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SUSPENSE - Existe uma contagem decrescente que está a agitar o país, a que conta os dias que faltam para ser divulgado o parecer do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento de Estado. Os sintomas estão à vista na radicalização das declaraçōes políticas dos mais diversos sectores. Esta semana os pedidos de mudança de executivo vieram de dentro do próprio PSD, o que para alguns foi entendido como um sinal de que circulariam já indícios de que os juízes do Palácio Ratton poderiam colocar o Governo em situação delicada. O Presidente da República, que tem cultivado demais o silêncio, também fez subitamente ouvir críticas sobre o rumo não só do país, mas também da Europa. Se juntarmos todas as peças começam a criar-se as condições para uma crise política. Mais do que provenientes das oposições, os mais preocupantes sinais de crise são aqueles que emanam do agudizar de contradições no ecosistema do poder - ou seja na base política do Governo. De Ângelo Correia a Pires de Lima sucederam-se reparos às opções que têm sido seguidas. Estas contradições, tão públicas e notórias, são a maior ameaça a Passos Coelho. Não deixa de ser espantoso que a oposição interna do PSD esteja a conseguir ser politicamente mais hábil que o aparelho do partido - que anda enredado na complicada teia das próximas autárquicas e da confusão criada em torno da lei de limitação de mandatos. Num clima destes tudo pode acontecer. E, de alguma forma, parte do aparelho prefere que mudanças, a ocorrerem, sucedam depressa. Pode ser que assim ainda se salve a honra do convento a tempo da ida às urnas.


RETORNADO - Fiquei a saber que Sócrates regressa à política, ao local onde já esteve - no caso um comentário semanal na RTP. Não sei se é pesadelo ou se é apenas notório mau-gosto. Mas é completamente absurdo. Não se trata de uma questão partidária, trata-se de bom senso. Sócrates fez o que fez, desapareceu como se sabe. É premiado com um programa onde comentará o que os outros políticos fazem - os do Governo e os do seu partido. Cá para mim António José Seguro deve ter dado saltos de contentamento quando leu a notícia nesta quinta-feira. Imagino, enternecido, Silva Pereira de mão dada com José Lello, embevecidos a olharem para o ecrã enquanto o chefe vai perorando. Vislumbro filas imensas de patrocinadores para o programa de Sócrates, todos interessados em associar as suas marcas ao grande líder. Quanto mais penso nisto, mais certeza tenho que o ridículo mata. E a falta de bom senso tem morto o serviço público.


SEMANADA - A dívida pública directa do Estado ultrapassou os 200 mil milhões de euros e aumenta a um ritmo de quase 100 mil euros por dia; em Portugal existem 735 mil casas vazias e há concelhos onde há mais alojamentos do que habitantes; em 40 concelhos nascem menos de dois bébés por mês; nos últimos três meses foram nomeadas mais de 250 pessoas para vários grupos de trabalho; Angelo Correia, que durante anos apoiou Passos Coelho na sua ascensão política, afirmou esta semana que são necessárias “mudanças profundas no Governo”; António Capucho e Angelo Correia apelaram à convocação do Conselho de Estado; António Pires de Lima disse-se chocado com o estilo do Governo e principalmente com o comportamento de Vitor Gaspar; Alberto João Jardim e Freitas do Amaral defenderam a mudança de Governo, mas sem eleições, e dentro do actual quadro parlamentar; maioria teme crise política depois de conhecida a decisão do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento de Estado; em Chipre há cerca de 200 futebolistas portugueses nos diversos escalões da modalidade, dos quais 51 na 1ª divisão; a utilização de vales de desconto cresceu 40% num só ano.


ARCO DA VELHA - A canção “Cacei o Grilo”, do bracarense Miguel Costa, com o refrão “cacei o grilo na toquinha/cacei o grilo à Zirinha”, levou uma vizinha do artista, de nome Alzira, a processá-lo e a exigir uma indeminização de seis mil euros, por entender que a cantiga lhe é dirigida e que a tornou alvo de chacota popular.

