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Como criar saturação nos públicos?

por falcao, em 12.04.13

 

ANÁLISES - No Domingo passado José Sócrates, na RTP1, teve uma audiência média de 978 mil telespectadores, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa, na TVI, alcançou 1,6 milhões. Os números nāo mentem e, nesta semana em particular, evidenciam uma coisa, que voz amiga bem me sublinhou: estamos numa fase em que as pessoas nāo querem ouvir comícios, nem ataques, nem vinganças; querem quem as ajude a pensar e a compreender, querem quem aponte algum optimismo com espírito construtivo. É isto que Marcelo faz, e é o contrário do que Sócrates proporciona. Mesmo o universo anónimo e heterogéneo das audiências televisivas consegue separar o trigo do joio.


POLÍTICA - Chego ao meio da semana um pouco perplexo. Será possível que o Governo verdadeiramente nāo equacionasse um “chumbo” do Tribunal Constitucional? Os juristas que estāo no Governo e nos gabinetes nāo se pronunciaram? Os políticos nāo previram? Os constitucionalistas da área do PSD nāo disseram ao Primeiro-Ministro aquilo que nestes dias mais recentes têm escrito, comentando a situaçāo? Ou pura e simplesmente o Governo nāo quis ouvir? Nāo consigo deixar de pensar que, ou o Governo previu o que ía acontecerr e estudou alternativas,  ou não previu - e aí o caso revela inconsciência. Nem quero pensar que o Governo soubesse, desde o início do processo do Orçamento que isto iria acontecer, e que voluntariamente deixasse a panela ao lume, para,quando fervesse, poder dramatizar a situaçāo. Qanto maior a dramatizaçāo, já se sabe, maiores os argumentos para justificar o que aí vem - os cortes na despesa. Os mesmos cortes que há muito deviam ter sido estudados, preparados e anunciados, para poderem ser implementados de acordo com um plano gradual que tivesse apoio político para além da coligaçāo. Infelizmente o Governo preferiu fechar-se cada vez mais dentro de si próprio, criando divergências nos próprios partidos que o apoiam e menosprezando a necessidade de conseguir alianças. No fundo, o desprezo pela negociaçāo política, que é a única coisa que nos pode salvar.


SEMANADA - Miguel Relvas à quinta, Tribunal Constitucional à sexta, Conselho de Ministros ao sábado, Passos Coelho, José Sócrates e Marcelo Rebelo de Sousa ao Domingo, António José Seguro à segunda; ainda no Domingo o Nobel da Economia Paul Krugman, referindo-se a Portugal e a novas medidas de austerirdade, comentou “Just say Nao”; o Financial Times escreveu em editorial que os sacrifícios dos portugueses serāo em vāo se nāo houver um plano europeu para impulsionar o crescimento; António Lobo Xavier afirmou no início da semana que “este é o momento da remodelação do Governo”; Vitor Bento afirmou que o acordão do Tribunal Constitucional “estreitou o caminho de permanência no euro”; Num artigo de opinião, Ângelo Correia sublinhou: “só se reforma ou refunde um Estado, se se reformar ou refundar os principais atores, ou seja, os partidos”; o economista João Ferreira do Amaral propôs que o melhor para as contas públicas seria diminuir a carga fiscal para que a economia voltasse a crescer; Eduardo Catroga disse que o Governo desperdiçou ano e meio para reduzir a despesa pública; o chumbo do Tribunal Constitucional a quatro artigo do Orçamento de Estado para 2013 não terá efeitos imediatos no 'rating' da dívida soberana de Portugal, considera a agência de 'rating' Standard & Poor's; a troika anunciou que na próxima semana fará uma visita de urgência a Portugal.


ARCO DA VELHA - Título da semana, sobre a saída de Miguel Relvas do Governo: “Passos perde pára-raios”.


VER - Carlos Correia é um dos mais interessantes artistas portugueses contemporâneos e desde há alguns anos tem vindo a mostrar um olhar muito peculiar em relação ao que se passa à sua volta, evocando momentos que misturam a realidade com referências a obras clássicas da pintura (nomeadamente Manet) ou situações de imagem quase noticiosa. Mas em todas elas há um peculiar sentido de observação, um sentido de humor elegante e o estabelecimento de uma cumplicidade entre o artistas e o espectador da sua obra, que se revela aliás no título que retoma para a sua nova exposição - “La Place Du Spectateur II”, e que estará patente desde quinta-feira 18 de Abril na Galeria  Baginsky, em Lisboa, na Rua Capitão Leitão 51 a 53, ao Beato, em Lisboa.


