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SISTEMA - A história recente resume-se a isto: sai um partido, entra outro; sai este, regressa o anterior; os eleitores vivem cada vez pior e o país afunda-se. O sistema não funciona - está feito não para resolver problemas e tomar medidas, mas para votar promessas e pagar favores. Não favorece rupturas, privilegia a continuidade. Quando o mal se instala uma vez, perpetua-se. Em consequência, as pessoas deixam de acreditar nos políticos e nos partidos. Esta semana um grupo de figuras, muito maioritariamente do mesmo lado do espectro político, lançou um “Manifesto Pela Democratização do Regime” que, espero, não se transforme numa espécie de Frente Popular dos desiludidos do PS, Bloco e de algum PC. No entanto, reconheço que dizem coisas com sentido desde o processo de escolha dos candidatos, até ao processo de criação de listas independentes. Afirmam, com razão, que  “a Assembleia da República representa hoje sobretudo – com honrosas excepções – um emprego garantido, conseguido por anos de subserviência às direcções partidárias e de onde desapareceu a vontade de ajuizar e de controlar os actos dos governos.” Mas noutros pontos o Manifesto é conservador ao extremo, ao não admitir que o mundo mudou, que muitos erros foram feitos e têm que ser corrigidos mesmo que isso provoque alterações na vida das pessoas. De um lado propõe mudanças, do outro defende o que existe e, na Europa, persegue ainda a perigosa fantasia que se vai cada vez mais transformando em pesadelo. No fundo é inconsequente. É pena, porque a discussão da mudança da Lei Eleitoral e do funcionamento do sistema é fundamental, e deve incluir o anacrónico semipresidencialismo - levado ao extremo por Cavaco - cujos custos hoje estão bem à vista. Se não conseguirmos mudar o funcionamento, não mudaremos o sistema, que se alimenta da credulidade dos eleitores e do esmagamento dos contribuintes.


SEMANADA - Segundo dados da PSP, no último ano ocorreram em Lisboa  1,5 manifestações por dia, em média; a recessão está a destruir 535 empregos por dia ao longo do último ano; a procura interna registou uma quebra de 6,8%; estão a sair do país, em busca de trabalho no estrangeiro, 180 pessoas por dia; a PSP do Porto tem 200 viaturas paradas à espera de reparação, quase metade da sua frota; uma mulher de 30 anos foi detida em Barcelos quando levava a filha à escola às 9 da manhã, com uma taxa de alcoolémia de 2,85; a Câmara Municipal de Lisboa pretende concessionar o Pavilhão dos Desportos para instalação de uma discoteca; o Ministério da Educação já perdeu 150 acções judiciais por não pagar a professores; no sector da construção o crédito malparado já atinge 19,3% do volume dos empréstimos; Fronteira, Vidigueira e Alvito são as zonas do país onde se verificam taxas mais altas de insucesso escolar; a administração pública está a demorar, em média, 140 dias a liquidar as facturas aos fornecedores - contra os 61 dias da média comunitária.


ARCO DA VELHA - A China produz 85 mil milhões de pauzinhos de madeira, o que significa o abate de pelo menos 20 milhões de árvores para os fabricar;.


VER - Uma boa surpresa é o que chamo à  exposição “Fotógrafos do Mundo Português, 1940”, que até 26 de Maio está no Padrão dos Descobrimentos, em Belém. Gostei de, num domingo destes, ver o Padrão cheio de visitantes, portugueses e estrangeiros , e de ver esta exposição seguida com atenção. Tem imagens hoje surpreendentes, que acompanham a construção e a realização da “Exposição do Mundo Português”, que foi inaugurada a 23 de Junho de 1940. esta exposição do Padrão recolhe o trabalho de nove destacados fotógrafos da época ao longo dos dois anos que demorou a pôr de pé a Exposição do Mundo Português, culminando na sua abertura ao público - Horácio e Mário Novais, Eduardo Portugal, Paulo Guedes, Kurt Pinto, António Passaporte, Ferreira da Cunha, Abreu Nunes e Casimiro Vinagre são os autores representados. Bem enquadrada por um texto de Margarida Acciaiuoli sobre a época e os trabalhos apresentados, cito como ela sublinha o poder da fotografia nestas imagens - “a fotografia de um evento ultrapassa sempre o próprio evento”. A entrada custa três euros mas além das exposições dá direito a subir ao alto do Padrão, de onde se tem uma vista única sobre Lisboa e o estuário do Tejo.


