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FUTEBOL - Um estudo divulgado esta semana indica que as dívidas à banca dos três maiores clubes de futebol - Porto, Benfica e Sporting - já ultrapassam os 400 milhões de euros, tendo aumentado 60 milhões de euros desde o final da época passada, já este ano. Há outros dados curiosos: as despesas operacionais do Sporting são quase iguais às do Porto, mas as receitas operacionais dos leões são muito mais reduzidas.  Para além das aparências todos os clubes perdem dinheiro, mas continuam alegremente a fazer contratações e todos gastaram mais em compras de jogadores do que realizaram em vendas. Vem tudo isto a propósito da analogia entre os clubes de futebol e a maneira como Portugal tem sido governado - sempre a gastar mais do que se pode, sempre a ficar em dívida. O futebol entusiasma multidões, mas é bem o espelho do país, mesmo no descalabro financeiro. O retrato do futebol, traçado neste estudo de um professor do ISEG, António Samagaio, divulgado pelo “Público”, é o retrato dos velhos vícios, dos velhos exageros e do velho desgoverno. Esta semana em Alvalade muitos se terão interrogado sobre o sentido de tanto dinheiro atirado à rua, sobre o facto de o Sporting ser o clube em pior situação financeira e , também, o que pior resultados tem alcançado entre os três grandes. Uma fábrica pode ter boa matéria prima, mas se for mal gerida não coloca no mercado bons produtos que desafiem a concorrência. Passa-se exactamente o mesmo no futebol.

INVESTIGAÇÕES - Uma das lendas do foto-jornalisno norte-americano  é Weegee, o pseudónimo de Arthur Fellig. No final dos anos 30 as suas fotografias da vida noturna de Nova Iorque fizeram escola. Dizia-se que ele chegava ao local de um crime mais depressa que a polícia, e às vezes era verdade. O segredo era simples - Weegee tinha no seu carro um rádio sintonizado na frequência da polícia e quando ouvia o relato de uma ocorrência que lhe parecia poder dar fotografia, corria para o local. No enorme porta bagagens do seu carro tinha um mini laboratório fotográfico onde revelava as imagens, de forma a conseguir entregá-las nos matutinos ainda a tempo da edição. Quando esta semana li os relatos das buscas em casa de várias pessoas, em duas operações distintas, foi em Weegee que pensei. No seu tempo ele ouvia as notícias num rádio que tinha pirateado para ouvir a polícia; hoje em dia em Portugal há evidentemente alguém na polícia ou no ministério público que, há anos, se entretém a dar indicações sobre onde e quando vão ser feitas operações contra figuras conhecidas. Independentemente do que vier a ser apurado, há pessoas que  são expostas na praça pública sem lhes ser dada a presunção da inocência. Estes braços perversos do sistema judicial e policial são um atentado à justiça. E vivem há demasiado tempo na impunidade, trocando favores e influências. E fazendo, imagino eu, umas vingaçazinhas a soldo de quem dá mais a estas gargantas fundas, 

SEMANADA - O crédito malparado nas empresas exportadoras aumentou 45%; crédito em incumprimento ultrapassou a fasquia dos 5 mil milhões de euros; 6,4% das famílias já não conseguem pagar o crédito da casa; consumo de combustível caíu mais de 13%;Lula acusado de benficiar do “mensalão”; o Papa estreou-se no twitter; o Brasil adiou para 2016 o acordo ortográfico; a análise do ACP às alterações no trânsito do Marquês do Pombal e Avenida da Liberdade é arrasadora das experiências da Câmara e pode ser consultada no site da instituição; o Governo quer reduzir o numero de camas nos hospitais; 10% das compras on line foram em sites de apostas e jogos; as compras na internet mais que duplicaram desde 2007, mas ainda representam apenas 1,2% do total de pagamentos; uma declaração de um responsável de uma empresa de capitais públicos, no Parlamento, na comissão de ética, cidadania e comunicação, valeu-lhe um processo disciplinar com vista a despedimento e a interdição de entrar nas instalações da empresa e toda a gente no parlamento acha o sucedido normal; em saúde investimos 7% do PIB, menos que a média da OCDE,  que é 7,5%; em Portugal os apoios sociais levam 18,7% do PIB, a média da OCDE é de 20,5%; só o Chipre gasta mais que nós em defesa e segurança - 4,7% contra os nossos 4,1%; temos 1182 empresas públicas, 29 mil carros, 356 institutos públicos, 343 empresas municipais, e 13 740 instituições sentadas à mesa do orçamento.

