheio tem todos os principais ingredientes do cozido, cortados aos pedaços. Não está sempre na lista, tive a sorte de a apanhar a uma sexta-feira. Foi uma bela surpresa, a rivalizar com outras especialidades da casa como o arroz de lebre, a perdiz de escabeche ou o arroz de míscaros. A casa continua a ter uma excelente relação de preço/qualidade e um serviço exemplar sob o comando atento de José Duarte. Fica em Alvalade, na Rua Coronel Marques Leitão 12, telefone  218 410 990.

GOSTO - A Fundação EDP ofereceu duas obras de Pedro Cabrita Reis à Tate Modern, de Londres, com o objectivo de apoiar a internacionalização de artistas portugueses.

NÃO GOSTO - Lisboa quer gastar 250  mil euros em iluminações de Natal, mais 100 mil que no ano passado.

 

BACK TO BASICS - Cada vez que estou muito alinhado com a maioria das pessoas sinto que é tempo para parar e refletir - Mark Twain.


(Publicado no Jornal de Negócios de dia 30 de Outubro)


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