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COMUNICAR - Apesar da fartura de notícias relacionando a iminente morte da imprensa com uma crise da comunicação, surgem cada vez mais sinais de que as coisas não são assim. Recentemente a “Advertising Age” publicou um trabalho no qual reflectia sobre o sucesso de alguns título que souberam desenvolver aquilo a que chamaram “uma árvore de interesses” - ramificações, a partir do tronco original da marca, em papel, que passam por diversos aproveitamentos digitais, por operações de venda on line, mas também por spin-offs virtuais que exploram nichos de interesse dentro da marca principal e por eventos e iniciativas públicas que fornecem conteúdo editorial e são ocasiões especiais de interacção pessoal entre leitores e editores. Alguns estudiosos de comunicação olham para o que se passa hoje em dia e afirmam que estamos a sair do “parenteses de Gutemberg”: durante cerca de cinco séculos a informação e o conhecimento foram formatados pelo processo tipográfico, mas o digital veio acabar com essa rigidez e veio voltar a permitir a livre troca de colaborações, conversas, opiniões - por definição as edições digitais estão sempre em permanente alteração e actualização. Há quem diga que esta evolução da forma fixa do papel para a fluidez digital não é nova - é apenas o regresso à tradição oral, à forma original de comunicação entre as pessoas, antes do tal parenteses de Gutenberg - e o twitter parece ser um excelente exmplo disso mesmo. Talvez estejamos apenas numa transição,  no recomeço de um velho processo: o da comunicação. As marcas fortes que se afirmaram na informação vão continuar a contar boas histórias, talvez apenas de outra maneira, e é nelas que os leitores continuarão a acreditar.


SEMANADA - Ricardo Salgado já se deslocou duas vezes a Luanda no espaço de 20 dias; Lobo Xavier disse que foram o PSD e o CDS a forçar a intervenção da troika em Portugal; Sócrates disse a mesma coisa na entrevista ao Expresso; Rui Moreira aliou-se ao PS e disse querer continuar a obra de Rui Rio; Rui Moreira, na sua tomada de posse enquanto Presidente da Câmara Municipal do Porto propôs a criação de uma Liga de Cidades de todo o Norte; PS, PCP e BE acusaram Cavaco de estar alinhado com o Governo; em três anos 156 portugueses mudaram de sexo; o Governo anunciou que em 2014 apenas os salários mais baixos pioram em relação a 2012; nas duas semanas seguintes às eleições, as autarquias, teoricamente em gestão, adjudicaram mais de 25 milhões de euros em contratos diversos; as eleições para a Ordem dos Psicólogos geraram polémica sobre a preparação da votação; Portugal e Espanha vão passar a trocar informações sobre contribuintes, empresas e  cidadãos; o resultado líquido das empresas portuguesas caíu 97% em dois anos;  o orçamento da Polícia Judiciária para 2014 não contempla verba para munições de treino; o orçamento de Estado para 2014 prevê mais 3,4 milhões de gastos com pessoal  nos diversos gabinetes governamentais; a despesa do Estado derrapou 857 milhões entre Maio e Outubro.

 

ARCO DA VELHA - Renato Sampaio, ex-presidente da Distrital do PS do Porto, considerou Sócrates um exemplo de humanismo, verticalidade e forte carácter e sublinhou que “hoje no PS não é fácil ser amiugo de José Sócrates”.


VER - Várias sugestões para esta semana: no Arquivo Municipal de Fotografia, na Rua da Palma, destaca-se a exposição Ana Maria Holstein Beck – Álbuns de Família, que conta com 120 fotografias seleccionadas de um espólio notável, a maioria dos anos 20 do século passado, que em muitos momentos faz lembrar a forma como Lartigue fotografou a sua própria família no início do seu percurso como fotógrafo; num outro registo destaca-se a abertura de uma nova galeria dedicada à fotografia, que concilia o seu espaço com um estúdio -The Black Sheep, na Rua do Sol Ao Rato 45 A que apresenta a exposição “I Am Bunny”, um projecto desenvolvido pelo luso-americano João Carlos; em A Pequena Galeria, Avenida 24 de Julho 4c, está “Interiores”, de Carlos Oliveira Cruz. Mas o destaque da semana vai para a exposição que abre este sábado na Fundação Carmona e Costa, “Pandemos”,  em que Manuel João Vieira, Pedro Portugal e Pedro Proença apresentam trabalhos recentes: “Pandemos é sobre o que se passou ontem, sem nostalgias, sobre o que se passa agorinha (com troika e tudo!) e sobre as ganas de continuar a viver uma vida cada vez mais sexy, com ou sem desgraças” - na Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1-6º até 28 de Dezembro.

