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PROTESTOS - Quando uma acção de agitação e propaganda - a grandolada como lamentavelmente já lhe chamam - alcança bons resultados é porque existe disposição para ela ser amplificada. Todos os que passaram por acções destas sabem que não basta uma boa ideia. É preciso conseguir o momento certo para que a boa ideia se multiplique. Hoje, é claro, isso é mais fácil porque o espaço entre a acção e a sua comunicação e massificação se tornou praticamente instantâneo. Mas, continua a ser necessário que exista o momento. E a questão é essa: estamos perante um momento em que a oposição ao Governo varreu fronteiras partidárias, ideológicas e etárias. Se fosse o Bloco de Esquerda ou o PCP, e mesmo também o PS, a oporem-se o facto seria significativo mas não chegaria. O problema é que, nos apoiantes e eleitores do PSD e do PP, também se acumulam críticas a Gaspar, Passos Coelho e outros membros do Governo. A coisa avolumou-se a um ponto em que já não interessa se o objectivo da acção governativa é correcto - e isso é o pior de tudo porque cria o clima para destruir o que se fez e para evitar fazer o que ainda é preciso. O grande problema deste Governo á a falta de política, na realidade a falta de bom senso: é ter julgado que os fins justificam os meios e ter agido sem querer fazer participar as pessoas no processo. O Governo tem o pecado da soberba e julga que a sua razão basta - e teve medo de mobilizar as pessoas porque sabia que ía tomar medidas anti-populares. Alguém lhes devia ter explicado que essas medidas exigiam cuidados redobrados. Quando se vai para  a guerra, faz-se campanha antes, e em vez de promessas que depois se revelam mentira. Como se esqueceram do assunto, em cada esquina nasce naturalmente um protesto. Desde 1974 que não existia esta confluência de pessoas, opiniões, e movimentos num só sentido e este é o elemento novo de todo este processo, novo e preocupante pelo risco que encerra de fazer um curto circuito no sistema político. E a culpa não é de quem protesta, é de quem criou as condições para o protesto ganhar esta dimensão. O regime está a perder a sua base social de apoio e esta não é uma boa notícia.

INVEJA  - Quem me conhece sabe que não sou invejoso. Mas reconheço  que desta maneira de trabalhar e de fazer, tenho muita inveja: aqui fica um resumo de um excelente artigo do Mayor de Nova Iorque, Michael Bloomberg, publicado esta semana no Linkedin. Entre 2007 e 2011 o número de nova-iorquinos que trabalham em medias digitais cresceu 80% e a cidade é a região norte-americana que captou mais investimento em empresas tecnológicas no mesmo espaço de tempo, mais que Silicon Valley Em parte isto deve-se aos incentivos criados a partir do início da década de 80 do século passado pelo próprio Bloomberg - as coisas demoram o seu tempo a acontecer mas quando a estratégia é certa , elas surgem. A cidade disponibilizou espaço de trabalho para novas empresas a preços acessíveis - e as 500 empresas que se instalaram nessses espaços conseguiram reunir investimentos privado superiores a 90 milhões de dolares. A cidade investiu também nos cursos de teconologia das universidades locais e espera que os novos engenheiros que de lá vão sair ajudem a criar uma nova vaga de empresas. O programa “Made In New York”, lançado por Bloomberg há uns anos para dinamizar a produção e o desenvolvimento das indústrias do audiovisual na cidade, e que tem sido um êxito, foi agora alargado para a comunidade digital. Este programa fornece recursos e oportunidades para start-ups que escolham Nova Iorque para se instalarem. Mais de 900 empresas em fase de lançamento criarão 3000 postos de trabalho, fundamentalmente dirigidos a jovens técnicos e criativos, e as empresas e a sua localização constam de um mapa interactivo que todos podem consultar -  a cidade esforça-se por divulgar as oportunidades que existem. Chama-se a isto planear, acompanhar, estimular, fazer. Algo muito diferente de prometer e passar a vida a papaguear. Acção política em vez de demagogia política.

