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O Gato e o Rato na política portuguesa

por falcao, em 06.09.13

O GATO E O RATO - A saga do Governo com o Tribunal Constitucional parece a história do gato e do rato. Neste caso o rato é o Governo e o gato é o Tribunal Constitucional. Por três vezes, em tempos recentes, o gato já caçou o rato. E o rato, em vez de pensar como pode escapar do gato, coloca-se vez após vez nas suas garras. Saindo deste tom de fábula, mas que no meu entender retrata a realidade, parece evidente que o rato não se tem preparado - e preparar aqui é fazer política, encontrar opinião semelhante que o defenda, estudar, debater, comunicar, procurar um caminho de fuga, um plano B - tudo o que é preciso para não ser apanhado e deixar o gato no beco sem saída onde o rato se deixou encurralar. Não chega dizer que se vai fazer - é preciso, antes, mostrar que há alguma coisa que se tem de fazer para que outras não aconteçam. É isto que tem faltado ao rato da nossa história. Ainda por cima ele tenta escapar-se de um gato sabidola, ágil e traiçoeiro. A questão é que o gato da nossa história, o Tribunal Constitucional, tem dois problemas - toma decisões ideológicas, porque a contituição é ideológica; e, esta é a pior parte, tem os dois pés fora da realidade. O Tribunal Constitucional é do tempo em que se fabricavam notas nas máquinas da Casa da Moeda e não interiorizou que o dinheiro não nasce por decreto nem por acordão. Ainda por cima é preguiçoso, como o seu processo de trabalho vai demonstrando. Mas o pior de tudo é que, mesmo agora, o Tribunal Constitucional tem entre mãos diplomas com um impacto de mil milhões/ano na despesa do Estado - e continua sem conseguir ver as diferenças entre o Estado e a sociedade. Na realidade continua sem perceber o que é, agora, este país.


SEMANADA - Portugal perdeu cerca de 30 mil professores desde a chegada da troika em 2011; a dívida das autarquias às Águas de Portugal subiu cerca de 5% nos últimos seis meses para 535 milhões de euros; as dívidas fiscais paradas nos tribunais aumentaram 7% este ano; a área ardida este ano, até final de Agosto, é 25% superior em relação à do ano passado; o número de mortos em incêndios este ano já se eleva a seis e existem seis feridos em estado grave; entre 2007 e 2011 foram condenadas 280 pessoas por provocarem incêndios florestais, mas dessas apenas 14 foram condenadas a penas de prisão efectivas e a maioria é condenada a penas suspensas e multas; a segurança da PSP a José Sócrates, de cada vez que se desloca à RTP, ocupa uma equipa de sete agentes; 10% da frota automóvel da PSP está avariada, ao todos 500 veículos estão fora de serviço; por falta de conservação aluíu o pavimento do pátio de entrada do comando distrital de Évora da PSP; Carlos Tavares, presidente da CMVM considera que “a supervisão dos SWAPS não é satisfatória”; 70 concelhos têm falta de médicos de família; as vendas dos smartphones em Portugal cresceram este ano 74%; Alfredo Barroso publicou no diário “i” um artigo intitulado “O PS política e ideologicamente à deriva”.


ARCO DA VELHA - 560 mil imóveis estão isentos de Imposto Municipal desde sedes dos partidos políticos a estádios de futebol, passando por embaixadas ou edifícios detidos por sindicatos e associações patronais, entre outros.


VER - No dia 17 de Agosto abriu no Museum Of Modern Art (MoMa) em Nova York, uma exposição dedicada ao modernismo americano, que revisita a colecção do Museu, com obras que vão de 1015 a 1950, ou, como diz o subtítulo da exposição, “American Modern: Hopper to O'Keeffe” - é de Hopper a imagem junto a esta nota, “House By The Railroad”, de 1925, um dos pontos altos da exposição. Ao mesmo tempo o MOMA continua a apresentar uma retrospectiva sobre a obra do arquitecto Le Corbusier. Se visitarem o site www.moma.org poderão vislumbrar outras exposições, como a que é dedicada à fotografia de Walker Evans ou às novas aquisições para a colecção de fotografia do MoMa. Bem sei que não é a mesma coisa, mas na realidade esta possibilidade de, por via digital, pelo menos vislumbrarmos o que se passa em sítios onde não estamos é uma das maravilhas destes tempos que correm.