 


OUVIR - Gregory Porter, 42 anos,  esteve em Portugal no início deste mês para dois concertos onde apresentou o seu novo álbum “Liquid Spirit”, o primeiro que grava para a Blue Note e terceiro na sua carreira. Considerado como um das grandes revelações do jazz vocal, cantor  e autor, Porter tem uma voz de barítomo, cheia e emotiva - um crítico do jornal Guardian classificava a voz do cantor como “sumptuosa”  e não me parece exagero. Os temas de Gregory Porter ficam no ouvido, mexem com as tradições do gospel e dos blues, seduzem nas baladas e agitam nas faixas mais funky, que são também aquelas onde ele parece mais à vontade e empolgado. Este é talvez o seu melhor disco, onde le mostra a sua versatilidade em vários géneros musicais e onde, para além dos seus próprios temas, tem uma boa interpretação de “The In Crowd”. Os dois discos anteriores tiveram nomeações para os Grammy. A ver vamos o que acontece a este “Liquid Spirit” um passo em frente em relação a qualquer dos anteriores discos de Porter.


FOLHEAR - Nas eleiçōes de 1976 Mário Soares teve uma estratégia arriscada: recusou alianças com o PCP ou com o PSD, correu o risco de ficar na oposiçāo, mas saíu vencedor e assim afirmou o espaço político do PS. Se isto fosse marketing em vez de política, dir-se-ia que afirmou uma marca, demarcando-se da concorrência. Este episódio, que havia de se revelar decisivo para a evoluçāo do regime e da democracia portuguesa, tem sido pouco estudado, mas o livro "Mário Soares e a Revoluçāo", de David Castaño, fruto de uma investigaçāo universitária aprofundada que serviu de base ao doutoramento do autor, proporciona  " um retrato rigoroso e objectivo da afirmaçāo política de Mário Soares nos anos decisivos da revoluçāo de Abril (...) transformando-se no líder charneira da institucionalizaçāo da democracia portuguesa", como sublinha o politólogo António Costa Pinto. O autor, David Castaño, pelo seu lado, sublinha que a sua obra estuda um caso concreto de liderança, num período conturbado, onde se procuram identificar os momentos em que as opçōes individuais “contribuíram para a conduçāo de um processo de transiçāo numa direcçāo, em detrimento de outras alternativas que se colocavam”. Ao longo de 300 páginas o livro segue o percurso de Mário Saores desde o início da sua actividade política, mas é sobretudo na ampla investigaçāo relativa aos acontecimentos da segunda metade de 1974, de todo o ano de 1975 e da preparaçāo das eleiçōes legislativas e presidencias de 1976, no pós 25 de Novembro, que o livro ganha maior relevância, tem mais factos novos e bem relacionados, e desperta mais interesse. (Ediçāo D.Quixote.)


PROVAR - Desde 1976 existe na Rua da Paz, em Sesimbra, um restaurnte, premiado várias vezes, que dá pelo nome de "A Padaria", em homenagem ao antigo ofício que ali antes se praticava. De decoraçāo sóbria e confortável, com uma esplanada (nos dias de bom tempo) virada ao mar a meio de uma rua em escadaria, este restauramte é uma boa surpresa - e prova que há razōes gastronómicas relevantes para quem está em Lisboa atravessar a ponte e rumar a estas bandas. Numa incursāo recente tive a sorte de aparecer numa altura em que havia acabado de ser pescado um espadarte rosa da costa de Sesimbra com quase 350 quilos. O animal foi dividido por vários restaurantes que sāo dedicados às qualidades da espécie e por sorte e bom conselho do chef provei o tal espadarte, fumado a quente, acompanhado por um risotto de espargos. Devo confessar que nunca havia provado espadarte de tal qualidade e tāo bem confeccionado. Foi uma verdadeira surpresa, e os outros convivas da mesa que seguiram o mesmo pedido estavam também deliciados. A acompanhar esteve um Duas Quintas reserva branco, magnífico. A responsabilidade do repasto foi do chefe Pedro Gomes, que para entreter o tempo do fumeiro trouxe à mesa uns amouche-bouches intrigantes mas, fazendo jus ao nome, sobretudo divertidos, a proporcionar conversa com humor. A refeiçāo rematou com um gelado de arroz doce, também aconselhável. Em querendo há um menu degustaçāo, mas vale sempre a pena perguntar quais os pratos do dia. Rua da Paz número 5, Sesimbra, tel 212 280 381.


GOSTO - Uma arquitecta do Porto desenvolveu uma marca de sabrinas, as “josefinas”, que começam a entrar nos mercados americano e japonês.


NAO GOSTO - O “enorme aumento de impostos” não reduziu o défice orçamental deste ano.


DIXIT - O PSD, após as autárquicas, ficou numa desorientação completa - Rui Rio


BACK TO BASICS - Será que os andróides sonham com ovelhas electrónicas? - Philip K. Dick

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