SEMANADA - A Caixa Geral de Depósitos prevê prejuízos de 334 milhões de euros nos próximos dois anos; segundo um estudo do BPI, se Portugal tiver condições de pagamento dos empréstimos  semelhantes à Grécia poderá poupar até 14,9 mil milhões de euros; num só trimestre desapareceram 125 mil empregos; o desemprego de longa duração aumentou 29,7%; o desemprego afectou mais as profissões qualificadas e há cerca de 60 mil pessoas de profissões intelectuais inscritas nos centros de emprego, mas a maior parte das colocações disponíveis são para trabalhos que exigem habilitações reduzidas;   António José Seguro escreveu  uma carta à troika a pedir que seja feita fuma avaliação política do programa de ajustamento; Carlos Carreiras escreveu que esta atitude de Seguro revela sensatez política; Passos Coelho garantiu que essa avaliação política já é feita ao mais alto nível pelo Governo; António José Seguro foi a Bruxelas dizer a Durão Barroso que a crise em Portugal é grave; desde 1975 que não se verificava uma queda tão acentuada do PIB como em 2012 - 3,2%, mais uma vez acima das previsões; continuando nos enganos de previsões, Vitor Gaspar foi esta semana ao Parlamento dizer que em relação a 2013 a recessão será o dobro da que previu há três meses no Orçamento de Estado.

ARCO DA VELHA - Na semana passada a GNR detectou 13 camionistas a conduzir sem carta, 35 veículos pesados sem seguro e 112 sem inspecção obrigatória.

VER - Desde a sua reconstrução, após o incêndio do Chiado, esta é a primeira vez que o Museu Nacional de Arte Contemporânea faz uma exposição permanente com a sua colecção. Aqui estão obras de artistas portugueses, feitas entre 1850 a 1975, de nomes como Malhoa, Bordalo Pinheiro, mas também Paula Rego ou Pedro Cabrita Reis, mas também Santa Rita Pintor, Mário Eloy,  Almada, Amadeo Souza-Cardoso, Lurdes Castro ou Júlio Pomar, entre outros. Uma centena de obras que têm andado na maior parte escondidas longe dos olhos do público e que agora podem ser visitadas.

OUVIR- Um dos discos mais divertidos que me foi dado ouvir nos últimos tempos é “The Golden Age Of Song”, de Jools Holland & His Rhythm & Blues Orchestra. Jools Holland é um talentoso músico britânico que integrou os Squeeze e já tocou ao lado de nomes como Eric Clapton, Sting ou Mark Knopfler, entre outros. Depois dos Squeeze tem feito uma bela carreira num programa da BBC que é uma das melhores montras de música pop que se pode encontrar no universo da televisão em todo o mundo. Convida regularmente para o seu programa músicos de diversos géneros e proveniências. Além disso é um amante de canções - de maneira que escolheu 17 clássicos, convidou outros tantos nomes e juntou num só disco o resultado. 12 são gravações inéditas feitas em estúdio e cinco são gravações ao vivo, feitas no seu programa. Aqui estão novas interpretações de temas como “The Lady Is A Tramp”, “September In The Rain”, “Mad About The Boy”, “ My Baby Just cares For Me” ou “Something’s Got A Hold On Me”, por exemplo. A melhor de todas as versões, devo dizer, é a de Paul Weller com Amy Winehouse, em “Don’t Go To Strangers”, gravada ao vivo, na BBC. O disco veio da Amazon.

FOLHEAR - Um dos mais importantes livros sobre a imagem que podemos ler é uma colecção de textos de Susan Sontag, “Ensaios Sobre Fotografia”, que foi reeditada pela Quetzal há pouco tempo. A edição orioginal data de 1973, e em tempos já tinha existido uma outra edição portuguesa. Quando estes textos foram escritos a fotografia não era nada do que é hoje - havia película em vez de digital, a experiência tinha o seu quê de magia alquimista, havia polaroids mas não instagrams e ninguém imaginaria que os telefones fotografassem. Apesar de tudo o que mudou, a essência do pensamento sobre a fixação da imagem no processo fotográfico continua actual - e algumas das ideias, como a da acessibilidade da fotografia como meio de expressão, são cada vez mais reais.  Vale a pena sublinhar um ponto desta edição - a excelência da tradução, assinada por José Afonso Furtado.

GOSTO- O português André Carrilho foi o desenhador convidado pela Vanity Fair para fazer um clássico da revista - um painel na praia de Malibu que evoca as figuras marcantes de Hollywood hoje em dia.

NÂO GOSTO - Parece que há fugas de informação no Ministério Público. Quem diria? E só descobriram agora?

BACK TO BASICS - Quem pode protestar e não o faz, torna-se cúmplice dos actos - n’O Talmude.



(Publicado no Jornal de Negócios de  dia 22 de Fevereiro9

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