OUVIR- Para assinalar o 60º aniversário da editora discográfica Riverside a Concorde Records, que entretanto ficou com esse precioso catálogo de jazz, tem estado a fazer uma série de boas reedições. Chegou agora a vez de “So Much Guitar!”, um LP originalmente editado em 1962, o sexto na discografia do guitarrista Wes Montgomery, um dos responsáveis por tornar a guitarra eléctrica um instrumento musical respeitado (e inovador) no jazz contemporâneo. Este disco tem todos os temas da edição original de “So Much Guitar”, mais um registo ao vivo, “The Montgomery Brothers In Canada”, gravado em Vancouver na Primavera de 1961. Os oito temas de “So Much Guitar” incluem basicamente um repertório de standards e alguns originais, nos quais Wes Montgomery é acompanhado por um então promissor baixista Ron Carter, pelo pianista Hank Jones e os percussionistas Lex Humphries e Ray Barretto - ou seja uma espécie de laboratório de ensaio de alguns dos nomes que haviam de moldar o jazz na década seguinte. Ao ouvirmos as suas interpretações de temas como Twisted Blues ou Something Like Bags, percebemos a época única de explosão de talentos que então se vivia. (CD Riverside/Concorde, distribuído em Portugal pela Universal).


FOLHEAR - Tradicionalmente as edições de Setembro da “Vogue” são o ponto alto  do mundo das grandes revistas de moda. Por isso mesmo a “Vogue” promove em Setembro, em várias cidades, a “Vogue Fashion Night Out”, que na próxima quinta-feira dia 12 chega a Lisboa, pelo quarto ano consecutivo. Avenida da Liberdade, Chiado, Camões, Principe Real, serão as zonas em movimento. Enquanto isso não acontece, vale a pena destacar a edição norte-americana da Vogue de Setembro, uma recordista habitual em tamanho e número de páginas de publicidade. A coisa é de tal forma que já se fez um documentário, “The September Issue”, que relata o processo de produção da edição da Vogue em Setembro de 2007. Pois bem a edição deste ano tem 902 páginas, e nas primeiras 400 praticamente só existe publicidade - mas é preciso dizer que muita desta publicidade é especialmente concebida, fotografada e produzida apenas para esta edição, o que torna muitas das páginas magníficos objectos gráficos. A honra de capa coube a Jennifer Lawrence, um das novas actrizes americanas (nasceu em 1990), e uma outra chamada de capa é para uma exemplar reportagem sobre Marissa Mayer, a mulher que veio da Google para gerir a Yahoo!. Outros destaques vão para bastidores de grandes casas de moda como a Valentino ou a Loewe. Mas há também um trabalho sobre a obra do grande fotógrafo Irving Penn, para não falar de numerosos artigos sobre viagens, restaurantes e as novas estrelas do teatro, das artes plásticas ou da televisão. A Vogue fala de moda - onde quer que ela se manifeste. Em Portugal esta magnífica edição custa 17.60€.


PROVAR - Aqui há uns anos, no meio de uma resolução burocrática na Baixa, resolvi levar o meu filho Gonçalo, que me acompanhou nessa expiação das teias que o Estado tece, a conhecer uma petisqueira. Apontámos à Rua dos Douradores e apresentei-o à Adega dos Lombinhos. Ainda hoje, e já lá vão uns anitos bons, ele se lembra da emoção do lugar - a fauna local e a visitante, o jeito dos empregados, o sabor da carne e das batatas. Volta e meia, esporadicamente, quando estou por aqueles lados, ali vou - prefiro de longe aqueles lombinhos às hamburguerias mal engedradas adjacentes. A Adega dos Lombinhos é uma das derradeiras petisqueiras originais da Baixa e vai desaparecer, engolida numas obras de remodelação que, no prédio onde está instalada, criarão um novo hotel. Essa é uma parte boa e que tem a ver com a cidade - dará conforto aos seus visitantes, sem cuidar do conforto dos habitantes - uma constante da política costista. Se eu fosse ao futuro Hotel mantinha o pessoal da Adega dos Lombinhos no activo, ali no rés do chão do número 52 da Rua dos Douradores, e garanto que rapidamente seriam estrelas num suplemento de viagens do Guardian ou do New York Times. Nem sequer lhe mudava muito o ambiente.


DIXIT - “Com os mesmos de sempre não espere nada diferente” - cartaz da Plataforma Cidadania Lisboa


GOSTO - Do dinossauro introduzido por Luis Afonso na tira de BD Bartoon.


NÃO GOSTO - Da ideia da criminalização dos piropos.


BACK TO BASICS - O maior erro que alguém pode cometer na vida é estar permanentemente com medo de errar  - Elbert Hubbard

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