OUVIR- De repente, e de forma algo inesperada, David Bowie colocou a circular em Janeiro, na altura do seu 67º aniversário,  a primeira canção de um novo disco. A canção, intitulada “Where Are We Now”, é uma evocação dos seus álbuns na época em que viveu em Berlim. A capa do novo CD, uma destruição da capa de “Heroes”, o segundo dos discos da trilogia berlinense, evoca esse olhar, destacado pela frase “The Next Day”, que é o título do álbum e também da primeira canção, um olhar sobre a mortalidade e transitoriedade da vida. A mortalidade é aliás o tema que percorre este 24º disco de Bowie, no ano em que uma exposição no Vistoria & Albert Museum de Londres (até 11 de Agosto) lhe dá um estatuto invulgar no panorama da cultura popular. Primeiro disco de originais dos últimos 10 anos, surge numa altura que em muitos podiam bem pensar que David Bowie se encontrava a gozar uma tranquila reforma. Mas a energia e qualidade deste trabalho voltam a colocar em questão a ideia feita de que as estrelas da cultura popular  desaparecem rápido. Os últimos anos têm assistido à demonstração do contrário e Bowie mostra como está ao seu melhor nível em canções como as já referidas, ou ainda “Dirty Boys”, “You Feel So Lonely You Could Die”, “If You Can See Me”, “Love Is Lost”, “I’d Rather Be High” ou a belíssima “Heat” que encerra o disco, e que é um manual de tudo o que fascina na criatividade de Bowie. Um crítico inglês resumiu bem a situação, descrevendo “The Next Day” como “inovativo, sombrio, arrojado e criativo - um álbum como apenas Bowie podia fazer”. (CD Sony Music na Amazon ou iTunes).


FOLHEAR - A revista “Intelligent Life”, do grupo “The Economist”, tem uma bela edição para iPad totalmente gratuita, financiada por publicidade exclusiva do Crédit Suisse. Na edição de Março/Abril a capa é dedicada ao maestro venezuelano Gustavo Dudamel, cuja história é bem contada, percebendo-se o impacto que ele está a ter na forma de divulgar a música clássica. Numa área completamente diferente há uma recolha da opinião de seis escritores sobre quais são os melhores cheiros do mundo - de rosas a bacon a fritar, passando pelo cheiro do pão a fazer ou da chuva no meio do campo. O guia da cidade nesta edição é dedicado a Copenhague, há uma bela história sobre fechos éclair e outra sobre o surgimento do novo Jaguar F, traçando o paralelo com o nascimento do jaguar E em 1961. A terminar, destaque para um artigo sobre a cultura do cacau em São Tomé e Princípe ao longo da história, da escravidão aos tempos actuais - com citações de Claudio Corrallo, o italiano que tem ajudado a recolocar o arquipélago no mapa como o produtor do melhor cacau - e do melhor chocolate do mundo. Na música, uma lista imperdível de canções para dias de chuva, uma pérola nos tempos húmidos que correm.


PROVAR - Já aqui tenho dito que o Salsa & Coentros, em Alvalade, é dos meus restaurantes preferidos em Lisboa. Em matéria de restauração estou cada vez menos inclinado a experimentar extravagâncias e mais inclinado a manter-me fiel aos clássicos. E uma coisa engraçada é que no Salsa & Coentros, que desde 2006 é um porto seguro, além das sólidas propostas tradicionais da ementa, existem volta e meia umas novidades - e tudo funciona a preços sensatos. Já  elogiei a empada de cozido que me deram a experimentar há uns meses e desta vez venho partilhar o arroz de tordos. Aqui está um petisco que não me passava á frente há muitos anos. Estava impecável, no tempero, no ponto da carne, na cozedura do arroz. Nada a dizer. Soube-me mesmo muito bem. Quando lá forem perguntem sempre o que há, e que não esteja na lista - o Sr. Duarte tem sempre umas surpresas guardadas.  Rua Coronel Marques Leitão, 12, telef 218 410 990.


GOSTO- Da recolha de música portuguesa “Deem-me duas velhinhas, Eu Dou-vos o Universo” que agrupa 26 temas populares feita por Tiago Pereira, com o apoio da Optimus.


NÂO GOSTO - Lisboa está outra vez toda suja e esburacada e não vejo António Costa a fazer nada sobre o assunto.

BACK TO BASICS - O verdadeiro mistério do mundo está no que é visível, não naquilo que é invisível - Oscar Wilde

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