OUVIR- Mesmo num disco com muita produção, como é este, Madeleine  Peyroux consegue transmitir a ideia de que estamos num clube de jazz a falar com amigos e a beber um copo quando surge uma cantora que nos começa a seduzir. Essa faceta, digamos, de cabaret, sempre me atraíu em Peyroux. Quando começou a trabalhar em “The Blue Room”, o novo álbum, a ideia seria fazer um disco de homenagem a Ray Charles, baseado no repertório de “Modern Songs”, dois álbuns que se tornaram referência na obra do cantor. Mas a meio do percurso a coisa evoluíu para incluir outras canções modernas, como “Bird On The Wire” de Leonard Cohen, “Desperadoes Under The Eaves” de Warren Zevon, ou “Guilty” de Randy Newman. As interpretações de Peyroux de temas cantados por Ray Charles, como “Take These Chains”, “I Can’t Stop Loving You”, “Bye Bye Love” ou “Born To Lose” são exemplos de contenção e criatividade, ajudados pelos arranjos de Larry Klein. O disco inclui ainda um DVD com uma versão acústica, ao vivo, de “I Can’t Stop Loving You”, um documentário sobre o processo de produção do trabalho, e o teledico de “Changing All Those Changes”, uma das interpretaçōes clássicas de Ray Charles, uma canção de Buddy Holly, que Madeleine Peyroux resgatou para este “The Blue Room”.


FOLHEAR - A revista “Photography” (melhor dizendo, British Journal of Photography) é uma das melhores publicações que podemos encontrar sobre os caminhos percorridos pela imagem fotográfica, novidades técnicas e exemplos do trabalho de fotógrafos de diversas sensibilidades. Não mostra apenas fine art, nem apenas foto-jornalismo. Abre as páginas a ensaios e a novos criadores, e assim torna-se uma das poucas publicações do género a dar uma imagem ampla do que se faz pelo mundo - como prova o artigo sobre novos fotógrafos orientais. Além disso reporta iniciativas como o “The Commons”, resultado de um acordo entre a Library of Congress dos Estados Unidos e o Flickr, destinado a recuperar e a trabalhar arquivos antigos e geralmente esquecidos. Mas o prato forte desta edição é o especial de 16 páginas sobre “Genesis”, o novo trabalho de Sebastião Salgado que ele desenvolveu ao longo dos últimos oito anos. Além de várias imagens da série (que vai dar um livro e uma exposição), o artigo mostra o processo de trabalho de Salgado, da preparação à impressão das imagens, fala do material que usa desde 2008 (Canon 1Ds Mk III, digital) e revela que no final as fotografias são processadas através de um programa de software, DxO que, a partir de imagens digitais, consegue reproduzir o aspecto característico do filme a preto e branco Kodak Tri-X de 35 mm. O artigo é fascinante e só por si vale os 12 euros que a revista custa em Portugal. Podem ter uma ideia da coisa em www.bjp-online.com ou na aplicação para iPad.


PROVAR - Nos últimos tempos começa a surgir uma nova geração de restaurantes que apostam na comida portuguesa de qualidade, ementa diária limitada mas variada e serviço atencioso. O S- Restaurante & Petiscos, está neste campo. Abre de segunda a sexta ao almoço e à sexta, à noite, serve petiscos. Fica nas antigas instalações da “Bruschetta”, ao Rato, uma bela sala de arcos de pedra, agora dividida em duas áreas, uma delas, ao fundo, para fumadores. A ementa diária tem quatro pratos cozinhados e alguns grelhados, o vinho da casa, branco e tinto, é servido em jarros e vem da Casa Ermelinda Freitas; o couvert inclui um honesto paio fatiado e um queijo simpático. Panadinhos de frango com arroz de coentros, bola de cozido, polvo com batata doce, galo de cabidela ou arroz de pato são alguns dos pratos que fazem a marca da casa. Pode ser reservada para graupos ao jantar. S - Rua de S. Filipe Nery 14, telefone 213 866 372. Chegue cedo, que a casa enche depressa com uma clientela fiel.


GOSTO - Da aplicação “wunderlist” , para me ajudar a organizar os dias.


NĀO GOSTO - Da absurda situação de confusão a que o silêncio do parlamento remeteu as candidaturas autárquicas.


BACK TO BASICS - “Aquilo que é ilegal pode fazer-se imediatamente. O que é inconstitucional demora um pouco mais de tempo” - Henry Kissinger em, 1973, ao New York Times.


(Publicado no Jornal de Negócios de dia 12 de Abril)

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publicado às 18:26



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