VER - Teresa Gonçalves Lobo desenha com um traço muito particular e o resultado produz um dos efeitos mais complicados de obter: criatividade com simplicidade e elegância. Isto é particularmente evidente na sua nova exposição patente na Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva até 24 de Junho próximo - “i em pessoa”. Além de 42 desenhos originais, estão em destaque duas peças de mobiliário basedas na ideia matriz desta exposição, que é a forma da letra i. As peças de mobiliário, uma cadeira e uma chaise longue, foram executadas pelos mestres artífices da Fundação, seguindo os desenhos da artista, e acrescentam uma inesperada tridimensionalidade à obra. A ideia da Fundação é conseguir juntar artistas contemporâneos com os técnicos e os mestres das oficinas da FRESS, num processo integrado de trabalho. Na mesma linha surge um álbum, que agrupa 10 gravuras, assinadas e feitas sobre papel japonês pela artistas, mas depois acabado nas oficinas de encadernação e passamanaria da Fundação.


OUVIR- Quando encontro a expressão “Great American Songbook” penso logo em canções célebres da Broadway ou da idade de ouro de Hollywood - de qualquer forma alguma coisa feita antes do advento do rock. Quando olho para a ficha técnica penso em compositores com nomes como Gershwin, Rodgers, Hart ou Hammerstein. Tony Bennett é o último dos sobreviventes de um grupo que incluía Frank Siantra, Dean Martin ou Sammy Davis, por exemplo. Mantém-se igual a si próprio e nunca precisou de mudar o estilo para permanecer popular. “As Time Goes By - Great American Songbook Classics”, a colectânea agora editada, reúne na maior parte gravações originalmente feitas nos anos 70, quando o cantor resistiu a modernizar o seu estilo. Hoje, estas interpretações, são verdadeiros clássicos, como se constata logo em “Blue Moon”, mas também em “Reflections”, ou “As Time Goes By” - para falar só de alghuns temas de um lote que inclui também “The Lady Is A Tramp” ou “This Can’t Be Love”, por exemplo. Não vejo melhor maneira de começar a Primavera que ouvir este disco ao fim da tarde.


FOLHEAR - Conhecer a história recente nem sempre é fácil, escrever com perspectiva e  distância sobre  assuntos contemporâneos, mais ainda. Evitar que o relato seja enfadonho e conseguir que a história seja atraente é  ainda mais difícil.

“A Cimeira das Lajes: Portugal, Espanha e a Guerra do Iraque”, é um exemplo raro do que pode e deve ser a história recente vista, recordada e interpretada - neste caso por  Bernardo Pires de Lima. Este é um género raro em Portugal mas que fica com um standard estabelecido depois deste livro. As divergências entre Sampaio e Durão  Barroso em matéria de política externa lançam nova luz sobre o errático comportamento do então Presidente e sobre o princípio do fim do regime, a que hoje assistimos com clareza. Percebe-se agora o que levou Bush a manter  o comando da Nato em Oeiras, que concessões foram feitas, o que estava em cima da mesa. Esta é uma visão do que foram as manobras, alianças e guerras internas no Portugal desse tempo. Fica claro que Durão começou então a sua campanha para Presidente da Comissão Europeia. Com a proverbial paciência que se lhe reconhece jogou xadrez melhor que os outros, irritou Sampaio,  contrariou-o e, no fim, literalmente ficou na fotografia. O tempo dirá se ficou bem. Edições Tinta da China.


PROVAR - Uma das mais deliciosas conservas que experimentei nos últimos tempos é o mexilhão fumado, em azeite, produzido pela Tricana. Cada lata custa 3,10 euros e posso garantir que duas latas fazem uma bela entrada para quatro pessoas com uns toques de uma salada apropriada. Em alternativa podem ser bem usadas para tapear, sobre rodelas de batata doce assada. A conjugação de sabores funciona bem, o mexilhão fumado tem um travo delicioso e viciante, e um bom vinho branco levemente frutado, como o magnífico Altano, da Symington, acompanha na perfeição. A Conserveira de Lisboa (Rua dos Bacalhoeiros 34) tem normalmente a gama de produtos da Tricana.


PALAVRAS - “Se Merkel pensasse e ouvisse, antes de agir e exigir, não teria criado tantos problemas” - Luis Campos e Cunha


GOSTO - Nasceu uma nova casa para ver fotografia em Lisboa - A Pequena Galeria, na 24 de Julho, 4C.


NÂO GOSTO - Vitor Gaspar prevê mais cem mil desempregados até final deste ano

BACK TO BASICS -  A minha noção de activismo político não é bem carregar num botão para assinar uma petição online - Jody Williams


(Publicado no Jornal de negócios de 22 de Março)

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publicado às 11:20



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