ARCO DA VELHA - A Associação Empresarial de Penafiel, por intermédio do Centro de Emprego da localidade, contratou desempregados, a 43 cêntimos à hora, para se vestirem de Pai Natal, pagando um total de 83 euros por 30 dias seguidos de trabalho. “Desenvolvimento e promoção de ações de animação do comércio local no centro histórico de Penafiel durante o período natalício” é a descrição do trabalho contratado.

PALAVREADO - “Qualquer apoio do Ministro Miguel Relvas a uma candidatura é um beijo da morte” - Marcelo Rebelo de Sousa

PROVAR - Há alguns meses abriu no Centro Comercial das Amoreiras o segundo restaurante da cadeia alemã Block House em Portugal. A cadeia nasceu em Hamburgo, no ano de 1968 e tornou-se uma referência pela qualidade das carnes que serve, provenientes de novilhos das raças Angus e Hereford. Os acompanhamentos são simples - saladas frescas e batatas assadas recheadas de sour cream polvilhado de cebolinho, mas para quem queira há a clássica batata frita ou legumes salteados por exemplo. Quem quiser tem cordeiro, peru ou salmão, mas quem aqui vem procura mesmo bife - e há sete variedades diferentes, cada uma com o seu corte e preparação, do filet mignon de 180 gramas até ao rib-eye mastercut de 350 gr. E, claro, também há um bom hamburguer. Nas sobremesas há uma tarte de maçã à austríaca muito boa e um New York Cheesecake com molho de frutos vermelhos, que é um sucesso entre os mais gulosos. Pode parecer estranho este entusiasmo por um restaurante de centro comercial - mas a verdade é que este Block House é atualmente dos melhores sítios onde se pode comer um bom bife, cortado e cozinhado como deve ser. Para quem goste as batatas assadas são uma delícia e devo dizer que o serviço é acima da média.


OUVIR - Andei uns tempos a ouvir este disco até escrever sobre ele. Ao princípio estranhei. Depois, entranhou-se. António Zambujo canta de forma desprendida - às vezes quase se pode dizer que não canta, conta-nos histórias corriqueiras, às vezes brejeiras, com um tratamento musical completamente inesperado mas que resulta muito bem. Há aqui influências de muitas músicas deste mundo, o Fado passeia-se como pano de fundo sem ser dogma. Gosto muito de algumas canções de João Monge, de Maria do Rosário Pedreira, de Pedro de Silva Martins. E gosto das sonoridades das guitarras de José Manuel Neto e Bernardo Couto; e da guitarra eléctrica do Mário Delgado, da bateria do Alexandre Frazão, do contrabaixo de Ricardo Cruz, do clarinete de José Miguel Conde, do trombone de André Conde. O resultado de tudo isto é uma boa mistura explosiva. E gosto dos arranjos, e gosto deste disco tão despretencioso e divertido, descarado mesmo, um disco como há muito não ouvia igual. Chama-se”Quinto”, pelas óbvias razões de ser o quinto disco da carreira de António Zambujo.

VER - Muito para ver por estes dias. Começo por Coimbra onde, no Círculo de Artes Plásticas (Rua Castro Matoso 18), está até 31 de Janeiro uma retrospectiva de fotografias de Albano Silva Pereira, 40 anos de trabalho reunidos na exposição “Atlas S. 1972-2012”. Salto para Lisboa - na Sala do Veado, do Museu Nacional de História Natural e da Ciência  (Rua da Escola Politécnica 56) está “Vuoto”, de Miguel Telles da Gama, um trabalho metódico e invulgar cheio de surpresas. No Porto, claro, está em Serralves até 3 de Março a retrospectiva“Noites Brancas”de Julião Sarmento. E, finalmente, também em Lisboa, no Palácio Galveias, está uma curiosa mostra de fotografias intitulada “12.12.12” - doze fotógrafos retratam o ano que corre, cada um com 12 páginas no livro que acompanha a exposição. É um reatrto do país num ano terrível, mas é também o retrato do trabalho de 12 nomes da nova geração de reporteres fotográficos. E vale a pena.

GOSTO -A Leya criou e disponibiliza uma plataforma de autopublicação - www.escrytos.com - que permite aos autores criar os seus próprios ebooks.

NÃO GOSTO - A dívida pública portuguesa deverá chegar aos 119,1% do PIB este ano, e aos 123,7% em 2013.

BACK TO BASICS- Se não formos capazes de dizer a verdade acerca de nós próprios, somos incapazes de o fazer em relação a outras pessoas” - Virginia Woolf

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publicado às 16:49



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